Avengers 2 - Era de Ultron
9 Sokovia
Era sabido por todos nós que Ultron estava em Sokovia, e lá ele mantinha Natasha e seu exército de robôs. Era isso que Barton havia me contado, algumas horas depois da criação de Visão. A equipe reunia seus pertences para sairmos em direção a Sokovia. Vasculho o meu armário e encontro um uniforme novo, pela tecnologia avançada estava claro quem fora o criador da roupa: Tony. Mas havia traços que não pertenciam a ele, talvez fossem acrescidos e sugeridos por Natasha.
Meu coração aperta.
O meu traje parecia ser uma fusão entre tecnologia avançada e estética ancestral, desenhado para resistir a temperaturas extremas e conter — ou canalizar — o poder incontrolável do gelo que pulsa em suas veias. A base da vestimenta é um tecido escuro, quase negro, com tonalidades azul-gelo que surgem apenas quando a luz o toca em certos ângulos.
Ao redor do tronco, placas articuladas de vibranium em um tom de prata esbranquiçada formam um peitoral em escamas finas e sobrepostas, semelhantes às de um dragão ártico. Permito que meu poder flua, fazendo surgir uma linha fina e branca em meus dedos. O frio entra em contato com o traje e a tecnologia da roupa responde, mudando de cor, saindo da tonalidade escura e brilhando em azul-escuro… Ele reconhecia a energia do Tesseract.
Visto o uniforme e me olho no espelho. Havia um capuz no traje, forrado com um tecido semelhante a seda gelada, pode ser levantado ou abaixado conforme a necessidade. Quando em repouso, repousa elegantemente sobre os ombros, adornado com filetes de prata e um broche circular com o símbolo estilizado de uma nevasca — Será que era assim que Tony Stark me via? Uma força da natureza…
As mangas são longas, ajustadas e cobertas por delicados desenhos tribais inspirados nas runas nórdicas, que brilham levemente quando ela evoca sua energia glacial. Havia luvas também, de tom escuro e que esquentava e pele fria das minhas mãos. Me olho mais uma vez no espelho, aquele traje refletia os meus poderes em seus mínimos detalhes, ele havia sido pensado para mim e para mim apenas… Exalo devagar, permitindo que meu poder flua e altere a minha aparência.
Se Thor estava certo, uma hora ou outra eu precisaria assumir minha real aparência e talvez o melhor momento seja o agora. Meu cabelo fica completamente branco e meus olhos, roxos. Seria difícil me acostumar, mas só de não ter que controlar minha aparência, sinto como se um peso tivesse sido levantado dos meus ombros.
Sigo para o hangar, onde a aeronave que nos levaria para Sokovia estava esperando. Havia sido a última a chegar, foi levantado voo e eu me sento em uma das cadeiras, afivelando o cinto. Precisamos de um plano e deveríamos seguir ele a risca.
— Vamos entrar na cidade e evacuar todos os cidadãos. Ninguém deve ficar para trás, custe o que custar. Se vamos destruir Ultron, faremos isso sem sacrificar vidas inocentes — Falo, minha voz ficando cada vez mais pesada — Wanda, Pietro e Barton…vocês ficam encarregados de tirar as pessoas de lá. Corram mais rápido do que o medo pode alcançá-las.
Eles concordam, esperando mais instruções.
— Thor, precisamos entender o que Ultron está construindo. Descubra seus planos, identifique cada peça dessa máquina de destruição. Estarei nessa com você — Afirmo, olhando-o nos olhos — Banner… encontre Natasha. Se há qualquer esperança de tirá-la das mãos dele, ela está com você.
Suspiro, Ultron não seria mais forte do que todos nós juntos.
— Ultron acredita que somos monstros. Pois bem. Está na hora de mostrarmos que somos o oposto disso. Que nossa humanidade — mesmo ferida, mesmo partida — é nossa maior força.
Pousamos em Sokovia e cada um já tinha em mente seus próprios planos.
A manhã pairava sobre Sokovia como um véu espesso de fumaça e poeira. O céu estava carregado, e cada passo parecia ecoar a tensão iminente de uma batalha que ainda não havia começado, mas já pesava sobre todos como uma sentença.
As sombras se alongavam sobre Sokovia enquanto eu e Thor cruzávamos os escombros de um antigo edifício administrativo, agora reduzido a um esqueleto de concreto e aço. O silêncio ao nosso redor era espesso, sufocante, como se a própria cidade prendesse o fôlego diante do que estava prestes a acontecer. Ultron transformava tudo o que tocava em extensão de si — metal, dor, vazio — e naquele instante, eu sentia isso não apenas ao meu redor, mas sob minha pele.
Cada passo era guiado por uma tensão invisível. O frio que emanava de mim já não era algo que eu reprimia. Ali, naquela missão, ele era uma extensão da minha vigilância. A brisa que me envolvia movia-se com propósito, tocava superfícies e revelava vestígios de calor, rastros de energia deixados pelas sentinelas de Ultron. Não havia mais como negar: eu estava conectada a tudo aquilo, de um modo que ainda me escapava, mas que se tornava mais evidente a cada segundo.
Thor caminhava ao meu lado, um gigante silencioso de trovão e poder contido. Mjolnir pendia de sua mão com a calma de uma arma ancestral acostumada a esperar pelo caos. Entre nós não era necessário muito diálogo. Estávamos ali para descobrir, para expor. E para, se necessário, destruir.
Descemos por uma escadaria estreita, o chão rangendo sob nossas botas. O frio aumentava. Não pelo ambiente — mas por mim. Era como se algo se aproximasse, algo antigo, que minha essência já reconhecia antes mesmo de ser revelado. Quando chegamos ao subsolo, percebi que ali, naquele esconderijo, havia mais do que concreto ou maquinário. Havia intenção. A arquitetura improvisada de Ultron seguia uma lógica brutal, como se a própria base fosse viva.
Foi então que senti — um calor residual no ar. Me ajoelhei e toquei o chão. O gelo espalhou-se sob minha palma, revelando pegadas metálicas, ainda vibrando com energia estática. Ele estivera ali.
— Ultron passou por aqui recentemente — murmurei, e Thor apenas assentiu.
Avançamos. No coração da instalação havia uma câmara escura, oculta atrás de portas semi-destruídas. Dentro, máquinas pulsavam com uma luz fria e impiedosa. Prototipagem de armamentos. Drones menores que os habituais, mas muito mais refinados. Esqueletos de titânio reforçado. Núcleos expostos, alimentados por pequenos fragmentos de vibranium. Mas o que mais me fez gelar o sangue não foi o arsenal em si — foi o painel holográfico ao fundo. Equações gravitacionais. Mapas orbitais. Projeções de impacto.
Ele planejava lançar a cidade como um meteorito. Uma extinção.
Senti um impulso instintivo. Quase toquei o painel. Mas Thor me deteve.
— Há mais aqui do que armas — disse ele, com a voz baixa. — Este local é um laboratório de deuses. Ele está tentando replicar o impossível.
O maquinário se estendia até a superfície, mas antes que eu pudesse entender o que estava acontecendo escuto um barulho de escombros e gritaria. Me viro para Thor, no intuito de avisar que sairia do local para averiguar o que estava acontecendo e, mesmo sem pronunciar uma única palavra, ele entendia. Me respondeu com um aceno breve de cabeça e eu parto em direção às ruas, saindo quele subsolo escuro, frio e tenebroso.
Saí do subsolo como quem rompe a superfície de um lago escuro — os olhos ainda acostumados à penumbra, os pulmões cheios do ar pesado das profundezas. A cidade acima, no entanto, não oferecia alívio. Sokovia já não era uma cidade: era um campo de guerra, um monumento à insanidade de Ultron.
Avancei entre os escombros de um prédio parcialmente destruído, meus passos rápidos, firmes. O frio me precedia, formando uma leve camada de geada sobre o concreto enquanto meus sentidos buscavam movimento. E então, o vi. Não um — mas dezenas. Robôs de Ultron, sem rosto, sem alma, marchando pelas ruas como uma praga inevitável. Atacavam civis, animais, construções, qualquer sinal de vida ou resistência. Não havia piedade em suas ações. Apenas uma obediência cega ao propósito de seu criador.
Eu os enfrentei antes. Mas nunca em tamanha escala. Nunca com essa clareza de que, se falhássemos, o mundo cairia com Sokovia.
Eles me viram. Os olhos vermelhos brilharam em uníssono, como se reconhecessem algo em mim — talvez medo, talvez fúria. Talvez uma ameaça. Corri para o centro da rua, onde três deles se preparavam para alvejar um grupo de civis refugiados atrás de uma van capotada.
— Ei! — gritei, e ergui os braços.
O ar ao meu redor congelou num instante, se condensando numa tempestade de estilhaços de gelo e neve que dispararam como lanças. Um dos robôs foi empalado, seu núcleo rachando sob a pressão gélida. Os outros se lançaram sobre mim.
Um deles tentou me golpear com uma lâmina acoplada ao braço. Me abaixei e girei, o casaco girando comigo como um redemoinho de nevasca. Toquei o chão com a palma da mão, e o gelo explodiu sob os pés do inimigo, congelando suas articulações e prendendo-o no lugar. Antes que outro me atingisse por trás, ergui uma parede de gelo espessa que interceptou o golpe. A vibração do impacto reverberou pelo meu corpo.
Eu não era tão rápida quanto Pietro. Nem tão forte quanto Thor. Mas eu era o inverno.
Concentrei minha energia. O frio se acumulou em meu peito, e quando o soltei, uma rajada cortante varreu a rua como uma onda branca. Os robôs foram arremessados contra paredes, postes, veículos. Alguns tentaram voar, mas o gelo os puxou de volta, prendendo asas metálicas em garras cristalinas.
Sangue? Não havia. Mas a destruição era a mesma. Cada autômato que destruía deixava em mim uma cicatriz invisível. Eu ouvia os gritos dos civis correndo para trás de mim, buscando abrigo. Eu não podia protegê-los todos. Mas podia atrasar o apocalipse.
Então, vi Wanda à distância, no alto de uma construção, protegendo o gerador central com feixes escarlates de energia. Pietro corria pelas ruas em um borrão prateado, retirando crianças dos escombros. Thor, no céu, trazia relâmpagos sobre os drones voadores.
E ali, no meio de tudo isso, eu permaneci.
Outro grupo de autômatos surgiu, liderado por um modelo maior, quase do tamanho de Hulk, com braços de vibranium adaptado. Ele correu em minha direção como um furacão metálico. Eu senti o instinto de fugir, mas firmei os pés.
Ele golpeou com força. Eu ergui uma muralha de gelo — mas ela rachou. Parti para o ataque. Meus punhos, agora envoltos em cristais afiados, atingiram as juntas do colosso com precisão. Girei, saltei, congelei as engrenagens de seu ombro. E quando ele caiu de joelhos, golpeei seu peito com uma estaca gelada que explodiu seu núcleo em mil pedaços congelados.
Me afastei ofegante. As ruas estavam cobertas por neve, gelo, destroços e corpos metálicos. Minhas mãos tremiam, não de exaustão, mas de intensidade. De medo de mim mesma.
Mas eu não recuaria. Enquanto houvesse alguém em perigo, enquanto Ultron respirasse sua lógica de destruição, eu seria o oposto disso.
Eu seria a resistência. O frio que salva, e não que mata. A Senhora do Inverno.
A antiga Frostbite.
— Equipe? — chamei no comunicador — Como estamos?
E foi como uma onda de azar.
O chão começou a tremer e se repartir, o barulho das rochas se separando era ensurdecedor. Perco o equilíbrio e caio no chão.
— Stark?
— Ultron está dando andamento ao seu plano — ele me respondeu pelo comunicador — Sokovia vai dar um passeio.
— Rogers?
— Estou na ponte — falou entre um suspiro.
— Como estamos em relação aos civis?
— Não liberamos todos… — disse com um pesar — Qual o plano?
Respiro fundo, deixando o meu poder fluir.
— Stark, descubra como nos colocar de volta no chão — ordenei, correndo em direção à ponte da cidade — O resto de nós… Bom, vamos destruir essas coisas!
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