Avatar: A Lenda de Rong
1 Livro I. Capítulo 1:A Calmaria Antes da Tempestade
Andava lentamente pelas ruas de Ba Sing Se, o Anel Médio era um lugar até bom para morar, mas o Anel Superior era melhor. Por que eu saí de lá? Meu pai é Grão-Duque de Ba Sing Se, sim, Grão-Duque. O Reino foi abolido governo dele e foi fundado o Grão-Ducado de Ba Sing Se, só sei disso. Se meu pai é o Grão-Duque, por quê estou no Anel Médio? Simples, sou um filho bastardo. O Grão-Duque Wu tem várias amantes no Anel Superior, minha mãe é uma delas. A vida era boa lá, mas a Grã-Duquesa Akami começou a suspeitar do marido e mandou sua guarda começar a caçar as amantes. Wu não é bobo, e secretamente mandou todas as amantes para outros lugares de Ba Sing Se para não ficarem nas mãos da Grã-Duquesa, sabe-se lá o que uma mulher ciumenta pode fazer, principalmente quando ela tem poder.
Acho que devo me apresentar, sou Rong Dingbang, um dobrador de terra qualquer, filho bastardo do Grão-Duque Wu de Ba Sing Se e nascido no ano de 268 Depois do Genocídio. Vivo com certos luxos na rua da Sodalita no Anel Médio de Ba Sing Se. Frequento aulas de dobras e luta corporal, além de treinos com um novo equipamento chamado Sato Gun. Acho que o nome já diz quem o fabrica. É uma arma capaz de lançar projéteis a partir de um cano apertando um gatilho, faz um estrago bonito, mas como está numa fase de testes, pode explodir na sua mão e você pode perder um membro útil. Voltando a falar sobre mim, minha dobra é relativamente boa, já consigo manipular um pouco de metal e nada de lava, estou tentando aprender a dobrar diamante, é uma nova dobra muito perigosa se usada com cuidado. Não ache que é aquela antiga dobra de minérios, essa é uma manipulação única de um material extremamente resistente.
Chegava em casa tranquilamente e joguei meu capacete no sofá. O ambiente estava claro com a luz do pôr do sol tingindo as paredes brancas de dourado. Não parecia ter ninguém no local além de mim. Decido ir tomar um banho, minha mãe viraria uma fera caso deitasse cheio de terra e barro de treino no sofá. Coloquei a banheira para encher, olhava meu reflexo na água que ia subindo, com um pouco de vapor. Na maçã do rosto havia um hematoma roxo.
"Maldito bloco de pedra" pensei, nem havia visto que minhas costelas estavam com um hematoma gigante, e outros cortes nos punhos, uma canela roxa e um joelho ralado "No mesmo nível que bato, apanho". Aquilo doía com um simples toque, pensei em procurar algum curandeiro de água, mas meu senso de direção me mandaria para qualquer outro lugar sem ser meu destino. Resolvi entrar na água, soltando um gemido de dor. Não havia percebido o quanto as feridas do dia doíam até aquele momento.
Ficava olhando meu reflexo na água, meu rosto moreno ainda machucado conseguia fazer algumas expressões, enquanto meu cabelo louro rebeldemente atrapalhava minha visão. Fiz uma concha com as mãos e molhei meu rosto. Ao tirar as mãos do rosto, vi uma luz no meu reflexo. Meu rosto estava clareado pelos meus olhos, que emanavam uma luz azul. Num pulo, levantei da banheira e começava a esfregar meu rosto com a toalha.
— Eu não posso estar louco! Tenho treze anos, não posso estar ficando biruta ou algo do tipo, sou muito novo! Eu não tomo pinga nem como cogumelos alucinógenos! — Exclamava. Resolvi que devia olhar de novo meu reflexo para ver se meus olhos mantinham daquele jeito, ao olhar, a resposta claramente era "não", as íris cor-de-barro e a esclera branca estavam lá. Vestia-me com um pijama vermelho que certamente veio da Nação do Fogo...ou do brechó no bairro ao lado.
Descia as escadas enquanto ouvia a porta sendo aberta, no último degrau, vi minha mãe fechando a porta, junto à sacolas de roupas. Ela é loira com pele cor-de-oliva e olhos âmbar, os quais eu adoraria ter herdado. Usava uma roupa de verão e um par de óculos escuros. Trazia debaixo do braço um jornal, ou era a revista de moda da semana ou a edição diária do Ba Sing Se Notícias.
— Olá, mãe — Sorri ao vê-la, ela respondeu com um gritinho que alegria, que foi seguido de uma risada minha — Para quê tanta felicidade?
— Eu estava lendo o Ba Sing Se Notícias, essa edição 'tá' fervendo! Primeiro, a cidade vai sediar os Jogos Esportivos Pró-Dobra de 284! Segundo, vai ser inaugurada uma ferrovia totalmente aprimorada para melhorar o transporte na cidade, e vai ter uma estação no meu shopping favorito! Por último, a Lótus Branco e os nômades do ar perceberam uma agitação espiritual perto de Ba Sing Se, e acreditam que podem encontrar logo o próximo Avatar! — Essa última palavra ecoou na minha mente e meu sorriso se desfez — O que houve filho? Está bem?
— Ah! — Coloquei os pensamentos no lugar — Estou sim, mãe! Só que acabei de lembrar que esqueci um equipamento na academia — Subia correndo para me arrumar enquanto minha mãe arrumava as compras. Meio tonto, coloquei uma calça larga e uma jaqueta verde, junto com uma bota de couro marrom. Voltei ao térreo e passei voando pela porta em direção à rua.
O começo da noite estava relativamente quente, algumas pessoas andavam pelas ruas, em grupos ou sozinhas, enquanto eu ia de cabeça baixa para a academia, onde eu passava grande parte dos meus dias. Eu não havia esquecido luva alguma, mas era um bom lugar para pensar. Chegava ao local enquanto alguns alunos da última turma treinavam. Acenei ao mestre, indicando que eu ia fazer alguns treinamentos e fui até um espaço vazio no local. Um monte de tijolos e discos de barro podiam ser encontrados próximo a mim, alguns bonecos de madeira vestidos com armadura grã-ducais estavam a minha frente. Com movimentos bruscos de braços e pernas, ergui blocos e discos que eram lançados contra os alvos inanimados. É algo bom para a raiva...Mas não estava ali para isso, os golpes eram uma desculpa para ninguém me encher o saco enquanto pensava.
Muitas coisas passaram pela minha mente, recordava-me do que tinha visto na banheira e da notícia do Avatar da Terra, mas acreditava profundamente que o Avatar era alguém que acabara de nascer, por mais que Korra tenha morrido há...Treze anos... Quando esse pensamento chacoalhou minhas ideias, meu corpo ficou mole.
"Não!" pensei "Muitas pessoas têm experiências espirituais em Ba Sing Se, também há muitos dobradores muito poderosos aqui. Eu vou descobrir quem é o Avatar! Só preciso achar um registro com todos os dobradores de terra daqui e depois preciso procurá-los! Não é impossível, difícil é, mas não impossível.". Ao concluir meus pensamentos, saí correndo da academia.
Nas ruas, já estava tudo mais vazio. As estrelas cintilavam no céu escuro e a luz da lua minguante tingia com prata a cidade. Conseguia ver silhuetas humanas nas janelas das casas e comércios, estava tudo tipicamente tranquilo quando ouvi um grito. Colocava-me a correr quando tentava localizar a fonte do grito. Cheguei num beco, vazio.
— Maldito seja meu senso de localização! — Murmurava enquanto voltava a procurar os gritos. No beco seguinte, encostado em uma parede, distingui uma forma amontoada.
Ao aproximar-me, percebi que eram corpos humanos.
— Mas que... — Fui checar se estavam vivos. Eram três pessoas jovens, estavam feridas com queimaduras, hematomas e cortes profundos. Felizmente, consegui sentir o pulso dos três. Anotei o nome do beco mentalmente e saí correndo para procurar ajuda, graças a algo sagrado, encontrei um policial que fazia vigilância. A autoridade logo acionou outros policiais para irem investigar a cena e solicitou médicos. Fui convocado para ser escutado na delegacia regional do Anel Médio na tarde do dia seguinte. Uma viatura levou-me para casa, minha mãe já estava dormindo e logo fui fazer o mesmo.
Eu nunca tenho momentos espirituais ou algo do gênero, espíritos geralmente não interferem na minha vida. No entanto, houve um sonho. Logo após deitar na cama, eu já havia dormido, eu realmente estava com sono. Cenas passavam na minha mente, pareciam ser vários sonhos que formavam uma só mensagem, uma mensagem que eu não entendi. Entre as imagens, podia ver espíritos no mundo espiritual agitados falando sobre uma ponte. Em outra cena consegui ver Raava num portal espiritual polar, pois junto do Espírito do Bem, havia uma aurora polar agitada e Raava parecia contente. Também via uma balança que em um lado havia pessoas normais e no outro havia dobradores, a balança se mexia até a imagem de Raava aparecer atrás do objeto, que se estabilizou, com ambos os lados igualados. Por fim, vi a imagem da Avatar Korra em seus trinta anos, dobrando os quatro elementos enquanto sorria para mim.
Acordei suado e ofegante. A luz do sol nascia no horizonte, iluminando meu quarto. Pensei em tomar banho, mas temia que eu visse aquele reflexo novamente. Tirei o cabelo do rosto e levantei da cama, mesmo com as pernas bambas e coloquei uma roupa limpa. Decidi que ia fazer uma visita à minha amiga Jin Wen antes de ir à delegacia. Pasmem, ela é filha do Chefe de Polícia.
Pulei pela janela e corria pelas ruas, desviando de vendedores, barracas, pessoas, carros e outros obstáculos. Jin não morava longe, eu só precisava não me perder e... Onde eu estava? Nunca havia entrado naquela rua.
— Idiota! — Bati na minha testa e fui me informar com algumas pessoas de como chegar à Rua da Ágata. Consegui descobrir como ir até a casa de minha estimada amiga. Entrei em algumas vielas e atravessei uma avenida até chegar na casa de um andar típica da cidade. Subia as escadinhas da entrada quando vi a porta sendo aberta. O Chefe de Polícia saía da casa com uma armadura metálica com um símbolo verde no peito, as duas espada retráteis estavam encaixadas em cada braço e os carretéis de metal nas costas, havia outros adereços, mas isso fica pra outra hora. O calvanhaque era preto como carvão, assim como os olhos e a pele branca-amarelada, alguns pés-de-galinha saíam dos olhos puxados de Fo Wen — Bom dia, senhor Wen! Jin está?
— Olá, Rong. Ela acabou de acordar, pode ir vê-la, não tente gracinhas! — Ele falava com autoridade, porém não queria intimidar. — Não se esqueça que você precisa ir relatar o ocorrido mais tarde — E lançou a corda metálica num prédio, desaparecendo de vista logo em seguida.
Entrava na casa quando Jin saía do quarto em direção a mesa central, onde havia material para um café-da-manhã. Ela havia me percebido, mas foi até a almofada em frente à mesa, sentando-se, e me ignorou, acho que não era por mal, pois ela me olhava serenamente.
— Bom dia para você também, mal-educada — Ela estava com a boca cheia e acenou. Ainda
estava de pijamas e seus cabelos negros já penteados formavam um coque próximo na nuca. Ela tinha os olhos e cabelo do pai, e seu rosto parecia de uma boneca de porcelana sem expressões aparentes.
— Você não pode ir treinar e presenciar uma cena de crime sem mim, isso é egoísmo! — Ela respondeu. Não era isso que eu esperava de um "bom-dia".
— Primeiramente, nem estava aqui para tratar desse assunto. Segundo, não fui treinar. Fui na academia colocar pensamentos no lugar.
— Pensamentos no lugar? Desde quando você pensa? — Ela riu. — Sabe que é brincadeira, não fique tenso! O que você precisava pensar? É uma garota? Vai se inscrever nos Jogos Esportivos? Vai no show do Rock Hearth e não sabe o que vestir? Fala logo!
— Vou ser direto: Coisas estranhas estão acontecendo comigo.
—Coisas estranhas?
—É, difícil de entender?
—Duvido que ficarei impressionada, mas conta tudo!
Contei tudo com alguns gestos manuais: O reflexo e os sonhos com os mínimos detalhes. Ela pensou um pouco e deu o veredicto.
— Você é louco ou é o Avatar. Talvez você queira ser o Avatar e sua mente está fazendo você acreditar nisso. Precisa de um médico?
— Eu não sou louco! Muito menos o Avatar! E nem preciso de um médico! Você devia me ajudar!
— Por um acaso, eu tenho cara de terapeuta? Se eu tenho, me fala logo por que já quero ir vendo as faculdades.
— Eu não preciso da droga da sua ajuda! Acha que eu vou ter que ir relatar em tribunal ou algo do gênero? — Mudava de assunto.
— Nah, não se preocupe. Ainda não acharam quem fez aquilo, certamente foram dobradores... Mas, escuta aqui. Não conte para ninguém o que vou dizer: Esse é o quarto ou quinto caso de ataques assim — Ela abaixa o tom de voz.
Franzo o cenho e a fito.
— Eu não tenho nada a ver com isso e não quero me envolver. Não curto essa de delação premiada ou ser X9.
— Esqueça isso, não ache que isso vai ser uma bagunça pública. Estão tentando esconder e abafar os casos. — Ela olhava um relógio — Está na hora de você ir, não?
— Se você está me expulsando, tudo bem... — Ia em direção à porta.-Não se perca! — Ela continuava rindo enquanto eu saía.
Pegava um táxi para a Delegacia e logo chegava. Era um prédio de uns três andares, mas havia celas no subsolo. Feito de tijolos cinza, era adornado com gárgulas de cobre esverdeado. Um selo do Grã-Ducado feito de ouro estava bem no centro, sobre a porta dupla metálica, que foi aberta quando me aproximei.
Alguns policiais corriam agitados pelo salão, algumas pessoas numa fila para fazer algum boletim de ocorrência. Dirigi-me a um balcão, onde perguntei sobre meu relato. Logo fui enviado para uma sala no subterrâneo. Era um corredor com paredes metálicas que davam acesso a várias celas, mas minha sala era no final. Um guarda dobrador abriu a porta. A sala era um cômodo um pouco maior que um banheiro. Tinha uma mesa retangular no centro, com uma cadeira em cada extremo.
A minha frente, sentava-se um membro da delegacia e em cada lado dele havia um homem. Do lado esquerdo, um nômade do ar com a face redonda, mas magro, e devia ter uns 75 anos. Uma seta azul cortava sua cabeça, assim como suas costas da mão. À direita, um membro da Lótus Branco alto, com uma barba longa e sobrancelhas grossas, e rosto bem magro. Ambos os homens que acompanhavam o guarda estavam em pé. O membro da Lótus Branco tirou uma massa de água do cantil e fez um cubo de gelo na mesa. O membro da delegacia colocou uma pedra de carvão e a acendeu com um isqueiro. O terceiro homem fez um tornado de uns dez centímetros na mesa.
—Senhor Dingbang. Precisamos que você passe por um teste — Falou o dobrador de água — Estique sua m... — A frase ficou incompleta. Eu havia desmaiado e batido a testa na mesa.
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