Avatar: A Lenda de Aang
2 Katara
A pequena canoa ficou sem movimento. Dos lados havia apenas gelo. O rio de água salgada formado pelo espaço entre as duas margens estava silencioso. Nenhuma foca ou pinguim por perto. Sokkar enfim viu um peixe. Ele esperava desde cedo. Katara sabia que devia ficar imóvel.
– Desta vez ele não vai fugir de mim. Olhe e aprenda Katara. É assim que se pega um peixe. – Sussurou Sokkar.
Katara viu outro peixe e não resistiu. Precisava praticar. Movimentou as mãos a fim de fazer um bocado de água, juntamente com o peixe, se erguerem acima da canoa. Concentrou-se e fez o básico de dobra d’água: levantou, afastou as pernas, e os dois braços moviam-se como se fossem tivessem chamando alguém, mas de forma discreta. A empolgação a fez mover os braços ainda mais.
– Sokkar, olha só.
– Katara, você vai assustar ele. – Sokkar sussurrava. – Hum, já sinto o cheiro dele frito.
– Mas, Sokkar, eu peguei um. – Katara gritou eufórica.
O peixe rodeado de água subiu alto, mas Sokkar não sabia. Ao levantar o arpão para atingir o peixe que estava no mar, acertou sem querer o peixe que estava acima de sua cabeça. Sokkar perdeu o peixe.
– Por que sempre que você brinca com água mágica eu fico ensopado? – Sokkar choramingou, pensando no almoço perdido.
– Ai. Isso não é mágica. É dobra d’água. – Disse Katara. – E também...
– Tá, tá. Uma arte antiga da nossa cultura. Blá, blá, blá. – Sokkar ironizou. – Se eu tivesse poderes esquisitos, eu guardaria tudo pra mim.
– Tá me chamando de esquisita? – Katara pensou antes de continuar – Não sou eu que fico mostrando o muque pra mim mesmo, quando vejo meu reflexo na água – Katara falou, ridicularizando o irmão.
A canoa acelerou repentinamente. A correnteza apressou-se. O batel batia em blocos de gelo fortemente. Os gritos de Katara assustaram Sokkar.
Ele então remou forte para fugir dos blocos menores que os espreitava de todos os lados. Mas dois blocos enormes encontraram-se e destruiram a canoa. Os dois irmãos pularam a tempo em um bloco de gelo. Então o mar abrandou. Repentinamente. Os dois começaram a brigar. Sokkar lembrava a Katara que ela era a responsável de eles terem ido para aquela região. Como vamos para casa? Essa era a pergunta que ambos faziam enquanto gritavam um com o outro. Katara começou a bradar mais alto que Sokkar:
– Você é o maior machista, imaturo, sem cérebro... eu fico envergonhada de ser sua parenta.
Katara gritou movendo os braços para cima e para os lados. E andando pra frente, em direção ao irmão. Ela estava tão furiosa que um bloco e gelo com uns dois metros de comprimentos, não tão longe deles, ganhou uma rachadura, e outra, e outra. Sokkar quis avisar Katara do que acontecia às costas dela. Mas ela, sem se importar, gritou:
– Aaaaaaaaah, Sokkar, não te aguento mais.
O bloco de gelo se partiu ao meio. E Katara se enfureceu ainda mais, mas não com o gelo, era com seu irmão que não parava de gritar com ela. O iceberg partiu enfim. Uma onda enorme onda veio na direção deles. Se o bloco de gelo em que eles estavam não fosse compridíssimo os dois teriam caído no mar. O mar abrandou novamente e Sokkar ficou ainda mais irritado com a irmã.
– Tá bom. Você vai de esquisita a aberração – disse Sokkar.
– Quer dizer que eu fiz isso? – Katara falou assustada.
– Foi. Meus parabéns. – Sokkar proferiu irado.
Uma parte submersa do mini-iceberg emergiu abruptamente. Brilhava como uma lamparina enorme. Mais uma onda apareceu, porém mais branda. Um enorme bloco de gelo surgiu. Os dois se entreolharam com o coração a mil. Dentro do gelo havia algo. Parecia um ser humano. Os dois irmãos perceberam imediatamente.
– Ele tá vivo – Exclamou Katara.- Nós temos que ajudar.
– Katara, volta aqui. A gente nem sabe o que é aquilo – Sokkar a chamou, mas ela já corria para um próximo bloco a fim de se aproximar daquilo.
Katara pulava de bloco em bloco. Sokkar a seguia gritando para ela parar. Ela enfim parou. Estava a uns 10 passos do bloco de gelo. Ele a acompanhou. Então os dois tiveram certeza de que aquilo era mesmo um ser humano. Um garoto, com marcas na cabeça e nos braços. Setas azuladas que brilhavam. O bloco em que eles estavam se moveu para perto do gelo emerso. Não havia como voltar. E quando eles estavam a dois passos do gelo brilhante, Katara pulou para lá. Sokkar não teve como evitar. Enquanto ele decidia se pulava também, Katara usou seu arpão e bateu no gelo até furá-lo. Sokkar pulou para pará-la, mas Katara continuou a dar mais batidas. Ele sabia que ela estava certa. O gelou foi rompido e um vento muito forte saiu de dentro do bloco. O iceberg foi partindo ao meio lentamente. Uma luz forte elevou-se. A linha de luz ia até o céu, ou pelo menos até depois de onde a vista alcançava.
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