Avalon

5 Capitulo 5


Uma moto correu na direção deles, e quase os atropelou, porem derrapou antes que o fizesse. Era Akira, o líder da gangue dos Roche. Ele estava com um sorriso no rosto, e a gangue estava apreensiva com ele, porem Tomoyo não estava se importando muito com sua presença. Os soldados restantes saíram do patio, e voltaram para o armazém.

— Que surpresa, foram obedientes dessa vez. Vieram na hora que eu mandei, nem um minuto a menos, nem a mais. Aprenderam a ter etiqueta?

— O que diabos é isso, Akira?! Por acaso voce ta junto com esses desgracados da Stigma?

— Vamos deixar os negócios de lado, que tal? Eu chamei vocês aqui pra lutar, mais especificamente com você, Ken. Vamos conversar depois, que tal?

— Fazer o que, né? Considerando o tanto de merda que aconteceu essa noite, isso aqui vai ser a coisa menos estranha que eu vou fazer.

— É assim que se fala. — Akira olhou para Tomoyo. — Melhor não olhar mocinha, isso aqui não vai ser bonito.

— Não vai ser bonito pra você, no caso, né? — Disse Kentaro, se aproximando de Akira.

Akira logo avançou em Kentaro, e tentou acertar um soco. Ele desviou, e revidou com uma joelhada na barriga. Akira não deixou que aquilo o impedisse, e dessa vez acertou um soco em Kentaro, seguido de três chutes rápidos em seu rosto. Kentaro se recuperou, e agarrou Akira, acertando varios socos em seu rosto. Kentaro se assustou ao ver a expressão de Akira mudar, para um rosto de puro ódio. Akira se soltou, e acertou um chute forte em Kentaro, que o jogou para a parede do outro lado da sala. Akira avançou com velocidade, e antes que Kentaro pudesse cair no chão, ele acertou outro chute que o jogou para a parede do outro lado, e repetiu isso mais 5 vezes, até enfim deixar que Kentaro caísse no chão. Antes que Akira pudesse dar o golpe final, seus amigos tentaram intervir, mas foram parados por Tomoyo.

— Tirem o Kentaro dali. Eu cuido dele. — Disse Tomoyo. Sentiram firmeza na voz dela, e a obedeceram. Akira observou tranquilamente enquanto carregavam o rapaz quase desacordado para longe. — Agora é minha vez. Que tal lutar com alguém do seu tamanho?

— Ah, esse dia só melhora a cada minuto! Acha que consegue me derrotar, gracinha? Ainda da tempo de fugir, se quiser, e eu recomendo que fuja mesmo. Eu não sou igual esse monte de sucata que você destruiu.

— Eu diria a mesma coisa pra você. — Ela respondeu, com um sorriso desafiador no rosto. — Se seus homens estivessem aqui, diriam pra você se render logo de uma vez.

— Então....foi você! — Akira se animou. — Foi você que acabou com meus rapazes como se eles fossem amadores! Ah, que dia perfeito! Eu estava esperando muito pra te conhecer, garota. Que tal me dar um gostinho do que é capaz?

— Que tal você fazer isso primeiro? — Respondeu Tomoyo, em posição de luta.

Akira avançou, e a jovem desviava de seus golpes com facilidade. Ela acertou três socos em seu peito, e sentiu aquela região ser um pouco dura, como se fosse feita de metal. Akira acertou um chute em sua barriga, que a derrubou no chão. Tomoyo rolou para o lado e desviou do soco que vinha em direção a seu rosto. Ela revidou com um chute nas costas de Akira, que o derrubou. Ele levantou rapidamente, e avançou novamente, dessa vez com golpes mais rápidos que antes. Alguns deles acertaram Tomoyo, mas ela continuou tentando desviar. A velocidade de Akira era quase equivalente a sua, e isso a deixou assustada, mas ansiosa. Já fazia tempo que não lutava com um oponente a sua altura, e decidiu dar tudo de si. Porém, parecia não ser o suficiente, e Akira estava obtendo a vantagem na luta. Após 5 socos seguidos no rosto, ela perdeu o controle. Seus olhos brilharam, e seu corpo começou a emanar varios raios vermelhos. Seus cabelos se espetaram um pouco, e ela avançou contra Akira. Seus golpes agora eram tão rápidos que mal podiam ser vistos a olho nu. Todos, incluindo Akira, ficaram assustados ao ver aquilo. Tomoyo deu aproximadamente 100 chutes e socos em Akira, finalmente o derrubando com uma rajada elétrica.

— Então é você mesmo, Tomoyo Arakaki!

— Arakaki? — Kentaro ja havia escutado aquele nome.

— Quem é você, afinal? — perguntou Tomoyo.

— Deixe eu me apresentar direito agora. Meu nome é Akira Yamasaki, chefe do setor de Administração da Stigma. Minha gangue foi apenas uma forma de ter mais pessoas pela cidade procurando pela nossa Tomoyo. Todos nela são soldados da Stigma.

— A gente tava brigando com alguém da Stigma esse tempo todo?! — Gritou Masumi, não acreditando no que ouvia.

— Então foi assim que você soube que já tínhamos fugido da delegacia, não é? — Perguntou Kai.

— E isso explica sobre suas habilidades, e as partes blindadas de seu corpo. Você teve seu corpo melhorado, não foi? — Perguntou a jovem.

— Exatamente. Todos nós da Stigma tivemos. Aliás, sobre nosso querido Kazuma, as providências já estão sendo tomadas. Não gostamos de traidores, sabe? — Disse Akira.

— Espera, o Kazuma?! O que vão fazer com ele?! — Perguntou Masumi.

— Deixei pros meus rapazes resolverem isso. Provavelmente estão nesse momento fazendo ele de saco de pancadas em alguma de nossas fábricas por ai. Fábrica 1, 2, ou 3, não faço ideia. Talvez ele já até esteja morto, quem sabe?

— Você é sujo, Akira. — Disse Tomoyo. — Tudo isso só pra chegar até mim?

— É claro, minha querida. Você é, e sempre foi nossa prioridade. E agora, a desgraçada da Satsuki vai ter que me dar o devido valor. Afinal, eu fui o primeiro a encontrar quem ela procurou por quase 4 anos. No caso, você, Tomoyo, filha de — Akira foi interrompido por uma rajada elétrica lançada por Tomoyo, que o derrubou no chão.

— Vamos embora daqui logo, antes que a polícia venha! — Gritou a jovem, e os 4 a seguiram.

Correram para fora do armazém, e subiram em suas motos. Ouviram carros e motos pilotadas por soldados os seguindo. Tomoyo lançou uma rajada que derrubou um deles, e Kai se jogou em cima de um dos carros, e tentou acertar um golpe nos vidros, porém eles estavam blindados. Decidiu acertar as rodas, e por sorte funcionou. O carro perdeu o controle e capotou no meio da avenida. Kentaro pegou seu cano de metal e acertou a cabeça de um dos motoqueiros que o rodeava, e fez ele cair de cara no asfalto. Então, usou uma das lombadas de impulso para jogar sua moto para cima, e pousar diretamente no vidro de um dos carros, esmagando o motorista. Por pouco não perdeu o equilíbrio, e conseguiu descer do carro e continuar dirigindo. Tomoyo viu que restavam poucos homens, e então acelerou sua moto com tudo. Então, saltou dela, e acertou um chute em um dos motoqueiros, o derrubando. Usou a moto que estava quase caindo de impulso, e salto na direção do outro. Repetiu esse processo mais uma vez, até ter derrubado os 3 motoqueiros restantes, e então saltou de volta para sua moto, que mal teve tempo de perder o equilíbrio e cair. Ao verem que estavam livres, pararam em um beco proximo.

— Acho que a gente ta limpo. — disse Tomoyo.

Os 4 não paravam de olhar para Tomoyo, e pensar no que tinham acabado de ver. Todos ali ouviram sobre as pessoas que no passado possuíam poderes extraordinários, mas agora viram uma delas pessoalmente.

– Ei, Tomoyo, o que o Akira ia falar pra você? — Perguntou Masumi.

— Não importa. — Ela respondeu, de forma seca. — Não estão mais preocupados em achar seu amigo?

— Claro, mas não sabemos o que fazer. Como vamos achar ele nessa cidade gigantesca?

— Se quiserem, eu tenho um amigo que pode ajudar. Ele mora não muito longe daqui. Claro, se quiserem, eu posso ir sozinha. — Disse Tomoyo. — Aproveitem, essa é a primeira vez que to sendo caridosa assim.

—- O que acha, Kentaro? — Perguntou Kai.

— Vamos junto com ela. Já estamos todos juntos nisso mesmo. Vá na frente, Tomoyo.

Ela os levou para uma casa pequena, um pouco isolada das outras. Após bater na porta, ela se abriu ao examinar a retina de Tomoyo, e reconhecê-la. Ao entrarem, encontraram um lugar cheio de computadores, telas, celulares, e um homem sentado na frente de uma das milhares de telas ali. Era um homem adulto, de cabelos curtos, e em ótima condição física.

— Shun? — Diz Tomoyo, entrando na casa.

— Oh, Tomoyo! Que ótima surpresa! — Diz Shun, se levantando, entusiasmado. — Esses são seus amigos?

— É, mais ou menos. — Respondeu a jovem. — Colegas de fuga, mais precisamente.

—- Prazer, sou Kentaro. E esses são Masumi, Kai, e Mitsuru.

—- Nós podemos nos apresentar sozinhos, ok? — Diz Masumi.

— Enfim, querem um café? Um chá? — Pergunto Shun.

— Ah, eu aceito um café. — Disse Masumi. Kentaro se irritou e deu um tapa nele.

— Não abusa da bondade dele, seu imbecil! — Reclamou Kentaro, e Masumi reclamou baixinho da dor que sentia.

— Na verdade, precisamos da sua ajuda. Queremos encontrar uma pessoa que foi sequestrada. — Explicou Tomoyo.

— Bom, numa cidade sem lei, ou melhor, nesse canto sem lei da cidade, tem mais sequestros do que peixes no mar. Precisam ser mais específicos, como a aparência dessa vítima, por exemplo.

— Bom, tenho uma foto dele aqui. Acha que serve? — Diz Kai, pegando seu celular. Na foto, mostrava Kazuma, um homem de aproximadamente 40 anos, musculoso, e com um bigode curto.

— Esse é o tal Kazuma? — Perguntou Tomoyo. — O que um homem dessa idade faz numa gangue de jovens?

— Ele é quase como nosso pai. Ou mentor, como preferir chamar. Ele nos criou desde que tínhamos 10 anos. — Respondeu Masumi.

— Certo, já copiei essa foto pro meu computador. — Shun fez isso enquanto todos estavam distraídos conversando. — Mais algum detalhe que possa ajudar?

— Ele estava infiltrado na gangue dos Roche. Deve conhecer eles. — Disse Kentaro.

— Ah, os Roche. Sim, infelizmente conheço. Ja briguei com eles algumas vezes.

— Serio? E como sobreviveu?

— Devia perguntar pra eles. — Disse Shun, rindo. — Os coitados não tiveram a menor chance.

— Ei, por acaso voce — Kai foi cortado após levar um tapa de Kentaro na nuca.

— Não inventa de chamar ele pra gangue também! — Reclamou Kentaro.

— Bom, Tomoyo, posso ligar no seu celular quando eu encontrá-lo?- Perguntou Shun.

— Claro, claro. Agradeço sua ajuda, Shun, mas nós precisamos ir embora. A gente meio que ta sendo procurado pela polícia, então não dá pra ficar parado aqui, sabe?

— É, eu fiquei sabendo. Você tem a mesma sina de seu pai de sempre se meter em confusão. É incrível.

— É, pois é. Enfim, até depois!

Ela os arrastou para fora da casa.

— Então? — Perguntou Kai. — O que a gente faz enquanto ele procura o Kazuma?

— Que tal a gente se enfiar dentro da caçamba de lixo e esperar? — Disse Masumi, ironicamente. — Vamos fazer nossa própria investigação, claro!

— Ta, mas por onde começamos? — Perguntou Kentaro.

— Akira falou sobre as fábricas, não foi? O que acham de irmos até uma delas e procurar por lá? — Disse Ryoko.

— Você escolhe, afinal, quem solta raios e trovões aqui é você. — Respondeu Masumi. — Aliás, é sério que ninguém vai comentar a porra do fato de que essa mulher solta raios do corpo dela?! Sério mesmo?!

— Pelo tanto de merda que acontece no mundo, isso já nem me surpreende mais. — Respondeu Mitsuru. — Quando outro portal pra uma dimensão paralela abrir no céu, eu não vou nem ligar.

— Galera, chega de discussões! O Kazuma pode estar quase sendo morto enquanto vocês brigam ai! A Tomoyo vai explicar essa coisas dos raios pra gente depois, não vai?

— Talvez. — Respondeu ela.

— Talvez?! — Reclamou Kai. — Ah, você vai explicar sim!

— E se eu não quiser? — Ela deu de ombros.

— Ei, nada de brigas! Enfim, que tal irmos para a fábrica n° 1? Depois vamos para a 2, e dai por diante. — Falou Kentaro.

Todos concordaram com Kai, e subiram em suas motos. Então, dirigiram em direção a fábrica n°1, que era a fábrica que produzia todos os materiais necessários para a expansão da cidade, como veículos para obras, entre outras coisas. Os 5 fizeram o caminho até a fábrica, e entraram pelos fundos. Varias máquinas produziam em grande escala, e construíam todo tipo de veículo em menos de 10 segundos, quase como se fossem uma grande impressora. Ficaram escondidos atrás de grandes caixas, apenas ouvindo o que os guardas falavam. Em certo momento, viram um homem de terno ir até os guardas, e discutir algo com eles. Tomoyo notou que os garotos ficaram pálidos ao ouvirem a voz daquele homem, principalmente Kentaro.

— Será que....? — Disse Kentaro, bem baixinho. Antes que pudesse perguntar qual era o problema, Kai esbarrou por acidente na caixa que eles usavam para se esconder, e a derrubou.

— Quem está ai!? — Gritou um dos guardas, enquanto o homem de terno fugiu do local.

— Merda. Fiquem ai, eu cuido disso! — Disse Tomoyo.

Haviam apenas 4 guardas naquele andar. Ela avançou contra um, o desarmou, e acertou múltiplos golpes rápidos em seu peito, e o derrubou no chão. Desviou dos tiros disparados pelos outros guardas, e rapidamente os derrubaram no chão. Então, tendo todos eles derrubados, ela acertou chutes em seus rostos, os incapacitando.

— Isso era bem mais fácil quando eu tinha 17 anos. — Disse a jovem.

— 17?! O que você fazia quando tinha 17?! — Gritou Kentaro.

— Não interessa! E eu falei pra vocês ficarem escondidos!

Tomoyo viu um guarda nas escadas. Ele estava descendo, mas recebeu uma ligação e parou no meio delas. E então, após receber suas ordens, subiu de novo. Correu atrás dele, e o viu entrar na sala dos geradores. Quando chegou lá, viu aquele guarda apontando para o combustível do gerador de energia.

— Ei, não faz isso! — Gritou Tomoyo. — Você vai matar todos nós! Inclusive seus parceiros no andar de baixo!

— E-Eu não posso contrariar as ordens dela! — Disse o guarda, tremendo e suando frio, enquanto puxava o gatilho.

Tomoyo correu na direção dele, mas não foi rápida o suficiente. Ela viu a explosão se iniciando, e foi jogada para longe. A fábrica toda foi abaixo, e causou um grande pânico em toda a cidade, que já estava abalada por tantas manifestações.