Avalon

4 Capitulo 4


Satsuki Stigma estava em seu helicóptero, indo em direção a cidade vizinha, conhecida como Midal. Ela vestia uma roupa social comum, porém um pouco bagunçada, com alguns botões soltos, e uma calça social preta. Era uma cidade em sua maioria rural, porém quase tão avançada quanto Avalon. Diferente de sua cidade, Midal era comandada por uma máfia, e não por uma grande empresa multibilionária. Satsuki pretendia expandir as fronteiras de Avalon, e acreditava que essa pequena cidade seria fácil de se obter. Foi recebida na entrada pelo líder da cidade, e da máfia conhecida como "Shin-Daime". Seu nome era Ryuji Nojima, e era um homem relativamente jovem, de cabelos verdes escuros, penteados para o lado esquerdo, e um sorriso consideravelmente amigável.

— A que honras devo sua visita, presidente Stigma? — Disse Ryuji, se reverenciando.

— Você sabe para o que eu vim. — Respondeu Satsuki. — Podemos negociar lá dentro?

— Claro, estou ansioso para que conheça nossa pacata cidade.

Satsuki adentrou os portões, e encontrou uma cidade relativamente simples, ainda que bem iluminada e chamativa. As ruas eram tão barulhentas quanto as de Avalon, porém eram mais desorganizadas, e cheias de vendedores ambulantes. Não havia nenhum prédio grande, e o maior edifício dali era a base da Shin-Daime, que possuía 4 andares.

— Então, a presidente quer comprar nossa cidade, é isso? — Perguntou Ryuji.

— Exatamente. Fizemos alguns orçamentos, e essa cidade inteira deve valer entre 300 a 500 milhões. Por generosidade, te oferecerei 900 milhões por toda essa terra. Você ainda cuidará dessa região, claro, e de quebra fará parte da nossa próspera cidade. O que acha?

— Agradeço as propostas, mas a resposta é não. — Disse Ryuji.

— Não? E por que não?

— Bom, quer saber mesmo o porque? — Ryuji alterou seu tom de voz. — Nossa cidade foi erguida do lixo, sabia? Meu pai deu seu sangue para que essa cidade crescesse, e não vou simplesmente dar ela para outra pessoa. Tem varias cidades por ai, que precisam muito mais de seus 900 milhões. Com todo respeito, madame Stigma, mas não precisamos fazer parte de sua cidade. Porém, será sempre bem-vinda aqui. Iremos te tratar com todo o respeito, assim como tratamos outros visitantes. Se me der licença, tenho negócios pra resolver.

Ryuji se despediu de Satsuki, e foi para sua base. Ela andou até a porta do lugar, e o observou de fora. As vozes em sua cabeça, que vinham das suas outras 2 personalidades distintas, começaram a inferniza-la, dizendo para que ela matasse Ryuji e tomasse a cidade a força. Ela tentou lutar contra, mas sua mente acabou sendo tomada por Mikasa, sua outra personalidade. Ela era um tornado de emoções. Sadica, de certa forma masoquista, e resolvia todos os seus problemas da forma fácil que era literalmente os cortando pela raiz. Qualquer forma de sofrimento ou dor alheia era motivo de riso para ela. Ela tirou sua peruca e suas lentes de contato, revelando seus cabelos brancos e olhos amarelos, e puxou de seu bolso uma tânto, uma espada tradicional japonesa, do tamanha de um facão, que guardava para emergências como essa. Com um sorriso malicioso no rosto, ela chutou a porta da frente. No primeiro andar, viu 3 homens, capangas de Ryuji.

— O que acha que está fazendo, sua — Gritou um deles, que se assustou ao ver aquela mulher com uma aparência tão bizarra.

— Eu vim aqui pra falar com seu chefe. — Disse Satsuki(Mikasa). — Não fiquem no meu caminho, e prometo que só terão cortes superficiais.

— Olha, moça, recomendo ir embora. — Disse um dos capangas, puxando sua arma. — Não queremos machucar você.

— Não querem conversar? — Perguntou Satsuki. — Ok, então. Vamos começar a festa!

Satsuki avançou em alta velocidade no capanga armado, e cortou sua mão fora. Antes que ele pudesse gritar de dor, ela cortou sua garganta, e o chutou para longe. Um dos capangas avançou contra ela, e recebeu múltiplas facadas em sua barriga. Ela jogou o corpo do capanga morto em cima daquele que vinha em sua direção, e aproveitou que ele estava caído no chão e acertou uma facada em sua testa. Ela correu para o andar de cima, e encontrou mais 3 capangas. Em movimentos rápidos, ela cortou as gargantas de todos eles, antes que pudessem ao menos perceber sua presença ali. Subindo para o penúltimo andar, ela encontrou apenas 1 capanga, que era alto e gordo, e aparentava ser muito forte. Ela avançou contra ele e acertou uma facada em sua barriga. O homem não pareceu se importar muito, e acertou um soco no rosto de Satsuki, que a jogou para longe. Ela riu loucamente após isso, e avançou novamente contra ele. Satsuki saltou ao chegar perto do homem, e ficou na altura de sua cabeça. Se agarrou nele, e acertou múltiplas facadas em seu peito e pescoço. Enfim, ele estava caído no chão, em uma poça de seu próprio sangue. Sua roupa social branca já estava completamente vermelha, e ela continuou subindo até o último andar. Ali, haviam apenas dois homens, que estavam apavorados com sua presença, e mal conseguiam se mover. Ela apenas os finalizou com rápidos e precisos cortes em suas jugulares, e enfim abriu a porta do escritório de Ryuji.

— Mas que diabos?! — Disse Ryuji, se levantando de sua mesa assustado com a visão de uma mulher ensanguentada. — Espera.....presidente Stigma?! — Ele a reconheceu, apesar de todo o sangue, e de seu cabelo e olhos diferentes.

— Você simplesmente não recusa as propostas da Stigma, "chefinho". — Ela apontou sua faca para ele, com um sorriso no rosto. — Ainda tem chances de sair dessa vivo, diferente dos seus rapazes.

— Então é assim que vocês fazem negócios, não é? Bom, eu não vou simplesmente me curvar, ainda mais depois de você matar meus homens! — Ryuji entrou em posição de combate. — Se for minha hora de morrer, então que seja.

— Belas palavras. — Disse Satsuki. — Prometo colocá-las em sua lápide.

Satsuki avançou contra Ryuji, mirando em seus olhos. Ele desviou por pouco, e acertou um chute certeiro nas costas dela. Ela rapidamente se virou e tentou acerta-lo mais uma vez. Ryuji desviou novamente, e acertou alguns golpes de boxe em Satsuki. Um deles foi um chute que acertou seu braço, jogando sua faca para longe, seguido de um soco no rosto. Satsuki se animou, e avançou novamente. Ela deu alguns chutes saltados, que jogaram Ryuji contra a parede. Ela seguiu com socos e cotoveladas em seu rosto, e finalizou o agarrando pela gola da camisa e o jogando para o outro lado da sala. Quando ele tentou se levantar, Satsuki pegou sua faca do chão e acertou um golpe em seu peito, próximo do coração.

— É uma pena não termos nos entendido. — Disse Satsuki. — Mas eu prometo cuidar muito bem de sua cidade.

Satsuki riu, e a última coisa que Ryuji viu antes de perder a consciência foi aquele sorriso maníaco. Enfim, ela foi embora, satisfeita com seu trabalho, tendo conquistado mais uma cidade.

Os 5 dirigiram até um armazém abandonado. O lugar era imenso, quase do tamanho de uma das usinas elétricas que abasteciam a energia da cidade. Tomoyo olhou para as janelas do local, que estavam todas apagadas.

— Então, o plano é o seguinte...... — Disse Kentaro, pensando.

— Foda-se o plano. — Disse Tomoyo, chutando a porta da frente.

— Ei, espera ai! — Gritou Kai.

Os 4 a seguiram, enquanto andavam por aquele lugar supostamente vazio. Viram uma silhueta, do outro lado do local, abrindo uma porta que dava para a parte de trás. Correram atrás dele, porem ao chegarem, ele havia sumido.

— Cara, esse lugar é imenso! — Disse Masumi.

— Aposto que o Akira tá querendo pegar a gente de surpresa. — Disse Mitsuru.

— Ele com certeza não vai conseguir, até porque nós temos a Tomoyo com a gente, não é?

— Eu não vou proteger ninguém, se é isso que voce ta achando.

— Ei, fala serio! Somos um grupo, temos que nos ajudar!

— E eu tenho algo a ver com isso? — Ela zombou.

— Eu já gosto mais dela como líder do que voce, Kentaro. — Riu Masumi.

— Então segue ela, ora! Só não me culpe quando ela deixar você morrer ou algo do tipo! — Kentaro estava visivelmente ofendido.

— Ei, que tal pararem de brigar? — Reclamou Mitsuru, apontando para frente. — Tem alguma coisa saindo dali!

Do outro lado daquele grande patio havia um portão, que supostamente daria para outra parte daquele armazém. Dali, saíram vários soldados, que se vestiam com vestimentas da Stigma. Isso deixou o grupo confuso, porém não tinham muito tempo para pensar naquilo.

— Deixa isso comigo. — Disse Tomoyo.

Antes que alguém pudesse protestar, ela avançou contra um dos soldados e acertou um chute, que lançou sua metralhadora para longe, e o deu 3 socos no rosto, seguidos de uma rasteira. Deu um salto fluido para o lado, se colocando na frente de outro soldado, e acertou 5 socos em seu peito, seguido de uma cotovelada em seu queixo.

— Ok, agora entendi o que voce queria dizer quanto a ela. — Disse Kai.

— Mas mesmo assim, nao achei ela tao boa. — Disse Kentaro.

— Fale por voce! — Respondeu Masumi. — Mas ela não vai conseguir sozinha!

— É, era bom a gente ajudar. — Disse Mitsuru.

— Façam as honras, então. — Disse Kentaro.

Mitsuru, Kai e Masumi avancaram contra os soldados e trocaran socos e chutes. Nenhum deles tinha tempo para usar suas armas, pois era sempre desarmados por Tomoyo antes que pudessem puxar o gatilho. Ela continuava derrubando homem por homem com uma grande facilidade. Eles então notaram que os soldados estavam recuando.

— Ficaram com medo, é?! — Gritou Kentaro.

Ouviram o som de uma maquina se aproximando.

— Acho que não. — Respondeu Kai.

Um grande robo saiu dali de dentro, junto de alguns soldados. Tomoyo logo avançou contra esses soldados e os derrubou rapidamente, mas recuou após quase receber um soco do robô. Enfim, notou que ele tinha quase 4 metros de altura, com olhos vermelhos e carcaça robusta. Apos isso, ouviram uma voz vinda de um alto falante.

— Boa noite, gangue Coyote. É um prazer encontra-los. — Disse a voz.

— Ah, é? A quem devo as honras? — Perguntou Tomoyo.

— Que bom que perguntou, minha querida Tomoyo. Meu nome é Fremont Becker, líder das forças armadas. — disse a voz.

— Becker?..... — Aquele nome a trazia lembranças.

— Nós da Stigma devemos agradecer, com toda a sinceridade. Vocês encontraram a pessoa que procuramos por todos esses anos e a trouxeram diretamente para nós.

— Do que ele ta falando, Tomoyo? — Perguntou Kai.

Ela não sabia o que falar.

— Bom, infelizmente, precisamos apenas dela, então darei a opção de vocês irem embora, ou terei que usar forca letal contra vocês. — Disse Becker.

— Pode apostar que nao vamos embora! — Gritou Kentaro.

— Olha, eu prefiro ir embora, sinceramente..... — Masumi estava claramente com medo.

— Sem essa, Masumi. Vamos ficar aqui até esse robô estar no chão!

— Sendo assim, vamos ver do que são capazes. Se conseguirem destruir minha criação, a vida de vocês não estará mais em minhas mãos.

— Melhor prestarem atenção, ou essa coisa esmaga vocês sem dó. — Disse Tomoyo. — Só não morram pisoteados, e eu resolvo todo o resto.

— Ah, isso com certeza não era o programa que eu imaginava pra essa noite. — Disse Masumi.

— É o que tem pra hoje, né? — Disse Mitsuru.

O robô avançou contra eles. Foi na direção de Masumi, que rolou para o lado, desviando do golpe. Seu porte magro o permitiu desviar com uma maior facilidade. Tomoyo avançou. e acertou um chute contra a maquina, que caiu para trás. Todos ficaram surpresos, pois seu chute havia amassado a carcaça metálica. O robô avançou mais uma vez, e tentou acertar um soco. Tomoyo desviou e acertou um golpe em seu braço, que quase o arrancou. A maquina logo se recuperou e a agarrou com forca. Sua mao conseguia cobrir seu corpo inteiro, e estava pronta para esmaga-la ali mesmo. Porem, Tomoyo se viu sem opções, e teve que usar seus poderes. Em um piscar de olhos, ela praticamente explodiu em eletricidade, destruindo a mao metálica. Ela pousou no chão, envolta de raios vermelhos. Seus olhos brilhavam em uma cor avermelhada, e seus cabelos estavam levemente espetados pra cima. Todos ali ficaram surpresos, porem Becker, que observava a luta por uma camera, estava animado com aquilo. Ela carregou e lançou uma forte rajada de eletricidade no robô, que caiu de costas no chão.

— T-Tomoyo? — Kai estava surpreso, assim como todo o resto da gangue. Ate mesmo Kentaro, que sabia de seus poderes, estava claramente assustado.

— Droga.... — Ela havia se arrependido do que tinha feito

— Ótimo, Tomoyo. Era exatamente isso que nós queríamos. Agora temos nossa confirmação.

— Que confirmação?! O que ta acontecendo aqui, porra?! — Gritou Kentaro.

— Tem alguém que pode responder melhor pra vocês. Como eu mesmo disse, suas vidas não estão mais em minhas mãos. Bem, até uma próxima vez. — Becker desligou seu alto falante.

Antes que alguém pudesse comentar alguma coisa, ouviram de longe um som de uma moto se aproximando.