Avalanche
24 Torpor
Notas iniciais
Quando abri os olhos, senti como se tivesse levado um soco na cabeça, cada pequena parte do meu cérebro parecia ter sofrido uma explosão. As memórias da noite anterior voltavam em lapsos confusos, os quais me assustavam à medida que percebia que nada daquilo havia sido um sonho.
Remexi meu corpo lentamente, enquanto tentava enxergar em que cômodo estava. Ao meu lado, escutei um suspiro profundo, que fez os pelos do meu corpo se eriçarem com as memórias que retornavam. Alexander dormia calmamente a poucos centímetros de mim, o pescoço um pouco torto nas almofadas devido a posição que havíamos caído no sono na noite anterior, os olhos estavam fechados como se fosse um anjo em profunda plenitude. Mal dava para acreditar no que eu havia feito...
Sentei-me na cama fazendo o mínimo de barulho possível para não acordar o príncipe, minha cabeça rodou por uns instantes, mas não cheguei a me importar. Quando olhei o relógio da cabeceira, sabia que já era tarde demais para tentar comparecer ao almoço. Igor já deveria ter ido embora, carregando segredos cruciais sobre mim. Em contrapartida, eu detinha as informações que Cam queria sobre a Ucrânia e Thomas. Pelo menos um ponto bom e menos confuso no meio do emaranhado de memórias.
Minha testa doeu quando finalmente me levantei da cama, disposta a escrever uma carta para o meu irmão antes que Alexander acordasse. No entanto, me senti tonta no instante seguinte, tropeçando em um dos meus sapatos no chão e caindo com tudo no carpete.
— Merda. – Resmunguei, sentindo meu corpo doer.
Quando olhei para a cama, minhas bochechas coraram ao dar de cara com Alexander preocupado e sonolento me encarando. Obviamente, eu o havia acordado do pior jeito possível, seus olhos cansados apenas me condenavam ainda mais. Mesmo assim, ele não parecia nem um pouco irritado com o acontecido.
Nossos olhos se cruzaram assim que ele se abaixou para me ver. Suas íris caramelo em contato com o meu verde mortal, aquilo me fazia lembrar exatamente de cada sensação da noite anterior, de cada momento em que nossos lábios se tocaram com tanta intensidade que me deixavam em pleno torpor.
— Você está bem? – sussurrou, enquanto chegava mais perto para arrumar as mechas rebeldes de meu cabelo.
Não precisei nem olhar no espelho. Eu devia estar horrível.
— Sim. – Suavizei, tentando não o deixar mais apreensivo ainda. – É só essa ressaca... Vou tomar alguns remédios e ficar bem.
— Por acaso, você se lembra de alguma coisa de ontem? – Semicerrou os olhos, claramente envergonhado e receoso pelo que havia acontecido.
Dei um sorrisinho, que saiu sem jeito e um pouco bobo. Apesar daquilo, me sentia culpada no fundo.
— Sim... – desviei nossos olhares. – Sinto muito por tudo...
Vi Alexander morder os lábios e depois remexer o cabelo, visivelmente sem uma reação exata no rosto.
— Eu não me arrependo... – falou, seu tom era um pouco desinteressado e distante, a mesma máscara que ele vestia quando havíamos nos conhecidos. No entanto, seus olhos mostravam a verdade de seus sentimentos, a intensidade que eu também captava entre nós dois e teimava em negar. – Mas sabe... Preciso te perguntar uma coisa sobre a noite passada.
— Ah... Claro. – Suspirei, nem um pouco pronta para dar respostas a ninguém.
— Os fotógrafos não chegaram a filmar nada, consegui impedir a tempo... – adiantou, deixando-me pelo menos mais calma com tudo. – Igor parecia muito bravo com alguma coisa. E você estava insana naquele momento... O que aconteceu de verdade?
Fechei os olhos, sentindo minha cabeça doer à medida que as lembranças ficavam cada vez mais vívidas. A sensação da mão de Igor em meu braço, as palavras ríspidas que ambos havíamos dito enquanto bêbados... Tentei achar algo que pudesse ser dito em voz alta e bolei uma resposta evasiva que não chegaria nem aos pés da verdade.
Quando eu estava prestes a abrir os lábios, escutamos batidas fortes na porta.
— Princesa! – era a voz de Mason, impaciente e metido.
Ufa.
Alexander fez uma careta, recusando-se a acreditar que o irmão estava ali no corredor. No entanto, levantou-se rápido e me ajudou a sentar na cama.
— Eu cuido disso. – Sussurrou. Seu olhar mostrava claramente que já estava de saco cheio de ter que lidar com Mason, mas que o faria por mim.
O príncipe abriu a porta devagar, o que deixou o jovem herdeiro de Illéa sem fala por vários instantes. Eu daria tudo para ver a cara daquele idiota. Alexander estava com a roupa social amassada e uma cara de sono que o denunciava. Não havia como esconder o fato de termos passado a noite juntos.
— O que você quer, hein? – disse, e logo depois bocejou na cara do irmão.
— Dormiu com ela??? – Mason sussurrou tão alto que pude entender cada palavra. – Sabe que nossos pais vão te matar se...
— Você não vai abrir o bico, irmãozinho. – Alexander soltou uma risada, ele era mesmo ótimo em manipular as pessoas quando queria. – Agora diga logo o que veio fazer aqui, porque eu quero continuar dormindo.
Andei até a escrivaninha com um sorriso vencedor no rosto. A porta estava tão pouco entreaberta que Mason sequer havia me visto. Minha cabeça doía duas vezes mais quando eu imaginava a expressão surpresa daquele idiota, porém, valia a pena.
Enquanto isso, separei um papel e uma caneta para a carta que escreveria a Cameron.
— Príncipe Igor e sua noiva foram embora pela manhã. Mandaram lembranças, inclusive. – disse o príncipe-herdeiro, suspirando profundamente para não perder a mínima paciência que guardava. – Papai e mamãe querem ver você e a princesa na sala de música daqui meia hora. Eles estão um pouco chateados com alguma coisa e...
— August está lá também? – Um sutil estalo deu-se em minha mente ao escutar aquele nome. – Se ele não estiver, avise-o para estar. Mas Avery não vai comparecer, apenas eu.
A porta foi fechada com força. Mason grunhiu indignado do outro lado, porém logo ouvi seus passos pelo corredor afora.
Agarrei o colar de leão que eu usava, pressionando o pingente em minha pele com aflição. Alexander virou-se para mim com uma sensação confusa no rosto, aliviado por estarmos sozinhos e receoso por ter que ir enfrentar uma visível bronca dos monarcas. Por outro lado, não consegui sequer me preocupar com nada, minha mente estava em outra linha de raciocínio.
— Por que a presença de August é tão importante? – perguntei enquanto desviava o olhar do príncipe, focando na folha de papel a minha frente.
— Ele é meu padrinho, você sabe. – Alexander falou com naturalidade. – August me ajuda sempre que dá, seja com o que for. Depois da minha mãe e a senhorita Marlee, ele é a pessoa que mais me conhece.
Respirei fundo, meu coração se acelerava em um ritmo estranho. Eu me lembrava com clareza de quando August havia elogiado meu colar no dia em que o conheci, assim como Igor o fez na Nova Inglaterra. Além do mais, me recordava ainda melhor de Maia na biblioteca, dizendo que seu pai possuía uma joia com o símbolo de um leão.
Estava bem debaixo do meu nariz. O tempo todo.
— Está tudo bem? Eu falei alguma coisa? – Alexander perguntou, obviamente notando o quão pálida eu havia ficado de um momento para o outro.
Respirei fundo, vendo a caneta que eu tinha em mãos desenlaçar de meus dedos e cair no chão. Cameron não receberia mais uma carta.
— Está sim! Eu só bebi muito ontem, desculpe... – menti, enquanto ele se aproximava de mim.
Coloquei as mãos na testa, se o príncipe olhasse em meus olhos, acabaria por perceber minha falta de sinceridade. No entanto, eu não poderia metê-lo nos assuntos ingleses, Alexander já estava ocupado demais com a situação de Illéa. E o padrinho dele não parecia ter cometido um crime, no final das contas.
Thomas devia ter pedido a August que ficasse de olho em mim. E meu irmão, tão afeiçoado ao antigo guarda-costas, estava apenas usando a mesma rede de contatos. Eu nunca havia sido livre de verdade, mesmo com as intenções boas por trás de cada ato furtivo. E a pessoa que mais lutara pela minha liberdade havia sido a que menos me conhecia, era como se Alexander tivesse captado o mais essencial de mim em pequenos vislumbres ao passar das semanas, conhecendo quem eu era de verdade, mesmo sem saber meus segredos.
— Tente tomar um banho e deitar mais um pouco. – Ele sussurrou, colocando a mão delicadamente em meu ombro. – Vou pedir que tragam alguns remédios também, você parece estar sentindo bastante dor de cabeça.
Suspirei.
— Não posso ignorar o rei e a rainha para sempre, sabia? – Dei um sorriso um pouco triste, entendendo que Alexander só queria me poupar de mais stress. – Deixe-me ir até a reunião com você. Acho que já causei problemas demais para todos.
Minhas bochechas esquentaram. Eu sabia o quanto o príncipe estava fazendo por mim, o quanto defendia minha liberdade e meus desejos, desde simplesmente não querer tirar fotos para a mídia ou confrontar o próprio rei para me deixar ilesa de qualquer consequência, mesmo que fosse tempestuosa e culpada na maior parte das vezes.
— Se você causa problemas, então Mason é a ruína dessa família. – Alexander soltou um belo sorriso de canto, o rosto ainda sonolento e preguiçoso.
Não contive o pequeno riso que saiu de meus lábios. Tentei afastar August de minha mente também, se ele era um aliado dos Schmidt, então não faria nada contra mim, apenas precisava escolher bem as informações que eu dizia em voz alta na frente dele. Não era como se fôssemos inimigos, já estava farta de jogos políticos.
— Obrigada por tudo. – Encarei o príncipe, que parecia ter suavizado seu olhar, sem se preocupar tanto comigo. – Vou me arrumar em quinze minutos. E serei pontual!
Ele riu mais um pouco ao escutar a última parte, já prevendo que eu me atrasaria como de costume. Por fim, Alexander me deu um doce beijo na testa, os lábios quentes em contato com minha pele como o sinal de uma curta despedida.
Assim que ele saiu do quarto e fechou a porta, não demorou muito para a minha criada entrar sorrateira. Eli obviamente sabia que eu havia dormido com o príncipe, por mais que nada tivesse acontecido entre nós dois. Seu olhar era cúmplice, e pude apenas sorrir como resposta, ignorando todos os problemas que ainda teria que resolver.
— Alteza, deseja comer algo? A senhorita perdeu o café da manhã e o almoço. – Eli disse, cabisbaixa e sem manter contato visual.
Suprimi minha risada.
— Sim. Quero café e um lanche natural. – Assim que terminei de falar, a criada já se apressava para ir buscar meus pedidos. – Eli, não precisa fingir que não sabe...
Seu corpo parou abruptamente, e logo escutei os risinhos que a mulher soltou antes de sair. Ela parecia contente por mim, afinal de contas.
Quando me vi sozinha, não perdi tempo. Tomei o banho mais rápido da história, apenas não me dei ao trabalho de molhar os cabelos. Depois, fui até o guarda roupa atrás de uma calça social preta, a qual ficava um pouco justa em minhas pernas e combinava com a bota verde musgo que eu tinha. Por fim, escolhi uma camisa fresca cor de âmbar, a qual tinha um tecido leve e elegante.
Eli chegou no exato momento em que terminei de pentear meus cabelos. A criada já estava mais do que acostumada com meu ritmo desorganizado, e sabia que não deveria entrar enquanto eu me vestia. Sempre atenta e conveniente no trabalho.
Comi o lanche e as frutas enquanto Eli fazia um coque em minha cabeça, ambas combinamos que seria o penteado mais rápido para a ocasião. Assim que terminei de beber o café, nos apressamos em esconder algumas olheiras com um pouco de maquiagem.
No entanto, mesmo saindo pela porta com o máximo de pressa e elegância misturados, dei de cara com Alexander no corredor, de cabelos molhados e batendo os dedos no relógio para mostrar meu atraso. Eu o encarei indignada.
— Você toma banho direito? – perguntei, mesmo que sentisse ao longe o cheiro de seu sabonete.
Ele riu, estendendo o braço para que eu o acompanhasse.
— Talvez minha alma seja inglesa. – comentou. – Gosto de cavalos, café e sou pontual.
Revirei os olhos com a piada, sendo guiada até uma parte do segundo andar que até então eu não conhecia.
— Falta o orgulho nacionalista também. – Acrescentei, o que o fez sorrir por um instante. – Para onde estamos indo mesmo?
— Sala de música. Fica próximo ao terraço, acho que você não foi lá ainda. É o lugar menos frequentado do palácio.
Tentei entender porque os monarcas gostariam de fazer uma “reunião” em uma sala de música, mas não cheguei a nenhuma conclusão.
— Minha mãe diz que é um ambiente leve, bom para ter conversas um pouco mais sérias. – Alexander parecia ler meus pensamentos, guiando-me em direção a uma pequena escada para o terceiro andar.
— Acha mesmo que não causei problemas? – arqueei as sobrancelhas. Era óbvio que tinha algo de muito sério em toda a má conduta que tive, ainda mais em relação a Igor.
— Acho. Confie em mim, minha mãe gosta de você. – Trocamos um breve olhar, o suficiente para saber que suas íris eram sinceras. Alexander podia ser um mistério há algumas semanas, mas eu finalmente descobrira como ler suas emoções.
Senti meus músculos tensionarem quando paramos de frente a uma porta grande. Havia detalhes de notas musicais entalhados na madeira, o que claramente dizia do que se tratava aquela sala.
O príncipe notou quase que no mesmo instante o meu desconforto.
— Já disse que posso cuidar disso sozinho...
— Não! – O interrompi, rendendo-me ao impulso rebelde que me fez girar a maçaneta fria de uma vez só.
Assim que o ranger da porta soou, Alexander tomou a frente e me guiou para dentro do cômodo. A claridade não estava tão excessiva, e consegui enxergar cada detalhe ao meu redor, desde os grandes instrumentos musicais até as pinturas e esculturas em meio as paredes claras. August não estava presente, o que me acalmou um pouco. Era uma sala grande demais para uma reunião com tão poucas pessoas.
No canto esquerdo, os dois monarcas pareciam apreensivos quando seus olhos decaíram sobre mim. Rainha América segurava um violino em mãos, o qual parou de tocar no exato momento em que entramos. Por outro lado, rei Maxon apenas parecia mais cansado do que o habitual, como se de repente a situação de Illéa tivesse piorado mil vezes mais.
Ambos se olharam por um breve instante, como se dissessem segredos horríveis em apenas um pequeno movimento. Havia algo completamente errado ali, eu podia sentir. E Alexander pareceu estremecer enquanto segurava meu braço, evidenciando que tinha o mesmo pressentimento.
Caminhamos em direção aos sofás em que o rei e a rainha estavam, meus pés mal sentiam o chão enquanto a tensão me tomava. O que havia acontecido?
— Majestades. – Fiz uma reverência tímida, mas nenhum deles pareceu se importar com aquilo, apenas me encarando como se tivessem um nó na garganta.
Rei Maxon suspirou ao buscar a mão da esposa, parecia quase implorar pelo apoio da rainha à medida que nos indicava os sofás para nos sentarmos. Os movimentos dele eram lentos e pesarosos, assim como os meus e os de Alexander até nos acomodarmos de frente para eles.
O príncipe ao meu lado encarava a rainha com preocupação, que apenas respirou fundo e voltou seus olhos para o rei, o que o deixou ainda mais nervoso.
— Se for sobre o que aconteceu ontem, saibam que...
— Não é isso, Alexander. – Ela o interrompeu, deixando a mostra um pouco de seu temperamento caótico, mas logo ficando extremamente atordoada. – Nós recebemos uma notícia horrível essa manhã.
Meu coração acelerou sem que eu quisesse. Será que algo havia acontecido com Cameron ou Edwin?
— Príncipe Cameron nos pediu que te contássemos em primeira instância, princesa. – O rei tomou a palavra, encarando-me com o máximo de sua gentileza e melancolia. Ele se parecia tanto com Alexander que talvez não fosse capaz de dar uma notícia ruim.
Soltei uma curta respiração de alívio que não durou muito. Cameron estava bem, mas...
— Algo aconteceu com Edwin, Majestade? – indaguei, as palavras pulando para fora de minha garganta como se precisassem sair a todo custo.
Rei Maxon arregalou os olhos ao me encarar, e Alexander segurou minha mão com um certo desespero em seu toque. Merda. Será se...
— Não, princesa! – disse a rainha, pude ver suas íris azuladas brilharem com uma impaciência dolorosa. – Mas o seu pai... Ele teve um infarto e não resistiu...
Senti um tiro de emoções contraditórias em mim, como se eu fosse um país prestes a conquistar a independência depois de perder seus melhores cidadãos na guerra.
— Desmond está morto? – sussurrei, sentindo uma torrente elétrica subir pelo meu corpo.
Alexander me encarava com uma expressão horrível, o queixo caído em pura surpresa. Alguns segundos depois, ele chegou a acariciar minha mão em forma de apoio, porém, meus olhos se mantinham fixos em um ponto sem sentido no chão.
Desmond estava morto.
— Nós sentimos muito, princesa. Vamos cuidar de sua ida à Nova Inglaterra imediatamente, pode ir embora de Illéa caso o queira também. – O rei abraçou a esposa, que parecia sentir-se tocada com a minha reação.
Nenhum deles entendia. Nenhum deles era capaz de entender. E rainha América segurava as lágrimas tristes como se tivesse sido seu próprio pai a morrer. Alexander me encarava como se esperasse uma reação de perda, como se eu fosse abraça-lo e chorar sem sentido algum.
Minhas mãos suaram frias diante daquilo tudo. O ódio me consumia assim como o alívio, as batidas em meu peito eram quase uma canção de liberdade, menos pelo fato de que cada parte do meu eu doía.
Não demorou muito para que os pensamentos me atordoassem, minha maldita mente era aguçada demais para deixar algo escapar. E no fundo, eu sentia cada sensação que meu gêmeo possuía dentro dele. Bem no fundo, eu sabia exatamente o que havia acontecido de verdade.
Pensei em Igor por um instante. Lágrimas amargas saíram de meus olhos sem que eu quisesse.
Ah, Cameron. O que você fez?
Desvencilhei-me das mãos de Alexander que me tocavam com ternura, levantando-me em um sobressalto para apenas correr para longe daquela sala e daquelas pessoas, as quais jamais poderiam entender o que de fato havia acontecido:
Meu irmão havia matado nosso próprio pai. E eu só conseguia me perguntar de onde ele havia tirado tanta frieza.
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