Notas iniciais
Boa leitura! Mais um capítulo quentinho...

Antes de eu sequer abrir os olhos, senti meu corpo inteiro dolorido. As pálpebras moviam-se lentamente, mas isso não facilitava em nada, minha visão parecia turva demais para definir qualquer coisa, embora jurasse ter visto os moveis de meus aposentos.

— Avery. – Escutei um sussurro longínquo, dedos delicados traçavam carícias em minhas têmporas.

Meus sentidos foram voltando aos poucos, e assim que consegui enxergar meu ombro esquerdo enfaixado, as memórias hostis do ataque rebelde voltaram a minha mente.

Em um solavanco, tentei me levantar da cama, assustada e com medo.

— Calma! Você está segura, querida. – Outra voz falou, enquanto alguém tentava me conter e me empurrar com delicadeza para onde eu estava deitada.

Pisquei algumas vezes, respirando fundo até me sentir hiper ventilada.

Alexander estava ao meu lado, sem roupas ensanguentadas e sem o medo como sua sombra. Os olhos do príncipe exprimiam apenas um profundo alívio em me ver, assim como uma preocupação genuína. Junto a ele, estava a própria rainha América, afugentada por um nervosismo fora do comum. O semblante tenso da monarca apenas lhe conferia mais idade.

— Todos estão bem? – questionei, encarando os dois com o máximo de ansiedade por respostas.

— Sim, princesa. – A rainha pegou cuidadosamente uma de minhas mãos, seus olhos claros embargavam ao me analisar. – Seus soldados salvaram meu filho Mason. E Alexander... – Suspirou entristecida. – Contou o que você fez por ele, querida. Sou eternamente grata como mãe!

As lágrimas escorreram pelas bochechas rosadas de rainha, um choro silencioso e cheio de alívio. Em contrapartida, eu não sabia o que fazer enquanto a monarca ainda segurava minha mão.

— Sentimos tanto pelo que houve... – ela continuou, escorando-se no ombro do filho ao seu lado como apoio. – Maxon e eu não temos palavras para descrever nossas desculpas... É tudo nossa culpa! Deveríamos ter sido mais cuidadosos...

O que? Minha cabeça latejante não conseguia raciocinar. Encarei Alexander ansiando por uma explicação, ele quase sempre conseguia ler meus sentimentos. No entanto, o loiro apenas desviou o olhar, ficando cabisbaixo ao soltar um longo suspiro.

— Os rebeldes roubaram as armas inglesas. – Confessou, seu timbre era apenas vergonha e culpa. – Uma parte do segundo carregamento inglês nunca chegou a Illéa porque foi interceptado.

Suspirei. Eu me lembrava muito bem de quando Mason havia dito que cuidaria de tudo, que garantiria que todos os armamentos ingleses chegassem em segurança, inclusive para honrar o casamento de Kaya.

O ferimento em meu ombro havia sido feito por uma arma de meu próprio país. Bem que algo me parecia familiar naquele revólver.

Não sabia nem o que deveria pensar. As coisas estavam piorando justo quando eu achava que estávamos próximos de conquistar a paz.

— Meu irmão já sabe de tudo isso? – encarei o príncipe.

Tinha certeza que Cameron ficaria furioso com o fato de eu ter sido atingida por uma bala, nem que de raspão. Pior ainda se viesse de uma arma inglesa roubada pelos rebeldes.

Alexander desviou o olhar de mim, voltando-se para a rainha por um instante. Mesmo entre lágrimas, ela entendeu que deveria nos deixar a sós e deu passos silenciosos cheios de culpa para fora do quarto. Em partes, meu coração se estilhaçava apenas em contemplar aquela visão. Será que minha mãe já havia estado daquela forma? Eu mal me lembrava dela em alguns momentos...

A porta se fechou em questão de segundos. E logo em seguida a expressão do príncipe mudou. Ele mordeu os lábios com força, enquanto acariciava meu braço ao seu lado. Cada parte de seu toque continha dúvidas e tensões, por mais que também fosse de alívio e conforto.

— Príncipe Cameron pediu sua retirada imediata de Illéa. O enterro de seu pai será em dois dias. – disse em um tom tão direto que fez minha cabeça girar mais ainda.

Soltei uma risada irônica ao revirar os olhos. Eu não tinha descanso? Sempre alguém controlaria meu destino?

— Então nosso casamento está desfeito... – sussurrei, a voz saindo um pouco mais alta do que eu pretendia. Não sabia se me sentia feliz ou triste com aquilo. Não sabia como me sentir.

— Sim, era o nosso combinado. Você vai ficar mais segura em seu país, Avery. Acho que já fez o suficiente por mim e minha família. – Acariciou minha mão, ao mesmo tempo que curvava os lábios em um sorriso triste.

— Não é questão de estar segura... – tentei explicar, mas sabia que talvez não fizesse sentido nenhum

Olhei de relance o curativo em minha clavícula, lembrando-me do risco que eu havia corrido pela família real de Illéa. Não era como se fosse um ato heroico, mas sim um movimento desesperado, cheio de um instinto tão protetor que eu mal sabia que havia dentro de mim. Como desistir de tudo aquilo justo agora?

Um certo nervosismo me tomou ao ver as roupas que eu vestia, uma calça confortável preta e uma camisa branca larga, com alguns botões abertos em cima que me davam a visão das talas em meu ombro. Havia todo um cuidado para que nenhuma cicatriz ficasse a mostra.

— Quem cuidou de mim?

— Um de seus soldados e sua criada. Não precisa se preocupar, ninguém viu nada. – Alexander suspirou, sua mente parecia cheia de perguntas sobre as cicatrizes que havia visto. Àquele ponto, não era como se eu tivesse muito a esconder. – Foi por conta daquilo que... seu irmão propôs o casamento duplo, não é?

Meus olhos se fecharam por um instante, focando em todas as dores de meu corpo por alguns segundos. Talvez pelo menos devesse dizer a verdade, ele merecia mais do que ninguém, havia me apoiado em momentos tão difíceis que não conseguia me imaginar mais sem o seu calor e calmaria. Entender o quanto estávamos próximos era um mistério que me atordoava.

O desespero consumia minhas veias, músculos e coração.

— Sim. – Funguei, as lágrimas vindo como uma torrente incontrolável em meus olhos, as palavras se esmagando em minha garganta para saírem de uma vez. – Foi por isso que briguei aquele dia com Igor na festa e também... Te afastei de mim nos estábulos... Não queria que ninguém soubesse, mas... – minha voz quase sumiu. – Agora Desmond está morto... Cameron deve ter feito algo... Ele...

Perdi o fôlego.

Alexander esfregou as mãos em seu próprio rosto, parecia se contorcer por dentro à medida que entendia a situação. Ele era esperto demais para não notar pelo que eu chorava, esperto demais para ler com facilidade as entrelinhas.

Grunhi de dor, tanto meu ombro quanto meu coração estavam cheios de feridas.

— Acha que seu irmão seria capaz de matar o próprio pai? Acha mesmo isso? – perguntou, levando minha mão a sua boca, depositando um beijo nervoso e frágil entre meus dedos.

Respirei fundo enquanto o encarava, as íris caramelo focavam em mim com toda a sua atenção. Havia um misto de medo com melancolia nelas, tão enlaçados que formavam um sentimento poderoso.

Se meu irmão fosse mesmo um regicida, então Kaya Schreave teria um marido assassino ao seu lado no trono inglês.

— Eu não sei... – sussurrei. – Eu não sei mais de nada sobre meu gêmeo...

Ele depositou outro beijo em minha mão e então colocou meu braço vagarosamente na cama.

— Descanse. Você precisa voltar para o seu país, e eu preciso ajudar meu pai com os batalhões russos que irão chegar. – Alexander levantou-se da cadeira ao meu lado, sua postura parecia rígida de repente. – Vou chamar seu soldado médico e a sua criada para te examinarem.

Uma parte de mim pareceu se partir quando vi que ele iria me deixar.

— Volte comigo para a Nova Inglaterra. – Me apressei em dizer, erguendo meu corpo dolorido para me levantar também.

Acima de tudo, não queria ficar sozinha. Era como se eu não conhecesse mais ninguém. Nem meu gêmeo, nem o fiel guarda-costas de minha mãe ou Jasper, que me afastou no último instante possível. Até mesmo Edwin não falava mais comigo. Por incrível que pareça, naquele momento a única pessoa com quem eu poderia contar de verdade e tinha a confiança era Alexander.

Ele havia visto minhas costas, agora sabia quem eu era. No entanto, estava querendo me deixar.

— Não acho que seja uma boa ideia, Avery.

Meu coração se acelerou. Alexander mal me encarava.

— P-por que? – gaguejei, o desespero adquirindo uma forma caótica em meus interiores.

O príncipe voltou-se para mim com relutância, a intensidade de nossas emoções era tão confusa e mesclada que eu não conseguia definir um único sentimento entre nós dois. A dúvida predominava acima de tudo.

— Quem é Jasper Schmidt? – perguntou, seus olhos tristes me encaravam com insegurança. – Seu soldado médico falou bastante dele enquanto você estava desacordada.

O que? Jasper?

Tentei desviar o foco de minha visão, mas não conseguia fugir do príncipe mesmo que quisesse. Minha cabeça parecia em pane. Eu nem havia dito sobre August ser um “espião”, como falaria de algo mais íntimo ainda?

Meus lábios não conseguiam nem se mover, e isso fez Alexander soltar uma risada nervosa ao me ver daquela forma.

— Devia ter me dito que tinha alguém te esperando. – Ele virou o rosto.

Engoli em seco. Não. Não podia ser isso.

— Está entendendo errado... – minha voz fraquejou, assim como a força do meu corpo. – Jasper é... passado!

Alexander estreitou os olhos, talvez sem saber ao certo se devia confiar em mim. Depois de tudo, eu esperava pelo menos mais um voto de confiança, por mais que não fizesse nenhum sentido estarmos falando sobre Jasper. Aquele era um assunto meu.

— Não importa. – disse, chacoalhando a cabeça levemente. – Você merece ser feliz com quem quiser.

Não aguentei aquela sensação constrangedora. Sentei na cama, respirando fundo demais e sentindo os olhos embargados.

Por que de repente eu me importava tanto?

Não soube o que dizer, mesmo sentindo a necessidade de tê-lo por perto. Meus segredos haviam sido mostrados da pior forma possível, e Alexander parecia estar apenas agindo da maneira como bem queria, passando por cima dos meus sentimentos sem nem se importar.

Uma raiva diferente tomou conta de mim. Mesmo que eu sentisse a fúria, não me sentia capaz de externalizá-la. Enquanto isso, o príncipe apenas caminhava em direção a porta, resoluto em me deixar sozinha.

— Por que está fazendo isso comigo, Alexander? – questionei, tentando limpar as lágrimas com a mão. Haviam tantas emoções reprimidas, algumas eu mal sabia o que eram. – Depois de tudo o que te mostrei sobre mim... Você vai simplesmente embora?

Sentia minha cabeça atordoada, o ar me faltando. Não aguentava mais perder pessoas. Minha mãe havia me deixado, Thomas havia me deixado e até Cameron e Jasper, de certa forma, haviam me deixado. O príncipe já era íntimo demais para que eu pudesse suportar não o ter comigo em um momento frágil.

Minha visão ficou embaçada, e pude ver apenas a silhueta de Alexander aproximando-se rapidamente de mim, suas mãos de encontro a meu rosto como se me segurasse para não me desfazer em lágrimas.

— Eu sinto muito, Avery... – sussurrou, parecendo tão desesperado quanto eu, talvez entendendo de uma vez a merda que havia feito. – Não sei bem o que sentir... Quero você por perto... Mas aqui não é mais seguro para uma princesa ficar...

As palpitações em meu peito me deixavam desregulada. Ele me queria?

— P-posso trazer mais soldados do meu país, posso aconselhar melhor seu pai... – gaguejei qualquer coisa que pudesse exprimir o mínimo de uma resposta digna.

Alexander expirou profundamente, abaixando o olhar por um instante. Consegui sentir seu calor irradiar-se pelas minhas bochechas, como se me desse um pouco de sua energia vital com o mais simples toque.

Ele estava em chamas. E suas íris cor de mel me enlaçavam pela parte mais interna de mim.

— Por que quer tanto ficar aqui?

Meus lábios tremeram, entreabertos e imóveis. Não havia pensamentos em minha mente, apenas um vazio pleno e calmo.

Fechei os olhos, concentrando-me apenas no calor das mãos de Alexander. Em um impulso automático, me aproximei de seu rosto, sentindo nossas respirações se entrelaçarem ofegantes. Ele parecia se entregar apenas com a mais leve de minhas aproximações. E eu adorava aquilo.

— Gosto de você. – Sussurrei sem pensar. – Gosto dessa liberdade.

Encostei nossos lábios devagar, o que o fez suspirar antes de me beijar de uma vez, seu toque se esparramando com cuidado pelo meu pescoço. Havia um tanto de necessidade e sede em nós dois, precisávamos daquilo mais do que qualquer outra coisa.

Movi minhas mãos sem o mínimo de discernimento, apenas agindo de acordo com os sentimentos reprimidos que agora eu libertava. Puxei Alexander para mais perto, que beijou cada parte de meu pescoço desnudo, parando a poucos centímetros de meus curativos. Enquanto isso, meus dedos desabotoavam a camisa que eu vestia, fazendo com que o príncipe me encarasse sério por um curto instante.

— Você está com pontos, Avery... – disse baixinho, seus dedos tentavam parar os meus sem relutância nenhuma.

— Eu não me importo. – Aproximei nossos lábios mais uma vez, ambos sentindo o desejo e o calor que nos tomava crescer. – Preciso disso...

Alexander suspirou ao ver minha pele nua, os olhos embebidos em um desejo único. O príncipe demorou alguns segundos para tocar nos meus seios à mostra, mas os acariciou como se eu fosse feita de vidro. Ele era claramente inexperiente, e isso só o fazia se entregar mais a cada vez que eu movia minha língua com mais afinco na dele, enquanto meus dedos iam em direção aos botões de sua calça.

Mesmo com o ombro doendo em demasia, era como se o calor do príncipe inibisse qualquer outra sensação que eu poderia ter. Meu corpo já quase derretia quando as mãos dele percorreram minhas costas. Sequer pensei nas cicatrizes, me sentia livre demais para me preocupar com aquilo.

— Tem mesmo certeza? – sussurrou, enquanto dava mais beijos cuidadosos em meu pescoço.

Soltei uma risadinha ofegante, vendo o quanto Alexander se preocupava mesmo que nenhum de nós fosse capaz de parar o que estávamos começando. Cheguei a olhar as talas em meu ombro, tão firmes que meu braço esquerdo tinha seus movimentos limitados. Não teríamos problemas com aquilo.

— Eu sempre tenho certeza. – Respondi, vendo o quanto nossos olhares eram intensos um para o outro.

Alexander me ajudou a deitar na cama mais uma vez, enquanto seus dedos retiravam minha calça e corriam pelas minhas coxas, deixando à mostra apenas a minha última peça de roupa.

Um arrepio chegou a correr por minha espinha ao ver o qual excitado estávamos, em um caminho tão sem volta e prazeroso que eu só podia escolher me entregar. Por um segundo, disfarcei uma careta de dor quando tentei colocar minhas mãos por debaixo da camiseta do príncipe, afoita por mais.

Ele riu com malícia, aproximando seu corpo do meu e retirando a peça de roupa que me impedia de tocá-lo. Seus músculos e pele bronzeada eram quase como uma visão radiante, a qual me deixava sem fôlego e apenas com mais desejo. Se antes eu apenas conhecia o frio do inverno, agora eu parecia estar prestes a me deitar com o próprio verão.

Alexander, por mais suave que fosse, era como uma fogueira hostil que queria me consumir, entregando-se ao seu instinto tão abruptamente que fazia minha cabeça irromper em lascívia com seu toque.

Em um ímpeto desesperado, eu o beijei com minhas emoções a flor da pele, enlaçando minhas pernas em sua cintura para puxá-lo para mais perto, cada vez com menos distância e com seu corpo em cima do meu. O movimento havia sido tão brusco que soltei um gemido quando senti nossas partes se encostarem.

Ele pulsou, arfando em meu pescoço sem conseguir resistir. Éramos como uma tentação inebriante.

Cheguei a olhar em seus olhos por um momento antes de me entregar de uma vez. Alexander era fatal e irresistível de uma forma que eu nunca havia pensado que alguém poderia ser.

Meus dedos tocaram seu rosto enquanto meu coração parecia sentir algo além de paixão.

— Quero você. – Sussurrei, sentindo-o pulsar lá embaixo mais uma vez.

Não me importava o perigo por trás daquelas palavras. No fundo, eu só queria me sentir protegida. E Alexander parecia fazer aquilo muito bem.

☆

Ele me olhava com doçura entre os lençóis brancos recém trocados, acariciando minha pele. Eu havia aberto um dos meus pontos em consequência de nossos atos, resultando em um pequeno sangramento que só notei muito tempo depois, mas que foi o suficiente para que Alexander se sentisse culpado até que tudo estivesse bem mais uma vez. Por sorte, o soldado Davies não perguntou como aquilo havia acontecido, apenas fazendo seu trabalho em silêncio enquanto Eli percebia uma súbita bagunça em minha cama.

Eu estava me sentindo bem, muito melhor do que poderia prever. O vigor corria pelo meu corpo como se barrasse toda a dor de meu ombro. Em contrapartida, sabia que havia um milhão de coisas que teria que lidar ainda naquele dia. Por mais que eu quisesse, a presença de Alexander não tornava as resoluções mais fáceis, apenas amenizava tudo.

Quando Eli veio sorrateira até mim na cama, soube que teria que lidar com mais uma situação. Ao meu lado, o loiro se afastou por um momento, nos dando privacidade.

— Alteza, o rei e o príncipe Mason desejam fazer-lhe uma visita. – Cochichou em meu ouvido, um pouco indecisa se Alexander poderia escutar ou não.

Toquei em sua mão levemente, abrindo um pequeno sorriso para mostrar que não havia mais segredos naquele quarto. Eli havia visto minhas costas e agido como se nada tivesse acontecido, eu era grata por aquele gesto tão gentil de sua parte e só podia pensar em retribuir.

— Seu pai e seu irmão estão aqui. – Encarei Alexander, tentando manter o mesmo sorriso nos lábios. No entanto, apenas me sentia cansada demais para lidar com aquilo.

— Eles só querem te agradecer. Meu pai não quer incomodar. – explicou o príncipe, seus lábios continham um certo sorriso que amenizava a situação. – Seus soldados protegeram Mason e a Selecionada preferida dele. Meu irmão nunca mais vai ousar te criticar.

Mordi os lábios sem o mínimo de modéstia.

— Isso é perfeito, vou poder provocá-lo sem retaliações. – brinquei, arrumando meu cabelo para o lado enquanto tentava me tornar apresentável diante do monarca. – Aliás... Qual a Selecionada preferida dele? Ele é capaz de gostar de alguém?

Alexander riu ao levantar-se da cama finalmente. O tecido de sua camisa estava todo amassado em uma parte, o que denunciava o quanto ele havia estado ali comigo.

— Marian Kodak. – respondeu um pouco pensativo. – Ela inclusive perguntou de você, mas príncipe Cameron nos aconselhou a não divulgar sobre seu incidente.

Revirei os olhos. Sentia-me feliz em saber que Marian era a preferida de Mason e ainda se preocupava comigo. No entanto, uma súbita tristeza me abateu. Não havia falado com Edwin ainda, sequer com meu gêmeo. Todas as decisões que foram tomadas sobre minha pessoa não eram de fato minhas. Thomas agora era uma sombra na Nova Inglaterra, jogando o jogo da realeza com objetivos tão desconhecidos que só me preocupavam. Pelo menos eu compactuava com sua decisão daquela vez. Não seria bom para Illéa se os jornais soubessem que um ataque rebelde quase me matou.

Balancei a cabeça já me sentindo exausta e perdendo o vigor de antes. Eram sempre tantos pensamentos cansativos.

— Mande-os entrar, Eli. – Apressei-me em dizer.

Não estava nem um pouco pronta para ouvir o discurso de agradecimento de Mason. Mesmo assim, precisava de Alexander comigo na Nova Inglaterra. E aquela era a chance perfeita para o rei retribuir o favor que prestei ao seu país.

Notas finais
Estou um pouco receosa com esse capítulo rsrs