Autumn Leaves In a Snowstorm
6 A peculiar rainy night
Notas iniciais
Alguns dias se passaram, a semana chegava ao seu fim, mas a rotina era a mesma.
Em todas as refeições, Charles White estava lá, bem à minha frente, comendo quietamente como de praxe. Às vezes quebrava o silêncio apenas para fazer algum comentário de mau gosto sobre mim ou sobre algo ao nosso redor. Na ida ao trabalho, caminhávamos lado a lado até a esquina – só para manter as aparências, claro – e depois nos separávamos indo cada um para um lado. Já na volta, eu sempre chegava primeiro no nosso ponto de encontro e ficava o esperando, mesmo que estivesse morrendo de vontade de apenas virar aquela esquina e ir logo para o orfanato, finalmente descansar. Havia vezes em que ele demorava mais que o habitual para chegar e eu estava quase certa de que a razão não tinha nada a ver com o seu “trabalho”, como ele afirmava ser depois de reclamar que não me devia explicação alguma.
Após isso, caminhávamos até o orfanato e cumprimentávamos a Sra. Stevens que, curiosamente, sempre estava em algum lugar ao redor da sala de estar quando chegávamos. Muito provável que para comprovar se de fato White estava cumprindo com o combinado.
Era bem entediante, mas eu tinha que admitir que era bem menos do que antes. Agora eu tinha alguém, sem ser a Sra. Stevens, Sr. Martin ou o Sr. e Sra. Baker, para trocar algumas palavras, mesmo que em sua maioria fossem sempre ofensas disfarçadas – ou nem tão disfarçadas assim –, provocações, encenações ou puras ameaças. Entretanto, eu já não importava-me mais com essas coisas. Por mais que ainda sentisse medo, estava habituada à presença de White. Nossas “conversas” até chegavam a entreter-me às vezes, sem contar que não dava para negar que éramos um pouco parecidos: ambos éramos obviamente antissociais, não tínhamos amigos, gostávamos de passar o tempo lendo, não tínhamos uma reputação boa no orfanato e nem na época da escola. Isso porque eu não fazia questão de ser amigável ou falsamente extrovertida como os outros. Com White era a mesma coisa, só que ele tinha o bônus de ser estranho daquele jeito que só ele sabia ser mesmo. Nós também tínhamos a mesma idade e essa preferência nada comum por observar as pessoas em vez de falar com elas.
Entretanto havia uma enorme diferença entre nós dois que não poderia ser deixada de lado: eu, Autumn Pierce, não teria coragem de fazer mal a uma mosca, já Charles White era capaz disso com um ser humano e provavelmente muito mais. E era justamente esse “muito mais” que às vezes me impedia de tentar começar uma conversa amigável com ele, mesmo quando seus olhos estavam mais azuis do que cinzas, indicando um momento livre de perigo e hostilidade. Sem contar que essa também era a razão do meu anseio de querer ir atrás dele, quando o rapaz demorava mais que trinta minutos para aparecer na esquina depois do trabalho.
— Autumn? Ainda está aqui, menina? – Perguntou uma voz masculina, logo após o sininho da porta da cafeteria anunciar sua chegada.
Rapidamente virei-me em direção a voz, parando o que estava fazendo. Foi só depois de ser desperta de meus pensamentos, que notei que estava passando o pano na mesma mesa há alguns minutos, sem nem mesmo perceber. O dono da voz encarava-me com as sobrancelhas franzidas e um sorriso amigável no rosto, algo que já era bastante familiar vindo dele, meu chefe.
Merle Baker era o dono do Merle’s Coffee Shop, onde eu trabalhava há quase dois anos. Era um senhor de altura mediana, um pouco acima do peso, por volta dos 50 anos. Sr. Baker era conhecido por sua simpatia e solidariedade com seus clientes e com todos à sua volta. Vivia sempre com um sorriso no rosto, tanto que não me lembrava de uma vez se quer em que seus lábios não estavam curvados para cima. Era fácil ver o quanto ele amava aquele estabelecimento e o carinho que tinha pelos seus clientes e funcionários, assim como sua mulher, Martha Baker, que frequentemente ia visitar a loja do marido.
— Estava esperando o senhor chegar e resolvi já ir limpando as mesas enquanto isso – respondi, dobrando em minhas mãos o pano úmido por conta do produto de limpeza.
— Desculpe-me, Auttie. Não imaginei que a fila do banco demoraria tanto, nem vi o tempo passar. Agora me dê esse pano aqui, deixe que eu cuide disso – disse ele, aproximando-se de mim e bagunçando levemente meus cabelos, antes de pegar o pedaço de tecido das minhas mãos. – Vá para casa descansar, pimentinha, nos vemos amanhã.
— Tem certeza, Sr. Baker? – Eu perguntei, ignorando o apelido dado a mim como aprendi fazer há tempos. – Eu realmente não me importo de aju-
— Onde já se viu alguém pedindo para trabalhar mais? – Merle interrompeu-me, rindo logo depois. – Imagina, pode ir! Afinal, seu turno já acabou faz tempo.
Suspirei e balancei a cabeça, finalmente aceitando seu pedido. Fui até os armários no fundo do estabelecimento, tirando meu avental marrom escuro da cintura no caminho. Já no banheiro dos funcionários, tirei o resto do uniforme, logo colocando minhas roupas casuais. Depois disso, arrumei meus pertences todos na bolsa e, olhando uma última vez no espelho pra ver se não havia colocado nada do avesso ou coisa assim, rumei para a parte da frente da cafeteira outra vez.
— Bom, já vou indo então, Sr. Baker – anunciei ao mesmo, quando o avistei limpando as mesas assim como eu estava fazendo antes.
— Quantas vezes eu vou ter que falar, menina? Sabe que todos os funcionários podem me chamar apenas de Merle, principalmente você, que é a que trabalha aqui há mais tempo – ele sorriu quase que fraternamente para mim e eu senti a famosa vontade de sair correndo surgir dentro de mim. Ao invés de obedecê-la, segurei-me e apenas lhe ofereci um sorriso singelo de volta. – Enfim, vai sim, nos vemos amanhã. Cuidado na volta para casa.
Toda vez que ele falava aquela palavra com “c” para mim, minha vontade era de rapidamente corrigi-lo. Eu não tinha uma “casa” para voltar, eu tinha um orfanato, no qual nunca tinha sido ou seria a minha casa. Merle sabia disso, sobre a minha situação, porém insistia em usar aquela palavra. Mesmo sentindo tudo aquilo, eu nunca o corrigia, pois tinha medo de soar como uma vítima, uma coitadinha, o que de fato eu não era. Então eu apenas ignorava, assim como fiz daquela vez, assentindo em sua direção e acenando brevemente para ele, antes de sair pela porta de vidro.
O vento rapidamente bateu contra o meu corpo e eu afundei-me mais ainda em meu cachecol, não demorando muito para começar a caminhar em direção à esquina que dava para a rua do orfanato. Enquanto andava e olhava para o céu que, diferentemente do de manhã, agora estava meio nublado, comecei a pensar sobre o Sr. Baker e sobre a Sra. Baker.
Aquela atitude um tanto carinhosa em relação a mim não era incomum. De fato, meu chefe era daquele jeito com todos, assim como sua esposa; mas comigo eu sentia que era diferente, mesmo que eu não gostasse de admitir. O casal tratava-me com uma espécie de carinho que ninguém nunca demonstrou em relação a mim antes, nem mesmo a Sra. Stevens, afinal, ela tinha mais dezenas de outras crianças para preocupar-se. Era fato que eles preocupavam-se comigo, o que me deixava bastante assustada e surpresa, principalmente pelo fato de que eu nunca tinha os tratado diferente, nunca havia demonstrado nenhum tipo de afeto em relação a eles. Eu não demonstrava aquilo para ninguém na verdade, porque, em teoria, eu não tinha ninguém para receber tal sentimento vindo de mim. Sempre havia os tratado como meus chefes, o que eles eram, mas isso não parecia fazer diferença para o casal Baker, o que me deixava também bastante intrigada.
Quando faltavam alguns metros para chegar até a esquina, alguns pingos de chuva começaram a cair do céu. Não me preocupei muito de início, pois não parecia que ficaria pior que aquilo. Ao virar a esquina, também conhecida como o nosso ponto de encontro, dei de cara com White encostado no muro onde eu costumava encostar-me enquanto esperava ele chegar. Pelo visto o jogo tinha virado aquele dia.
— Por que está atrasada, Pierce? – Questionou com os braços cruzados, sem se quer desviar seus olhos do concreto da calçada.
— Não sabia que tínhamos um horário estipulado, White – respondi, enxugando algumas gotas de chuva do meu rosto, que já começavam a se acumular.
— O horário estipulado é a hora que eu chego e não o contrário.
Desencostou-se do muro e lançou-me um sorriso cínico. Quando abri a boca para retrucar um trovão soou alto, interrompendo-me e fazendo-me pular de susto, ao ponto de até esquecer o que ia dizer segundos atrás.
— O que foi? Tem medo de trovão também agora? – Seu tom de deboche era tão nítido que me fez revirar os olhos. – De qualquer forma, chega de enrolação, vamos logo de uma vez, antes que-
Sua frase também foi interrompida, quando outro trovão soou no céu e junto a ele veio uma bela pancada de chuva, que dois míseros segundos foram o suficiente para nos encharcar da cabeça aos pés. Sem esperar mais um segundo, comecei a correr em direção ao orfanato o mais rápido que podia, deixando o rapaz para trás.
— Você sabe que correr não vai adiantar nada, não é?! – White gritou atrás de mim para que assim eu pudesse ouvi-lo mesmo com a nossa distância e com o barulho da chuva batendo contra o asfalto. – Você vai se molhar do mesmo jeito e provavelmente até mais.
Mal dei ouvidos a sua observação mesmo sabendo que ele estava certo, mas olhei para trás, enquanto eu ainda punha-me a correr. White andava atrás de mim no meio da rua com os cabelos molhados colados sobre sua testa e tentava proteger inutilmente sua bolsa-mensageiro com seu casaco igualmente molhado. Ele tinha os passos um pouco mais rápidos do que os seus usuais, mas mesmo assim, ainda estava apenas andando.
— A não ser que você tenha um guarda-chuva, eu não quero ouvir o que você tem a dizer, White! – Eu gritei de volta, vendo-o revirar seus olhos para mim.
Quando fui olhar para frente novamente, já era tarde demais. A parte da frente do meu sapato já tinha enganchado no buraco no asfalto e eu estava no meu processo de queda, indo fortemente contra o chão logo depois. Sentia minhas mãos e joelhos arderem e meu tornozelo doer em um nível que indicava uma clara torção.
— Pierce? Está viva? – Ouvi a voz de White perguntar-me logo acima de mim.
— Não tenho muita certeza – murmurei de volta, tentando levantar-me e torcendo para conseguir realizar todos os movimentos necessários para aquela ação.
Coloquei-me de pé e não senti nenhuma outra dor que não fosse a dos arranhões e a do tornozelo. Suspirei em puro alivio, já que ir para o hospital era a última coisa que eu queria ter que fazer. Depois de dar uma olhada nas palmas das minhas mãos e verificar que eram definitivamente apenas arranhões, olhei para White parado a minha frente. Ele estava com uma expressão impassível, o que não era uma novidade, mas ao desviar meus olhos para seus lábios e vê-los pressionando um ao outro, era mais do que óbvio que White estava segurando uma risada.
— Não foi dessa vez, White. Deve estar bem desapontado – soltei uma risada depois, também achando graça da situação para a minha própria surpresa.
O rapaz ensopado a minha frente deixou uma pequena risada passar entre seus lábios, uma quase inaudível, e disse, olhando agora na direção do orfanato:
— Você nem imagina quanto. Vamos torcer para que seja um carro que te derrube na próxima vez então.
Estreitei meus olhos, não tendo ideia se ele falava sério ou não, e ele desviou os seus para mim outra vez, agora com as sobrancelhas levantadas e um pequeno sorriso formado em seus lábios. Antes que eu pudesse dizer alguma coisa, o rapaz começou a andar de novo, tendo-me como companhia dessa vez, já que não conseguiria sair correndo mancando daquele jeito mesmo se quisesse.
Quando entramos no edifício, estávamos tão encharcados que cada passo dado era uma nova poça criada no pobre chão da Sra. Stevens. Não demorou muito para a mesma nos interceptasse logo na entrada, antes que fizéssemos um lago ali mesmo só com a água escorrendo de nossos corpos.
— Meu Deus, o que aconteceu com vocês? Não levaram guarda-chuva, não é mesmo? Eu sempre digo a vocês que outono é uma estação chuvosa e que sempre devem sair com um guarda-chuva, mas ninguém nunca me escuta! – Exclamou ela, falando tudo quase em um fôlego só ao ponto de fazer com que eu começasse a contar os segundos até ela cair desmaiada por falta de oxigênio. – Fiquem aqui, eu vou pegar algumas toalhas para vocês se enxugarem.
— Ela fala como se nós realmente quiséssemos nos molhar desse jeito – resmungou Charles ao meu lado, enquanto ela desaparecia escada a cima. – Quantos anos ela acha que temos? Dez?
Soltei um pequeno riso e comecei a tirar meu cachecol e meu casaco totalmente ensopados, vendo-o fazer o mesmo com o seu a seguir. Tive um pouco de dificuldade por conta da ardência em minhas mãos, mas tentei deixar a dor de lado e não transparecer nada daquilo em meu exterior.
Alguns poucos minutos depois, Sra. Stevens desceu as escadas com um par de toalhas nas mãos. Caminhou apressadamente até nós, estendeu uma para cada um e quando eu estiquei minha mão direita para pegar o objeto, seus olhos capturaram a cor vermelha na minha palma.
— O que é isso, Autumn? – Perguntou ela, pegando minha mão e examinando-a, sem cerimônia alguma, antes de arregalar os olhos para mim com uma expressão de preocupação. – O que aconteceu, querida?
Antes mesmo que eu pudesse abrir a boca para responder-lhe, White disse:
— Ela tropeçou e caiu na rua, enquanto voltávamos do trabalho. – Quando o olhei, ele estava com uma expressão de preocupação quase no mesmo nível que a Sra. Stevens, na qual eu tinha certeza que não estava ali segundos atrás. Segurei a vontade de revirar os olhos, enquanto tentava adivinhar de onde ele havia tirado aquele dom para atuação. – Ela caiu de joelhos, acho que ralou os dois e também as mãos, não é, Auttie?
Ainda era muito bizarro ouvir meu primeiro nome saindo de seus lábios, quanto mais meu apelido. Não tinha ideia de onde ele tinha tirado aquilo, afinal, só o Sr. Baker e às vezes a Sra. Baker me chamavam assim, o que só deixava tudo ainda mais estranho. Fui cortada de meus pensamentos quando White cutucou-me disfarçadamente na cintura, chamando minha atenção.
— Ah, sim, foi isso mesmo, Chaz— respondi, sorrindo-lhe o mais cinicamente que pude, vendo-o se mexer desconfortável ao ouvir o mais novo apelido que eu havia lhe dado. – Eu também torci levemente meu tornozelo – disse dirigindo-me diretamente a Sra. Stevens –, mas não precisa se preocupar, não foi nada demais, sério.
— Bom, se você diz, querida, eu acredito. Entretanto, caso sinta alguma dor mais forte ou algo do tipo, quero que não hesite em me comunicar, está bem? – Ela perguntou, segurando meus dois ombros delicadamente. Balancei a cabeça e tentei lhe lançar um pequeno sorriso que transmitisse segurança, mas não tinha certeza se havia sido realizado com sucesso. – Agora precisamos arrumar alguns curativos para esses seus machucados. Eu estou um tanto ocupada no momento, tivemos pequenos problemas com a eletricidade em alguns lugares do orfanato por conta da chuva, então vou precisar que você cuide disso para mim, Charles.
— Não, – interferi rapidamente ao raciocinar o que ela queria – não é preciso. Eu sei me cuidar muito bem sozinha, Sra. Stevens.
— Bom, não é o que parece, não é mesmo, Sra. Stevens? – Comentou White, sarcasticamente, enquanto encarava minhas mãos de um modo sugestivo. Depois direcionou seus olhos claros a senhora de meia-idade a nossa frente, que agora lhe oferecia um sorriso singelo, e abraçou-me de lado, colocando sua mão sobre meu ombro direito. – Não se preocupe, eu cuidarei dela. Só me diz onde estão os curativos.
—––
— Isso é totalmente desnecessário – reclamei, observando o rapaz na minha frente, já seco e trocado assim como eu, enrolar um pedaço de gaze na minha mão direita, exatamente como havia acabado de fazer na esquerda. – Eu poderia fazer isso sozinha, sabia?
Charles, que estava sentado ao meu lado no refeitório vazio, desviou seus olhos de minha mão até encontrar os meus. Não demorou muito para revirá-los para mim, bufando logo em seguida.
— Estou gostando disso tanto quanto você, Au- Pierce – corrigiu-se rapidamente, mas não o suficiente para que passasse despercebido por mim. Tive que fazer um esforço para esconder isso e não deixar transparecer em minha expressão.
Ele então pigarreou e voltou seus olhos para o que estava fazendo. Segurava minha mão delicadamente, para minha surpresa, e a enfaixava do mesmo modo. Seu cabelo preto caia sobre sua testa, atrapalhando um pouco sua visão, mas não o suficiente para que ele parasse o que estava fazendo e os tirasse do caminho.
— Então você deveria ter negado o pedido da Sra. Stevens e não concordado com ela – disse depois de um tempo em silêncio o observando.
Ainda olhando para baixo, ele riu sarcasticamente, enquanto colocava um pequeno pedaço de esparadrapo no fim na gaze para segurar o curativo. Logo tirou suas mãos geladas das minhas e olhou-me outra vez de um jeito tedioso.
— Como se eu tivesse escolha. Pegaria mal para a nossa pequena encenação, sem contar que a velha ia me obrigar a fazer isso mesmo assim.
— Talvez não – sugeri, examinando seu trabalho surpreendentemente bem feito nas minhas mãos e também examinando os band-aids que foram colocados em meus joelhos.
— De qualquer forma, Pierce, já está feito e a velha continua acreditando que somos realmente amigos, que é o que realmente importa. Agora vê se para de chorar.
Levantou-se no banco em que eu normalmente fazia minhas refeições, ou melhor, que nós fazíamos, e começou a recolher os materiais de primeiros socorros, colocando-os na pequena caixinha branca. Jogava-os sem muita delicadeza dentro do objeto, deixando claro para mim de que sua cota de gentileza daquele dia havia acabado.
— O jantar já vai ser servido, fique aqui. Eu vou devolver isso para a Sra. Stevens e já volto. Se possível, tente não fazer nada estúpido, está bem? – Disse White antes de sair no cômodo com o objeto em mãos, deixando-me sozinha e um pouco irritada por ele achar que mandava em mim, mas também um tanto intrigada ao notar um desconhecido tom suave em sua voz ao falar comigo.
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