Auschwitz

11 Capítulo 9


Notas iniciais
CAPÍTULO MEGA, HIPER, SUPER DEDICADO A DREAM PELA RECOMENDAÇÃO SUPER FOFA QUE ELA DEIXOU NA FIC!!! Obrigada linnda, espero q goste desse capítulo ;) P.S.: Nem eu conseguia falar o nome da fic (vergonha) daí depois de ouvir um monte de vezes consegui o/ Mas ainda me atrapalho suhasuahusas

Dezembro de 1944

Não havia muita coisa que despertasse a alegria daquelas pessoas. Na verdade, apenas as poucas horas que eram dadas para a alimentação fazia um suspiro de alívio escapar por entre seus lábios.

Mas, naquela noite, quando todas as mulheres estavam unidas em prol de algo novo, parecia ser como noite de natal — uma coisa que Rose não comemorava há tempos. Enquanto algumas olhavam atentas pelas pequenas frestas da porta, checando se alguém se aproximaria, outras providenciavam panos limpos, o que ficava realmente difícil naquelas condições. Água quente nem pensar! E também havia aquelas que seguravam a mão de Eliza com força. Esta, mordia o pano que estava por entre seus lábios, reprimindo todos os gritos que poderiam escapar e chamar a atenção de alguém.

Lissa e Gisela estavam lá, ajudando. Aquilo não era o tipo de coisa que Rose já tivesse presenciado. Não sabia se o que estava havendo era realmente normal, mas não era apenas isso.

Não havia visto um só bebê desde que chegara. Não que ali fosse um bom lugar para se criar um filho, mas a lembrança do Comandante Hoss separando crianças e mulheres ainda era viva em sua mente.

— Aguente firme, Eliza — a voz era de uma mulher pouco mais velha que elas, que afirmara ter ajudado em vários partos na vila em que morava antes dela pegar fogo.

Rose fez menção de ir até lá, ajudar, mas recuou. Era melhor não atrapalhar. No entanto, a voz de Lissa, a chamou e, hesitante, Rose assentiu. Não sabia como agir, então apenas ficou como Elwin, a mulher que ajudava no parto, falou, evitando olhar para as pernas abertas até o limite da mulher que respirava pesadamente e suava em meio ao frio.

Foi com assombro que percebeu quando um choro fininho e manhoso preencheu o local e logo quem fazia todo aquele barulho estava em seus braços.

— Segure-a firme, tudo bem? — Elwin perguntou, mas não era necessário.

Os braços de Rose pareciam ter congelado com aquilo, enquanto segurava a pequena criatura com uma distância do seu corpo. O calor que irradiava da criança aqueceu por inteiro o coração de Rose. O cordão foi cortado com uma velha tesoura — que não havia sido nada fácil de conseguir.

O bebê era tão pequeno e frágil, e enquanto Rose o segurava temeu que o quebrasse. A pele meio arroxeada, os pezinhos se balançando enquanto o choro soava mais alto e irritado fizeram Rose enxergar um futuro que não sabia se existiria. Ela aconchegou melhor o bebê, enquanto Elwin cuidava de Eliza. Tocou a bochecha gordinha e a cabeleira escura e um pouco suja de sangue. Os olhos se abriram, escuros, e pareceram focar em Rose enquanto ainda chorava.

E tão logo Elwin tomou o bebê, os braços de Rose caíram com pesar ao lado de seu corpo.

— É uma menina! — alguém exclamou ao seu lado, mas não conseguiu identificar quem.

— Vai se chamar Lucy!

Como se só seu corpo estivesse presente, seus olhos pintaram outra imagem. Assistiu soldados entrarem no galpão levarem mãe e filha. Porque sabia que isso aconteceria. Sabia que eles não deixariam que um bebê ficasse ali. Sabia que a bebê não ficaria ali... Era só questão de tempo.

Acalmaram Lucy tempos depois, com medo de que alguém ouvisse e fosse conferir o que era.

Naquela noite quase ninguém dormiu. Haviam perdido o sono. De um jeito ou de outro, o nascimento de um bebê — mesmo naquelas condições — significava que nem tudo estava perdido. Ainda havia algo pelo qual lutar.

Ao amanhecer, Rose notou que o campo estava com uma reduzida notável de guardas. Não havia mais tantos como antes, ou os vigiando. Mas, ainda sim, podia ver os olhos atentos dos que permaneceram ali.

— Estão tão seguros de si — Eddie murmurou — Sabem que não há chance de fugirmos e reduziram o número de guardas. É como se esfregassem em nossas caras que não iremos conseguir fugir de forma alguma, nem que tentemos.

— E você tentaria? — Rose perguntou — Se um de nós tivesse um plano, você tentaria Eddie? Sair daqui. Eu, você, Lissa, Gisela e Dimitri. E quem mais quiser ir.

Eddie engasgou com o ar seco que descia por sua garganta e tossiu.

— Rose — falou, arregalando os olhos — Está sugerindo q-

— Não sugeri nada — o interrompeu — Apenas fiz uma pergunta.

Ele passou a língua entre os lábios e assentiu minimamente, para então repetir o gesto com mais ardor desta vez

— Tentaria! Tentaria mesmo que fosse morrer antes de chegar a alguém que pudesse nos ajudar. Tentaria mesmo que a morte fosse eminente, Rose. Juro que tentaria!

Mal sabia Eddie que aquela não havia sido uma simples pergunta. Mal sabia ele que aquela realmente era a intenção de Rose. Sabia que morreria e se fosse para cair, seria lutando, após extinguir com todas as suas tentativas para sair dali.

[...]

Com a diminuição da frota de soldados guardando o campo, eles tinham que se reservar entre o lado sul e norte do campo. Ainda havia superlotação e por isso o campo continuava sem a divisão, o que facilitava o trabalho para que Rose saísse sem ser notada durante a noite.

Arrastou silenciosamente as portas da madeira, após checar que não havia ninguém atrás delas e esgueirou-se para fora.

Os focos de luz iluminavam o local que ela estava a cada cinco segundos, e foi contando que ela se movia até o limite do campo, escondendo-se dos olhares de qualquer um. Era baixinha e tinha o corpo esguio, o que tornava a tarefa fácil.

Teria alcançado a linha do trem se um braço não tivesse coberto sua boca e a lançado ao chão, com o corpo pressionando o dela.

Ambos rolaram, até que estivessem praticamente atrás de um montante de terra.

— Não se mova! — a voz com que Rose sonhava todas as noites murmurou ao seu ouvido.

Ela suspirou, se acalmando, e quando Dimitri a soltou, virando seu corpo para ele, pode ver com clareza seu rosto ser iluminado pela lua cheia que brilhava em toda sua majestade.

Ele tinha uma expressão séria no rosto enquanto segurava as mãos de Rose firmemente presas ao seu peito.

— O que pensa que estava fazendo? –questionou e não pensou que a resposta seria tão franca.

— Procurando por uma saída.

Um jeito de sair daqui.

Dimitri suspirou não se sentindo mais capaz de brigar com ela. Não podia culpá-la por tentar viver.

— Nunca fiquei tão feliz por Eddie ser língua grande — sussurrou, colando sua testa a dela. A respiração quente batendo contra seu rosto a fazia querer segurá-lo, mas ainda estava magoada o suficiente — Sabe o que poderia ter acontecido se tivessem a visto, Roza? Eles a queimariam viva! Como exemplo, para que ninguém mais tentasse.

— Vamos morrer. De um jeito ou de outro.

— Não, não vamos.

Ele se afastou do corpo dela, a puxando para se sentar, ainda na proteção que o montante os oferecia.

— O número de guardas foi reduzido. Há aviões de guerra sobrevoando isso aqui a todo o instante. A comida está diminuindo e-

— Querem nos matar, é isso o que está havendo!

Ele negou, segurando seu rosto com as duas mãos.

— Não! Eles não querem desta forma. Algo está acontecendo fora daqui. Algo grande, Rose — suspirou outra vez e olhou nos olhos castanhos — Não faça mais isso. Não corra mais riscos desta forma, por favor.

Ela engoliu seco. Dimitri provavelmente nunca perderia aquele olhar que a fazia se sentir importante na vida dele. Gostava de pensar que era, mesmo que ele tivesse se afastado. Não podia culpa-lo.

Passou as mãos ao redor do seu pescoço, subindo um pouco uma delas até seu cabelo que lentamente crescia outra vez. O toque trazia tanto conforto, que Dimitri apenas ficou quieto, vendo Rose se aproximar.

— Eu sinto tanta falta de como era antes — sussurrou, encostando a cabeça em seu peito e inalando o cheiro dele, tentando absorver o máximo possível, para guardar em sua memória — Sinto tanta falta de você, Lissa, Eddie e até de Gisela. Mas sinto ainda mais a sua.

— Estamos aqui, Roza — sussurrou com carinho, passando seus dois braços ao redor dela, segurando com força. Para ele, era como segurar o seu mundo todo em suas mãos.

— Não é a mesma coisa — murmurou, mas agora seus pensamentos não estavam mais ali — Lembra-se daquele dia? De nós dois? — perguntou, sentindo um calor em suas bochechas e feliz por ter sua cabeça escondida em seu peito.

Dimitri sorriu. Sabia do que ela falava. Da primeira vez que havia feito o que tanto queria. Da única que vez que a tomara como sua. Ele tinha tido tantos sonhos que fazia aquilo de novo com ela que nem conseguia contar.

— Lembro — falou apenas, quando prendia os sentimentos para si mesmo, guardando todas as palavras que queriam sair com aquela afirmação. Como poderia se esquecer de como era o paraíso se havia o experimentado quando estava ao lado dela, a tocando como realmente queria?

— Pode me beijar? — Rose perguntou e tão logo as palavras saíram se arrependeu de como elas soaram em meio a uma quase súplica

A respiração de Dimitri parecia ter parado enquanto ele ainda tinha seus braços ao redor dela.

Rose espalmou suas mãos no peito dele e se afastou, começava a dizer para esquecer aquilo quando ele pegou seu rosto com uma mão e o ergueu, a forçando a olhar em seus olhos.

Nenhuma palavra foi dita enquanto eles se aproximavam um do outro, apenas uma silenciosa troca de olhares que transmitiam todo o afeto que compartilhavam. E como da última vez, as mãos de Rose tremeram quando seus lábios tocaram os dele, em uma simples carícia. Mas desta vez, quando colou sua boca a de Dimitri, foi uma sensação bem melhor porque era como experimentar outra coisa. Talvez fosse por pensar que nunca mais o teria daquele jeito, nunca mais o tocaria, mas aquilo só fez com que ela aproveitasse ainda mais o momento.

Seria essa a despedida que não tivemos?

A ideia de que talvez, ao saírem daquele esconderijo ele voltaria a ignorá-la, fê-la jogar os braços ao redor dele, o puxando contra ela com força, querendo guardar cada instante daquilo.

As mãos de Dimitri que permaneciam em seu rosto e pescoço, desceram para suas costas, a puxando para mais perto dele enquanto ele se movia até que ela estivesse quase em seu colo, se inclinando para ele.

Não era necessário dizer nada, eles se entendiam no silêncio. Dimitri não precisava dizer, Rose sabia. Enquanto o beijava, jurava amor em calmaria, sem balbúrdia.

O fôlego faltou e ele desceu sua boca para o pescoço dela, dando pequenos beijos e então se afastou, vendo o peito de Rose subir e descer rápido, enquanto ela tinha a boca aberta, tentando deixar sua respiração normal novamente. As bochechas estavam coradas e ele tinha certeza de que como sempre que ela fazia quando estava com vergonha, soltaria uma piada. Não importando qual fosse a situação, ela sempre fazia isso, mas não deixou que ela o fizesse e a beijou novamente. Desta vez, lentamente, percorrendo as mãos pelas costas, subindo e descendo em um carinho que trouxe acalento.

Desta vez, se separou quando sentiu os dedos frios de Rose o tocar por baixo do casaco velho.

— Roza! — o que deveria sair como um aviso saiu mais como em um tom carinhoso.

Ela sorriu, divertida e deixou um beijo na ponta de seu nariz, escondendo o rosto na curvatura de seu pescoço em seguida.

— Acho que realmente gosto de você — murmurou, respirando fundo. Lentamente, enquanto a respiração era normalizada, sentia que o frio voltava e se apertou mais contra ele, tentando mandá-lo para longe. O sentimento era outro, Rose sabia o nome, mas não quis assustá-lo. Era tão forte que ela desejava a morte a ter que continuar longe dele. Não soube ao certo quanto surgiu, mas quando se deu conta estava lá, ocupando um espaço tão grande em seu coração que agora ele era mais dele do que dela. Seu coração pertencia a Dimitri — Quer dizer... Não como em quando éramos pequenos ou quando...

— Eu sei — respondeu somente e Rose quase bateu nele, mas permaneceu quieta. Não era o tipo de resposta que queria dele, mas não podia pedir muito também naquelas condições. No entanto, surpreenderam-se quando ele a puxou delicadamente pelos ombros para que pudesse olhar para ela — Sabe no que eu pensava enquanto ainda estávamos escondidos, longe daqui? — perguntou, mas não esperou pela resposta — Eu pensava que teria que falar com Eddie, já que ele é como se fosse seu irmão. Teria que prometer a Lissa que não a magoaria e que a faria feliz. Prometeria a Gisela que ela seria madrinha de um dos nossos filhos e então ela nos deixaria em paz. Levaria você para Rússia, até a capela que fica em Omsk. Eu juraria amor eterno enquanto você estivesse vestida de branco, com um buquê de rosas vermelhas nas mãos e sorrindo para mim — ele pegou a mão dela um pouco calejada e a levou aos lábios, depositando um suave beijo ali — E eu prometeria que sempre a faria feliz e a protegeria, de qualquer coisa no mundo.

Ela sorriu, eufórica.

— Está diz-

— Eu demorei tanto tempo para perceber que gostava de você. Para tomar coragem e finalmente tentar algo que eu não podia deixar de dizer isso, Roza. Não me pergunte como ou quando. Talvez tenha sido quando a vi aquele dia na ponte. Ou então quando você cuidou de todos nós como se fosse nossa mãe ou quando escorregou na floresta e não soltou nenhuma lágrima. Eu realmente não sei como, Roza. Eu apenas sei que a amo e que daria minha vida por você. E que se antes eu pensei que me afastar seria o melhor para não vê-la sofrer, eu estive totalmente errado — tracejou com o dedo indicador a linha que as lágrimas que escorriam pelo rosto de Rose faziam — Eu vou nos tirar daqui, Rose. E eu prometo, que quando isso acontecer, eu não vou nunca mais pensar na ideia de afastá-la de mim.

Não era um claro “eu te amo”. Era mais do que isso. Era mais além. Uma promessa feita com a alma. Era algo tão sublime que a fazia sorrir entre as lágrimas e colar seus lábios aos dele mais uma vez, não passando disso.

Para ela, aquilo era mais do que poderia esperar e se realmente tivesse dúvidas do que sentia por ele, todas acabaram naquele instante, em que seus olhos marrons chocolate mostrava o quão verdadeiro estava sendo no que dizia. Era intenso, era magnífico. Era algo que fazia todas as chamas de esperanças apagadas dentro de Rose voltarem a brilhar, ainda mais do que antes.

Era como a promessa de um futuro grandioso, ao lado dele. Ao lado da pessoa que mais amava no mundo.

Notas finais
UAU! Eu gostei do capítulo, e vcs? *----*