Aurora Luz - O Comandante
2 O líquido nas botas durante o caminho
Notas iniciais

Na superfície seca, rochosa e alaranjada do pobre planeta explorado, a cúpula de energia azulada se mantinha firme. Protegendo a estrutura externa da base terráquea e as principais entradas para o subsolo, rico em minerais únicos e com veias de água fria. Fora do limite do escudo, grandes metralhadoras automáticas e clássicas disparavam de altas torres de pedras contra alvos distantes, criando uma linha mortal para impedir o avanço dos inimigos.
Poucos dos caças, projetados para a atmosfera do planeta 49-OS, conseguiram decolar antes da destruição dos hangares. Eles voavam baixo sobre os grupos hostis, fazendo tudo tremer com suas rajadas de tiros controlados e pequenas bombas lançadas, enquanto fugiam de pequenas naves inimigas através da atmosfera.
Os soldados que permaneceram fora da proteção resistiam e lutavam em desvantagem contra as criaturas não humanas. Os inimigos seguiam seu próprio plano estratégico. Atacavam em grupos densos os pontos mais vulneráveis da cúpula, buscando desativá-la, enquanto equipes menores se espalhavam pelo deserto da planície atrás de comportas desativadas e seladas para se infiltrarem no subsolo sorrateiramente.
Os corredores do setor sul costumavam ser preenchidos por oxigênio limpo. Porém, em meio ao caos, ruídos e vibrações vindo da superfície, o lugar tinha uma mistura de cheiros incomum: umidade, fumaça, mofo, poeira... As luzes brancas brilhavam com metade de suas capacidades. Chiados da ventilação apenas sussurravam. E os canos largos ecoavam suas próprias batidas e conflitos internos, participando da sinfonia aterrorizadora.
Joaquim escutava cada batida apressada das botas sobre o piso de concreto que ecoava pelo corredor. Constantemente conferia os detalhes da rota que havia desenhado no pequeno pedaço de papel que carregava, pressionado com firmeza entre os dedos, para que não perdesse. Na outra mão, mantinha a pistola pronta para reagir, ainda que soubesse que sua munição era limitada.
Bóreas vinha logo atrás, copiando cada passo de seu capitão. Movendo as mãos inquietas, apontando a arma quase exageradamente. Enquanto seu corpo parecia vibrar e ficar mais tenso a cada virada de esquina. Seus olhos passavam por todos os detalhes do ambiente, atentos a qualquer movimento estranho, verificando de longe as aberturas do caminho. A expressão concentrada era constante, com olhos bem abertos, boca serrada e sobrancelhas franzidas. Estava ansioso para não ser surpreendido.
O subsolo parecia cada vez mais frio e sombrio enquanto se distanciavam da sala de controle do Sul. Os ruídos e vibrações da batalha na superfície ecoavam ao longe, como um lembrete constante de que a paz havia sido quebrada. Luzes de emergência falhavam de tempos em tempos, trazendo uma escuridão momentânea. O ar conduzido pelas tubulações oscilava, deixando algumas regiões com ar parado e outras aquecidas ou congelantes. Isso tornava a respiração mais pesada e confusa.
Completamente sozinhos, a dupla desceu uma escadaria para um nível mais baixo e chegou a um corredor semelhante ao de cima. Logo depois de alguns metros, se depararam com uma passagem obstruída por rochas.
Sob a penumbra das luzes piscantes, o capitão parou para consultar seu mapa com mais atenção. Por um instante, vendo aqueles rabiscos, Joaquim se perguntou como os inimigos haviam conseguido entrar naquela instalação tão complexa e impedir alguns procedimentos, como o de evacuação. Talvez estivessem sendo ajudados por alguém de dentro do governo ou alguém com os conhecimentos que fossem úteis para o ataque.
— Era o nosso caminho?
A pergunta preocupada de Bóreas trouxe Joaquim de volta. O rapaz o encarava, confuso com a demora para o capitão reagir depois de ver o corredor demolido.
— Não. Mas era a saída mais próxima para a superfície. Vamos indo — dando meia-volta, ele retornou para o caminho certo.
Em poucos minutos estavam em um corredor mais largo, de paredes cinzentas e com canos e fios logo abaixo do teto. As luzes compridas do trecho insistiam em se apagar por longos segundos antes de voltarem a acender.
Em certo ponto, um dos canos acima estava rachado e vazando um sopro constante de ar quente, acompanhado de um chiado grosso. A poucos metros de distância, Joaquim já sentia a temperatura mais aquecida. Tomando um fôlego extra, ele avançou com passos acelerados para atravessar o vapor. O ambiente mais abafado o envolveu antes de alcançar o ponto de ruptura, provocando um arrepio pela sensação estranha de sua pele fria e suada, e forçando-o a estreitar os olhos. Bóreas vinha logo atrás, com as mesmas reações incômodas e ouvindo a aproximação do chiado.
Em meio às falhas de luz, à vibração dos canos e aos ecos das explosões que ressoavam da superfície, a dupla demorou para perceber os sinais nas paredes de um conflito recente.
Joaquim passou pelo vazamento e uma luz de emergência vermelha se acendeu de repente no alto da parede, chamando seu olhar. Só então ele percebeu uma marca incomum cavada no concreto. Reduzindo a velocidade dos passos enquanto se afastava do ambiente quente, notou facilmente os outros sinais de tiro. Vários lascados, queimados e arranhões estavam distribuídos nas paredes, mas, principalmente, sentia um cheiro diferente, que contaminava o ar de forma mais intensa à medida que se aproximava da curva do corredor. Eram sinais claros de uma luta recente, apesar da calmaria.
O capitão virou-se para Bóreas com um olhar mais sério. O rapaz o encarou de volta, compreendendo que algo estava se aproximando. Engoliu em seco, enquanto o coração batia mais alto. Seus instintos e as reações de Joaquim ativaram seu estado de alerta. Cada passo era sentido, acompanhado pelo fluir rápido do sangue que aquecia seus músculos e pela respiração ofegante. O chiado distante, o tremer ecoante, o som das botas, cada som era ouvido. Mas, diante deles, o silencioso era sólido.
O corredor subterrâneo simplesmente fazia uma dobra acentuada para a esquerda. Enquanto os dois se aproximavam da curva, podiam ver a beira de uma poça escura se definir sobre o piso. De repente, a última luz piscou e se apagou por completo, mergulhando aquela esquina numa escuridão maléfica e suspeita.
Bóreas soltou um grunhido de temor e Joaquim reduziu o ritmo de seus passos, segurando firme sua única arma e atento a qualquer som ou movimento que os ameaçasse.
Seis passos antes de chegarem à esquina, ouviram um estalo alto ecoar. Pararam por um momento, com o coração falhando rapidamente, até perceberem que era outra luz queimando em algum lugar mais distante do que realmente pareceu.
Inspirando mais rápido, com a musculatura tensa começando a doer levemente, Joaquim finalmente chegou à curva e encostou as costas na parede, coberto pelas sombras. Abaixo dele, a poça de sangue escura cintilava suavemente próxima de suas botas. Ele inclinou-se para espiar o novo espaço, procurando por armadilhas ou inimigos.
No próximo trecho do corredor, a escuridão era mais profunda, com mais luzes queimadas até o próximo brilho estável, a uma dezena de metros de distância. Ali, além do cheiro férreo de sangue humano, o odor estranho que os dois vinham sentindo tornou-se forte e nítido; era ácido e mofado. Joaquim respirou fundo, ignorando a repulsa, e deu os primeiros passos com firmeza para dentro da penumbra.
Suas botas atingiram a superfície escura do piso com uma sequência de sons perturbadores, deixando claro que, em alguns momentos, caminhava sobre o líquido viscoso. Ao seu redor, o corredor era completamente preto, sem definição de nenhuma junta, detalhe ou contornos até próximo da parte iluminada. De repente, Joaquim chutou algo pesado e macio. Parou de imediato, congelado com a surpresa. Por mais que fosse um homem corajoso e confiante, a angústia o tomou naquele segundo e só pensou que gostaria de ter certeza do que bloqueava seu caminho.
Ao olhar para baixo, o capitão enxergava apenas a pura escuridão, até que se assustou com um pequeno foco de luz, vindo de trás, que se projetou em suas botas. Antes que pudesse reagir, o brilho fraco iluminou seu obstáculo curvilíneo momentaneamente. Joaquim virou-se apressado, atrás da origem do brilho, viu que era uma minúscula lanterna-chaveiro na mão direita de Bóreas e ficou um pouco aliviado pela existência da ferramenta. Sem hesitar, tomou o objeto da mão dele para investigar o que haviam encontrado caído e em qual cena estavam metidos, apesar da pouca eficiência da luz em longas distâncias.
Escondido na escuridão, jaziam dois corpos de não humanos. Eram seres mais altos que uma pessoa comum, com pernas longas, braços curtos e fortes, garras pontiagudas nos antebraços e de cor escura. Os pontos vulneráveis de seus troncos estavam protegidos por uma camada grossa de algo que parecia uma placa de borracha e apliques de metal largos.
Joaquim encarou atentamente a criatura caída mais próxima, franzindo entre as sobrancelhas num misto de curiosidade e seriedade, evitando dar passos muito largos ao redor dela. Aquele inimigo havia sido abatido com um tiro na cabeça a curta distância, que o deixou desfigurado e impossível de dizer se possuía olhos ou boca ou qual era sua fisionomia. De sua ferida úmida jorrava uma substância avermelhada, mas o cheiro ácido e mofado denunciava sua origem alienígena e incomum.
Mais à frente, o segundo corpo estava bloqueando o corredor de uma parede a outra e exibia uma perfuração rasgada no pescoço. A artéria atingida estava seca, pois todo o fluido que um dia ela conteve estava espalhado sobre o piso, misturando-se ao sangue e restos de um pobre soldado que havia sido repartido ao meio e desviscerado pelos inimigos inesperados.
Quando Bóreas encontrou o chaveiro com uma minúscula lanterna em um dos diversos bolsos de sua calça, havia se sentido um pouco feliz e aliviado de poder enxergar algo no corredor assustador. No entanto, assim que Joaquim revelou os monstros nas sombras e a morte terrível de um humano inocente, seu estômago se revirou instantaneamente. O cheiro forte e estranho ficou mais intenso e nojento quando ele tentou tomar ar depois do choque. Sentiu-se tonto em seguida, mas fechou os olhos com força e controlou as reações de repulsa de seu próprio corpo.
Um minuto depois, meio trêmulo, o jovem navegador pôde falar:
— É isso que está atacando? — Bóreas perguntou, olhando diretamente para a silhueta de Joaquim, ignorando o que quer que fosse que ele estivesse mirando com a lanterna.
— Provavelmente. É melhor irmos logo.
— Ah, você pisou! — a repulsa golpeou o alto controle de Bóreas e ele exclamou antes de pensar, apontando para as botas do capitão.
Joaquim havia dado apenas três passos e virou-se com estranheza com o que ouviu. O rapaz ainda está no mesmo lugar, dando dois passos para trás.
— O que foi? Vamos! — insistiu, impaciente.
— Isso é nojento, comandante... Você pode ter pisado em algo dele — apontou para um canto das sombras, onde devia estar o corpo da única vítima humana. — Além disso! E se tiver mais desses bichos no próximo corredor?
— Bóreas, você é inteligente! Pense.
O rapaz hesitou ao ouvir seu nome em tom firme e autoritário. Engoliu em seco, ofuscado pela luz da pequena lanterna em seu rosto. Seu capitão tinha um sotaque aconchegante, ritmado, quase musical, que foi cultivado em sua origem humilde e que transmitia tranquilidade. Mas isso havia sumido. Era claro que, até para aquele homem experiente, a situação era tensa e exigia concentração extra.
O comandante suspirou, diante da imobilidade e silêncio prolongado do companheiro, e esclareceu:
— Sei que é complicado, mas você também ouviu: poucas dessas criaturas devem ter entrado no subsolo. Se essas foram mortas aqui, significa que é um caminho seguro. Além disso, descobrimos que eles morrem! Então vamos ter que enfrentá-los se os encontrarmos, porque não temos outra saída. Agora ande!
Joaquim virou-se e seguiu em frente. Firme e convicto, pulou por cima do corpo alienígena que estava atravessado no corredor e mergulhou as solas das botas na poça de sangue, sem se importar com o som úmido, cheiro ou sons.
Bóreas mordeu os lábios, preocupado em ser abandonado ao vê-lo se distanciar. Nervoso, mexendo a arma entre suas mãos algumas vezes, ele só pôde aceitar que não havia volta e nem onde se esconder. Inspirando, o rapaz contraiu os músculos e forçou-se a dar uma sequência de passos para atravessar a escuridão horrível. Tentou não pensar na cena oculta, porém, seus sentidos estavam em alerta e pôde ouvir o som detalhado das próprias botas pisando no líquido viscoso e um pouco escorregadio. O estômago se contorcia de repulsa, enquanto a ânsia aumentava ao enxergar as texturas e anatomia das criaturas caídas mais nítidas. Quando enfim saiu daquela cena de pesadelo, respirou fundo e aliviado, disposto a nunca mais olhar para trás.
Pareceu que o pior do caminho para o Setor Oeste havia passado. Até que ouviram um som semelhante a aplausos baixos, abafados e ritmados, vindo do caminho escuro. No instante em que ambos se viraram, confusos, o som desapareceu.
— O que foi isso? — Bóreas perguntou logo e por impulso do medo. Seu coração tinha acelerado mais uma vez, retumbando em seus ouvidos, e um arrepio frio subiu veloz pela sua espinha até a nuca, deixando-o imóvel. Não enxergava nada nas sombras.
— Vamos seguir em frente — reagiu Joaquim, trocando um olhar sério com o rapaz.
Começaram a andar mais rápido, ignorando o som. Em poucos metros, viram que o corredor desembocava no meio de outro, onde uma faixa laranja estava pintada no meio da parede cinza escura. Joaquim conferiu seu mapa rabiscado, reconhecendo o detalhe como uma indicação da fronteira dos setores que o oficial do oeste tinha falado. Faltavam apenas mais alguns trechos para chegarem ao seu destino e finalmente encontrarem outros sobreviventes.
Junto com seus passos firmes, chiados percorriam o espaço, vindos dos dutos de ar e dos canos com problemas. De tempo em tempo, as luzes vibravam e às vezes enfraqueciam levemente. O cheiro que se espalhava ainda devia ser de fumaça e poeira, mas seus olfatos haviam sido afetados pelo odor do sangue dos alienígenas.
As explosões da superfície eram abafadas e distantes, quase como se acontecessem no fundo de suas cabeças perturbadas pelo ataque inesperado à base terráquea; nenhum dos dois tinha uma ideia de como estava sendo a batalha. A humanidade não havia encontrado seres agressivos ao conquistar alguns planetas, e a motivação daqueles inimigos era desconhecida por qualquer um daqueles simples civis e trabalhadores.
Enquanto Joaquim e Bóreas seguiam focados, ouviram passos vindo da frente e pararam. Na mente do líder, a questão se era um alienígena ou aliado retumbou sozinha. Escutando com atenção extra, notou que eram ritmados e cuidados. Engolido pela suspeita de ser um alienígena sobrevivente, encostou o ombro na parede, já que não havia onde se esconder, e deixou a arma destravada.
O navegador fez o mesmo, tentando diminuir o som da respiração ofegante e com os olhos arregalados e fixos no portal que dava no outro corredor.
— É uma das criaturas? — Ele sussurrou, sem conseguir ficar em silêncio por muito tempo.
Minutos se passaram e pareceu que os passos também pararam por um instante estendido. A tensão aumentou a cada ruído dos passos que se aproximavam. Seguravam as armas com força, mirando fixamente, certos de que acertariam se fosse um inimigo. Os corações batiam forte. Mal respiravam. O suor do momento escorreu incomodamente pelo rosto.
De repente, um ponto de luz vermelha atingiu a parede do corredor deles, deslizando pela parede do corredor e, logo depois, pelo chão. Um único homem alto apareceu, vestido com um macacão marrom e segurando uma arma longa, de onde partia o laser de luz. Ele parou assim que os viu, quase camuflados na parede por suas roupas cinzas e pretas de tripulação do cargueiro.
Joaquim hesitou até reconhecer a forma humana por baixo do traje semimilitar e do capuz balaclava que cobria o rosto do soldado. Abaixou a mira, com alívio nos músculos tensos de seu corpo; não seria ali que desperdiçaria munição.
Bóreas, no entanto, manteve a pistola apontada e focado no estranho, desconfiado de tudo. Não eram roupas parecidas com as dos oficiais dos vídeos do setor Oeste.
O suposto soldado avançou em direção a eles e, quando estava a meia distância, ergueu sua arma de forma súbita. O disparo voou em direção à dupla com uma dose de fúria.
O coração de Joaquim travou enquanto teve o impulso de erguer sua arma novamente. Naquele instante, pensou que aquele fosse um traidor da humanidade. Mas, antes que pudesse apertar o gatilho, ouviu um baque atrás de si, seguido de grunhidos de agonia e pensou em Bóreas.
Ao se virar, viu o rapaz pálido e com o rosto virado na direção do chão, onde um pequeno alienígena estava tombado. A criatura de meio metro se remexia ferida a alguns passos de distância, batendo suas asas semelhantes às de morcegos e responsáveis pelo som abafado de aplausos que haviam escutado antes.
O rosto de traços arredondados e olhos escuros brilhantes daquele ser estava contraído em caretas de dor. Respirando com dificuldade, o inimigo que cintilava em tons de verde, apesar da pele escura, ergueu um dos braços e apontou um tipo de espada pontiaguda para os dois homens próximos.
Joaquim pressentiu a ameaça do gesto e atirou em sua cabeça. Ainda assim, o objeto incomum disparou dardos pretos, que zuniram entre os dois e rebateram na parede atrás deles antes de cair no chão, sem acertar ninguém. Bóreas se agitou em seguida, chamando a atenção preocupada do capitão. Mas ele apenas mexia na própria pistola, visivelmente perturbado e com mãos trêmulas, mas não parecia ferido.
— Você está bem? — perguntou, sem obter uma resposta imediata. — Bóreas?!
— Sim! — respondeu no mesmo tom, no impulso. Mas então murmurou, nervoso, olhando Joaquim de volta com intensidade: — Minha arma travou quando ele atirou... Eu quase o matei.
Joaquim manteve sua expressão, franzida entre as sobrancelhas e séria, analisando os sinais de colapso do companheiro. Toda aquela situação estava se tornando intensa demais para alguém inexperiente e que tinha emoções sensíveis. Bóreas tinha uma pele uniforme e clara, com um tom suave de bronzeado natural, porém naquele momento ele estava pálido. O capitão conhecia o rapaz o suficiente para entender que ele estava em choque por ter puxado o gatilho contra o homem desconhecido e, por sorte, a arma falhou. E, além disso, sabia que não conseguiria reagir contra a criatura que pretendia acertá-lo. Era uma mistura conflitante de azar e sorte para Bóreas.
Nesse tempo, o soldado correu até eles:
— Vocês são os homens do setor Sul? — questionou sem perder tempo. Joaquim confirmou com um gesto. — Ótimo. Temos que ir antes que mais deles apareçam na rota segura para o setor Oeste. Sigam-me, que seremos mais rápidos.
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