Aurora Boreal - Twilight
10 "Maninha"
Notas iniciais
Demorei a pegar no sono naquela noite. O Natal estava cada vez mais próximo, e logo eu teria que voltar para casa para mergulhar nos estudos da especialização. A formatura seria nesse semestre, mas eu precisava me preparar para o que viria.
Eu não podia pensar em Edward Cullen e no quanto ele me fazia sentir como se tivesse um buraco dentro de mim. Porque tinha.
E aquelas memórias... Parecia que, a qualquer instante, elas iriam me destruir. Por que diabos ele fazia isso comigo?
Por que ele demorou anos para me encontrar, só para acabar com o meu psicológico de novo?
Eu estava à beira de odiar Edward Cullen, mas a atração que sentia por ele era incontrolável. Uma contradição sem explicação.
Quando levantei naquela manhã, o céu estava azul. Um azul claro e limpo, o que era estranho para Forks nessa época do ano. Durante a noite, havia nevado levemente, e agora o céu estava desprovido de nuvens. Difícil de entender.
Era como se tudo o que aconteceu ontem não tivesse passado de um sonho.
E então... foi só um delírio? Edward, com mais de 100 anos... se alimentando de...
Deus!
Edward estava morto.
Não. Ele não falaria mais comigo. Ele inventou aquelas desculpas... Ele é só um cara doente, não é?
Mas por que eu tenho aquelas lembranças? Ele realmente me contou sobre isso antes, não contou? Eu lembro que ele...
Ele esteve aqui durante a noite.
Droga, ele estava falando a verdade... Mas por que, à luz do dia, era tão difícil acreditar?
Então me lembrei: minha irmã deveria estar por perto. Olhei ao redor do quarto, obviamente vazio, e saí da cama às pressas, descendo as escadas para encontrá-la na cozinha, preparando café.
— Oi, dorminhoca. Como foi com o Cullen? — Leah sorriu ao se virar para mim.
Havia algo diferente nela. Leah estava... iluminada. Maravilhosa, de um jeito que eu não esperava.
— Bom dia, maninha. Por que já está de pé? E por que não estava na nossa cama? — Perguntei, sorrindo.
Era a primeira vez que a chamava de “maninha”. Estranho. Liza sempre foi como uma irmã para mim, mas com Leah... Era diferente. Havia algo mais profundo, algo que eu não conseguia definir, como se estivesse, de alguma forma, salvando-a.
Isso fazia sentido?
Mas a Leah que estava diante de mim não parecia a mesma que eu tirei daquele quarto na reserva.
Talvez a distância de Forks, de Sam, e de tudo o que ele representava fosse exatamente o que ela precisava.
Mas ela conseguiria superar isso?
Eu conseguiria segurar as pontas com a especialização batendo à porta?
Eu precisava. Ela merecia isso.
E, então, aqueles pensamentos sobre Edward Cullen me invadiram de novo.
Aquele sentimento de que eu precisava estar com ele.
Era um mal-estar físico, quase como se meu corpo inteiro estivesse reclamando da ausência dele. Minha mente insistia em chamar isso de saudade.
Saudade.
De um cara que, de alguma forma, me fez esquecer dele — ou pior, implantou aquelas lembranças.
Não era só Leah que precisava de ajuda.
Eu estava claramente fodida. Antes de reencontrá-lo, minhas memórias daquela época eram confusas, fragmentadas. Eu não conseguia lembrar com clareza.
Agora, tudo estava nítido demais.
E isso me assustava.
Após um café da manhã animado com Leah, ela me surpreendeu com uma revelação: estava determinada a ir comigo para Nova York depois do Natal.
— Vou começar uma nova vida, Bella. Vou morar com você e começar a faculdade.
Eu olhei para ela, fascinada. Leah finalmente estava disposta a dar um novo rumo à sua vida. Ela usaria o dinheiro que o pai havia deixado para custear os estudos e também planejava trabalhar.
Meus olhos se encheram de lágrimas.
— Eu prometo que não serei um fardo para você, Bella. — Sua voz estava embargada, os olhos marejados. — Eu vou me tratar. Eu quero viver.
Senti um calor no peito e segurei suas mãos morenas nas minhas, tão pálidas e azuladas.
— Leve o tempo que precisar para melhorar. Você nunca será um fardo para mim, Leah. — Sorri, sincera.
Nesse momento, uma mensagem surgiu no meu celular, fazendo meu corpo inteiro estremecer.
Meu Deus. Como ele sabia?
Olhei ao redor, confusa, buscando alguma explicação. Leah, alheia à minha inquietação, tomava seu café enquanto lia tranquilamente um livro que deixei ali da última vez: É Assim Que Acaba. Não era uma leitura que eu indicaria para ela, mas algo havia mudado. Leah estava sorrindo — e aquele sorriso parecia genuíno.
Ela estava bem.
Por um momento, voltei meu olhar para a tela do celular.
Um vampiro miseravelmente lindo me queria com uma intensidade que quase rivalizava com a minha própria. E eu? Só conseguia pensar no cheiro dele, no toque da sua pele fria na minha.
Ele havia invadido minhas lembranças mais profundas. Mas como ele sabia que eu estava tentando esquecê-las?
Eu só queria escapar da dor. Aquilo era como enfiar lentamente uma faca no peito.
E então outra mensagem chegou.
Minha respiração falhou. Ele estava falando sobre casamento. Edward estava disposto a enfrentar tudo... por mim.
Me engasguei com o café que estava tomando.
— Deus! — murmurei, tentando recuperar o fôlego. — Desculpe, Leah. Acho que preciso de um banho.
Fui até o único banheiro da casa e deixei a água quente correr por mais tempo do que o habitual. Vesti um moletom confortável, peguei meu iPad e me sentei para estudar.
Eu não responderia nada a ele.
Ele estava sendo profundo, fofo até. Mas eu não podia me deixar levar por esses sentimentos. Não de novo. Edward me deixou uma vez, e faria isso novamente quando se cansasse.
Ontem, eu queria me lembrar. Hoje, eu só queria esquecer.
Não queria revisitar aquele lugar de agonia — o lugar onde ele me deixou.
Edward Cullen se cansava fácil. Por mais lindo que fosse, ele era perigoso. Sempre pronto para partir quando algo deixasse de ser conveniente.
Eu precisava esquecer. Precisava acreditar que tudo aquilo foi um delírio. Porque ele despertava algo em mim que beirava a obsessão.
Edward Cullen.
Por que meu coração doía tanto ao repetir esse nome? Por que lágrimas escorriam pelo meu rosto enquanto eu segurava o iPad?
— Merda... — sussurrei, tentando conter o choro.
Fui até a sala de estar com Leah, e após o almoço, fechei as cortinas. Decidimos maratonar um dorama coreano de suspense. Era seguro.
Comentávamos sobre a série conforme a trama se desenrolava. Leah estava tão bem que era quase inacreditável.
Eu deveria estar aliviada, e estava. Mas, ao mesmo tempo, uma dor absurda latejava no meu peito, como uma ferida aberta que eu não sabia por que ainda sangrava.
Eu estava morrendo de saudades dele.
Como isso era possível? Até pouco tempo, Edward era apenas uma névoa em minha mente.
Quando a noite chegou, preparamos o jantar e jogamos cartas até tarde, tão envolvidas que não percebemos o tempo passar.
Subimos para o quarto. Leah deitou-se ao meu lado, na minha cama.
A casa estava silenciosa. Mas dentro de mim, um caos reinava.
Eu só queria que essa dor passasse.
Mas ontem… Ela dormira no sofá. Certamente estava lendo e não quis me incomodar.
Eu passei as mãos no seu cabelo tirando do seu rosto enquanto ela dormia.
— Eu vou cuidar de você, irmã. Eu vou te proteger, custe o que custar. — eu sussurrei pra ela.
Eu iria protegê-la dela mesma.
Mas quem me protegeria? Eu estava quebrando também? Havia sido uma má ideia vir até essa droga de cidade afinal.
Respirei fundo e fechei os olhos. Mas imersas no silêncio eu pude ouvir um celular vibrar.
Eu abri os olhos e constatei que era o meu.
Olhei pra ele. A mensagem brilhava na tela ainda acesa.
Meu corpo inteiro se arrepiou. E eu tremia mesmo que estivesse aquecida ali.
Levantei calmamente da cama, a sensação era reconfortante, eu quase podia me lembrar. Era normal. Ele estar aqui comigo, parecia uma coisa que eu esperava que ele fizesse, quase como se ansiasse por isso.
Ao sair do quarto olhei pra porta de Charlie fechada. Era… Loucura realmente considerar que ele estava ali? E se ele realmente estivesse? Eu não deveria chamar a polícia?
Mas eu abri a porta calmamente para vê-lo junto a porta, ansioso pela minha entrada. E então ele me puxou pra dentro com uma urgência absurda. Me levantando em seu abraço de aço, eu enrolei minhas pernas em sua cintura sentindo seu corpo. Eu nunca havia estado em um caso de extrema necessidade e loucura por alguém.
Mas aquela sensação era… familiar. Aquela sensação de que era ali que eu queria estar.
— O que você está fazendo aqui? — eu perguntei beijando seu pescoço. — Você não deveria estar aqui, deveria estar longe. Eu te pedi pra ficar longe.
Eu segurei seu rosto com as mãos. Encostei minha testa na dele. Ansiava pelo toque dele.
Eu beijei sua boca perfeita. Porque eu não conseguia me controlar. Eu não podia parar, minha vida dependia daquilo. Como foi que eu vivi tanto tempo sem aquilo. Aquele beijo. Aquela sensação de que o mundo havia parado. Minha pele quente encostava na sua pele gelada. Eu sentia minha circulação sanguínea, eu sentia como se estivesse vivendo um sonho. Eu não sabia o que era real, não sabia dizer se estava sonhando naquele momento. Ali, no quarto de Charlie, sua pele gelada começava a me causar arrepios.
Mas não era de frio.
Eu estava super aquecendo de puro e explícito tesão, podia sentir meu rosto e pescoço pegar fogo e sabia que estava vermelha naquelas partes específicas do meu corpo que eu mais sentia queimar. Como se já estivesse experimentado essa sensação antes. Eu tirei a camiseta que fazia parte de um conjunto de pijamas do Bob Esponja, ficando com os seios a mostra e voltei a beija-lo. Eu não usava nada por baixo, era óbvio, havia apenas Leah e eu em casa, e estávamos tecnicamente dormindo.
Bem, eu deveria estar dormindo.
Edward me colocou na cama do meu pai e olhou para os meus seios, e eu vi em seus olhos uma fome voraz.
Ele estava faminto e ao que parecia ele gostava muito de seios, ele os beijou sem reser
vas, seu toque era delicado mas firme, ele parecia estar se segurando e colocou o rosto entre eles.
Ele estava sentindo o cheiro deles. Estava em seu próprio frenesi e eu estava molhada pra caralho.
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