Eu não podia acreditar que aquilo realmente estava acontecendo, eu estava sendo beijada nos meus seios e barriga por Edward Cullen.




Isso era insano, e eu não podia acreditar que aquilo realmente estava acontecendo. Eu estava sonhando. Tinha que estar.


Mas não estava. Porque provavelmente o Edward do meu sonho não simplesmente pararia tudo o que estava fazendo para dizer aquilo.


— Case-se comigo, Bella. — Ele sussurrou, beijando meu pescoço de um jeito que me deixava louca.


Eu estava lúcida o suficiente para entender o peso do que ele estava dizendo naquele momento.


Ele estava realmente me pedindo em casamento? Aquilo só podia ser uma brincadeira.

Empurrei-o para longe, meu tom saindo em um sussurro alarmado:


— O que você está dizendo?


— Bella, eu te amo. Você precisa se lembrar. — Ele segurou meu rosto com rapidez e pressionou sua testa contra a minha. — Bella, você tem que se lembrar. Concentre-se. Está tudo aí.


O cheiro maravilhoso dele inebriava minha mente cansada. Eu só queria abraçá-lo e continuar exatamente de onde havíamos parado.


Ele beijou meu rosto de novo.


Por que ele estava insistindo naquilo? E se eu nunca pudesse me lembrar? Aquilo doía tanto... Talvez eu não fosse capaz de sustentar o peso do trauma que essas lembranças traziam.


E, então, o que aconteceria depois?


Era claro para mim que lembrar não seria fácil. Eu tinha recuperado um fragmento daquela merda toda, e já tinha sido o suficiente para me destruir. Por que eu precisava passar por isso de novo? Eu não queria me lembrar. Passei todo esse tempo sem ele, sem a dor sufocante das memórias.


Mas eu sabia que elas estavam lá, escondidas. E que, se eu permitisse, elas rastejariam até a superfície.


Eu não podia deixar isso acontecer — pelo bem da minha sanidade. Mas como dizer isso a Edward? Melhor não.


Naquele momento, encarando Edward Cullen, eu sabia de três coisas:


1. Ele era realmente um vampiro. Sua beleza, cheiro e sorriso eram sobrenaturais demais. Etéreo demais. Irreal demais. Olhar para ele era como encarar um anjo, e qualquer um em Forks partilhava dessa humilde opinião.



2. Ele ainda parecia apaixonado por mim, mesmo depois de tanto tempo. E parecia viciado em ouvir meu coração, como fazia agora, ou cheirar minha pele.



3. Ele queria se casar comigo.




Ou, pelo menos, era isso que ele estava dizendo.


Era difícil acreditar em tudo o que havia acontecido naquela semana natalina. Acho que jamais voltaria a Forks na vida. Meu coração não suportaria.







E se eu realmente aceitasse embarcar naquela loucura, será que Edward me deixaria de novo, sem mais nem menos, me fazendo passar o resto da vida me perguntando o que eu tinha feito de errado? Aquilo seria justo comigo?


Eu precisava de um tempo para pensar.


— Edward, você tem que ir. Mesmo.


— Bella… — Ele começou, e seu rosto perfeito parecia desfigurado pela dor. Aquilo era estranho pra caramba.


— Por favor, Edward. Eu quero que você seja feliz, ok? — Eu disse. — Mas eu não posso me casar, e não faz sentido nenhum que você esteja pedindo uma completa desconhecida em casamento. Edward, eu estou bastante relutante em acreditar em tudo isso, mesmo tendo provas vivas de que o que você diz é real. Entendeu? Eu quero que você vá embora. E não olhe para trás.


Vi Edward caminhar calmamente até a janela. Ele olhou para mim por um instante e depois desapareceu. Aquele olhar significou tanto. Havia tanto naquele olhar em mim. Dentro de mim.


Doía. Eu podia sentir.


Mas eu não entendia por que ele queria fazer aquilo. Por que ele queria provar alguma coisa? O que ele queria comigo?


A verdade é que eu queria racionalizar tudo, para conseguir continuar vivendo. Afinal, se eu me lembrasse… Bem, se eu me lembrasse seria difícil seguir em frente. De certa forma, eu já sabia o que estava prestes a lembrar, sabia o tipo de efeito que aquilo teria sobre mim.


Mas no que eu podia me apoiar perante a dor de vê-lo partir?


Ainda assim, era melhor assim. Eu sentia que, se desse um pouquinho de corda para ele, Edward faria exatamente o mesmo que fez no passado: sumir sem deixar rastros e fingir que minha existência não significava nada para ele. O que, no final, talvez fosse verdade. Eu realmente não era nada para ele.


E depois de amanhã seria véspera de Natal, e eu precisava dar um jeito de mandar Sam para longe naquela noite.


Aqueles dias até a véspera de Natal foram um verdadeiro parto.


Tentei convencer Charlie e Sue a deixar a família de Sam de fora. E todos os garotos que o seguiam feito idiotas.


— Isso incluiria os Black, Bella. E Sam era muito querido pelo Harry. É uma tradição aqui na aldeia, Sue não pode simplesmente negar… — Charlie tentava explicar, enquanto Sue chorava.


— Que se dane a tradição, pai. Sue agora é sua esposa. — Olhei para Sue, em uma súplica silenciosa. — Sue, por favor.


Ela apenas chorou mais.


Eu não queria causar mais dor e sofrimento à minha madrasta. Não ainda mais. Mas era por Leah.


— Leah precisa superar, Bella. — Seth entrou na sala de Sue naquele momento, claramente ouvindo tudo o que estava acontecendo. — Você dar atenção para os delírios dela não ajuda. Ela precisa se acostumar.


Delírios. Eu queria gritar.


— Você já foi traído pelo amor da sua vida e sua melhor amiga? — Olhei para ele, lágrimas escorrendo pelo meu rosto. — Não, Seth. Nem eu. Eu não sei qual é a dor que ela sente há todos esses anos. Mas imagina ter que vê-los o tempo todo: em todas as datas especiais, em todas as reuniões da aldeia. Leah precisa de um tempo. De anos, talvez, para poder superar e, principalmente, não ter que olhar mais para eles.


Seth me encarou, lágrimas brilhando em seus olhos.




— Deixa, passaremos o Natal só eu e ela. Não se preocupem conosco. — Suspirei ao seguir para a porta por onde Seth havia acabado de entrar.


— Eu vou com vocês. — Charlie disse. — Sue, fica aqui na aldeia. A Bella está certa. Tentamos forçar a Leah a se adaptar todos esses anos e ela só piorou. Preciso ouvir minha filha e tentar algo diferente.


— Não, pai. — Respondi prontamente. — Seu lugar é com a Sue. Ela vai precisar de você. É tão difícil para ela quanto é para a Leah. Todos vocês estão sofrendo. Estaremos juntos na manhã de Natal, então.


Saí em disparada em direção à minha velha pick-up.


Por que aquilo era tão difícil?


Ao chegar em casa, Leah preparava um chá para nós duas. Eu teria que lhe dar a triste notícia de que passaríamos a noite de Natal sozinhas.


— Leah, eu... — Comecei, antes de ser interrompida.


— Passaremos o Natal sozinhas. Eu sei. — Ela sorriu. — Acho que vai ser o meu Natal mais feliz em anos. — Disse isso com lágrimas nos olhos.


Eu a abracei, lutando contra as minhas próprias lágrimas.


Então corremos para enfeitar a sala para o nosso Natal. No dia seguinte, seria véspera de Natal, e faríamos um jantar para comemorar.


Fizemos algo simples, mas estávamos felizes. Saímos para comprar roupas novas e acabamos escolhendo dois suéteres idênticos: vermelhos, estampados com bonecos de neve.


Quando a noite chegou, nos arrumamos. Eu comecei a sentir uma ansiedade crescente, como se algo estivesse prestes a acontecer.


E estava mesmo.


Enquanto preparava o jantar, vi pela janela da cozinha Edward estacionando seu Volvo, e meu coração quase parou.


O que ele estava fazendo aqui?


E por que precisaria vir de carro? A menos que... a menos que eu estivesse realmente delirando sobre tudo isso.


Quando Edward saiu do carro, espetacularmente lindo como sempre, eu suspirei. Não esperava vê-lo de novo tão cedo. Mas o verdadeiro choque veio quando o doutor Carlisle saiu do carona. A espátula que eu estava segurando caiu no chão com um barulho que fez Leah correr até a cozinha.


— Bella? Tá tudo bem? — Leah perguntou, visivelmente preocupada.


— Não sei... — Respondi, ainda atordoada.


— Meu Deus, o que tá acontecendo?


Antes que eu pudesse responder, ouvimos batidas na porta. Leah parecia prestes a dizer mais alguma coisa, mas coloquei a mão em sua boca, impedindo-a de continuar.


Fiz um sinal para que ficasse em silêncio.


Fui abrir a porta, levando-a quase correndo comigo, ainda duvidando do que havia visto pela janela.


E quando abri a porta, eles estavam lá.


Carlisle e Edward.


— Olá, Edward. Doutor Carlisle. — Cumprimentei, cutucando Leah para que fizesse o mesmo.


— Olá. — Ela disse, sorrindo timidamente.


Foi melhor do que eu esperava.


— Bella, viemos convidá-las para passar o Natal conosco. Seria um grande prazer. — Carlisle sorriu, aquele sorriso doce e tranquilizador que parecia capaz de derreter todo o Polo Norte. — Espero que você também venha conosco. — Ele disse, olhando para Leah, que sorriu, incapaz de resistir ao char

me do doutor.


Olhei para Leah em busca de alguma aprovação e a encontrei. Ela me deu seu sorriso mais animado.


— Sim, nós vamos. — Respondi, sorrindo.





Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.