Notas iniciais
Oi, pessoal! Me desculpem pela demora em postar esse capítulo. Estou há quase duas semanas com uma dor de cabeça quase que diária e isso me impediu de escrever durante essa semana toda, porque a dor havia ficado pior. Acredito que esses episódios cessarão e eu conseguirei escrever com assiduidade novamente. Precisei dividir esse capítulo e o próximo em dois, porque se fosse um só, ficaria grande demais. Boa leitura!

[Harry]

Eu estava arfante. Depois de várias semanas em trabalho de mesa, finalmente eu tinha um motivo para poder sair e me sentir um verdadeiro auror em uma missão. Caminhei na direção do D.E.L.M pelo ministério e em pouco tempo já estava próximo da minha mesa. Era de manhã e Gina já havia chegado, estava cabisbaixa. Eu sabia que estava tão desanimada quanto eu, pois afinal de contas, parecia que nosso trabalho de pesquisa e investigação estava sendo completamente em vão.

Me aproximei dela e retirei a foto do bolso, guiando-a com mágica até que caísse sobre os papéis que Gina parecia fitar sem muito interesse. Ela pegou a foto com uma das mãos e analisou-a com cuidado, examinando o conteúdo exibido em movimento na frente e todos os escritos na parte de trás. Com o cenho franzido, ela se virou lentamente na minha direção e me encontrou com o olhar, sem demonstrar que tenha entendido alguma coisa.

— Bom dia, Harry – soltou – o que tem nessa foto?

— Bom dia, Gina – me aproximei, colocando a foto novamente sobre a sua mesa e apontando para o fundo da foto – aqui está o começo do nosso trabalho de verdade.

— Do que você está falando, Harry? – ela analisou a imagem com mais atenção do que no momento anterior.

— Esse lugar... – iniciei – fica no beco diagonal. Draco pode ainda estar por aqui.

Ela parecia assustada com aquela informação. Lemos pilhas e mais pilhas de arquivos e Draco e sua mãe poderiam estar o tempo todo... Aqui?

— Não me parece muito inteligente ficar tão perto daquelas pessoas que te procuram para trancar em Azkaban – comentou, pensativa.

— Talvez por isso seja tão brilhante, por não parecer brilhante. A Hermione tirou essa foto ela mesma. Ela me garantiu que protocolaram errado isso daí – apontei para as anotações no verso da foto.

— Tudo bem, mas esse lugar parece estar meio abandonado – ela franziu o cenho novamente – não acredito que ele está se escondendo aí dentro.

— Vamos ter que ir até lá para descobrir – propus – mas acho que devemos avisar ao Morris antes.

Ela assentiu e se levantou. Nós dois caminhamos na direção da sala do nosso superior. Dei duas batidas e a porta se abriu sozinha. Ele já estava olhando em nossa direção.

— Morris, acho que Gina e eu descobrimos um lugar, aqui perto, que pode ter alguma pista sobre o paradeiro dos Malfoy que ainda estão foragidos.

Ele soltou a pena que usava para escrever algum documento e o objeto continuou a escrever ao seu lado, sozinho. Ele analisou nós dois e sorriu.

— Muito bem, estão autorizados para prosseguir com seja-lá-o-que você descobriram. Me mantenham informado – ele sinalizou para que fôssemos enquanto mantinha um sorriso otimista na face.

Caminhei novamente até a minha mesa, destranquei uma das gavetas com um encantamento específico para a minha varinha e retirei uma bolsa de ombro, feita de couro, não muito grande. Tranquei novamente a gaveta e virei-me para Gina:

— Isso aqui pode nos dar alguma vantagem com isso.

Ela sabia do que eu estava falando e deu um sorriso malicioso.

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Ainda era dia. As ruas do beco diagonal estavam lotadas de pessoas fazendo compras. Nos aproximávamos do fim do ano e muitos bruxos e bruxas já estavam em busca de fazer as famosas compras para a preparação de todas as festividades da época. Crianças, idosos, gatos, sapos, corujas... Um barulho de rua movimentada como um dia qualquer. Já havia alguma neve caindo do céu e todos pareciam muito bem agasalhados, pois o frio já estava ficando cada vez maior.

Guiei-me por uma sequência de ruas com Gina ao meu lado. Viramos e dobramos diversas vezes, até acabarmos em um conjunto de vielas escuras, úmidas e com gente de caráter duvidoso. Conforme avançávamos por essas vielas, o tom alegre das festas de fim de ano foi substituído por uma melancolia desconfortável. Ajeitei a varinha na cintura para me certificar de que seria fácil empunhá-la caso alguém ou alguma coisa se mostrasse hostil por ali. Forcei a mente e tentei voltar quase vinte anos no tempo, para o dia em que havia me perdido ali. Eu precisava me lembrar. O meu trabalho e talvez todo o futuro da comunidade bruxa dependia disso. Segurei Gina pela mão e dobrei exatamente duas esquinas com ela muito próximo a mim.

Armazém Lummi, dizia a velha placa tombada na frente do empreendimento aparentemente abandonado. Não sabia dizer se aquela era uma loja que funcionava normalmente antes daquela região se tornar tão... peculiar, ou se ela também era uma loja com teor duvidoso e que fechara por algum motivo qualquer. A verdade é que parecia não ser frequentada há alguns anos. Apoiei as mãos, cobertas por luvas, no vidro manchado da vitrine. Mal dava pra ver qualquer coisa lá dentro. Móveis antigos, cobertos com panos brancos, peças empoeiradas, restos de latas, pratos e copos... Na realidade, nada que fosse digno de nota. Nos olhamos desconfiados. Alcancei minha varinha no cós da minha calça e sinalizei com a cabeça que iria entrar. Gina assentiu, sem falar nada, e também empunhou seu instrumento mágico.

Segurei a porta, já preparado para executar algum feitiço de destrancamento, quando, para minha surpresa, percebi que a porta não só não estava trancada, como parecia quase entreaberta.

— Lumus!— gesticulei a varinha e apontei-a para dentro, na intenção de ver se havia alguém pelas proximidades.

Nada.

Minha entrada fora noticiada pelo ranger das velhas e mofadas tábuas de madeira que compunham o piso do salão principal do armazém. Algumas estantes de madeira velhas e vazias, cheias de poeira. Algumas cadeiras, poltronas e mesas cobertas com uns cobertores encardidos e que aparentavam serem mais velhos que nós. Atrás do grande balcão de madeira, apenas uma caixa registrado antiga que parecia não ser usada há algum tempo, além de restos de latas de comidas, alguns pratos, copos... Provavelmente coisas consumidas pelos funcionários quando a loja ainda estava aberta e funcionando. Estranho... Móveis cobertos, prateleiras vazias, parece que a mudança foi planejada. Como que deixaram apenas essas coisas espalhadas por aqui? Não parece que saíram com tanta pressa assim. Já que tudo estava destrancado, talvez tenha sido obra de algum andarilho que se abrigou por aqui há algum tempo. Atravessei o balcão e havia apenas mais dois cômodos: uma pequena copa e um depósito. Ambos sem nada que valesse a pena detalhar, apenas mais móveis velhos e muita poeira. Além de nós, as únicas coisas que pareciam vivas ali dentro eram alguns corvos que fizeram ninhos no forro.

— E voltamos à estaca zero – bufou Gina, visivelmente decepcionada com a aparente falsa pista que recebemos.

— Eu não diria isso – respondi-a, olhando com atenção cada detalhe do ambiente e tentando retirar alguma outra pista visual – a foto da Hermione tem um ano. Ela tinha certeza disso – pausei e dei mais uma olhada e volta – olha pra tudo isso, parece ter sido abandonado há muitos anos. Draco não pode ter vindo aqui, se arriscando, à toa. Deve haver alguma coisa aqui que nos dê alguma dica.

Ela cruzou os braços e parecia pensar em alguma coisa. Retirou os cabelos fogacentos do resto e suspirou.

— Acho que podemos esperar alguém aparecer – ela olhou em volta também – talvez tenha alguma coisa aqui que nós não estamos percebendo. Se o Draco veio, pode ser que outra pessoa também venha. Pode haver algum tipo de passagem secreta.

Gina era um gênio. Sem falar nada, apoiei-me sobre seus ombros e a conduzi para fora do recinto. Ela pareceu um pouco confusa, mas me acompanhou sem hesitar, apesar de parecer desconfortável com a minha súbita ação. Guiei-nos para uma rua de distância, em um beco até mais escuro que os demais.

— Harry, o que exatamente você quer aqui? – resmungou, olhando para os lados, com medo de alguma coisa brotar ali.

— Você me deu uma ideia – mexi a bolsa de ombro que pegara mais cedo na minha mesa – de fato, deve haver a entrada pra alguma coisa ali, mas essa entrada deve ser vigiada. A gente não poderia simplesmente ficar ali e esperar que alguém aparecesse... A não ser que não pudéssemos ser vistos.

— Tudo bem, tudo bem – ela disse, apressada – vamos logo com isso. Aqui não me parece um lugar muito seguro para ficarmos sozinhos.

Abri a bolsa e retirei a minha tão estimada capa da invisibilidade do fundo. Lancei-a sobre nós dois e, calmamente, andamos de volta até o velho e aparentemente abandonado armazém. Esperamos, sentados na calçada da frente, por alguns longos minutos, expostos à friagem, até que um homem mais velho, com uma barba grisalha e desgrenhada, se aproximou do edifício. Ele vestia um sobretudo preto e um gorro da mesma cor. Os olhos eram profundos e ele se mostrava inadequadamente pálido. As mãos estavam escondidas sob os bolsos do casaco. Um vampiro?

Talvez.

O que quer que fosse, eu e Gina precisávamos ficar próximos. De supetão, nos levantamos e ficamos a uma distância segura do homem. Ele olhou para os lados e, rapidamente, empurrou a porta com corpo e entrou no prédio. Aproveitamos para fazer o mesmo antes que a porta fechasse, com cuidado para nossos pés não pressionarem algum pedaço de madeira podre que denunciasse nossa presença ali. Ele caminhou até o balcão empoeirado e encarou um dos objetos na ponta. Uma lata velha. De maneira natural, ele alcançou o objeto e desapareceu.

Nos encaramos e a cumplicidade no nosso olhar era o suficiente para conseguimos dizer um ao outro: “conseguimos!” sem precisar soltar qualquer palavra pela boca. Caminhamos, ainda com cuidado, até a lata e fomos transportados para um lugar que parecia um porão.

Mas não era um porão qualquer. Um porão com algumas mesas de madeira e um balcão, onde havia garrafas de bebidas na parte de trás. Alguns candelabros flutuantes deixavam o ambiente à meia luz, que combinava de uma maneira muito esquisita com o elfo que tocava alguma música lenta num piano. Tiramos a capa e as poucas pessoas que ali estavam, nos analisaram de cima à baixo. Ninguém pareceu muito se importar com a nossa presença e continuaram a conversar. Demos alguns passos dentro daquele local.

— Quem diria... Vocês, por aqui... – disse uma voz que vinha do bar.

Olhei na direção do bar e não vi absolutamente nada.

— Aqui embaixo, seu idiota – resmungou um duende, fitando-me furioso por trás do balcão.

Eu e Gina olhamos para ele.

— Você sabe quem eu sou? – perguntei.

Ele apontou para a minha testa, onde a cicatriz era escondida pela franja crescida.

— Eu sei, não tenho como esquecer de você – comentou, com a voz ainda nada amigável – mas aparentemente eles esqueceram da sua cara – gesticulou na direção dos clientes pelas mesas — talvez seja essa barba. Se eles soubessem quem você é, ou na verdade, o que você e sua amiga são, provavelmente já estaria morto.

— Pelo visto você já sabe muita coisa – iniciou Gina, apoiando-se sobre o balcão de maneira intimidadora – e é por isso que nós estamos aqui.

O duende pareceu não se importar muito com a postura dela. Ela prosseguiu, retirando a foto do bolso da calça e colocando-a próxima do rosto do ser mágico:

— Estamos procurando por este homem – ela apontou para Draco — A gente sabe que ele frequenta esse lugar – ela moveu o dedo para a placa — e queremos saber de t-u-d-o que você sabe sobre ele.

O rabugento alternou o olhar entre nós dois de maneira hostil.

— Vocês invadem o meu bar e ainda me exigem alguma coisa?

Gina sacou a varinha e apontou para ele. No susto, os presentes se levantaram da mesa e se preparavam para se aproximar, quando me virei de costas e virei a minha varinha na direção de todos eles, com um olhar ameaçador.

— Eles estão apenas conversando – disse, em voz alta.

Eu precisava fazer alguma coisa que intimidasse.

— Vocês não querem mexer comigo – finalizei, levantando a franja da minha testa e expondo a cicatriz. A maioria ficou receosa, outros pareceram um pouco mais agressivos, mas acho que também não tiveram coragem para me enfrentar. Todos se sentaram em suas mesas com suas canecas de cerveja e voltaram a conversar... de maneira desconfortável.

— Veja bem, você sabe o que nós somos – proferiu Gina – então você também sabe o que pode acontecer com você em Azkaban se não quiser colaborar. Imagino que aqui você lide com muitas coisas... proibidas. Ademais, você sabe que existem muitos mais de nós – ela forçou um pouco a varinha na testa do duende – você tem a opção de ser nosso informante ou de ser preso.

— Você me convenceu – respondeu, ainda resmungando – o que vocês querem saber sobre o senhor Malfoy? – Sinalizou para que ela afastasse a varinha. Ela o fez.

— Então você sabe quem ele é – falei, surpreso – onde ele está escondido? O que ele vem fazer aqui?

— Não sei onde ele fica – rebateu, dando de ombros – tudo o que eu sei é que eu arranjo umas coisas pra ele e ele, outras pra mim.

— Coisas...? – Gina ameaçou aproximar a varinha de novo.

— Ele precisa de destilado de veneno de fada mordente. Eu tenho fornecedores. Eu preciso de sangue de unicórnio e, bem, pra isso, é muito mais difícil ter fornecedores dispostos – ele deu uma risada irônica.

Draco Malfoy era agora, um viciado?

— Você sabe pra que ele usa isso? – perguntei, curioso.

— Ao contrário de vocês, não faço muitas perguntas aos meus clientes e negociadores. Apenas faço o necessário. Quanto menos eu sei, melhor pra mim... Veja vocês aí – ele repetiu a mesma risada irônica.

— E quando ele costuma vir fazer essa troca com você? – indaguei, impaciente.

— A cada dois ou três dias... — ele olhou um calendário pregado numa pilastra na frente – ele deve vir aqui amanhã.

— Amanhã estaremos aqui – afirmei, olhando nos olhos – e espero que ele também esteja. E haverá muitos mais de nós.

— Espera aí... Vocês vão trazer mais aurores para o meu bar? – o duende pareceu ficar mais irritado.

— A ministra do D.E.L.M é minha cunhada. Te garanto que haverá uma negociação muito favorável para você, sem envolver Azkaban, se nos ajudar. Essa é uma investigação que envolve toda a comunidade bruxa do mundo. Eles apresentam um risco muito alto – disse Gina, tentando convencê-lo de cooperar.

— Bruxos vagabundos – grunhiu – vêm ao meu bar, me ameaçam e ainda acabam com o meu negócio... – esbravejou, virando-se de costas.

Virei-o e segurei-o pela gola da blusa.

— Amanhã. Estaremos aqui. Será pior pra você se ele não estiver.

Notas finais
Queria pedir pra vocês comentarem a história :( Ninguém comentou absolutamente nada. Não sei se a história está ficando ruim ou coisa assim. As visualizações existem, pessoas acompanhando e tal... Mas ninguém se manifesta. Isso é bem desestimulante, sabe? Além da dor, quase não tive vontade de escrever esses dias por isso também. A partir do próximo capítulo as coisas começam a ficar mais agitadas. Prometo.