Notas iniciais
Aqui está a "segunda parte" do capítulo anterior. Era pra isso tudo ter sido um capítulo só, mas ficaria muuuuuito grande, então decidi separar, mas acho que ficou bom como dois capítulos separados também. :) Boa leitura!

[Harry]

Estávamos sentados na sala da casa dos Black, à frente da lareira, tomando um chocolate quente, eu, Hermione, Ron e Gina. Granger andava de um lado para o outro, de maneira impaciente, enquanto o ruivo acompanhava-a com o olhar.

— Hermione, você pode parar? Estou ficando tonto – comentou Ron, aparentando certa letargia.

— Ron! – exclamou a mulher, perplexa – amanhã vai ser um dia muito importante pra gente. Desde a prisão de Lucius... Não conseguimos pegar mais nenhum foragido relacionado à Voldemort.

Ele não respondeu. Apenas arregalou os olhos, franziu a testa e tomou um gole da sua bebida para se aquecer. O estalar da lareira tomou conta do ambiente por alguns segundos.

— Eu não confio nesse tipo de duende – comentou Hermione, sentando-se em uma poltrona ao lado do sofá que eu dividia com Ron – amanhã provavelmente haverá bruxos das trevas esperando pelos aurores lá – pausou – isto é, se esse bar ainda existir por lá amanhã.

— Eu deixei uma mensagem bem clara pra ele, não seria doido de fugir. A gente o acharia com muita facilidade se quiséssemos. Ele sabe disso – comentou a ruiva enquanto ajeitava a coberta sobre suas pernas.

— Mesmo assim – a ministra levantou o indicador e apontou para eu e a outra – eu acho que seria muito fácil para o Draco bater o olho em vocês ali e fugir. Não temos como esconder tantos aurores sob sua capa, Harry – ela deu um suspiro – e eu tenho certeza que ele não teria muita dificuldade em reconhecer você e a Gina.

— O plano é simples – dei de ombros – agora temos a minha capa da invisibilidade. Segui-lo será mais fácil. Vamos, com alguns aurores para o bar e ter apoio, eu e Gina ficamos sob a minha capa e o seguimos quando ele sair. Descobrimos onde ele e a mãe se escondem, chamamos reforços, pegamos os dois e pronto!

— Parece simples demais – comentou Ron – e quando é que alguma coisa saiu como a gente planejava?

Todos os quatro demos uma risada leve.

— Tem razão – concordei, ainda rindo um pouco – mas acho que essa maré de azar já passou.

— Eu não sei, minha experiência ainda me diz que alguma coisa pode dar errado por causa desse maldito duende – reforçou Hermione.

Gina parecia apenas pensar sobre a nossa conversa, enquanto ouvia, quieta com a sua bebida.

— E se vocês se disfarçassem? – sugeriu o Weasley – Sabe, talvez o duende desse bar não reconheça vocês e outros aurores. Se ele tiver um plano de fuga, ou sei lá... Não o usaria se não visse vocês.

Analisei a proposta enquanto encarava o fogo queimado à nossa frente.

— Pensem: no nosso segundo ano, conseguimos entrar na sala comunal da sonserina desse jeito... Com polissuco – lembrou o rapaz.

— A ideia é até boa, mas... Como vamos preparar polissuco nesse prazo de 12h? A poção leva pelo menos um mês para ser preparada... – respondi, desanimado.

— Na verdade – Hermione se levantou de novo e comentou, andando em círculos novamente – nós temos um estoque de poção pré-pronto no D.E.L.M para quando queremos designar aurores para missões em disfarce.

— E você não pensou em nos contar isso em nenhum momento? – indaguei para ela.

— Bom – ela suspirou – é que a gente evita falar sobre isso para não virar bagunça. Já pensou todo mundo usando polissuco para mudar sempre que quiser? Poderia haver até mesmo problemas com falsificação dentro do ministério. Por isso, avisamos aos aurores sobre isso somente quando vamos encaminhá-los as missões e depois os obliviamos nesse assunto.

Ela olhou de canto para nós dois.

— E também eu já tinha pensado nisso, não me pareceu uma boa ideia de primeira, mas... agora me parece que podemos ter alguma vantagem sim. Mesmo que não seja muita. Duendes são espertos e sacariam isso logo de cara.

— Provavelmente ele conhece a maioria dos frequentadores do bar dele – apontou Gina – ele saberia reconhecer pessoas diferentes. Digamos que é um lugar frequentado por pessoas seletas, né?

— Podemos tentar usar alguns bruxos que já estão presos e que provavelmente frequentaram esse bar enquanto estavam soltos – sugeri.

— É, é uma possibilidade – concordou Hermione, pensativa – esse material eu posso providenciar pra vocês.

O barulho das chamas ardendo tomou conta no ambiente novamente. Olhei para Gina.

— Você vai dormir aqui comigo – pausei e percebi que corei antes mesmo de conseguir me corrigir – digo, com a gente... temos quartos sobrando.

Ainda era um pouco estranho esse nosso novo tipo de relacionamento. Éramos próximos, bem mais do que em qualquer momento após nosso término, mas não éramos tão próximos como antes do nosso término. Meu cérebro, por mais que eu tivesse certeza que não sentia mais nada romântico por ela, parecia ainda estar se acostumando e assentando todas as ideias.

Ela apenas deu uma gargalhada leve, enquanto Hermione e Ronald disfarçaram a risada tomando um gole de seus chocolates.

— Acho que sim, Harry – ela respondeu, ainda risonha – mas não se preocupe, eu não planejava dormir de conchinha com você hoje – completou, em tom de deboche.

Ninguém conseguiu segurar a risada. Há quanto tempo não tínhamos momentos assim, desde que toda essa loucura de auror começou?

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O dia que poderia consagrar o sucesso da minha primeira missão como auror havia finalmente chegado. Depois de tantas semanas “perdidas” no meio de tantos arquivos, nossa hora de nos sentirmos aurores de verdade estava prestes a acontecer.

Estávamos eu, Gina e outros cinco aurores na mesa de reuniões da sala de Hermione. Sentados em semicírculo, éramos observados por Ben, que de braços cruzados, se apoiava em uma parede e parecia muito satisfeito com tudo aquilo. Hermione estava colocando alguns fios de cabelo em vários pequenos tubos de ensaio com a poção. Um para cada auror ali presente... Incluindo Benjamin Morris.

Nosso supervisor fizera questão de estar conosco nesta operação, que ele sempre nomeou como um de seus maiores objetivos. Afinal de contas, ele estava decididamente determinado a pegar qualquer bruxo das trevas que tenha vindo da sonserina. Ele amava a sua casa e queria mostrar que bruxos que faziam coisas corretas também poderiam vir de lá.

Ela se virou, carregando a pequena estante com os tubos de ensaio coloridos de sua mesa até a mesa em que nós estávamos reunidos. Ela a colocou, de forma cuidadosa, sobre a madeira e cruzou suas duas mãos a frente do seu corpo, olhando-nos com atenção.

— Muito bem – iniciou – vocês oito estão encarregados de concluir uma das maiores missões designadas a aurores neste ministério desde a prisão de Lucius Malfoy. Sei que alguns de vocês são muito habilidosos e competentes, como o sr. Morris – apontou com a mão direita – contudo, não ficaria satisfeita se vocês confiassem apenas nas suas habilidades.

Ela gesticulou com a varinha e um pergaminho flutuou de sua mesa até parar perto dela. Ela fez outro gesto e algumas cenas começaram a rolar. Pelas imagens, parecia que se tratava do momento em que batalhavam com Lucius para pegá-lo.

— Nesse dia, perdemos aurores muito bons nesse duelo com ele – ela sinalizou para algumas baixas acontecendo enquanto as imagens passam por nós – ele aprendeu muita coisa nos anos como comensal e, acredito que tenha aprimorado essas “habilidades” enquanto fugia da gente. Não sabemos como Draco e Narcissa Malfoy estão. Podem ser tão perigosos ou mais.

Em mais um movimento com a sua varinha, ela levitou os oito tubos de ensaio e os guiou até estar na frente de cada um dia nós.

— Hoje vocês serão alguns dos prisioneiros que o ministério mantém em custódia – seus nomes e biografias básicas estão nessas fichas a seguir.

Alguns envelopes voaram de sua mesa e pairaram a frente de cada um de nós. Dentro de cada envelope, havia uma imagem da pessoa que viraríamos e, anexado em folha, atrás, um pequeno texto informando nome, idade, locais onde morou, estudou, o que costumava fazer quando foi preso... Enfim, realmente o básico para se passar por alguém.

— Todos entrarão no bar através da chave de portal disfarçada no tal Armazém Lummi. Quando o alvo chegar, fiquem atentos. Assim que concluir a transação, o sr. Potter e a sra. Weasley o seguirão encobertos pela capa da invisibilidade – ela retirou um pedaço de pergaminho do bolso de trás e colocou sobre a mesa – esse pedaço de pergaminho servirá como um mapa das redondezas e indicará, com precisão onde estarão os dois para que possam segui-los à distância. – Ela entregou o papel para meu supervisor – isto ficará sob a responsabilidade do chefe dessa missão, sr. Morris.

Quando pude olhar melhor, percebi que se tratava de um mapa com o mesmo princípio do “mapa do maroto” que eu havia tido contato há muitos anos. De alguma forma, o ministério conseguira confeccionar um mapa próprio com as mesmas características.

— Terminem de ler as fichas de vocês, tomem um gole da poção de vocês e saiam imediatamente. Lembrem-se de tomar um novo gole a cada uma hora, no máximo, caso ainda seja necessário. Se não o fizerem, voltarão ao normal e nossa missão estará exposta e possivelmente fadada ao fracasso – concluiu Hermione.

Após todos finalizarem suas respectivas leituras, tomamos a poção.

Eu havia esquecido o quão desconfortável era aquela sensação de ter todo o seu corpo desfigurado e reconfigurado para se parecer com outra pessoa. A dor lancinante dos ossos aumentando de tamanho, outro diminuindo, a pele esticando e comprimindo. Era tudo bem desagradável. Fora o gosto da poção que lembrava... bem, o sabor era o menor dos problemas. Após alguns poucos minutos desse desconforto da transfiguração, estávamos todos irreconhecíveis. Eu parecia ter agora dez anos a mais do que eu realmente tinha, com uma barba densa, alguns pequenos fiapos brancos e um cabelo preso em um rabo de cavalo. Olhei-me no reflexo do piso do chão e conseguia ver olheiras profundas.

Gina não era mais uma mulher. Ela agora parecia um homem alto, de quase uns dois metros de altura, porte forte, cabeça raspada e várias tatuagens que cobriam todo o seu corpo. Definitivamente, eu teria medo de encontrar com esse rapaz em um beco escuro qualquer por aí.

Hermione, após assistir à transformação de todos nós, apontou para a porta.

— Troquem de roupa rapidamente e sigam o plano à risca – reforçou.

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Assim que chegamos próximos ao local do armazém, expliquei para todos eles onde a chave de portal costumava ficar localizada. Morrris nos orientou a entrarmos em grupos de dois ou três, com intervalos de quinze a vinte minutos entre nós, tentando principalmente intercalar com outros frequentadores do bar. Dessa forma, talvez, apenas talvez pudéssemos não ser notados. Achei que isso não faria muita diferença, já que mesmo com a poção polissuco, algo me dizia que o duende ainda não era confiável e que daria um jeito de descobrir quem éramos de verdade, afinal de contas, ele já sabia que a gente estaria por lá em algum momento daquele dia.

Eu e Gina fomos os primeiros. A partir daquele momento, eu era oficialmente Robert Grimmleather: um terrível assassino de aluguel do mundo bruxo. Ela, por sua vez, Matthew Blackberry, o famoso traficante de elfos domésticos.

Assim que entramos no bar após o uso da pequena e amassada lata de ervilhas, percebi que os olhares agora realmente foram indiferentes para nós. Parecia que todos estavam acostumados a nos ver ali. De fato, agora, nossa aparência um pouco mais intimidadora e sombria casava muito melhor com o ambiente. O duende observou nossa aproximação com o olhar fixo.

— Grimmleather, Blackberry... faz tempo que não os vejo por aqui – soltou, enquanto enxugava uma caneca de vidro que acabara de lavar.

— Negócios por aí – afirmei, tentando deixar a voz mais rouca, aparentando naturalidade.

— Sei que você tem muitos negócios por aí – ele deu uma risadinha – mesma coisa do sr. Blackberry – apontou com o ombro na direção da Gina. – O que vão querer hoje?

— Cerveja, para nós dois – sinalizei para nós dois – vou esperar um cliente aparecer por aqui.

O duende assentiu e apontou para uma das mesas de madeira atrás da gente. Caminhamos até ela e nos sentamos. Canecas com cerveja amanteigada flutuaram até nossa mesa e pousaram exatamente na nossa frente.

O tempo passou e mais gente chegou no bar. Os outros aurores estavam tão bem disfarçados que eu mal podia reconhece-los no meio dos outros bruxos. Eu literalmente não fazia muito bem ideia de quem estava comigo e quem realmente estava apenas naquele bar. Demorei entre um gole e outro, para ter certeza de que estaria sóbrio quando fosse necessário ter atenção.

Quando ele chegasse.

Cerca de três horas depois da nossa chegada, ele finalmente apareceu. Alto, vestido em uma capa preta, barba por fazer, cabelos escuros... Ele estava diferente, mas eu tinha certeza que era ele. Não apenas eu. Todos os outros aurores o olharam de uma maneira um pouco indiscreta. Desviei o olhar e tentei demonstrar desinteresse nele ou em qualquer outra coisa ali. Ele retribuiu nosso olhar e não parecia nem um pouco acuado com tantos bruxos das trevas ali. Definitivamente, ele havia mudado e não estava mais sob a capa do pai dele. Draco Malfoy aparentemente aprendera a se posicionar. Sua postura era... diferente. Ele parecia imponente.

Observei-o marchar com passos firmes até o duende, que estava sentado atrás do balcão. Olhou na direção do duende e soltou, em voz baixa:

— Vim comprar o meu vapor de besouro.

Definitivamente, ele parecia acostumado com aquilo. Ele sabia muito bem o que estava fazendo. Não demorou até que o duende o respondesse.

— Você sabe como é o esquema, Malfoy.

— Não me chame assim – ele pareceu desconfortável – eu não sou um Malfoy.

Percebi que discretamente ele ameaçou empunhar sua varinha por baixo da capa e sinalizei para Gina. Seguramos nossas varinhas por baixo da mesa. Mesmo assim, o duende parecia ainda não se importar muito com nada daquilo.

— A prata líquida primeiro – estendeu a pequena mão.

Draco retirou algum tipo de frasco do bolso e entregou à diminuta criatura, que por sua vez, pareceu ser especialista na substância ali dentro, examinando de maneira sensorial. Após isso, deu um pequeno chute no balcão à sua frente e uma gaveta escondida se abriu e cuspiu outro frasco na direção do Malfoy. O rapaz pareceu também verificar e validar o que acabara de receber.

— É sempre um prazer negociar com você, senhor – concluiu o duende, colocando o tubo que acabara de entregar em uma espécie de cano e o fez desaparecer para algum outro lugar.

Assim que ele se virou de costas, eu pude observar que ele se sentiu intimidado por Gina e mim, digo, por Blackberry e mim. Ficamos tão tensos com a possibilidade de um confronto que, por um momento, quase entregamos nossos disfarces. Sua postura parecia um pouco mais imponente nesse momento. Definitivamente, ele havia aprendido a se virar muito bem durante todo esse tempo. Ele caminhou até chegar próximo da lata de ervilhas, sem tirar os olhos de nós. Quando ele estava próximo de atingir o objeto, o elfo parou de tocar o piano e desaparatou. Um estranho silêncio o fez parar e todos no bar se entreolharam. Logo em seguida, foi ouvido um grito:

— AURORES NO BAR! – exclamou o duende, enfiando-se por uma pequena portinhola em um fundo falso de uma estante no bar, por detrás do balcão.

Um duelo se iniciou dentro do pequeno espaço do bar. Feitiços ofensivos começaram a ser planejados pelas varinhas de todos os presentes. Mesas voaram, canecas, gente correndo de um lado para o outro. Eu e Gina nos abrigamos atrás de uma mesa virada, tentando processar tudo o que estava acontecendo. Na realidade, na impressão que dava era que absolutamente ninguém sabia muito bem com quem duelar. Os bruxos do bar estavam confusos e atiravam uns nos outros, assim como na gente, pois não sabiam quem poderia estar ou não sob um disfarce. Para piorar a situação, havia um encantamento que impossibilitava qualquer bruxo de desaparatar dali. Nossa única saída seria a bendita lata.

De relance, percebi que Draco, que havia se abaixado atrás de outra mesa próxima, tentava alcançar a lata de ervilhas para sair dali. Quando sua mão estava prestes a executar o feito, algum feitiço estuporante atingiu o objeto, que voou para o outro lado da sala. Era perceptível a cara de frustração na sua cara.

— Harry! Temos que sair daqui! – exclamou Gina, revidando feitiços que eram lançados na nossa direção.

Acompanhei-o com o olhar e observei-o rastejando na direção do local onde a lata havia sido lançada.

— Gina, vou precisar que você me dê cobertura. É agora ou nunca – sinalizei com a cabeça na direção ele.

— Você é louco – um estouro ensurdecedor estampiu na nossa mesa — VAI LOGO!

Tentando correr abaixado, dei um jeito de me aproximar dele, que preocupado com toda a barulheira, não percebeu que eu me aproximava. Empunhei a varinha e me preparei para pegá-lo.

— Imobi...

Um novo estampido. As coisas começaram a escurecer. Eu desmaiei.

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Não sei quanto tempo depois de tudo aquilo, mas eu acordei. Ainda estava um pouco zonzo e não sabia muito bem o que tinha acontecido. Tentei abrir meus olhos e, por algum motivo, eles pareciam não querer me obedecer. Forcei mais um pouco até que a escuridão completa começou a sumir: meus olhos conseguiram abrir aos poucos.

Ainda sem entender muito bem o que estava acontecendo, comecei vislumbrar algumas formas ao meu redor. Eu parecia estar numa cabana velha, sobre uma cama. A luz entrava, fraca, pela janela de vidro sujo, quase opaco. Teias de aranha no teto faziam parecer que aquele lugar realmente não cuidado há um bom tempo.

Tentei me mexer, mas parecia não ter forças para isso também. Respirei fundo e tentei mexer meus braços. Nada. Tentei mexer minhas pernas. Nada também. Alguma coisa estava bem errada. Eu podia até estar fraco, mas... meus membros literalmente não me obedeciam. Algo parecia me segurar. Com mais algum esforço, levantei meu pescoço e pude perceber: meu corpo estava preso com algumas cordas.

Fui tomado por um estranho arrepio e lembrei-me de tudo que tinha acontecido minutos antes de apagar. Meus músculos retesaram. Certamente havia sequestrado por alguém no bar.

Movimentei a cabeça novamente, na busca de encontrar minha varinha ou qualquer outra coisa que estivesse ao meu alcance para sair dali. Foi quando percebi que, parado, de braços cruzados sob o batente da porta, tinha alguém me encarando.

Draco Malfoy. Ele estava diferente. Mais alto e esguio. Os cabelos estavam bem mais escuros do que eu me lembrava. Ele vestia uma blusa branca amarrotada, de botões. As mangas estavam dobradas até os cotovelos e o os botões estavam abertos até a altura do seu peito, com a gola levantada. Uma calça de linho, cinza, também amassada, com botas de cano alto, bem amarradas. Uma camada de barba loira tomava boa parte do seu rosto. Aquela figura não lembrava em nada a postura do Draco Malfoy que eu conhecia. Aquele mauricinho jamais estaria tão bagunçado na frente de outra pessoa como ele, naquele momento estava na minha frente. Mais uma vez passou pela minha cabeça a ideia de que muita coisa havia mudado nesse meio tempo e não somente para mim.

Mas havia uma coisa que não tinha mudado. Mesmo envolto por profundas e escuras olheiras, seus olhos cinzentos permaneciam os mesmos. Os mesmos... Pareciam sempre perdidos, mas, por incrível que pareça, agora pareciam ter transmitir algum tipo de serenidade. Alguma coisa fazia-o parecer mais sereno do que qualquer outro momento em que o vi tão de perto. Levou um dos braços até o queixo e o coçou, abrindo um sorriso irônico.

— Achei que você tinha morrido, testa rachada.

Notas finais
Gente, eu podia estar matando, podia estar roubando, mas eu tô aqui MENDIGANDO comentários de vocês. COMENTEEEEEEM! :((((((