Auribus teneo lupum

11 Rondo alla turca


Notas iniciais
Olá, amores. Dessa vez eu cheguei dentro das duas semanas, pelo menos. Então, agora passando pro capítulo 11 eu queria deixar os meus agradecimentos à todos os que têm me acompanhado e dado suporte ao longo de tantos capítulos, e inclusive aos leitores silenciosos. Torço para que essa história continue agradando vocês. Meus agradecimentos especiais ao Akkira, à Nana, Nathy, LunaScott e pra Mr Kurosaki Perva, que quase me fez ter uma queda de pressão tamanha foi a emoção com a primeira recomendação da minha vida. Super beijos pra ti, garota! No mais, boa leitura. A composição do título é de Mozart, parte da Sonata No. 11 in A major, K.331. Link e glossário do capítulo nas notas finais.

Despreocupadamente, um pequeno gato preto caminhava por sobre o telhado da residência dos Kurosaki, exibindo seus pelos lustrosos em meio à paisagem fria do outono já em seu ápice. As patinhas cobertas por almofadas macias seguiam delicadamente entre as telhas, desviando das folhas e galhos secos que por acaso repousassem ali, testemunhas retorcidas das noites e dias gelados que surgiam conforme as temperaturas desciam em queda livre a partir de novembro, tornando raros os dias onde se pudesse falar em calor.

Entretanto, mesmo diante de uma manhã de temperaturas baixas, o clima dentro do quarto de Ichigo parecia seguir leis físicas à parte, aquecido pela energia que os moradores da casa nunca deixavam de esbanjar.

Como expectador passivo dos fatos, o gatinho tomou um lugar confortável, descendo até o parapeito da janela do cômodo e sentando-se por ali, com a pompa peculiar a qualquer felino, disposto a permanecer em sua observação silenciosa até que algum movimento externo lhe retirasse de seu posto.

Nii-san, o papai não quer colocar certo! – Reclamava Yuzu do lado de dentro, as mãos paradas na cintura numa postura impositiva. Corria os olhos pelo cômodo, voltando-os acusadoramente ao culpado pelas reclamações, para então tornar a buscar apoio nos olhos do irmão.

— Querida, o papai só está fazendo do jeito dele porque assim fica bem mais bonitão. Eu não pareço um mafioso? – Perguntava, correndo as mãos pelo haori preto completamente aberto, enfeitado por desenhos de tigres em traços dourados. Por dentro, trajava um Kimono também dourado sobre um juban preto, todos abertos o suficiente para expor-lhe grande parte do peitoral.

— Custa vestir direito? – Questionou o filho, uma veia saltando ao observar a cena – Arruma essa roupa e vamos logo, pai.

— Parece que alguém aqui está querendo assumir o comando da casa! – Comentou com um sorriso largo, entrando numa postura combativa, um dos cotovelos apoiado sobre a escrivaninha – Que tal decidirmos quem manda numa queda de braço? O vencedor ganha os direitos de pai, hn? – Propôs, movendo os quadris de forma cômica, posicionando-se no aguardo de seu oponente.

Entretanto, o desafiado respondeu com um revirar de olhos, puxando a irmã pela mão e seguindo em direção à porta enquanto falava:

— Eu fico com você e a Karin. Se o pai não se arrumar a gente o deixa em casa, pode ser?

— Como assim me deixar em casa? Eu não tenho mais moral aqui? – Isshin usava seu melhor tom de indignação ao falar, levantando-se para voltar a encarar os demais – Vocês não amam mais o papai, é isso?

Chutando a porta, Karin interrompeu qualquer tentativa de chantagem emocional, adentrando o cômodo com seu Kimono branco e turquesa já um tanto bagunçado em virtude dos últimos movimentos.

— Vocês ainda pretendem vir? Por que essa demora? – Questionou, mas entendeu ao encarar a aparência do pai, em suas vestes um tanto quanto extravagantes. Quem o dera permissão pra escolher aquele dourado?

— Estamos indo agora. Ele já escolheu uma cor chamativa, então é melhor deixarmos usar como quiser – Anunciou Ichigo, voltando a fazer seu caminho para fora.

— Anda, pai! – Ordenava Karin, arrastando-o pelo braço e tentando arrumar melhor o Obi amarrado de forma risível, consertando o que conseguia apesar dos protestos de Isshin sobre estar seguindo seu próprio estilo com as peças.

Barulhentos como o usual, os Kurosaki saíram juntos, discutindo sobre haver ou não uma necessidade de usar os Kimonos de maneira tradicional; sobre quem deveria liderar a família; o que encontrariam de boas atrações naquele dia e quaisquer outros temas banais que pudessem surgir.

Era sempre divertido estar com os familiares, mas desde o incidente da sexta-feira Ichigo precisava de distrações muito boas para que não acabasse irritado com tudo e todos, descontando suas frustrações por aí.

O pior nem era ter sido rejeitado antes de pensar em dizer qualquer coisa, mas ter vislumbrado toda aquela prepotência estúpida no semblante do professor, tratando-o como se fosse algum tipo de maníaco esquisito. Entendia que ele estava nervoso com todo o ocorrido e talvez a paranoia pudesse ser justificável, entretanto, o sangue fervia toda vez que se lembrava dos olhares acusadores de Grimmjow, encarando-o como se tivesse de evitar qualquer aproximação para que a situação passada com Sayuri não se repetisse.

Puxando o ar longamente, o rapaz apertou melhor o Haori-himo, endireitando as peças em verde escuro que trajava, adornadas por arabescos em preto, os traços médios em alguns pontos; mas bastante finos em outros, criando desenhos intrincados apesar de discretos.

Estava cansado de se irritar com toda aquela história. Já perdera o final de semana chateado graças a esse problema, portanto não valeria a pena desperdiçar o feriado também. Ganharia mais curtindo a manhã com a família e, mais tarde, pretendia passar um tempo com os amigos, aproveitando o fato de Rukia ter miraculosamente recebido uma folga do castigo.

De preferência, evitariam que o irmão da morena soubesse de sua presença entre o grupo, a propósito. Ao que parece, o homem não tinha ficado com uma visão muito positiva sobre os Kurosaki após aquele primeiro encontro – Lembrava-se, repassando mentalmente a querela que o empresário tivera com Isshin.

Pelo que Rukia dissera, Byakuya culpava Ichigo como a má influência ali; portanto não queria vê-lo perto da garota. Era bom ele não descobrir que a responsável por encrenca-los geralmente era a Kuchiki, com seus planos mirabolantes de detetive ou ideias catastróficas para afastar o tédio – Refletia, rindo consigo mesmo, a imagem daquela pichação que haviam feito saltando-lhe à mente como uma memória bastante cômica. Pensariam duas vezes antes de entrar em qualquer aposta depois daquele incidente.

De toda forma, o importante é que teria um ótimo dia pela frente e deveria usá-lo para se esquecer um pouco dos problemas amorosos – Concluía, ansioso por livrar-se daquela angústia irritante. – A questão é que havia se interessado pela pessoa errada, mas não pretendia ficar chateado pelos cantos, lamentando o tratamento ridículo que recebera do professor. Logo esqueceria esses sentimentos, então era questão de tempo, certo?

Apressando o passo, seguiu junto aos familiares pelas ruas apinhadas de pessoas desfilando seus trajes tradicionais a caminho dos templos mais próximos. Como um dia em homenagem à cultura nacional, o Bunka no hi contava com uma série de eventos, enchendo os templos, museus e ginásios de atividades relacionadas a esportes, artes, história; apresentações de projetos universitários; desfiles; e tudo o que representasse a cultura nipônica. Também costumavam haver homenagens a pessoas ou grupos que se destacassem nessas áreas, incluindo a entrega da premiação chamada de Ordem da Cultura, feita pelo próprio imperador em Tokyo, além de vários outros eventos do gênero.

Em Karakura, muitas das atrações do dia eram ligadas a artes marciais, contando com competições de karatê, Kyuudô, Judô, sumô, dentre outros. Inclusive, Tatsuki faria uma performance especial naquele dia, para a qual vinha se preparando há algum tempo. Os amigos já haviam planejado começar a tarde indo vê-la, para que depois pudessem continuar o passeio junto a Rukia por outros locais.

Em pouco tempo, toda a correria de concreto e asfalto da cidade já dava lugar a um longo caminho de terra, ladeado por grandes árvores, num túnel verde que transmitia paz aos que caminhavam por ele, mesmo em dias de muito movimento. Algumas manchas prateadas podiam ser vistas pelos lados, nos pontos onde os visitantes lançavam suas moedas em pedidos por bons presságios. A grande quantidade de yienes refletindo as cores avermelhadas do outono adicionava um charme especial ao cenário, chamando a atenção ao longo da caminhada.

Quando chegaram ao guichê do lado externo, Isshin comprou os bilhetes individuais, que foram perfurados pelos funcionários do local ao passarem pela entrada principal, marcando os ambientes os quais visitavam.

Lá dentro, a beleza firme da arquitetura japonesa capturava facilmente o olhar, cativando os presentes com seus telhadinhos marrons e trabalhos em madeira, testemunhas inertes do passar dos séculos, das guerras, dos dias e das noites de um Japão acostumado a crescer sem abandonar suas raízes ancestrais.

Num dos primeiros espaços, era possível ter acesso à água que jorrava de torneiras ocultas por estátuas em pedra, como se caísse da boca aberta de pequenos dragões orientais. Conchas com cabos alongados repousavam nessas pias de pedra, aguardando quem as usasse para beber da água fresca. Sinos próximos a pequenos altares também dividiam espaço com as belezas arquitetônicas e naturais do lugar, os quais eram tocados pelos visitantes após realizarem suas orações.

Sem pressa, o grupo chegava à um dos pátios internos, onde praticantes de Kyuudo exibiam suas habilidades, lançando as flechas em sua postura impassível. Como parte do plano de Isshin, os Kurosaki caminharam até lá, dando seus nomes para que fizessem suas tentativas com o arco japonês, além de ouvir um pouco sobre a história do esporte e suas premissas básicas.

Karin saiu-se excepcionalmente bem, recebendo elogios pelo tiro certeiro, próximo ao centro do alvo, e gerando um sobressalto de orgulho paterno no Kurosaki, que a envergonhava um pouco com seus comentários altos sobre as habilidades da filha. Yuzu e Isshin também conseguiram acertar o alvo, mesmo que bem longe do centro, deixando o filho mais velho como o último a tentar.

— Se posicionou muito bem. Já praticou antes? – Perguntou um dos instrutores, um homem de cabelos negros e olhos profundos, ao observar o rapaz tencionar a linha, puxando a flecha com apenas três dedos.

— Na verdade não – Respondeu, os olhos fixos no centro – Mas já ouvi um amigo explicar algumas coisas. ­– Adicionou, recordando-se do quanto Ishida se gabava sobre suas habilidades no esporte.

Dito isso, o jovem tentou focar-se firmemente, mirando um tiro perfeito. Era bom com esse tipo de coisa apesar de ainda não ter prática com o arco, especificamente. Entretanto, no último instante, a concentração pareceu vacilar, os dedos movendo-se fora de hora ao passo que a flecha seguia para bem longe do alvo.

O instrutor sorriu, encarando-o com delicadeza antes de aproximar-se novamente para perguntar baixinho:

— Seu coração não anda bem, não é?

Num sobressalto, o morango soltou-lhe um olhar constrangido, as bochechas corando como se não houvesse outro ponto do corpo para onde o sangue pudesse ir. Que diabo de pergunta era aquela? Por acaso estava escrito em sua testa que estava no meio de uma desilusão amorosa? – Questionava-se, mas o homem não esperou que ele respondesse para continuar.

— Só um coração tranquilo é capaz de acertar o alvo. Mas você tem uma ótima postura; quando vier ao nosso dojô com o coração calmo se dará muito bem no esporte – Explicou, estendendo-lhe alguns panfletos sobre o local onde ocorriam os treinos e despedindo-se com o pedido de que o garoto aparecesse por lá qualquer dia.

Ótimo. Só faltava alguém pra esfregar em sua cara que o coração não ia bem – pensava, voltando para onde estavam os outros e jogando os panfletos no lixeiro mais próximo. – Era muito azar passar vergonha até com desconhecidos por culpa de Grimmjow!

— O que foi que te disseram pra ficar vermelho daquele jeito? – Karin o interceptou imediatamente, curiosa com as expressões que o vira fazer após o tiro.

— Nada – Resmungou, fugindo do assunto ao seguir para o próximo espaço.

A despeito do frio, a manhã parecia aconchegante, seguindo de maneira divertida. Isshin insistia em participar de tudo o que houvesse por ali quanto a esportes, mas por vezes acabava sendo deixado para trás pelos demais, mais interessados nos outros tipos de atrações. Ninguém aguentaria passar uma manhã inteira testando todos os tipos de artes marciais como o pai pretendia! Em determinados momentos, separavam-se para olhar coisas diversas, mas logo a família voltava a reunir-se. Estavam tendo um dia bem divertido, afinal.

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— Trouxe takoyaki e Taiyaki! – Exclamava Rukia, estendendo os espetinhos com bolinhos de polvo bem temperados para Byakuya e os bolos em formato de peixe para Renji.

— Valeu, Rukia – Comentou o ruivo com um sorriso largo, pegando seu Taiyaki, que a garota escolhera tendo em mente o gosto do homem pela iguaria recheada com doce de feijão.

O irmão agradeceu com um meneio de cabeça, observando que a jovem separara para si mesma um exemplar de cada tipo. Acomodou-se melhor no banco onde os três estavam sentados, saboreando o Takoyaki com sua expressão comumente séria. Não era muito fã de doces, então a escolha da menina para ele fora a mais acertada.

Desde que chegaram ao templo, os três passeavam tranquilamente, desfrutando de ótimos momentos juntos. Porém, embora soubesse que Rukia se dava bem com o Abarai, o Kuchiki não esperava que o comportamento deles deixasse transparecer tanta amizade, sempre com algum assunto sobre o qual pudessem conversar, num clima que considerava bastante íntimo.

Ao mesmo tempo que isso lhe parecia ótimo, também poderia ter seu lado ruim. Talvez a intimidade ajudasse a irmã a receber Renji positivamente quando eventualmente soubesse da verdade sobre o relacionamento dos dois, entretanto, era incapaz de prever se a amizade ocasionaria essa reação positiva ou só tornaria tudo mais difícil, como uma espécie de traição por parte do tatuado, envolvendo-se com ele pelas costas da moça.

Entregue às próprias reflexões, o empresário observava os outros dois em um papo animado, comentando sobre o, nas palavras de Rukia, "show" que o moreno dera ao acertar três flechas seguidas no centro do alvo na área reservada ao Kyudô. Ele particularmente não considerava nada demais, sobretudo por já ser praticante não só do Kyudô, mas do Yabusame, tecnicamente bem mais complexo. Não obstante, o entusiasmo de seus companheiros seguia desde então, com Renji dizendo algo sobre "admirar as habilidades impecáveis do chefe". Francamente... Já estaria constrangido com todo esse entusiasmo caso isso fosse de sua natureza.

Terminada a refeição, os três retornaram à caminhada. Byakuya estava particularmente interessado em uma exposição de Ikebana que acontecia em uma das áreas. Além da atração profissional que as flores lhe despertavam enquanto itens de decoração, ele era um homem extremamente ligado às artes tradicionais, o que o fazia aproveitar o passeio no dia da cultura muito mais do que seria possível em qualquer outro evento. Os olhos acinzentados viajavam atentamente ao redor, ávidos pelas atrações do dia, fazendo o pequeno grupo perambular por todo o templo com entusiasmo, indo de exposições de arte em cerâmica até cerimônias do chá nas áreas cobertas.

Finalmente, quando os três passavam algum tempo em uma área de prática de Shodô, o Kuchiki aproveitava a oportunidade de exercitar um pouco a caligrafia japonesa. Sempre fora uma de suas artes preferidas, embora ultimamente a escassez de tempo o impedisse de dedicar-se a ela tanto quanto desejaria. Muitos de seus hobbys de juventude andavam negligenciados pelo mesmo motivo, portanto, sentia-se um tanto nostálgico ao encontra-los todos à disposição em um lugar só.

Sentado em postura rígida, movendo as mãos em sequências ensaiadas, deixou que os traços fluíssem lentamente, manchando de tinta preta as folhas delicadas, as palavras nascendo com precisão cirúrgica a partir do pincel habilmente manejado. Embora ainda sentisse que poderia melhorar em diversos aspectos, com sua autocrítica sempre acurada, o Kuchiki arrancava elogios dos presentes, deixando extasiados os responsáveis pelo espaço.

Depois dele, Renji tomou o assento, relutante, ouvindo as palavras dos instrutores e tentando sem sucesso reproduzir os padrões adequadamente. Os kanjis nasciam disformes, como a letra garranchada que o funcionário sempre utilizava no trabalho ou em qualquer outra situação.

Aquela caligrafia beirava a obscenidade! – Constatava o mais velho para si mesmo, analisando criticamente os borrões que o tatuado criava, quase uma representação das tatuagens tribais que trazia pelo corpo – Caso não estivessem em um local público, ele mesmo teria de segurar a mão do maior e ensina-lo a escrever, em nome do bem da humanidade.

Na vez de Rukia, notou com certa satisfação que ela progredira muito desde a última ocasião em que a vira escrever com pincel. Talvez ela merecesse mesmo algum mérito por seguir estudiosa e comportada por todo o tempo do castigo que lhe passara. Certamente ela já havia aprendido bastante com o regime intenso de estudos em todo aquele período...

Já do lado de fora, o Abarai passava uma mão pelos cabelos de forma constrangida, descendo-a ao longo dos fios soltos até o kimono claro, com detalhes florais na parte mais baixa, fechando melhor o Haori como se desejasse se esconder em algum lugar. A expressão vacilante, combinada com seus modos desleixados, criva um contraste visível com toda a austeridade de Byakuya, a imagem perfeita de um samurai do período Edo, em seus trajes azul-escuros com os detalhes pretos na gola do Juban, bem como nos acessórios.

— Acho que eu não levo muito jeito pra essas coisas delicadas... – Tentava justificar-se para o chefe, os olhos voltados para o chão.

— Não leva jeito nenhum, Renji! – Comentou Rukia em tom descontraído, fazendo um bico engraçado ao falar – Eu pensei que você estava escrevendo em hebraico.

— Ah, não é pra tanto, é? – Perguntou, inicialmente em tom sério, mas sorrindo ao observar a careta que a menina fazia para confirmar – Certo, admito. Acho que eu fugia das aulas de caligrafia na escola; eram sempre um saco. – Confessou, explodindo numa risada divertida até notar o semblante sério que Byakuya direcionava a ele.

Ok, péssima ideia falar mal de um dos hobbys preferidos do patrão e ainda dizer que matava aula na frente da irmã dele. – Concluía o Abarai, procurando um buraco onde enfiar a cabeça. – Estava tudo ótimo, até ele estragar falando alguma besteira. Será que tinha que dar esses foras sempre?

— Certamente as aulas estão lhe fazendo falta agora. – Comentou o moreno, entretanto, para o alívio do mais novo, sem qualquer traço de irritação na voz.

— Estão mesmo, Kuchiki-san – Tentou consertar como pôde os últimos comentários. – Agora eu sei que deveria ter sido mais atento a isso.

— Sempre há tempo para modificar hábitos negativos. – Respondeu, sugerindo que com algum esforço o quadro poderia ser revertido.

Rukia passou a observar a cena, rindo internamente daquele casal bobinho em tantos aspectos. Certamente o irmão nunca se ofenderia com algo tão pequeno quanto o fato de Renji não gostar de caligrafia, mas era hilário ver como o ruivo já se preocupava e criava toda uma situação em sua mente, as expressões sempre transparentes, denunciando os sobressaltos ou o alívio que sentia a todo instante.

Era fácil saber que eles estavam bem melhor agora, mas provavelmente ainda precisariam de algum tempo até ficarem totalmente relaxados um com o outro, livres das borboletas no estômago, dos sustos e preocupações triviais de um começo de namoro.

Nem parece que ela era a adolescente ali – Constatava, certa de que Byakuya e Renji, no momento, cumpriam muito melhor o papel de adolescentes descobrindo o primeiro amor ou qualquer coisa do gênero. O primeiro, com sua inexperiência com relação ao relacionamento homoafetivo e as barreiras da personalidade fria, acabava longe da maturidade afetiva que tanto gostaria de ostentar; já o segundo, em seu nervosismo e impulsividade, parecia mais um garoto desesperado pra sair da friendzone e fazer dar certo o seu amor platônico.

Sem dúvida, era um lindo casal – Refletia consigo mesma, perguntando-se quando o irmão tentaria "contar" para ela sobre isso, visto que nem desconfiava que ela já soubesse.

— Nii-san, eu vou buscar algo para beber – interrompeu-os, o Abarai ainda tentando justificar os problemas com a própria letra – Vocês querem alguma coisa?

Diante da resposta negativa de ambos, a jovem saiu sozinha, deixando-os sentados em um banco próximo dali, aguardando até que voltasse. Seria bom deixa-los aproveitando um pouco a vista no templo para que terminassem suas discussões de casal sozinhos – Pensava, rindo consigo mesma enquanto ia à procura de algo que combinasse com o frio daquele dia. O estômago pedia por um chocolate quente, de preferência.

Os templos não eram exceção ao comum do Japão, portanto, apesar do ambiente tradicional, também ali se encontravam máquinas de bebidas, sorvetes, e até mesmo comida. A moça só precisou de uma caminhada curta até chegar a uma delas. Entretanto, quando já estava com a lata em mãos, uma voz conhecida chamou-lhe a atenção.

— Rukia? – Perguntava Ichigo, que a avistara do banco onde estava sentado, bem próximo à maquina, já tomando algo também – Pensei que só chegaria à tarde...

— Yo, Ichigo! – Exclamou, caminhando entusiasticamente até o rapaz, balançando com os movimentos o Kimono em tom salmão, misturado a um vermelho mais escuro, com enfeites de flocos brancos nas extremidades – Eu vim agora cedo com o meu irmão também. Está com sua família?

— Aham. Mas eles seguiram para uma exposição de cerâmicas e eu acabei ficando pra trás – Comentou.

Bom, fora um golpe de sorte terem se encontrado – Pensava Rukia – Ainda precisava saber o que havia acontecido na escola depois de sua saída, e certamente ficaria bastante difícil conversarem com privacidade em meio aos outros amigos mais tarde. Sendo assim, a moça aproveitou para questioná-lo acerca do ocorrido, sem deixar de notar a aparente contrariedade do garoto quanto ao assunto.

Sentando-se ao lado dele, ouviu a narração dos acontecimentos, sentindo a indignação do morango com relação ao tratamento que recebera ao final, com todo aquele mal entendido.

De alguma forma, a menina já desconfiava que o amigo estivesse atraído pelo professor, mas com aquele relato, ainda que não contivesse uma confissão explícita, ela teve certeza dos sentimentos do ruivo. Se não sentisse algo concreto, ele certamente faria pouco caso da situação e não teria motivos para tamanha chateação.

Só era uma pena saber que além de todo o problema da relação por si só, os dois ainda haviam brigado graças a um mal entendido. Assim tudo ficava mesmo bem difícil para eles...

Enfim, terminada a história, foi a vez da morena de explicar o motivo de sua saída repentina no outro dia. Estava certa de que Sayuri não seria mais um problema após ter sido desmascarada, portanto, explicou por alto para Ichigo o motivo de ter se ausentado, recebendo o olhar incrédulo do rapaz diante de seus planos tão cuidadosamente arquitetados.

— Às vezes você me assusta. Imagina se tivesse tamanho de gente? – Perguntou, bagunçando os cabelos negros em uma provocação.

— Não vou te chutar agora porque estou de Kimono, mas vou colocar esse na sua conta – Exclamou com um sorriso ameaçador, contudo, o garoto viu o semblante teatral da menina se modificar, como se algo lhe tivesse chamado a atenção.

— O que foi?

— Não vira agora, mas acho que quem está ali é o Grimmjow-sensei. – Comentou, os olhos fixos no homem de cabelos azuis em frente à máquina de bebidas, o Kimono preto com dégradé azul caindo perfeitamente sobre o corpo robusto.

Contudo, o aviso surtiu o efeito inverso, fazendo com que Ichigo virasse imediatamente, os olhos âmbar encontrando o azul dos de Grimmy de modo certeiro, para serem desviados em seguida, acompanhando as bochechas ruborizadas num misto de vergonha e raiva.

Após aquela troca de olhares, o mais velho cogitou ir embora, fingindo que não o havia visto, entretanto, o semblante tenso do garoto, somado à encarada firme que Rukia lhe lançava no momento, sem que o amigo notasse, o fizeram permanecer.

Não esperava dar de cara com o rapaz que já estava se tornando a fonte de suas novas preocupações, entretanto, se pudessem resolver as coisas naquela hora, talvez se livrasse logo da situação. Claro, que já não via aquilo de uma forma negativa como o caso de Sayuri, mas a questão é que não gostava de dever nada a ninguém, e estava em falta com ele no momento graças ao modo como agira na sexta.

— Kurosaki, Kuchiki... – Cumprimentou, chamando-os pelos sobrenomes ao aproximar-se – Não estou interrompendo um encontro, né? – Soltou de maneira descontraída, em seu tom brincalhão.

— De jeito nenhum, sensei — A menina respondeu, notando o olhar indignado do amigo, certamente irritado só pela aproximação do mais velho. – Eu não faço exatamente o tipo do Ichigo. – Soltou, deixando as palavras caírem entre os três, os olhos violeta passeando entre ele e o professor numa encarada sugestiva.

Não pretendia ficar contra o Kurosaki, entretanto, também compreendia um pouco o lado do professor; portanto decidira dar-lhes uma deixa para interagirem e, quem sabe, pelo menos desfazerem o clima pesado, sobretudo por parte do mais novo.

— Que merda você tá falando, Rukia? – O rapaz reclamou, a voz saindo num resmungo contrariado. O que diabos aquela maluca estava tentando fazer?

Grimmjow deixou uma risada tranquila escapar, concluindo que aquela menina sabia de algo e, ao que parece, era peste o suficiente pra provocar o Kurosaki com isso. Até lembrava ele mesmo quando encontrava oportunidade de irritar algum amigo! No entanto, acabou ficando sério novamente ao perceber a expressão estressada de Ichigo, demonstrando claramente o quanto estava irritado com todos os presentes. As sobrancelhas mantinham-se tão franzidas que não seria surpreendente caso se unissem em uma só.

— Acho que já está na minha hora. – O ruivo anunciou, atropelando as palavras enquanto levantava, numa tentativa de fugir logo daquele embaraço. – A gente se vê depois, Rukia.

— Veio acompanhado, Kurosaki? – Perguntou despretensiosamente o maior, imaginando que mantê-lo ali com uma conversa casual seria um bom começo para os dois.

— Estou com minha família – Respondeu meio atravessado, parando perto de seu interlocutor.

— Hn. Divirtam-se, então. Só não se esqueça das tarefas que passei na sexta, hein? Depois de te encontrar aqui não vou aceitar desculpas caso não entregue – Advertiu num sorriso debochado, o semblante relaxado como quando fazia piadinhas em sala.

Se o Kurosaki esperava, mesmo que bem no fundo, um pedido de desculpas da parte do professor, acabava de notar que não o teria tão facilmente. Ao que parece, a hipótese de algo polido assim nem cruzara a mente do desgraçado. Bom, ele também não pretendia se desculpar por tê-lo mandado engolir o ego ou algo do gênero, mas isso era diferente já que estava com a razão nessa história toda, não era?

— Claro, Sensei — Respondeu, enfatizando o chamamento de maneira irônica. Encarava-o ainda incrédulo por sentir que ele só queria fingir que nada aconteceu e esperava que ficasse por isso mesmo. – Como eu poderia esquecer algo passado por você? – Terminou com uma alfinetada em tom sarcástico.

Quando Grimmjow tentava dizer algo para evitar que o clima ruim se agravasse, foi interrompido pelo som de uma voz grave soando próxima aos três, em tom firme.

— Rukia... Vejo que encontrou companhia – Exclamava Byakuya, uma pontada de inquietação estampada em seu rosto ao olhar para o rapaz de cabelos alaranjados ali presente.

Estivera com Renji nos últimos minutos, entretanto, diante da demora inexplicada da irmã, haviam decidido procurá-la. E parece que aí estava o motivo do sumiço. Vendo-a levantar prontamente, reconheceu que o homem com quem parecia conversar era um dos professores do colégio da irmã, contudo, não se agradou muito por encontra-la acompanhada do Kurosaki também.

— Opa, olá, Grimmy. – Renji cumprimentou casualmente, aproximando-se um pouco mais do grupo.

Byakuya passou os olhos entre os presentes, parando-os sobre Renji, incapaz de compreender a relação entre cada um ali.

— Ah, é um amigo meu, Kuchiki-san. Nos formamos na mesma época – Explicou, sorrindo como de costume – A Rukia é sua aluna? – Dirigiu a pergunta ao professor, recordando o fato de ele trabalhar na mesma escola em que a menina estudava.

— É sim. – Confirmou, sorrindo de maneira profissional para Byakuya. Não esperava que ele e Renji já estivessem no patamar de sair "em família", então ficava contente pela evolução de ambos – Ela e o Kurosaki, aqui, são meus melhores alunos – Comentou, apontando para Ichigo, que perdera a sua chance de se retirar antes da chegada dos demais.

O Kuchiki evitou demonstrar a surpresa com a informação. Era ótimo saber que a irmã se destacava, contudo, não imaginaria que aquele delinquente também estaria no mesmo patamar. Ainda não era o suficiente para reverter seu julgamento negativo, no entanto, admitia que talvez o houvesse avaliado apenas tendo em mente o comportamento daquele pai irresponsável...

Alheio às reflexões do patrão, Renji se surpreendeu bem mais ao ouvir o nome do garoto. Grimmjow já havia lhe contado em detalhes o desfecho do caso na escola; lembrava-se bem de que ele chamara assim o rapaz que o salvara com a gravação.

— Ah, então você é o Kurosaki? – Soltou sem pensar, cumprimentando-o com entusiasmo. – Prazer, garoto. O Grimmy já me falou de você.

— Hn. O prazer é meu... – Respondeu meio automaticamente, os olhos pulando do tatuado para Grimmjow num questionamento mudo. Como assim havia falado dele para alguém?

— Fico satisfeito por saber que Rukia têm atendido às expectativas – O Kuchiki pronunciou-se a seu turno, dirigindo-se à Grimmjow com sua polidez usual.

— Tem tudo pra seguir na engenharia, hein, Rukia! – O Abarai disse com certo orgulho na voz, como se a irmã fosse dele, puxando-a mais para perto e fazendo-lhe um cafuné.

Os olhos acinzentados do empresário observaram a cena com uma felicidade fora do comum. Ainda estava adaptando-se àquela nova realidade, portanto era, de alguma forma, um bocado assustador cogitar qual seria a reação de Rukia às suas escolhas atuais ou como se desenvolveria a relação dos três. Apesar da suposta frieza, importava-se muito com a irmã, e notar que ela e o Abarai já se tratavam como família era um inesperado alívio para as inquietações de antes. Ficaria bem mais tranquilo, de uma forma geral, tendo presságios tão positivos. Mesmo que a garota não aceitasse bem a ideia de sua homossexualidade, supunha que Renji teria presença de espírito suficiente para auxiliá-lo a se resolver com ela.

O tatuado ainda puxou conversa com Grimmjow e Ichigo, comentando sobre as atrações do dia e inserindo, com suas maneiras espirituosas, todos os presentes em um diálogo casual, até que Byakuya decidisse que já era hora de continuarem seu passeio. O moreno despediu-se de Grimmjow, apreciando-lhe os modos educados; e também do Kurosaki, já bem certo de que talvez o rapaz fosse muito mais uma vítima de uma criação inadequada do que um garoto realmente ruim. Parecera comportado, afinal.

O professor, por sua vez, sustentou seu sorriso educado até que se afastassem, retornando à sua postura habitual tão logo ficou a sós com Ichigo.

Grimmjow não tinha paciência, e em geral usava seus modos brutos, mas sabia ser bastante dissimulado quando preciso. Usualmente não teria se esforçado tanto para enganar o empresário tão descaradamente, fazendo-o supor que fosse um homem polido e equilibrado, contudo, o fizera com ótimas intenções, em sua opinião.

Fora rápido em ler a situação e imaginar que o irmão de Rukia não se agradara ao vê-la na presença do Kurosaki, então fizera algo para ajudá-los, criando um clima mais agradável. Sabia bem que Ichigo era um ótimo aluno, esforçado nos estudos, mas não era incomum que pais e professores o julgassem como um delinquente apenas baseados em sua aparência.

— Você falou de mim para aquele cara? – O morango perguntou sem rodeios, a curiosidade mais evidente do que qualquer outra coisa.

— Já tinha contado pra ele dos problemas com aquela menina, então devo ter citado o seu nome quando contei o desfecho – Falou dando de ombros, tentando passar a impressão de ter dito sem notar, omitindo o fato de que levara quase 20 minutos narrando toda a situação com Ichigo e o modo como o tratara mal sem necessidade.

— Sei. Só espero que não tenha falado nada estranho – Disse em tom meio preocupado, constrangido com a possibilidade de os boatos sobre sua suposta paixão pelo professor estarem sendo espalhados por Karakura inteira.

— Relaxa. Não sou tão egocêntrico quanto eu pareço – Retrucou com surpreendente bom humor, aproximando-se mais do garoto – Você já viu a área do Kendo? – Questionou, virando o rosto para o espaço mais próximo de onde estavam, no qual os praticantes do esporte ensinavam ao público suas premissas básicas.

— Não. – Respondeu meio desconfiado.

— Estou indo pra lá agora. Quer vir também? – Convidou, olhando-o de cima abaixo antes de continuar – Duvido que consiga levantar uma espada de verdade, mas aposto que consegue fazer algum movimento legal com as de bambu – Completou, provocando o jovem como era seu costume.

— E você vai andar sozinho comigo? – Perguntou, uma pontada irônica de rancor ainda aparecendo na voz. Grimmjow ganhara uns pontos fazendo aquela média entre ele e o Kuchiki, mas não fora o suficiente pra se redimir por completo.

— Eu já entendi que você não vai se jogar em cima de mim e me chantagear – Retrucou, um pouco emburrado. – Só esquece essa história, pode ser? Estou tentando fazer a minha parte aqui – Adicionou, como se o seu esforço para ficar em bons termos com o garoto houvesse sido descomunal.

Ichigo revirou os olhos, arqueando as sobrancelhas antes de encarar firmemente o semblante cheio de expectativas à sua frente, aguardando uma resposta. Concluiu que o professor era um babaca cabeça-dura, mas certamente não tão ruim quanto parecera na sexta-feira. Talvez estivesse exagerando na chateação graças ao fato de estar mesmo interessado no homem. Era tão confuso ficar com esse tipo de sentimento!

Bom, ninguém ganharia nada mantendo aquele clima de enfrentamento, então talvez valesse mais à pena dar o braço a torcer e, como pensara em fazer inicialmente, aproveitar a possibilidade de iniciar uma amizade com o professor. Não precisava de mais do que isso, afinal.

— Ok, mas aposto o dobro que te daria uma surra fácil, sensei — Provocou, soando bem mais relaxado.

— Ah, vamos ver isso daqui a pouco, moleque.

Por alguns instantes, Grimmjow se preocupara com a possibilidade de continuar com aquela briguinha, vendo o rapaz que o ajudara a salvar sua carreira passar a odiá-lo por culpa de um mal entendido. Entretanto, surpreendeu-as com o alívio que sentiu ao notá-lo relaxar, dando a entender que esqueceria as ofensas gratuitas que recebera. Talvez aquele menino fosse mesmo um tanto maduro, para a sorte do professor, sempre incapaz de reconhecer devidamente os próprios erros e buscar se redimir propriamente, sobretudo quanto a assuntos delicados como aquele.

Até assumira que exagerara na rispidez e descontada suas frustrações no aluno, mas ainda se achava com a razão pelo simples fato de ter certeza que o garoto estava mesmo interessado nele, ainda que não pretendesse expressar.

Mas agora nada disso importava. Estavam resolvidos, e embora também não pretendesse se aproveitar dos sentimentos de Ichigo de qualquer forma, via que o garoto poderia, quem sabe, ser uma boa companhia fora da escola também. Já se davam particularmente bem dentro do colégio, e a diferença entre suas idades não era tão absurda a ponto de parecer estranha uma amizade fora dele.

O que o menino sentia por ele provavelmente não passava de uma mistura de admiração com a recente descoberta de sua sexualidade, então não demoraria a esquecer a paixonite e se interessar por alguém de sua faixa etária. A propósito, se disporia a estar por perto e conversar com ele sobre esse tipo de questão afetiva caso o garoto precisasse. Ele parecia um tipo bem enrustido, e o professor sabia bem como poderia ser problemático lidar com as próprias escolhas nesse quesito. Por experiência própria, teria sempre bons conselhos a dar quando necessário.

Ao menos, eram essas as perspectivas que passavam pela mente do homem de cabelos azuis enquanto caminhava pelo templo ao lado de Ichigo, seguindo para a área de kendo na esperança de que não teria mais esse tipo de dor de cabeça afetiva com nenhum aluno dali em diante.

Notas finais
Link para a música de Mozart: https://www.youtube.com/watch?v=se_Swf7-68M Juban é a peça usada por dentro, abaixo do kimono. A gola do Juban fica aparente. Obi é o "cinto" do kimono, que fica aparente. Haori é a "jaqueta" usada acima do kimono, não só aquelas do uniforme de capitão, mas todas as desse tipo. Haori-himo é o "cinto" do haori. Uma pequena peça usada para mantê-lo fechado. Takoyaki são bolinhos de polvo, bem comuns no japão. Tayaki é um bolo, geralmente em formato de peixe, comumente recheado com uma pasta doce de feijão vermelho. A descrição do templo desse capítulo foi feita tendo como inspiração o templo Tōdai-ji, em Nara. Kyuudo é uma arte marcial, praticada usando o arco japonês, de acordo com códigos morais bastante estritos, envolvendo corpo e mente. Yabusame é um esporte medieval japonês, herdado dos samurais. É uma das artes mais tradicionais, praticamente sacralizada, e seus praticantes utilizam o arco montados em cavalos, devendo acertar três alvos de madeira enquanto o animal corre. Ikebana é a arte de arranjos florais japonesa. Shodô é a arte da caligrafia, uma tradição que exige muita disciplina e costuma ser ensinada como matéria extra nas escolas. Kendo é uma arte marcial japonesa onde os praticantes lutam protegidos por armaduras e usam espadas feitas de bambu. Período Edo (o mesmo que Tokugawa) se deu entre 1603 e 1868, quando o Japão estava sob o xogunato Tokugawa. Ufa... Espero que tenham gostado dessa sequência, e nos vemos no próximo capítulo. Beijão ^^/