Notas iniciais
Olá, amores. Espero que ainda estejam comigo apesar desse hiatus. Como avisei nas respostas aos reviews, eu tive de dar um tempo por motivos pessoais, mas agora quero voltar a postar nas quinzenas. Esse capítulo está enorme (tomara que compense um pouco o atraso), mas não consegui dividi-lo sem atrapalhar o fluxo das ideias. A peça de hoje é The Nutcracker Suite, Op 71a, de Tchaikovsky Links e glossário nas notas finais Muito obrigada a quem segue lendo e me apoiando. Vocês são uns amores, de verdade.

Renji:

Lembra a ideia que eu te falei?

Acho que dá certo nesse domingo

Pode ser?

As mensagens piscavam, insistentes, na tela do smartphone de Grimmjow, aguardando uma resposta enquanto o homem de cabelos azuis, folgadamente sentado em frente a algumas pilhas de papéis desorganizadamente dispostos, entre provas, trabalhos e exercícios a serem corrigidos, tentava lembrar a que diabos o Abarai estaria se referindo.

Girou um pouco a cadeira, deixando que o som das rodinhas arrastadas pela cerâmica do piso ecoasse ao passo que se acomodava melhor em frente à mesa da sala dos professores, os cotovelos sendo apoiados na madeira pesada de modo a afastar alguns dos objetos enquanto ele começava a digitar.

Grimmjow:

Não lembro

O que é?

Renji:

Do torneio de vídeo game

Vai ser aqui em casa

Vc vem?

Grimmjow:

Vou ver

Renji:

O Kuchiki-san vai participar

Grimmjow:

Como assim? Ele sabe jogar?

Renji:

Tá aprendendo

Mas nos de estratégia já tá expert

Grimmjow:

Porra

Isso eu tenho que conferir ao vivo

Pode me confirmar

Renji:

Blz

Depois do almoço só chegar que a gente passa a tarde aqui.

A Rukia disse que ia chamar o Ichigo tbm

Grimmjow:

Vai ser legal com uma turma grande

Mas já vou avisando que não vou pegar leve com teu namoradinho só pq ele é noob

Pode se preparar pra ver ele levar uma surra

Renji:

Vai se foder

Se ficar se achando muito não vai ganhar uma

Que nem daquela vez que jogamos com a nell

Grimmjow:

Não conta

Eu tava bêbado

Renji:

Aham

Sei

Só não vai encher a cara no dia pra ter desculpa quando perder

Grimmjow:

Pode deixar

Vou fazer questão de comer teu rabo e o do teu chefe em todos os jogos pra mostrar quem manda.

Agora tenho que ir pra próxima aula

Até depois

Renji:

Flw

Bom trabalho aí e vê se não falta

Grimmjow:

Como se eu fosse perder isso

Aquilo sim era uma novidade – Pensa va, os lábios repuxando-se em um sorriso largo, os olhos ainda voltados para a tela ao passo que se levantava e começava a juntar as coisas, trancando em gavetas o que só fosse usar mais tarde e passando para a sua maleta as pastas as quais precisaria levar para a próxima turma.

Sempre tiveram mesmo o costume de fazer campeonatos de vídeo game entre o grupo de amigos. Eram situações em que podiam se juntar e jogar conversa fora enquanto se divertiam num ambiente mais descontraído e familiar do que uma festa ou coisa do gênero. Entretanto, quem imaginaria presenciar o grande e intocável Kuchiki Byakuya comparecendo a uma reunião como essa? Ainda mais tendo aprendido a jogar com ninguém menos que o Renji? Parece que a relação dos dois já estava chegando a algum patamar bem inesperado, a ponto de gerar esse tipo de mudança em um cara tão certinho.

Se fosse um pouco mais sentimental, até passaria a dar mais crédito àquela história de que "o amor muda as pessoas" ou sei lá.

Ainda imaginando o evento do final de semana, cumprimentou os outros professores que se encontravam no ambiente, saindo rumo ao corredor onde os alunos perambulavam em seu vai-e-vem costumeiro, tentando aproveitar de alguma maneira os últimos minutos de intervalo antes que o toque do sino os condenasse a voltar para suas respectivas classes.

Após mais alguns passos, topou com o Kurosaki e a Kuchiki, acompanhados pelo resto da turminha com quem costumavam andar pelo Colégio. Cumprimentou-os, dirigindo-se à Ichigo em seguida, falando enquanto caminhavam próximos um ao outro:

— Então, você também vai jogar no final de semana? – Soltou casualmente.

— Na casa do Abarai? – Perguntou, observando-o confirmar com um meneio de cabeça para então prosseguir – Vou sim. A Rukia já me avisou.

— Hn. Estou aqui anotando a quem eu vou ter que ensinar como se joga no dia – Comentava em seu tom debochado, olhando-o de canto – Já a Kuchiki deve jogar melhor que você, então talvez seja até um desafio. – Adicionou em tom mais alto, permitindo que a menina também pudesse ouvi-lo.

— Só se estiver falando de algum jogo controlado pelo ego. Nisso o senhor é o melhor mesmo, eu admito. – O Ruivo rebateu numa risada descontraída.

— Vou te mostrar no dia, moleque. Não é à toa que eu sou o rei nisso.

— Claro. E o que você joga tanto, senhor expert? – Questionou, ainda rindo daquele jeito babaca de se achar sempre o melhor em tudo.

— Gosto mais dos de luta, mas tudo com ação em primeira pessoa também é legal. – Começou, prosseguindo com as descrições de alguns dos títulos de sua preferência e perguntando quais os que o rapaz costumava jogar.

Até estarem frente à sala onde seria a próxima aula do professor, quando tiveram de se separar, os dois mantiveram uma conversa empolgada, discutindo sobre o que era melhor ou pior, além dos argumentos sobre as franquias que mais gostavam ou detestavam. Encontraram vários pontos comuns, mas GTA pareceu a franquia em que as opiniões mais convergiam. Sem dúvida, seria uma ótima escolha para o evento, se não fosse a grande probabilidade de Byakuya acabar meio horrorizado por estar com a irmã no momento. Grimmjow tinha vontade de rir só de imagina-lo nessa situação, a propósito.

Bom, o jeito seria aguardar até o final da semana seguinte para saber no que isso tudo resultaria.

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— Rukia, teria um tempo após o jantar? – A voz de Byakuya ecoou gravemente pelo ambiente, os hashis sendo colocados sobre o descanso – Eu gostaria de uma caminhada. – Continuou, em um convite que deixava poucas brechas para uma resposta negativa. Nada intencional, mas por vezes o empresário simplesmente não podia evitar soar impositivo, sobretudo quando o assunto lhe era importante.

A irmã tinha pleno conhecimento de que perambular pelos jardins, sobretudo nas noites mais frescas, era um hábito seu. Contudo, também tinha ciência de sua preferência por fazê-lo sozinho; não foi sem surpresa que a menina respondeu, engolindo às pressas um pedaço de peixe antes de prosseguir:

— Claro, nii-san. Será um prazer. – Disse finalmente, o bolo de comida descendo a garganta ainda meio atravessado.

Assim que obteve sua resposta, o homem voltou à quietude da refeição. Mergulhou novamente nas reflexões que o mantinham especialmente silencioso naquela noite de dezembro, incomumente quente para o período, em seus quase 20 graus. Observava as tigelas sem verdadeira atenção, os olhos passeando entre a comida e os enfeites cuidadosamente pintados na porcelana, adornando as peças com temas florais extremamente delicados.

Ao deixarem a mesa, poucos minutos depois, os dois caminharam em direção ao jardim dos fundos da propriedade, sempre milimetricamente cultivado de acordo com os rigorosos padrões estéticos do dono da casa. Àquele horário, com a maior parte dos empregados já recolhidos, o silêncio da noite podia predominar, fazendo com que o barulho dos passos de ambos parecesse amplificado em meio à ausência de outros ruídos humanos.

A alguns metros do prédio principal, tinha início um caminho de pedras por entre a grama, formando linhas sinuosas através do terreno de modo a abrir espaço pelas áreas plantadas. A trilha seguia sempre ladeada por cerejeiras, além das chouchins que ficavam acesas após o anoitecer, criando a iluminação mais adequada àquela ambientação bucólica. Finalmente, em dada altura, chegava-se a um pequeno lago interno, sobre o qual uma ponte em estilo tradicional impunha-se, garantindo ao cenário todos os detalhes de uma paisagem oriental.

Embora o caminho de pedras ainda continuasse por um trecho após a ponte, ele aos poucos desaparecia, culminando numa área mais densamente cultivada, onde uma série de flores costumavam exalar seus perfumes, trazendo também aos olhos a beleza viva de suas cores e formas.

Já bastante perto do solstício de inverno, contudo, a beleza do cenário vinha do ar soturno exalado pelas árvores sem folhas, esticando aos céus seus galhos vazios em súplicas mudas pelo fim dos períodos gelados. As estrelas que nem sempre podiam ser vistas em tão grande quantidade no céu da cidade pareciam descobrir ali um recanto aprazível, prontas a despontar somente em meio a um quadro tão singelo.

O Kuchiki prosseguiu quieto durante toda a primeira parte da caminhada, permitindo que os sons de seus passos se misturassem aos de Rukia num ritmo constante, as solas dos calçados de ambos atingindo as pedras bem polidas quase ao mesmo tempo. Ao pararem na ponte de madeira, deixou que as mãos descansassem suavemente em uma das grades laterais, fixando os olhos no movimento da água logo abaixo enquanto convidava a irmã a fazer o mesmo.

Os dois mantiveram-se na muda observação das carpas as quais nadavam em seu movimento fluído, criando ondas na superfície cristalina, até que Byakuya decidisse dar vazão às palavras que guardava há algum tempo, começando por onde lhe pareceu mais adequado ao discurso:

— A qualquer tempo, a atmosfera desse lugar é sempre agradável. – Iniciava, observando os olhos violeta o fitarem com curiosidade.

— Realmente. – A menina concordou, desviando novamente o olhar para o ambiente. – É sempre bonito de um jeito delicado...

— Hisana gostava muito desses jardins – A voz do homem pareceu vacilar por um instante, mas ele prosseguiu – Costumávamos caminhar juntos por aqui também.

A garota o encarou novamente, incapaz de esconder dele a surpresa com o rumo da conversa. Nos últimos anos o homem havia melhorado muito seu estado psicológico quanto à perda da esposa, mas ouvi-lo mencioná-la de tal forma em uma conversa, sem justificação aparente, era uma total novidade.

— Entendo, nii-san —Começou, abaixando o tom, em respeito ao assunto – Eu penso ter lembranças de caminhar com vocês por aqui assim que cheguei.

— Sim. Fizemos isso juntos enquanto ela foi capaz de aguentar. – Os olhos do mais velho agora pareciam de um cinza opaco, fitando o horizonte sem fixar-se a nada.

A ausência de palavras pesou novamente entre os dois, com Rukia tentando compreender o motivo de aquele assunto vir à tona mesmo que o Kuchiki se mostrasse visivelmente desconfortável com o tema. Certamente eram lembranças tristes as que ele estava vislumbrando naquele momento.

Contudo, o mais velho não demorou a falar novamente, ainda voltado para longe, como se falasse consigo mesmo:

— A conheci quando éramos bastante jovens. Eu ainda frequentava a faculdade.

Sem notar, a moça o encarava com certa expectativa, supondo-se prestes a ouvir histórias que sempre quisera conhecer, mas sobre as quais nunca tivera possibilidade de questioná-lo. Tinha cerca de 6 anos quando chegara àquela casa, e a irmã falecera cerca de um ano depois. Nunca houve tempo para perguntar sobre como os dois haviam se casado ou qualquer dúvida do gênero.

— Ela trabalhava em um restaurante do campus – O homem prosseguiu, enchendo a mente da morena com mais informações inéditas. – Nos víamos praticamente todos os dias e por algum feliz acaso passamos a ter contato fora da Universidade também. Creio que foi natural que o amor surgisse. Hisana me encantou desde o princípio.

— Vocês dois deviam ser tão novos... – Os olhos de Rukia brilhavam, imaginando um passado já um tanto distante, onde tudo aquilo ocorrera.

— Certamente. E isso foi um grande empecilho quando nosso relacionamento começou, mas talvez o mais notável deles tenha sido a diferença de classes sociais.

— Com relação à família Kuchiki? – A morena perguntou, arriscando tomar alguma iniciativa maior naquele diálogo.

— Exato. – Confirmou, finalmente virando-se para a moça e despejando com firmeza o restante de seu relato – Nosso namoro prosseguiu ao longo dos anos, apesar da interferência constante de meus familiares. Não aceitei dobrar-me às suas exigências e nem poderiam obrigar-me. – Fez uma pausa momentânea, prosseguindo em tom mais grave – Eu já tinha quase 24 anos quando descobrimos sua doença.

Rukia abaixou o olhar, a expressão tornando-se um tanto mais serena ao lembrar-se dos momentos passados com a irmã. Tiveram pouco tempo juntas, até que ela não resistisse ao caso de Leucemia, a despeito de todas as alternativas de tratamento ministradas até o último instante.

— Eu já desejava me casar, mas até então ela recusara, supondo que deveríamos esperar mais e tentar conseguir aprovação para isso. Contudo, diante de tais perspectivas, planejamos a cerimônia, apesar dos protestos de minha família. – Puxou o ar longamente, soltando-o de maneira cansada antes de continuar – Em resumo, me casei aos 24 anos, contrariando todos à minha volta, mas seguindo o que era a minha vontade. Foi quando ela me falou de você, e pediu que a trouxesse para morar conosco. – Deu um passo à frente, diminuindo o tom antes de terminar em uma pergunta – Já imagina onde quero chegar lhe contando tudo isso?

— Creio que ainda não, Nii-san— A moça respondeu, sinceramente confusa.

— A questão é que eu jamais supus que poderia embarcar em um novo relacionamento – Cerrou levemente os olhos, observando o semblante da garota iluminar-se pela repentina compreensão, tão logo associou-lhe as palavras – Contudo, uma década depois, me surpreendo envolvido com alguém que dessa vez geraria uma reprovação ainda maior por parte de todos com o sobrenome Kuchiki.

— Eu imagino a dificuldade dessa escolha, mas me deixa contente ver que não se prende mais ao passado. Há tempos eu torcia para que fosse feliz. – Ela falava com espontaneidade, soando carinhosa.

— Terei de encarar novamente as consequências de minhas decisões, contudo, precisava cientifica-la antes de qualquer um.

— Fazem muito bem um ao outro, e ele também é um irmão pra mim. Não poderia ter escolhido melhor – Afirmou, encarando a surpresa nos olhos de Byakuya ao aproximar-se mais, dando-se a liberdade de abraça-lo. Estava tão feliz com aquelas últimas palavras, sentindo-se alguém importante para o irmão, que precisou demonstrar com algum gesto.

O moreno limitou-se a permanecer travado nos primeiros momentos do contato, os braços levemente afastados, pairando no ar a espera de um comando por parte do cérebro. Talvez não lembrasse bem como era sentir o carinho do contato familiar...

Não obstante, logo recuperou-se, correspondendo ao gesto com gentileza, aninhando-a no tronco robusto, fechando os olhos com suavidade por alguns segundos. Sentira uma estranha onda de energia trespassar-lhe o corpo, despertando os membros e, em especial, repuxando os cantos dos lábios em um sorriso raro. Afagou os cabelos da garota antes de solta-la, voltando a falar em tom bastante tranquilo, bem mais suave do que o comum:

— É um alento saber que está bem com isso, mas como se deu conta de que eu falava dele?

— Acho que eu consegui captar bem os sinais que me deu trazendo o Renji aqui sempre – Explicou como pôde – E não se preocupe. Estarei torcendo por vocês. – Incentivou-o, os olhos violeta cintilando.

O Kuchiki meneou a cabeça em uma confirmação muda, apoiando novamente as mãos na grade da ponte enquanto mirava o horizonte. Uma lufada do vento noturno pronunciou-se repentinamente, atingindo a ambos com seu frio cortante.

Era quase irônico estar naquela situação após tanto tempo como viúvo, sobretudo considerando a amargura que o abatera nos primeiros anos. Perguntava-se vez ou outra se Hisana o observava de algum lugar. O que pensaria do rumo que dera à sua vida?

Contudo, sobretudo após essa reação de Rukia, estava certo de que a esposa, onde quer que estivesse, o incentivaria.

Ela também não costumava discordar dele em vida, sempre lhe presenteando com seu sorriso delicado, dizendo-lhe que era um homem determinado e, portanto, destinado a conseguir tudo o que desejasse. Sabia, entretanto, que nunca tivera o seu amor, ainda que parecesse aos olhos de qualquer um que os visse juntos na época.

Mesmo quando aceitou sua proposta de casamento, ela admitiu que o queria como companheiro em seus últimos dias, mas não se sentia capaz de amá-lo igualmente. Fora um golpe duro, e talvez o que mais o abatera ao final, tendo em mente que foi incapaz de ver retribuído seu sentimento mais puro até então.

Não obstante, estava agora diante de perspectivas novas, ainda que se recusasse a pensar tão cedo em algo forte como amor...

Novamente, o vento gelado fez-se presente, afastando o homem de suas reflexões ao toca-lo com aspereza. Ainda que a temperatura naquela noite estivesse mais alta do que a média a para a estação, não seria adequado permanecerem no exterior da casa por mais tempo do que aquilo.

— Rukia, – Chamou-a, já girando o tronco, dando os primeiros passos sobre a madeira firme – creio que seja melhor terminarmos nossa caminhada. O clima tende a esfriar mais com o tempo.

— Certo – Assentiu, movendo-se para acompanha-lo – E obrigada por me contar. – Adicionava, bastante feliz com a situação.

O mais velho apenas moveu o rosto em confirmação, prosseguindo lentamente na caminhada de volta a casa. Entretanto, poucos segundos depois, lembrou-se de que ainda tinha mais um comunicado a fazer:

— A propósito – Começou, chamando a atenção da menina – Não relacione isso com o que lhe disse antes, mas a partir de agora encerrarei seu castigo.

— Sério? – Exclamou em tom uma oitava acima do usual, virando-se para ele em um único movimento, pega de surpresa pela notícia. Todavia, foi rápida em corrigir os modos e falar mais polidamente. – Hn, agradeço novamente, nii-san. Continuarei me esforçando nos estudos.

— Você tem me apresentado suas avaliações e recorri também a conversas com seus professores. Sei que terminará o ano com um desempenho excelente. – Começou a explicar-se. Não queria que a garota pensasse que a livrara do castigo por ter sido compreensiva com relação à Renji – Sobretudo, a época dos exames de admissão está bem próxima. Você terá de frequentar cursinhos das matérias que desejar e não é psicologicamente vantajoso estar em uma situação de estresse até as datas das provas. Pretendo relevar seu erro em nome de seu futuro acadêmico, mas não ouse depredar os muros de sua futura faculdade também – Terminou em tom severo, como lhe era característico.

— Obrigada pela confiança. Farei o meu melhor e não pretendo decepcioná-lo novamente. – Exclamou de modo solene, embora estivesse explodindo de felicidade por dentro.

— Conto com isso – Terminou, já abrindo a porta lateral para que entrassem na casa.

Após tirar dos ombros aquela preocupação com relação à irmã, Byakuya pôde deitar-se absolutamente tranquilo. Inclusive, arriscou ligar para o Abarai antes de dormir, coisa que não era exatamente de seu feitio, contando-lhe sobre a conversa que tivera e acerca do fim do castigo de Rukia.

Sentiu-se um tanto bobo ouvindo a voz forte do ruivo ecoar em êxtase pelas notícias, a seguir acompanhando-lhe o discurso empolgado sobre o torneio de jogos eletrônicos que teriam no domingo, concordando em chegar mais cedo para que tivessem algum tempo à sós antes do evento.

Ao desejar-lhe boa noite, o tatuado teve o atrevimento de despedir-se com um brincalhão "Espero que sonhe comigo, Kuchiki-san". Contudo, não poderia negar, talvez isso fosse um sonho realmente agradável de se ter.

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— Nossa, que bom que o seu irmão entendeu e te liberou apesar de tudo – Orihime exclamava com seu semblante gentil, extremamente feliz pela amiga.

— Foi legal da parte dele ter pensado em como eu me sentiria e deixado de lado essa história para que eu pudesse me concentrar no vestibular. Mas e vocês, como estão quanto a isso? – A Kuchiki perguntava, rolando no chão até poder encarar melhor os amigos.

Rukia, Inoue, Sado e Ishida amontoavam-se junto à Ichigo no quarto do garoto, cada um ocupando sem cerimônias o canto que lhe aprouvesse. Há tempos não podiam contar com uma reunião completa do grupo, em virtude das restrições da jovem Kuchiki, entretanto, estavam aproveitando a primeira oportunidade tão logo esta surgiu.

Byakuya havia avisado à menina que desejava ir mais cedo ao apartamento de Renji, perguntando se ela gostaria de sair antes também. Contudo, a moça imaginou que os dois quisessem privacidade nesse período, recusando educadamente o convite ao pedir permissão para ir à casa do Kurosaki naquele domingo de manhã, assim ela e o ruivo poderiam sair juntos mais tarde.

De jeito nenhum ela ficaria de vela para o irmão! – Pensara consigo mesma ao observar que o homem parecia ainda tentar disfarçar que já tivesse algum contato mais carnal com o Abarai. Se ele sonhasse que ela presenciara o começo turbulento daquele relacionamento provavelmente teria uma síncope.

No mais, estava mesmo ansiosa para passar um tempo com os amigos como sempre gostara de fazer. O contato na escola obviamente não era o suficiente, principalmente naquela reta final permeada por tantas preocupações.

Sentada na cama, com o tecido de sua saia longa balançando de cordo como movimento das pernas, Inoue foi a primeira a responder o questionamento da menor, levando uma das mãos ao queixo em um trejeito pensativo enquanto falava:

— Hn... Na verdade eu ainda não pensei o suficiente sobre isso. Acho que eu ficaria feliz se pudesse ser astronauta... Ou boxeadora... Ou então bailarina! – A menina balbuciava diferentes profissões, como se as ideias palpitassem todas ao mesmo tempo e com igual relevância.

— Você não pode ser todas essas coisas, Inoue.– Uryuu a cortou, impaciente como o habitual. – Como assim astronauta?

— Não? – Retrucou, voltando os olhos para o garoto que se mantinha de pé, escorado na escrivaninha acinzentada do Kurosaki – Que pena. Nesse caso acho que eu vou ter que descobrir na hora em que vou passar. Será tipo uma loteria – Deu de ombros, sorrindo novamente em um rompante de entusiasmo – Eu acho que tenho sorte pra jogos. Isso vai ser divertido assim. – Terminou, observando o moreno responder com um revirar de olhos.

— Você continua decidido, né Ichigo? – A Kuchiki indagou, tentando, deitada no chão como ainda se encontrava, encarar o rapaz sentado mais ao meio da cama, as pernas entrecruzadas sobre o móvel.

— Ahan. Faz tempo que estou estudando em casa, mas vou começar um cursinho por agora também – O garoto respondeu, já imaginando as mudanças que teria de fazer na rotina quando as aulas extras tivessem início.

— Quem sabe você e o Uryuu não acabem na mesma turma, hein? – A Kuchiki soltou, voltando os olhos para ambos – Pelo menos poderiam se ajudar.

— Eu não pretendo ter o Kurosaki dependendo de mim. Ele que aprenda por conta própria – O comentário de Ishida saiu agoniado, como se não lhe fosse permitido trabalhar junto ao ruivo em qualquer âmbito.

— Ah, eu não vou precisar de você, nem se preocupe – O morango cortou, iniciando, como de costume, uma pequena discussão com o moreno. Eram amigos extremamente íntimos, mas desde que se conheceram mantinham uma espécie de contenda, sabe-se lá por que.

Quando os ânimos já se alteravam entre os dois rapazes, Sado, até então alheio aos demais, imerso em sua costumeira quietude, interrompeu-os, falando da cadeira onde estava sentado ao contrário, a barriga apoiada no encosto que deveria servir para as costas:

— Eu acho que também vou cursar algo.

Imediatamente, todos os olhos voltaram-se para o garoto, cheios de expectativa diante de suas palavras. Há tempos ele comunicara aos amigos que não pretendia fazer qualquer faculdade, porém, ao que parece, talvez houvesse encontrado algo que o agradasse.

— Whoa, você também, Sado-kun? O que será? – Inoue arguiu, curiosa.

— Pensei em veterinária. Queria algo como o trabalho no pet shop – Falou, referindo-se ao seu emprego de meio período. – Descobri que gosto de animais.

— Que ótimo, Chad! – Ichigo o felicitou, usando o apelido pelo qual gostava de chamá-lo desde que se conheceram – De alguma forma acho que combina mesmo com você – Adicionou, lembrando-se de como o amigo acabara nesse emprego após “resgatar” um pássaro de estimação que a dona do estabelecimento perdera.

— Hn. – O maior limitou-se a responder, voltando à sua calmaria silenciosa.

— Então já temos dois médicos, um veterinário e uma psicóloga! – Inoue afirmou, incluindo na conta a futura profissão escolhida pela Kuchiki – Acho que eu vou ter que escolher algo parecido também... Talvez médica de alienígenas – Balbuciava um tanto para si mesma, em seu peculiar modo de refletir.

— Você não pode se influenciar por ninguém, Orihime. Precisa escolher algo de que goste e que vá se sentir bem exercendo no futuro – A advertência de Uryuu veio acompanhada de certa preocupação pela amiga, embora o rapaz tentasse disfarçar – Nós já estamos na reta final.

— Tem razão. Obrigada! – A garota respondeu com seu sorriso meigo surgindo nos lábios – Acho que a resposta vai surgir quando eu não estiver procurando – Completou, dando de ombros de modo singelo.

Bom, Orihime costumava ser avoada e mesmo um tanto infantil daquele jeito, mas sempre se esforçava e fazia com que as coisas dessem certo ao final, de uma forma ou de outra. Independentemente desses discursos aparentemente jogando tudo ao acaso, os amigos sabiam que ela decidiria as coisas com acerto quando estivesse pronta.

Aos poucos, o grupo foi abandonando os temas delicados ao partir para os passatempos costumeiros, deixando que aquelas primeiras horas da manhã transcorressem da maneira mais divertida possível, em meio às conversas bobas ou discussões dignas de programas de comédia.

As personalidades absolutamente contrastantes formavam um conjunto inusitado, contudo, eram um grupo bem mais unido do que as briguinhas e faíscas poderiam deixar transparecer. Talvez tivessem em comum o fato de, cada um de uma maneira, enfrentarem problemas familiares ou realidades complicadas, seja pela perda de entes queridos ou mesmo as dificuldades de relacionamento dentro de casa. Quando algo não ia bem, era um com o outro que contavam.

No mais, o Kurosaki teve de agradecer ao fato de aquela reunião ter dado certo, caso contrário, provavelmente teria passado todo o tempo nervoso com o programa da tarde, pensando e repensando se deveria mesmo ir. Claro que, pela lógica, não havia nada de mais em um campeonato de vídeo games, entretanto, como explicar ao coração do garoto que não precisava bater tão rápido sempre que pensava no professor?

Era irritante, mas admitia que a ideia de esquecer os sentimentos não estava sendo de tão fácil implementação quanto lhe parecera a princípio. Provavelmente precisava de mais esforço até cristalizar em seu subconsciente que ele e Grimmjow não podiam ter nada além de amizade, porém, de toda forma, ter algumas horas de tranquilidade na presença de seus nakama já o deixara um bocado menos nervoso.

Talvez a ansiedade retornasse mais tarde, quando colocasse os pés para fora de casa, no entanto, estava ótimo até ali.

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Ainda não eram sequer oito horas da manhã enquanto Renji organizava as coisas no apartamento, garantindo que as almofadas estivessem bem colocadas no sofá verde-escuro, a mesinha baixa alinhada ao tapete e nenhum objeto fora do lugar. O cheiro de limpeza invadia as narinas, conseguindo depois de muito esforço com o aspirador de pó, os panos de chão, flanelas e demais instrumento e produtos químicos adequados.

Tudo bem, naquela tarde receberia um grupo grande em casa e teria mesmo de preparar tudo de uma forma ou de outra, entretanto, nunca tivera tamanho zelo com o apartamento quanto o que surgira recentemente, desde que seu chefe passara a visitá-lo.

A propósito, ficara tão assustado quando o convidou pela primeira vez que chegara ao ponto de comprar persianas e enfeites novos, além de fazer uma série de pequenas reformas e ajustes os quais procrastinava há meses, tudo para garantir que o Kuchiki seria recebido por um lugar o mais agradável possível. Embora jamais pudesse chegar aos pés da residência do chefe, uma das mansões mais antigas de Karakura e praticamente um patrimônio histórico ali, pelo menos sentia-se no dever de deixar seu pequeno apartamento com o melhor aspecto que conseguisse.

A verdade é que ganhava muito bem atualmente, ocupando um cargo de alta patente em uma multinacional de destaque, como o, pode-se dizer, “braço direito” do CEO da empresa, junto à Matsumoto. Seria de se esperar que levasse uma vida um tanto mais luxuosa, contudo, havia uma série de fatores impedindo que isso ocorresse.

Para começar, não gostava mesmo de ostentar um estilo de vida caro, nem era dado a esse tipo de coisa. Sentia-se bem em ambientes simples, e provavelmente continuaria assim mesmo que seu pagamento mensal tivesse tantos dígitos quanto o de Byakuya. Ainda que não fosse nenhum franciscano, gastava de acordo com o básico de suas necessidades e isso já lhe satisfazia. Até porque, crescera em um orfanato, privado de qualquer regalia, e aí estava mais um fator a ser ponderado.

Tivera de contrair inúmeras dívidas ao longo da vida, para garantir sua formação, e todas seguiram acumulando juros até que conseguisse começar a pagá-las efetivamente, ao ganhar as primeiras promoções no escritório com o Kuchiki. Além disso, fazia questão de contribuir com doações à instituição onde viveu, ajudando alguns dos que não tiveram tanta sorte quanto ele, e essas coisas consumiam bastante de seu orçamento.

Ainda assim tinha mesmo um bom dinheiro em caixa, que inclusive pretendia começar usando para comprar um carro tão logo fosse possível, mas preferia deixar o restante rendendo no banco para qualquer eventualidade futura. Fazer o quê? Uma vez Abarai Renji, Sempre Abarai Renji. Ao que parece, nunca se acostumaria a qualquer coisa além de sua vida simples.

Terminadas suas reflexões, o ruivo passou os olhos novamente pelo apartamento, revivendo o nervosismo de estar prestes a receber ali o seu amante. Em nenhuma das visitas que fizera, o homem pareceu se importar com a simplicidade do lugar, mas vai saber? Melhor fazer o que conseguisse para agrada-lo, por via das dúvidas.

Andou até a cozinha, alcançando uma panela e enchendo-a com água para que fervesse. Separou ervas de chá verde e pó de café, organizando-os de modo a preparar ambas as opções. Os dedos seguiam de objeto a objeto, já alinhando xícaras e pires, tudo pronto para servir duas pessoas.

Na noite anterior, o patrão o informara de que Rukia pretendia sair pela manhã, portanto a deixaria e seguiria para o apartamento por volta das nove horas. Conhecendo sua pontualidade, isso provavelmente significava 8h50min, tal qual os 10 minutos de antecedência quando se vai embarcar em um voo.

Pensando nisso, ficara extremamente feliz com a notícia de que a menina estava livre do castigo. Que bom que o Kuchiki tivera a sensibilidade de perdoá-la pelo menos para que ficasse mais tranquila nessa época de vestibulares. Assim seria mesmo bem melhor para ela.

Preparativos prontos, o tatuado certificou-se de fechar bem as garrafas térmicas, deixando-as sobre a mesa junto a alguns tipos de biscoitos salgados e doces para um lanche. Olhou novamente a hora no relógio da cozinha, constatando que ainda tinha uns 40 minutos para estar arrumado. Sendo assim, rumou para o quarto, pegando uma toalha e dirigindo-se até o banheiro sem pressa alguma.

Aproveitou bem o banho calmo, demorando-se enquanto tentava relaxar antes que Byakuya chegasse. Andava feito um adolescente nos últimos tempos, o coração batendo acelerado só por estarem a sós fora do trabalho. Era sem sucesso que tentava não agir feito bobo em frente a ele, mas parece que alguma circunstância sempre surgia para fazê-lo gaguejar, se exaltar ou agir estranhamente graças ao nervosismo...

Finalmente, após sair da banheira, secou-se e enrolou na cintura a toalha branca, começando a caminhar pelo quarto com a intenção de abrir o armário em busca de algo adequado ara vestir. Contudo, foi interrompido pelo inesperado som da campainha, soando em seu habitual e estridente zunido.

Num sobressalto, virou o corpo para a escrivaninha, alcançando o celular jogado por ali e descobrindo que já eram, exatamente, 8h50min. As sobrancelhas ergueram-se, acompanhando os olhos arregalados em direção à tela. Não tinha passado esse tempo todo, então como diabos já estava tão tarde? – Perguntava-se, constatando que o relógio da cozinha provavelmente estava atrasado. Hesitou por um instante, ponderando entre ir abrir a porta como estava ou fazer o Kuchiki esperar até que se vestisse.

Considerando a primeira opção melhor, passou os dedos entre os fios dos cabelos ainda molhados arrumando-os tanto quanto possível durante o trajeto até a sala. Prendeu melhor a toalha, respirando fundo antes de abrir a porta com um sorriso amarelo, tentando agir naturalmente.

— Bom dia, Kuchiki-san – Cumprimentara, convidando-o para entrar.

— Bom dia, Renji – Respondeu, os alhos azul-acinzentados fixando-se no corpo à sua frente, passeando involuntariamente pelos músculos bem desenvolvidos e marcados pela tinta preta das tatuagens. – Cheguei cedo demais? – Questionou, receando que houvesse calculado mal o tempo.

— De jeito nenhum! – Refutou com certa intensidade. Já tinha começado passando uma impressão errada... – Eu acho que não vi a hora direito antes de ir pro banho.

— Entendo – Byakuya retrucou enquanto tirava os sapatos no gekan. Imediatamente, cogitara a hipótese de aquela aparição usando nada mais que uma toalha ter sido intencional, mas ao que parece a malícia estava em seus próprios olhos.

— Hn, desculpe por isso – Comentou meio sem graça, ajudando o visitante a retirar o casaco pesado, de modo a pendurá-lo no cabideiro ali perto, junto a um pequeno armário de sapatos.

— Não achei ruim, fique à vontade – Replicou automaticamente, só então se dando conta de que sua frase poderia dar margem a alguma interpretação de cunho sexual – Aguardarei até que se vista, deve estar com frio – Emendou, referindo-se ao clima gelado de dezembro.

— Certo. Obrigado – Soltou com um sorriso bobo, trancando a porta e acompanhando-o até o sofá – Volto daqui a pouco – Adicionou, depositando-lhe um beijo na boca antes de retirar-se.

Sozinho, o moreno manteve-se sentado, ainda com a sensação dos lábios do ruivo sobre os seus.

Passeava lentamente os olhos pelo ambiente, atentando-se aos detalhes da decoração, a disposição dos móveis... Inclusive, surpreendera-se com o fato de o Abarai manter o apartamento sempre tão perfeitamente arrumado, já que, sabe-se lá por qual motivo, sentia que alguma dose de desordem combinaria mais com sua personalidade.

Sob um aparador de madeira da cor da mesa de centro, tangente ao jogo de sofás, notou alguns porta-retratos, dispostos junto à duas estatuetas que enfeitavam o móvel, uma no formato de um babuíno e a outra de uma serpente. Levantando-se, aproximou-se até poder observar melhor as fotos, a maioria mostrando um Renji um pouco mais jovem, na época da faculdade.

Duas das imagens, entretanto, chamaram-lhe mais a atenção. Em ambas, o ruivo aparecia acompanhado por Grimmjow, sendo que na primeira, numa moldura exclusiva, os dois apareciam no plano de frente, com os cabelos cobertos por presilhas e enfeites femininos. Sorriam de maneira descontraída, sentados lado-a-lado em uma cama enquanto Matsumoto aparecia ao fundo da cena, segurando um secador de cabelos.

Já a segunda imagem encontrava-se junto a outras duas fotos em um porta-retratos de três lugares. Nela estavam somente os dois homens, dividindo um mesmo milk-shake, cada um com um canudo.

Notara também fotos em que ele mesmo aparecia, sobretudo tiradas em eventos, como quando recebera, junto ao Abarai, um prêmio por uma obra, no ano anterior. Todavia, sentira uma pontada estranha ao vislumbrar a intimidade revelada pelas fotos com o professor de Rukia. Não supunha que Renji teria algo com aquele homem no momento, contudo, pôs-se a imaginar se já houvera entre eles algo além da amizade.

Voltou ao seu lugar no sofá, disfarçando o incômodo antes que seu anfitrião retornasse.

Aparentemente, estava tendo o primeiro rompante de ciúmes com relação ao Abarai o que era ao mesmo tempo estranho e irritante. Sempre detestara emoções tão irracionais, portanto, buscou afastar dos pensamentos as ideias sobre a intimidade prévia do amante. O que quer que ele tenha feito no passado, não lhe dizia respeito.

A despeito de seu começo incomum, a manhã seguiu muito bem para os dois; assim que o dono da casa retornou, puderam conversar e comer até que decidissem ligar o videogame, já que Byakuya ainda precisaria aprender alguns pontos básicos sobre determinados tipos de jogo. Os dois vinham aproveitando esse passatempo nos últimos encontros, com o Kuchiki bem mais interessado do que Renji estivera com o Shodo.

Provavelmente ele nunca empenharia seu tempo nessa atividade caso estivesse sozinho em casa, não obstante, realmente divertia-se fazendo-o junto ao tatuado. Era interessante observar o quão competitivo ele podia ser, além do jeito brincalhão, sempre com alguma piada sobre o que se passava na tela.

Ainda que jamais se tornasse um amante desse tipo de tecnologia, Byakuya até arriscaria dizer que gostava. Sobretudo, os jogos que possuíam puzzles complicados e sequências lógicas a serem seguidas eram os que mais o agradavam.

— Nossa! Eu estava há umas três semanas nesse nível! – O Abarai comentava, surpreso com a facilidade com a qual o empresário acabara de descobrir a sequência lógica a ser seguida em uma das fases do título que escolhera – O senhor é mesmo ótimo nisso.

— Imagino... – Soltou, observando o personagem mover-se na tela. – Mas era você quem estava com o controle, eu só lhe disse qual padrão adotar.

— Eu já tinha tentado essa parte várias vezes antes, mas você só olhou e soube o que fazer! A gente devia jogar em dupla mais tarde. Nós dois ficaríamos ótimos juntos – Sugeria, empolgado – Eu faço o manual e o senhor cuida do que exigir inteligência. – Completava em uma risada.

— Bom, creio que você fez um excelente trabalho me ensinando. Veremos como será meu desempenho mais tarde – Observou, ajeitando-se melhor no sofá onde estava

Tendo o ruivo sentado no chão, à sua frente, seguia observando-o enquanto jogavam, os cabelos longos presos em um rabo de cavalo um tanto torto, no alto da cabeça. Apesar de gostar daquele visual, talvez preferisse as raras ocasiões em que o via com os fios soltos, caindo sobre o corpo até a cintura.

— Tudo bem, Kuchiki-san? – O mais novo perguntou, ciente da observação mais atenta que o comum por parte do outro.

— Sim – A resposta veio monossilábica, não sem alguma dose de constrangimento.

O Abarai girou um pouco o tronco, direcionando os olhos ao outro em um questionamento mudo, tentando confirmar se nada ocorrera. Diante disso, o empresário adicionou:

— Só notei que seus cabelos tem uma bela cor.

A reação do anfitrião ao comentário foi um rubor instantâneo, numa mescla de contentamento e uma espécie de vaidade infantil. De certa forma, aquele era o primeiro elogio que o Kuchiki fazia à sua aparência, e ainda que parecessem insignificantes, essas pequenas coisas sempre o marcavam bastante.

— Fico feliz que goste – Soltou, largando o controle e levantando-se sem sequer preocupar-se em pausar o jogo – Os seus também são lindos – Completou, virando-se de frente para o outro e esticando os braços até cruzá-los ao redor de seu pescoço, as mãos deslizando pelos fios negros.

— Obrigado – Sussurrou, observando o outro abaixar-se a sua frente até que os rostos estivessem bem próximos.

Sem mais delongas, o Abarai capturou os lábios alheios, explorando-os com suavidade enquanto o mais velho também deixava-se levar, retribuindo-lhe ao passo que o alcançava com os braços, puxando-o delicadamente para si. Aos poucos, a intensidade foi aumentando, até que as línguas já se tocassem com furor, num beijo repleto de paixão. O moreno afastou o tronco, encostando-se à parte detrás do sofá e trazendo o companheiro consigo sem que cessassem o contato. Deslizava as mãos ao longo de sua coluna, sentindo-o sob o tecido da camisa de mangas longas, que ainda o impedia de ter acesso direto à pele bronzeada.

O tatuado logo dobrava os joelhos, posicionando-os em volta do amante, quase sentando-se em seu colo. Passava os dedos por seu pescoço e ombros durante os beijos, os olhos fechados enquanto o corpo cobria-se de arrepios a cada movimento.

Não foi preciso muito tempo para que acabassem ambos deitados sobre o móvel, prosseguindo com toques bem mais ousados que o comum até então. O ruivo arfava sobre o parceiro, uma das pernas entre as do Kuchiki, apertando sem pudor o corpo macio, as coxas, a lateral do tronco... Avançava soltando-lhe os primeiros botões da camisa social alcançando-o com a boca e causando arrepios perceptíveis através do contato.

Byakuya tentava evitar perder-se demais, buscando fixar-se a qualquer ponto do ambiente ou apegar-se a algum pensamento em específico. Entretanto, os esforços rendiam poucos frutos diante daquela explosão de libido. O cérebro parecia lentamente perder as funções normais, incapaz de enxergar nada além do homem diante de si.

Desistindo da resistência, levou uma das mãos até o elástico que prendia os cabelos do outro, soltando-os numa enxurrada escarlate. Sentia os lábios alheios repuxarem-se em um sorriso diante do gesto, movidos contra seu pescoço antes que o amante voltasse a sugar-lhe a pele, agora com mais intensidade.

Ao travar a mandíbula, Byakuya evitou que um gemido alto escapasse, contudo, o comportamento alheio era o inverso. Renji parecia fazer questão de arfar e gemer em sua voz rouca, de um jeito que certamente excitaria qualquer ser humano que o ouvisse.

Os dedos do Kuchiki embrenharam-se entre os fios ruivos, sentindo a textura conforme levava a outra mão às suas costas, descendo-a até sentir os músculos da parte detrás da coxa. Girou o pulso, passando-o para frente e subindo até a barriga, afastando as vestes de modo a alcançar o corpo sem obstáculos.

Não deixava de ser surpreendente sentir-se tão arrebatado por outro homem. Talvez fosse essa a realidade que, em verdade, se adequava melhor à ele, entretanto, era fato que Renji, especificamente, o excitava mais do que qualquer pessoa seria capaz. Ele o fazia perder a razão de diversas formas, e não só quanto à primeira noite que tiveram, mas agora de uma forma geral. Conforme ganhavam intimidade no relacionamento, tornava-se mais difícil não deseja-lo cada vez mais.

Quando o Abarai subiu o rosto para mais um beijo profundo, sentiu a perna do amante dobrar-se um bocado entra as suas, até que uma ficção em sua virilha tivesse início. Respondeu ao gesto mordendo-lhe o lábio inferior, os quadris sendo movidos contra o homem, com a gravidade a seu favor.

Tudo com ele era tão perfeitamente delicioso que poderia mesmo perder-se naquelas sensações. Cada movimento parecia despertar-lhe uma infinidade de desejos, incendiando o corpo num piscar de olhos. É isso o que acontece quando estamos com alguém que amamos muito? – Perguntava-se, mirando o azul profundo dos olhos alheios antes de levar o rosto ao seu peitoral. Sentindo o cheiro que se desprendia da pele alva, levou a boca a um dos mamilos do moreno, sugando-o sem muita força, testando-lhe a sensibilidade. Como resposta, sentiu um tremor apossar-se do outro de imediato, denunciando o prazer que a exploração proporcionava.

Contrastando com o frio da data, os dois corpos seguiam totalmente quentes, assistidos em seu frenesi pelos personagens do jogo, deixados de lado algum tempo antes.

Renji já estava quase tendo uma ereção só por ter a coxa do Kuchiki roçando em seu membro com tanta insistência, além disso, considerando os gemidos que agora escutava saindo dos lábios finos do companheiro, seria difícil dizer até que ponto teriam ido naqueles “amassos” se algum filho da puta não houvesse ligado para Byakuya.

O som discreto, que sabia ser o toque de seu número profissional, ecoou pelo ambiente por alguns segundos, puxando o dono do aparelho de volta para a realidade e obrigando-o a afastar-se um pouco do ruivo, retirando o aparelho de um dos bolsos da calça social enquanto buscava regular a respiração até que pudesse atendê-lo.

Quem diabos fazia ligações profissionais num domingo de manhã? – O funcionário perguntava a si mesmo, levantando de cima do outro e sentando-se meio de lado, ainda com as pernas sobre o sofá.

Já recuperado, o moreno respondia à pessoa do outro lado da linha, tratando sobre algo que parecia ter relação com um compromisso ao final daquele mês. O telefonema não tomou-lhe mais de cinco minutos, contudo, já fora o suficiente para que todo aquele fogo dos dois se acalmasse um bocado.

Resignado, Renji apoiou as costas no recosto do sofá, passando os braços em volta dos ombros do outro e aproximando-se novamente enquanto o observava guardando o smartphone.

— Era o Urahara – O mais velho informou, referindo-se ao CTO da empresa e um dos sócios com maior quantidade de ações.

— Aconteceu algum problema? – Perguntou, já se preocupando com a possibilidade de qualquer coisa grave.

— Não. Na verdade era uma ligação pessoal, apesar de ele ter usado o meu número do trabalho – Tranquilizou-o – Queria fazer um convite para a festa de aniversário dele e da Yoruichi na virada do ano. Imagino que vá te ligar ainda hoje também.

— Ah, entendo – Soltou, amaldiçoando o Gerente de tecnologia pelo péssimo timing.

— Me programarei quanto a isso posteriormente – Adicionou, dando-se a liberdade de aconchegar-se melhor junto ao corpo do companheiro. Apesar da interrupção, ainda mantinha a parcela de desinibição gerada pela movimentação de antes. – Mas quanto ao jogo, creio que terá de refazer aquela fase – Observou, indicando a tela de Game Over que brilhava após tanto tempo com o aparelho parado.

— Espero que eu tenha decorado sua solução – Comentou numa risada, pegando novamente o joystick.

Agora mais próximos do que antes, intercalando as ações com beijos ou carícias suaves, prosseguiram com o “curso de vídeo game” de Renji, aproveitando a proximidade por mais um tempinho até que decidissem ir preparar juntos o almoço. Byakuya prometera ensiná-lo o passo-a-passo de algum prato gourmet, então puderam divertir-se com isso, desfrutando da companhia um do outro durante a refeição.

Certamente o Kuchiki não agiria de maneira tão descontraída na presença dos demais, então fora maravilhoso poderem aproveitar aquela manhã juntos. De diferentes formas, estavam mesmo criando memórias maravilhosas a cada dia.

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— Eu não acredito que vocês só conseguem fazer isso! – A voz de Grimmjow ecoava empolgadamente pela sala do apartamento de Renji, agora abarrotado de pessoas e jogos da mais variada sorte, num emaranhado de fios e vozes misturando-se.

Como de costume nesses “eventos”, os convidados que se dispusessem traziam jogos, ou mesmo consoles quando houvesse televisões suficientes na casa do anfitrião, de modo a aumentar a variedade. Da mesma forma, cada um contribuía com comidas e bebidas, além de jogos de tabuleiro ou baralhos para entreter quem estive esperando sua vez nos rodízios.

Naquele momento, a disputa acontecia com o conhecido jogo de luta Mortal Kombat, em partidas um contra um onde quem vencesse permanecia jogando enquanto o perdedor deveria ceder o lugar ao próximo da fila.

A questão é que o professor de matemática permanecia invicto a exatas sete rodadas, desde a sua primeira partida. Mesmo após enfrentar competidores que considerava em seu nível, como o Abarai e o Madarame, seguia reinando na categoria. Obviamente, não era o tipo que ganhava em silêncio, portanto, já há umas três rodadas vangloriava-se de seu feito.

— Deixa só eu pegar esse controle de novo pra te mostrar quem faz o quê! – Ikkaku ameaçava, observando enquanto o homem de cabelos azuis jogava sua oitava partida, agora contra Rukia – Você fica apelando com o Scorpion e acha que joga! Uma porra!

Renji, em uma partida de poker com Byakuya, Matsumoto e Hisagi, levantou o olhar em direção à tela, torcendo para que a menina conseguisse uma vitória. Inclusive, estava aguardando que qualquer pessoa ganhasse, pois não sabia por quanto tempo aguentaria ouvir Grimmjow se vangloriando sobre ser o rei dos vídeo games.

Entretanto, já estavam sem opções. O último da fila seria o Kurosaki, e duvidava que ele tivesse alguma chance. O jeito seria se conformar com a vitória do Jaegerjaquez.

— Ichigo! – A Kuchiki chamou após terminar a partida, num tom um bocado teatral – Eu perdi, então você é nossa última esperança! Seja firme e lute! – Adicionava em tom mais alto, fechando o punho e levantando-o num gesto de incentivo.

— Você está assistindo animê demais, Rukia. – O rapaz soltou com as sobrancelhas franzidas, ignorando toda a encenação enquanto sentava-se ao lado do sensei.

— Pronto pra perder? – O mais velho questionou, apertando os botões enquanto selecionavam seus personagens.

— Você está? – A réplica veio rápida, acompanhada por um sorriso.

— Vou até te dar uma colher de chá, Ichigo. Vou ficar de costas pra tela igual eu fiz com o Shuuhei, pode ser?

— Só se quiser fazer isso pra ter uma desculpa quando perder – Retrucou, revirando os olhos ao lembrar-se de como o homem ficara de costas durante todo o jogo contra o moreno e ainda assim conseguira uma vitória.

— Não conta, Grimmjow – Hisagi manifestou-se de onde estava sentado, alteando a voz de modo a fazer-se ouvir – Já disse que eu não sei jogar nada de luta. Isso não te faz um jogador excepcional.

— Aposto que o Kurosaki está no mesmo nível que você. – Provocou, encarando o garoto antes de confirmar a seleção – E ainda por cima vai jogar com a Sonya. Devia pelo menos escolher o Sub-zero pra ter mais chance – Avisou, observando a tela de carregamento do jogo surgir após as confirmações.

O ruivo revirou os olhos em resposta, sobretudo quando os personagens apareceram na tela e o professor realmente deu as costas para a mesma, segurando o controle e olhando, do ponto em que estava sentado no chão, para os que seguiam no poker, instalados em volta da mesa de centro que fora um pouco afastada.

Tendo em mente que cada personagem aparece de um lado da tela ao começo, não era exatamente difícil para ele executar as sequências de comandos mesmo sem enxergar a televisão. Desde que mirasse os ataques para frente poderia guiar-se pelo som e garantir que os golpes tivessem êxito, como fizera mais cedo com Shuuhei. Contudo, as coisas não saíram exatamente como o homem de cabelos azuis esperava:

Assim que a partida teve início, Ichigo tomou o cuidado de levar seu personagem para o lado oposto, sem dar tempo para que o professor começasse a atacar. Os dedos moveram-se rapidamente, com a prática de quem tinha decoradas todas as sequencias de fatalitys possíveis e algumas das impossíveis. Era uma das franquias que mais gostava, além de sempre acabar obrigado a ser o parceiro de Karin por horas a fio quando ela queria jogar. Prática não lhe faltava, isso era certo.

A seu turno, Grimmjow hesitava entre continuar tentando às cegas ou virar-se para a tela. Não podia dar o braço a torcer depois de ter feito tanto estardalhaço então acabou prosseguindo por mais alguns segundos naquela situação, ainda que estivesse sentindo a dificuldade. Naturalmente o resultado foi o primeiro round, a favor de Ichigo.

Tão logo a vitória foi contabilizada a primeira vitória, a plateia inteira pareceu manifestar-se. Sobretudo, as vozes de Renji, Ikkaku e Matsumoto destacavam-se, em comentários zombeteiros sobre como aquilo fora merecido, além de incentivos para que o Kurosaki conseguisse vencer mais na sequência.

— Ah, parece que o nosso garoto aprendeu uma lição sobre subestimar as pessoas – Rangiku soltava, observando-o voltar-se para a tela com a expressão fechada.

— É isso aí, Ichigo! – O Abarai estimulou – Acaba com ele!

— Ok, ele é melhor do que eu esperava – Grimmjow admitiu, abrindo um sorriso largo ainda que as sobrancelhas prosseguissem franzidas. – Mas vai perder daqui a pouco – Proferiu o ultimato, encarando o morango de soslaio.

Todavia, o que veio a seguir, ainda que o homem mantivesse os olhos fixos na tela, foi mais uma derrota, contrariando suas palavras. Com alguma dificuldade, o ruivo foi capaz de vencer, ainda que a barra de vida de sua personagem tenha terminado quase zerada também.

Em instantes, a “torcida” do garoto vibrava, numa comemoração legítima diante da vitória contra um Grimmjow absolutamente contrariado, largando o controle no chão com sua expressão irritada. Matsumoto chegou a propor um brinde em homenagem a Ichigo, obviamente, substituindo o álcool por refrigerante no copo que entregara a ele.

As vozes soavam todas juntas, criando um clima de furor no apartamento. O professor de matemática defendia-se como podia, alegando que a derrota fora causada por sua brincadeira no começo e somente uma revanche poderia decidir o caso. Entretanto, daquela vez, seria o alvo das piadinhas durante o evento e, ironicamente, a culpa era toda do Kurosaki.

— Você foi o herói hoje, Ichigo! – Renji exclamava, o jogo de cartas pausado no meio da rodada em virtude dos acontecimentos ­– Ganhou meu respeito, hein? Não é sempre que a gente consegue forçar o Grimmy a baixar a bola. – Soltou, direcionando em seguida uma careta jocosa ao amigo de cabelos azuis.

— Vão se foder vocês todos. – O professor vociferou em resposta, já sentado no sofá, ostentando uma carranca de desagrado ao passo que o morango prosseguia com o jogo, agora enfrentando Yumichika – Não é porque o Kurosaki ganhou que vocês não perderam.

— Vamos, Grimmjow, desista – Ise falava em tom calmo, vinda da cozinha com mais algumas cervejas nas mãos – Conforme-se por ter perdido a moral e desfaça essa cara feia. – Concluiu, estendendo-lhe uma das latas de Asahi.

Sem muitas opções além de obedecê-la, o homem tentou continuar como se aquele incidente não existisse, juntando-se à mulher em uma partida de Koi-koi. Já estando tão próximos do final do ano, Hinamori decidira trazer um hanafuda para que jogassem, além do típico baralho ocidental.

Não era tão bom com aquela versão japonesa das cartas, mas logo foi o suficiente para que se distraísse e voltasse a interagir normalmente com os demais. Até porque, uma derrota provavelmente não lhe tiraria o troféu de melhor jogador do dia. Mais cedo ou mais tarde, conseguiria uma revanche com o Kurosaki para “lavar a honra”, e talvez assim fosse até melhor. As coisas tem bem menos graça quando são fáceis demais, afinal.

Notas finais
Chouchins são as lanternas de papel japonesas. Os cursinhos no Japão são conhecidos como jukus. Podem ser de revisão ou avanço e é comum os alunos começarem ainda durante o período escolar, para que se preparem para os exames de admissão das faculdades. Nakama tem um significado parecido com amigo, mas pode se traduzida como o "grupo de companheiros" Nos cartões de embarque dos voos japoneses a indicação é que se chegue com 10 minutos de antecedência, e eles são bastante pontuais com isso. Esse temo é o suficiente para um embarque super organizado. gekan é o espaço das casas japonesas onde se pode retirar os sapatos CTO - Chief technology Officer. O gerente de Tecnologia de uma multinacional. Scorpion, Sub-zero e Sonya são personagens do jogo Mortal Kombat, sendo que os dois primeiros são "rivais" dentro da franquia. Asahi é uma marca de cerveja japonesa Hanafuda é um baralho japonês parecido com o ocidental, mas cujas cartas só possuem imagens, princialmente relacionadas à natureza às estações. Koi-koi é um dos jogos possíveis com ele, de lógica análoga ao truco. Link para versão completa de Nutcracker: https://www.youtube.com/watch?v=M8J8urC_8Jw E a versão do filme Fantasia da Disney para quem quiser, porque é muito amorzinho: https://www.youtube.com/watch?v=LxBJYSU3RJ8 A partir daqui espero conseguir colocar essa história nos eixos do meu planejamento original, então farei o melhor para regular as postagens e deixar que tudo termine com a maior qualidade e no menor número de capítulos possível. Prometo que vou maneirar no tamanho. Beijão!