Auribus teneo lupum
15 Danse Chinoise
Notas iniciais
— Esses caras tinham que nascer no mesmo mês? Meu bolso ainda nem se recuperou do presente do Ichigo! – Ikakku reclamava, atravessando a cozinha do apartamento em direção ao fogão – ‘Cê vai dar o quê, Yumichika? – Questionava, acendendo uma das bocas do aparelho à sua frente e iniciando a preparação do café-da-manhã.
— Estou pensando em levar só a minha presença memorável. Eu nunca acerto os presentes para o Grimmjow, mesmo. – Ayasegawa soltou enquanto retirava da cafeteira o café pronto, servindo uma xícara para si e outra para o seu colega de apartamento.
— E sua presença está valendo isso tudo agora? – Retrucou numa risada, movendo-se um pouco de modo a evitar que o óleo respingando dos ovos colocados na frigideira o atingisse.
— Sempre valeu – A resposta veio rápida, acompanhada por um sorriso enquanto o moreno passeava uma das mãos pelos cabelos lisos. – E você está indo para a Gotei agora de manhã? – Perguntou, sentando-se diante da mesa de madeira separada por um balcão da área onde ficavam o forno e outros eletrodomésticos, dois pratos com torradas já dispostos à sua frente, aguardando seu recheio ficar pronto.
— Aham. O chefe disse que tinha algo pra mim agora. Mas assim que terminar de resolver as coisas eu vou descer pra ir atrás desse presente. Dia 31 está aí, né?
— Entendi. Se precisar de mim pra alguma coisa avise. Estou de folga hoje.
— Valeu, mas não deve ser nada demais. Teve muita coisa nessas últimas semanas, então acho que estamos na calmaria agora – Agradeceu, levando a panela até a mesa e depositando os ovos sobre as torradas.
Apesar da preocupação inicial, Ayasegawa aos poucos também se envolvera mais com os novos "trabalhos" do Madarame e, sobretudo, costumava disponibilizar-se para resgatá-lo quando necessário. Briguinhas e discussões infantis à parte, os dois sempre se deram muito bem, um dos motivos pelos quais se mantiveram dividindo o apartamento mesmo após terminarem as respectivas faculdades. Sabiam que poderiam contar um com o outro para tudo, e não se encontram amigos assim em qualquer lugar.
Ainda que as coisas estivessem relativamente calmas, o envolvimento com um sindicato yakuza não poderia estar livre de riscos. Ikkaku não tinha parentes próximos ou familiares com os quais preocupar-se em cortar laços por motivos de segurança, entretanto, seus amigos mais íntimos eram como uma família e, em especial, seu colega de apartamento perdera algumas noites de sono preocupando-se com seu bem-estar.
Em partes, Yumichika sentira-se melhor após conhecer o Shateigashira do Dojin-kai, de uma firmeza e estilo tão marcantes que o fizeram entender o porquê de o amigo ter-se disposto a segui-lo ao integrar a organização. Não imaginava que o sindicato pudesse perder para qualquer um da região tendo aquele homem como líder, e isso era de algum alívio. No mais, seguiria observando as coisas de perto e auxiliando onde lhe fosse possível. Não se pode voltar atrás após jurar lealdade, portanto só restava aos amigos darem suporte à Ikkaku em sua escolha.
Nas atividades daquele dia, entretanto, Madarame talvez descobrisse que ainda não passara pelas situações mais problemáticas que sua atividade poderia proporcionar.
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Pouco antes das 10h00min da manhã, Ikkaku estacionava a Yamaha MT 09 em frente ao prédio da Gotei, a tinta desgastada e as janelas envelhecidas da fachada soando um pouco menos intimidadoras sob a luz do sol.
Após os degraus da entrada, surgia um hall que dava acesso ao salão, onde um longo balcão criava o espaço de recepção para que os clientes adquirissem as entradas nos dias de festa ou pagassem suas comandas antes de deixar o estabelecimento.
A decoração seguia padrões de cores escuras, com sofás de estofados em preto azulado dispostos ao redor de uma pista de dança. Mais atrás, encontrava-se um conjunto de mesas e cadeiras voltadas para um palco alongado, equipado com canos de pole dance. As luzes coloridas, as quais costumavam iluminar os corpos que percorriam o local, seguiam ainda apagadas àquele horário, tornando o ambiente incomumente calmo.
Madarame seguiu direto através dos espaços, dirigindo-se à porta discretamente posicionada detrás do palco, encimada por ululantes cortinas avermelhadas e constantemente protegida por pelo menos dois vigilantes.
Cumprimentou os homens como usual, conversando rapidamente antes de atravessar a saleta pouco mobiliada. Dentro do cômodo via-se não mais do que dois sofás longos e um abajur, dividindo espaço com três portas. Uma delas era utilizada pelos funcionários, levando até uma cozinha que supria todo o estabelecimento. A segunda levava à um camarim repleto de adereços e espaços para trocas de roupa, necessários às apresentações feitas no palco, enquanto a terceira porta, finalmente, dava acesso às edificações utilizadas como uma espécie de sede de operações do Dojin-kai, ocupando, inclusive, a maior parcela do terreno.
— Ikkaku, seu merda. Está achando que o chefe tem tempo pra te esperar dar esse cu a manhã inteira? Sabe que horas são? – Bradava Kaede, membro do grupo e a responsável por "supervisionar" o novato em seus primeiros meses.
— Cê me mandou chegar às dez horas, porra. Eu nem me atrasei! – O homem se justificava, encarando o semblante furioso da mulher trans de pavio curto, mas muita eficiência.
— Não interessa. Vai logo pra sala que a menina está chegando. – Ordenava, empurrando-o em direção ao cômodo onde o chefe se encontrava.
— Que menina? – Perguntou confuso, andando de costas enquanto tentava obter alguma explicação acerca da situação.
— O chefe te explica. Só adianto que tu se fodeu – Comentou com um sorriso, batendo rapidamente na porta antes de abri-la para o homem.
Lá dentro, foi recebido pelas paredes do cômodo em estilo japonês tradicional onde uma mesa baixa, ao centro, chamava a atenção dos olhos, acompanhada por uma escrivaninha, um sofá longo em uma das laterais e duas estantes dispostas ao fundo, forradas por uns poucos livros e uma série de espadas e demais armas brancas, em diferentes tamanhos e estilos.
Sentado diante da escrivaninha, o shateigashira do Dojin-kai separava uma pilha de blocos de notas de 10.000 ienes, distribuindo-os entre maletas de metal, pastas e bolsas, conforme o destino que pretendesse dar à cada quantia.
— Senta aí, Ikkaku – Pediu, indicando o sofá lateral – E vê se desfaz essa cara de puta vendo uma rola grande – Adicionou, finalmente encarando-o – Nunca viu dinheiro?
— Não desse tanto, Zaraki – Respondeu numa risada, tomando seu lugar no sofá.
— Vai se acostumando, então – Replicou abrindo um sorriso, a voz soando em seu tom cavernoso por detrás dos dentes – Segura – Avisou, catando um dos blocos e simplesmente lançando-o em direção ao subordinado, vendo-o estender-se desajeitadamente na tentativa de segurar o projétil antes que atingisse o chão.
Kenpachi Zaraki era, há algum tempo, o chefe do Dojin-kai na região de Karakura, agindo como um shateigashira invejável.
Além da força e habilidade latentes, possuía um poder de mando soberbo, que quando unido à sua aura ameaçadora criava uma figura temível em todos os aspectos. Ainda assim, conquistava facilmente a lealdade de seus subordinados, trazendo-os para junto de si como um corpo coeso e pronto para dedicar-se totalmente ao sindicato.
Inicialmente, o contato do Madarame com a organização se reduzira à compra de drogas ou compostos químicos de difícil aquisição, mesmo quando legalizados. Todavia, ao saber de sua formação em química, além da habilidade para a fabricação de diversas drogas, Kenpachi o convidara a integrar o grupo, fundamentalmente nos trabalhos do tipo, mas também no que mais fosse capaz de fazer.
Há tempos seguia desestimulado com o trabalho no laboratório de uma empresa do setor de saúde, portanto, considerara perfeita a possibilidade de trocá-lo por algo que lhe proporcionasse as doses de adrenalina das quais realmente gostava. Entendia os riscos que o mundo no qual mergulhara representava, ainda assim, estava mais feliz agora do que quando precisava de quantias cavalares das mais diversas drogas só para lidar com o estresse da rotina. Sentia-se bem pensando em seguir Zaraki, e assim pretendia continuar indefinidamente.
— Tá sabendo que se você fizer merda hoje eu vou te usar pra afiar as espadas, né? – O chefe questionou, arqueando uma sobrancelha em direção ao ouvinte.
— Claro – Respondeu de pronto – Mas o que eu tenho que fazer? Pra quê a grana? – Perguntava, perdendo as contas antes de descobrir exatamente quanto havia no bloco de cédulas em suas mãos.
— A minha filha está vindo aí, e eu vou precisar que você tome conta dela. – Soltou de uma vez, encarando os olhos surpresos do outro.
— Sua filha? Mas por que eu? Não seria melhor... – Manifestou-se, incrédulo, contudo teve de fazer silêncio ao ouvir a voz de Zaraki ecoar.
— Porque eu estou mandando. – Cortou o questionamento, voltando a separar as pilhas de yenes enquanto explicava a situação – Vê se entende que eu só vou falar uma vez – Prosseguia, abrindo e fechando maletas e bolsas sobre a mesa – Eu vou ter que me encontrar com um empresário agora porque o filho da puta não pode mostrar a cara aqui, mas a minha filha quer fazer compras hoje, entendeu?
— Entendi... – Ikkaku soltava, compreendendo que sua função não seria a de babá, mas sim a de um segurança.
— Eu vou ter que mandar os homens disponíveis distribuírem essa grana e receberem uns estoques, então só sobrou você de confiança pra isso.
— Certo, Zaraki. Vou cuidar dela com a minha vida! – Exclamou, sentindo uma pontada de orgulho ao pensar que já recebia tamanha confiança por parte do chefe.
— É claro que você vai – O homem retrucou, colocando um novo sorriso no rosto coberto de cicatrizes, o tapa-olhos que costumava usar adicionando um toque excêntrico à aparência. – E avisa pra Kaede que ela vai também.
— Sim, senhor! Até mais tarde. – Falou, levantando-se e fazendo uma reverência antes de deixar a sala.
Não fazia ideia de que o chefe tinha uma filha, mas só poderia ser uma daquelas adolescentes de Harajuku pra precisar de tanto dinheiro em uma tarde de compras! – Pensava, guardando o bloco de notas no bolso interno do casaco enquanto voltava ao salão da boate.
— E aí, cuzão? Vai ter que passear com a diabinha, hein? – Kaede comentou ao encontrá-lo, jogando os cabelos loiros para trás enquanto mostrava um sorriso debochado.
— Diabinha? Como essa menina é?
— É uma peste de 6 anos chamada Yachiru. Melhor a morte do que cuidar daquilo. – Respondeu, uma das mãos parada na cintura – Vai ver quando ela chegar.
— Como assim seis anos? O chefe me fez levar um bloco de dinheiro! – Exclamou, incapaz de imaginar como aquela criança seria – Ah, e ele avisou que você também vai com a gente.
— Merda! – A mulher soltou numa careta – É bom você segurar a monstrinha, porque eu não estou com paciência hoje. Já aviso que vou descontar em você as raivas que ela me fizer – Dizia, apontando para o homem de maneira contrariada – Da última vez que... – Começou, mas interrompeu-se ao escutar passos vindos da entrada. – Esquece, já chegou. Vem, Ikkaku. – Chamou, puxando-o pelo braço em direção à pequena recém-chegada.
Desfilando seus cabelos cor de rosa, Yachiru exalava a alegria típica das crianças de sua idade, saltitando com um sorriso constantemente enfeitando lhe o rosto. Entretanto, não era preciso muito contato para entender o que fizera Kaede, uma mulher particularmente impaciente, não gostar de seu comportamento.
Tão logo trocou as primeiras palavras com Ikkaku, a pequena apelidou-o de "carequinha", correndo em círculos ao redor do homem enquanto cantarolava uma espécie de música improvisada, dizendo algo como "Careca que bate-bate, careca que já bateu, quem gosta de barba é ela quem gosta de pelo sou eu..."
— Ken-chan, foi você que raspou a cabeça dele? – A garotinha perguntava ao pai quando este veio recebê-la, apontando para o Madarame enquanto falava.
— Hun? Ele já era assim quando chegou – Respondia, pegando-a no colo e posicionando sobre as costas largas – Você quer brincar com o carequinha? – Questionou, aproximando-se do subordinado.
— Quero! Eu quero comprar perucas pra ele, papai! Eu acho que ficaria menos feio... – Comentava sem piedade – Eu vou te ajudar a ficar bonito e conseguir uma namorada, carequinha! – Anunciou, apontando para o seu alvo – Você pode me agradecer com um carregamento de doces depois.
— Quem disse que eu não tenho uma namorada? – Não resistiu a retrucar, encarando os grandes olhos da menina – Você não sabe!
— Ele não tem, tadinho – A pequena afirmou com convicção para os demais, observando as expressões de concordância de Kaede e do pai.
— Vocês... – Ikkaku balbuciou, tentando disfarçar o constrangimento diante do chefe.
— Ha... Já vi que vão se dar bem – Kenpachi concluiu numa risada, passando a filha aos dois – Seja uma boa garotinha até eu voltar – Pediu à ela, recebendo um beijo de despedida na bochecha.
— Ah, e se algo acontecer com ela – Iniciou, dirigindo-se aos dois subordinados com uma aura repentinamente ameaçadora, tão repressiva que parecia sufocar – Eu prometo que não vou matar vocês rápido. – Completou, observando-os retesarem antes de afastar-se.
Para o bem de todos, entretanto, a coisa mais perigosa que aconteceu naquele dia foi Ikkaku quase ter se engasgado com um sorvete.
Tiveram de carregar uma infinidade de sacolas para o carro por todo o tempo, auxiliados pelo motorista que sempre acompanhava a menina, entretanto, algumas das coisas tiveram de ficar a cargo das lojas em virtude do tamanho, a exemplo da penteadeira de princesa que a garota cismou que queria comprar para o Madarame, mas acabou escolhendo para si mesma.
Apesar de estressante, também foi um tempo divertido, além de ter facilitado bastante para que o carequinha comprasse o presente de Grimmjow, em meio às andanças pelo centro comercial de Karakura. Uma preocupação a menos.
Zaraki, por sua vez, passara o dia imerso em preocupações que considerava estupidamente irritantes.
Era um homem de ação. Gostava de divertir-se pegando no pesado e encarando quantos adversários pudesse encontrar em seu caminho durante as disputas que usualmente ocorriam entre membros das máfias da região. Entretanto, também tinha de efetuar negociações complicadas e lidar com empresários corruptos ou velhos depravados em seu dia-a-dia, o que o deixava em um estado de humor particularmente negativo.
O empresário daquele dia era um peixe grande, que não queria correr o risco de ser associado com a organização, mas sim maquinar tudo por debaixo dos panos. Era o tipo mais odioso de covarde, com toda a certeza. Ainda assim, pagaria muito bem, e as quantias distribuídas naquela manhã haviam sido apenas a primeira parcela do valor total que teria a receber. Só o suficiente para começar os serviços, afinal.
Após chegar ao local do encontro, fora recebido por um funcionário do tal empresário, um homem de longos cabelos escuros e expressão agressiva, chamado Noitora. De certa forma, pareciam similares, embora Kenpachi soubesse bem que era superior ali.
Sem delongas, fora conduzido por ele até instalações distantes da cidade, onde provavelmente não haveria qualquer risco para que o seu cliente aparecesse ao vivo.
O local resumia-se às ruínas de uma velha casa de fazenda, a madeira desgastada saltando aos olhos junto ao musgo que cobria o teto alto. Arbustos malcuidados faziam-se presentes ao redor das instalações, envolvendo velhas pilhas de lenha cortada que provavelmente nunca teriam qualquer uso além de dar guarida a animais e insetos.
Os sapatos dos dois homens pisotearam o chão de terra batida até a porta do casebre, onde Noitora sequer precisou bater antes que a voz firme vinda do lado de dentro os convidasse a entrar.
No cômodo amplo ao qual se tinha acesso através da entrada, mobiliado apenas com duas velhas cadeiras e algumas ferramentas de agricultura que enferrujavam encostadas às paredes, a aparência refinada do homem que os recebia contrastava com a pobreza que o cercava. Sentado em uma das cadeiras de madeira, pediu que o Yakuza tomasse o lugar à sua frente, enquanto Noitora rumava para fora de modo a cumprir seu papel de vigia.
— Quer dizer que o filho da puta que quer me contratar é você, Aizen? – O mafioso começou, sentando-se diante dos protestos do assento, a madeira rangendo demoradamente – A Kyouka não vai tão bem quanto vocês dizem?
— É um prazer, Zaraki – O empresário o cumprimentou em tom constante, sem qualquer alteração em sua postura inabalável – A Kyouka certamente vai muito bem, mas o serviço que tenho para você é bastante especial.
— Teu garoto deu uma ideia quando veio trazer o sinal hoje – Cortou, referindo-se ao rapaz enviado à Gotei naquela manhã, encarregado de entregar-lhe o sinal em dinheiro para contratar os serviços do sindicato – Pula a enrolação e me diz logo do que precisa. Você mandou bem mais do que o normal pra começar um contrato, então deve ter muita merda em mente.
— Espero que possamos fechar um bom negócio, Zaraki. O que receberam hoje foi apenas uma demonstração – Falava, os lábios movendo-se lentamente, como se cada gesto fosse calculado – Garanto que será muito bem recompensado por seguir as minhas ordens. – Adicionava, finalmente atendendo ao pedido do shateigashira e seguindo para as explicações acerca de seus planos.
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Perambulando pelo quarto enquanto mantinha o celular junto à orelha, curvando o pescoço de modo que o aparelho se mantivesse apoiado no ombro, Ichigo tentava lidar com o temperamento do homem no outro lado da linha, explicando-se da melhor forma possível.
— Não é que eu vá faltar, Grimmjow. Eu só vou chegar atrasado. – Dizia, as duas mãos ocupadas enquanto tirava de uma estante os livros dos quais precisava no momento.
— Você vai chegar atrasado na porra do meu aniversário, seu merda?— O mais velho retrucava em tom brincalhão, disfarçando a contrariedade. — E posso saber o motivo, senhor ocupado?
— Tenho que preparar uns relatórios de prática amanhã depois da aula, então vou acabar demorando no laboratório. Mas não vou nem me atrasar muito. Antes das 22 horas eu estou aí, sério.
— Nesse ritmo você vai mesmo continuar virgem pra sempre— Soltou como uma profecia.
— Quem disse que eu... – Começou a retrucar efusivamente, contudo, refreou-se, franzindo o cenho enquanto desviava dos argumentos que só gerariam mais brincadeiras – Olha, já deu dessas piadas, tá? – Avisava, largando os livros sobre a mesa, as expressões irritadiças surgindo mesmo que seu interlocutor não pudesse vê-las. – Pelo menos seja criativo e escolha outro tema.
A risada do professor ecoou em seus ouvidos por alguns segundos, já tão clara e familiar que era fácil imaginar sua expressão no momento, os cabelos balançando enquanto inclinava levemente a cabeça e repuxava os cantos dos lábios em seu sorriso marcante.
— Tá bom, Ichigo. Se é assim, eu vou começar a supor que você está querendo fugir da minha festa com medo de ficar chapado e eu ter que te deixar em casa de novo.— Apelou para a piada mais recente, lembrando-o do que ocorrera após a festa no Rukongai, a qual foram à época do aniversário do garoto – Anda seguindo os conselhos do seu pai?
O Kurosaki bufou, tomado pelas lembranças daquela data.
Após todas as brincadeiras sobre a sua fraqueza com o álcool, Isshin lhe comunicara que adorara o amigo que o trouxera, aconselhando-o a andar mais com o homem para que aprendesse algumas coisas da vida. Todo aquele papo o pusera em alerta, portanto, não fora surpresa confirmar que quem o deixara em casa fora mesmo Grimmjow.
No fim das contas, só não sabia se o mais inusitado era fato de o pai ter achado o homem um bom exemplo a ser seguido ou de não ter reconhecido que fora o seu professor no ensino médio. Tudo bem que os dois não necessariamente se viam muito nos encontros do colégio, mas os pais geralmente se lembram dessas coisas, não?
— Ainda estou me perguntando o que você fez pro meu pai te achar tão legal – Comentou, já se sentando, os livros sendo abertos enquanto o notebook era ligado.
— Deve ter sido a parte em que eu entrei te carregando no colo feito uma princesa, te salvando de um dragão maligno chamado tequila.— Gabava-se, já imaginando o rubor que provavelmente tomava conta da face do seu ouvinte.
— Vai se foder, Grimmjow. Você não me carregou porra nenhuma – Retrucou, realmente enrubescendo – Eu só estava apoiado no seu ombro.
— OK, ok... Mas eu ainda gosto mais da minha versão, princesa. – insistiu – Pode deixar que se for preciso eu te salvo de novo amanhã.
No clima animado de sempre, a discussão prosseguiu, com a naturalidade que a intimidade proporciona. O Kurosaki às vezes acabava encurralado, cercado após uma bateria de brincadeiras e piadas que o faziam ultrapassar os limites do constrangimento, ainda assim, aproveitava as conversas com o homem tanto quanto possível, ainda que, como naquele momento, o fizesse enquanto adiantava seus trabalhos da faculdade.
Para ambos, quando o contato cessava, surgia aquela vontadezinha de pegar o telefone novamente, nem que fosse só para escutar um pouco mais a voz do outro. Ichigo tinha plena consciência das motivações para isso, já Grimmjow ainda seguia num estágio anterior, incapaz de refletir corretamente sobre as próprias ações e sensações. Contudo, as coisas talvez já houvessem chegado a um nível em que mesmo ele precisasse repensar suas condutas.
Em seu apartamento, o homem de cabelos azuis largava o celular sobre o criado-mudo depois de desligar, jogando-se sobre a cama com a expressão de uma criança a quem um doce fora negado. Entendia que Ichigo estivesse diante de uma nova realidade como universitário, cercado de responsabilidades e compromissos. Ainda assim, não era o tipo de pessoa que aguentava sentir-se sendo deixado em segundo plano.
Nas últimas semanas, o garoto já tivera de cancelar alguns dos programas marcados com ele ou com os demais amigos, o que Grimmy encarara com naturalidade inicialmente. Entretanto, chegar ao ponto de se atrasar para o seu aniversário fora além do esperado – concluía, rolando para o lado sobre o móvel, os olhos fixos na parede branca do quarto.
O pior de tudo não era sequer a situação em si, mas sim o fato de sentir que se importava demais com aquilo. Desde quando a presença do rapaz se tornara tão expressiva em sua vida?
Incapaz de descansar, o homem prosseguiu virando-se sobre a cama, amassando os lençóis sem que qualquer posição lhe parecesse realmente confortável. Detestava sentir-se daquela forma com alguém, e isso começava a surgir como uma preocupação no horizonte de seus pensamentos. Não era como o que sentia com relação à Renji, por exemplo, resumindo-se ao desejo de ter a companhia do amigo quando possível, como em qualquer outra amizade verdadeira. Era algo mais intenso, como uma necessidade de contato, de ter por perto... Uma merda.
Seguindo essa linha de raciocínio, lembrou-se da primeira e última vez em que realmente se sentira apaixonado, quando se envolvera com um colega logo no começo da faculdade e descobrira como essas coisas podiam dar errado. O cara era até legal, mas digamos que ser expulso de casa aos 19 anos porque seu pai descobriu que você beija rapazes não é lá uma circunstância muito favorável – pensava, recordando-se do escândalo que protagonizara na época.
Por causa disso, tivera de se virar para pagar a faculdade, tendo tomado a péssima escolha de aceitar morar com aquele namorado em questão. O resultado fora o óbvio: terminaram após quatro meses de convívio, deixando a irritante sensação de ser odiado por toda a família graças a uma relação que não deu em nada.
Por sorte, não levara muito tempo para ligar o foda-se e esquecer completamente que tinha parentes vivos. O único prejuízo que sentira fora o financeiro, responsável por um atraso considerável no andamento do curso, mas superado com alguma dose de determinação.
Agora estava bem, trabalhando no que desejava, fodendo quem quisesse e com toda a disposição do mundo para beber e se divertir sempre que podia. Pra quê estragar tudo se preocupando tanto com um garoto que, parando pra pensar, nem fazia o seu tipo? – concluía mentalmente, pela primeira vez considerando a hipótese de ter algum interesse em Ichigo. O cara era novo, inexperiente, birrentinho e tudo o que poderia dar trabalho. Sem falar que não dava pra ter algo casual com o Kurosaki. Ou tinham um compromisso sério, ou não tinham nada. Sendo assim, escolheria a segunda opção.
Virou-se para a parede, repetindo para si mesmo que precisava parar com essa frescura de querer estar o tempo todo com Ichigo, ainda mais chegando ao ponto de cogitar estar gostando do rapaz. Eram só amigos, e assim continuariam – decidiu-se, finalmente voltando às tentativas de pegar no sono enquanto uma frustração inexplicável o fazia companhia.
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— Está certa de que não quer voltar conosco, Rukia? – Byakuya questionava uma última vez, antes de atravessar a porta do apartamento de Grimmjow.
— Estou sim, nii-san. Mais tarde eu voltarei com a Hinamori e a Matsumoto. Podem ficar à vontade. – A garota soltou num sorriso, despedindo-se do irmão e de Renji.
— Relaxa, Byakuya. Ela vai ficar bem aqui. – O dono da casa se manifestou enquanto acompanhava os convidados até o elevador – Prometo que eu dou uma vigiada. – Adicionava, piscando um olho descontraidamente.
— Entendo... Neste caso, feliz aniversário novamente. – O moreno respondeu, ainda meio desconcertado diante da informalidade de seu interlocutor.
— Até, Grimmy – O Abarai soltava, abraçando uma última vez o amigo – Ainda estou esperando a idade te trazer juízo, mas parece que não tem jeito, né? Mais um ano e nada. – Brincava, bagunçando lhe os cabelos antes de afastar-se.
— Fala como se tivesse moral, hein? – O professor retrucava, movendo-se para segurar a porta do elevador para os demais tão logo este chegou ao andar – A única dose de juízo que você tem vem do Byakuya. Se ele terminar contigo vai ficar zerado. – Completava, despedindo-se dos dois enquanto as portas metálicas já quase se fechavam por completo.
Dentro do elevador, o moreno jogou um pouco o corpo para trás, escorando-se em uma das paredes internas e tentando ignorar o leve sentimento de constrangimento diante daquela despedida.
Admitia que inicialmente sentira-se fisgado por sentimentos de ciúmes com relação à Renji e Grimmjow, sobretudo quando soube, por meio de uma conversa casual acerca de seus relacionamentos passados, que aqueles dois já haviam namorado. Entretanto, o tatuado tratara abertamente da questão, deixando claro que estavam melhor somente como amigos e nunca pensaram em tentar um namoro novamente.
O Kuchiki agradeceu por sequer ter precisado expressar suas inseguranças naquela ocasião, já que o ruivo fora rápido em confortá-lo, ainda que inconscientemente, demonstrando sem dificuldades seus sentimentos atuais. Inclusive, contara que durante o período de turbulência o qual antecedera o começo de seu namoro com Byakuya, Grimmjow intervira a favor do empresário, aconselhando o Abarai a insistir no relacionamento. De certa forma, sentiu-se até em débito por essa atitude, o que auxiliou na resolução da questão.
Agora, só restava aprender a lidar com a real personalidade do homem, descoberta aos poucos, principalmente após a formatura de Rukia e o fim de seu vínculo institucional. O contraste com o que vira na primeira vez em que se encontraram meses antes chegava a ser impressionante!
— O que achou da festa, Kuchiki-san? – O companheiro perguntou quando deixavam o elevador em direção à saída. – Hoje estava todo mundo bem animado...
— Agradável – Respondeu de pronto, em sua sobriedade costumeira – A extensão vocálica do Grimmjow me surpreendeu – Comentou, referindo-se ao que presenciara nas rodadas de karaokê as quais animaram o começo da festa.
— Ah, ele sempre teve esse jeitão de vocalista de rock mesmo – O ruivo soltou numa risada, abrindo a porta do carro recém-destravado – Mas a Matsumoto foi insuperável. Achei que meus tímpanos fossem explodir!
— Suponho que tenha sido efeito do álcool... – O moreno comentou, lembrando-se de Rangiku completamente bêbada, cantando enquanto protagonizava uma dança esquisita junto a um Kurosaki arrastado à força para o espetáculo.
— Coitado do Ichigo – O tatuado dizia ao passo que ligava o veículo – Sempre sobra pra ele, pelo jeito.
Ainda conversando sobre os melhores momentos da festa que provavelmente fora o aniversário mais divertido daquele ano, os dois seguiram direto para o apartamento de Renji, aproveitando-se do fato de que não tinham de deixar Rukia em casa. Comumente, revezavam o tempo entre as residências dos dois, mas o apartamento de Renji, livre dos olhares inquisidores dos funcionários da casa Kuchiki, seguia como o destino mais cômodo, sobretudo voltando de madrugada após uma festa daquelas.
Em pouco tempo, já estavam atravessando os cômodos da casa, com Renji tirando as roupas que vestia até então e jogando-as pelo quarto diante do olhar atento do Kuchiki. Como cabia tanto desleixo em uma pessoa só? – O moreno perguntava-se, vendo o namorado marcar seu trajeto até o banheiro com as vestimentas retiradas.
Num suspiro, o empresário passou a despir-se também, dobrando minuciosamente cada peça e empilhando-as num local adequado, refreando a custo o impulso de recolher as que Renji deixara no chão. Imaginava que ele mesmo o faria quando saísse do banho, como sempre, então era desnecessário agir como se tivesse TOC.
Adentrou o banheiro assim que terminou, indo direto até a banheira onde Renji já o esperava para que tomassem banho juntos. Detestava como o mais novo sempre esquecia a água na temperatura mais fria, mas o banho em si não deixava de ser delicioso, com direito à sensação de carinho e cuidado que Renji exalava por todos os poros em momentos como aqueles.
Entretanto, especificamente dessa vez, o Abarai parecia estar exalando uma outra coisa...
— Renji... – Byakuya balbuciou, sentindo o maior sentado atrás de si enquanto o envolvia com os braços, sugando-lhe a nuca e a lateral do pescoço até onde alcançasse – Mais abaixo – Pediu, movendo-se de modo a mudar o local das carícias – Será complicado se eu tiver de esconder alguma marca com um cachecol nessa época do ano – Adicionou, lembrando-o das vezes em que precisara recorrer à peça com essa finalidade.
— Certo, certo – O outro comentou contra a sua pele, arrepiando-o com uma lambida ao longo da coluna – Prometo que vou me comportar, Kuchiki-san – Dizia com um sorriso malicioso, levando os braços até as coxas do amante e apertando-as com vigor, deslizando os dedos firmes sob a água.
Já sabia de cor todos os pontos sensíveis do companheiro, e não se cansava de explora-los ao máximo, sobretudo quando era recompensado pelas expressões de prazer do Kuchiki. Até lhe inflava o ego saber que era o único que o tirava de sua postura estoica, conhecendo os segredos e trejeitos de um Byakuya que era só dele.
Excitando-se com os próprios pensamentos, virou o menor para si, roubando-lhe o fôlego com um beijo profundo, ansioso. Deslizava as mãos por todo o corpo do parceiro, apertando-o contra si com a intensidade do desejo que não titubeava em manifestar.
Os lábios sôfregos desceram para o tronco alheio, sugando os mamilos do moreno até que um gemido baixo soasse atravessado, escapando da boca fechada. Por sua vez, as mãos esguias do mais velho moveram-se quase por conta própria, embrenhando-se na cabeleira ruiva num puxão firme.
Em seguida, o Kuchiki cuidou de tomar também alguma iniciativa, descendo uma das mãos às pernas do outro e movendo-a até tocar uma ereção bem mais protuberante do que o esperado. Em resposta, o tatuado soltou um gemido demorado, aproveitando o toque certeiro do amante. O conhecimento sobre o corpo um do outro era reciproco, afinal.
Intenso, o Abarai movia-se no espaço reduzido do qual dispunham, agarrando-se ao parceiro com furor conforme a excitação crescia. Prensando o moreno contra uma das paredes da banheira, jogava o corpo sobre ele em meio às carícias, atacando-o com mãos ágeis e lábios famintos.
— Tem certeza de que já saiu da puberdade? – O mais velho questionou diante do furor alheio, afastando suavemente o namorado de si – É melhor continuarmos isso na cama – Pediu, já considerando o desconforto da posição.
— Você tem toda a razão – O ruivo concordou em um alarmante tom de malícia, já se levantando e puxando o chuveirinho, com a intenção de livra-los dos resquícios de espuma – Aqui eu não vou conseguir fazer tudo o que eu quero... – Soltou, voltando a beijar o amante enquanto saíam da banheira e puxavam as respectivas toalhas.
— Eu ainda não me sequei, ag... – Byakuya tentou em vão protestar, mas mesmo assim foi conduzido através do quarto ainda coberto de água, sendo jogado sobre a cama por um Abarai igualmente molhado.
— Assim está ótimo, Kuchiki-san – o maior dizia, deitando-se sobre ele e envolvendo-o com pernas e braços, junto aos beijos incessantes. Seguia provando cada centímetro da pele alheia, puxando-o para si com uma exigência afetuosa, aproveitando as sensações que as carícias alheias lhe proporcionavam quando as mãos do moreno agiam intensamente onde conseguiam tocar.
Resquícios de água resfriavam os corpos a despeito do calor gerado pela movimentação, os lençóis tornando-se úmidos enquanto Byakuya era envolto pela energia audaciosa do companheiro.
Descobrira que apreciava essas preliminares muito mais do que o esperado, aos poucos entregando-se mais ao Abarai, arriscando novos movimentos e destravando lentamente o seu lado que queria dar prazer, e não apenas aproveitar o que o outro fornecia com seu comportamento proativo. Se estavam em um relacionamento, precisavam desse cuidado mútuo, e isso o incentivava a soltar as amarras e tentar evitar que os próprios preconceitos e pudores o privassem de algo.
Finalmente, o tatuado girou na cama de solteiro, deitando-se com as costas para baixo e trazendo o outro para cima de si. Desceu um pouco sobre o móvel, puxando o amante pela cintura e fazendo-o subir mais sobre seu corpo.
O empresário cogitou perguntar o que exatamente ele estava tentando fazer, mas entendeu quando sentiu os braços firmes de Renji levantarem-lhe o quadril, colocando-o de joelhos em volta de seu peitoral. Céus, Renji sempre tirava algo novo, e às vezes constrangedor, nessas horas – Pensava, deixando-se guiar mais para cima, até estar sobre o rosto do parceiro. Sem mais delongas, o ruivo apoiou-se em sua cintura, levantando um pouco a cabeça de modo a abocanhar-lhe o membro. Passava a uma felação intensa desde o começo, recebendo-o fundo em uma movimentação enlouquecedora.
Inicialmente contido, o Kuchiki foi inclinando os quadris para frente, sucumbindo ao prazer que recebia e penetrando a boca alheia em meio a gemidos mais audíveis. Sentia a língua de Renji o percorrendo com lascívia, os movimentos deliciosos colocando-lhe de lado o raciocínio de uma maneira que, sabia, excitava o ruivo além de todos os limites.
Teve de esforçar-se para mudar de posição antes que acabasse tendo um orgasmo, esticando-se até o criado-mudo e alcançando uma embalagem de lubrificante na gaveta. O outro permaneceu deitado, abrindo as pernas com os joelhos flexionados para que Byakuya se posicionasse entre elas.
Observou o rótulo por um instante, perguntando-se se Renji escolhera uma opção com sabor para facilitar-lhe a vida. Digamos que não se saíra como o esperado quando tentara pela primeira vez fazer nele sexo oral, não sabia se mais pelo pudor que o tornara vacilante ou se pela simples inexperiência. Contudo, ouvira do parceiro que tinham todo o tempo do mundo para "treinar", além de que, segundo o Abarai, tudo o que ele fazia era prazerozo... – Lembrava-se, decidido a esquecer o constrangimento e tentar novamente sem qualquer pretensão além de ter prazer com o homem à sua frente.
Derramou um pouco do conteúdo na palma da mão, lambuzando o membro e a entrada do parceiro com cuidado, observando por alguns intantes os detalhes do corpo de Renji, as tatuagens tribais saltando aos olhos sobre a pele bronzeada.
A expressão do ruivo era curiosa, enfeitada por um sorriso de incentivo. O Kuchiki precisava admitir que àquela altura já não podia chamar somente de atração o que sentia por ele – Concluía, abaixando o rosto sobre o namorado e sentindo o sabor cítrico do lubrificante em seu membro – Não simplesmente gostava do Abarai, mas compreendia que o amava. Um amor inflamado, que preenchia o peito, descontrolava e o enchia de algo novo e delicioso.
Pensando nisso, o empresário deixou momentaneamente de lado os receios, acariciando e envolvendo com os lábios o pênis alheio, como tantas vezes, o sentira fazer consigo.
Começou devagar, aprendendo com os próprios erros e relaxando na hora de sugá-lo, indo somente até onde sentia-se capaz e masturbando-o com as mãos nos demais pontos. Quando o sentia responder positivamente à algum estímulo, continuava daquela forma, descobrindo na prática o que o tatuado preferia.
Desde o começo, escutava-o gemer em tom rouco, sussurros excitantes escapando pelos lábios entreabertos enquanto o corpo era aquecido pelo prazer. Sendo assim, não demorou para que o Abarai levantasse um pouco o tronco, esforçando-se para visualizar bem a cena à sua frente e tocando a nuca do companheiro com uma das mãos, mais acariciando lhe do que simplesmente estimulando os movimentos.
Foi com surpresa, apesar de uma íntima satisfação, que o Kuchiki sentiu o corpo do ruivo tremer, involuntariamente estocando lhe a garganta. Ainda assim, foi capaz de soltá-lo a tempo, permitindo-se masturbá-lo com as mãos enquanto gozava.
— Hm... Desculpe, Kuchiki-san... Está tudo bem? – Perguntou, ainda sentindo os efeitos do orgasmo repentino.
— Creio que sim. – Byakuya respondeu, esticando-se de modo a deitar junto dele na cama de solteiro. – Mas isso não é comum... – Adicionou.
— Ah, mas não dá pra me culpar por ter gozado com você me chupando daquele jeito. Estava bom demais. – Soltou com um sorriso, observando-o retesar diante do comentário. – E eu ainda tenho fôlego pra cuidar disso – Completou, envolvendo-o com um dos braços enquanto tocava-lhe a ereção com a mão livre.
— O que há com você hoje? – O Kuchiki reclamou num muxoxo, escondendo o rosto na curva do pescoço do amante.
— Não sei... – Ponderou – Acho que só estou feliz por ter você ao meu lado. – Adicionou naturalmente, voltando às carícias.
As palavras simples pesaram bem mais para o Kuchiki, que sentiu o coração falhar uma batida. Aquilo por acaso era hora de dizer algo assim? – Pensava, sempre fisgado pela expressividade e transparência de Renji acerca de seus sentimentos. – Ainda era perfeitamente capaz de guardar para si mesmo essas reações, contudo, não deixava de ser estranho sentir-se aquecido por dentro diante de meras palavras.
Pelo menos, era estranho de um jeito muito bom.
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