Notas iniciais
Desculpa a demora! Espero que gostem do capítulo. Um beijo.

“E a guerra se arrasta.

Eles estão lá apenas para tentar fazer as pessoas livres,

Mas a maneira que eles estão fazendo isso, não parece assim para mim.

Apenas mais derramamento de sangue, miséria e lágrimas

Que este pobre país conheceu nos últimos vinte anos,

E a guerra se arrasta.”

(The War Drags On, interpretado por Donavan)

Uma semana se passou desde a partida de Ezra e eu não tinha vontade de fazer nada. Apenas me levantava todos os dias de manhã bem cedo porque era obrigada. Numa quinta feira, quando cheguei da escola, vi que havia recebido uma carta. Me animei quando vi que o remetente era Ezra. Subi para o meu quarto e tranque a porta.

5 de Julho de 1969

Querida Aria,

Você não tem idéia das saudades que eu estou sentindo de você. O treinamento para os recrutas foi difícil, muitos aqui nunca pegaram uma arma na mão, assim como eu. Partiremos para o Vietnã amanhã bem cedo e eu tenho que te confessar que estou morrendo de medo. O que me acalma é pensar em você e em todas as coisas que vivemos juntos. Todas as noites eu rezo para que tudo termine bem e que eu volte a te ver. Eu sinto tanta falta do te sorriso, do seu perfume e da sua voz... Às vezes uma onda de pessimismo me invade... Eu penso que não sairei vivo daqui, que tudo dará errado e quando isso acontece, eu olho para o céu, agarro forte aquele crucifixo que você me deu e todos os pensamentos negativos se vão. Aria, eu vou sair vivo daqui por você. Nunca se esqueça, Aria Montgomery, eu te amo pra sempre. E mesmo que eu morrer, eu continuarei te amando.

Com carinho e muita saudade,

Seu Ezra.

Terminei de ler a carta com lágrimas nos olhos. Beijei a carta e a guardei cuidadosamente numa caixinha. Esse dia foi melhor do que os outros. À noite, os Kahn foram jantar em casa. Eu não queria descer, mais minha mãe me obrigou.

– Olá Aria. Está linda esta noite. – disse Noel, beijando minha mão.

– Obrigada. Olá, senhor e senhora Kahn. Quanto tempo. – disse cumprimentando as visitas.

– Vamos nos sentar? – papai virou-se para o Sr. Kahn, Mike e Noel. Eles foram para a sala e as mulheres para a cozinha.

– Mona, vamos até o meu quarto? – perguntei.

– Claro amiga. – saímos de lá e fomos para o meu quarto.

– Nossa! Como o Noel está diferente... Você não acha?

– Hum, também percebi. Parece que está mais maduro... Talvez ele tenha deixado de ser aquele moleque mimado que estudava com o seu irmão. E ele não tira os olhos de você, amiga. Talvez queira te impressionar.

– Talvez... Eu preciso te contar: o Ezra me escreveu.

– Jura? E o que ele disse?

– Que está tudo bem, que está com saudades que o treinamento é difícil e essas coisas. E falou que me ama.

– Ai Aria! Que lindo.

– Que vai lutar pra viver por mim.

– Nós duas somos garotas de sorte. Temos namorados carinhosos e que nos amam.

– Você quer se casar mesmo?

– Sim. Só porque é com o Mike. Eu amo seu irmão, Aria.

– Não duvido disso.

– Meninas? O jantar está na mesa. – mamãe avisou, entrando no quarto.

Mona e eu descemos e nos sentamos à mesa. O jantar seguiu tranquilamente. Depois, Mona começou a tocar piano. Fui para o jardim, estava fazendo uma noite agradável de verão. O céu estava estrelado e a lua cheia iluminava o lugar. Queria ficar sozinha, mas Noel logo apareceu.

– Que noite linda, não acha, Aria?

– É sim. – respondi, sem olhar para ele.

– Estou sendo inconveniente?

– Não me entenda mal, Noel. Eu só queria ficar um pouco sozinha.

– Eu sinto muito pelo Ezra. Não sei o que seria de mim se estivesse em seu lugar.

– Obrigada.

– Aria, se você me desse uma chance, eu poderia provar a você que eu posso te fazer feliz...

– Noel, por favor. Eu amo o Ezra. É com ele que eu vou ficar.

– Você já pensou se ele, bem, se ele vir a falecer em combate?

– Eu não vou mentir pra você, eu penso nisso todos os dias, Noel. Mais eu tenho fé que ele vai voltar pra casa com vida.

– Bem, se ele não voltar, eu estarei aqui. – ele bebericou o uísque e caminhou para a porta da sala.

– Noel?

– O que foi, Aria? – ele se virou novamente e sorriu.

– Obrigada.

– Se precisar de um amigo... Um amigo, ok? Eu estou aqui.

Sorri e ele entrou. Noel não era uma pessoa ruim. Talvez um pouco egocêntrico, mas ele não tinha culpa de ser assim. Ele, Mike e Toby haviam crescido e estudado juntos e eram muito amigos. Meus pais, principalmente o meu pai, desde cedo queriam que eu e ele nos casássemos, porque era “bom para os negócios”.

À noite, antes de dormir, reli a carta de Ezra e rezei para que tudo ficasse bem. Tentei dormir, mas foi em vão. Fui até a escrivaninha e escrevi uma carta a Ezra.

20 de Julho de 1969

Querido Ezra,

Os dias sem você parecem intermináveis. Sinto muito sua falta, falta do seu abraço, do seu cheiro e dos seus poemas. Eu queria que você soubesse que eu também te amo muito e que estarei aqui te esperando. Eu não ligo mais para o que os meus pais pensam e que vou enfrentá-los custe o que custar. Nem que eu tenha que fugir desta casa e nunca mais aparecer por aqui. Você foi a coisa mais maravilhosa que aconteceu na minha vida e não vou desistir de você. Eu rezo todas as noites para que esteja em segurança. Meus pensamentos estão com você, em qualquer lugar que esteja. Eu te amo, sempre te amarei.

Sua Aria.

Depois a coloquei em um envelope e finalmente, pude dormir. De manhã, fui mais cedo para a escola para que eu pudesse colocar a carta no correio. Fui para o colégio e me encontrei com Mona e Spencer.

– Olá meninas. – eu disse.

– Oi Aria. Está melhor? – perguntou Spencer.

– Estou. Ezra me escreveu.

– Que ótima notícia. Ele está bem?

– Está sim.

– Eu preciso contar uma coisa a vocês. – começou Spencer. – Toby e eu vamos nos mudar para a California depois da formatura.

– Sério Spencer?

– Sério Mona. Ele conseguiu um bom emprego lá.

– Vamos sentir sua falta. – eu disse abraçando-a.

– Também sentirei a de vocês.

O sinal soou e nós tivemos que entrar para a aula. Após meia hora de uma aula entediante de Religião, escutamos um barulho, vindo do lado de fora.

– Essas feministas, vão todas queimar no inferno! – esbravejou a Sra. Kyle. – onde já se viu? Queimar roupas de baixo? Andar com o corpo à mostra? O mundo só pode estar acabando.

– Se não acabou na Segunda Guerra, ele não vai acabar por causa disso. – eu disse.

– Como, senhorita Montgomery?

– Nada, senhora Kyle. – menti.

– Hum. – ela olhou feio e tirou os óculos. – ainda bem que nenhuma de vocês caiu nas graças dessas baderneiras. Eu acho um absurdo tudo isso. Onde já se viu? Moças falando sobre contrace... Eu não consigo nem pronunciar esta palavra. – ela estava irritada.

– Contraceptivos senhora Kyle. – completei.

– Exato senhorita Montgomery. Continuando, é uma falta de vergonha na cara! Por Deus! Elas querem ter direito sobre o corpo! Querem abortar! Jesus! Vocês têm idéia do quanto isso é sério? – ela se sentou, suspirou e tomou um gole de água. –dispensadas, meninas. Preciso tomar meus antidepressivos.

Saímos rapidamente da sala. A senhora Kyle era uma quarentona solteira e virgem, extremamente tradicional. Fomos para o pátio ver a passeata.

– Isso é tão legal. – comentei com Mona.

– Não tenho coragem de mostrar meus peitos por ai.

– Nem para o Mike? – Spencer riu.

– Por Deus, Spencer! Estamos esperando o casamento.

– Mona... É sério que você e meu irmão não...

– Não, de maneira alguma.

– Tudo bem então.

– É pecado... fazer essas coisas antes do casamento.

– Se fosse pecado, Deus não havia deixado “essas coisas” pra gente fazer, Mona. – ri.

– Minha mãe me mataria se soubesse que eu não me casei virgem. – Mona completou. – por isso, é melhor eu não arriscar.

– Não tem como sua mãe saber disso, amiga. – Spencer falou.

– É, ela não vai te examinar... – concordei.

– Sabe, eu tenho um pouco de vergonha em falar disso. – Mona confessou.

– Por quê?

– Não sei Aria... Vocês sabem como eu sou tímida não é?

– Até demais...

– Ai, Spencer. Eu sou assim, o que eu posso fazer? E tem outra: eu tenho algumas dúvidas sobre isso. Mais eu não posso perguntar a minha mãe...

– Já sei. Tive uma idéia brilhante. – Spencer começou.

– Você e suas idéias brilhantes... – suspirei.

– Vamos dormir em minha casa hoje. Nós três. Faz tanto tempo que não fazemos uma festa das garotas...

– Eu acho a idéia ótima! – me animei.

– Eu também.

– Meus pais foram para a casa de campo e a Melissa não mora mais em casa. Temos a noite inteira pra conversar e comer besteiras.

– Estarei lá.

– Eu também.

– Então, as duas na minha casa às nove. Combinado?

– Combinado. – Mona e eu dissemos juntas.

Após falar com os meus pais, Mike levou Mona e eu até a casa de Spencer. Colocamos nossos pijamas, fizemos as unhas e assistimos filmes de terror.

– Tá Mona, o que você quer saber? – perguntou Spencer.

– Sobre o que, amiga?

– Ora, sobre o que... Sobre sexo.

– Eu tenho vergonha.

– Só estamos nós três aqui dentro dessa casa. Você não vai ser linchada por tirar suas dúvidas, Mona.

– Tudo bem, meninas. Ai vai. Dói?

– Hum... As primeiras vezes doem sim. – respondi.

– E como eu devo me comportar?

– Mona, não se preocupe com isso. É normal não sentir prazer logo na primeira vez. É desconfortável, eu confesso, mas depois você vai ficando mais experiente.

– Mona, o Mike te ama. Ele entende que ele vai precisar ir devagar. O importante é que sejam momentos especiais pra vocês dois. Não coloque coisas na sua cabeça, ok? Deixe acontecer. – falei.

– Obrigada, meninas. Acho que estou muito mais aliviada depois dessa conversa.

– Não exija tanto de você, Mona. E é completamente normal sentir medo do que a gente não conhece. Aconteceu comigo, aconteceu com a Aria. Acontece com todo mundo, até com os meninos.

– Eu amo vocês. – ela sorriu e nos abraçou. Já passava das quatro da manhã quando fomos dormir.

Um mês depois, Mona e Mike se casaram. Era difícil ficar sem ele. A casa parecia vazia, tudo parecia muito quieto a mamãe chorava toda vez que passava pelo quarto dele e o papai só dizia que “ela tinha que se acostumar”. Sentia falta de conversar todos os dias com ele. De roubar os vinhos do meu pai e ir beber escondido lá no telhado. Mike, conforme fomos crescendo, se tornou meu melhor amigo, meu confidente. Era o único naquela casa que me entendia e que me apoiava. Agora, eu estava sozinha. O que me alegrava era que Ezra e eu ainda trocávamos cartas e isso era uma maneira de ficarmos perto um do outro, mesmo estando tão longe.

Na sexta feira, Spencer e eu estávamos voltando para casa, após termos ido à uma sorveteria, quando nos deparamos com uma aglomeração, muita gente falando alto, fumando cigarros e maconha, bebendo cervejas baratas.

– Melhor nós passarmos para o outro lado. – sugeriu Spencer.

– Não, Spencer! Vamos passar aqui por dentro.

– Você ficou louca? Eles podem nos roubar, matar, sabe Deus o que mais!

– Spencer! Eles são hippies, não serial killers.

– Não confio nessa gente. Eles estão bêbados e sujos... Credo.

– Você deveria parar de julgar os outros pela aparência, Spencer. Os hippies são gente como a gente.

Peguei na mão dela e a guiei no meio da multidão. Mais à frente, vimos um banner escrito “Três dias de paz e música”.

– Isso aqui é o Festival de Woodstock, Spencer! – sorri.

– Eu não ouvi coisas boas sobre esse festival...

– Nem tudo o que você ouve por ai é verdade.

– Olha ali! Aquelas duas moças peladas se agarrando! Estão quase...

– Isso é amor, Spencer! – gritei, pois a música do Johnny Winter estava muito alta.

– Aria, eu não estou me sentindo bem, vamos embora?

– Aria? – escutei falarem meu nome. Me virei e vi Emily, que vestia uma calça jeans “boca de sino”, uma regata colorida e chinelos.

– Emily? Quanto tempo! – disse dando-lhe um abraço. – essa aqui é a minha amiga, Spencer.

– E ai? Tudo na paz, garota? – ela perguntou.

– Tudo ótimo.

– Foi ela quem me levou à estação de trem aquele dia em que o Ezra partiu.

– Entendi... Podemos ir embora?

– E ai Aria? – gritou Arco Íris, que estava visivelmente chapada.

– Oi Arco Íris. Tudo bem?

– Tudo ótimo. – ela disse gargalhando.

– Arco Íris?

– É, Spencer. Seu nome de verdade é Maya, mas ela gosta de ser chamada de Arco Íris.

Arco Íris deu um beijo em Emily e Spencer revirou os olhos.

– A gente precisa ir. – eu disse. – foi muito bom reencontrar vocês.

– E o seu príncipe encantado?

– Está bem, graças à Deus.

– Que bom. Vocês não querem participar do festival? Está tudo uma loucura lá dentro.

– Melhor não. – disse Spencer.

– Tudo bem então. Foi um prazer Spencer.

– Elas são bem bonitas... Poderíamos fazer uma festinha particular, o que acha? – Arco Íris sugeriu.

– Linda, elas não curtem o mesmo que a gente. – Emily explicou.

– Se mudarem de idéia, estamos sempre disponíveis. – ela deu meia volta e começou a gritar e dançar.

– Vamos embora, Aria? – Spencer me puxou e nós fomos embora.

– Estava tão divertido, não? – perguntei quando chegamos em casa.

– Você é louca? De onde você conhece aquelas garotas?

– Foi no dia que o Ezra foi embora que houve aquela passeata contra a guerra. A Emily me viu chorando e me ajudou. Ela é legal.

– E a outra? Ela é completamente louca!

– Não, isso é efeito da maconha. Ela deve ser uma pessoa legal também.

– Aquilo é um inferno! Nunca mais me leve lá.

– Hoje é o último dia.

– Excelente. – Spencer revirou os olhos.

– Preciso ir. Tenho que ajudar minha mãe com o jantar e estudar para a prova de álgebra. Nos vemos na segunda?

– Claro. – nos despedimos e eu fui para minha casa. Durante o percurso, enquanto caminhava tranquilamente pela rua, percebi que um carro me seguia e apertei o passo. Olhei para trás e era Noel. Parei e ele encostou o carro.

– Ficou com medo?

– Um pouco. Nunca maios faça isso.

– Eu sinto muito. Quer carona para casa? É perigoso uma moça andar por ai sozinha a essa hora.

– Ainda está claro. Não se preocupe, sei me defender.

– Sabe mesmo. – zombou. – ande, não seja orgulhosa, Aria. Aceite minha carona. Como um amigo.

Suspirei fundo e balancei a cabeça afirmativamente. Ele sorriu, e desceu do carro para abrir a porta do seu belo Cadilac Eldorado vermelho para mim.

– Obrigada, Noel, mas não precisava abrir a porta. Eu sei fazer isso. – disse quando entrou no carro.

– Eu só estava sendo gentil.

– Tudo bem.

– Se importa se eu ligar o rádio?

– Claro que não. – ele ligou o rádio numa estação qualquer, onde estava tocando Love Me Tender, do Elvis Presley. Eu adorava o Elvis e comecei a cantarolar junto.

– Você gosta dele?

– De quem?

– Do Elvis.

– Claro, como não amá-lo?

– Ele é um grande artista.

– É sim.

– Aria, eu estive pensando... Quer sair comigo qualquer dia desses? Podemos sei lá, ir ao teatro ou ao cinema, quem sabe? Eu vi que iriam passar alguns clássicos e sua mãe me contou que você gosta de Dançando na Chuva, poderíamos assistir o que acha?

– Noel... Eu gosto de você, nos conhecemos desde crianças, mas eu não vou sair com ninguém. Eu amo o Ezra e devo respeito a ele. Não quero sair como você e fazê-lo criar falsas expectativas. Eu sou namorada do Ezra, não me leve a mal, por favor.

– Você tem razão, Aria. Me desculpe se fui inconveniente.

– Um dia você irá encontrar uma garota que te ame de verdade, Noel.

Permanecemos em silêncio o restante do trajeto. Noel me deixou em casa e quando eu entrei, papai e mamãe estavam com belos sorrisos em seus rostos.

– O que houve?

– Você estava com o Noel, Aria? – perguntou papai.

– Ele me deu uma carona. Só isso.

– Que ótimo, minha filha! O Noel é um excelente rapaz.

– Eu sei, mãe. Se me dão licença, preciso estudar para a prova de álgebra.

– Te chamarei para me ajudar com o jantar daqui a pouco, querida.

– Tudo bem. – sorri e subi para o meu quarto. Estudei um pouco para a prova de álgebra e escrevi uma carta para Ezra. Antes que minha mãe me chamasse desci para ajudá-la com o jantar. Fizemos a especialidade de mamãe, espaguete ao molho branco e frango assado, prato preferido de Mike, que iria jantar conosco naquela noite. Durante a refeição, conversamos sobre coisas aleatórias, até que uma hora todos se calaram e Mona sorriu para Mike.

– Temos uma notícia para dar. – Mike começou. Papai olhou por cima do óculos e mamãe juntou as mãos.

– O que?

– Estamos esperando um bebê. – Mona sorriu.

– Que notícia maravilhosa, Mona! – mamãe se levantou e a abraçou forte.

– Parabéns, filho. – papai falou, apertando a mão de Mike. Me levantei e abracei os dois.

– Parabéns. Vocês merecem toda a felicidade deste mundo. – sorri.

– Obrigada, amiga.

– Valeu, irmãzinha.

– Mais um garoto para a nossa família! – papai disse, satisfeito.

– Pai, ainda não sabemos o que o bebê é. – eu disse.

– Eu tenho certeza de que será um belo garoto. Para continuar os negócios da família.

– Se for mulher não serve para assumir os negócios?

– Aria, não comece. – mamãe repreendeu-me.

– Não, Aria, não serve. Mulheres são fracas. Não têm o espírito competitivo que os homens têm. – explicou.

– Entendi. – suspirei e revirei meus olhos.

– Vamos mudar de assunto. – mamãe foi até a adega, pegou champanhe e colocou em taças para nós. – esse momento é de alegria! Quero propor um brinde, à nossa família e ao nosso novo integrante. Saúde?

– Saúde. – dissemos ao mesmo tempo, chocando nossas taças.

Mais tarde, antes de dormir, rezei para que Deus protegesse Ezra. Mal sabia eu que, em algumas semanas, meu mundo iria virar de cabeça para baixo. Mais do que já estava.