Até O Décimo Pôr do sol
4 Capítulo 3
Notas iniciais
Aqui está! Espero que gostem :D
Capítulo três
O resto da jornada até a praia da ilha se deu em silêncio.
Sem opções, e correndo contra o tempo, o quarteto acabou aceitando a proposta arriscada do capitão Killian Jones. A decisão, a princípio, se mostrava um tanto precipitada e perigosa ao ver de Emma, uma vez que ela abandonara Hook no pé-de-feijão. Entrementes, o tempo não estava ao seu favor. E, apesar de tudo, se o pirata tentasse ludibriá-las, eram quatro contra um: uma guerreira oriental, uma princesa com arco e flecha, uma sonsa que só sabia dormir e ela, que, embora estivesse desarmada, era muito boa de briga. Estas constatações lhe transmitiam uma tênue segurança para aceitar a oferta de Hook. Iriam até a segunda ilha, sob as coordenadas de Mulan, no navio do pirata.
E então eu poderei vencer o desafio da Cora – Emma completou em pensamento – E voltar para o meu filho.
Novamente aquela amarga sensação a enlaçou. Sim, não se sentia completamente a vontade com essa “carona”, não apenas pelas cutucadas de perigo iminente que sempre assolavam seu ser desconfiado. A ideia de aceitar a ajuda de Hook lhe incomodava, principalmente porque a fazia se sentir mal por tê-lo abandonado no pé-de-feijão. Ela não havia tido outra alternativa naquela situação, ora! Era isso ou nunca mais retornaria para Henry. Porém... Porém... Agora ficava com a sensação de estar devendo um grande favor ao pirata.
E Emma não gostava disso.
Continuaram a trilhar pela floresta, até que, em certo momento, a vegetação foi desaparecendo e o solo se tornou gradualmente arenoso. Quando os olhos de Emma constataram, ela já estava na costa da ilha.
As palavras, momentaneamente, desapareceram de sua boca.
- É uma contemplação maravilhosa – Snow murmurou em algum canto de sua mente.
A fúria do vento os açoitava, fazendo Emma ofegar, mas a experiência era fantástica. O mar, de um azul brilhante, jogava na areia a espuma branca das ondas. O único ruído que vinha era do quebrar das ondas. O céu brilhava azulado acima de suas cabeças, e o sol derramava seu brilho por toda a extensão da praia, promovendo um jogo de luz e sombra com um navio ancorado nas águas que pareciam cintilar quando seus raios as tocavam.
- É magnífico – Emma deixou escapar em um suspiro. Nunca contemplar um cenário tão belo quanto aquele.
De soslaio, procurou por Hook, denotando que o mesmo portava em seus olhos voluptuosos uma quietude intrigante, como uma entrega total à ressaca do oceano.
Ela franziu os lábios, sentindo a maresia salgá-los. No que ele estaria pensando enquanto deixava sua alma ser tragada pelo vai-e-vem das ondas? Nos seus anos áureos de pirataria? Em Milah, que lhe fora cruelmente tirada por Gold? Ou nas saudades mesclada ao anseio de retornar para o seu lar – o oceano?
Emma engoliu em seco, ainda o fitando. Ela jamais pudera portar aquele olhar. Ela nunca tivera um lar.
– Algum problema, amor? – o pirata indagou com um sorriso débil.
Ela piscou, como se a realidade clamasse por ela.
– O quê?
– Está me encarando há uma eternidade – ele provocou – Já está seduzida novamente pela minha estonteante beleza?
Emma revirou os olhos, cortando bruscamente o contato visual. Aquele homem era realmente inoportuno, e detinha uma admirável capacidade de fazer seu sangue borbulhar em ódio e em raiva e em vontade de esmurrá-lo. Ela sacudiu a cabeça. Em breve estaria de volta em Storybrooke, com Henry, Mary Margaret e David, e não precisaria mais se preocupar com aquele pirata idiota.
- Aurora...? – Snow murmurou.
Tragada novamente para a situação ao seu entorno, Emma olhou na direção da princesa, no exato instante em que ela desmaiou e caiu sobre o chão de areia.
- Aurora! – Mulan gritou, correndo até a outra. Agachou-se, apoiando a cabeça da princesa em suas coxas e depositando leves tapas em sua face, a fim de acordá-la – Aurora! Aurora!
Snow agachou-se ao lado dela, preocupada, ao mesmo tempo em que retirava de suas coisas um cantil com água.
- Ela estava sem condições de prosseguir com a viagem – explicou mais para si mesma de que para qualquer outro presente, jogando um pouco de água nos lábios de Aurora – Ela não tem a mesma resistência que nós. E ela tem dormido pouco por causa dos pesadelos.
Emma observou Snow tomar calmamente uma das mãos de Aurora, acariciando-a em um cuidado gentil e maternal. Engoliu em seco, sentindo uma cutucada incomoda e desconfortável acompanhar os batimentos de seu coração. Em seus anos de febre e mal-estar em uma infância abandonada, ela nunca tivera alguém para segurar sua mão ou lhe dar um pouco de água.
- Sabe, querida... – Hook surgiu do nada atrás dela, fazendo com que seus corpos roçassem com a proximidade escolhida enquanto ele sussurrava provocativo em um tom que apenas ela podia escutar: – Ela ainda é sua mãe. Não precisa ter ciúmes.
Emma afastou-se, tornando o rosto para ele:
- Não estou com ciúmes.
Hook riu, dando-lhe uma piscadela:
- Não se esqueça, amor. Você é um livro aberto para mim.
Ela acabou optando por ignorá-lo, enquanto volvia a mirar Snow e Mulan cuidando de uma Aurora ainda inconsciente.
- Vocês estão escutando isso? – a voz de Killian se elevou.
Emma não entendeu. Mulan, ao contrário, pôs-se rapidamente de pé e empunhou sua espada.
- O que foi? – Emma indagou, confusa.
E então tudo aconteceu muito rápido. Emma não conseguiu contar direito quantos surgiram ou de onde eles vieram. Mas apareceram. Eram muitos. Homens e mulheres do antigo acampamento onde estavam vindo em sua direção – os mesmos que Cora havia arrancado os corações.
- Cora está os comandando para nos atacar! – Snow empunhou seu arco e flecha.
- Mas por quê?! – Emma bradou – Fizemos um acordo!
- Aquela bruxa gosta de complicar as coisas – Hook enunciou com desdém.
– Emma, cuide da Aurora! – foi a última fala de Snow que rodopiou naquela praia antes que todos partissem para o ataque.
Foi muito rápido para os olhos de Emma processarem. Mulan e Hook atacavam os mortos-vivos com suas espadas, enquanto Snow disparava flechas constantemente. Ela fitou Aurora, ainda desmaiada. Agachou-se ao seu lado para protegê-la. Queria lutar também, embora compreendesse que não poderia deixar a princesa desprotegida.
– EMMA! – Snow gritou – Atrás de você! CUIDADO!
O tempo lhe foi traiçoeiro em um ato de defesa. Antes que Emma pudesse fazer qualquer coisa, alguém golpeou-lhe as costas, fazendo com que ela se arrastasse pela areia e chocasse sua mão direita contra uma pedra.
– Maldito! – ela tentou se erguer, mas sua visão turvou-se. Novamente havia sido atingida.
– Emma! – a voz de sua mãe fez-se distante.
Ela só teve tempo de enxergar Hook se aproximando de onde ela estava.
E então desmaiou.
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