Até As Últimas Consequências
26 Um Pedido de Desculpa
Notas iniciais

[RECAPITULANDO]
O que a fez chegar lá foi à compreensão de que naquele momento Fitz a desejava e a queria. Quando o viu levar a menina escada acima, Elizabeth percebeu que estava exausta de todo acontecimento daquele dia. Estava criando coragem para subir para o quarto, e para falar a verdade, não sabia em que quarto iria dormir. Se seria no dela ou no de Fitz. Isso é, se Darcy simplesmente resolvesse fazer amor com ela, com certeza não se faria de desentendida, resolvendo então esperar para ver o que acontecia, afundou no sofá, desejando ir trocar de roupa, mas estava tão cansada que não tinha coragem de se levantar do sofá. Tinha sido um maravilhoso e longo dia. Sua mente revisou todos os descobrimentos sobre Darcy. Não foi muito, mas o suficiente para descobrir que assim como ela, ele havia sido abandonado pela mulher. Só de pensar naquilo, trouxe tristeza e raiva pela mulher que o abandonara.
***
Darcy voltou para baixo pouco tempo depois, logo que trocou a roupa da filha e fechou a porta do quarto dela, notou Elizabeth adormecida embrulhada numa manta que estava atrás do sofá. Não querendo despertá-la, trancou a casa e acionou o alarme, assim que terminou foi até ela, se inclinou e a pegou no colo.
Segurar Georgiana lhe dava paz e segurança, mas o corpo quente de Elizabeth lhe dava um efeito exatamente oposto. O peso dela em seus braços lhe dava uma pancada de excitação e uma ânsia de possuí-la. O seu quarto estava parcialmente escuro. Havia deixado acesa à luz do banheiro com a porta um pouco aberta, portanto Darcy conseguiu carregá-la sem bater nos móveis. Ele ajeitou o lençol com a mão.
Quando ele a colocou na cama, pensando a melhor forma de despi-la sem acordá-la, ela se mexeu e seus olhos se abriram devagar.
— Fitz?
Ela se levantou apoiando o peso do corpo nos cotovelos. Darcy tirou o cabelo caído no rosto dela.
— Ei dorminhoca você realmente está cansada.
Olhando pela penumbra do quarto ela voltou a fita-lo.
— Para falar a verdade estou um pouco sim. Como eu vim parar aqui?
— Ora querida, eu a trouxe até aqui. A minha intenção era saber se você queria tomar um chá e sentarmos em frente à lareira, mas vejo que não é uma boa ideia.
Elizabeth reprimiu um bocejo e se sentou na cama, arrumando o racho da saia.
— Agora? Você não acha que é um pouco tarde?
Ele ergueu os dedos dela até os lábios dele e os beijou.
— Por um acaso você vai virar abóbora?
Elizabeth deu de ombros, dando um pequeno sorriso.
— Acho que não. Mas antes gostaria de trocar de roupa. Encontro você na cozinha. — Ela se levantou, ficando em frente a ele, como tinha arrancado os sapatos, a diferença na altura deles destacava o contraste do homem para a mulher.
— Não — disse ele bruscamente. — Não troque de roupa. Por favor. Tenho umas fantasias com essa roupa.
Aquilo a fez sorrir.
— Fantasia? Mas eu não acho que essa roupa seja uma fantasia. É uma bela roupa — disse ela sem entender.
Ele segurou a nuca dela e a massageou em baixo da orelha.
— De fato é uma bela roupa. Acho que não precisamos de chá.
Elizabeth subiu nas pontas dos pés para beijá-lo.
— E o que é que precisamos?
Ele estava desorientado pelo cheiro dela.
— Ora querida, e você ainda pergunta? — Perguntou ele com malícia se concentrando na mulher sedutora a sua frente.
Ele foi trancar a porta do quarto e percebeu que assim que a porta foi fechada, Elizabeth ficou nervosa.
Ele colocou o braço em volta da cintura dela e a levou para cama.
Sentando na beira da cama, ele a posicionou na frente dele, de pé.
— Você é uma mulher linda, Elizabeth Bennet, mas nessa roupa… Pai do céu. Ainda bem que meu coração está em boa forma.
Ela relaxou a postura tensa.
— Você é mesmo bom nisso.
— Nisso o quê?
— Em fazer uma mulher se sentir especial.
— Você é especial — insistiu ele.
Delineando a borda do corpete com a ponta do dedo, ele deu um sorriso malicioso quando os braços dela se arrepiaram.
—– Eu a deixo nervosa, Elizabeth?
— Um pouco.
— É bom saber disso.
Finalmente ela se mexeu. Passando o polegar pelo lábio dele, ela o deixava sem fôlego.
Aquele bendito zíper acenava para ele de maneira irresistível. Ele brincava com a peça e a parte de trás dos dedos acariciava a pele entre os seios.
— Você faz ideia, do quanto eu tive que me segurar hoje?
Quando ele puxou a peça, o zíper cedeu o tesouro. Muito facilmente. Ele se obrigou a parar depois de descer o zíper por cinco centímetros.
Os olhos de Elizabeth estavam cerrados e seu peito subia e descia com a respiração acelerada.
— Não percebi.
Ele passou a mão nela tentando decidir se ela vestia calcinha. Claro que vestia. Elizabeth era tímida, embora a evidência presente não admitisse tal hipótese.
— Tive que ser muito paciente — reconheceu ele. — Mas às vezes paciência é uma virtude.
— Não agora — resmungou ela.
Ele brincou com o zíper. Uma coisinha tão simples para atormentar um homem, mas, ah, tão eficaz!
Mas instigar era preciso. Elizabeth admitira que não tinha grande experiência nas artes eróticas. Ele não queria assustá-la indo com muita sede ao pote como fez na noite anterior.
Fitz desceu o zíper até seu destino final que revelava os seios de Elizabeth de forma tentadora.
Fitz provocou uma reação repentina quando tocava a barriga dela com a ponta do dedo. Elizabeth agarrou o corpete, tampando-a, e com a outra mão se defendia dele.
— Pare com isso! – disse ela contrariada. — Sinto cócegas.
— Vou me lembrar disso.
— Tire as mãos daí, Elizabeth.
Um cacho de cabelo caiu sobre seu ombro quase nu.
— Você continua vestido — protestou ela.
— Minha vez vai chegar.
Ele segurou os pulsos dela com a mão, afastando-os de seu corpo. Com calma e meio sem jeito, já que tinha apenas uma das mãos para dar conta, ele tirava da mão dela o corpete.
Era evidente que não tinha refletido aquilo, pois os pulsos presos de Elizabeth impediram a conclusão do plano.
— Ah, droga.
Ela teve a audácia de rir.
— E agora? Talvez você não seja tão astuto como eu pensava.
— Você tem uma boquinha bem petulante para quem acredita ser tímida.
— Eu sou, Fitz.
— Percebi.
O ato de aprisionar os pulsos delicados dela com uma de suas mãos o excitavam ainda mais se é que isso fosse possível. Antes que pudesse pegar o corpete novamente, ele segurou a saia e puxou. Numa fração de segundo, ela estava nua. Ou quase. A calcinha preta minúscula cobria apenas o indispensável.
Elizabeth viu a cara de espanto do Fitz como bom sinal.
— Tem alguma coisa errada? — perguntou ela. Ele ficou contemplando a calcinha dela com tanta intensidade que deixou desconcertada.
Fitz limpou a garganta.
— Não vamos estragar a roupa.
Ele pegou nas mãos dela conforme ela saía de cima da saia e o arremessava para uma cadeira, nem ligando se tinha caído no devido lugar. Como Fitz parecia estar em choque, ela se sentou ao lado dele.
— Você já me viu pelada antes — brincou ela.
— Só uma vez.
Ele olhava para os seus seios, não tinha como ele deixar de ver as marcas ali deixadas e gentilmente passou o dedo em cima dela.
— Eu que fui o causador dessas marcas?
— Sim. — Respondeu ela começando sentindo-se ficar vermelha.
— Estão doendo? — Perguntou gentilmente.
— Não.
— Que bom. Você não tem ideia do quanto eu anseie por tê-la de novo em meus braços.
Ele passou a mão na coxa dela, descendo até o joelho.
— E eu também — respondeu ela, encostando a cabeça nos ombros dele.
Ela começou a desabotoar a camisa dele com a mão direita. Finalmente, ele despertou do transe. Suas mãos por cima das dela.
— Deite na cama, Elizabeth.
Foi uma ordem. Ela aceitou como tal, sentindo-se excitada com a autoridade dele.
Quando ela se acomodou, ele começando um strip-tease, tirou o colete e puxou a gravata. Ele não queria ser apressado.
Primeiro ele arrancou os sapatos e as meias. Depois a calça. A cueca box preta pouco fez para encobrir sua masculinidade. O impulso de sua ereção empurrava o tecido.
Ele continuou de cueca e tirou as abotoaduras da camisa numa lentidão meticulosa.
— Tire a camisa — implorou ela.
Fitz obedecia em silêncio.
Ela estendeu a mão quando ele tirava sua última e única peça de roupa.
Durante aquele tempo todo ela não ousou nem piscar. Nunca tinha acontecido aquilo com ela e estava adorando.
— Minha nossa.
Ele foi até a cama e se abaixou ao lado dela.
— Valeu a pena ter ido ao jantar desta noite, só pelo fato de vê-la aquela roupa. Mas sem ela, acho que você fica ainda mais linda.
Antes que Elizabeth pudesse responder, ele a agarrou e se rolou com ela. Agora ela estava por cima dele com a cueca box massageando suas partes femininas. Calafrios de expectativa corriam pelas suas costas.
Inclinando-se para baixo, se apoiando com uma palma sobre o ombro quente dele, ela alisava a borda do queixo dele com os dedos, sentindo a barba rala.
— Seu amigo gosta muito você — disse ela. — Ele o admira e respeita.
Fitz deu um sorriso torto.
— Não que eu me importe em ser bajulado, mas onde quer chegar?
Elizabeth sentia as mãos dele acariciando seu bumbum. Ela queria mesmo prosseguir com aquela conversa racional justo agora?
— Esqueça — murmurou ela. — Outra hora.
Ela deu uma reboladinha, fazendo Fitz gemer.
Sem pensar duas vezes, ela deslizou seu corpo até as coxas dele. As costas de Fitz se arquearam.
Ofegante, ele agarrou o cabelo dela.
Os palavrões de Fitz transformaram-se em um gemido enquanto ela rebolava em cima dele. Ela adorava senti-lo assim. A ex dele devia ser louca para largar um homem como o Fitz.
Ficou claro que a paciência dele estava no fim quando colocou as mãos por debaixo dos braços dela e a puxou para cima, beijando-a.
— Você é uma provocadora sem coração — acusou ele.
— É para seduzi-lo melhor, meu querido.
Ele parou.
— É isso que eu sou? Só mais um na sua cama?
— Como assim?
Irritada, Elizabeth se afastou. Ele ficou deitado e a encarou de forma ilegível.
— Aposto que na sua época você é cercada de homens inteligentes como você. Você nunca tentou ir para a cama com nenhum deles, afim de uma aventura sem compromisso?
Ela olhava com raiva, o impulso de dar um tapa nele quase vencendo.
— Assim você me ofende. De fato alguns homens realmente me cortejavam, mas eu não estava interessada em ir para “cama” com nenhum deles atrás de aventuras, como você está alegando. Essa é a segunda vez que me permito deitar com um homem sem pensar nas consequências dos meus atos. Pensei que estivéssemos nos divertindo, sendo a sua amante, mas vejo que estava enganada.
Furiosa, ela saiu de perto dele.
Uma das mãos agarrou o tornozelo dela, puxando-a de volta. Ele se sentou, segurou os ombros dela e a chacoalhou delicadamente.
— Eu preciso saber a verdade, Elizabeth.
Lágrimas ardiam seus olhos, mas ela engoliu o choro.
— Para quê?
Fitz rangia os dentes.
— Já fui usado uma vez. Não gostei muito.
— Olha, eu também já fui usada uma vez. — Ela chorou. — E também não gostei da experiência. Você está me dando teto e comida enquanto fico aqui. Ontem à noite, quando eu aceitei em ser a sua amante, não imaginei que você estava pensando que eu o estou usando. Então, o que isso faz de mim? Cheguei ao fundo do poço. Querer fazer amor com você não tem nada a ver com os sentimentos envolvidos. Eu não tenho muita experiência com homens, mas você é diferente.
Ele acariciou o braço dela depois da declaração sincera, estava totalmente ciente que Elizabeth era diferente das outras. Por trás do verdadeiro desejo sexual que ele tinha por ela, havia uma disposição que ele não conseguia definir. Carinho talvez, mas mais que isso, ele não sabia se ficava contente ou incomodado. Na realidade estava envergonhado pelas palavras que dissera. Sempre se sentia perdido quando via mulheres chorar e não sabia que atitude tomar.
— Isso não soa muito como um elogio.
— Eu não quero me apaixonar por um homem que sei que não vou ter ao meu lado. Você faz uma mulher querer algo que não está disposto a dar. — Disse aquilo mesmo sabendo que já estava apaixonada por ele.
Ele sentiu uma pontada de culpa. Elizabeth não estava errada.
— Nunca achei que isso fosse mais que divertimento para nós dois.
— Eu sei. Nós dois sabemos que a nossa relação vai terminar assim que eu voltar para casa.
— É verdade — disse ele limpando as lágrimas dela —, e não tem nada que podemos fazer com relação a isso. Você sabe disso.
— Claro que sei.
Seus rostos estavam a poucos centímetros de distância. Ela sentia a respiração quente dele em sua bochecha.
Ele a beijou lentamente.
— Perdoe-me, não deveria ter dito aquilo. Eu sou um tolo às vezes. Não quis ofendê-la. — De certa forma, foi muito bom saber que não precisava ficar imaginando com quantos homens Elizabeth havia se deitado antes dele. Aquilo foi um alivio enorme para o ego dele.
— Tudo bem, eu te perdoo.
Ele conseguiu dar um sorriso.
— Está certo. Eu deveria saber que você não tinha como resistir ao meu magnetismo animal.
Elizabeth juntou as mãos por trás da nuca dele e mexeu em seu cabelo.
— Modéstia não é um dos seus pontos fortes, não é?
— Jogaram praga para que eu fosse irresistível.
Seu humor irônico reabilitou o equilíbrio dela.
— Quero você — sussurrou ela ficando vermelha.
Ele se ajoelhando na frente dela, estava claro que a hora de conversar ficara no passado. Ele a tocou no interior para ver se estava pronta. Ela estava molhada. Querer Fitz era um desejo vivo. Repartindo as coxas dela com a mão, ele ficou entre as pernas de Elizabeth e a penetrou devagarinho. Alguém suspirou. Talvez ela. Talvez ele. Dessa vez, não havia pressa.
Ela enrolou as pernas na cintura dele se entrelaçavam com as dele. As mãos puxavam a cabeça dele para baixo para um beijo apaixonado e brincalhão.
— Você me impressiona — sussurrou ele.
Ela passou os dedos pelo cabelo dele, fazendo-o estremecer.
— Sou novata. Talvez seja sorte de principiante.
Apesar de ela ter levado o elogio como brincadeira, ele nunca estivera tão sério.
Ele estava começando a aprender os toques que a satisfaziam, as pequenas retomadas de fôlego que diziam que ele tinha encontrado um ponto sensível.
Ela aspirava intensamente e sua cabeça rodava em várias direções.
O conhecimento de Fitz sobre o corpo feminino garantia a satisfação.
Elizabeth se deu conta que ele estava fazendo ela chegar lá em tempo recorde. Ela saboreava o contato físico, segura de que Fitz fora o único homem que já teve ou que seria capaz de tocá-la de forma tão intensa, tão bem.
O quarto estava em silêncio, exceto pelos sons que ele fazia. Toda aquela discussão que tiveram momentos atrás foi esquecida.
Na escuridão, ele podia fingir que aquilo era tudo o que importava. A urgência inebriante de êxtase corporal.
A sensação de que estava tudo bem com o mundo.
— Não pare — pediu ela rumo ao clímax invisível.
— Jamais.
Fora um pedido em vão e uma resposta irreal. Ela o mordeu na nuca, marcando ele como dela. O corpo dele estava molhado de suor. A boca de Elizabeth estava seca.
De repente, ele bradou, seu corpo enorme estremecia por cima do dela. Elizabeth gozou antes dele, uma onda suave. Ele pegou o ritmo do impulso e a acompanhou, acolhendo a descarga física que o torturou e o virou pelo avesso.
Por ora, era o bastante.
Na sequência, ele ouviu a respiração dela acomodando-se num ritmo constante. Em minutos, ela estaria dormindo.
— Lizzie — sussurrou ele perto do ouvido dela.
— Hã?
Ela estava aconchegada no abraço dele, com o bumbum acomodado na virilha de Fitzwilliam. Era hora de se render ao sono e não para conversar, mas não dava para esperar.
— Desculpe por tudo o que eu disse. Se a nossa situação fosse diferente, gostaria que ficasse aqui.
Ele não pôde deixar de perceber o jeito como o corpo dela endureceu.
— Como assim? — perguntou ela.
“Porque eu gosto de ter você sob meu teto e na minha cama.”
Aquele tipo de declaração no meio da noite era demais, por isso ele mudou de ideia.
— Se tivesse um meio de você ficar aqui comigo e com minha filha eu iria aprovar.
— Mas infelizmente não vejo como isso seria possível. Eu já pensei sobre isso.
— Mas se surgir uma oportunidade você vai pensar no assunto?
Ela bocejou, a cabeça deitada sobre o braço dele.
— Você e Georgiana também são importantes para mim, Fitzwilliam. Por isso, vou pensar, sim. Prometo.
— Agora durma. A gente fala sobre isso amanhã.
Ele envolveu seus braços em volta dela e a segurou apertado, sussurrando em seu ouvido. Agora que suas necessidades físicas foram saciadas, ele poderia permitir-se descansar, e eles tinham que poder dormir um pouco.
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