Até As Últimas Consequências
49 Corrida Contra O Tempo
Notas iniciais

[RECAPITULANDO]
— Por favor, me ajudem! — gritou ele, e só então vários outros surgiram para terminar o trabalho e levantar o corpo imóvel de Lizzie da lama e dos escombros. Eles a carregaram até a estrada e a deitaram no chão. Um deles se inclinou sobre Lizzie por um momento enquanto Darcy se juntava a eles. Então se endireitou, olhando para todos, lentamente balançando a cabeça.
— É inútil. Ela está morta.
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— Não! — gritou Darcy, empurrando os homens que cercavam o corpo imóvel de Lizzie. O cabelo estava grudado no rosto dele e pingando, a calça jeans tinha lama até os joelhos, à camiseta estava encharcada. Os tênis estavam cobertos de lama, e ele imaginou que, para a maioria deles, devia parecer um louco. Mas não ligava.
— Saiam do meu caminho! Deixem-me passar!
— Sinto muito, senhor. Todos gostavam dela, mas é inútil. Ela se foi.
Darcy caiu de joelhos ao lado de Lizzie enquanto a chuva batia em suas costas e respingava nela, limpando a lama e a fuligem do rosto imóvel, formando gotas e escorrendo pelos cantos dos olhos fechados. Ele pressionou os dedos contra a garganta dela, mas não sentiu pulsação. Abaixou o rosto até a altura da boca, mas não sentiu respiração. Depois deslizou a mão por baixo da nuca e há levantou um pouco, puxou o queixo com a outra mão. Prendeu a respiração, apertando o nariz, e cobriu a boca dela com a sua.
— Senhor do céu, homem, você não pode beijar uma mulher morta desse jeito.
— Ela morreu senhor. É melhor deixá-la.
Ele levantou a cabeça rapidamente, e depois soprou de novo. E de novo. Alguém tocou o ombro dele para afastá-la.
— Deixem-no em paz! — disse uma voz de homem. E Darcy soube que era o homem que viera com ele. O pai de Jane. E o tom de aflição na voz não deixaram dúvidas na cabeça de Darcy. Ele ainda se importava com Lizzie.
— Não conseguem ver que ele está tentando ajudá-la?
Darcy ignorou todos e posicionou as mãos no peito de Lizzie. Contando silenciosamente, pressionava uma, duas, três vezes… Depois soprava na boca dela. Depois pressionava o peito de novo.
— Tirem-no de perto dela! — gritou um homem. — O que está fazendo não é natural!
Outra vez, mãos tocaram seus ombros, puxando-o com força desta vez. E mais uma vez, a voz do homem, aquela que sabia pertencer ao homem que Lizzie amara, interferiu.
— Tire as mãos dele ou eu atiro.
Surpreso, Darcy se voltou e viu aquele homem, com aparência feroz, em pé, na noite iluminada pelas chamas, com a chuva escorrendo pelo capuz de veludo, apontando uma pequena pistola para o homem que estava mais perto de Darcy.
— Todos vocês, afastem-se. Agora!
Lentamente, os homens se afastaram, balançando a cabeça.
— Com certeza ele perdeu a cabeça — disse um deles. — Os dois perderam.
Darcy não deixou passar nem um segundo. Inclinou-se sobre Lizzie e continuou tentando ressuscitá-la. Pressionou o peito até seus braços clamarem por descanso, e depois mais ainda.
— Por favor, Lizzie. Precisamos de você, droga.
Finalmente ele sentiu uma leve batida na mão que estava pressionando o coração dela. Abaixou a cabeça até o peito de Lizzie e desabou em lágrimas de alívio.
Lizzie soltou uma respiração grossa, então outra, e tossiu. As mãos levantaram, encontrando a cabeça dele lá, e os dedos dela enrolaram no cabelo dele e a puxaram para si.
O grupo de espectadores congelou. Alguns se benzeram, outros blasfemaram, enquanto outros apenas se afastaram.
— Fitzwilliam — sussurrou Lizzie.
Ele levantou a cabeça para fitar os olhos dela. Ela passou a língua pelos lábios e tentou engolir. Darcy pegou o rosto dela em suas mãos e a beijou gentil e lentamente. Suas lágrimas molhando os lábios dela.
— Consegui — disse ela, rouca. — Peguei os comprimidos.
— Nunca duvidei que conseguisse.
— Vamos levá-la de volta para a casa — disse alguém, e pareceu que as palavras acordaram os outros do estado de confusão em que estavam.
Darcy se levantou, permitindo que erguessem Lizzie.
— Coloque-a em minha charrete — ordenou George, e os homens o obedeceram como se estivessem acostumados a isso.
Darcy os seguiu, subindo na charrete sem ser convidado. E George entrou depois dele. Pegou as rédeas, as sacudiu e as rodas giraram. A charrete balançou pela estrada enlameada, produzindo sons e abrindo caminho de volta para a casa enquanto a chuva continuava caindo. Darcy se sentou ao lado de Lizzie, segurando sua mão.
Ele se perguntou o que fizera, como deixara isso acontecer. Não se dera conta da verdade até se inclinar sobre Elizabeth, percebendo que podia morrer. Apaixonara-se por outra mulher que o deixaria no final. Não via como eles poderiam ficar juntos. E agora que esse tal de George aparecera, Lizzie poderia ficar com ele, então eles se tornariam a família que ela sempre quis, ele ficaria sozinho. Talvez ela nem mesmo levasse em conta que George era o tipo de homem que via as mulheres como quem vê uma boa refeição. Algo que aproveitava enquanto podia e depois não pensava mais. Pelo menos essa era a maneira como ele pensava que aquele sujeito via a maioria das mulheres. Darcy baixara a guarda, de alguma forma, e deixara essa mulher sair do passado e entrar direto em seu coração.
Darcy sabia sem sombra de dúvidas que quando ele voltasse para o futuro, não deixaria nada, a não ser seu coração despedaçado.
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