Notas iniciais
Bonsoir ladys, como vcs estão? Pois é, aqui estou eu com mais um capítulo para vcs. Espero que gostem. Obrigada a todas pelas mensagens deixadas

[RECAPITULANDO]

Darcy sabia sem sombra de dúvidas que quando ele voltasse para o futuro, não deixaria nada, a não ser seu coração despedaçado.

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Havia alguma coisa macia a acariciando como a um querido animal de estimação. Passava a mão pelo cabelo, pelo rosto. Lenta e hipnoticamente. Lizzie inalou, meio que esperando encher os pulmões com uma fumaça acre. Em vez disso, porém, inalou o perfume mais doce do paraíso.

O cheiro de Darcy.

Fitz? Acariciando-a, dessa maneira?

Com cuidado, Lizzie abriu os olhos, só um pouquinho. O suficiente para vê-lo sem que soubesse que ela já estava acordada. E o que viu a surpreendeu. Ele estava sentado em uma cadeira ao lado dela… Ela aparentemente estava em sua própria cama. E ele parecia tão… doce. Vulnerável. Existia uma dor, um desejo, nos olhos dele, completamente revelado. Nenhuma máscara. Não quando achava que ninguém podia ver. Estava lá, no rosto dele. E isso a tocou, pois nunca tinha visto com tanta clareza antes. Provavelmente porque ele mantinha isso muito bem escondido.

Ternura. Zelo. Necessidade. E solidão.

Ela se virou para ele, tentando tocá-lo, se sentindo obrigada a fazer isso antes de conseguir pensar de novo. A reação de Fitz foi se enrijecer e afastar-se. Uma máscara cobriu seu rosto em um piscar de olhos, escondendo aquele Fitz preocupado e deprimido. Provavelmente, tentando se proteger. Meu senhor, por um momento, ele estivera olhando para ela como se…

Não. Era impossível. Talvez estivesse tendo alucinações.

— Fitz — murmurou ela, procurando o rosto dele mesmo enquanto ele o desviava e tentava enxugar as lágrimas sem que ela visse. Ela sorriu com o esforço dele. Não imaginara isso. — Tarde demais, Fitz — ela disse com voz rouca. — Já vi que está chorando.

— Não estou chorando. Homens não choram.

— Não. E você também não estava aqui sentado, me fazendo carinho, estava?

— Claro que não. Você está delirando. — Ele levantou da cadeira, os movimentos rápidos, como se fossem espasmos, e serviu um copo d'água. — Tome. Deve estar com sede.

— Obrigado, Fitz. — Ela pegou o copo, bebeu e os dois se encararam. Os olhos dele fixos na garganta dela enquanto engolia a água. Quando terminou, colocou o copo na mesinha-de-cabeceira. Distraidamente, ela passou a língua pelos lábios, e depois congelou quando os olhos dele se arregalaram. Ele desviou o olhar assim que sentiu o rosto corando.

Ela olhou dele para a janela, e ficou surpresa quando não viu gotas na vidraça. Apenas uma completa escuridão.

— Que horas são?

— Não sei. Mas já passa bastante da meia-noite. — Ele observou a confusão no rosto dela e continuou. — Você ficou inconsciente por algumas horas, Lizzie. Acho que foi uma combinação dos efeitos colaterais e da fumaça do incêndio,

— Dormi tanto tempo assim?

Sorrindo, ele assentiu.

— E como estão as meninas?

— Georgiana está bem. Apenas cansada. Arrumei uma cama para ela no quarto de Jane. Ela não quer deixá-la.

— Que menina especial você tem. — Então franziu a testa e engoliu em seco. — E Jane? Como está minha filha?

— Do mesmo jeito. Dei a ela outra dose de Doxiciclina, mas ainda é cedo para ver uma melhora real. Amanhã, ela começará a se sentir melhor.

Lizzie abriu um sorriso, incapaz de se conter.

— Tudo vai dar certo… Você vai ver.

Ele pareceu estar em dúvida, mas Lizzie não conseguia se livrar do otimismo que a dominava. Sua filha ficaria bem, mas Fitz dava sinais de preocupação. E isso, por alguma razão, fazia com que se sentisse quase leviana.

— E onde estão todos? — perguntou ela.

— Dormindo, é claro.

— É claro — repetiu ela. — Dormindo. Todos menos você, que está de vigília ao lado da minha cama, devotado como um homem perdidamente apaixonado.

— Não seja estúpida, Bennet.

— Não seja cabeça-dura. Pelo menos, admita a verdade. Por que é tão difícil para você dizer isso? Você gosta de mim. E me quer. Tanto quanto eu o quero. Você não parou de pensar em como foi… Em como poderia ser se nós…

Ele levantou o olhar, que se prendeu ao dela.

— Diferente de algumas formas inferiores de vida, não ajo de acordo com desejos físicos.

Ela sorriu para ele, e se sentou na cama.

— Você… Chamaria isto de desejo? Você me deseja, Fitz?

— Vá para o inferno, Lizzie. — Ele girou para fugir, mas ela o segurou pelo pulso e fez com que ele a encarasse. Depois o puxou para mais perto, até que as coxas encostassem no colchão, e então continuou puxando, até que ele não tivesse outra alternativa senão se sentar na beira da cama.

Ela o fitou, desejando entender por que ele negava seus sentimentos com tanta veemência.

— Você me odeia Fitzwilliam? — murmurou ela.

— É claro que não.

Não conseguiria, porém, distinguir isso pelo tom da voz ou pelo olhar dele. Ela abaixou a cabeça e começou a tossir. Tossiu até dobrar-se, até cair sobre os travesseiros de exaustão. Até que sua pele estivesse coberta por uma camada de suor e seus pulmões queimassem.

E ele estava lá, inclinado sobre ela, enxugando a sua testa e seu pescoço com um pano, passando os dedos pelo seu cabelo.

— Calma. Vai passar.

Fraca, ela olhou para ele. Agora parecia que ele se importava de novo. Um segundo atrás olhava para ela como se fosse uma assassina. Agora os olhos estavam arregalados de preocupação, e o toque era tão delicado quanto o de uma amante.

— Não entendo você — ela se esforçou para sussurrar.

— E quem disse que você precisa me entender? Droga, Elizabeth, você está bem?

Ela fechou os olhos e assentiu.

— Não acredito em você. Passou duas vezes pelo maldito portal e depois quase morreu no incêndio. Quanto mais você acha que consegue suportar?

Ela levantou a mão e o trouxe pela nuca para mais perto. Gentilmente, o beijou nos lábios e, quando sentiu que ele não a rejeitaria, fechou os olhos.

— Venha para a cama comigo, Fitz, e descobriremos — sussurrou ela, e então apertou seus lábios sobre os dele mais uma vez.

Desta vez, ele se afastou tão rápido que quase o jogou para fora da cama. Os olhos arregalados o fuzilaram com raiva.

— Que droga Elizabeth!

— O quê? — Ela piscou completamente confusa. Afinal de contas, qual era o problema?

— Quando eu sugeri que se tornasse minha amante, no meu século, foi por que eu tinha certeza que depois que você fosse embora, não teria que me preocupar mais. O que aconteceu entre nós… — Ele enrolou o pano na mão e jogou nela. — Significou muito para mim também, Elizabeth.

— E você acha que para mim, foi apenas sexo? Pois saiba que não foi, apesar de não querer, você significou muito para mim também. E agora me vejo em uma posição que prometi nunca mais estar.

— E de que posição você está falando, que jurou nunca mais estar? — Fitz ficou se perguntando o que fizera de errado.

Mulheres!!! Sempre querendo descobrir o que ia no coração dos homens. Era difícil para ela saber, que foi à única que tocou seu coração de um modo que nenhuma mulher jamais conseguira? Não deixara isso claro? Nunca desejara uma mulher como a desejava. Nunca… Nunca sentira por outra mulher o que sentia por ela.

Não, ele percebeu com uma clareza recém-descoberta, nem mesmo Catherine.

Mas Elizabeth não era uma mulher qualquer. Na verdade, estava bem longe disso. Piscou enquanto pensava nos sentimentos incomuns que tinha por ela, que aparentemente ela não percebia, e então congelou, chocado.

Pelo amor do senhor todo poderoso, será que se apaixonara por ela?

— Com o coração partido. — Ela viu Fitz se afastar lentamente. Homens!!! Ele não sabia o que ela sentia por ele?

Pelo jeito não.

Por um momento, Fitz congelara, diante da acusação dela. Bem, parecia que só havia uma maneira de descobrir se estava mesmo apaixonado por ela ou não. Teria simplesmente de analisar seus próprios sentimentos, com muito cuidado. Por enquanto, contudo, era o suficiente. Ele não merecia que ela estivesse tão zangada. Ele sentaria e explicaria para ela exatamente o que estava sentindo, e não queria que ela vivesse com o coração partido. Conversaria com ela, mas mais tarde faria isso, pois agora iria ver como estava a sua filha.

Depois que se viu sozinha no quarto, Elizabeth se perguntou por um momento quem havia trocado a sua roupa, se teria sido Mrs Smith, ou o próprio Fitz, mas deixaria para perguntar a ele depois. Ela se levantou da cama, equilibrou-se e foi em direção à porta. Talvez pudesse pedir para que ele ficasse, afinal de contas… Talvez…

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