Até As Últimas Consequências
25 Conversa Interessante parte 2
Notas iniciais

[RECAPITULANDO]
— Posso te dar um conselho? Vai com tudo, já passou da hora de Fitzwilliam dar uma nova chance ao amor, e se eu fosse você não desperdiçaria.
Elizabeth ia argumentar, quando ouviu Agatha arrotar e pouco tempo depois sentiu que a menina regurgitava em seu ombro, Louisa deu um pulo e pegou a menina nos braços.
— Mil desculpas por isso. Venha, vou te arrumar um pano para você se limpar. Enquanto isso vou lá embaixo fiscalizar os nossos rapazes.
* * * *
Na cozinha, Charles virou para Darcy.
— Rapaz, sei que sou casado e muito bem casado, mas que beldade é essa que você arrumou? — Charles falou baixo se certificando que estavam sozinhos.
Darcy apenas sorriu, pois sabia que o amigo estava certo.
— Digamos que eu sou um homem de sorte.
— Até parece, nem vem com esse papo. Deixe de ser tonto e diz logo, como foi que você a conheceu? — perguntou Charles cheio de curiosidade.
— Rapaz se eu te contasse você não acreditaria em mim. É uma longa história.
— Você vai me deixar no vácuo mesmo? Você nunca foi de esconder nada de mim, assim como eu nunca deixei de te contar nada.
— Desculpe, mas hoje eu não posso, não teria tempo de te pôr por dentro do assunto, essa história é muito longa e daqui a pouco elas vão voltar aqui, e não quero ser interrompido. Vamos marcar um dia desses para a gente se encontrar.
Charles pensou em replicar, mas percebeu que o assunto era sério, por hora não iria cobrar o amigo.
— Só me diz uma coisa, ela está envolvida com alguma coisa ilegal?
— Não, nada do tipo. — Mas se ele não tomasse cuidado, Elizabeth poderia sem querer mudar o destino do mundo, principalmente o dele.
— Se é assim, tudo bem. Já que você se recusa a me contar qualquer coisa hoje, vamos ao jogo de futebol amanhã à noite e não quero um não como resposta. Eu ganhei dois ingressos para assistir Real Madri e Manchester da Liga dos Campeões no estádio de Old Trafford em Manchester, depois podemos comemorar o resultado em um pub.
— Mas Louise não iria se importar de não ir nesse jogo?
— Você está é me enrolando, para começo de conversa, foi ela que me deu os ingressos como presente, pois sabe que eu e você gostamos de futebol e ela queria que nos encontrássemos para ir.
Como sabia que Charles não descansaria até descobrir toda a verdade, e uma vez que ele era uma pessoa de confiança, acabou aceitando.
— Tudo bem, te conto, desde que não espalhe.
— Assim você me ofende. Desde quando você me conhece e eu alguma vez te revelei algum segredo seu?
— Nenhuma.
— Então pare de ser idiota. Vamos começar logo com esse jantar, se não vai ficar muito tarde. — Ele abriu o refrigerador retirando os temperos que usaria nos bifes e começou a marinar.
— O que você pensa que elas estão falando lá em cima? — perguntou Darcy que estava na pia lavando suas mãos para ajudar Charles com a comida.
— Conhecendo minha mulher como eu conheço, eu diria que elas estavam conversando sobre você.
— É disso que eu tenho medo. — Deliberadamente Darcy procurou evitar pensar sobre todas as coisas que Louise podia estar dizendo a Elizabeth agora mesmo, ele deu os bifes para Charles e começou a lavar as batatas. Secas, ele as embrulhou cada uma em papel laminado untada com manteiga e condimentos, e colocou no forno já aquecido.
— Não se preocupe. Louise não contará nada a respeito de Catherine. Ela só quer ver você feliz. Aliás, todos nós queremos. — Ligando para grelhar, Charles ajustou a temperatura adequada.
— Obrigado, eu aprecio isto. É muito para nós dois nos ajustarmos, e eu não disse para ela tudo sobre o meu passado. — Alcançando em cima no armário, Darcy procurou uma tigela suficiente grande para a salada.
— Se você achar que está preparado, então se abra com ela. Eu sei que você é capaz. E aposto que ela é a mulher certa. Eu não digo que é fácil, mas comparado a uma vida sem minha mulher, foi a melhor escolha que eu podia ter feito.
— É eu bem sei. Falando em passado, meu pai vai fazer uma festa de aniversário no próximo dia 12 deste mês, você acha que eu devo ir?
— Que pergunta é essa?
— Ora? Você conhece a minha família, eles são doidos, se eu pudesse nem iria, mas também não posso deixar de ir. No convite que me enviaram, diz que a festa é para adultos e que além do mais vai ser a fantasia.
Charles riu ao imaginar o amigo em uma fantasia.
— Essa eu queria ver. Por que você não leva Elizabeth com você?
— Eu bem que poderia, mas acho que ela não vai mais estar aqui. Mas o que eu queria te pedir é se você poderia ficar com a Georgiana.
— É claro que fico, mas que negocio é esse que Elizabeth vai embora? Está relacionado ao que você não pode me contar?
Darcy assentiu e eles não voltaram a falar sobre o assunto.
Pouco tempo depois, Louise entrou na cozinha. Charles cruzou ao seu lado, escoltando ela para o bar, e ajudando ela sentar-se em uma cadeira. Deu um rápido beijo nela, então ele voltou a grelhar.
— A nossa pequena Agatha presenteou Lizzie com um banho de vômito — Louise reclamou.
— O bebê fez isso? — ele perguntou.
— Eu posso imaginar a reação dela, — Charles disse com uma risada no fundo.
— Ela está lá se limpando, mas só sabemos que não é uma experiência das mais agradáveis. Assim que chegar vai ter que tomar banho, vômitos de bebês não são cheirosos.
— Verdade, lembro-me de quando Georgiana fazia isso quando era bebê. — Ele sorriu quando lembrava.
— Posso te perguntar uma coisa? — Perguntou Louise se servindo de um copo de água.
— Claro.
— Você já contou para a sua filha a respeito da mãe?
Por um momento, Darcy parou o que estava fazendo e encarou a esposa do amigo, sem saber direito o que dizer. Sabia que se ela tinha alguma coisa para falar, não perdia a oportunidade.
— Para a minha filha a mãe faleceu.
— Mas o que vai acontecer, se um dia sem mais ou menos essa mulher aparecer?
— Louise, não seja tão dura com o homem. Se um dia isso acontecer, e esperamos que não aconteça, acho que Fitz vai saber tirar de letra.
— Assim eu espero meu amigo. — Darcy respondeu, torcendo para que realmente aquilo nunca viesse a acontecer.
— E como foi que Georgiana aceitou a sua relação com Elizabeth?
— Por enquanto, não contei nada a ela, vamos ver como a coisa se desenrola.
— Por um lado é bom, sua filha precisa de uma presença feminina em casa. E está na hora de você ser feliz. Se nós pudermos ajudar com isto, vai ser mais fácil.
Darcy ficou calado, pois ter Elizabeth para sempre do seu lado era um possibilidade muito remota, e seus amigos jamais acreditaram naquilo.
— Ela perguntou alguma coisa? — Ele estava mais preocupado com o seu presente, ou seja, sua própria relação, ao invés de uma história antiga.
— Sim. Mas como nem eu sei de tudo, contei somente que Catherine sumiu.
Darcy sabia que mais dia menos dia, teria que contar a Elizabeth sobre o seu passado. Ele não estava conseguindo digerir que dentro de alguns dias, o aparelho estaria consertado e ela iria voltar para casa. Tudo o que podia fazer, era esperar o melhor.
Todos olharam para cima quando Elizabeth entrou na cozinha. Darcy se aproximou e colocou seu braço ao redor de sua cintura e a guiou para o balcão em um banco próximo a Louise. Depois de ajudá-la a se sentar sobre o banco, ele voltou a preparar o jantar. Elizabeth assistiu os atos durante algum tempo antes de perguntar,
— Existe alguma coisa que eu possa fazer?
Ele agitou sua cabeça.
— Não, você apenas se sente e relaxe. Tudo está sob controle.
Num instante, o jantar estava pronto. Foram chamar as meninas e eles se reunirão na mesma mesa. O jantar foi muito relaxante. Louise e Charles disseram um pouco sobre eles mesmos e seu relacionamento. Juntos, eles faziam um par atraente. Louise era um pouco mais alta que Elizabeth e apesar de ter filha há pouco tempo, era esbelta, com sua cor de chocolate. Ela usava seu cabelo afro comprido que se adequava a seu rosto redondo. Charles deveria ter a mesma altura que Fitz, ou seja, ambos tinham 1,90 m.
Ele deixara os cabelos ruivos com um bom corte. Pareceu bom nele. Eles eram claramente e totalmente apaixonados um pelo outro. Dava até inveja de se ver.
Ela também aprendeu que tanto Darcy, quanto Charles quando era mais novo, viviam aprontando. Desde fugir à noite para irem a show ou mesmo tentar entrar em pubs quando não tinham idade para isso. Eles demoraram sobre o jantar. Quando eles não podiam mais comer, todo mundo ajudou a limpar a mesa. Era muito cedo para a noite terminar, então enquanto eles levaram suas bebidas para a sala de estar, as meninas voltaram para a sala de brinquedo para assistir um filme. A noite estava um pouco fria, então Charles ascendeu um fogo na lareira, Louise se acomodou em uma poltrona, quando Charles tinha terminado, ele puxou Louise fora da poltrona e sentou-se. Depois que ele tinha se sentado, ele a puxou para baixo a sentou-a no colo dele e começou a tocar em seus cabelos.
Elizabeth se sentou no sofá de frente para eles, um pouco invejosa do afeto que eles exibiram. Quando Darcy se acomodou ao seu lado, e sem mesmo perceber passou o braço em suas costas como se quisesse dar um apertado abraço.
— Mais cedo, você disse que finalmente tinha conseguido abrir a sua loja.
— Loja? Que tipo de coisa você vende por lá? — Charles perguntou lentamente, seus braços ao redor de sua companheira, enquanto acariciava o seu braço.
— Eu possuo uma loja de antiguidades, além de fazer restaurações, — Darcy respondeu, tentando ignorar o crescente desejo se acariciar Elizabeth.
— Lojas de antiguidade e restauração? Eu já ouvi delas. É onde as pessoas trazem todos os tipos de coisas para arrumar, não é? — Louise perguntou.
— Sim. Muitos objetos quando são levados até mim, estão em péssimo estado. Então eu tento ao máximo restaurá-la. Nem sempre é possível pelo estado de conservação, mas eu tento.
— Eu bem sei, Fitiz sempre foi amarrado nessas coisas de antiguidade.
— Verdade, esse foi um sonho que eu sempre quis realizar. Mas minha família nunca levou fé que iria dar em alguma coisa.
— Parece que eles caíram do burro. — Todos riram.
— Ter vindo para essa cidade, foi um achado para mim.
— Querida, convenci Fitz de ir ao jogo comigo amanhã, — disse Charles mudando de assunto.
Elizabeth imediatamente ficou com as antenas ligadas ao perceber que aquela poderia ser a oportunidade que estava esperando para poder escapar sem que Darcy desse por sua falta.
— Que bom, eu estava torcendo para que vocês fossem.
— Depois do jogo, passaremos em um pub para comemorar.
— Ei, espere um pouco, que horas vocês pretendem sair daqui e que horas vão chegar?
— Bem, o jogo vai começar as 20h00, até que passemos no pub, se tudo der certo chegaremos por volta da meia noite. A menos que o Manchester perca.
— Rapaz vire essa boca para lá.
Elizabeth começou a fazer os cálculos em sua mente, teria que sair de casa no máximo umas nove e meia da noite e percebeu que levaria em torno de quarenta minutos entre ida e volta. E se tudo desse certo, levaria no máximo uma hora e meia para completar a missão. Isso tudo se Georgiana fosse dormir, as nove. Pretendia estar na cama, quando Darcy regressasse. Vendo que Louise tinha lhe perguntado alguma coisa, se desculpou e pediu para que ela repetisse.
— Eu lhe perguntou se você acha uma boa ideia esses dois irem se divertir sozinhos. — Louise sorriu para ela com simpatia.
— Se eles se comportarem, sim. Temos que dar um voto de confiança a eles.
— Você não confia em nós querida? — Charles fazendo biquinho.
— Lógico que confio, só não confio nas outras mulheres.
— Pode ficar despreocupada. — Charles revirou os olhos, obviamente acostumado a ser atazanado por sua esposa.
Elizabeth sorriu para Louise.
Acertaram os últimos preparativos e uma hora mais tarde, Darcy buscou Georgiana que simplesmente apagara e a colocara no banco traseiro do carro.
— Foi realmente muito bom te ver, da próxima vez vamos marcar alguma coisa lá em casa, — disse Darcy.
— Vou ficar no aguardo.
Combinaram os detalhes, se despediram e ajudando Elizabeth a entrar no carro, foram para casa.
— Eu gostei muito dos seus amigos. Sinto como se os conhecesse a vida toda.
— Fico feliz por ter gostado deles. São pessoas especiais.
Elizabeth havia amado a noite, e disse a ele. Ficou observando enquanto ele dirigia e sem que percebesse acabou cochilando. Só foi acordar quando Darcy estava estacionando o carro na garagem.
— Nossa, nem percebi que havia dormido.
— Querida, pode ficar sossegada, não conto para ninguém que você ronca.
Elizabeth estava horrorizada.
— Seu mentiroso, eu não ronco. — Disse ela sorrindo, quando o viu dar a volta e abrir a porta para ela. Ele pegou a filha nos braços e a levou para o quarto dela.
Ele pegou nas mãos de Elizabeth e ambos entraram na casa.
Quando o viu levar a menina escada acima, Elizabeth percebeu que estava exausta de todo acontecimento daquele dia. Estava criando coragem para subir para o quarto, e para falar a verdade, não sabia em que quarto iria dormir. Se seria no dela ou no de Fitz. Isso é, se Darcy simplesmente resolvesse fazer amor com ela, com certeza não se faria de desentendida, resolvendo então esperar para ver o que acontecia, afundou no sofá, desejando ir trocar de roupa, mas estava tão cansada que não tinha coragem de se levantar do sofá. Tinha sido um maravilhoso e longo dia. Sua mente revisou todos os descobrimentos sobre Darcy. Não foi muito, mas o suficiente para descobrir que assim como ela, ele havia sido abandonado pela mulher. Só de pensar naquilo, trouxe tristeza e raiva pela mulher que o abandonara.
Fale com o autor