Attributi Vs. Tenebras
14 Capitolo Nove - Sopra le nuvole
Notas iniciais
Os campos verdes incomodavam imensamente os olhos violetas. Parecia que a imagem não mudava, sempre os mesmos campos de plantação.
- Se acalme. — Disse o rapaz a sua frente enquanto olhava pela janela. — Está muito agitada.
- Faz parte. — Disse ela. A falta de adrenalina deixava-a louca.
O rapaz suspirou e colocou as mãos na nuca ainda olhando pela janela do jato particular. Sua empatia nunca falhava, ou talvez fosse aquela garota deixando-o louco. Respirando fundo se levantou e começou a andar pela aeronave.
A garota pensou em pegar algo para comer, talvez isso aliviasse seu estresse. Se levantando a italiana caminhou até o rumo do rapaz um pouco mais novo que ela. Passando pelo garoto ignorou-o, pegou um pequeno pote de mel e se virou para voltar ao lugar, mas infelizmente, ou não, houve uma pequena turbulência nesse mesmo instante e ela acabou por tropeçar no rumo do rapaz que a segurou velocidade e força.
- Cuidado. — Ele sussurrou com a respiração acelerada enquanto os olhares de ambos se encontraram. A portadora do anel de Aria assentiu um pouco nervosa e hipnotizada pelos olhos que lembravam a noite sem estrela. Aquele roxo quase negro.
Soltando, relutantemente, a garota, o Squalo se virou novamente para o frigobar, procurando algo para beber ou comer lá dentro. Suspirando ouviu os passos calmos e não se conteve em olhar para a acompanhante de viagem, se amaldiçoou severamente por ousar fazer aquilo.
O portador da chama aquática não foi capaz de desviar o olhar do corpo estonteante da mulher que se sentava no sofá da aeronave. Se virou corado quando notou que Chiara o analisava.
Idiota. Foi a única coisa que conseguiu pensar antes de pegar uma água mineral e fechar a porta do frigobar. Sem coragem para se aproximar novamente da cigana.
Escorando-se na parede do jato começou a beber a água olhando em tempos alternados para a garota que nem se quer notava, ou fingia não notar. De repente, assustando tanto Hama quanto Chiara a porta do jato foi aberta e o piloto apareceu com um sorriso largo.
- E então, como andam o meu aprendiz e a garota da Wanda? — Perguntou Robert com um sorriso malicioso. Squalo corou e desviou o olhar sentindo o suor frio escorrendo pela sua testa. Chiara tinha agora um sorriso singelo e gentil no rosto. — Vejo que estão bem... Acho que vou voltar para a cabine. — Disse o mais velho pegando um copo de Martini que havia acabado de colocar. — Salud. — Disse suavemente enquanto voltava para a cabine.
- Robert é meio estranho. — Comentou Chiara puxando assunto. Hama se permitiu rir.
- Isso porque não o viu quando está me ensinando ilusionismo. — Hama fingiu ter tido um arrepio assim que terminou a frase, se bem que não foi muito fingido. — Ele fica sádico.
- Imagino. — Disse ela com um pequeno sorriso.
Hama se atreveu a olhar novamente as orbes violetas e se arrependeu profundamente. Novamente o ilusionista se viu afundando naqueles olhos hipnotizantes. Engolindo em seco Hama desviou o olhar por pouco, esteve a poucos instantes de se aproximar da garota e roubar-lhe um beijo.
- Que arma você usa? — Perguntou ele. — Sabe, eu gostaria de saber sobre meus companheiros de batalha, para poder melhor protegê-los.
- Não preciso de proteção. — Disse Chiara de forma zombeteira. — Mas mesmo assim, obrigada. — Ela sorriu e pegou o casaco que estava dobrado sobre o sofá, procurando qualquer coisa nos bolsos.
- Ah, qual é... Eu tó tentando puxar um assunto. — Disse Hama de forma gentil e amigável.
Chiara sorriu.
- Arcos. — Disse ela. — Sou boa com arcos. — Hama sorriu. — E você?
- Martelos. Curtos. E isso nos torna uma combinação perfeita. Eu na luta corpo-a-corpo e você na luta a distância, aniquilaremos os Attributi num piscar de olhos. — E ele finalmente se ousou aproximar dela, sentando de frente para ela. — Vamos jogar? — Perguntou repentenamente com uma voz infantil e engraçada.
- O que pretende jogar comigo? — Ela perguntou enquanto tirava um jogo portátil do bolso do casaco.
- Não um jogo, uma espécie de questionário. Eu te faço uma pergunta, e você tem que responder sem mentir, ai você me faz uma pergunta e vai indo, quem não responder, ou mentir perde e terá de pagar o "castigo" que o outro propôr sem reclamar. — Chiara pensou um pouco, não era seu tipo preferido de jogo, mas valeria a pena... Ela esperava.
- Okay. — E assim eles passaram toda a viagem assim, em uma conversa acima das nuvens.
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Sentado na cadeira do piloto Robert jogou os pés sobre os controles da aeronave sem se importar. As mãos jogadas na nuca lembraram vagamente Squalo Hama. Sua co-pilota olhou pelo canto do olho.
Ele era diferente dos outros, totalmente. Como era de se esperar de um Acqua. O olhar sedutor, mesmo mirando as nuvens, causavam arrepios na mulher de terno.
- Relaxe Wanda. — Disse Robert sem se importar com nada. — Você ainda não é meu alvo. — Disse ele se virando para a italiana que corou violentamente. — Além do mais seu rolo é com um certo raio... — E então o espanhol riu ao levar um leve soco no ombro. — Brincadeira.
- Sei que sim. — Disse Wanda suspirando. — Devia dormir, sabe... Ficar de olhos fechados por mais que duas horas. — Disse a Boss.
- Sabe que não conseguirei Wanda. — Disse o homem. — Não depois de tudo.
Wanda suspirou e se levantou se aproximando de Robert. Ficando atrás da cadeira do piloto ela começou, gentilmente, a massager-lhe os ombros.
- Você está pedindo para que eu relaxe, mas está tenso. — Disse ela com calma.
- Você não é a empática da turma. — Disse o espanhol.
Com um sorriso gentil e leve Wanda passou a mão direita pelos cabelos, hoje, verde-musgo do subordinado.
- Seu cabelo hoje está muito estravagante. — Comentou por comentar.
- E você está sempre provocando seus subordinados. — Disse ele quando sentiu que ela voltava a massagear-lhe os ombros. — Ou devo dizer mimando?
- A segunda opção me parece menos açanhada. — Disse Wanda rindo enquanto parava a massagem e se afastava de Robert em direção a saída da cabine. — Vou pegar algo para mim, quer outro Martini? Ou prefere que eu te traga um musse?
- Um musse de chocolate com pequenas cerejas. Tá lá no frigobar. — Disse Robert com um sorriso enquanto olhava por cima do ombro para a Boss.
Wanda assentiu com um sorriso e saiu da cabine, menos de meio segundo depois Robert se afundava na cadeira e tentava se lembrar qual foi a última vez que esteve a sós com a Boss. Nunca depois do incidente. Talvez fosse isso.
Com o suspiro o espanhol olhou o copo de Martini que ainda tinha um resto quase mínimo daquele líquido amargo que tanto adorava para usar como válvula de escape.
"- Que fique claro! — Disse Olivia enquanto se jogava no sofá da sala. — Eu odeio que me perturbem. — Os olhos indicavam o motivo do nome, tão comum na Itália e na Espanha, ter sido dado a ela. Os olhos eram de um verde-oliva de dar inveja em qualquer um.
- Tanto faz Boss. — Disse uma morena, era a mais velha dos sete enquanto dava socos no ar. — Vamos espancar aquele Quarto como se ele fosse um saco de areia. — E então a morena riu sozinha.
- Respeite a Boss. — Disse uma voz fria e rígida. Os cabelos verdes escondidos pela touca de sempre.
- Paola! — Berrou Olivia dando um suspiro em seguida. — Tire essa touca e solte seu cabelo. — E então deu seu típico sorriso safado. — Do jeito que está não podemos usurfruir de sua imensa beleza. — E então ela sorriu ainda mais largamente, dessa vez de modo singelo.
Imediatamente a verdinha corou enquanto um rapaz no canto da sala ria baixo, apenas observando aquele trio feminino que era de enlouquecer qualquer homem. Tanto da forma louca com que agiam, tanto da forma peculiar que se vestiam e ainda por cima pela forma perfeita que seus corpos possuíam.
Coçando o nariz o rapaz se aproximou do trio.
- Olá. — Disse ele fazendo que Olivia olhasse para ele, mas ela não disse nada apenas olhou-o e depois ignorou-o. — Olivia... — Ele suspirou.
- Saia. — Comandou a espanhola.
- Oli-- Ele foi interrompido pela espada que foi colocada a centímetros do seu pescoço.
- Você ouviu-a... Saia. — Disse Paola fazendo jus ao tipo de pessoa que haviam avisado que ela era: A sombra da oliveira.
Com um suspiro o rapaz saiu, passou a mão pelos cabelos alaranjados e partiu em direção ao subsolo onde um laboratório escondido funcionava e onde os cientistas da Tenebra tentavam compreender a chama do opala e todas as outras."
Suspirando Robert tentou apagar aquelas lembraças de sua mente, e por estar tão longe dali, tanto em espaço quanto em tempo, mal notou quando Wanda apareceu com seu pote de musse na mão.
- Pensando na Segunda? — Perguntou Wanda olhando para o céu a sua frente.
- Olivia sabia o que fazer, e depois que... Depois de tudo aquilo eu realmente me sinto perdido. — Wanda suspirou e assentiu, era compreensível. Principalmente para ela que conhecia tão bem o Acqua.
- Vamos apenas colocar no piloto automático e dormir. Você precisa descansar para treinar seu sucessor.
- Não é muito diferente para você, Wanda. — Disse ele.
- Deixe Cane em paz. — Disse Wanda com certa irritação.
- Okay. — Disse ele com um sorriso idiota na cara.
Wanda deu-lhe uma cotovelada de leve e afundou na cadeira confortável de co-piloto. Robert olhou uma última vez para o céu na mesma altura de seus olhos e se afundou na cadeira também, fechando os olhos e tentando dormir mais que as outras noites dos últimos sete anos.
Pouco antes de dormir Wanda se lembrou de uma pessíma memória que deveria estar enterrada no fundo de seu subconsciente, mas que este fez questão de relembrar:
"- NÃO! — Berrou a garota de cabelos verde escuro. — É MENTIRA! — Berrou-a descontrolada enquanto as lágrimas desciam sem permissão pelo canto dos olhos cinzentos. — Não... Minha Olivia não... — Murmurou antes de cair de joelhos.
Aquela garota tinha perdido tudo, só havia lhe sobrado a Boss para seguir, mas agora... Depois do que aconteceu. Nem mesmo a presença reconfortante de Olivia aquela garota não teria.
A morena suspirou se aproximando da mais nova do grupo. Os prantos desta deixavam a morena comovida e todos ao redor, naquele círculo de luto, tinham suas próprias lágrimas nos olhos.
Uma certa garota de olhar inocente e cabelos pratas olhou para o céu noturno e tocou no ombro da morena que estava a poucos metros da garota em prantos.
- Eu cuido disso, leve os outros para o acampamento... Todos nós sabemos que você era a segunda na linha de sucessão. — Disse a garota fazendo com que os olhos verde-oliva, tão parecido com a da verdadeira Boss, encontrarem os olhos azul-noite. — Eu cuidarei de Paola. — Disse a garota. — Tem minha palavra como arqueira e como espartana.
A morena respirou fundo e assentiu saindo dali e levando seus companheiros consigo." Era só disso que Wanda se lembrava, e lamentava por não saber o que aconteceu depois naquela noite em que sua atual Metallo sofreu mais que qualquer outro ser ainda existente.
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Sete anos antes. Floresta Romena.
"Paola continuava ajoelhada no chão, o rosto afundado nas mãos bronzeadas que ainda tinham o cheiro dela. Seus braços tremiam, talvez de frio, talvez de raiva ou apenas frustração.
Tirando o casaco a arqueira cobriu a mais nova e agachou-se frente a ela, para que ficassem praticamente na mesma altura, se a mais velha não fosse tão baixinha.
- Paola. Não chore. Você sabe que ela está conosco. Você ouviu Robert. — Disse a garota.
- É mentira. Ele apenas quer que eu me sinta melhor. — Retrucou Paola de fora frígida.
- Paola. Você sabe que isso era uma das coisas que mais feria-a... Ver você triste. — Disse a garota enquanto limpava as lágrimas das bochechas bronzeadas.
- Mas... Elena...
- Não. — Disse Elena rapidamente. — Nem pense que eu vou deixar você falar coisas idiotas agora. De pé. Temos de ir para o acampamento, o pessoal deve estar nos esperando. — Em um gesto raro e singelo Elena sorriu de forma verdadeira, coisa que Paola nunca tinha visto, mas que fez o espirito de metal se elevar.
Caminharam por um curto periodo de tempo antes de Paola perguntar curiosa:
- Qual a sensação de matar?
Elena não respondeu de imediato, muito pelo contrário, pensou bastante. Era raro ouvir uma pergunta dessa de uma garota tão jovem.
- Por que está perguntando isso? — Perguntou Elena calmamente.
- Quero saber qual a sensação de algo que farei muitas vezes no futuro.
- Pretende matar? — Perguntou Elena um pouco surpresa. Era surpreendente como aquela garota de dezesseis anos pensava em tão terrível e horrorizante ato.
- Prentendo vingar minha felicidade. E mostrar a todos eles essa dor. — Disse Paola. Elena assentiu e tirou algo do bolso, estendendo calmamente para Paola.
- Olivia pediu que eu te entregasse. — Disse a baixinha enquanto via Paola olhar encantada para aquele anel de que mesmo completamente negro lhe era familiar. — Disse que só você era capaz de reacender a vida nesse anel. — Disse Elena.
- Primeiro me diga... Qual a sensação de matar? — Perguntou novamente Paola. A mulher que caminhava ao seu lado olhou para o céu noturno pela segunda vez na última meia hora.
- É bom. — Respondeu simplesmente."
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