Atraída
7 Eu sou uma pessoa confusa...
Notas iniciais
... É, eu sei.
Mas depois de tanta coisa que acontecera nesse meio tempo, eu meio que liguei o "foda-se", sabe? Amar é algo complicado demais. Entre amar e dormir, prefiro dormir. Pelo menos em meus sonhos eu idealizo uma vida diferente, normal e perfeita para mim. Eu e as cinco mulheres que confundem minha cabeça, sendo que destas, duas delas eu já não sei mais o que fazer. Na realidade, para mim, tudo é questão de pente-ralismo demais da parte das pessoas. Enquanto eu, pobre Meg, apaixona-se atoa pelas pessoas erradas.
Se bem que, não há pessoas erradas. Só há pessoas que não sabem amar, ou não o querem.
Pois bem, depois de toda aquela confusão, passaram-se meses que eu resolvi me trancar. Não conversei com ninguém direito, tirando a professora. Ela era bem gentil, até... Acabamos nos aproximando. Seu nome era Ana Maria. Mas ela preferia ser chamada só de Ana. E eu preferia chamá-la só de Professora. Eu não parei de me sentir atraída por ela, rs, mas parei de observá-la. No fim, viramos "colegas", e eu conseguia me abrir com ela. Já que ninguém mais queria saber.
- Você não acha que deveria conversar com suas amigas? — Ela sugeriu, enquanto corrigia nossa prova. (E nesse momento, eu já me sentava bem em frente à mesa dela)
- Ah, não... Talvez. É bem complicado. — Respondi, ainda pensando. — Sabe, eu não queria que minha vida fosse tão complicada. As coisas acontecem e eu nem percebo...
- A sua vida só é complicada porque você quer. As coisas são simples, mas nós é quem complicamos tudo. — Ela nem ousou a olhar nos meus olhos, mantinha-se fixa nas provas.
- Ana, já corrigiu minha prova? — Gabriela apareceu num vulto e sentou-se ao lado da professora.
- Não, senhorita. Se quiser esperar aí, fica a vontade... Mas não posso conversar muito, tenho que me concentrar para não errar nada, haha. — Ela disse e piscou pra mim. E Deus sabe o quanto eu tive raiva dela naquela hora.
- Hum... Ta ok... Acho que... É... Vou voltar pro meu lugar e depois volto. — Levantou-se.
- Gabi. — Eu disse.
- Oi? — Ela respondeu, meio que sem reação.
- Senta aqui do meu lado, precisamos conversar. — Arrastei uma cadeira.
- Ah, conversar o que? — Ela desconfiou.
- Senta logo, menina. — Disse-lhe.
Logo ela se sentou e eu me virei para olhar em seus olhos. Comecei a pensar em todo um monólogo para que ela voltasse a conversar comigo, mas só então percebi que minutos haviam passado e eu não havia dito nada. Até mesmo a professora estava me observando com cautela. E eu parada, olhando para ela. Ah, o que eu poderia dizer?
- E então...? — Ela enfim pronunciou.
- Eu... Sinto a sua falta. — Nunca falei tão sério em toda a minha vida.
Ela arregalou os olhos, suou frio. E eu comecei a ficar nervosa. Não queria levar para o lado amoroso da "coisa", só queria que ela voltasse a ser a Gabriela de sempre comigo. Eu sentia falta de ter amigos verdadeiros, além de uma professora de física com 25 anos de idade. A verdade, a única e verdadeira verdade dessa história toda é que eu, mesmo com as loucuras que acontecem, sou uma pessoa carente. Não carente, no sentido de ser amada. Carente no sentido de não ser sozinha o tempo todo.
Sempre coloco máscaras para disfarçarem o que eu sinto por dentro. Mas naquela hora, senti uma enorme alegria, ao receber aquele abraço da Gabriela.
- Eu também sinto sua falta, besta. — Ela sussurrou no meu ouvido. — Só não vamos discutir nossos assuntos aqui na escola... No final da aula me encontre, ok?
Nos soltamos do abraço, eu sorri e retribui um "ok" com a cabeça.
- Viu como eu disse que o diálogo resolve tudo? Deveria ser uma lei de Newton... — Ana soltou uma de suas piadinhas, logo após Gabriela se levantar.
- É... Agora só tenho mais alguns assuntos pendentes. — Respondi, pensativa.
- Então acabe com essas pendências logo e se liberta. Aproveita e depois entregue essas provas aqui. — Ela então pronunciou, levantando-se da cadeira, pegando seus materiais e indo embora. Deixando somente as provas. A observei ir embora, com aquele sorriso descontraído no rosto. Não sei o que seria de mim, se ela não tivesse aparecido na escola exatamente logo após tudo aquilo acontecer.
Pois então, partimos para o final da aula. Eu estava prestes a resolver os assuntos com a Gabriela, mas no momento, pensava mesmo era na Rafaella. Já havia uma semana que ela não ia na aula. E alguns meses que eu não via sua irmã. E eu continuava à sentir aquela angústia por ela.
Sabe quando você, pobre coração apaixonado, quer se desfazer das memórias e das palpitadas no coração? Então você começa a transformar toda a paixão em angústia, e logo depois raiva, até que para no desprezo e puf, tá livre. Pois bem, tô no estágio dois: angústia.
- Terra para Megan, alô? — Alguém veio me desligar dos pensamentos.
- Ufa, eai, o que quer conversar? — Sorri pra Gabi, e lhe arranquei outro abraço. — Você não sabe o quanto esses meses de solidão foram difíceis.
- Perdoa o drama, e não desiiiiiiiste de mim, rs. — Ela cantou Mallu.
- Ta certo, hum.
- Ei, pois bem. Semana que vem é seu aniversário, o que vai fazer? 17 anos não é para qualquer um. — Ela deu uma piscadela.
- Sei lá, não estou com clima para comemorar a vida.
- Então farei algo para você, tudo o que precisa é estar preparada para uma noite muito louca, ok? — Ela disse com tanta convicção que eu até estranhava. Ela não era mais a mesma. Estava suspeita demais, não era aquela menina simpática e quieta. Algo mudou. Algo à mudou.
- Você tá bem, Gabi? Anda meio diferente... — Enfim disse.
Ela sorriu, um sorriso amarelo. Abriu a mochila, e lá estava... Suspirei de raiva, medo e nervoso. Não sabia se eu deveria xingá-la ou saudá-la. Meses longe de mim, e a menina termina com isso. Uma barra de maconha, alguns pacotinhos com cocaína e êxtase e uma cartela de LSD.
Como eu estava angustiada demais, fiz a pior escolha que poderia fazer. À saudei, e seguimos o caminho mais escuro que se poderia seguir.
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