Atraída

8 Aquilo é um coelho?!


Gabriela meio que gritou. Estávamos no meio da rua. Nossos olhos não possuíam mais íris. Era apenas uma enorme pupila preta com um pequeno círculo castanho ao redor. As pessoas me olhavam e se transformavam em lindas pessoas de massa de modelar. As árvores conversavam comigo e sorriam para mim. O céu se transformou em um enorme arco-íris, as nuvens eram feitas de cogumelos vermelhos. Olhei para o chão e vi mini-beatles cantando "Help". Olhei para Gabriela, e ela brilhava. Tudo ficou mais bonito, a natureza se erguia perante à mim e eu comecei a chorar ao observá-la. Eu estava maravilhada com a situação. Então repentinamente as pessoas começaram a conversar comigo, falar que me amavam. E eu sentia amor em seus sorrisos, era um sentimento extremamente bom.

Gabriela corria para lá e para cá, procurando um tal de um coelho. Disse ela que ele à levaria para longe, mostraria para ela o caminho da felicidade. Eu dei gargalhadas com a situação. E corri atrás dela, para lhe dizer que o caminho da felicidade não será encontrado com o coelho e sim com o pássaro preto que nos sobrevoava e com seu terceiro olho me falava que conseguia enxergar o mundo. Então Gabriela olhou para mim e seus olhos eram feitos de caleidoscópio. Eu fiquei encantada. Na realidade, eu sou encantada com o olhar. Para mim, ele mostra à alma da pessoa.

- O que foi? — Ela me perguntou, ainda brilhando.

- Seus olhos... São lindos. — Eu lhe disse, segurando seu rosto, acariciando suas bochechas e sorrindo.

- Megan... — Ela suspirou.

E então, a beijei. Não me perguntem o porquê. Simplesmente senti uma necessidade. Achei que beijando-a, passaria minhas energias positivas para ela, beijando, talvez, eu a fizesse sentir o amor incondicional que eu estava sentindo pelo universo e suas conspirações. E ela retribuiu. Tudo estava lindo, eu sentia o amor. Eu era o amor.

Nós nos beijamos e eu comecei a sobrevoar o universo, de mãos dadas para ela. Corríamos entre as nuvens, ríamos e brincávamos como se fosse o ultimo dia de nossas vidas medíocres.

Não tive badtrip*. Por mais incrível que pareça. Eu amei a viagem. E me lembro de cada sensação, cada detalhe. Coisas que simplesmente não dá para descrever aqui. Mas não me lembro de como eu vim parar na casa da Gabi. Acordei num surto psicótico. Não sabia se estava sonhando ou se já estava sã. A sensação era horrível, mas eu já estava me acostumando à voltar para a realidade, depois de um dia em transe.

- Ta bem? — Ela se virou para mim e perguntou, também deitada.

- Acho que sim... Só não me lembro de nada, além do mundo ser colorido, rs. — Sorri.

- É bem assim no início, sorte sua que não pegou bad na primeira viagem, senão nunca mais usaria. — Ela me deu um selinho e se levantou, somente de calcinha.

Tá, eu não entendi a necessidade disso. O que aconteceu? Éramos algum tipo de casal agora? Ou isso era simplesmente uma intimidade de amigas?

Realmente, fiquei confusa. Não queria dizer para ela que nosso beijo foi só uma experiência e que não ocorreria de novo. Mas também, não queria que ela achasse que agora eu estava tremendamente apaixonada por ela. O que eu mais temo é fazer com o ela, o que a Rafaella fez comigo.

"Rafaella..." — Esse nome me veio na cabeça, de novo. E realmente estou cansada da situação. "Vou acabar com esse suspense de uma vez por todas e irei na sua casa hoje ainda." — Pensei.

- Seu pai tá te ligando, Meg. — Gabi chegou com o telefone fixo em mãos.

- Puta que... — Nem consegui terminar. Não me lembro de tê-lo avisado. Na realidade, faz mais ou menos uns 3 dias que não paro em casa.

Agora vamos pular para o momento em que chego em casa e meu pai me toma o celular, o notebook e me fala que minha vida agora é casa/escola, escola/casa.

Eu nem ligava para o fato de estar de castigo, mas sim o fato de não poder ir ver a Rafaella.

Dai então, fiz uma "loucura" por amor. Triturei sonífero, daqueles que a gente toma para ir viajar, na bebida dele e ele tomou e minutos depois estava apagado.

Corri. Mas eu corri como se fosse um leopardo. Corri muito e cheguei na casa da Rafaella em trinta minutos. Toquei a campainha do apartamento e esperei.

- Oi, quem é? — Uma voz um pouco mais grossa atendeu, imaginei que fosse a Jennifer, irmã da Rafa.

- Oi, é... A Rafaella está? — Perguntei.

- Sim, quem é? — Ainda perguntando.

- Megan. — Respondi com firmeza.

O interfone desligou, e então o portão se abriu e subi as escadas, aguardando uma boa recepção

Mas como a realidade nunca é como a gente espera, não foi bem assim que aconteceu...

*Uma badtrip é uma experiência profundamente desagradável usando uma droga alucinógena como um LSD ou psilocybin.

Notas finais
Espero que estejam gostando. Agora a história passa de simplesmente uma experiencia amorosa, para uma descrição de como é a vida adolescente nos dias de hoje. E tudo está ficando mais complexo, me deixem reviews *-*