Atração Fatal
9 Capítulo 9: Dreaming Of You
— PAPAI! Papai nós precisamos...- a frase de Gale foi cortada no ar no mesmo segundo em que ele já caminhava pelo corredor largo.
O rapaz tinha reclamações sobre um hospital onde faltavam camas para as criancinhas. Isso era impressionante já que, saúde não era um problema em Londres, eles sempre se preocupavam com esses aspectos, era prioridade. Gale também queria falar sobre seu casamento, precisava acontecer logo. Andava a procura de Haymitch mas acabou esbarrando em algo, ou melhor, numa moça, fazendo com que aqueles papeis caíssem.
— Ah me desculpe! — ela exclamou- Como eu sou burra, devia ter saído do caminho!
— Está tudo bem, isso acontece.
Ele se abaixou para pegar os documentos. A moça tentou o ajudar mas ele não permitiria isso, ela não tinha culpa alguma. Gale abriu a boca para protestar mas o seu olhar se chocou com os olhos verdes dela. Ele conhecia aquela dama, só não se lembrava de onde. Ela sorriu timidamente e logo os dois riam descontroladamente da situação, quem os visse sentados ali no chão, se juntaria a eles.
— Ah Meu Deus, que vergonha!— ela colocou as mãos sobre o rosto, rindo. De repente, o rapaz sabia quem era, a moça era Madge Everdeen.
— Por que? Você não fez nada!
— Não fiz? Olha isso, eu atrapalhei você...e agora? Como vai organizar todos esses documentos?
— E se você tivesse machucado? Seria muito pior — Gale a ajudou a se levantar, os papeis não eram tão importantes assim — Veio ver a irmã, Lady Everdeen?
— Sim, mas me chame de Madge. Peeta me chamou até aqui, ficarei para o jantar — falou arrumando o vestido com as próprias mãos.
— O Peeta? Ele não é disso — o rapaz juntou os documentos balançando a cabeça como negação, pensando da possibilidade do irmão ter parado para refletir em tudo o que fez — Mas mesmo assim, é bom saber que a senhorita veio ver Katniss, ela precisava.
— Sentia saudades dela...Katniss as vezes é como a minha filhinha, é engraçado- Madge ria consigo mesmo. Sempre pensou em ter filhos, porém, por enquanto, fingia que a irmã era um bebê, o bebê dela.
Lembrou-se de quando as duas brincavam de casinha no jardim de casa, Katniss tinha uma boneca de pano costurada pela mãe e que ela guardava até hoje.
— Madge?- a garota assustou-se. As vezes se perdia em seus pensamentos- O jantar está pronto.
Gale a acompanhou até a sala de jantar. Ele nunca tinha visto aquela moça tão de perto, ela era...diferente. Madge tinha uma coisa que Katniss não tinha, talvez algo no olhar ou no sorriso. Algo que chamou a atenção dele.
Algo que o fez observá-la durante todo o jantar, o modo como ela pegava no talher, como comia, como sorria para a irmã.
Madge olhou para o mesmo, interrogando Gale que logo voltou a comer. Ela riu dele, o rapaz fez uma cara engraçada e agora, ficara vermelho. Mas ninguém ali na mesa percebeu e ele, já sabia o que queria. Só faltava falar com o pai.
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Gale respirou uma, duas vezes. Respirou fundo, parecia até que queria tomar todo o ar dali. Resolveu bater na porta finalmente. Haymitch o mandou entrar e foi o que ele fez, agora decidido. Pensara a noite toda, ele queria aquilo, queria muito.
— Pai?- falou tentando conter o nervosismo- Precisamos conversar sobre aquilo.
— Agora não Gale, você não se cansa? — Haymitch já estava cansado dessa história de casamento. Todo dia o filho vinha falar sobre isso e sempre era a mesma resposta: “Estou ocupado”.
— Mas é que eu preciso resolver! Quero me casar papai!- geralmente, homens querem ter sucesso na vida. Mas com Gale era diferente, ele honrava a família acima de tudo, era a sua preciosidade.
— Isso é sempre o que você diz, qual é a desculpa agora?
— Tive um sonho essa noite...eu estava aqui em casa, no jardim mais precisamente. No meu colo tinha uma menininha vestida com um vestido branco com um lacinho e na minha mão, uma bonequinha de pano — o pai revirou os olhos, mas o filho continuou- Eu fechava os olhos sentado na grama macia enquanto o bebê tentava dormir em meu peito. De repente, ouvi uma voz cantarolar, uma voz tão doce que cantava ao meu lado, uma canção de ninar. Eu sorri e abri os olhos vendo uma figura tomar o bebê de meus braços e abraçá-lo. As duas pessoas eram exatamente iguais, uma adulta e a outra pequena. Mas eu só vi o cabelo da maior, as mechas claras brilhavam com o sol e eu as amava.
— Acabou?— Haymitch perguntou, desinteressado- Foi só isso que veio falar?
— Não— Gale disse decidido, dane-se o que o pai achava- Eu já sei com quem quero me casar.
— Você não tem direito de escolha — por incrível que pareça, o modo como ele falava era exatamente igual ao modo de Peeta, eram idênticos.
— Não me importo, eu já me decidi papai. Quero me casar com uma Everdeen. Com Madge Everdeen.
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— KATNISS!- Peeta chamou pela esposa com a voz grossa, ainda dentro do quarto. Alguns segundos depois, a garota surgiu com má vontade, pensando que só poderia faltar bronca por agora.
— O que é? — perguntou seca. Cruzou os braços ao ver o marido ali, faltavam poucos minutos para o jantar e ele ainda não havia terminado de se arrumar.
— Vá até o meu escritório e pegue o meu relógio de bolso em cima da mesa...por favor — o loiro arrumou as mangas da camisa enquanto a garota erguia as sobrancelhas.
— Seu escritório? Você bebeu Peeta? Lembra que me proibiu de ir até lá?
— Mas eu te dou permissão. Abra a porta, pegue o relógio na mesa e volte. É simples.
— Se é tão simples, então vá você mesmo. O relógio é seu — reclamou feito uma criança mimada. Se sentou na cama colocando os brincos, mal sabendo que atrás de si, Peeta a olhava com raiva.
— Katniss — falou entredentes- Vou repetir uma vez. Vá até meu escritório e pegue o meu relógio de bolso.
— Tem um relógio na sala de jantar, assim você pode ver as horas — Peeta já não aguentava mais. Ela queria provocar não é? Então vamos ver quem venceria. Sorriu de forma má e perversa, caminhando até a porta e abrindo-a, apenas na espera da esposa sair.
— Katniss...- respirou fundo antes de falar alguma besteira, precisava aprender a medir as palavras- Por favor, vá até lá e faça esse favor a mim.
Ele falou calmo, o que a espantou. Katniss ria por dentro, sabia que Peeta queria puxá-la dali e obrigá-la a fazer aquilo, porém acabou se rendendo. Foi até o escritório e pegou o relógio esquecido. Voltou com um sorriso nos lábios, observando o objeto, ciente de que era de muito valor, feito a ouro e um pouco pesadinho. Katniss chegou perto do marido depositando o relógio em suas mãos.
— Está entregue, esquecidinho— a morena riu e se preparou para distanciar, mas a mão do rapaz agarrou o seu braço. Ele olhava bem em seus olhos e por um momento, um vento frio bateu na janela, fazendo ela se arrepiar.
— Obrigado — disse por fim. Só que não a soltou, ainda encarava a moça- Você poderia...me ajudar com a gravata?
Ele estendeu a gravata a Katniss. Ela não protestou, acabou o ajudando pois sabia que o marido as vezes tinha certos problemas com essas coisas. Contudo, no fim não só o ajudou com a gravata, também colocou o resto da roupa e agora abotoava os últimos botões do terno. Katniss sempre tivera essa vontade, sabia que com Peeta não seria sempre assim, mas era bom aproveitar o momento.
A moça terminou de arrumá-lo e logo percebeu que o marido a observava todo esse tempo, observava cada movimento seu. E eles se encaravam, ignorando o mundo lá fora. Katniss arrumou um fio de cabelo desarrumado dele, porém deixou seus dedos pousarem em seu pescoço enquanto sentia mãos fortes a puxar pela cintura.
E de repente só haviam os dois ali, se beijavam em sincronia, sem pressa alguma. Só que quando se tratavam deles, sempre haviam outras intenções. O beijo se acelerava a cada segundo e era só interrompido as vezes para a respiração, voltando a encaixar os lábios assim que o ar voltava.
— Peeta? Katniss? — a voz de Annie ficou notável, juntamente com as suas batidas na porta do quarto, fazendo o casal se afastar- Só faltam vocês dois para o jantar!
— Já estamos indo Annie! — Peeta gritou de volta e logo voltou a olhar para Katniss, que passava os dedos sobre os lábios timidamente.
— Pode ir indo, eu desço daqui a pouco — a Everdeen falou sem nem prestar a atenção, aquilo que acontecera ainda era um choque.
— Sobre isso que aconteceu...esquece, tudo bem? — o rapaz saiu do quarto sem nem olhar para trás uma última vez.
Katniss se sentia confusa. Há poucos minutos ela desejava coisas horríveis ao marido nos seus pensamentos. Ela podia ter bagunçado todo o escritório dele, ignorado os seus pedidos, podia até ter enforcado ele com a gravata, teria sido...divertido.
Mas algo a impedia. Alguma coisa dentro dela, a fez morder os lábios ao olhar naqueles olhos dele e por um segundo, querer puxar seu rosto para si. Por um segundo, ela teve raiva de Annie por bater na porta e fazer Peeta acordar para realidade, falando para ela esquecer aquele beijo.
E isso só a fez ter uma única certeza: os dois juntos...nunca aconteceria.
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— S...Sim!- foi o que Madge dissera ao pedido do padre.
Sua aliança brilhava. Ela estava casada. Casada com um nobre. Ao saber do pedido de casamento, a moça simplesmente ficou fora de si, aquilo não era possível. Um mês depois, ela entrava na igreja usando um belo vestido branco e um véu simbolizando a sua pureza. Era irreal. A decoração, a festa, ela queria coisas que não haviam no mercado, mas o noivo mandava fazer a medida. Só que seu casamento não comparou-se ao da irmã, que foi mais comentado e mais luxuoso.
Agora ela estava ali, em Roma. Desde pequena seu sonho foi ir até lá e o marido a ouvira. Deixou que o cabelo caísse levemente sobre os ombros, as ondas dançavam. Tocou na saia do vestido e se olhou mais uma vez no espelho, esperava que aquilo estivesse bom. Seus passos eram calmos até o quarto, o marido arrumava a lareira deixando tudo mais aquecido ali.
— Precisa de algo? — Gale perguntou simpático enquanto ela negava. Fazia essa pergunta a cada momento, queria agradá-la ao máximo.
— Está tudo ótimo — ela disse com um pequeno sorriso. Tudo estava perfeito até agora, não tinha como ficar melhor.
Então ele a puxou delicadamente. Os dois se abraçavam, sem motivo algum. Gale percebeu que ela tinha um cheiro de flores, que era muito bom, fazendo-o afundar a cabeça em seu pescoço. Agora, eles dançavam uma música que não existia, uma música silenciosa, da imaginação deles. Madge riu do momento, fazendo o marido a acompanhar. O silêncio era bom, porém só os deixavam mais tímidos.
— Podemos deixar isso bem mais fácil pra você se...- ele falou se soltando e grudando suas mãos as dela.
— Não, está tudo bem, acho que podemos fazer- disse de um jeito tímido. Aquilo era bobo, decidir como fazer? Só os dois mesmo.
Gale passou uma mão no pescoço da garota, grudando seus lábios. No início foi como um choque, mas parece que eles foram feitos um para o outro. O modo como correspondiam, como iam se tocando aos poucos como forma de descoberta, era impressionante. Madge, bem nervosa, ajudou o marido a tirar seu vestido e deixando a mostra, segundo ele, o seu corpo de anjo.
O mesmo aconteceu rapidamente com o rapaz, que com um movimento só, colocou a garota nos braços, depositando-a na cama logo depois. Tudo isso tentando evitar ao máximo, a distância. Os dois se ligavam somente pelo olhar. Voltaram a se beijar sem medo, só haviam eles ali, não tinham o que temer. Madge deixou que seu corpo caísse sobre o peito do garoto que a abraçou, alisando o seu cabelo delicadamente.
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