Atração Fatal
28 Capítulo 28: Irreplaceable
Havia uma garota usando um vestido negro. O coque estava bem apertado, também havia um mini véu cobrindo sua face inchada. Existia dor em cada palavra que ela falava. Existia também um lenço preto em suas mãos.
Ela subiu a escadaria lentamente, observando o cenário deprimente de Londres. Uma outra mulher, dessa vez mais velha, chorava nos braços do marido. A garota continuou seguindo em frente, sendo guiada por um senhor que não conhecia. Ela via um pessoal ao redor, via por trás daquele véu as expressões curiosas e até assustadas dos outros que presenciavam aquele momento.
Mas a garota não mostraria seu rosto à eles. Ninguém podia vê-la, era uma vergonha.
Uma grande porta foi aberta, revelando o Salão gigantesco, completamente tomado por novos rostos estranhos. A garota hesitou ao entrar, se recusava a fazer aquilo. Mas acabaram por empurrá-la com até certo cuidado, ela teria que estar presente.
Ela então continuou, abaixando a cabeça para contar seus próprios passos. O silêncio a desesperava. Seu coração parecia querer sair do seu peito quando ela sentou em uma das cadeiras indicadas, ajeitando o longo vestido.Respirou fundo e esperou.
De repente os convidados ficaram alertas. As portas pesadas foram abertas mais uma vez e garota nem precisou se virar para ver quem de fato entrava. Um pouco mais a frente havia uma estrutura comprida e mais ao lado estava uma nova escadaria. Alguns degraus e qualquer um chegava ao palco. Homens de preto se endireitavam por ali.
Uma lágrima grossa escorreu pela bochecha da garota, ela não se mexia. Prometeu a si mesma que guardaria tudo para si.
Um senhor velho começou a falar. A garota não ouvia. Viu a boca dele se mexer e viu o rapaz que tinha acabado de entrar, ele tinha as mãos amarradas nas costas. Não podia ver seu rosto, já que ele estava de cabeça baixa, mas podia ter a certeza de que ele sofria também. Ela só assistia.
Num segundo momento o velho calou. Alguns homens consentiram uns para os outros e o rapaz foi empurrado para frente. A partir daí a garota parou de respirar, tudo acontecia em câmera lenta. O rapaz subiu a pequena escadaria e chegou ao palco, tendo que endireitar a posição.
Outra lágrima grossa escorreu pelo rosto da garota. Suas mãos estavam em punhos e ela mordia o lábio para não gritar. Ao ver a corda ao redor do pescoço dele, enquanto todos ficavam em silêncio e ninguém se atrevia a fazer nada a respeito, ela se segurou para não gritar. Precisava ser forte.
E quando ela ouviu o barulho do corpo cair, apenas fechou os olhos. Não havia mais ar.
****
Katniss arfou, passando as mãos no rosto. Era um sonho. Mas mesmo assim tinha chorado de olhos fechados, já que parecia ser bem real. Sua cabeça latejava e ela respirou fundo, ficando mais tranquila ao abrir os olhos e olhar ao seu redor. Estava numa cama de hospital com uns arranhados pelo corpo.
Estou livre, ela pensou. Poderia voltar para casa, dessa vez a salvo.
Uma enfermeira entrou no quarto, avaliando seu estado. Katniss permaneceu calada, ela pensava em quando poderia ver sua família mais uma vez. Parecia ter passado tanto tempo… ela então ficou preocupada.
Olhou para o lado enquanto a mulher continuava ali. Katniss então sorriu, Andrew estava não tão longe dela, dormindo num berço do outro lado.
Agora ela poderia chamá-lo de filho. Depois de tanto tempo, depois de tantas coisas, Katniss sabia que aquele garotinho era dela. E ninguém, nunca mais, o tiraria dali.
— Assim que a senhorita estiver melhor, seu irmão está no quarto ao lado — Katniss franziu o cenho vendo a enfermeira desaparecer.
Finnick? O que ele fazia num hospital?
Katniss não perdeu tempo, caminhou sobre o chão frio com os cabelos bagunçados mesmo. Fechou a porta com cuidado e olhou para a que ficava do lado, abrindo-a meio hesitante. Suas mãos tremiam quando ela viu Finnick ali dentro, deitado com os olhos pregados no teto. Ele nem ao menos se mexeu ao ouvir que Katniss se aproximava.placa de fora do quarto.
— Oi — ela disse sem graça, se aproximando — Você está bem?
Finnick se moveu num mínimo, olhando-a por uns instantes. Katniss poderia até ficar preocupada com ele, afinal, ainda não sabia o que de fato havia acontecido, mas de certa forma notou um brilho diferente no irmão que a fez pensar.
— Você está… diferente — ela acabou comentando. Finnick permanecia em silêncio.
Ele respirou fundo e depois consentiu.
— É — disse em seguida, sorrindo levemente — parece que passou tanto tempo… e finalmente estou com os pés no chão.
— Muitas vezes precisamos de um empurrãozinho, não podemos fazer sozinhos — Katniss completou.
Aquilo a deixava aliviada. A fazia sorrir. Quanto tempo havia desde a última vez em que os dois conseguiram conversar sem brigar de fato? Era uma novidade.
— Eu não sou assim, nunca fui assim — Finnick continuou.
— Chega uma hora que temos que crescer, Finnick, e essa hora chegou para você — a garota sorriu, colocando a mão sobre o ombro do irmão, mesmo que estivesse hesitante — Mamãe ficaria orgulhosa.
— É como se eu pudesse falar com ela- sorriu devagar- Isso me faz sentir como… como nunca me senti antes. Sinto muita falta dela.
Katniss consentiu, ela sabia muito bem como Finnick se sentia. A falta que a mãe deles fazia era grande, o vazio continuava ali, mas a Everdeen estava orgulhosa por ver o irmão tão diferente pela primeira vez.
— Eu também sinto. Sinto muito mesmo — a garota fungou, limpando algumas lagrimas. Em seguida ela sorriu — Eu te amo, irmãozinho.
Finnick rolou os olhos. Rolou e depois riu, balançando a cabeça.
— Eu também — ele disse.
Katniss não pensou duas vezes antes de abraça-lo. Apertou o corpo dele entre seus braços e escondeu o rosto na curva do seu pescoço, sorrindo como nunca antes. Tinha esperado esse momento por anos e pela primeira vez se sentiu tão próxima de Finnick desde a morte da mãe dos dois. A Sra. Everdeen ficaria orgulhosa por onde quer que esteja.
Katniss ainda pensava em gastar mais de alguns de seus minutos com o irmão, apenas conversando e compensando o tempo perdido, mas logo em seguida abriu os olhos para ver uma outra figura parada na porta.
— Andou chorando, Annie? — ela perguntou desconfiada assim que percebeu a garota do outro lado. Annie tinha o rosto inchado e molhado, tratando de esconder aquele estado no mesmo segundo.
Finnick largou a irmã. Ele permanecia na cama, assim como esteve durante dias e naquele instante pareceu um pouco sem graça.
— Vocês fizeram as pazes… isso é o que importa — Annie deu os ombros.
— Ela… vem me visitar quase todos os dias — Finnick explicou calmamente — Desde a noite de Natal.
— Você também
— Não foi nada demais, atiraram em mim por acaso — ele disse, observando a expressão surpresa de Katniss. Claro que era algo com o que se preocupar. Ela chegou a abrir a boca para falar, mas Finnick continuou: — Estou bem agora.
Annie abaixou a cabeça. Katnnis consentiu, estava certa de que não precisava se preocupar tanto mais.
— Ainda bem. E você, Annie, tem mais alguma notícia?- Katniss fazia as perguntas com certa ansiedade. Sabia que todas elas se voltavam para uma única pessoa.
De repente, o olhar de Annie disse muita coisa. Pena que Katniss não podia interpretar de forma precisa, não se lembrava de muita coisa. Foi levada ao hospital por estar sem comer há dias, ficando bem fraca. Desmaiou vendo apenas uma grande mancha vermelha a sua frente. Lembrava de Gale, do tiro que Peeta tinha dado na parede, lembrava dele ainda ter um punhal. Lembrava de outro tiro no final. Havia passos e mais passos, e ela sabia que naquele segundo a ajuda estava a caminho. Um pouco depois ela caiu no chão, vendo um par de olhos cor de mel a encararem com ódio, sem foco e sem vida. E nisso ela apagou.
Katnnis então olhou para Annie que continuava ali calada.
— Ela se foi olhando para mim — a Everdeen disse de repente, fazendo os outros dois no quarto ficarem alertas — Onde está Peeta? Gale? Louis? Eles sabem sobre Glimmer...
— Calma, Kat...- Annie tocou em seus ombros — Vai ficar tudo bem… meu já vai cuidar de tudo.
****
Katniss não ligava para as palavras, para os avisos. Ela só queria entender tudo o que se passava, queria pelo menos tentar resolver toda aquela confusão.
Num um momento tudo parecia bem e já no outro, as coisas se tornavam piores do que antes estiveram.Katniss ignorou o homem que estava a sua frente, ignorou o fato de ainda estar fraca. Seguiu pelos corredores apressada, sempre à procura dele. O coração batia fortemente quando ela chegou onde de fato queria, comunicando um guarda do outro lado.
— Preciso ver Peeta Mellark — ela apressou, completamente nervosa. O homem, assim como todos os outros antes, continuou com as desculpas de que era impossível.
— O Sr. Mellark está isolado, senhorita, não posso permitir — ele insistiu.
— Eu sou a esposa dele, se realmente quer saber -corrigiu imediatamente — O senhor não vai querer imaginar as consequências que terá caso me deixar aqui esperando.
Ele foi obrigado a deixar. Afinal, discutir com alguém do nível dela era impossível, sempre venceria. A guiou para mais adiante, torcendo para não levar uma enorme bronca depois. O guarda ordenou que abrissem as trancas, passando por certos lugares escuros, até deixá-la em uma sala. Katniss sentou-se de frente para uma mesa velha.
Aquilo era um caos. O espaço era abafado e sujo, havia uma pequena lâmpada no teto que parecia que iria cair em sua cabeça. Katniss engoliu em seco. Nunca tinha visto algo parecido.
— O Sr. Mellark está pronto para recebê-la — o guarda avisou, abrindo uma série de trancas.
Peeta apareceu de cabeça baixa, com as mãos algemadas. Katniss nem sequer tinha uma reação. Dois homens o seguravam, um em cada braço, soltando o garoto logo depois. Peeta viu que estava livre, encontrando o olhar da esposa. Deixaram o casal a sós por minutos suficientes para que eles corressem para um abraço.
— Senti tanto a sua falta — Katniss deixou a frase sair, apertando os braços ao redor dele. Peeta tinha os cabelos rebeldes e usava a mesma roupa de quando tinha sido pego com Katniss — Vou te levar daqui, amor.
A Everdeen murmurou a última frase, escondendo o rosto na curva do pescoço dele antes que começasse a chorar. Era crueldade demais vê-lo assim.
— Sou um assassino — ela ouviu Peeta dizer. O abraço foi afrouxando aos poucos, enquanto Katniss se lembrava da forma fria e seca que aquelas três palavras saíram.
— Não, você não é — ela disse lhe dando um beijo na bochecha — Você não a matou.
— A arma era minha, isso não muda nada — Peeta então largou Katniss, passando as mãos nos cabelos — Eu fiz aquilo, eu a matei.
— Mas acabou!- Katniss tocou o rosto dele, tentando sorrir para tranquiliza-lo — Glimmer foi embora, não vai haver mais confusões e nem preocupações.
— Louis está solto — Peeta disse sério — Ele era a nossa única chance de encontrar uma testemunha e provar que… que eu não sequestrei vocês.
— Como?- Katniss riu consigo mesma. Aquilo não era real, não tinha nem lógica — Todos sabem que foram eles! Por que te acusariam?
— Louis fugiu antes mesmo da polícia chegar, ele é esperto o suficiente e conhecia todo aquele lugar para escapar — Peeta sentou em uma das cadeiras, deixando claro sua aparência cansada — Eu estava com a arma do crime na mão, cheio de sangue e confuso com o que tinha feito, Glimmer já estava morta no chão. E você tinha apagado… depois fui me dar conta de que Gale foi baleado, Andrew tinha sido levado ao hospital e...então me trouxeram para este lugar.
Katniss deixou que novas lágrimas escorressem pelas suas bochechas. Era demais para aguentar. Por que tanto? Já não bastava tudo o que aconteceu antes?
— Você vai ser julgado? — ela perguntou baixo. Era o mais óbvio a se fazer. Katniss viu a confusão que havia do lado de fora do prédio, ela sabia como as pessoas estavam. Mas não queria acreditar.
Peeta, por fim, balançou a cabeça em afirmação e aquilo foi o suficiente para os olhos de Katniss voltarem a arder.
— Os franceses querem justiça pela morte de Glimmer...meu pai tentou fazer um acordo mas é impossível, eles querem a ordem do juiz logo — ele disse olhando para o chão — Talvez eu consiga sair ainda hoje, você sabe como meu pai é… mas podemos esperar qualquer coisa também.
— Eles precisam encontrar o Louis! — Katnisa disse um pouco mais alto — Todos sabem que você é inocente, não sei porque fazem todo esse escândalo!
— Vai ficar tudo bem, Chérie- ele foi até a garota, tocando em seu rosto. Katniss sentiu seu corpo relaxar, tomando liberdade para fechar os olhos.
Talvez não fosse o momento certo, talvez tudo estivesse para acabar. Mas mesmo assim, eles deixaram que seus lábios se encontrassem, mesmo depois de todo tempo. Deixaram que o amor tomasse conta. Uma prisão não era o local adequado, só que o fato era ignorado naquele momento. Beijaram-se com paixão, com saudade. E no final apenas permaneceram com o olhar grudado um no outro.
— Nosso filho está bem — Katniss falou primeiro. Peeta sorriu se dando conta do que ela falava.
— Nosso filho— ele repetiu lançando-lhe um sorriso — Sempre soube que Andrew tinha os olhos iguais aos seus.
— Agora temos uma família — Katniss riu, trazendo as mãos dele calmamente até sua barriga coberta pelo longo vestido. Isso surpreendeu o rapaz, que ficou tocando ali por uns segundos.
Seus olhos foram das mãos para o rosto corado dela, até que Peeta sorriu, falando as primeiras palavras que vieram em mente.
— Eu te amo.
Talvez a situação não fosse a melhor, mas por um segundo Peeta sentiu algo que realmente precisava: esperança.
****
Madge fungou aflita. A garota não tinha saído do quarto desde mais cedo, não teria a coragem de fazer aquilo. Pelo menos estava mais tranquila ao saber que Gale tinha ficado no palácio, a pedido dela. Ela o preferia ali.
Foi difícil encontrar um médico bom o suficiente, mas por fim acabou achando um. Ela chorava apenas por ouvir os gemidos de dor do marido, tudo durante o tempo em que precisou ficar fora do quarto para que o médico pudesse trabalhar. E agora que estava de volta, Madge mal podia segurar a ansiedade em receber boas notícias.
—Como ele está? — ela perguntou baixinho para uma das criadas que limpava as mãos. A mulher assustou, mas depois abaixou a cabeça e a respondeu com certa insegurança.
—As vezes tem febre devido ao ferimento… mas esperamos que em uma semana ele acorde.
— Uma semana? Não é muito?- Madge tornou a sentir o velho e famoso aperto no peito.
— Er… e-eu sinto muito— a criada murmurou — mas o curativo foi complicado, o médico tem medo de que a bala possa ter atingido alguma área importante. Talvez… fosse melhor leva-lo para o hospital.
A última frase saiu com certa dificuldade. Não era tão fácil assim para uma criada opinar.
E mesmo que ela tivesse um pouco de razão, Madge não queria saber, não tiraria Gale dali. Ficar no hospital não adiantaria nada, não havia nada de tão diferente que ali não pudesse ter.
— Você… acha que ele pode sobreviver? — Madge perguntou num sussurro. Ela não soube porquê, apenas perguntou.
— Eu não recusaria algumas orações.
Aquilo já respondia tudo. Aquilo a fazia ter certeza de que ela não dormiria naquela noite.
****
De fato procuraram Louis por toda parte. Katniss sempre ficava por trás, observando tudo. Ajudava quem podia e como podia, seguia as pistas. Precisava encontrar testemunhas.
Ela passou por essa aflição durante dias, comendo por obrigação, esquecendo de dormir e de até mesmo cumprir outros compromissos que poderiam ser julgados como importantes. Mas Katniss não se importava, ela sabia o que de fato era mais importante.
Ela ficava em casa por praticamente todos os dias, já que não tinha a permissão de sair. Do lado de fora dos portões o caos dominava a cidade, porém, havia conversas de que os boatos já tinham percorrido o país inteiro e até mesmo fora dele. Bom, é claro que tinham. E isso deixava Katniss ainda mais aflita.
Os dias se passavam e o medo era maior, mais constante. Tudo permaneceu assim até que ela viu alguns oficiais passando pela entrada principal do palácio, pegando todos de surpresa. Haymitch não parecia tanto, mas Katniss e o resto estavam todos da mesma forma.
Ela viu os guardas saírem mais tarde e assim procurou por Haymitch, encontrando-o no escritório.
— Você leu? — perguntou quando o viu com o envelope nas mãos. Só de ver o selo gravado no papel o coração dela já batia forte.
— Quero que abra — Haymitch pediu. Katniss hesitou antes de pegar o envelope, pela expressão dele já podia imaginar que não era coisa boa.
Haymitch sabia de alguma coisa, ela tinha certeza. Devia ter prestado mais a atenção nisso antes.
Com as mãos trêmulas, Katniss desdobrou o conteúdo branco, lendo pausadamente. Passou os olhos uma, duas vezes. Tudo antes de ficar pálida.
— Terminou? — Haymitch perguntou baixo.
— E-ele vai… vai…
Não havia chão nem sentido algum. Katniss não conseguia raciocinar. Olhou para Haymitch e o viu sério como sempre, não era de grande ajuda.
— Eu sinto muito — ele disse ao terminar de ler — mas infelizmente… não é do meu alcance…
Katniss não queria ouvor mais, estava irada. Estava confusa, surpresa, chocada. Não sabia nem ao menos chorar. Suas mãos tremiam assim como suas pernas enquanto a visão começava a ficar embaçada.
Em breve a ficha cairia e ela perceberia o que de fato estava acontecendo. Isso porque não bastou Glimmer, não bastou quase perder Finnick, não bastou quase perder Andrew.
Isso porque Peeta resolveu fazer uma escolha. Talvez não a melhor, com certeza não era, mas ele fez. Peeta escolheu “confessar”, ele escolheu ser lembrado não como o herdeiro, mas como o assassino, como o cruel. E ele escolheu pagar a pena por isso. Ele escolheu morrer.
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