Atração Fatal
27 Capítulo 27: Chasing Pavements
Um terrível sonho.
Peeta passou as últimas horas tentando acreditar naquelas três palavras, repetindo para si mesmo que tudo não passava de um cruel pesadelo e que em breve acordaria em casa em paz mais uma vez. Durante o sonho ele se viu correndo, perdido em busca de Katniss e Andrew até que os encontrou num determinando momento.
Todos estavam em uma certa casa. Peeta sentiu o alívio ao pensar que tudo estaria em paz. Ficaria perfeito novamente… até sentir uma dor terrível na cabeça. Era como se alguém tivesse dado uma pancada.
Peeta abriu os olhos devagar. E, para a sua decepção, ele não havia chegado em casa. Estava jogado em um canto, as costas apoiadas em uma das paredes sujas, enquanto a sua frente havia uma outra pessoa adormecida.
Katniss.
Se Peeta não estivesse amarrado poderia ir até ela e abraçá-la com força, sentia muita falta daqula mulher. Ele ainda se contorceu preso naquelas amarras, agoniado por ver o sangue escorrer pela testa da Everdeen. Uma terrível marca vermelha que descia até sua bochecha esquerda.
Em seguida Peeta ouviu passos, deixando-o em alerta. Glimmer logo apareceu com Andrew no colo.
— Vocês dormem demais, ficam perdendo tanto tempo — ela falou nervosa, largando o bebê no chão. Peeta a olhou com raiva, percebendo depois que Andrew começou a engatinhar.
— Não sei qual é a graça dessa cena toda — murmurou em seguida — Por que não os solta? Eu posso ficar.
— Tenho coisas para explicar antes de soltá-los — Glimmer caminhou até ele, abaixando até que estivesse a sua altura — Me entregue a sua arma.
— Devia ter pedido isso antes de me amarrar aqui, certo? — Peeta revirou os olhos. Glimmer paralisou por uns instantes, mas logo resolveu enfiar a mão dentro do terno dele para arrancar o objeto.
— Obrigada por trazer, eu estava mesmo precisando — ela disse sorrindo e analisando a arma.
Peeta tinha um certo medo de que Katniss não estivesse só dormindo, as vezes parecia que ela nem respirava. Estava muito fraca. Depois se deu conta de Andrew. O garotinho engatinhava sem ânimo algum.
O garoto foi até Katniss, parando para olhá-la. Ele levou a pequena mão até o rosto dela e logo, deitou-se ali, deixando a cabeça sobre o peito da Everdeen, que nem percebia o que acontecia.
— Pode me explicar isso? — Peeta estava confuso, mas a cena o fazia sorrir.
Glimmer, pelo contrário, tinha um olhar nada agradável, como se estivesse incomodada.
— Esse tempo todo você foi ingênuo demais, Peeta — ela disse baixo — Eu sempre fui a mais esperta.
— Você sentiu inveja dela? — ele riu sarcástico — Mentiu por uma coisa… sem importância.
— Nada é sem importância! — por um momento Peeta pareceu ouvir a voz dela falhar, como se quisesse chorar — Você não sabe os motivos.
— Andrew é só um bebê, não podia fazer isso — Peeta olhou para o filho, que ainda encarava atentamente o rosto de Katniss.
— Ninguém desconfiaria se tivéssemos ido para Paris — Glimmer levantou de repente, escondendo o rosto revoltado ao virar para o outro lado.
Peeta não respondeu, optando pelo silêncio. Tudo o que ele mais queria era poder encontrar uma saída dali. Acompanhava os passos de Glimmer, como se medisse cada atitude dela, como se pudesse calcular o momento exato para dar um jeito de levantar e fugir com Katniss e Andrew.
Apesar da dor instalada em todo o seu corpo, mais precisamente na parte detrás de sua cabeça, Peeta não desistiria tão fácil assim.
Instantes depois ele sentiu um vento frio percorrer seu corpo. Ele estremeceu, quase se deixando vencer pelo cansaço, vendo o segundo em que Glimmer ficava alerta e olhava para a porta. Um homem tinha acabado de entrar, inclinando o tronco para limpar as botas sujas de neve.
Ele levantou o rosto rapidamente e Peeta paralisou ao vê-lo. Era como se levasse um belo tapa na cara, como se todos pudessem rir dele. Tudo o que menos esperava estava a poucos metros dali.
Então, com um sorriso no rosto, o homem deu mais alguns passos, ficando mais próximo de onde Peeta estava.
— Quanto tempo, meu amigo! Não vai me dar um abraço? — Louis murmurou com a maior falsa inocência do mundo.
****
— O que está fazendo aqui? — aquelas foram as únicas palavras que Finnick conseguiu falar.
Annie, apesar de perceber a expressão confusa e não muito satisfeita dele, sorriu impressionada. Não tinha acreditado de fato quando o viu abrir os olhos minutos atrás.
Finnick finalmente havia acordado. Tinha até ganhado uma certa cor e agora possuía uma aparência bem mais viva… talvez porque agora ele realmente estava e Annie certificava-se daquilo a cada minuto.
O ferimento da bala continuava ali, tapado pelos curativos do hospital e cheio de remédios. Finnick começou a murmurar suas primeiras palavras minutos depois, surpreendendo a garota. Ela estava satisfeita assim… não saberia lidar com o peso da culpa caso Finnick viesse a morrer.
— Vo-você se lembra? — Annie perguntou mais tarde. Ela viu o rapaz ferido franzir o cenho — Eu atirei… em você.
— Ah…
Finnick notou então o curativo que envolvia seu corpo. Um leve incomodo podia ser sentido ali e ele jurou que não podia se movimentar muito bem. Só não soube explicar se isso era devido ao acidente, ou se porque passou muito tempo desacordado, por isso tinha o corpo bastante dolorido.
Em seguida Finnick percebeu uma Annie parada não tão longe a ele. Ela parecia meio incomodada de repente.
— Aquele cara queria te levar embora… só fiz o necessário.
A garota sorriu.
— Obrigada — falou baixo, abaixando parcialmente o rosto. Finnick a observou por um momento.
— Você o conhecia? — Annie negou devagar — Então cuide-se da próxima vez.
— Eu atirei em você, sei que está chateado... só queria saber se estava bem.
Annie, durante todos esses dias, tentou aceitar a ideia de que estava ferrada. Quando Finnick acordasse — se acordasse— ele provavelmente a culparia e a faria pagar. E o que ela poderia fazer? Nada.
Além de ter sido a culpada, Annie não tinha como se defender. Finnick poderia muito bem fazer o que quisesse com ela. Mas pelo jeito que ele suspirou e não pareceu nem um pouco mais irritado, Annie começou a ficar mais calma.
— Estou vivo — ele disse. Annie sentiu seu coração acelerar.
— Ótimo — murmurou em seguida — Ótimo… meu trabalho já está feito.
Annie logo depois, deixou o lugar. Finnick a odiaria após aquilo, mas ambos precisavam seguir seu caminho.
****
— Mudou muito desde a última vez em que nos vimos, Peeta — Louis comentou irônico.
Peeta estava confuso, sua cabeça ainda rodava e chegava a doer, tudo por causa daquela exagerada quantidade de informações em tão pouco tempo. Ele via Glimmer de um lado, brincando com a arma na mão enquanto tinha um sorriso perverso nos lábios, divertindo-se com tudo aquilo. Andrew permanecia com a cabeça sobre o peito de Katniss, que acordara minutos atrás, ainda pior do que ele.
E o pior: Peeta continuava não entendendo a razão de Louis ter aparecido assim… tão de repente. Era tudo o que menos esperava.
Louis. Seu melhor amigo na época da faculdade.
— Hm? Quanto tempo, não? — ele riu, observando Peeta ainda paralisado no chão — Devo dizer que tive um trabalhão para te arrastar até aqui, mas foi divertido ver sua cara de susto quando entrou… e melhor: foi mais divertido ainda te fazer apagar — Peeta não se mexia — Parece que o pirralho gosta daquela garota.
Louis apontou para Andrew e Katniss. Só de vê-los Peeta pareceu acordar de um transe, engolindo em seco e trancando os punhos, controlando-se para que não avançasse.
Como ele pôde? Qual a intenção por trás daquilo tudo?
— Você… — Peeta pareceu encontrar a própria voz. Fitou um Louis convencido do outro lado, estreitando os olhos — Você estava na festa naquele dia…
Peeta tinha acabado de lembrar. Lembrou do desespero de Madge, do misterioso homem que tinha entrado no Salão. Ele sabia que era Louis.
— Knightley— Louis sorriu convencido — Achei esse sobrenome num dos arquivos de sua família — deu os ombros — Glimmer, poderia soltar a garota?
Glimmer, meio hesitante, realizou o pedido. Tirou as amarras que prendiam os braços de Katniss, deixando sua boca livre também. Agora ela poderia falar. Katniss fez uma careta de dor e pelo jeito não tinha forças nem para se levantar.
Peeta ainda sofria com suas confusões internas. Ele deveria ter pensado antes… deveria ter raciocinado. Se tivesse sido um pouco mais esperto, talvez teria acabado com isso bem antes. E provavelmente nenhum deles estaria ali naquele momento.
— Vamos ter uma conversa agora — Louis puxou uma cadeira, sentando-se no meio do casal. Katniss estava encostada em uma das paredes, enquanto Peeta permanecia em outra — Primeiramente devo citar que fiquei surpreso — ele fitou a Everdeen — Sua esposa é… adorável, Mellark.
Peeta fez menção de se levantar. Seus olhos estavam quase negros de raiva, deixando para trás o azul claro que antes eram característicos. Rapidamente Glimmer levantou a arma, carregando-a. Ele parou, percebendo que Katniss tinha se assustado do outro lado.
— Se você encostar nela…
Louis riu com a ameaça dele. Não sentia um mínimo sequer de medo.
— Por que? Está com ciúmes? — Louis levantou uma das sobrancelhas — Parece uma ótima ideia…
Peeta fechou os punhos ainda mais. Ele fazia tanta força que os nós dos dedos chegavam a ficar brancos. Suas veias estavam saltadas e ele conseguia respirar.
— … mas não vou fazer — Louis concluiu — Não agora. Não temos tempo.
— Se fizer eu juro que vou ter o maior prazer em matá-lo aqui mesmo. Na frente da sua irmã — Peeta continuou. Olhou Glimmer e sua ira aumentou, ele queria muito acabar com aqueles dois.
— Ah… Glimmer — Louis relaxou sobre a cadeira — Ela foi incrível, não foi?
— Vai direto ao assunto — Glimmer disse revirando os olhos. Suas mãos tremiam e ela queria atirar em alguém logo. Sua mira ia de Peeta até Katniss, tentando decidir qual iria primeiro.
— Ah é, me esqueci — Louis murmurou — Quanto ganhou por isso, irmãzinha? Só me lembro de te dar todas aquelas joias em seu quarto.
Glimmer se mexeu, meio incomodada.
— Você insistiu… eu não tinha escolha — ela disse. Notou que Katniss mexia discretamente, fazendo-a apontar a arma para a garota num sinal claro de mandá-la ficar quieta. A Everdeen congelou, segurando Andrew para mais próximo de si — Iria ser melhor para nós dois.
— Vocês querem dinheiro, certo? — Peeta interrompeu impaciente — Fale o quanto e eu darei sem problemas.
— É uma boa proposta — Louis passou a mão no queixo, meio pensativo — Podemos fazer um belo acordo. Eu te solto, você me paga uma boa quantia… mas o problema é que eu prometi a Glimmer que teria o seu momento de liberdade.
— O que ela quer fazer? — Peeta perguntou baixo. No mesmo segundo ele começou a pensar nas piores coisas possíveis. Louis parecia ficar cada vez mais satisfeito.
— Minha irmã sempre quis ter filhos. É uma pena, mas eu prometi a ela que poderia fazer o que desejasse.
Peeta imediatamente olhou para Andrew, vendo em seguida o rosto pálido de Katniss. O tamanho susto foi suficiente para que ela perdesse grande parte de sua cor.
— Matá-los?— ele alterou a voz — Não pode fazer isso, ela é minha esposa, Louis! Me matem no lugar!
Katniss o olhou aflita. Ela queria poder levantar e enfrentar aqueles dois, mas estava dolorida demais para tal. Não sabia se aguentaria o peso de suas pernas. A única coisa que conseguiu de fato fazer foi segurar Andrew como se assim pudesse protegê-lo de todo aquele mal. Ele é só um bebê, por quê sujeitá-lo a tanto?
— Mary é só uma adolescente — Glimmer disse fria, se lembrando da falta de experiência da garota — Andrew sempre foi meu.
— Isso não é motivo para matá-los! — Peeta gritava com raiva. Até Andrew se assustava — Se alguém merece morrer aqui, esse alguém sou eu! Deixe os dois fora disso!
Peeta sabia que era tudo culpa dele. Devia ter levado Glimmer para a França, deveria ter acompanhado a garota durante todo o caminho. Ele foi estúpido ao deixá-la sozinha. Ele foi estúpido ao não tomar um pouco mais de cuidado.
Como era burro! Agora o desespero corria em suas veias e ele não queria mais saber como seria o fim daquilo tudo. Tinha que fazer alguma coisa e se precisasse morrer para salvá-los, ele faria. Katniss não precisaria sofrer as consequências por irresponsabilidades dele.
Glimmer então sorriu, percebendo o desespero de Peeta
— Não vou matar essa garota, Peeta. Você é quem vai.
****
Até Katniss se assustou com aquela declaração. Glimmer se divertia com a ideia, principalmente ao ver o pavor nos olhos de cada um dos dois. Tinha criado esse plano dias atrás, convencendo-se de que aquele seria o melhor desfecho, o mais justo. Ela precisava ver aquela maldita garota morrer da pior maneira possível. E nada melhor do que mandar Peeta fazer isso, não? Ela nem sujaria as mãos, por mais que estivesse morrendo de vontade de atirar.
Glimmer caminhou até Katniss, aproximando-se aos poucos da garota. Peeta nem sequer tinha palavras, preferia imaginar que aquilo era um sonho.
— Antes de você morrer, Kat, eu queria te pedir desculpas — a loira disse com um falso tom inocente — Desculpe por ter deixado Peeta voltar para Londres e consequentemente ter que se casar com você… ele fez da sua vida um inferno, não foi?
— Você não tem nada para se desculpar — era a primeira vez depois de horas que se ouvia a voz falha de Katniss ali. Peeta deu um mínimo sorriso, percebendo a ironia dela.
— Não quero sujar as minhas mãos com o seu sangue barato — Glimmer então levantou Katniss à força, notando que ela custava ficar de pé, já que estava muito fraca.
A Everdeen tinha o vestido branco todo amarrotado e manchado, já o cabelo estava todo desarrumado. Andrew choramingou ao ser deixado no chão e Katniss nem ao menos teve tempo de abraçá-lo. Ela protestou, mas Glimmer a puxou com mais força, arrastando-a para um pouco mais longe.
— Solte ele, Louis.
— Espera… agora? Eu não posso fazer isso! — Peeta assustou, protestando ao ver Louis levantar e começar a desamarrar seus braços. Ele se desesperava ao ver Andrew chorar.
— É só apertar aqui e pronto! Estará tudo acabado! — Glimmer apontou para a arma.
Katniss deixou que uma lágrima escorresse ao longo do seu rosto. Louis soltou o antigo amigo, erguendo ele em seguida. Mas foi só uma questão de um segundo para que Peeta reunisse o pouco de força que ainda tinha, torcendo o braço de Louis que o segurava, avançando até o rapaz. Deu-lhe um soco do lado esquerdo, vendo o irmão de Glimmer cambalear.
Katniss gritou por impulso, não esperava aquilo. Andrew chorou ainda mais alto. Peeta jogou Louis contra a parede, dando-lhe mais um golpe. Já via o sangue escorrer pela lateral do rosto dele, aumentando significantemente a quantidade de adrenalina que corria em suas veias. Ele agia sem pensar, só precisava tirar sua família dali.
Peeta atingiu o rosto de Louis mais algumas vezes, até que o outro resolveu reagir, derrubando-o no chão. Peeta não esperou pelo golpe. Rolou sobre o piso e tentou ganhar vantagem mais uma vez, porém, estava difícil ver quem de fato ganhava. Louis também era forte.
Peeta sentiu algo quente escorrer um pouco abaixo de sua testa e o cheiro metálico de sangue já invadia o ar. Ele virou o rosto por um segundo para ver Glimmer segurando Katniss pelo pescoço, apontando a arma direto no rosto da Everdeen.
Peeta então parou, deixando que Louis o puxasse, segurando seus braços. Ele levantou, já preso, sentindo seu corpo reclamar pelo cansaço.
— Tem certeza de que quer deixá-lo livre, Glimmer? — Louis reclamou, segurando Peeta com um pouco mais de força. Agora ele também estava com raiva.
— Traga ele aqui, Louis — Glimmer ordenou. Peeta tinha os nós dos dedos machucados. O sangue escorria por suas mãos e ele tinha uma ferida aberta em um dos dedos. Doía… mas não tanto como o que sentia naquele momento. Ele foi arrastado até Katniss, ficando de frente para ela — Trinta segundos para o casal.
Glimmer se afastou um pouquinho, os deixando frente a frente. Fazia tempo que não se olhavam dessa maneira...tão de perto. Deram um mínimo sorriso um ao outro, mas só ficaram nos olhares, não haviam palavras a serem ditas. Peeta sentiu algo frio em sua mão, notando que era a arma que antes Glimmer segurava. Ela a colocou ali.
Ele apertou o objeto com força, engolindo em seco. Fitou Katniss e a viu da mesma forma. Peeta sabia que podia apertar e fazer o que mandavam, que poderia matá-la ali mesmo e viver com a culpa.
Viver… ele riu de si próprio. Não viveria mais se fizesse aquilo. Se mataria caso tivesse que fazer.
Glimmer os apressou, impaciente com a demora. Peeta então notou um leve traço de tranquilidade nos olhos de Katniss. No meio de tudo aquilo, quando ela o olhou nos olhos, ele viu. E então soube exatamente o que fazer.
Por isso, num piscar de olhos, ele envolvia a arma com firmeza entre seus dedos machucados, respirando fundo. Aqueles segundos passaram como uma tortura. Mas Peeta sabia: ele se livraria de todos os problemas naquele dia.
— Eu te amo, Chérie — foram as únicas palavras dele antes de atirar.
****
Glimmer gritou, o barulho da bala era irritante. Andrew voltou a chorar assustado, quando o silêncio se instalou. O barulho era assustador, como se até o chão tremesse abaixo de seus pés.
Mas o pior foi depois. Glimmer abriu os olhos e trancou os punhos com toda a raiva que sentiu, assim como Louis.
Peeta pedia pela morte. Ele havia desviado a arma no último segundo, atirando na parede atrás de Katniss. A Everdeen ainda encolheu, mas percebeu que ainda estava viva uns instantes depois. Não havia nem sinal de alguma bala em seu corpo.
— Não vou matá-la! — Peeta gritou irritado, jogando a arma longe. Katniss sorriu com a atitude dele.
— Era a nossa última bala — Glimmer comentou frustada. Era óbvio, Peeta sabia desse detalhe, por isso atirou na parede.
— Você vai matá-la de qualquer jeito — Louis murmurou indo até ele, acharia uma nova forma de acabar com aquilo. Mas antes que pudesse, ele ouviu algum barulho — O que foi isso?
Todos ali pararam. Vários passos pareciam vir do lado de fora da casa. Rodeavam o local, enquanto os quatro ficaram em silêncio. Tudo até a porta ser derrubada. Peeta deu um passo para trás, surpreendendo-se ao ver que quem entrava era Gale. Ele nem ao menos teve tempo de falar, notando que Louis partiu para cima de seu irmão, sem raciocinar.
Peeta então resolveu tomar uma nova atitude. Foi até Katniss decidido a levá-la para fora dali. Porém, Glimmer conseguiu ser mais rápida ao entrar no meio. Peeta fechou os punhos.
— Vai querer bater em uma mulher, Peeta? — ela perguntou divertida — Por que mentiu sobre Gale?
— Não menti sobre nada — os dois se olharam por um momento, esquecendo da existência de Katniss logo atrás.
Tanto que Glimmer só gritou, recebendo uma pancada na cabeça, vendo a faca que antes segurava voar longe de seus dedos. Peeta riu vendo a atitude da esposa. Mas derrotá-la não era fácil, a garota se recuperou em instantes e tudo o que o rapaz fez foi pegar seu punhal para a própria segurança. Ele se deu conta que tinha sido uma boa ideia escondê-lo entre suas roupas, a sorte foi que Glimmer nem se deu ao trabalho de revistá-lo direito.
Andrew estava protegido no canto, não havia perigo. Glimmer assustou um pouco ao ver a arma pontuda nas mãos de Peeta, recuando por um passo. Conseguiu puxar Katniss e colocá-la em sua frente.
Enquanto isso, os dois homens continuavam a brigar. A polícia seguia Gale, então logo estaria ali. O rapaz viu Louis conseguir tomar a arma de fogo de sua mão. Xingou mentalmente, estava perdido. Ainda continuou lutando, tentando não ouvir os risos de vitória do loiro. Glimmer arranhou o rosto de Katniss. Deixaria uma bela marca de suas unhas ali. Tentava agarrá-la e puxá-la para um lugar estratégico. A lareira, é claro. Iria queimá-la ou deformá-la se fosse preciso.
Apertou seu braço antes que Peeta conseguisse se intrometer no meio. Era para ela ter morrido. E se o marido não quisesse fazer aquele favor, era obrigação de Glimmer fazer.
— Larga ela, Glimmer! — Peeta gritava autoritário.
Foi em vão, Katniss estava sendo arrastada. Ele correu até as duas, vendo a esposa tentar resgatar suas forças. Afastou um pouco a loira, ganhando certa vantagem e fôlego para fugir.
— Quero que queime no inferno, sua vadia!— Katniss gritou, empurrando a loira.
Mas sua ação foi cortada para soltar um grito de espanto. Peeta estava no meio delas, com um punhal nas mãos. E como defesa, levou a arma para frente, acertando o objeto cortante em cheio num corpo, que caiu no chão imediatamente.
Os olhos de Katniss estavam arregalados, sua garganta estava trancada, não tinha o que falar. E por um segundo tudo pareceu ficar em silêncio.
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