Atração Fatal
25 Capítulo 25: My Old Paradise
O palácio estava um caos. Peeta ainda procurava por Katniss, rodeando todo o casarão, gritando por ela em todos os cômodos. Mas tudo isso só servia para que ele tivesse a certeza de que ela não estava mais ali. Nem ela, nem Andrew.
Ele queria poder sentir o cheiro dela mais uma vez, queria ouvir a sua voz, somente para ter a certeza de que ela estava viva. Peeta passou a última noite em claro, o sono simplesmente não vinha. E depois ele não conseguia pronunciar mais nada, andando pela casa parecendo um fantasma com os olhos parcialmente vermelhos.
Ele não se conformava. Em um dia tinha tudo e num piscar de olhos, o que nem parecia lhe amedrontar, tirou-lhe toda a sua vida.
Glimmer iria pagar. Iria pagar muito caro.
Gale conversava com uns policiais, dando o relato sobre o sequestro. Annie tinha sido levada junto com o delegado. Madge tentava se controlar, oferecendo chá a Peeta quando ele apareceu na sala, mas apenas ouviu o “não” seco que ele murmurou, muito mais baixo do que o normal.
Todos comentavam sobre o desastre da festa de natal. Comentavam da mulher e da criança que tinham desaparecido, sem deixar de lado também o caso do homem baleado.
Peeta se sentou em uma das poltronas, sendo acompanhado pelo olhar de Madge. Longos segundos em completo silêncio se passaram até que ela resolveu se aproximar mais uma vez, pigarreando.
— Annie disse que viu um homem… ele tinha sotaque — a loira começou a falar baixo — ele tentou tirar a arma dela… até Finnick chegar. Ela estava assustada, pegou a pistola e tentou impedir a briga… mas meu irmão não parava, até o outro homem dar um golpe surpresa. Finnick caiu do chão, o sujeito fugiu e Annie surtou… tentou atirar nele no último segundo, mas não era pra cair no… no… — Madge não conseguiu, abaixando a cabeça.
— Eu nunca deveria ter mandado Annie fazer aquilo, nunca deveria ter largado Katniss — Peeta resmungou, agarrando os próprios cabelos — é tudo culpa minha!
— Não… é minha. Eu deixei aquele estranho entrar, deveria verificar se ele tinha o maldito anel! — Madge disse quase chorando novamente.
Era um erro de todos. Num deslize Glimmer aproveitou de toda a situação. Essa hora Katniss poderia estar morta e nem se sabe onde.
Mais tarde Gale deixou os policiais, se juntando aos dois que estavam na sala.
— Eles não vão fazer a busca antes de vinte horas depois do desaparecimento. Dei as ordens, mas não adianta — Gale avisou assim que entrou no cômodo. E quando ouviu aquilo, Peeta bufou, seria capaz de matar qualquer um a partir dali — é melhor seguirmos sozinhos… com calma.
Em seguida Peeta já balançava a cabeça.
— Você não entende, Gale? — ele explodiu, levantando-se da poltrona — minha mulher e meu filho estão desaparecidos! Quer ter calma? — Peeta gritou,podendo qualquer um que o ouvisse — você não conhece Glimmer. Ela pode… ela pode... — ele não conseguia mais pensar direito — ela não tem piedade! Não aceita perder!
— Então como pensar que vai fazer? — Gale gritou no mesmo tom — Sair por aí gritando pela Katniss? Se não tivermos calma, não chegaremos a lugar algum! Annie foi levada pelos policiais, Finnick está no hospital e um dos suspeitos desapareceu!
— Que se dane todos eles! Eu quero Katniss e Andrew aqui imediatamente! — Madge se encolhia no sofá, olhando as faíscas de raiva que saíam dos dois — não vou ter calma! Não vou descansar até ter eles de volta e ver todos envolvidos nisso queimando no inferno!
— Então os encontre sozinhos! Pensa que é fácil? Sua irmã sendo condenada de um crime, o nome de sua família sendo sujo? — Gale também estava preocupado, mas a implicância do irmão o irritava cada vez mais — e você só se importa consigo mesmo e com essa sua amantezinha de merda!
— Ela não é minha amante!
Peeta não aguentou. Num segundo só insultava o irmão com suas palavras, no outro ele já caminhava até Gale com os punhos completamente fechados. Iria acabar com ele se isso fosse capaz de diminuir um pouco que fosse de sua raiva.
Madge encolheu assim que viu os dois começarem uma briga bem diante de seus olhos. Peeta empurrou Gale pelo peito, que logo tomou a posição e veio para cima dele. Então os dois se deixaram levar pela ira, dando os primeiros socos. Eles nunca tinham brigado nesse nível e, mesmo com a falta de companheirismo, eles se respeitavam na maior parte das vezes.
Bom, até agora. Gale já tinha as costas no chão enquanto Peeta permanecia acertando seu rosto, pouco importando com a dor no próprio punho cada vez que este acertava o osso do irmão.
Por sorte, no meio da briga, um empregado conseguiu se colocar no meio dos dois, puxando Peeta, que era o mais nervoso deles. O Mellark se assustou por um momento, mas logo olhou para o rosto machucado do irmão a sua frente.
— Você só fala isso porque não admite o fato de eu ter me casado com Katniss — ele falou sorrindo sarcasticamente. E ainda tinha um enorme corte no canto da boca — por isso se casou com uma Everdeen… para esconder a dor que sente enquanto beija praticamente um clone da mulher que realmente ama — então Peeta limpou o sangue do machucado, soltando-se do empregado que tinha puxado seu corpo para trás — tenha um bom dia...irmãozinho.
Peeta saiu com passos fortes para fora do cômodo. Estava disposto a procurar Katniss sozinho, melhor que fosse.
Gale levantou-se, gemendo enquanto tocava o nariz machucado. Ele ainda tentava se recuperar das palavras nada gentis de Peeta, imaginando a razão para tanta ira. Mas seu medo maior veio quando ele olhou para frente, vendo uma Madge com cara de choro e aparentemente nervosa.
A confusão estava para começar.
****
Annie foi libertada. O delegado a deixou ir, livre dessa vez. E a garota fez o que seu coração pedia: correu para o principal hospital de Londres. Sua cabeça ainda girava com os acontecimentos da noite passada e tudo gritava uma única coisa, gritava dizendo que ela era uma assassina.
Annie tinha atirado em Finnick. O homem que havia tentado defendê-la.
Ela entrou no quarto onde estava o rapaz, tudo após ter recebido a permissão das enfermeiras. A bala que tinha acertado próximo ao abdômen de Finnick tinha sido retirada e alguns procedimentos que ela pouco entendia sobre haviam sido feitos. Mas, por sorte, Finnick permanecia ali respirando.
Ele dormia sobre os efeitos dos remédios. Suas mãos tremiam, enquanto Annie as juntava com as dele. Então sentiu certo calor vindo da pele dele. Finnick estava vivo, era um fato. E aquilo a fez sorrir mais tranquila.
— Oh, Deus…— Annie falava passando delicadamente os dedos sobre o abdômen dele, sentindo os pontos colocados sobre o corte — precisamos conversar, Finnick… vou te esperar aqui.
Annie entendia o silêncio dele como um sim. Iria vê-lo em breve.
Ouviu a porta do quarto se abrir e o vulto do irmão rapidamente parou ao seu lado. Annie percebeu que Peeta tinha os olhos vermelhos e um grande ferimento no canto da boca. Então virou-se assustada para ele.
— O que houve? Encontraram alguém? — resolveu perguntar. Porém, ele negou, olhando para o nada — então o que é isso na sua boca?
— Levaram Katniss, levaram o meu filho… e é tudo culpa minha — ele murmurou baixo.
Annie suspirou, não tinha mais tempo para dramas. Peeta se sentou em uma pequena cama para os acompanhantes, que ficava no canto do cômodo
— Gale e eu tivemos uma discussão.
— Novamente? Quando vocês vão se entender, afinal? — Annie disse meio alterada — O que veio fazer aqui?
Peeta deu os ombros. Não estava afim de falar sobre aquilo.
— Quem era aquele homem de ontem? — ele desconversou, levantando o olhar até Annie. Observou a forma como ela negava com a cabeça, mostrando que não sabia o informar — preciso de pistas para achá-lo.
— Ele tinha sotaque... e se trabalha para Glimmer, tudo indica que também é francês — Annie continuou, andando com passos lentos pelo quarto — talvez até voltaram para a França.
— Muito óbvio — Peeta disse rapidamente — Glimmer é esperta, sabe que lá seria o primeiro lugar em que eu a procuraria. Ela só pode estar por aqui ainda, mas se não estiver em Londres, estará numa cidade próxima.
Annie franziu o cenho, parando para fitá-lo. Cruzou os braços e permaneceu na mesma posição.
— Por que acha isso? — ela perguntou. Peeta deu os ombros mais uma vez.
Annie não duvidava de fato com que ele tinha a dizer, afinal, confiava no irmão. Os homens da família geralmente eram treinados para táticas de guerra e fazer muitas outras coisas, então ele deveria saber muito bem sobre esses assuntos.
— Ela já mencionou algum lugar?
— Não — Peeta vasculhou sua mente, mas não tinha nenhuma ideia — Glimmer não está longe...se ela levou Katniss e Andrew, será por dois motivos: ou ela quer matá-los, ou ela me quer lá para poder matá-los…
Peeta imaginou que a segunda opção seria mais válida, fazia bem mais sentido.
— Então… eles seriam um tipo de isca? — Peeta assentiu com uma mão no pescoço, pensativo.
— É, ela realmente quer me atrair, quer que eu os procure… por isso acho que não vai matá-los agora — ele falava dando um pequeno sorriso, como se tudo estivesse ficando claro em sua mente aos poucos — sei que vai encher a cabeça de Katniss com mentiras...só para ela me odiar quando eu chegar.
— E Andrew? — Annie lembrou daquele outro detalhe.
Então, Peeta pensou mais uma vez. Pensou até que tivesse certeza do que dizer.
— Uma mãe não mata o seu filho — sorriu abertamente, agora tudo parecia fazer sentido.
— Er...e se ela não for a mãe? — Peeta virou-se, sério. Franziu o cenho, mostrando que não entedia — Er...Katniss me disse que Andrew tem uma marca na perna direita, assim como ela e… eu não acreditei quando disseram que ele era filho de Glimmer.
— Isso não vem ao caso no momento — Peeta se levantou, tentando manter seu verdadeiro foco — Preciso procurá-los.
— Vai sozinho? E a polícia? — Annie se colocou na frente do irmão, disposta a nunca deixá-lo ir daquela maneira.
— Glimmer me quer e eu vou dar a ela o que deseja — ele disse se aprontando para sair do quarto — chame a polícia quando sentir necessidade.
Peeta correu de volta para casa, precisava continuar seu raciocínio. Assim que chegou, trancou-se no escritório, assustando quando se deu conta de que o sangue de Finnick ainda estava um pouco derramado pelo chão de madeira.
Peeta contornou o espaço e foi até a própria mesa, olhando mais uma vez para tudo ao redor. O cômodo parecia ter sido um cenário de um filme de terror, estava um caos.
Ele então achou sua arma jogada em um canto, praticamente camuflada. Peeta não soube explicar o porquê, mas ela estava ali.
Ele pegou o objeto, ciente de que cabia na palma de sua mão. Sabia que aquele pequeno objeto seria capaz de machucar alguém, mas estranhou assim que viu a arma sem balas. Peeta pegou algumas em uma gaveta, escondendo-as logo depois de levá-las ao bolso de dentro do terno.
E em seguida ele se sentou para pensar, achando um punhal que poderia ser útil assim que tornou a vasculhar as gavetas.
Qual o lugar que Glimmer se esconderia? Pensava com cuidado. Ela era perversa, mas facilitaria as coisas para ele.
Peeta teria de ser mais esperto, não deixaria ser enganado. E enquanto olhava para o relógio preso em uma das paredes, ele permanecia pensando em alguma saída.
****
— Madge! Volte aqui… MADGE! — um baque na porta cortou a frase de Gale. Ele suspirou derrotado, imaginando que aquele era seu fim.
Mesmo que soubesse que Peeta era alterado, que sempre falava coisas para chamar a atenção ou irritar alguém, não pode evitar quando viu que Madge tinha acreditado. Ela é sensível, acreditava fácil nas pessoas.
A garota nem quis falar com Gale, assim que percebeu que ele viria tentar conversa, ela rapidamente se retirou da sala já com as lágrimas escorrendo pelas bochechas rosada.
E Gale não pensou duas vezes antes de seguir a esposa, disposto a tirar da cabeça dela todas aquelas ideias ridículas que Peeta tinha criado.
— Abre a porta, Madge… por favor — Gale falava quase em lágrimas. Pensou em chutar a barreira em sua frente, mas isso só a faria odiá-lo mais — deixa eu falar com você.
— Seu irmão já esclareceu demais! Não preciso de detalhes— era uma voz chorosa. Madge chorava por ele.
E Gale não aguentou, pelo menos teria de fazê-la parar de chorar. Ele não suportaria se caso Madge continuasse assim. Forçou a porta e ficou surpreso ao perceber que estava aberta. Sorriu, é claro que Madge não trancaria, ela também queria conversar, mesmo que fosse bem lá no fundo.
Gale entrou no cômodo, vendo a esposa encolhida na cama abraçada a um travesseiro.
— Peeta quer nos irritar, você sabe do temperamento dele — ele falou calmo, enquanto Madge nem sequer o olhava — Eu não sou apaixonado por Katniss… quer dizer, já fui, mais isso foi há muito tempo. E sabe por quê? Porque eu conheci o verdadeiro amor de minha vida.
— Eu vi você com ela — Madge disse baixo, secando algumas lágrimas — não me importava, afinal, Katniss é minha irmã, só que...
— Só que eu queria o bem dela — Gale a interrompeu, levantando o dedo indicador — Katniss perdeu o filho, Peeta a ignorava e você queria o que? Que eu a ignore? Ela precisava de atenção, de amigos!
— Agora eu entendo — Madge riu sarcástica, levantando da cama para encará-lo melhor — não me engane, Gale… você vem com essa desculpa, mas agora eu percebo todos aqueles olhares e palavras de encorajamento! Você a queria! Você queria a mulher de seu irmão!
— Nunca! — Gale gritou mais alto — nunca desrespeitei meu irmão desse jeito… se fiz aquilo era porque gostava de Katniss, mas era só uma amizade! Ela é como uma irmã para mim!
— Sério?— Madge levantou uma sobrancelha, desafiando o marido — não quero nem saber o que vocês fizeram enquanto eu dormia ou dava as ordens na casa...
— Nós não fizemos nada, Madge, por favor, entenda isso! — Gale tentou tocar os ombros da esposa, só que era impossível quando ela o rejeitava — Peeta não sabe do que fala!
— Ele ama a Katniss… e se falou aquilo sobre você, é porque sente ciúmes e é verdade! — eça gritou, chorando novamente — e eu? Sou um clone dela. Um clone que você usava enquanto pensava que era ela!
Gale queria tapar os ouvidos, fingir que não ouvia. Mas seu corpo não admitia, queria provar que era inocente. Nunca dormiria sabendo que Madge o odiava, ou acreditava em mentiras.
— Quer saber? Estou farta! — Madge declarou, levantando os braços — não vou sofrer por alguém que não me ama ou que não valoriza nada que venha de mim.
— Como?— Gale perguntou incrédulo — Claro que amo você, desde aquela vez em que nos esbarramos naquele maldito corredor! Me apaixonei pelo seu sorriso, pela sua coragem e amor. Como diz que não valorizo nada que venha de você?
— Pode procurar por Katniss, Peeta vai adorar — ela continuou — fique tranquilo, eu me deixo e deixo o seu projeto de gente bem longe daqui.
— O-o que?— Gale gaguejou — que projeto de gente? Vo-você...
— Você entendeu, Gale — Madge o cortou rudemente — isto termina por aqui.
E este foi o fim para ele. Ver sua esposa o deixar, enquanto carregava um presente que era dos dois. Um presente que estava sendo esperado há muito tempo.
Gale quis chorar, chorar por uma mulher pela primeira vez. Tinha perdido sua razão. Sentou-se na cama, derrotado. E nisso sentiu que os travesseiros ainda tinham o cheiro adocicado dela.
****
Peeta foi para o lado de fora do palácio. Caminhou pelo mesmo trajeto da noite anterior, passando pela cozinha e depois chegando na saída para os fundos. Por fim, conseguiu encontrar o jardim.
Tinha que haver uma solução ali, parecia tão óbvia e ao mesmo tempo tão inalcançável. Ele olhava para os lados, para o céu, mas nada acontecia. Estava cego. Tentava imaginar Katniss sendo arrastada, seus gritos, o choro de Andrew...era uma tortura.
Até que olhou para a casa. A janela do escritório, estava de frente para ele, só que era bem mais alta. Óbvio, o homem que até agora estava sem identidade foi até lá com um propósito. Iria fugir. Só que Annie atrapalhara seus planos, ele tentou tirá-la do caminho, quando Finnick chegou.
Uma parte estava resolvida. O suspeito pulou pela janela, já que dava passagem para os fundos e não era muito alto, dava para se enroscar em uma árvore e descer. E então Peeta pensou em outro detalhe, imaginando que Glimmer não daria conta de carregar Katniss sozinha.
Ele olhou o chão, que sem marcas. Katniss foi atraída até um pouco mais longe. Tempo suficiente para o homem pular, assustá-la e Glimmer tomar Andrew. Katniss então deveria ter corrido em direção a eles. Mas o suspeito a carregou pelos braços.
Devido a briga anterior, deveria estar sem forças, então não a carregou no colo. Peeta andou um pouco mais, seguindo a linha de raciocínio, afinal, eles não fugiriam pela entrada principal, seria difícil e Glimmer obviamente não queria chamar a atenção por enquanto.
Ela queria se discreta, queria enganar. Peera se lembrou que por trás disso ela ainda facilitava as coisas. Não se esconderia numa cidade muito pequena. Então veio uma luz de repente, como se tudo estivesse sendo esclarecido.
Peeta sabia que se seguisse aqueles passos, atravessando as árvores e indo mais afundo, encontraria um outro portão que geralmente não era usado. Se ultrapassasse o portão e seguisse a trilha, assim como o resto do caminho, horas depois poderia chegar a outras cidades. Era como um escape. O portão ficava escondido dentro de um atalho.
Peeta seguiu até lá, era óbvio, estava quase chegando ao fim. Mas antes de pegar no portão de ferro, viu marcas na neve.
O branco misturava com as marcas de terra e provavelmente Katniss tinha sido arrastada a força. O portão tinha a corrente solta. Peeta sorriu, Glimmer tinha seguido exatamente o caminho que ele traçou. E agora Peeta já tinha ideia de onde deveria ir.
Mais tarde ele voltou correndo para casa, vendo Annie que chegava do hospital. Peeta nem esperou, a parou ali mesmo na entrada da casa.
— Foram para o norte — falou ofegante — saíram pelo portão nos fundos do jardim, a corrente está solta.
— Avise a polícia então — Annie se animou, mas perdeu tudo aquilo assim que percebeu a negação de Peeta. Ele insistia em ir sozinho.
— Glimmer não vai aceitar, ela me quer lá... sozinho. Vou procurá-la ainda hoje.
— Se te perdemos será pior! — Annie disse séria, mas baixo para que nenhum curioso ouvisse — precisamos de apoio.
— Mande depois, caso eu não der sinal… se Glimmer se enfurecer será pior.
— Então aonde pretende ir? — ela perguntou cruzando os braços.
Viu o sorriso de Peeta aumentar, o que surtiu um leve efeito nela. Annie não pode negar quando o nervosismo ficou nítido dentro de si.
— Manchester — Annie não conseguiu segurar o riso ao ver a cara convencida do irmão.
Peeta era esperto, nem ela sozinha conseguiria chegar naquela conclusão. Ele percebia os mínimos detalhes, como se presenciasse a cena diante de si. E minutos mais tarde ainda saiu esperançoso, subindo no cavalo, otimista.
Iria até o outro lado do mundo, só não voltaria para casa de mãos vazias.
****
Annie olhava Peeta arrumar o cavalo, decidido a ir. Tinha grandes ideias, teorias e principalmente: determinação. Ele se via voltando junto com Katniss e Andrew.
E quando ele finalmente partiu, não informando a mais ninguém além dela, Annie entrou dentro da casa mais uma vez, num estado deplorável. Não havia dormido desde a noite anterior.
Ouviu certos gritos e depois uma porta se batendo. Bufou, imaginando que mais outra confusão estava a caminho. Viu Madge correr pelos corredores, chorando até sumir. Annie esperou uns minutos em silêncio escondida num canto, até sair para procurar por Gale.
— Mais problemas? — ela perguntou o vendo deitado de barriga para cima na cama, feito uma estátua olhando para o teto — já é um adulto, Gale! Lide com as coisas feito um.
— Não é o seu casamento que está a beira de um precipício — ele disse baixo, feito uma máquina. Annie bufou por fim, sentando ao seu lado.
— Você é a pessoa mais determinada que eu conheço...só que está demonstrando o contrário. Até Peeta está...
— Cale-se — Gale interrompeu seco. Estava farto de ouvir aquele certo nome, ele sempre era o centro das atenções — Peeta é bem mais inteligente.
— Não foi isso que quis dizer, só estou decepcionada por te ver assim.
— Madge está grávida! — resmungou — como ninguém me contou isso? Você sabia?
Annie encolheu os ombros.
— Bom… digamos que sim — ela confessou, nem pensando em virar para ver a expressão espantada de Gale — tem muita coisa que você ainda não sabe, Gale.
— Co-como o que?— ele gaguejou, se mostrando parcialmente interessado, mas ainda sim receoso.
— Er...- ela se deu conta do que estava fazendo no último minuto. Depois disso, rolou os olhos e tentou mudar de assunto — acho que sabemos onde está Katniss.
Os olhos dele brilharam. Não que Gale ainda gostasse dela, mas era uma ótima notícia. Saber que a família poderia voltar a ser normal como antes era realmente muito bom. Então ele se deixou relaxar.
— Bom, Peeta foi atrás dela — Annie continuou e nisso Gale já ficava paralisado novamenteo — foi em direção a Manchester.
— Manchester? Num cavalo? — Annie assentiu, tímida — ele está pedindo para morrer, isso sim.
— Falei para avisar a polícia só que Peeta quer enfrentar Glimmer sozinho — ela se deixava tremer assustada as vezes — o problema é que não sabemos quem está com ela.
— Você sabe — Gale interrompeu, sentando-se para poder olhá-la direito. Annie levantou o rosto, não encontrando nada que pudesse dizer naquele momento — Mas esse não é o problema, Peeta precisa de apoio...sabe...uma arma secreta.
— Como? — Annie perguntou rindo. Gale deu os ombros — e o que seria isso?
— Eu — disse convencido, levantando-se da cama por fim — vou segui-lo
— Mas se ele o ver?
— Não vai — Gale arrumou o terno, calçando as botas do lado do criado mudo — irei estar a uma certa distância, sempre de olho. Se caso não mandar notícias, chame a polícia.
— Vou chamar vinte e quatro horas após a sua saída — o rapaz concordou — Cuide dele… por favor.
— Peeta não fez por merecer, mas ele é meu irmão, preciso fazer isso — Gale fez menção de ir, mas parou logo na porta, virando-se novamente — E diga para Madge que… que eu a amo… muito.
Annie assentiu,e minutos depois foi até a janela para ver Gale do lado de fora, já preparando o próprio cavalo.
Porém, mal ele sabia que outro vulto também o observava com os olhos cheios de lágrimas. Esta mesma pessoa o acompanhou, olhou todos os seus passos, até que ele finalmente sumiu. E depois disso, quando o palácio já estava mais vazio, Madge se viu convencida de que era o fim.
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