Atração Fatal
22 Capítulo 22: Can't Fight This Feeling
Peeta acordou sentindo uma maldita dor nas costas. Abriu os olhos, vendo que estava sentado de uma maneira nada confortável na poltrona do escritório.
Ele se lembrava de certas cenas da noite anterior, mas nada se comparava a forma ridícula de como ele chorou igual a uma mulher. Sua roupa estava amarrotada, provando como ele estava um caos por fora. Porém, isso não refletia completamente como ele estava por dentro. Destruído, vazio, sozinho.
Nunca se sentiu tão mal assim antes.
Isso porque era um fraco por chorar por uma mulher. Mas sabia que merecia tudo aquilo. E talvez até mais, já que esteve errado o tempo todo.
Ao sair do cômodo, Peeta evitou certos lugares, como a sala de jantar. Não tinha certeza sobre ela estar lá, então era melhor nem arriscar. Não com aquela cara horrível depois de uma noite mal dormida.
Annie tinha Andrew nos braços na sala, sorrindo para o bebê. Peeta passou direto novamente, indo buscar seu cavalo do lado de fora. Queria chutar ou bater em qualquer coisa que visse pela frente, o ódio por si mesmo já tomava conta do seu corpo.
Ele saiu resmungando baixinho e nem sequer percebeu quando alguém parou em sua frente.
— Estou te esperando há uma hora, estamos atrasados! — Gale tinha razão, os dois estavam mais do que atrasados para o trabalho. Mas que se dane, Peeta não dava a mínima para nada disso. Ele preparou para subir no cavalo, até a mão de irmão impedir — Onde passou a noite?
— No escritório — respondeu rude, tentando evitar o olhar de Gale. Se o olhasse, ele iria perceber que Peeta havia chorado — Não estou com cabeça para as suas conversas.
— Soube que Glimmer foi embora — sorriu de repente — Porque você a mandou ir.
— Está feliz? Ótimo, agora não há com o que se preocupar.
— Estamos a meio caminho andado — Gale arrumava o próprio cavalo, sentindo-se aliviado — Você já falou para a Katniss?
— Annie deve ter contado — Peeta estava evitando ao máximo ouvir o nome dela, sentia sua cabeça rodar só de lembrar do que acontecera na noite anterior. Por isso ele fingiu desinteresse, dando os ombros.
— Talvez. Falando na Annie, ela te contou sobre os planejamentos? — Peeta negou, nem sequer entendendo o assunto. Na verdade também não fazia questão de entender — Como assim, Peeta? Hoje é o aniversário da Katniss! Estávamos pensando em fazer algo para ela.
— Ah... — ele tinha acabado de cometer outra burrice, já virando mestre nisso. Como pode ser tão burro ao se esquecer completamente do aniversário da própria esposa? — Vocês devem fazer uma festa então...
— Não sei, o tempo não anda muito bom para isso. Annie me disse hoje cedo que Katniss acha que você está escondendo alguma coisa.
Gale mudou de assunto de repente, fazendo Peeta engolir em seco.
— Eu?— ele soltou uma risada forçada, negando com a cabeça.
— Disse que vocês conversaram ontem, ela te contou uma coisa mas você não quis falar o que queria depois — Gale falou distraído. Peeta parou por um segundo, virando para o irmão que levantou a sobrancelha em interrogação.
— Por que acha isso?
— Você deixou a Glimmer, não sei — deu os ombros — E anda muito diferente... O que queria com a Katniss?
— É que... — ele pensou em parar, mas não tinha como voltar atrás. Sentia essa vontade, que era bem maior. Precisava contar para alguém. Fora que Gale estava mais do que curioso e mesmo que Peeta odiasse conversar sobre aquelas coisas com o irmão, aquela deveria ser sua única oportunidade de falar o que estava sentindo — Eu resolvi, Gale. Tomei uma decisão. Sinto que Katniss está longe agora só que... eu também sinto como se realmente pertencesse a ela.
— Você a ama? — Gale perguntou com um brilho nos olhos.
— Muito — Peeta sentiu seu coração acelerar, mas não tinha sensação melhor do que aquela — Katniss é a melhor coisa que eu tenho. Pena que a perdi por idiotice.
— Você não a perdeu — Peeta sentia como se seus sentimentos aumentassem só de revelá-los a alguém, sabia que tinha feito a coisa certa — Acaba de conquistar, só precisa ir buscá-la.
— Você não entende, as coisas são piores do que parece — Peeta finalmente subiu no cavalo. Deixou o irmão atrás de si, sem dar um ponto final na conversa. Quer dizer, aquela última frase acabou sendo o seu ponto final.
Mas ao invés de Gale o seguir indo para o trabalho, deu meia volta em direção a mansão.
****
— Parabéns, Kat! — Annie surgiu no quarto da amiga com um sorriso nos lábios. Já Madge vinha logo atrás com uns pacotes nos braço.
Aniversários não eram uma época muito feliz para Katniss. Sempre comemorava ao lado da mãe, recebia diversos presentes e o tão conhecido “Feliz Aniversário” de todos da família. O mesmo costume até os seus nove anos.
Desde então Finnick a incomodava, sempre sujando seu vestido, ou fazendo algo que a irritava de verdade. Uma vez colocou um ratinho no meio da festa, fazendo uma tia sua gritar feito uma louca, em outras ele apenas roubava os doces antes da hora adequada. Mas isso era quando ela tinha seus 12 anos.
Já no último aniversário, Katniss recebeu a notícia do casamento. E mesmo com algumas péssimas memórias, ela sentiu que hoje poderia ser diferente. Para começar, chegou até mesmo a receber café na cama, abraços e diversos parabéns.
Gale quase a esmagou quando apareceu no quarto mais tarde, dando uma bela pulseira de diamantes (outra na verdade) enquanto contava que tudo não passou de uma ideia de Madge.
— Homens e suas bocas gigantes! — a loira murmurou fazendo menção para que Gale saísse do quarto imediatamente.
— Veja — Annie disse oferecendo um dos pacotes para Katniss. A Everdeen se apressou para abrir, revelando um belo vestido vermelho que a fez soltar um riso.
— Você se enganou ou este vestido é seu? — perguntou, percebendo quando Annie apenas revirou os olhos. Mas no fim, Katniss adorou, acariciando o pano macio da roupa — Obrigada, Ann.
— Agora é a minha vez — Madge as interrompeu, com outra caixa nas mãos. Entregou seu presente para a irmã, esperando que ela abrisse. Depois de desamarrar o laço branco que rodeava o embrulho, Katniss tirou a tampa e revelou uma tiara que brilhava tanto quanto a pulseira de Gale.
— É linda, Mad — ela disse tirando o objeto da caixa para olhar melhor.
Em seguida Katniss puxou as duas para um abraço. Antes mesmo que se separassem, uma criada apareceu com um pequeno bolinho de aniversário, algo que foi ideia de Madge, já que a mesma dissera imediatamente aquilo.
Katniss não soube ao certo como agradecer, feliz como uma criança ao receber os presentes de Natal. Após os rápidos parabéns, as três se juntaram sobre a cama, distraídas ao conversarem sobre os últimos dias, ou apenas trocando alguns segredos.
No meio de uma dessas conversas, Annie soltou:
— Haymitch deu a ideia de comemorar o aniversário fora do palácio hoje a noite. O que acha?
Katniss comia o último pedaço do bolo enquanto pensava na resposta. No mesmo segundo a imagem de alguém em especial surgiu na mente dela, fazendo-a engolir a comida com rapidez.
Era estranho ele não ter aparecido ainda.
— Acho uma excelente ideia — ela respondeu em seguida.
Katniss se lembrava da última conversa que tiveram. Ela tinha deixado bem claro que Peeta poderia seguir seu próprio caminho se quisesse.
Então, não adiantaria esperar por ele, a escolha havia sido feita. E da mesma forma ela faria a dela.
****
Peeta encarou o buquê que tinha nas mãos, mas nem sabia o porquê. Ele acabou tendo a péssima ideia de comprar aquilo quando voltava para casa quando já anoitecia. E agora ele estava ali, aparentemente sozinho, apenas com as flores e uma taça cheia de vinho que havia pegado minutos antes.
Peeta mal tinha cruzado a porta quando percebeu o estranho silêncio. Nenhum guarda cruzando os corredores, nenhuma criada caminhando por aí. Nem mesmo Madge fazendo barulho com suas conversas escandalosas. Era somente ele.
E então ele se lembrou de Katniss. Ah sim, o aniversário de Katniss.
Peeta balançou a cabeça, se sentia um completo idiota. Como ele não percebeu antes?
Tinha ouvido Haymitch falar que comemoraria o aniversário dela em outro lugar, por isso estava tudo vazio. Alguns guardas deveriam ter acompanhado todos, já as criadas provavelmente já tinham se escondido por aí, o trabalho estava feito mesmo. Ninguém apareceria tão cedo.
Peeta largou as rosas numa mesinha qualquer na sala, deixando o vinho ali também. Afrouxou a gravata ao sentir aquele desconforto, como se estivesse sendo sufocado, caminhando até a lareira. Ali ele via o fogo aceso, enquanto pensava que somente assim poderia se afogar nos próprios sofrimentos.
Logo depois ele tirou o terno, arrancando a gravata de vez juntamente com o colete, sentindo como se pudesse respirar um pouco pela primeira vez no dia. Jogou tudo sobre uma poltrona, voltando para o mesmo lugar de antes.
Ele fechava os olhos e tentava relaxar, mas era praticamente impossível quando uma única imagem vinha a sua cabeça.
Peeta só queria ver Katniss sorrindo mais uma vez. Sorrindo de verdade.
— Parabéns, Peeta! Sua inteligência é rara — zombou de si mesmo.
Ele estava impaciente. Seus olhos buscaram mais uma vez a taça com o vinho, quando passos se aproximaram da sala.
Peeta nem se dava conta daquilo, mais preocupado em fazer qualquer coisa do que ficar ali e deixar o ódio crescer, fazendo com que ele bebesse mais do que o necessário.
Os passos de antes chegaram no cômodo, parando logo depois. Era apenas Katniss. Ela piscou algumas vezes, procurando ter certeza de que realmente estava vendo Peeta por ali, mas antes que pudesse se certificar e sair correndo para que ele não notasse sua presença, a Everdeen o viu virar em sua direção.
— O-o que faz aqui? — Peeta enquanto passava as mãos nos olhos, mesmo sabendo que era inútil tentar esconder.
Aquilo era um absurdo, ele nunca pensou que pudesse chegar até aquele ponto.
— Estava chorando? — Katniss perguntou preocupada, ela sabia que Peeta não era de chorar. Se aproximou, como se pudesse resolver algo, mas estava errada. Porque, como já esperava, ele fugiu para o outro lado — Por que? O que houve?
— Saia daqui, Katniss — Peeta virou o rosto tentando olhar para qualquer outra coisa, menos para ela. Aquele maldito vestido vermelho a deixava… linda. Não queria chorar feito um bebê na frente dela — Não é nada demais.
— Não adianta tentar me enganar, Peeta. Sei que está escondendo algo — Katniss murmurou quase perdendo a paciência. A sensação que sentia era mesma de quando esteve ali pela primeira vez, anoite em que sentiu medo e receio em estar sozinha com ele.
Katniss engoliu em seco ao relembrar daquelas cenas. O fogo da lareira aceso, o silêncio do lugar e um Peeta totalmente estranho na sala. Só havia outro detalhe novo que não passou despercebido aos olhos dela: o buquê de rosas abandonado.
— O que é isso?
— Não é da sua conta — Peeta respondeu com um tom de voz diferente. Katniss franziu a testa e por impulso se aproximou mais uma vez, tocando-lhe no ombro. Porém, antes que pensasse em falar alguma coisa, ele tirou a mão dela dali — Me deixa sozinho, Katniss!
Por um segundo ela notou os olhos vermelhos dele. E isso foi o bastante.
— Soube que Glimmer foi embora. Está chorando por ela? — perguntou já esperando pela resposta, estava preparada para o que viria.
Só que para sua surpresa, Peeta apenas negou com a cabeça. Ela ergueu as sobrancelhas, surpresa.
— É alguma coisa com os seus pais? — arriscou mais uma vez.
Peeta tinha medo de virar e encarar aqueles olhos. Sabia que se fizesse, poderia perder a consciência, poderia não ter mais controle de seus atos. Talvez a amaria ali mesmo, ou fugiria como um covarde.
E de fato ele preferia a primeira opção, mesmo que sua razão pedisse pela segunda. Peeta podia sentir a maldita paixão correndo por suas veias, acabando com ele aos poucos. Ele só queria entender porquê o amor doía tanto.
Se soubesse disso antes, não teria deixado que esse sentimento aparecesse. Era horrível tê-la tão perto, mas ao mesmo tempo não poder ter aquilo tudo de verdade. Uma aliança não significava nada, não quando ele não podia simplesmente dizer que a ama sem ter medo das consequências.
Katniss tinha dito que ele poderia ir embora, talvez o que ela sentia havia mudado. E justamente isso o fazia ter receio.
— Você não entende? — Peeta percebeu que aquelas palavras saíram sem avisos. Ele estava irritado, tanto que mal conseguiu se controlar. Katniss assustou ao vê-lo se virar de repente com a expressão completamente diferente — Não vê o que está acontecendo?
— Eu já te deixei livre, Peeta. Você sabe que não precisa ficar — ele deu alguns passos pelo cômodo, ainda nervoso.
Katniss tinha medo. Tinha medo de vê-lo chorar, tinha medo por não entender o que de fato estava acontecendo. Seu coração acelerou assim que Peeta pegou uma taça cheia de vinho em cima de uma mesinha, jogando-a contra o fogo da lareira logo em seguida.
— Foi o seu pai? Vocês brigaram? — ela deu mais um palpite.
— Não! — Peeta gritou.
Katniss se calou imediatamente, estava paralisada no mesmo lugar. Observou Peeta passando as mãos nos cabelos como se algo o pertubasse. Então ela abaixou a cabeça, pensando que talvez fosse melhor sair dali para deixá-lo sozinho. Ela estava atrasada para as comemorações com o resto da família mesmo, Madge iria lhe dar belas broncas quando ela chegasse.
E quando Katniss resolveu dar meia volta, a voz de Peeta tomou conta da sala. Ele pediu para que ela ficasse.
— Você me disse para ir embora — ela comentou como se aquilo pudesse fazer com que Peeta a deixasse partir. E ele apenas suspirou, parecendo menos nervoso.
— Não precisa ir.
— Por que? Você sabe que eu...
— Também não adianta insistir, Katniss, eu não vou embora. Irei ficar aqui.
Peeta finalmente juntou coragem para encará-la nos olhos. Viu a confusão presente na expressão dela, juntamente com uma certa curiosidade. Curiosidade esta que foi transmitida na próxima pergunta que ela fez.
— Por que? — Katniss sussurrou.
— Porque… — Peeta tentava pensar nas palavras certas — porque meu coração… minha vida está presa aqui.
— Sei que você tem um trabalho e...- Peeta negou novamente, a interrompendo. Katniss podia sentir a forma como o clima do ambiente tinha mudado de uma forma tão rápida.
O que antes era tenso e amedrontador, passou a ser apenas… diferente. Não era ruim, mas era desconfortável. Peeta também estava do mesmo jeito. Olhava para as mãos as vezes, parecia pensar consigo mesmo e depois voltava para ela.
— Minha vida é você — ele revelou diante do desespero de estar finalmente falando aquilo tudo — Minha vida, meu ar, minha segurança, meu sorriso, meu coração… minha paixão é você, Katniss. Eu posso ter feito muitas promessas e sei que nenhuma foi cumprida. Me desculpe por isso.
— Mas como assim...Vo-você?— ele só podia estar tonto. Devia ter batido a cabeça ou bebido demais, mas com certeza aquele não era o Peeta que Katniss conhecia.
— É — ele soltou um riso — Eu te amo — disse aliviado pela primeira vez, ciente de que era um ótimo começo. Precisava apenas continuar controlando a respiração — Fui tonto ao achar que outra mulher poderia ser melhor do que você, ao te esnobar ou até te humilhar de todas aquelas formas. Mas quer saber? Eu me odeio por isso. Pode rir, pode até me bater, eu não me importo — Peeta deu os ombros — Sinceramente? Sou um tolo sem você...eu não sabia… mas já estou totalmente dependente, mesmo achando que você merece algo melhor.
Peeta daria as costas para ela. Já tinha jogado tudo para fora, agora teria que aceitar a rejeição. E ele estava preparado.
— Como eu posso precisar de algo melhor se tudo o que meu coração pede está na minha frente? — ele ouviu a voz de Katniss dizer exatamente aquelas palavras.
O aperto em seu coração ficou evidente mais uma vez. Ela era perfeita demais, maravilhosa demais. E provar isso era fácil, só olhando para o modo como ela era capaz de amar alguém como ele.
— O que você disse… é verdade? — Katniss perguntou com um sorriso nos lábios.
— Nunca fui tão sincero em toda a minha vida — Peeta respondeu — Eu queria ter me apaixonado antes por você, queria ter te dado devido valor. Até que tentei, mas eu estava cego demais, distraído com outras coisas. E agora sei que estou disposto a te amar. Não há como mais voltar atrás, simplesmente aconteceu.
Katniss acabou rindo. Riu sozinha, percebendo a forma como Peeta a olhava confuso, tentando entender o motivo daquilo.
A única coisa que ela não sabia era que ele também a admirava. O coração dele batia forte somente por poder ouvir aquela risada, ele seria capaz de ouví-la pelo resto da noite, ou até da vida.
E de repente ela a viu se aproximar. Foram somente alguns passos, tudo muito rápido até que Katniss estivesse a milímetros de seu rosto. Peeta desviou o olhar assim que a viu tão perto.
— Peeta? — ela o chamou num sussurro, vendo-o sorrir — Pare de se rebaixar, você não é assim. E eu vou ser sincera também: nada, absolutamente nada fará isso desaparecer. Mesmo depois de tudo o que houve, eu ainda continuei a te amar… te amar da mesma forma como te amo agora.
— Você não entende, Chérie. Eu realmente me arrependo — Katniss percebeu o desconforto dele — Eu te amo tanto. Você mal faz ideia do quanto eu queria poder te beijar agora.
E então ela sorriu. Abriu um sorriso de ver até seus dentes. Katniss esqueceu que tinha uma festa para comparecer, esqueceu de todos os outros compromissos. Ela teria um mais importante agora.
Levou a mão direita nos cabelos dele, vendo-o fechar os olhos. Katniss queria receber um beijo tanto quanto ele naquele instante. E foi o que ela fez.
A Everdeen deixou um beijo no canto da boca dele, vendo Peeta abrir os olhos assim que ela afastou. Ela se aproximou mais uma vez, encostando seus narizes. E quando ela pensou em afastar a cabeça, Peeta a puxou delicadamente pela nuca, chocando suas bocas.
As mãos de Katniss imediatamente foram parar sobre o peito dele. A surpresa com o beijo a fez agarrá-lo pela camisa, mas não deixou que os batimentos cardíacos acelerados dele passarem despercebidos. Ela notou a maneira como ele estava.
Peeta colocou a outra mão na cintura da esposa, envolvendo-a em seu abraço apertado. Talvez apenas para ter a certeza de que ela não sairia dali tão cedo.
Katniss sentia o ar faltar. Fazia tanto tempo que não sentia aquela sensação de ser amada e lá estava Peeta trazendo seu corpo para perto do dele. Era melhor do que qualquer coisa.
— Eu quero você, Chérie. Diga que me quer também, que me quer agora. — ele sussurrou assim que ambos se separaram. Suas testas estavam coladas e Katniss não podia controlar mais a alegria que sentia.
— Eu sempre vou te querer, Peeta. — Katniss beijou-o mais uma vez, mas ela quis brincar um pouquinho com ele.
Deu um passo para trás, sorrindo como uma criança ao continuar dando mais passos para fora dali.
— Onde você pensa que vai? — Peeta perguntou tentando caminhar até ela, mas parou no meio do caminho ao perceber a forma como Katniss o olhava.
Ah não.
— Volte aqui, Katniss.
Ela apenas negou com a cabeça. Depois virou de costas e saiu da sala.
Peeta não pensou duas vezes antes de voltar a seguí-la. Viu o momento em Katniss andava decidida até as escadas, olhando para trás de vez em quando somente para certificar-se de que ele continuava ali. Não que fosse um problema convencê-lo de fazer aquilo.
Katniss subiu os primeiros degraus, ouvindo os passos dele se aproximarem. Mas ela não queria que ele chegasse tão perto agora. Ela pegou na saia do vestido, puxando-a para cima enquanto acelerava o ritmo da subida. E quando finalmente chegou no andar de cima, andou pelo corredor, sabendo qual seria seu destino final.
— Katniss — Peeta avisou somente chamando-a pelo nome.
Então ela encostou na porta do quarto, que estava fechada. Esperou que ele chegasse, pegando-a pela cintura num impulso até que se beijassem mais uma vez.
— Você não tinha um compromisso? — Peeta perguntou desviando a boca para o queixo dela. Katniss soltou um muxoxo e tentou agarrar a maçaneta da porta.
— Isso pode esperar.
Ela não precisava se esforçar muito para saber que Peeta tinha ficado satisfeito com a sua resposta. Assim que ele veio para beijá-la, Katniss conseguiu abrir a porta do quarto, puxando-o para dentro.
Ambos perderam o equilíbrio por um segundo, mas não foi o bastante para que caíssem no chão. O barulho da porta batendo ficou evidente no cômodo, enquanto a Everdeen continuava puxando Peeta até o outro lado onde encontrariam a cama. Em seguida veio o silêncio, mas que não durou por muito tempo.
A respiração alta dos dois e os passos apressados tomaram conta do espaço. E quando Katniss estava prestes a se colocar sobre a cama, Peeta a parou segurando seu braço. Em seguida, virou a mesma de costas, afastando seu cabelo.
Katniss mordeu o próprio lábio diante da ansiedade. Sentiu as mãos dele correndo lentamente ao longo de seu corpo até pararem um pouco abaixo de seu pescoço, abrindo os primeiro botões do vestido. Abriu cada um até o final, afastando o pano da roupa para vê-lo cair no chão. E assim que este já estava fora do corpo dela, ele aproximou o rosto para beijá-la no pescoço.
Katniss imediatamente fechou os olhos. Suas pernas já tremiam somente por sentir a forma como ele a apertava contra si, juntando seu corpo ao dele. Peeta a virou em seguida, observando os lábios bastante avermelhados que ela tinha, praticamente da mesma cor de suas bochechas.
Katniss corada era a melhor coisa de se ver.
E o mesmo tempo que ele a olhava, as mãos dele desfaziam os laços do espartilho. Katniss sentia a peça afrouxando aos poucos, libertando-a do aperto.
— Vá para a cama — Peeta disse levando-a até lá.
Katniss se colocou sobre o colchão, mas não sem antes tirar alguns grampos que prendiam mechas de seu cabelo, deixando-a livre de todas aquelas coisas. A camisa de Peeta se juntou ao vestido dela no chão. As marcas de alguns cortes e machucados que ele tinha no peito em direção as costas ficaram evidentes e ela não segurou a vontade correr os dedos por ali.
Suas unhas passaram delicadamente sobre as marcas, avaliando-as de uma forma precisa. Peeta abaixou o rosto até a curva do pescoço dela enquanto permitia que ela fizesse aquilo.
Num piscar de olhos Katniss já estava sem o próprio espartilho. Sua barriga encostou na dele Peeta e ela abriu as pernas, deixando que ele ficasse entre elas. Os diversos beijos que ela recebia no pescoço deixavam sua pele completamente arrepiada.
Os lábios dele foram direcionados até o ombro dela, largando para trás um rastro quente que somente contribuíam para tirar toda a razão de Katniss.
Sim, era real. Finalmente não era só um sonho. Ela tinha o homem que queria. De verdade.
Um sorriso brotou em seus lábios enquanto aquelas mesmas palavras eram repetidas diversas vezes na mente dela.
Peeta realmente estava ali. E ele a amava, tinha dito com todas as palavras.
As mãos dela corriam pelas costas dele. As mesmas pararam mais abaixo, puxando o cinto. Peeta se afastou para tirá-lo, abaixando rapidamente em seguida para continuar o que fazia antes.
Katniss então sentia mais beijos ao longo de sua barriga. Ele a segurava pela cintura, mantendo-a parada na mesma posição enquanto permanecia indo mais para baixo, deixando de segurá-la para tirar as últimas pelas de roupa que cobriam o corpo dela.
— Você…
Antes que Katniss terminasse sua frase, Peeta a interrompeu. Levou um dedo sobre a boca, gesticulando para que ela ficasse em silêncio. E ela, obviamente, ficou. O ritmo da respiração dela ia desacelerando aos poucos na medida em que os olhos dele passavam por sua pele.
Katniss sentia o olhar dele queimando sobre si. Sentia a forma como ele corria uma mão pela extensão de sua coxa, apertando-a levemente antes de empurrá-la um pouco mais para o lado, dando mais espaço a ele.
E então não havia mais nada, parecia um sonho. Um misto de sentimentos tomavam conta do peito de Katniss, ela tinha até mesmo perdido todas palavras, não sabia o que dizer, não sabia se apenas o beijava, ou apenas o abraçava, ou se deveria ficar parada como agora.
Mas de uma coisa tinha certeza: guardaria para sempre aquela imagem dele. Guardaria para sempre todas as palavras que ele havia dito.
Quando Katniss percebeu, Peeta estava com a cabeça a sua altura. Seus olhares estavam conectados e ele tinha um braço em cada lado dela.
— Tente não fazer muito barulho — ele disse num sussurro.
— Estamos sozinhos.
Peeta balançou a cabeça. Ela até pensou em responder, mas antes que fizesse, sentiu algo entre suas pernas. Suas unhas imediatamente foram parar nas costas do marido, enquanto ela sentia a boca dele chocar com a sua.
O som que ela soltaria foi abafado no mesmo segundo por ele. Peeta então segurou as coxas dela, levando as pernas de Katniss para cima enquanto voltava mais vez, sem deixar de beijá-la.
A razão já tinha desaparecido há muito tempo. O frio que fazia do lado de fora nem sequer conseguia ser perceptível mais, não nessas condições. E o que quer que estivesse os esperando lá fora, não estava sendo mais lembrado, ambos haviam esquecido de tudo e de todos.
Num segundo as costas de Katniss eram retiradas de cima do colchão. Ela levantou o rosto surpresa, erguendo o tronco para ajeitar a posição.
Peeta agora tinha a cabeça colocada sobre os travesseiros. Suas mãos continuavam segurando as pernas dela firmemente, mas acabaram subindo para ajudá-la a se movimentar.
Katniss deixou um suspiro escapar assim que desceu num ritmo lento, subindo um pouco em seguida. Depois fez mais duas vezes a mesma coisa, sendo puxada com um pouco de mais força por Peeta na terceira vez. O choque entre os dois quadris fez com que ela mordesse o lábio.
As pequenas mãos de Katniss foram parar no peito de Peeta. Ela já podia sentir um incômodo na região interior de suas coxas, enquanto permanecia com os joelhos sobre a cama. Mais três vezes e ela caiu sobre o peito dele, sentindo seu corpo rolar mais uma vez.
Suas pernas estavam enroladas ao redor do corpo dele. Mãos a apertavam na altura dos ossos do quadril, ao mesmo tempo que dedos a pressionavam ainda mais na medida em que a intensidade aumentava.
— Eu te amo — Katniss murmurou sobre a pele de Peeta. Ela pode até mesmo sentir o aperto dele se intensificar, quando ele entrou mais uma vez, bem mais forte e bem mais fundo.
Um gemido longo escapou da garganta dela. Peeta imediatamente levantou o rosto, beijando-a mais uma vez.
Ela sabia que não iria demorar muito para chegar no limite. Ao pensar nisso, tirou uma das mãos dele que repousava em seu quadril, colocando-a sobre um de seus seios para receber a resposta logo depois. Peeta levou os lábios até o pescoço dela, mordendo a região na medida em que seus dedos apertaram a carne dela lentamente, com um certo cuidado para não machucá-la.
Katniss abafou mais um som sobre a pele dele. Suas unhas agora estavam cravadas no lençol, gotas de suor brotavam em suas costas e só bastou alguns segundos para que sua cabeça tombasse para trás, deixando-a jogada sobre o colchão.
Todos os sentidos tinham ido embora, ela precisou de um bom tempo até retornar para a realidade.
Minutos se passaram até que Katniss abriu os olhos, procurando por Peeta. E ele estava bem ali ao lado dela, avaliando seus traços pelo que parecia ter sido uma eternidade.
E quando ela lhe lançou um sorriso apaixonado, ele se atreveu a dizer:
— Feliz aniversário, Chérie.
****
Katniss despertou com o incômodo de ter o peso de um braço colocado sobre as suas costas. Ou melhor, metade de um corpo.
Primeiro ela tentou se movimentar, mas acabou sendo inútil, ela mal conseguia se mover ali embaixo. Sentiu uma respiração em seu pescoço, fazendo certas cócegas.
E nisso ela passou a ignorar todo o peso, já sabia de quem se tratava. Levou uma mão até aquele braço, correndo a mesma por ali. Nisso Peeta se remexeu sobre a cama, soltando algumas palavras que ela não entendeu muito bem o que queriam dizer.
Katniss então estava livre do peso dele. Peeta virou para o outro lado, dando espaço para que ela virasse o rosto e visse as costas dele, assim como os fios de cabelo loiro completamente bagunçados.
E onde os pensamentos dela estavam? Em tudo o que tinha acontecido. Ainda era difícil de acreditar.
Uma semana atrás eles ainda se desentediam, mas agora… agora parecia perfeito demais.
Katniss ainda olhava indecisa para Peeta. Deveria acordá-lo? Ou seria melhor ficar assim, apenas admirando o sono dele?
Então ela resolveu erguer uma das mãos, prestes a tocar nas costas dele. Mas antes que pudesse fazer isso, um choro fino pode ser ouvido no quarto.
— Peeta...Peeta! — Katniss o sacudiu tentando chamar a atenção dele. Sacudiu o corpo dele mais uma vez, vendo Peeta ainda completamente parado — Vamos, acorda.
— Hum…
Katniss o cutucou novamente.
— Querido, acorde — ela pediu.
Peeta soltou um riso. No mesmo segundo ele se virou.
— Fala, Chérie— disse em seguida.
— Acho que tem um bebê aqui — Peeta franziu a testa. Ele fez silêncio para ouvir o choro, se dando conta da existência de Andrew logo depois.
— É só o Andrew — Katniss ficou surpresa, nem se lembrava de que aquele bebê estava ali. E quando notou que o choro cessava aos poucos, ela sentiu um novo incômodo crescer dentro de si — Ele está no quarto ao lado. Ei… esqueci de te dar bom dia.
Peeta foi ao encontro dela. Katniss sentiu os braços dele ao redor de seu corpo, enquanto um beijo era colocado em sua bochecha.
— Bom dia para você também — ela tentou sorrir, abraçando-o de volta.
— Antes de levantar...Guardaria um segredo para mim?- Katniss assentiu. O hálito quente de Peeta chegou num dos ouvidos dela em seguida - Eu te amo.
— Saiba que eu sou ótima para guardar segredos- ela depositou um beijo nos lábios dele- Mas este eu vou ter de compartilhar.
Peeta colocou uma mecha do cabelo dela atrás da orelha. Pensou em fazer algum outro comentário, mas então notou algo a mais na expressão da esposa.
— O que foi? — perguntou em seguida. O olhar dela não enganava.
Katniss engoliu em seco, estava indecisa sobre falar ou não. Encarou um outro ponto que não fosse Peeta, abrindo a boca para dizer o que tanto pensava.
— Já que você voltou, ela...ela realmente… — Katniss ficou meio incomodada falando daquele assunto naquele momento. Mas sua curiosidade conseguia ser bem maior do que tudo aquilo.
— Ela voltou para o lugar de onde veio — Peeta respondeu sério — Agora só há você e eu Katniss, ela foi embora.
— Mas e se ela voltar? — perguntou preocupada. Peeta tocou no rosto de Katniss, encarando aqueles olhos que tanto amava.
— Ela não vai — afirmou com certa segurança — E se voltar, eu nunca deixarei ela chegar perto de nós mais uma vez.
— Confio em você.
Katniss abaixou a cabeça para beijá-lo mais uma vez. Queria confirmar o que tinha dito anteriormente, mostrando para Peeta que também não se preocuparia com mais nada.
Mas antes que fizesse isso, duas batidas na porta atrapalharam os dois.
— Peeta? Está aí, Peeta?— era a voz de Annie — Temos um problema… o Andrew… ele…
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