Atração Fatal
18 Capítulo 18: Straight Through My Heart
Ela tinha olhos fundos, o vestido negro e os cabelos presos em um coque apertado. Quem a visse não identificaria. Aquela com certeza não era a esposa do Mr. Mellark, não mesmo. Todos comentavam na cidade, algumas mulheres riam ou cochichavam umas com as outras. Mas ela sempre erguia o rosto e segurava as lágrimas.
Madge tinha um lenço nas mãos com o marido pálido ao lado. Peeta não comparecera.
O vento frio bateu, jogando folhas e mais folhas no chão. Dois homens carregavam um caixão de madeira. Uma lágrima solitária caiu do olho de Katniss, enquanto ela observava a terra sendo jogada sobre o caixão, tampando o buraco de antes.
Cada um jogou uma rosa branca sobre o túmulo. Primeiro Gale, depois Madge e, por último, Lady Everdeen. A garota ficou sozinha, encarando o minúsculo lugar onde seu filho descansava.
“Em lembrança ao pequeno herdeiro de Londres. O futuro Mr. Mellark/1816-1816”
— Eu sinto muito, Kat — Gale dissera mais tarde quando resolveu se aproximar — Se Madge não tivesse saído do quarto...
— Não foi culpa dela — Katniss o interrompeu — Não foi culpa de ninguém.
A cena acontecia no jardim dos Mellark. Madge entrara na mansão a fim de tomar um banho. Katniss ainda estava em choque, acabara de enterrar o seu próprio filho num dos cemitérios de Londres. Ele tinha sido colocado ao lado do túmulo de sua mãe.
E para aumentar a sua aflição, Peeta não tocou no assunto desde o acontecimento, nunca falara nada a respeito. Ele havia optado por ficar com a amante e Katniss viu que a única saída era permanecer se isolando.
— É muita tortura — a garota começava a sentir as lágrimas — Por que comigo? Por que, Gale?
— Eu cuidei para que não noticiassem no jornal da cidade — ela negou com a cabeça, isso não bastava. A dor continuava ali do mesmo jeito.
— Eu não posso ter filhos... nunca poderei olhar para uma criança e poder arrancar um “Mamãe” dela.
— Isso é mentira! Você ainda vai ter muitos filhos, Kat — Gale a abraçou fortemente. Mas aquilo não resolvia todos os problemas. Como ela poderia ter matado o próprio filho?
— Eu queria voltar para a casa do meu pai — falou de repente sobre o peito do garoto. Gale se assustou, não esperava essa atitude.
— EI! — ele protestou, colocando as mãos sobre o rosto pequeno dela para obrigá-la a levantar o olhar — Você é uma mulher maravilhosa, Katniss! Qualquer homem tem sorte de estar ao seu lado, só um cego não percebe... que você tem as melhores qualidades e apesar de tudo, consegue passar por cima dos problemas, consegue enfrentá-los! Terá quantos filhos quiser, isso só depende da sua vontade!
Katniss o olhava com a aparência manhosa, querendo chorar. Tinha a sensação de que poderia desmaiar ali mesmo. Precisava de uns votos de confiança. Gale deixou um beijo em sua testa antes de voltar a abraçá-la. E ela Agarrou-se a ele como se naquele momento fosse a sua única proteção.
— Gale? — os dois ouviram uma terceira voz na cena. Uma outra figura descia do cavalo enquanto encarava o casal se abraçando mais a frente.
— Já deixei o que me pediu no seu escritório — Gale disse, largando-se da garota. Era a primeira vez em dias que Katniss via Peeta tão de perto.
— Então eu já vou buscar — Peeta parou para olhar a esposa, respirar fundo e sumir para dentro da mansão.
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— Chuva dos infernos! — Katniss resmungou, pisando numa minúscula pocinha de água no chão.
O pátio dali era enorme e pela primeira vez ela resolvera cavalgar. Péssimo dia. O sol tinha aparecido, mas, de repente, uma chuva violenta caía e a deixava ensopada. O cavalo estava logo atrás, ele não conseguia correr pelo tanto de água. E agora ela teria que voltar para casa antes que Gale ou Madge chegassem e a vissem daquela forma. Iria levar uma bela bronca, isso sim.
Caminhou segurando a barra do vestido azul, seu coque fora parcialmente desmanchado deixando vários fios desarrumados e molhados.
“Para que uma casa desse tamanho?”, reclamou, Katniss nem sabia onde estava. O jardim estava tomado pela chuva e a única coisa que ela conseguiu avistar foi uma casinha. Na verdade era uma espécie de chalé, que nunca tinha entrado. Deixou o cavalo próximo a uma árvore onde outro também estava, o que era muito estranho.
Quem poderia estar ali?
Já tinha visto esse lugar de longe, mas Annie não comentara muito a respeito. E ela entrou mesmo assim, silenciosamente, ouvindo um barulho estranho. Relíquias e mais relíquias tomavam conta do espaço, mas tudo estava bem arrumado.
Peeta empurrava uma estante. Ele bateu as mãos para tirar a poeira e ao se virar, levou um susto ao ver a esposa não muito longe de onde ele estava.
— Quer dar uma de alma penada? Espera o Halloween chegar — reclamou revirando os olhos. Katniss era tão intrusa quanto ele.
— Como chegou aqui? — ela perguntou baixo, ignorando as ironias dele.
— Acabei de chegar do trabalho, passei aqui para procurar algo só que essa chuva acabou me aprisionando — isso explicava a quantidade de água em seu corpo. Peeta tinha as roupas e os cabelos pingando — E você?
— Resolvi andar a cavalo — Katniss deu os ombros — Mas aconteceu a mesma coisa comigo.
A garota tentou se escorar na janela. Queria estar de olho no clima, sabia que seria obrigada a ficar ali presa com um homem que a esnobava. Quanto antes pudesse sair dali melhor. Sentiu a pele arrepiar com um vento frio, soltando um suspiro. Peeta ofereceu o terno preto que, mesmo estando úmido, deveria resolver alguma coisa.
— Como está...seu filho? — Katniss perguntou incomodada. Ele também não ficou muito animado, disfarçando ao tirar o colete, torcendo-o numa tentativa de secá-lo.
— Não o vejo há três dias — ele disse distante — Passo mais tempo no escritório desde então, meu pai está para desistir de me entregar as posses e eu não vou perder, ele prometeu que me entregaria.
— Seu pai só quer o bem de todos... quer que você faça as escolhas certas — ela não o encarava. E mal sabia que alguém havia parado para observá-la.
— Isso não está no meu vocabulário — Peeta disse tentando acender umas velas que tinha achado por ali. O escuro já dava sinais e o frio também.
— Não é verdade! — Katniss riu do pessimismo dele — Você fez muitas escolhas boas... como assumir as suas responsabilidades.
Peeta terminou de acender as velas, parando um pouco atrás da esposa. Fazia tempo que não a ouvia rir ou até mesmo elogiá-lo em algo. Katniss o surpreendia a cada dia. Ela, percebendo o silêncio dele, se virou para encará-lo. Era aterrorizante aquela troca de olhares, não havia palavras a serem ditas.
— Posso te fazer uma pergunta? — Peeta perguntou de repente. Katniss continuou em silêncio esperando que ele continuasse — Você... você seria capaz de trair?
— Eu... — ela ficou surpresa com a pergunta — Claro que não! Traição é... imperdoável.
Peeta sentiu um aperto dentro de si.
— Mas... e se Cato voltasse? E se você se apaixonasse por um amigo? — ele fazia perguntas estratégicas. Havia um certo objetivo por trás.
— Não quero falar sobre amor, Peeta — Katniss se virou novamente, encolhendo do frio — Sabe o quanto isso dói em mim.
Os olhos dele fixaram-se no corpo dela por uns segundos. Quando a viu com Gale, ou quando se lembrou das histórias sobre Cato foi como se um vazio aparecesse ali no peito dele.
Ficou meio nervoso no início, mas precisava fazer aquelas perguntas. Sempre que a magoava, Peeta tinha vontade de chorar. Chorar de raiva. E era tudo por si mesmo. Depois ele fitou os cabelos desarrumados de Katniss e o vestido pingando.
— Sinto muito— as palavras fugiram de sua boca.
— P-pelo que?— ela só o deixava mais nervoso, fazendo-o torcer para que aquela chuva acabasse logo.
— Por ter entrado na sua vida... por não conseguir te dar tudo o que merece — os olhos dela se iluminaram. Ali estava o verdadeiro Peeta que ela conhecia? O seu verdadeiro marido?
Continuou em silêncio. Ele via que estava tudo perdido, não adiantava voltar atrás, era idiotice. Se virou, retirando a camisa para torcê-la também. Katniss, com o canto do olho, viu a cena. Só observava as costas dele, imaginando quantas vezes já não tinha passado as unhas ali. Ou de quando sentia aqueles braços fortes a envolverem.
— Você não tem culpa — Peeta se assustou ao ouvir a voz dela, virando-se imediatamente — Sempre declarei guerra ao amor e eu agradeço que você tenha revertido isso. Por mais que seja doloroso, é bom... ver as coisas de outras formas.
— Não amenize a situação, Katniss. Eu sou um monstro — ele alterou a voz — Sabe o quanto eu já desejei coisas ruins a você? Nem eu tenho ideia!
— Nós não escolhemos o destino. Mas podemos aprender a conviver com ele — Katniss se levantou, deixando o terno do marido de lado. Ele a encarou, o rosto estava sem expressão — Podemos tentar acostumar.
A garota estava próxima o suficiente, ficando surpresa ao sentir a respiração alterada dele. Os cabelos bagunçados, os olhos num tom azul, tudo estava perfeito na visão dela. Quando se deu conta do que fazia, já estava perto demais. Se sentia vitoriosa percebendo o aparente nervosismo de Peeta, não sabia que era capaz de fazer isso, mas era melhor aproveitar.
— Você não pode me amar — ele disse praticamente sobre os lábios dela. Katniss ficou chateada, por quê estragar o momento? — Chega de sofrimentos, Chérie.
— Eu preciso te amar — sorriu ao ouvir o antigo apelido. Isso era um bom sinal?- Isso faz parte da minha vida agora, eu necessito.
Deixou um beijo no canto da boca do rapaz. Levou as mãos para o abdômen descoberto dele, subindo lentamente, apertando cada músculo que encontrava, passando pelo ombros e algumas partes das costas. Adorava ver as reações de Peeta, o via fechar os olhos, prender a respiraçao de vez em quando e jogar a cabeça um pouquinho para trás, sentindo as unhas dela o arranharem, com cuidado.
Era um abuso, Katniss sabia. Mas sempre teve esse desejo de provocá-lo e deixá-lo na palma de sua mão até ele não aguentar mais.
E parece que isso não demoraria a acontecer. As mãos dele passeavam para sua cintura, contornando o corpo fino dela e sentindo o zíper do vestido nas costas. Katniss já tinha as unhas sobre ele.
O que era aquilo? Peeta pensou. Como aquelas pequenas mãos conseguiam deixá-lo assim?
Katniss beijou sua bochecha e a ponta do nariz, conseguindo tirar um riso dele. Depois depositou um carinhoso beijo em cada olho fechado dele, se esticando na ponta dos pés para alcançá-lo. E logo após isso já descia os lábios, encostando timidamente sua boca na dele.
— Por que faz isso? — ele sussurrou já completamente derrotado — Como consegue?
— Nem eu sabia disso há minutos atrás — ela disse sinceramente, abrindo os olho, para ver os dele bem fechados — Só estou sendo... eu mesma.
— Eu... eu não aguento mais — Peeta colocou possessivamente as mãos em sua cintura, puxando a garota para bem perto. Katniss riu, ficou contente por não ter sido rejeitada — Por que você faz isso comigo, Chérie?
Ele não deu tempo para ela responder, até porque não tinha o que falar, era melhor apenas demonstrar. Katniss agarrou seus cabelos, queria ir mais fundo a cada momento, precisava senti-lo de todas as formas. E como se precisasse daquilo para permanecer respirando, levou as duas pequenas mãos até mais embaixo, agarrando o cinto dele e tirando-o com certa violência.
Peeta soltou uma gargalhada, Katniss não costumava ser bruta nos movimentos.
Ele tinha feito tudo o que seu corpo pedia. Não sabia como, mas sentiu que estava certo, como se agora não fosse se arrepender. E ainda tinha reparado em outro detalhe: amava aqueles risos e amava aquelas minúsculas mãos querendo mostrar que poderiam proporcionar muitas coisas a ele.
Katniss se separou um pouquinho, tentando se livrar do vestido.
— Não... não, Chérie — ele a interrompeu, colando suas testas e fazendo por si só o trabalho — Deixa que eu faço isso.
Katniss jurava que seria rejeitada, só que muito pelo contrário. Peeta desceu o zíper lentamente sempre mantendo o contato visual. Katniss retirou os sapatos, ficando somente com as roupas de baixo. Viu os olhos do marido passearem sobre seu corpo, fazendo ela se sentir... bonita.
— Chérie...— ele sussurrou, voltando a olhar em seus olhos. Num pulo ela já estava nos braços dele. Sentiu uma mão agarrar seus cabelos enquanto ela era levada a um excelente beijo.
Katniss estava perdida naquela maldita sensação, era uma explosão de emoções que ela não sabia nem explicar. Mas o pior era que ela gostava, era como ir ao céu. Sussurrou o nome dele várias vezes, não querendo parar o beijo. E depois foi deitada em algo macio, só que não era uma cama. Nem perdeu o tempo deduzindo, voltou a se concentrar em coisas melhores.
— Por que você faz isso comigo? — Peeta perguntou pela terceira vez. Parecia que seu coração iria explodir, era a melhor sensação de todas — Eu estou ficando... louco.
Não tinha relação a amar, mas eram as melhores palavras que Katniss poderia ouvir até agora. Ela conseguia levar Peeta a loucura. Ele acabou deixando a cintura da garota para poder se concertrar no espartilho, precisava se livrar daquela peça rapidamente. E foi o que fez, desamarrando tudo o via pela frente numa tentativa de conectar suas peles.
Katniss fechou os olhos ao sentir a firmeza dele ao acariciá-la. Só viu seus braços tentar abraçá-lo e seus dedos bagunçarem ainda mais seus cabelos.
Peeta a olhava com certa adoração. Era surreal. Como se idolatrasse o corpo daquela mulher. Como se fosse a primeira vez que estivesse vendo-a daquela forma.
A visão dela era perfeita, isso só fazia seus olhos encherem de luxúria. Tentou puxar a calça do marido para baixo, mas novamente ele impediu, fazendo o trabalho sozinho. Nesse momento, era pele com pele, cada um sentindo o calor do outro, percebendo a sensação de estar assim. Bem conectados.
— Você é maravilhosa — Peeta aproximou-se do ouvido dela para sussurrar lentamente aquelas palavras. Katniss não entendeu, mas sentiu os olhos mais úmidos do que o normal, era a primeira vez que ele a elogiava assim.
— Eu te amo — falou em resposta, sem pensar. Peeta pareceu paralisar, mas foi só sentir as mãos dela passarem para cima até embaixo em suas costas, fazendo ele voltar a beijá-la ardentemente.
Foi a sensação mais alegre e tranquila da sua vida. Katniss sempre gritava ou contava os segundos para acabar. Mas nesse dia não. Peeta ainda parou para segurar a mão dela, enquanto se encaixava perfeitamente nela. Parecia que tudo ali tinha sido feito especialmente para ele.
E por incrível que pareça, ele ainda se lembrava dela. Se lembrava de cada mínimo detalhe. De como ela apertava as pernas no seu quadril, de como costumava murmurar palavras sem sentido ou apenas puxava seu rosto para um novo beijo. Um beijo ardente, desesperado, ou até mesmo apaixonado.
E as vezes Peeta admirava aquilo. Admirava a forma como o quadril dela se movimentava em perfeita sincronia, fazendo os movimentos que ambos conheciam muito bem. E estavam repetindo em busca do prazer. Em busca de permanecer o mais próximo possível um do outro.
— Katniss— ele murmurou com certa dificuldade. Katniss já havia enterrado o rosto em seu ombro, tinha os olhos fechados enquanto mordia o lábio — Katniss... quero que olhe para mim. Somente para mim.
Com muito esforço, ela conseguiu abrir os olhos. Peeta nunca percebeu de verdade, mas Katniss era realmente linda, cada traço mais perfeito que o outro.
Só que ele não conseguiu transmitir isso em palavras.
Ao contrário, voltou a beijá-la até chegar em seu ponto máximo. O longo suspiro final de Katniss foi o bastante para que ele também se entregasse para aquela explosão de emoções.
Ela, no fundo, queria chorar de felicidade. Queria que todos os dias fosse assim. Aquilo era amor, ela tinha certeza.
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A chuva tinha cessado, mas o casal não quis sair dali. Logo depois de vestir o espartilho e uma simples saia que sempre colocava debaixo do vestido, Katniss aconchegou-se nos braços do marido, que se sentou abraçando-a por trás. Cada um tinha um sorriso bobo no rosto, as mãos ainda grudadas, as respirações altas. Ela sentia como se seu coração fosse pular para fora.
— Você não respondeu a minha pergunta. Por que fez isso comigo? — Peeta lembrou a garota, que riu. Ele repetira isso várias vezes minutos atrás, só que ela nem se lembrava de responder.
— Faço o que? — Peeta bufou, era óbvio que ela perguntava por puro desinteresse — Eu não sei. Você deveria saber.
— Eu? Você praticamente me deixou sem forças e eu sou o culpado? — perguntou indignado.
— Não disse isso... Afinal, o que eu faço contigo? — ela disse curiosa. Sempre queria desmascará-lo, mas Peeta era muito fechado.
— Eu... eu não consigo raciocinar direito — Katniss sorriu. Isso é uma vitória?
— Você gosta de mim? — ela o interrompeu. Sentiu a necessidade de saber e sabia que aquele era o melhor momento para perguntar.
— Eu... Eu gosto, Chérie — Katniss sorriu, levando os lábios para a curva do pescoço dele enquanto sentia a pele dele se arrepiar aos poucos — Na verdade eu nunca te odiei, só sentia uma revolta por tudo. Você nunca teve culpa.
— Então fica comigo. Para sempre — era maldade pedir uma coisa assim numa hora dessas. Só que Katniss tinha esperanças. Talvez ele se rendesse, o lugar de Peeta sempre foi ao seu lado — Nós podemos ficar juntos, de verdade.
Por que ele não conseguia dizer não? Por que o sim também ficava entalado em sua garganta.
Mas ele não queria falar nenhuma das duas respostas. Desde o dia em que seu filho nasceu Peeta não disse mais “Eu te amo” para Glimmer. Algo sempre o impedia. E num momento de fragilidade, ele acaba ficando com Katniss e seus braços se recusam a soltá-la.
Ainda não tinha uma resposta. Se largasse a amante, provocaria uma guerra e havia uma criança envolvida no meio. Uma criança que ele amava muito.
— Chérie, eu preciso pensar...- respirou fundo — Não posso simplesmente dizer sim, sendo que Andrew está envolvido nisso...
— Espera. Andrew?— Katniss se lembrou do sonho de tanto tempo atrás. O sonho do bebê morto.
— Sim. O meu filho — a garota imediatamente se soltou dele para encará-lo. Como podia ter acontecido isso? — O que houve?
— Andrew...Esse nome é...É o nome do...
— O nome que ela quis colocar, não eu — Peeta a interrompeu, sem querer mencionar a outra ali — Que problema tem?
— Nenhum — Katniss mentiu. Logo depois ela já se levantava procurando o vestido, não tinha mais interesse em ficar parada naquele lugar. Peeta a olhava enquanto se xingava por dentro, sabia que a esposa tinha ficado magoada. Maldita boca.
— Katniss... não fica assim — ele disse calmo, mas ela o ignorava — Eu preciso de um tempo... um tempo sozinho.
— Eu entendo — ela parou para encará-lo, tentando não olhar para aquele corpo coberto somente pela calça — Eu não vou ficar no seu caminho se é assim que prefere.
Katniss subiu em seu cavalo no lado de fora. Esperava não ser seguida e foi assim que aconteceu. Peeta esperou que ela sumisse de visão para assim procurar o resto das roupas e ir embora também. Não queria ver ou falar com ninguém, só esperava um milagre para poder fazer que tudo andasse em linha reta.
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Aquele cheiro causava uma certa irritação no nariz do rapaz. Não era um lugar ruim, mas odiava entrar em ambientes como esse: cheios de gente, crianças chorando...Tudo o irritava.
Ele parou de frente a um homem que o direcionou ao lugar certo, seu sotaque atrapalhava um pouco as coisas só que no final tudo acabava bem entendido.
Arrumou o terno antes de bater na porta. Logo a mulher do outro lado abriu, fazendo uma expressão surpresa e ao mesmo tempo assustada ao vê-lo.
Como ele descobriu? Ela pensou.
O rapaz entrou rapidamente no quarto sem ao menos ter sido convidado. Olhou ao redor tentando entender o que acontecia ali.
— O que você faz aqui? — Glimmer perguntou com um tremor na voz.
— Eu não te vejo há dez meses Glimmer. Há dez meses! - ele gritou nervoso — O que andou fazendo?
— Ajeitando as coisas para nós! — a loira ajeitou o vestido, tentando esconder o pavor. Mas algo a atrapalhou. Um choro ecoou pelo quarto chamando a atenção do rapaz.
— O que é isso? — ele olhou com nojo para a criaturazinha encolhida no berço. Glimmer tratou de pegá-lo, mostrando ao homem enquanto sorria.
— Olha o que eu consegui! — ela ria ninando a criança. O rapaz ao seu lado tentava engolir a história.
— De quem é isso? — Glimmer bufou, tentando ignorar a pergunta dele — Trate de dar um fim nessa coisa e depois vá buscar o que queria, te encontro em casa daqui a uma semana.
— O nome dele é Andrew — ninou ainda mais o bebê, só que a criança não parecia gostar tanto, seus olhinhos ainda estavam cheios de lágrimas — E eu não posso voltar em uma semana, ele nunca vai aceitar. Aquelazinha fica que nem uma morta dentro de casa e ele acaba se preocupando, eu percebi da última vez que o vi.
— Então dê um jeito nela! Ou até nele mesmo... — o rapaz andava pelo quarto impaciente — Só trate de ir embora!
A criança voltou a chorar. Glimmer abaixou a cabeça, era melhor ouvi-lo. Ela adoraria dar um jeito naquela baixinha, dar uma bela lição nela.
Mas que pena, ela já sofreu demais certo?
E daí? Talvez não seria um problema dar mais um pouquinho de drama na história. Glimmer nunca iria embora sem deixar a sua marca.
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