Atração Fatal

19 Capítulo 19: Beating Around The Bush


Peeta acordou num quarto qualquer. Sentiu um frio além do normal passar por todo o seu corpo e então esfregou os olhos antes de olhar para além da janela. A neve tinha acabado de chegar em Londres.

Do lado de fora Katniss jogava uma bola de gelo na cara de Madge, que ria alto ao sentir o impacto do material extremamente frio no seu rosto. E isso a fez revidar, olhando para a irmã em desafio, enquanto se abaixava para fazer uma bola com a neve. Parecia até uma criança.

— Madge é tudo o que eu tenho, é o meu porto seguro — Peeta se assustou ouvindo a voz de Gale logo atrás de si, virando logo em seguida para observar Katniss tentando se esconder atrás de uma árvore — Nunca pensei que poderia viver algo assim.

— Você tem sorte — ele falou sem pensar. Gale o encarou confuso — Tem sorte por... por ter uma vida fácil.

— Você também tem, só que sempre faz questão de complicá-la — Peeta não tirava o olho do lado debaixo, não tirava os olhos da cena que acontecia lá fora.

— Eu nunca deveria ter saído de Paris, deveria ter virado médico... assim como tinha que ser.

— Mentira — Gale falou grosso — Se você não viesse, nunca teria conhecido Katniss ou me ajudado a conhecer Madge. A sua volta foi a melhor coisa que aconteceu.

Peeta sabia que ele tinha razão. Queria fugir, esquecer o que ocorreu, mas sempre o destino o impedia. Se ele não podia ir embora, então por quê a sua decisão não aparecia logo? Por que ele nunca tinha certeza absoluta de nada?

— Katniss me fez um pedido. Ela disse que me amava — o Mellark falou baixo.

— Eu sei — Gale disse numa tranquilidade que até surpreendeu o irmão. Peeta ergueu as sobrancelhas, curioso — Eu sabia que ela te amava desde o instante em que descobriu sobre Glimmer, o ciúme dentro dela nasceu e depois ela resolveu aceitar o sentimento, só não tinha coragem de admitir.

— Por que por mim? — ele perguntou indignado, alterando a voz — Eu não presto, Gale, eu não sou nada! Nunca vou poder responder a mesma coisa que ela!

— Madge me contou que vocês conversaram ontem, ela te pediu pra ficar, certo? — Peeta assentiu, sabia que Katniss nunca esconderia nada da irmã, então do que adiantava ele mentir? — Então pense bem... Eu conheço o meu irmão e sei que ele ainda está aí dentro.

Como sempre, Gale dava dois tapinhas nas costas do irmão antes de sumir, só para passar confiança. Pena que isso não serviria para muito, Peeta mal podia pensar. Sua cabeça estava um caos total.

Estava prestes a se tornar o homem mais poderoso daquele lugar e uma coisa simples como aquela, um maldito casamento, não sabia resolver. Será que seria tão simples?

E então Peeta saiu de perto da janela, tomando um rumo que nem mesmo ele sabia explicar.

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— Onde você vai? — Effie perguntou assustada, vendo a amiga dobrar as roupas. Christine ainda descansava em paz sobre a cama.

— Vou para casa — Annie disse sem nem mesmo olhá-la — Alguém pode desconfiar.

— Mas...Mas e Christine?— Annie parou por um instante, pensativa.

Tinha pensado em tudo, arrumara com Katniss uns documentos de médico falsos para assim arranjar uma desculpa de que estaria viajando para “cuidar da sua saúde”. Mas faltava a sua filha. Ela não poderia levá-la de volta.

E ao mesmo tempo algo a incomodava por dentro. Algo que a impedia de deixar aquele bebê inocente ali. Aquela criança tinha sido a sua alegria nos últimos dias e se a deixasse não aguentaria de arrependimento, seria muita maldade.

— Eu não sei — Annie tentou segurar as lágrimas, permanecendo naquele movimento repetitivo de colocar as roupas na mala — Talvez a deixe num orfanato de freiras durante o caminho.

— Não! — Effie protestou, olhando o pequeno anjinho na cama — Você não vai abandoná-la.

— E quem vai cuidar? O pai dela nunca assumirá a paternidade e eu posso ser chutada de casa se caso aparecer com ela! — uma lágrima solitária desceu em seu rosto, mas Annie continuava jogando com força as roupas na mala.

Ei ei ei ei!— a loira segurou seus braços, tentando encará-la. A morena desistiu de lutar — Eu fico com ela.

Annie deixou o queixo cair. Effie passou esse tempo todo com ela, mas nunca pronunciara nada assim. Ela queria chorar, jogar em seus braços, gritar mil vezes “Obrigada” e ao mesmo tempo pedir de desculpas. A loira era sua irmã, sua companheira, a única que a ajudava desde o dia em que teve Christine. Annie sempre iria dever a ela.

— Eu te amo — sussurrou entre lágrimas. As duas se encontraram num abraço, o mais apertado de todos.

— Eu prometo cuidar de Christine até o último segundo da minha vida, mas só peço uma coisa em troca — Effie levantou o dedo indicador a amiga, fazendo ela revirar os olhos de um jeito fofo.

— O que quiser — a garota queria pular de felicidade, faria o que pudesse para agradecer.

— Terá de conversar com Finnick — o sorriso de Annie desmanchou, se lembrando de que não ouvia esse nome há dias — Assim que chegar em casa, vá a procura dele e conte tudo o que aconteceu.

— Mas... — Effie levantou o dedo novamente, como se aquele gesto fosse o suficiente para calá-la.

— É para o seu bem. Eu prometo — e então ela abraçou Annie. As duas nem pensavam em se largar e depois de tanto tempo, Annie iria embora assim. E ela voltaria a ficar sozinha, só teria a lembrança quando olhasse para a pequena Christine — Posso confiar em você?

— Eu realmente não sei como fazer isso, mas juro que irei visitar Finnick — Effie sorriu, soltando um beijo na bochecha dela.

Annie olhou uma última vez para a filha. Não tocou nela, evitava qualquer contato para, assim, não sentir saudades. Iria deixar parte da sua família para trás, mas era por uma boa causa, ela queria um bom futuro para Christine.

Deu um último abraço em Effie, sussurrando agradecimentos novamente. Tudo antes de ir até a estação de trem e voltar para casa.

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Peeta jogou o travesseiro para a criança. Andrew ainda era bem minúsculo, mas adorava as brincadeiras do pai. Não sabia jogar o objeto de volta, só grudava as mãos no objeto fofo, mostrando um sorriso sem os dentes.

Tudo para a alegria do pai, que ria junto, ficando fascinado com o filho. Passava horas assim, perdido enquanto brincava.

— Cadê o meu bebê? — ele tirava o travesseiro do rosto da criança, provocando uma gargalhada adorável. E enquanto essa cena acontecia, outra pessoa os observava de longe - Achou!

— Andrew adora quando você vem — Glimmer os interrompeu, saindo do canto em que estava antes e cortando os risos do bebê — Acho que ele só não pede porque não pode falar.

— O que você acha de ir visitar a casa do papai? — Peeta disse com uma voz infantil, ignorando completamente a presença da loira. Andrew abriu bem os olhinhos, curioso. Glimmer passou a mão no pescoço, meio incomodada — Annie chega amanhã e eu queria levá-lo para apresentá-lo.

E finalmente ele se virou para a mulher, ainda com as mãos sobre o bebê.

— E eu? — ela perguntou meio tímida. Apesar de não ser bem-vinda naquele lugar, Glimmer adorava chamar a atenção ao lado de Peeta.

— Bom... — ele soltou uma pesada respiração, deitando seu filho sobre o peito — Não acho uma boa ideia, sabe... talvez meu pai esteja lá e...

Glimmer olhou para os lados, tinha essa certa mania quando estava muito irritada. Percebeu que Peeta andava diferente, escondia algo que provavelmente ela não poderia saber. Com certeza tinha relação com Katniss. Tinha que ser, afinal, eles moravam juntos e acabavam se encontrando querendo ou não.

E isso fazia Glimmer contar as horas para acabar com toda essa brincadeira, mas com aquela intrusa em seu caminho, seria mais difícil de agilizar o processo.

— O que você tem? — ela perguntou grossa, fazendo Peeta se assustar com aquela mudança repentina de humor.

Eu? N-nada. Por que?

— Faz dois dias que você não toca em mim. Só pode ter acontecido algo! — ela parecia impaciente, provocando, no mesmo segundo, uma reação no bebê que estava nos braços de Peeta. Ele imediatamente percebeu o filho ficar inquieto e agitado em seu colo e, com isso, o ninou mais.

— Estive ocupado e... o Andrew está aqui! Não posso fazer essas coisas na frente dele! — Glimmer bufou, voltando a dar um olhar assassino a ele. Peeta não entendia nada, o que havia com ela? Costumava ser paciente, tranquila. Agora faltava colocar todo o quarto de cabeça para abaixo.

Me...Me desculpe— a garota virou um pouco o rosto, fechando os olhos e respirando fundo. Precisava se controlar, estava quase lá. Olhou ao amante mais uma vez, soltando um sorriso forçado, querendo mostrar a sua famosa face angelical — Você tem razão, leve Andrew para a sua casa. Mas trate de trazê-lo amanhã, antes de nós...

Glimmer parou no meio da frase de propósito. Queria provocar a curiosidade de Peeta. E foi o que conseguiu. Ele levantou a sobrancelha em interrogação, mas não obteve resposta. Ela ajeitou os longos fios loiros, se fazendo de desinteressada. Andrew já praticamente fechava os olhos no colo do pai.

— Nós vamos o que? — Peeta finalmente perguntou, curioso.

— É só que... eu estava pensando em fazer uma viagem — falou animada, andando pelo quarto — Vamos para Paris, só nós três.

Co-como assim?— tossiu nervoso. Ir para a França? Ela estava louca?— Não posso, tenho trabalho aqui, lembra?

— Mas você já morou lá uma vez, por quê não?

Morar?— mais uma tosse. Onde ela queria chegar, afinal? Peeta não podia, mas ao mesmo tempo não conseguia dizer “não” em resposta.

— Claro — Glimmer falou dando os ombros — Você pode finalmente se formar e virar médico. Andrew vai morar onde eu realmente quero e nós seremos felizes!

— Não posso fazer isso. Esqueceu que eu tenho... eu tenho uma vida?— Peeta conseguiu dizer o não, tentando esconder a palavra "esposa" antes que ela acabasse escapando de seus lábios. Glimmer revirou os olhos, aproximando seu rosto com o dele segundos depois.

— Por isso você terá um dia para resolver. Sei que fará a escolha certa, Peeta — ela encostou os lábios de leve nos dele — Saiba que eu te amo.

Peeta engoliu a própria saliva. Como mulheres podiam complicar as coisas? Exigiam respostas e quando elas não viam do jeito que queriam, declaravam guerra ao mundo. Então o jeito era esquecer um lado do problema, aceitando o outro, definitivamente.

Ele olhou para Andrew, que abriu os olhos assim que ouviu as tosses do pai. O garotinho tinha os olhinhos bem abertos, olhando a face refletida em um espelho perto dali. Peeta observou aqueles olhos, tinha a impressão de conhecê-los. Mas fez negou com a cabeça.

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Annie causou festa na mansão. Só se ouviam os gritos de felicidade, Katniss não queria se soltar da amiga, seguida por Madge e Gale. Lágrimas escorriam pelo rosto da garota, ela amava tanto aquela família. Só faltava uma pessoa...Peeta. Ninguém sabia informar sobre ele, mas no fundo tinham as suas próprias suspeitas.

Num certo momento, Peeta entrou na sala, carregando um pacotinho todo protegido do frio. Madge adorou o bebê, só não o tocou, como se fosse um pecado. Katniss, por sua vez, olhava de longe, mesmo sem demonstrar reação. Sentiu o ódio invadir seus olhos e tentou prevenir, aquela criança não tinha culpa de tudo o que estava acontecendo.

— Então esse é o meu sobrinho! — Annie exclamou, sorrindo para o bebê — Por que não me apresentou logo, Kat?

— Bom... porque ele não é meu — a garota disse baixo. Annie a olhou assustada, encarando a criança logo depois. Peeta também encarou a esposa, mas não conseguiu manter o contato por muito tempo.

— C-como assim? — Annie soltou um riso forçado, percebendo o silêncio se instalar na sala e tratou de mudar de assunto. Iria falar sobre isso com a amiga depois.

Haymitch comparecera ao jantar, junto com a esposa. Nesses momentos, esqueciam-se os problemas e comemoravam o que tinham para comemorar. Como a verdadeira família Mellark. Andrew, sendo um recém-nascido, não aguentara muito tempo, indo dormir rapidamente. Katniss evitava o contato com o marido, principalmente porque ele nem voltara ao assunto que tiveram dias atrás. E talvez nem voltaria.

A família tinha o costume de ir aos fundos da casa no fim do dia para conversar. Riam juntos, Annie respondia as perguntas de todos, disfarçando perfeitamente o verdadeiro motivo da viagem repentina.

E Peeta permanecia distante, como ficou durante todo o jantar. Estava olhando para o nada, até perceber a falta de alguém ali.

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Katniss abriu silenciosamente a porta de seu quarto. Percebeu que alguém respirava no lugar, respirava profundamente. Sobre o escuro da noite, ela viu o minúsculo bebê dormir sobre sua cama, com diversos travesseiros o protegendo em volta, já que não havia berço no cômodo.

Parecia um anjinho, tinha as mãozinhas ao lado do rosto, os traços finos. Katniss se viu perdida admirando todos aqueles detalhes, observando a paz em que o bebê se encontrava. E quando seus lábios praticamente formavam um sorriso infeliz, ela sentiu algo tocar em seu peito. Mas só depois foi se dar conta de que na verdade eram mãos frias segurando seu braço.

— O que faz aqui? — Peeta perguntou aparentemente nervoso, mesmo sussurrando.

— Nada — Katniss deu os ombros, tentando esconder o pavor — Só vim pegar uma coisa, mas acabei vendo o bebê.

— Por que você desapareceu sem avisar? — ele perguntou sem largar o braço da garota, que já sentia até as dores do aperto — Sabe que eu não admito que faça isso.

— Você notou? — ela fingiu estar surpresa, dando um sorriso sarcástico — Que bom. Sinal de que eu não sou totalmente invisível.

Peeta fechou os olhos, largando a esposa de uma só vez. Katniss até cambaleou para trás pela força que ele fez. Limpou a manga do vestido, como se o marido deixasse sujeira lá, ela sempre fazia isso para irritá-lo.

E teve o que conseguiu no mesmo segundo. Peeta a olhou insatisfeito, odiava provocações e deixava isso bem claro para a esposa. Respirou fundo antes de voltar a encará-la novamente.

— Como você gosta de chamar a atenção, Chérie — riu com um nítido tom de ironia — Eu já notei, pode parar com esse joguinho.

Jogo? Isso é uma piada? — Katniss tentou abaixar a voz, cruzando os braços — Você é bipolar? Uma hora me trata como se eu fosse única e no outro... sou igual a uma doença, nem quer chegar perto.

Com certeza Peeta tinha duas faces. Ela jurava que ele até poderia aceitar sua proposta, mas agora tinha dúvida de seus pensamentos. Geralmente Katniss aproveitava aqueles certos momentos em que Peeta parecia vulnerável, só que chega uma hora em que se esgota a paciência.

Não dá para ficar de plantão esperando Peeta usá-la e depois descartá-la como quisesse. Ela se sentia um objeto. E por isso tentou sair daquele quarto, mas novamente aquelas mãos frias a tocaram, fazendo a garota paralisar imediatamente.

— Você fica aqui — Peeta obrigou rígido, enquanto Katniss voltava ao lugar de antes, claramente irritada — Não acha que me usou também, Katniss? Não lembra de que foi você quem começou?

— Certo. Agora eu entendo tudo — ela balançou a cabeça, batendo o pé no chão — Eu disse que te amava diversas vezes, chorei por você e por um momento senti uma ponta de esperança... mas você queria só o meu corpo todo esse tempo.

— Se vai ficar com essa depressão, é melhor não ficar perto de mim — Peeta deu um passo a frente, levando Katniss a fazer a mesma coisa, só que para trás — Que foi, Chérie? Está com medo?

Um sorriso perigoso nasceu nos seus lábios. E aquilo não era um bom sinal.

— Estou ficando longe. Não é isso que você quer? — Katniss sentiu seus batimentos cardíacos cada vez mais fortes, tudo culpa das reações que o marido provocava nela. Ele a puxou pelo braço de uma só vez, fazendo seus peitos de chocarem no segundo seguinte — M-me larga.

— Quer realmente isso, Chérie? — Peeta fez questão de perguntar no ouvido da esposa, só para fazê-la fechar os olhos e amolecer em seus braços. Sorriu vitorioso com aquilo — Você quer, não é? Diz para mim.

Katniss inevitavelmente soltou um suspiro. Esse tempo foi o suficiente para Peeta agarrar a cintura dela, levar uma mão em seus cabelos e aproximar sua boca dos lábios vermelhos que ela tinha. Encostou-os num mínimo, sentindo a respiração dela bater na pele dele.

E então Peeta recusou o beijo, preferindo puxar o lábio inferior de Katniss com os próprios dentes, num movimento lento e torturante. Isso fez a garota murmurar outro som, amolecendo ainda mais nos braços do marido. Ele enrolou ainda mais seus dedos no cabelo dela, puxando-os de leve e vendo como ela ainda tentava o beijar.

— Pede, Chérie — sussurrou contra os lábios da garota — Eu quero ouvir de você.

Katniss quase se sentiu fracassada, até conseguiu juntar as forçar e lutar contra aquela maldita vontade. Controlou o próprio corpo e colocou as mãos sobre o peito dele, tudo para empurrá-lo. Ela estava já pronta para realizar a ação, mas Peeta foi bem mais forte quando a segurou.

Katniss sentiu os pulsos sendo apertados, a boca dele aproximar de seu pescoço e começar a beijar desesperadamente aquela região. Aquilo a machucava. A forma como ele a apertava, a prendia perto de si e a beijava com possessividade, tudo a machucava.

Ela até tentou gritar, sentindo as palavras entaladas em sua garganta. O desespero misturado com a vontade de continuar.

— Fala para mim, Chérie! — Peeta a empurrou até uma parede próxima, pressionando o corpo dela ali. Katniss balançava os braços em protesto e aquelas mãos faziam questão de prendê-la naquela posição.

Me solta, Peeta!— uma mão largou seu pulso, o suficiente para ela agarrar os cabelos dele. Só que aquela ação tinha uma intenção. Ele desceu um pouquinho, apertando a parte de trás dela, ainda sobre o vestido. Tentou beijá-la por fim, mas ela trancou os lábios, enquanto ele continuou a pressionar.

— Facilite as coisas, Chérie, eu não quero te machucar — ótima desculpa, ele já a fazia sentir as lágrimas nos próprios olhos, reunindo forças para continuar a luta. Queria se entregar, mas não era só um corpo.

Katniss entreabriu os lábios, deixando que a língua de Peeta entrasse violentamente em sua boca. Beijou ele por uns segundos, chorando e sentindo a mão dele passear por seu corpo.

Deixou que o marido continuasse, soluçando enquanto ele aproveitava cada pedaço dela. Ficava paralisada, beijava-o quando sentia a língua urgente dele, deixava ele puxar seu decote para baixo e enfiar os lábios ali, tudo chorando, perdida.

Mas Katniss Everdeen não era assim, não mesmo. No momento em que ele estava distraído, juntou suas forças mais uma vez e o empurrou. Peeta tinha os lábios vermelhos e acabou ganhando a face também quando a mão da garota entrou em contato com a bochecha esquerda dele.

— Nunca mais toque em mim... seu monstro!— ela arrumou o vestido, olhando a mão que doía pela força do tapa. Tudo antes de fugir dali.

Peeta tinha as mãos no rosto, estava confuso. E permaneceu encarando a porta por onde Katniss tinha acabado de sair.