Atração Fatal

17 Capítulo 17: Scream


— Bom dia, bela adormecida!- Effie entrou radiante no quarto enquanto carregava o café da manhã — Como vai o nosso bebê?

Já tinham se passado cinco meses desde a viagem. Hoje Annie completava sete meses de gravidez. Sete meses. Dois para que aquela pequena criatura estivesse em seus braços. Ou nos braços de outra pessoa.

A garota fixou os olhos em Effie por alguns segundos, vendo o sorriso da loira crescer cada vez mais enquanto ela se mostrava muito simpática. Ela era uma mulher incrível, vivia com o seu marido, Cinna, que era tão maravilhoso quanto a esposa.

O casal não tinha filhos, Cinna era um homem bom mas vivia trabalhando, quase não parava em casa. E isso deixava Lady Trinket arrasada, ela odiava ficar sozinha naquela mansão, falando com as paredes. Cinna havia seguido em uma nova viagem na manhã anterio e diante das lágrimas da esposa, disse que traria presentes.

— Quem disse que me importo com um simples objeto? Eu quero que fique! — ela dizia soluçando.

— Prometo que voltarei o mais rápido possível, querida — ele lhe deu um beijo no topo da testa — Te amo!

Essa frase só fez Effie chorar ainda mais. Se ele a amasse, não iria assim. Não por tanto tempo. Mas era a trabalho, então ela entenderia. Puxou o homem para um último beijo. E logo depois ele já partia para longe.

Effie cuidava de Annie como uma irmã, afinal, ela era a sua única companhia naqueles dias. Levava café da manhã na cama, costurava roupinhas econversava com ela. Era o maior afeto.

— O bebê está bem, senti ele mexer minutos atrás — Annie disse passando a mão na enorme barriga. A garota vestia uma delicada camisola de seda que era bastante confortável.

— Então para ficar melhor, eu trouxe isso para você — Effie sempre tinha aquele ritual com coisas saudáveis pela manhã e Annie adorava.

— Faltam dois meses... Ainda nem acredito nisso — murmurou pensativa.

— Já escolheu o nome? — ela nem esperou a morena responder. Atropelou a amiga ali mesmo — Eu já tenho algumas ideias... Se for menino, pode ser Jacob Odair ou Finnick Jr. Mellark... Não tenho muita criatividade para homenzinhos.

Effie fez uma careta.

— Finnick? — Annie se segurou para não rir.

— É o nome do pai dele, não é? — Effie era a única que sabia desse segredo, nem Katniss teve esse privilégio de saber. Annie ficava com receio em falar que o pai de seu filho era o irmão de umas das suas melhores amigas — Agora, se for uma menina... Christine Odair, ou Violet Mellark, gosto desse sobrenome...Mellark.

— Não quero colocar Odair. Ninguém pode saber desse bebê, eu não posso ficar com ele.

— Sobre isso Annie...Nós vamos resolver — ela pegou a mão da garota — Eu prometo.

As duas sorriram uma para a outra. Era como se elas se conhecessem há muito tempo, como se entendesse uma da outra muito bem. Havia um afeto ali e como num passe de mágica, uma segurou a mão da outra firmemente, não querendo largar. Algo novo e realmente estranho nascia.

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— Posso entrar? — Peeta perguntou meio receoso ao colocar a cabeça para dentro do quarto. Katniss o autorizou a entrar, sem nem mesmo olhá-lo.

A barriga da garota já estava enorme, seis meses de gravidez. Ela se sentia incomodada, não gostava de estar ao lado do homem que amava e que a traía com outra diante de seus olhos, era realmente desconfortável.

Katniss, por um segundo, suspirou, se dando conta do quanto amava aquele homem. Amava tanto que chegava a machucá-la por dentro. O seu marido, que mais parecia seu amante. Ela que se sentia a outra e desde aquela revelação, não teve coragem mais de encará-lo a não ser para coisas importantes.

Olhar no espelho também não era uma boa opção, não quando ela apenas via uma figura magra e bem diferente do que ela costumava ser. Mesmo com o volume considerável na barriga, Katniss não tinha ganhado muito peso. E as vezes chegava a chorava de dor, ou até mesmo de tristeza. Queria que Peeta estivesse ao seu lado dando força.

Mas Peeta preferia dar assistência a outra que tinha vida de rainha. Até chegavam a comentar na cidade. Haymitch soltava fumaça pelo nariz, só que ninguém segurava o Mellark. Madge não conseguia engravidar e Gale tentava levar a atenção dela para outras coisas, como vestidos, joias ou até eventos reais.

— O que quer comigo? — Katniss perguntou sentada com as mãos sobre a barriga, ainda nem tinha se levantado da cama. Contava os dias para ver seu filho nascer. Peeta até que tentou se sentar ao seu lado, mas foi impedido só pelo olhar assassino da esposa — Não sente aí. Sabe lá onde você estava...

— Só vim te dar um presente — Peeta falou de repente. Katniss ergueu o olhar, surpresa. Presente? Ele nem se lembrava da existência dela há dias — Um presente que eu queria te dar há muito tempo...Dar ao nosso filho.

Peeta tirou algo de dentro do terno. Pensou em dar a Glimmer, mas a criança de Katniss que merecia, ele era o verdadeiro bebê da família apesar de tudo. A garota abriu a caixinha de veludo preta,vendo um bracelete brilhar ali dentro. Parecia ser uma relíquia, já que o sobrenome da família estava gravado ali. Katniss examinou, era de ouro puro, só que pelo tamanho, só um bebê usaria.

— Como pode perceber, isso é de família. Era meu, e agora será do meu filho... Ainda não sei se é menino ou menina, mas dá para usar nos dois casos. Já pertenceu a todos os herdeiros — disse meio desconfortável ao lado dela. O fato de estar ao lado da mulher que a pouco declarou que o amava e que ele não poderia soltar nada em resposta era aterrorizante. Katniss ergueu as sobrancelhas.

— Vai ficar aí até quando? — ela perguntou cínica, fazendo força para se levantar. Peeta parecia estar tão nervoso quanto ela, tentando sair daquele quarto. Mas suas pernas não obedeciam, fazendo ele dar um passo na direção da esposa, dando até para sentir a respiração da mesma — Você não vai procurar...

— Não — falou apressadamente — Estava indo encontrar meu pai, temos que resolver umas coisas — Katniss sentia a respiração dele mais alta do que a sua e a distância era mínima, seus rostos estavam quase colados e eles não deixavam o contato visual — Mas... passei aqui antes para te ver.

— Desde quando se importa comigo? — ela se perdia naqueles olhos azuis, quantas vezes já sonhou com eles e com aquela boca se abrindo num enorme sorriso somente para ela?

— Desde que você se tornou minha esposa — ele olhou para a mão esquerda dela, percebendo que Katniss tinha colocado a aliança novamente após jogá-la na penteadeira.

Ela sentiu sua respiração parar por um instante, mas aquilo foi em vão. O nervosismo foi em vão. Ela sabia que aquela última fala dele não tivera a menor importância, era mentira.

— Eu estou bem, já pode ir — mas ele não foi. Continuou observando a Everdeen, gravando cada traço de seu rosto, fazendo ela desviar o olhar. Por que fazia aquilo mesmo? Nem se lembrava.

— Antes de ir... Posso... Posso sentir o meu filho, pelo menos uma vez? — Peeta pediu baixo. Ela provavelmente não deixaria, mas acabou reconhecendo que ele tinha direito de fazer isso por pelo menos uns segundos.

Katniss puxou as mãos grandes dele para baixo. Peeta se abaixou, queria olhar diretamente para seu filho, agora bem perceptível na barriga da morena. Ela suspirou com aquele toque, fazia tempo que não o sentia. Fechou os olhos sentindo o leve carinho dele.

Peeta, por outro lado, sorria de orelha a orelha, soltando um beijo ali sobre o bebê. Eles pareciam um casal feliz. Logo depois, ela sentiu um movimento dentro de si, não passando despercebido por Peeta, que continuava com as mãos na esposa.

— Sou eu bebê, o papai — ele falou carinhosamente. Mais um movimento, para a sua alegria. Peeta já sentiu lágrimas, dando mais um beijo e rindo.

Katniss não deixou de sorrir, ouvir ele falando “Papai” para seu filho era a coisa mais linda que podia presenciar. Talvez ele fosse um bom pai apesar de tudo. E a criança se remexia na sua barriga em resposta aos carinhos de Peeta.

— Ele está te ouvindo- Katniss murmurou baixo — E parece que está gostando.

Peeta observou mais ainda o filho. Como podia amar tanto alguém que nem conhecia? E depois acabou se lembrando de algo. Nunca tinha feito isso com Glimmer, nunca tinha sequer ficado tão próximo do outro bebê. Ele ergueu os olhos, percebendo uma lágrima escorrer pelo rosto de Katniss.

E foi numa questão de segundos, nenhum deles sabia dizer como, só que já estavam grudados, um agarrando os cabelos do outro.

Ele tinha medo de puxá-la demais e acabar machucando-a. Mas não deixou de com uma mão, abraçá-la, enquanto a outra pousava em seu pescoço. Um queria ser mais urgente do que o outro. Katniss bagunçava aqueles cabelos claros, como sempre tinha vontade de fazer, sentindo-o arrepiar ao passar a mão em sua nuca. Ela, por um momento, percebeu a vitória. Eles pararam, ofegantes, mas sem perder o contato.

— Obrigado — foi a única coisa que Peeta conseguiu dizer. Ele aspirou o cheiro da esposa, colocando o rosto na curva do pescoço dela.

— É melhor você ir — Katniss fez carinho em seu cabelo — Estaremos a sua espera.

Ela deu mais um selinho demorado no marido, querendo aproveitar o momento. Peeta, por sua vez, sorriu para a garota, tendo um sorriso sinceronos lábios. E depois, não deixou de dar mais uma atenção ao filho. Isso foi o suficiente para que ele fosse tranquilo para o trabalho.

Katniss suspirou.

Malditas borboletas no estômago, apesar de ser um sentimento bom...As vezes.

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Dois meses. Exatamente dois meses se passaram e Annie continuava as escondidas naquele lugar. Cinna ainda não voltara e ela tinha a sensação de as vezes ouvir Effie chorar. Sua barriga estava enorme, mal andar ela conseguia. Tinha a impressão de que teria aquele filho a qualquer momento.

— Aqui está, senhorita — a empregada entregou uma xícara de chá na temperatura certa.

Andrea era uma garota morena, bonita para aquela época, mas bastante fechada. E Annie desconfiava, ela era fechada demais. Talvez fosse até mais esperta do que todos ali, talvez não fosse tão bobinha. E ainda tinha o fato de que a garota apareceu misteriosamente após a sua chegada.

Era uma noite calma, Effie escrevia uma carta ao marido e Annie olhava para o tempo. Tomava o chá as vezes, olhava para a barriga e depois voltava a observar a amiga. Sentia tanta falta de Katniss, Madge, Gale, seus pais...E Peeta. Ela também o amava, ele era seu irmão. Apesar daquele temperamento nada agradável. Diante da claridade da lareira, do clima quente, Annie tremeu a xícara que tinha nas mãos.

— Annie? Annie... Está tudo bem? — Effie largou a carta. Aquela sensação era estranha, o chá escorreu pelo braço da garota e pingou em parte do vestido.

— E...Effie...Eu... — Annie sentiu um molhado por entre as pernas. O que diabos era aquilo? Seu filho estava morrendo? Suas pernas estavam úmidas e o desespero veio, até...- AAAAAIII!

Annie jogou a xícara longe, agarrando a barriga. Respirou fundo, tentando segurar a dor, mas ela era mais forte, vindo cada vez com mais violência. Effie pulou em direção a amiga, gritava porajuda, nada daquilo estava no planejamento.

E logo depois a Mellark foi levada para o quarto, chorando enquanto as dores a sufocava cada vez mais.

— Calma, Annie, vai ficar tudo bem — a loira a acalmou, amarrando os cabelos da amiga. A empregada umedecia uns panos na água quente, estendendo uma camisola de seda.

Annie amaldiçoava Finnick, aquilo era tortura. Ela chamou por tudo e por todos, sentindo Effie a despir e colocar outra peça de roupa nela, mais confortável. A menina pedia por Katniss, queria ela ali, queria segurar sua mão. Só que agora só havia aquelas três mulheres no quarto, a parteira não chegaria a tempo e o bebê tinha que nascer, então, a empregada estranha faria o parto.

— Segure a minha mão — Effie ordenou — Segure e grite o quanto puder, mas coloque toda a sua força.

— Vou contar até três, senhorita — Andrea falou, arrumando as pernas de Annie e ficando numa posição estratégica para receber o bebê — Um...Dois...Três!

E Annie berrou. Gritou o quanto pode, quase rasgando a mãos da loira, que também sentia dor. A sensação era de ser realmente rasgada, os gritos incentivadores, a explosão de sensações, todas as lembranças. Desde seu primeiro encontro com Finnick, até o dia em que...Bem, dormiram juntos. Ela se lembrava de tudo, de cada mínimo detalhe. De quando suas bocas lutavam, quando seus corpos se juntaram e de quando ela segurou a mão dele. Um arco-íris de sentimentos na sua cabeça. Até quando ela chorou.

Agora Annie se lembrava, se lembrava das palavras dele. Dos elogios, dos xingamentos de prazer dos dois. Ela não se arrependeu no momento, deu todos os motivos para fazer ele querer aquilo. Por que tinha que ser tão difícil? E nesse momento, a morena sofria ao tentar encontrar o objeto fruto daquilo tudo.

— Annie? Annie... É uma menina! — ouviu a voz de Effie a chamar. Abriu os olhos, um choro ecoava pelo quarto. E ela viu que a amiga chorava com algo no colo.

Annie a pegou. O pacotinho calou-se ao sentir ela tocar-lhe. Uma garotinha a olhava curiosa, era minúscula, mas conseguiu abrir os olhos o máximo que pode. Os cabelos lisos, morenos como os dela. A pele era clara, e as feições delicadas... Riu ao pensar em quem se parecia. Annie tocou seu rostinho.

Era a sua filha.

— Ela se parece com você — Effie avisou. A emprega observava por trás, também contendo as lágrimas — Qual o nome?

— Christine. Christine Mellark — Annie iria colocar os sobrenome da família e o nome sugerido pela amiga. Os olhos daquela criança a cativaram.

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— O que ela faz aqui? — Gale puxou o irmão para o fundo do corredor. Perguntou baixo, não queria que ninguém indesejado ouvisse.

— Olha a chuva lá fora! Eu levaria Glimmer ao hotel, mas ela está para ter o bebê! Com esse tempo, preferi ficar em casa mesmo — Peeta se desculpou. Essa chuva em Londres foi surpresa. O inverno já tinha chegado só que a neve não, mas ao ver aquela mulher entrar em sua casa, Gale logo tratou de protestar.

Glimmer vestia preto. Era o vestido mais largo que tinha para cobrir a barriga de nove meses. Katniss ainda estava despreocupada, o bebê viria daqui a um mês e sua relação com Peeta era mais amena. Eles brigavam, só que ele ainda dava um pouco de atenção, pelo menos ao filho. Madge e a garota viram a visita entrar na sala com o rosto erguido.

— Ainda costurando? Só sabe fazer isso não é? — Glimmer disse para Madge. Katniss já sentia a adrenalina subir, grávidas não tinham paciência.

— Eu pedi a ajuda dela se quer saber! — a Everdeen disse ríspida — Desculpe se não tem ninguém que a ame e que a ajude quando precise...

— Não tenho? — Glimmer riu sarcástica. Katniss se levantou em protesto, queria brigar a altura — E o que dizemos quanto a você?

— Você não tem! Tanto que foi preciso colocar as garras em alguém que pertence a outra pessoa para assim descontar a raiva que sente!

— Você sente ciúmes, isso sim! Sabe que eu estou nessa história há muito tempo — ela sorria tanto, que Katniss segurava os braços para não voar naquele pescoço. Sua vontade era de deformar aquele rosto de cobra. Era tudo falsidade.

— Já chega, Kat... Vamos para o quarto — Madge entrou no meio, parecendo mais calma.

— Não, Mad, tem umas coisas que eu quero falar para essa aí — e ela se aproximou, pronta para atacar. Os irmãos Mellark estavam longe, mas não deixaram de perceber o grito de dor ecoar pela casa. Na verdade, mais de um grito.

Gale foi o primeiro a correr, seguido por Peeta, que era o mais assustado dali. Viu Madge desesperada, gritando por ajuda, enquanto tinha a irmã nos braços, com uma careta. Glimmer também reclamava, mesmo que baixinho, respirava fundo e fechava os olhos, sentando numa poltrona.

— O bebê, Gale! O bebê! — Madge berrava com Katniss chorando de dor — Chame alguém pelo amor de Deus!

— Mas ela só tem oito meses! — ele também falou alto, tentando carregar a Everdeen.

Glimmer estava sozinha. Via Katniss sendo carregada por Gale até o quarto, com empregadas atrás. Peeta estava paralisado na porta da sala, enquanto ela tentava sobreviver com a dor. Por que ele não a ajudava? Por que ela também não era levada a algum lugar?

— AAAAIIII!—Glimmer gemeu alto, o que foi o suficiente para o rapaz acordar. Peeta a levantou no colo, sentiu ele chutar uma porta e logo eles estavam em um cômodo qualquer — M...Mary...A chame aqui.

Ela soltava alguns gemidos as vezes durante as falas. Sabia que Peeta nunca saberia fazer um parto e poderia desmaiar tentando, mas eles estavam sozinhos. A única opção era aquela empregadinha de nada. Ele a chamou, tentando fazer o necessário, só que seu pavor era demais para conseguir achar a consciência. Depois de ver Mary aparecer, Peeta correu para longe.

Se trancou em seu escritório, colocando as mãos sobre os ouvidos. Não queria ouvir os gritos de dor, não sabia qual era o mais doloroso. Só sabia que, ao lado do quarto de Glimmer, Katniss tinha o seu outro filho. Os dois viriam de uma vez.

É melhor sair, senhora — a parteira avisou a Madge.

— Mas... — a loira olhou a irmã se contorcer na cama, já preparada para o parto. Pela insistência da mulher, desejou boa sorte e saiu do quarto. Se abraçou ao marido quando chegou na sala.

— Tudo vai ficar bem, loirinha — Gale disse beijando seus cabelos.

Peeta também chorava, enquanto bagunçava todo o escritório. Chutava, jogava tudo para o ar e depois colocava as mãos nos ouvidos, enquanto Katniss e Glimmer gritavam do outro lado. Mary era só uma pequena garota, não tinha ideia de como fazer aquilo. Mas os xingamentos da loira a deixava mais nervosa.

— Senhora... — Mary disse baixo quando os gemidos cessaram. A garota mostrou algo que segurava nos braços para a mulher, que sorriu relaxando.

Madge e Gale ouviram choros de bebê no andar debaixo. O sofrimento havia acabado para o alívio de todos. Peeta olhava a chuva, o estrago do cômodo atrás de si. Katniss fechou os olhos, era como se esvaziasse, como se um peso fosse tirado. Agora queria somente o seu filho.

Madge batia os pés freneticamente no chão, esperava alguém para chamá-la e poder ver seu sobrinho. Mary chamou por Peeta, tentou não perceber os estragos, a aparente fúria e desespero dele. Mas o rapaz correu até o quarto, vendo Glimmer segurar algo enquanto sorria e passava os dedos delicadamente sobre a face do bebê.

— É um menino — ela dizia calma — O nosso menino.

Peeta encarou os olhos da criatura, era os seus olhos. Era como olhar a sua própria cópia...Impressionante. Deixou que um sorriso escapasse, engolindo aquela ideia. O casal parecia feliz ali, encarando o menininho enquanto o rapaz abraçava a loira.

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— Senhora... — depois de passar um tempo em silêncio, Katniss ouviu uma voz.

— Me...Meu filho - ela sussurrou abrindo os olhos. Ainda sentia dor, mas algo ruim passou por seu corpo quando viu a parteira segurar algo num pano preto.

— Eu...Eu... — a mulher estendeu o pano. Não conseguia falar, não acreditava no que acabara de acontecer, no que acabara de fazer.

Katniss prendeu a respiração. O bebê tinha os olhos fechados, mas só havia um detalhe por trás daquela beleza: ele não respirava.

A parteira sussurrou um “Sinto muito” enquanto a garota colocava ao mãos sobre a boca e contia o grito de pavor, sentindo as lágrimas descerem.

— O cordão umbilical prendeu no pescocinho dele — a mulher contou — Eu não pude fazer nada.

— Meu...Meu filho...— foi o único som que saiu da boca dela, enquanto ela sentia o mundo desabar sobre si.