Atração Fatal
16 Capítulo 16: A Good Day For Love To Die
— Você vai querer mesmo ir? — Katniss pergunta a Annie, olhando-a meio aflita. Já tinha se passado um mês e a Everdeen sabia que não era uma boa ideia deixar a amiga trancada naquele lugar.
A barriga de Katniss tinha um leve volume que ela ninava todas as noites, como uma tradição. Annie também tinha uma bem maior, coisa que mal o espartilho dava conta de resolver nos últimos dias.
Diante disso, Annie resolveu ir ao sul imediatamente, principalmente quando viu que Glimmer a observava de longe. Katniss não escondeu o choque ao descobrir a gravidez daquela intrusa e agora sabia que Peeta só iria se preocupar com aquele filho. Que se dane.
— Preciso ir, vou ficar em segurança lá — Annie abraçou a amiga — Obrigada por tudo, Kat.
— E...quem vai ficar com o bebê?
— Já disse que vou resolver — Katniss imediatamente se calou com esse assunto. Tinha uma leve impressão que as paredes possuíam ouvidos e que estas obedeciam a alguém sobre aquele teto — Volto para ver o seu pequenino.
— Boa sorte...Falei para Effie deixar o Lord Tubbington longe de você.
— Te vejo daqui alguns meses.
E foi assim que Annie viajou. Glimmer tentava de todas as formas saber a razão daquela saída inesperada, mas ninguém ousava falar, principalmente porque só Katniss e Madge entendiam. E as duas irmãs permaneciam como cúmplices, sendo sempre uma a parceira da outra.
Peeta não falava mais com a esposa, muito menos dormia ao lado dela. Eles mal se viam naquela casa. E ele tentava passar despercebido quando precisava de alguma coisa em seu quarto. Não faziam questão nem de se olharem. E Glimmer continuava fazendo aquela carinha angelical, só que não enganava Katniss.
— Mary...É o nome da minha mãe sabia? — Glimmer tratou de ir atormentar a pobre criatura enquanto esta lava as roupas.
— O ... o que deseja, senhora? — a menina perguntou gaguejando. Aquela loira conseguia deixá-la com medo só pelo olhar.
— Só vim trazer isso a você — ela lhe entregou algo enrolado em panos. Pela inocência, Mary pegou com cuidado e foi obrigada a se sentar em uma bancadinha ali perto — Você está muito magrinha, querida.
Glimmer dizia calma, num tom afetivo. A empregada, com os dedos enrugados pela água gelada, abria o pano enquanto secava as mãos no vestido velho. Havia um pote e ela pensou que se tratava de alguma comida.
Mary já sorria, sentia muita fome pelo excesso do trabalho. A loira também a incentivava, mas quando a garota abriu aquilo que tinha ali, gritou se levantando. Glimmer dava gargalhadas vendo um pequeno ratinho sair de lá de dentro.
— Olha o seu irmãozinho, pequeno, inocente e ...SUJO, como você — ela olhou para a menina, que estava completamente apavorada — Pensa que eu esqueci o que fez comigo há um mês atrás, pirralha?
Mary não se moveu nem por um centímetro.
— Foi... foi sem querer, senhora, não tive a intenção — a menina gaguejou.
— Quem te mandou? — Glimmer gritou ríspida — Fale, peste! Quem te mandou?
— Ni-ninguém, senhora — Glimmer pegou o rato com as mãos. Riu e andou em direção a garota, que tentava fugir devagar.
— Já que não vai abrir a boca... — a loira avançou, mas no último segundo jogou o animal para longe dali. Mary sentia as lágrimas escorrerem por seu rosto — Você será minha empregada agora.
— Eu juro senhora... não fiz nada — Glimmer apontou um dedo para que Mary se calasse. E foi o que a menina fez imediatamente.
— Você só fará o que eu mandar, querida, só isso — concluiu, porém sem deixar o seu sorriso maligno para trás.
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— Demônios!— Peeta murmurou quando viu o botão branco da camisa cair no chão.
As coisas já não andavam bem. E o que ele fazia? Descontava com violência nas roupas.
Peeta se abaixou para pegar, vendo o pé direito de Katniss batendo freneticamente no chão a sua frente, o que o fez se levantar lentamente. E eles começavam outra briga só pelo contato visual.
Katniss tinha um olhar ameaçador. Ela provavelmente o comeria vivo ali, já que Peeta era apenas um intruso naquele instante. Mas quem disse que ele se importava? Frequentava o lugar que queria.
Katniss cruzou os braços e Peeta desviou o olhar como se nada tivesse acontecido. Ele permanecia tentando imaginar o que faria para que aquele botão voltasse para a camisa.
— Vai ficar me admirando até quando? — Peeta perguntou voltando a encará-la. Katniss, mesmo irritada, estendeu a mão a ele parecendo não ter muita vontade para fazer aquilo.
— Me dê isso, acho que posso resolver — ignorou o comentário dele enquanto pegava um caixinha de costura, para emergências.
Peeta, sem opção alguma, tirou a camisa e entregou a esposa. Katniss prendeu a respiração.
O que diabos estava acontecendo com ela? Como se nunca o tivesse visto daquele jeito.
Tentou se concentrar na costura, mas, para o seu maior desespero, o marido sentou ao seu lado na cama e o cheiro dele invadiu o seu nariz. Katniss tratou de ignorar aquele detalhe.
— Está tudo bem com o bebê?- Peeta perguntou de repente e ela apenas assentiu sem transmitir algum som. Por mais que eles não se dessem bem, Peeta tentou falar algo, aquele silêncio o aterrorizava — É...precisa de alguma coisa?
— Não quero nada que venha de você — respondeu sem se preocupar em ser rude — Madge me ajuda, isso já é o suficiente.
— Mas eu sou o pai da criança- falou na mesma altura, não querendo sair perdendo, é claro.
— Não acha que já tem muita criança nesse história para cuidar? — Katniss largou a camisa com força, se levantando e esquecendo que tinha um trabalho a fazer — Por que você não vai se preocupar com aquele bebê qualquer daquelazinha que anda por aí achando que ELA é a dona de tudo?
— Acha que eu iria abandoná-la? Ela está grávida!
— Mas você me abandonou! — Katniss protestou, apontando um dedo para ele. Peeta revirou os olhos como uma criança mimada — Não duvido que você fica de caso com aquela mulher no mesmo teto onde eu durmo! Isso é nojento! E eu? Você deve torcer todos os dias para que eu morra no parto, não é?
Peeta riu consigo mesmo.
— Você não aceita...não aceita o fato de que eu prefiro ela, de que ela é melhor do que você — ele não se importava em ser sarcástico — Está com ciúmes?
— Não. Só estou falando que se quer ficar com ela, fuja então. Só não aguento mais olhá-la todos os dias...com você...
— Por que, Chérie? — perguntou aparentemente interessado. Aquilo estava começando a ficar interessante — Por que você insiste em ser assim...tão irritante?
Peeta estava tentando sugar algo dela e parece que estava quase conseguindo. Katniss queria falar a verdade, mas seria humilhação se fizesse isso. Ele iria rir dela e ela ainda não tinha certeza sobre tudo.
Peeta continuava interrogando a garota e Katniss acabou não vendo opção. Era agora ou...agora. Dane-se a certeza, Katniss não era fraca, nunca foi.
E foi o que fez, ela se aproximou dele bem devagar. Queria falar olhando naqueles olhos, mostrando a sua coragem, mostrando que ela era tão boa quanto ele, ou qualquer outra pessoa. Iria falar o que estava acontecendo.
— Porque eu te amo — Katniss acabou sentindo seus olhos arderem, mas que se dane, ela tinha jogado tudo para fora — Eu te odeio tanto, que chego a te amar incondicionalmente. Bom...queria que você me dissesse a mesma coisa agora, mas não se preocupe, sei que seu orgulho é maior do que isso. Eu te irrito, porque quero te evitar, não quero sofrer por alguém que não merece o mínimo do meu amor. Eu não olho nos seus olhos...para esse tipo de coisa não acontecer, como agora... mas quer saber da verdade? Eu cansei! Cansei de ser infantil! Sei que não posso esconder o que vive dentro de mim...E a verdade é que sim, eu te amo, Peeta.
Katniss saiu do quarto como se um peso tivesse deixado suas costas. Ao estar bem longe dali, suspirou deixando todo o nervosismo ir embora.
O que aconteceu com Katniss? Aquela que declarou guerra ao marido? Aquela que rejeitava o amor? Se foi. Como seu coração poderia ter a traído dessa forma?
Mas ela não se arrependia, não seria capaz de guardar aquele sentimento para sempre, não iria sofrer com isso sozinha. Iria fazê-lo se arrepender de ter entrado em seu caminho.
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— O que foi, loirinha?
Esse era o apelido carinhoso de Madge. Gale achava estranho Katniss ser a única morena dos três filhos, mas segundo a esposa, Mrs. Everdeen tinha os cabelos claros e já o pai é super parecido com a filha caçula.
Madge andava meio silenciosa nesta noite, apenas observava o marido e não comentava nada, como sempre fazia.
— Nada importante, Gale — ele não se enganava. Sentou- se ao lado dela na cama para começar o seu interrogatório.
— Você anda estranha, pensa que eu não percebi? Uma vez ouvi soluços de madrugada, mas pensei que era alucinação minha... era você, não era? — Madge olhava as próprias mãos, sabia que podia contar com ele só que tinha um certo receio.
— Você me deu o casamento dos sonhos, me levou para Roma, me deu presentes e me paparicou o tempo todo... — ela falava baixo — Já está na hora de eu retribuir tudo isso.
— Como assim, loirinha? Você me retribui só de acordar sorrindo e saudável todas as manhãs! — Madge deixou que um sorriso escapasse de seus lábios, sabendo que poderia beijá-lo ali mesmo.
Ele era o marido dos sonhos.
— Minha mãe tinha um problema com crianças... eu tenho sorte de ter nascido inteira — riu — Agora, Katniss saiu com um cérebro defeituoso, parece que nunca cresce. E Finnick com a boca maior do que devia... fiquei surpresa em saber que minha irmã iria ter um bebê, sendo que ela nem se dá bem com Peeta. Mas sobre eu...
— Ei! Não fale assim, você não tem problema algum, amor — Gale pegou no queixo da garota, tranzendo o olhar dela para ele – Se ainda não veio, é porque ainda não é a hora certa. Nós vamos ter o nosso momento ideal.
— Mas todos aqui vão ter um bebê. E nós? Não quero ser motivo de piada como: “ Madge vira uma Mellark e nem sequer consegue dar um filho ao marido!”. Que tipo de esposa é essa? — ela praticamente chorava. Gale balançou a começa negativamente e a calou com um selinho.
— Eu te amo e isso é o que importa. Um dia nosso bebê vai chegar, ele vai correr por esta casa e vai parecer com você... e quem importa quando esse dia chegar? Nós podemos ter cem filhos! E todos eles virão no momento certo.
— Cem? Ficou louco Gale? Eu não vou carregar cem pessoinhas dentro de mim! — Madge fingiu estar brava, adorava esse momentos fofos dele.
Encostou seus lábios nos do marido, enquanto ele a puxava para fora da cama e a rodopiava no ar. O riso dela o contagiava, era música aos seus ouvidos. E as gargalhadas dos dois tomavam conta do lugar.
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— Eu te amo — Peeta via uma morena olhar bem em seus olhos e repetir aquela frase diversas vezes. Uma frase que ele pensava que nunca ouviria.
Piscou repetidamente e encarou aquela mulher, que sorria. E ele a beijou imediatamente como se necessitasse daquilo naquele instante.
O vento frio batia nas cortinas com muita força. A noite já tinha chegado, só havendo aquele casal ali no quarto. Mas não era um quarto luxuoso da mansão dos Mellark, era de um hotel qualquer.
Ao sentir os lábios daquela mulher, Peeta percebeu que não era o que pensava. Não era o que queria naquele exato momento. Abriu os olhos, vendo uma figura loira em cima de si.
O que aconteceu com ele? Sonhar com Katniss enquanto devia estar se divertindo com Glimmer?
Ele tentou aprofundar o beijo tentando esquecer os pensamentos idiotas e a garota parecia gostar. Mas era quase impossível continuar quando Peeta ouvia Glimmer falar “Eu te amo” e ele não respondia como antes. Pior, ele não a via falando aquilo. Via Katniss.
Peeta se afastou da loira, colocando as mãos sobre a cabeça enquanto se sentava.
— O que foi, bebê? — Glimmer perguntou subindo o espartilho e depois o abraçou por trás, ainda sentada na cama.
— Eu não... não consigo fazer isso hoje — ele falou tentando procurar a camisa, mas ela o puxava de volta, irritada — Estou cansado, vou para casa.
— Eu sei fazer massagem — a mulher dizia com um sorriso malicioso, só que Peeta não demonstrou nenhuma reação, deixando Glimmer ainda mais revoltada ao ser rejeitada — Não acredito, Peeta! Você vai me deixar aqui? Sozinha?
— Amanhã eu falo com você. É melhor eu ir — e ele se foi. A garota cruzou os braços se jogando de costas na cama.
Peeta tentava tirar aquelas imagens da cabeça. Primeiro mandou Glimmer para um hotel depois daquela conversa com Katniss, sabia que a presença dela não era bem vinda. Depois, não conseguia tirar as palavras da esposa da sua mente, ele não poderia estar gostando daquilo. Foi como um susto, depois de tudo o que ele fez, ela ainda o ama.
Chegou em casa meio tarde, sabia que todos ali já estavam dormindo. Entrou em seu antigo quarto, vendo só o vulto de Katniss deitada, dormindo tranquilamente. Pensou em se aproximar, mas sabia que ela odiaria, principalmente porque ele estava com outra há minutos atrás.
Tomou um banho e voltou ao quarto, geralmente não dormia ali, só que seus olhos se forçavam para fechar, ele dormiria em qualquer canto. Então se deitou, naquela cama mesmo, virou para o outro lado e apagou. Os travesseiros ainda tinham o cheiro dos cabelos dela que ele se lembrava muito bem de como era.
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Katniss estranhou ao sentir algo macio abaixo de si. Algo macio e que respirava. E que tinha as mãos a envolvendo. Aquele cheiro ela conhecia, mas não sentia há muito tempo. Não assim, bem de perto. Se levantou devagar, não queria acordá-lo.
Para começar nem sabia como tinha acordado daquela forma, bem em cima do marido, ele nunca dormia ali. Não sabia nem como tinha ficado abraçada a ele.
— Hmm...Ka-Katniss? É você? — Peeta murmurou ainda de olhos fechados, enfiando o rosto nos travesseiros.
— É... vai dormir, ainda é cedo — ele nem protestou e Katniss torceu para que o marido não percebesse que ela o observava. Virou o rosto, se distanciando.
Durante o banho, observava a sua barriga. Tinha um leve volume, Katniss sentia a presença de alguém ali. Sabia que Glimmer também estava assim e que Peeta só se importava com aquele filho.
Ótimo, se ele se distanciasse, talvez ela não sofresse tanto.
Voltou ao quarto onde Peeta ainda dormia, ele tão parecia tão inocente assim, aquela expressão brava como era de costume se transformava em uma angelical, como se ele só fosse apenas um homem qualquer que vivia harmoniosamente com a esposa.
Katniss balançou a cabeça, não podia ficar pensando nele. Mas sentia falta de quando podia tocá-lo sem nenhum problema, de quando ele a acordava com um sorriso como se nada fosse os atrapalhar. Foram bons tempos.
A casa não era a mesma sem Annie, estava tudo silencioso. Gale e Madge sempre estavam juntos e ela costumava observar os dois. Mais tarde uma empregada entregou uma carta a ela.
“Querido Cato,
Esta é a terceira carta que eu mando sem resposta. Sei que no exército é meio complicado de escrever, mas pelo menos fale se está tudo bem, mande um "oi". Você foi embora tão de repente, Madge tenta me impedir as vezes, vasculhando meus armários e jogando fora o que eu escrevo. Ela diz que isso me ajudará. Só que eu não consigo...Você vai demorar? Está tudo bem? Quando eu posso te ver? Por favor, me responda o mais rápido possível. Eu vou te esperar. Da sempre sua,
Katniss Everdeen.”
Katniss estreitou os olhos. O que aquela carta fazia ali? Ela havia mandado a Cato anos atrás e nem se lembrava da existência disso. Pensava que já estava perdida no tempo, ele nunca retornara.
Devia estar com Cato. Na verdade, ele retornou algumas, as últimas que ela mandou, sempre com mínimas palavras. Tudo antes de desaparecer.
As mãos da garota tremiam. Quem entregaria aquilo a ela? E nisso, uma ponta de esperança bateu dentro de si.
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