Atração Fatal
11 Capítulo 11: My Immortal
Peeta estava horrorizado com aquelas palavras. As janelas do escritório estavam abertas deixando a luz do sol entrar por ali, enquanto ele usava os óculos para ter certeza do que lia. Sabia que era feio, ele odiaria se Katniss lesse as suas cartas, porém ele ainda não deixava de ser uma autoridade, como marido da Everdeen. Tinha mais direito do que ela.
— Completamente apaixonada!— zombou com um alto desgosto, fechando o diário em seguida. Ela amava alguém, e esse alguém não era ele.
Katniss não deixava claro, não escreveu o nome do rapaz em momento algum, talvez por segurança. Mas Peeta sentia raiva, ódio daquele homem que parecia tomar seu lugar. Ele poderia torturá-lo e depois matá-lo.
Dentro de si, havia um sentimento de posse, aquela mulher era dele, somente dele. E ele descobriria quem era...mexer com a esposa do Mr. Mellark era suicídio, aquele homem iria pagar. E Katniss também.
— KATNISS!— saiu gritando pela casa. Uma empregada o avisou que a garota estava do lado de fora, e ele foi até lá em passos rápidos.
Só que algo o fez parar, quando o rapaz a encontrou no jardim perto de algumas rosas, ele simplesmente parou. Katniss era linda, sem dúvida era perfeita. E eles teriam um herdeiro, uma família. Ela era dele definitivamente, ninguém conseguiria tirar isso do Mellark.
— Katniss, precisamos conversar — mesmo assim, Peeta foi até lá. A garota percebeu o diário em sua mão e congelou.
— O …o que você faz com ele?- o rapaz jogou o livro a ela, seu olhar era assassino.
— Por que você mente a mim? O que eu fiz a você?
— Você torna a minha vida pior a cada dia — ela respondeu ao mesmo tom, já estava em más condições mesmo.
— Tem a chance de se casar comigo e ainda me traí com um inútil! — Katniss sentia lágrimas nascerem em seus olhos, ciente de que seu antigo amor não era nada disso.
— Ele podia não ser tão rico como você, mas pelo menos tinha coração de sobra...coisa que você nunca vai possuir — a garota apontou o dedo ao marido — Você nem sabe o que aconteceu para me julgar, eu nunca te traí!
— Então o que é isso? Você diz estar apaixonada!
— Eu tinha 15 anos, Peeta!— ela gritou fazendo um silêncio se formar ali logo depois- 15 anos...isso não existe mais.
— Você ainda o ama- provocou.
— E você tem alguma coisa contra? Sabe que entre nós dois não há nada!
A Everdeen parou um momento para respirar, vendo o peito subir de descer rapidamente, enquanto Peeta não passava muito longe disso. Seu coração acabou acelerando no momento em que ele aproximou-se mais, em passos lentos, porém que a torturavam ainda mais.
— Se você me trair, Katniss...eu mato o seu amante na sua frente, sou capaz de cortar a garganta dele diante de seus olhos — o Mellark ameaçou com os olhos fervendo, nenhum momento deixando de fitá-la e divertindo-se com o medo naqueles orbes — E depois...eu mato você.
A próxima visão foi de uma Katniss atordoada, ele nunca pareceu ser assim. Mas sabia que do que o marido seria capaz, dava para perceber só pelo olhar dele. Peeta não falou mais nada, ele poderia passar dos limites e não queria cometer nenhuma besteira ali.
— E se eu te traísse? — ela gritou fazendo-o parar no mesmo segundo — Você me mataria agora mesmo?
— Sei que isso é mentira, Ma Chérie.— sorriu vitorioso, vendo como Katniss não desistiria fácil em dar o troco.
— Mas se eu disser que ainda o amo? Isso é traição — o rapaz a encarou. Aquele jogo nunca acabaria, os dois se odiavam.
— Você não o ama mais, ele se foi...ele preferiu te deixar — Peeta tinha lido isso. A Everdeen respirou fundo antes de falar.
— Eu já sou sua esposa, não tem com o que se preocupar — disse baixo. Ele a olhou profundamente por um momento.
— Prometi que iria estar ao seu lado em todo instante, mas preciso que seja fiel também — a garota assentiu tocando o ventre. Ele deixou que um sorriso se abrisse entendendo — Em breve teremos mais alguém aqui.
O rapaz também a tocou. Katniss sentia um peso dentro de si por estar mentindo, mas fazia aquilo para o bem dos dois. Peeta a tratava melhor. O marido a beijava como se precisasse daquilo urgentemente.
— Pe...Peeta, espera!— ela disse ofegante enquanto ele ainda a puxava pela cintura, mantendo as suas testas coladas.
— Me...me desculpe, Chérie- falou antes de soltá-la e voltar a andar, deixando a garota paralisada.
—----------------------------------
Por um momento, Katniss pensou naquilo. Nem se lembrava mais, só que de repente, sentiu vontade e foi. Procurou em um pequeno quarto com uma mínima janela e lá estava o que queria. Colocou seu diário de lado e puxou o enorme pano branco, revelando a tela gigantesca. Ela já estava no suporte e as tintas tinham sido guardadas ali pelo marido no dia em que a mesma recusara o presente.
Katniss queria pintar, sentiu desejo. Arrumou o necessário e começou a fazer o trabalho com o pincel. Por incrível que pareça, ela ainda sabia fazer aquilo. Um enorme sorriso brotou em seus lábios e logo, ouviu um barulho vindo da porta. Peeta a abria e se aproximava devagar.
— Pensei que odiasse fazer isso — ele falou sorrindo.
— Eu senti vontade...e olha que nem sou tão ruim- Katniss só tinha jogado algumas cores sobre a tela, mesmo tendo praticamente parte da ideia do que desejava fazer em mente.
— Posso ver você desenhar?
— Por que não me ajuda? — a garota falou batendo a mão na parte do banco atrás dela — Eu posso te ensinar um pouco.
O rapaz sorriu antes de tirar parte da roupa de cima, ficando só com a camisa branca. Ele iria tentar aprender, apesar de saber que era um pouco impossível. Se posicionou atrás da esposa que pegou e sua mão, direcionando-o. Aos poucos, parte do desenho ficava visível, um verde no chão, alguns riscos que pareciam árvores e o começo de um céu azul.
— Essa é a minha visão do paraíso...um dia ainda vou para lá, encontrar a minha mãe- Everdeen sussurrou enquanto segurava a mão dele, pintando. Era até engraçado, a mão de Katniss, pequenininha e com os dedos finos, em comparação a do marido.
— Nunca pensei em como seria o paraíso, talvez acho que seja assim...nunca pensei na morte.
— Pensei diversas vezes quando vi minha mãe morta. Eu queria estar com ela a todo momento — respondeu ainda sem encará-lo, porém mal imaginava que Peeta havia acabado de paralisar parte de corpo somente para refletir no que ela havia dito.
O loiro depositou um longo beijo nos cabelos sedosos dela. A paz era total ali. Ela pintava silenciosamente e ele tentava pegar o ritmo, mas se perdia admirando o desenho.
As mãos de Katniss eram mágicas, contudo ele reparou algo longe dali, o diário dela. Um aperto passou por seu peito e Peeta a abraçou pela cintura com um braço livre.
— Conte-me sobre o sue passado, Chérie — falou com a voz calma — Eu gostaria de entender toda essa história...desde que não seja nenhum problema.
— Eu acho que posso contar...mas não me culpe se eu chorar — o marido riu e colocou uma mecha do cabelo dela atrás da orelha. Katniss ainda pintava silenciosamente — Quando minha mãe morreu, meu pai mudou de casa para não ficar se lembrando dos últimos dias...Finnick me odiava, Madge chorava e eu era uma criança de nove anos, Katherine me falava que a mamãe foi encontrar o papai do céu, assim como todos nós iríamos um dia.
— Você começa falando isso no diário — Peeta sussurrou como se fosse para si mesmo, porém a garota assentiu ao colocar mais tinta no pincel.
— Eu o encontrei jogado no sótão da casa para onde fomos depois de tudo. Estava vazio, então eu passei a usar...quando tinha 15 anos, meu pai contratou uma empregada nova para cuidar de mim, já que Katherine já estava muito sobrecarregada, o nome dela era Carrie, porém ela era moça e tinha um filho da minha idade, que trabalhava para ajudá-la.
— Era...era ele?— o Mellark perguntou baixo, mas já sabia a resposta.
— Finnick tinha uma mania de aprontar comigo, um dia nós brigamos no jardim e ele pegou uma pedra para atingir em mim, mas eu corri. Eu corri tanto que esbarrei em alguém...era um rapaz. Ele cuidava das flores e riu quando me viu desesperada. E desde então, ele sempre me dava uma flor quando nós nos víamos, nós acabamos virando amigos...até aquilo acontecer.
— Você se apaixonou por ele? — Katniss assentiu. Se lembrava daqueles anos e isso era simplesmente horrível. Algumas lágrimas já insistiam em sair — Qual era o nome dele, Chérie?
— Era Cato. Mas o papai nunca aceitaria o nosso namoro, ele não era rico, só tinha a mãe e não chegava aos pés do que eu tinha. Finnick descobriu e ameaçou contar, só que Madge o fez parar. Papai nunca soube...mas nós namoramos por três anos.
Peeta a abraçou mais, fazendo Katniss se aninhar ali. Seu nariz inalava aquele cheiro bom vindo dele, enquanto os dois continuavam a pintar. O rapaz parou por um momento, deixando que ela fizesse sozinha e depositando as duas mãos em sua cintura.
— No meu aniversário de 17 anos, Cato não tinha a mesma felicidade de antes. Ele falava comigo como se fosse uma despedida...ele iria embora. Iria embora para a guerra. Cato tinha sido convocado e iria em dois dias...mas você sabe que quando um homem vai para a guerra, ele pode nunca mais voltar.
Katniss já começara a chorar silenciosamente. Passara dias assim naquela época, Cato mandava cartas, porém Madge queimara tudo, alegando que isso só fazia a irmã sofrer mais. Agora, ela sentia como se ainda tivesse 15 anos.
— Quando a guerra acabou, eu o esperei na estação de trem. Só durou dois anos, o que era muito pouco...mas ele não estava lá. Eu o esperei até o último segundo, porém ele não cumpriu a promessa, não apareceu. E até hoje eu não sei onde Cato está, as vezes ouço a voz dele, ouço seus passos, ou sinto um frio como se ele me vigiasse. Só que eu nunca procurei saber o que aconteceu, nem soube se o corpo dele foi achado, ou não.
O silêncio bateu. Peeta não imaginara isso, a garota não falou nada sobre morte no diário, só uma coisa sobre guerra e tristeza. E agora ele mexia em uma mecha de cabelo dela. Katniss ofereceu um pincel a ele, que tentou pintar algo no canto da tela, até que não era tão difícil.
— Faça traços mais leves, não gosto quando eles ficam grosseiros — avisou o ajudando com a mão. O marido parou de olhar o desenho, encarava o rosto delicado dela, molhado por algumas lágrimas — O que foi?
— Nada...não precisa chorar, Chérie- ele secou algumas de suas lágrimas, voltando a pintar.
— Falei que ia chorar, odeio fazer isso...EI!— Katniss exclamou ao sentir o pincel molhado tocar em seu nariz, ouvindo o riso divertido do loiro ao seu lado.
— Está verde, Chérie- disse apontando ao seu rosto. A garota o olhou com raiva, pronta para revidar.
— Você mexeu com a pessoa errada, Mr. Mellark — avisou, antes de tacar a tinta vermelha no marido.
Nem tinham percebido direito como tudo acontecera, só sabiam que aquela simples brincadeira tinha dado errado. Katniss sujou a ponta do nariz do rapaz de vermelho, mas o que pretendia o acertar no rosto, acabou atingindo a camisa branca do loiro. E ele não iria deixar assim, logo, pegou a tinta azul jogando no vestido rosa claro dela.
— Olha o que você fez! Era o meu melhor vestido...IDIOTA!— exclamou largando o pincel e observando o estrago. Peeta ria ao seu lado, sua camisa estava tão estragada quanto a roupa dela, contudo era divertido observar o seu drama.
— Posso muito bem te dar outro melhor que esse, Chérie, não é o problema- ele mal teve tempo de continuar, a esposa tratou de jogar mais tinta nele.
Os dois acabaram entrando na brincadeira. Logo haviam até risos deles, quem passasse ali perto, poderia muito bem ouvir as gargalhadas. O quadro foi deixado de lado e as tintas iam sempre parar nas mãos deles.
Katniss tentava fugir, se escondendo por trás de algum objeto, contudo, o pano estendido no chão do cômodo, que fora forrado para não sujar nada, a impedia na sua corrida. Com isso, Peeta a agarrou pelo braço.
— E você pensa que ainda pode fugir de mim, Chérie — zombou com um tom vitorioso, vendo como ela ainda se debatia para fugir de seu aperto.
Katniss não sabia como as coisas passaram dos limites, definitivamente não sabia. Talvez aqueles cabelos bagunçados e os olhos azuis, a incentivaram. O mundo parou quando ele olhou a esposa de perto, como todas as vezes que algo assim acontecia. O pote de tinta caiu no chão, o que estava em suas mãos e o que havia deixado cair, sujando parte do pano. E agora, eles já estavam deitados ali mesmo, enquanto Peeta, com suas mãos urgentes, retirava o vestido da garota com a ajuda da mesma.
Assim foram com o resto das roupas, um ajudava o outro e as mãos de cada um, ia dando os primeiros toques, como forma de descoberta. Katniss não sabia como, mas tinha deixado se levar, o toque quente do marido a fazia fechar os olhos. Ela simplesmente bagunçou ainda mais o cabelo dele a cada beijo. Haviam só os dois e as manchas de cores pelo cômodo, o rapaz passou o nariz de leve no pescoço da garota, fazendo-a arrepiar.
— Eu seria sincero se dissesse que era isso o que eu queria fazer desde que entrei nesse maldito quarto, Chérie — Peeta sussurrou com a voz abafada, percebendo quando Katniss o apertou mais contra si, enterrando o rosto da curva do seu pescoço, apenas para sentir o cheiro impregnado ali.
Eles deixaram a urgência de lado, só aproveitando. Não havia o porquê da pressa, só haviam os dois. O momento era mágico. Peeta mordeu o lábio inferior da esposa, puxando-o logo depois, bem de leve. Ela deu um pequeno sorriso, o olhou por um momento e voltou a encostar os lábios. Sua mão arranhou o pescoço dele ao sentir a boca do marido, tocar o seu seio.
— Peeta...— Katniss sussurrou com um fio de voz. O jeito como ele a olhou naquele momento, a fez cravar suas unhas em seus ombros e o puxar, incentivando-o.
A Everdeen sentiu aos poucos suas costas tocando o chão, mal importando-se com onde eles estavam, ou na possibilidade, mesmo que mínima, de alguém aparecer ali. Os azuis nos olhos do Mellark era o que obrigava a mesma a permanecer ali, nunca fugindo de seus olhares ou provocações, deixando que ele se posicionasse logo acima e apoiasse o peso do corpo nos braços.
Os dedos finos de Katniss foram parar nos ombros largos do marido, cravando as unhas ali no mesmo momento em que ela sentia aquele leve incômodo, ficando mais evidente aos poucos, a medida em que soltou um pequeno grito abafado, tendo aquela sensação de ser rasgada por dentro. Ter Peeta naquelas condições tornava-se seu próprio pesadelo, não gostava de pensar em como chegaram a fazer algo como aquilo, ou até mesmo pensar na possibilidade de estar pecando.
Porém, por um segundo, notou que nem tudo poderia ser tão ruim assim. Vê-lo movimentar-se sobre si, a respiração alta, os músculos dele se contraindo na medida que Peeta fazia mais esforço para realizar os desejos da esposa, era tudo como ela um dia desejou. Ainda a incomodava, porém aos poucos tudo começou a ser um pouco diferente.
Ouvir o Mellark chamar seu nome também a surpreendeu, quando ele tocou em suas mãos, entrelaçando os dedos, porém não deixando aquele comum movimento de entrar e sair repetidamente, enquanto Katniss não conseguia manter os olhos abertos, porém percebendo a respiração dele em seu pescoço.
Contudo, foi quando seu corpo tornou-se trêmulo, que ela percebeu que estava quase no fim. Olhou para o teto imediatamente, abrindo os olhos e encarando o local. Peeta não ficou muito longe, contraindo os músculos ainda mais, no mesmo momento em que Katniss sentiu-o cair quase morto sobre si, o que a fez sorrir bobamente, percebendo em seguida sua visão tornar-se estranha.
Peeta, tentando controlar a respiração alta, se virou ao outro lado ficando de barriga para cima. Dentro de segundos, sentiu mãos passarem por seu abdômen e um corpo quente sobre si. Katniss passava os lábios delicadamente ali e uma mão dele foi para em seu cabelo, enquanto ele deixava que um sorriso brotasse em sua boca. Os beijos dela logo foram subindo, até chegar no pescoço e as mechas dela, ficavam esparramadas em seu peito, podendo sentir aquele perfume de rosas.
— Sempre vai acabar assim — Peeta comentou e pode-se ouvir um pequeno riso doce em seu ouvido.
— Nós somos assim...ninguém me faz sentir dessa maneira além de você- ela olhou para aqueles olhos, podendo ver uma sinceridade ali, aquele era o seu verdadeiro marido.
— Sentir como, Chérie?- deixou que sua mão repousasse no pescoço da garota.
— Sinto que posso confiar em você pela primeira vez, como se...como se agora eu realmente te conhecesse — Peeta a puxou para um beijo, agora bem mais longo.
Isso permaneceu por uns segundos, quando Katniss franziu a testa ao vê-lo quebrar o beijo. Peeta parecia pensar enquanto a fitava com certa intensidade.
— Eu quero...quero começar de novo, Chérie, eu quero tentar — um sorriso não deixou de nascer no rosto dos dois. Era tudo o que Katniss precisava ouvir: tentar — Podemos esquecer o passado e...
— Eu aceito — a Everdeen respondeu rapidamente- Quero ter a oportunidade de te conhecer melhor.
Eles ficaram em silêncio, só se olhavam. A mão dele foi parar em seu rosto, fazendo um pequeno carinho ali e ela não o impediu, deitou sobre seu peito, fechando os olhos. As coisas poderiam mudar- Katniss pensou ao passar os dedos sobre o abdômen dele.
Ela sentia que tudo poderia ser diferente, aquela poderia ter sido a sua primeira vez. Enquanto ele ficavam nos simples carinhos, o diário estava abandonado. E aquelas palavras dentro dele eram esquecidas completamente.
—-------------------------------
Katniss ria ao sentir as mãos fortes do marido a ajudarem com o espartilho. As gargalhadas dela ecoavam pelo quarto dos dois, tudo estava perfeito, até mesmo quem os visse assim acharia-os um simples casal em plena lua de mel. No andar de cima, a bagunça era evidente, coitados eram os empregados para darem um jeito naquilo. E Peeta a ajudou em terminar o quadro com a tinta que restava.
Era um belo desenho, segundo Katniss, como o paraíso. A garota desenhou duas figuras ali no meio do verde, um homem e uma mulher. O marido iria moldurar a tela, colocando no corredor para que todos vissem a obra da esposa. Os dois desceram a sala onde os irmãos do rapaz estavam. Vendo o casal entrando de mãos dadas foi uma verdadeira surpresa.
— Katniss? — Madge perguntou ao lado do próprio marido. Aquela cena não podia ser realmente verdadeira — Está tudo bem?
— Por que não estaria? — a Everdeen respondeu radiante sentando ao lado de Peeta no sofá. Ele colocou os seus óculos, lendo um livro que achara numa mesinha.
— Procurei por você a tarde inteira, onde se meteu, Doutor? — Gale perguntou com um tom de deconfiança, percebendo quando o irmão levantou um pouco o olhar, mas não respondeu nada, Gale não precisava saber.
— Peeta me ajudou a pintar, ele me deu uma tela de presente — Katniss interrompeu.
— Isso explica as gargalhadas e as tintas no andar de cima — Annie comentou no segundo seguinte. E era claro que a garota sabia de tudo, contando o fato de que seu quarto era logo ao lado e ela poderia muito bem ouvir.
— Isso é ótimo, Katniss! Vejo que as coisas começaram a mudar — Madge sorria, ver a irmã feliz, a deixava feliz. Vê-la pintar era um bom sinal.
— Nós temos uma notícia — Peeta falou de repente. Tomou uma decisão repentina e queria contar a todos — Katniss e eu temos uma notícia.
— Qual é? — a outra Everdeen perguntou interessada, como de costume.
— Nós...— o loiro olhou para a esposa, que sorriu em resposta- Nós vamos ter um herdeiro. Montar uma verdadeira família.
— Ah Meu Deus! Isso é ótimo!- Madge pulou do sofá para dar um abraço na irmã. Gale ficou meio paralisado no começo, mas logo resolveu dar os parabéns a Peeta.
— Parabéns, Doutor...agora sim posso dizer que tenho orgulho de ser seu irmão- deu dois tapinhas no ombro dele, sorrindo de forma sincera.
Annie olhava a cena, sabia que na verdade aquele filho era dela, mas as coisas pareciam estar sendo muito bem planejadas. Katniss a olhou sorrindo como forma de passar confiança, daria tudo certo. Peeta e ela seriam felizes enquanto, Annie arranjaria um marido e viraria essa página de vez.
Fale com o autor