Através do Tempo

14 Um Momento de Paz


Notas iniciais
Oie!!! Primeiramente quero muuuuuuito agradecer a Lilikah por estar lendo e por comentar!!! Gratidão imensa Lilikah! Fiquei tão feliz que mal pude conter minha alegria!!! (๑>◡<๑) E como agradecimento (comentários incentivam muitíssimo nós, escritores ˙ᴗ˙) Vim postar o próximo capítulo ~ pedidos dos meus leitores são uma ordem ~ Esses dois vão ter uma trégua! ˶ᵔ ᵕ ᵔ˶ Bora ler? ~ Beijokas ( ˘ ³˘)♥

- Meu nome é Alfred. – Dissera, olhando Elliot com um grande sorriso. O mesmo havia posto Elizabeth com Alfred, e seguia os dois montado em Luck.

- Sou Ryan, e está é minha esposa Eliza. – O senhor cumprimentara-a também e logo seguiram viagem. Elliot e Elizabeth não conversaram pelo caminho, porém o homem fizera algumas poucas perguntas a Elliot, que respondera com boa vontade, omitindo algumas coisas a respeito dos dois. Notara que ele desviara o caminho da estrada, indo para trás de uma montanha mediana que existia ali, adentrando num pequeno povoado, cujas casas eram afastadas umas das outras. A charrete parara em frente a uma casa modesta e mediana de madeira e pedra. Morava somente ele e sua esposa.

- Vamos, vamos entrar. – Convidara, enquanto Elliot descia de Luck, ajudando Elizabeth que o olhara um pouco torto. – Margareth! Temos visita! – Gritara o homem de pronto, e não demorara uma resposta. Logo uma mulher da mesma idade que Alfred, viera lhes receber. Ambos cumprimentando-a.

- Ora Alfred, seus amigos? – Indagara, mirando o casal com certa incredulidade. Um belo rapaz com um uniforme militar inglês esfarrapado, e uma linda jovem pálida e um tanto quanto... azulada?

- Na verdade os conheci há pouco. São viajantes, querem chegar a capital. Porém a moça não me parece bem. Não é mesmo, querida? – Indagara a Elizabeth.

- Você parece enjoada. Venha cá. – Dissera a senhora com espessos cabelos castanhos, alcançando a moça que estava prestes a vomitar novamente.

Elizabeth fora levada ao banheiro onde vomitara mais água e enzimas. Margareth a acompanhara, analisando-a.

- Como se sente?

- Fora o enjoo, estou com sono e cansada.

- Estão viajando há quanto tempo? – Elizabeth fizera os cálculos, quase um mês?

- Vinte dias.. eu acho.

- Entendo. – Respondera em tom pesaroso. – Vou lhe fazer um chá, enquanto isso, quero que descanse um pouco. Vou levar você ao nosso quarto de hóspedes. Vocês dois precisam descansar. – Ela disse, sorrindo carinhosamente a Elizabeth. – Não temos luxo, mas pode ajudar.

- Não me preocupo com isso. Dissera Elizabeth prontamente.

O quarto era simples, casa de madeira, tudo ali era bem aconchegante, uma lareira em pedra estava acesa, havia uma cama de casal, cortinas na estreita janela, e nada mais. Para Elizabeth era um sonho, para si era como se houvesse passado anos sem dormir numa cama decente. Margareth lhe trouxera o chá em seguida.

- Como se sente? – Sentando-se à cama, ajeitando os cobertores em Elizabeth.

- Muito bem! – Dissera a moça lhe sorrindo. Mas o sorriso desaparecera instantaneamente quando a sentença de “não confiar em ninguém” lhe perpassara a mente. – Porque estão nos ajudando? – Margareth lhe dera um sorriso compreensivo.

- Porquê já tivemos a idade de vocês, e sabemos como é um primeiro filho. – A menina arregalara os olhos surpresa. Mas era de se esperar, Elizabeth se lembrara de seu pouco tato para a vida.

- Você já sabia? Ell.. digo, Ryan lhe contou?

- Ninguém me contou nada... Mas a julgar pela cara de vocês, e seus sintomas... Eu sou mãe de cinco filhos adultos. – Elizabeth lhe sorrira. – Vejo que não estão passando algo fácil na vida. Não vou perguntar nada, porém é visível. – Ela botara uma de suas mãos no ventre da moça, e então fechara os olhos vagarosamente. Sorrindo em seguida. Elizabeth a mirava sem entender. – Ora vejam só! Quer saber o sexo do bebê?

- E dá para saber antes do nascimento? – Indagara incrédula, engolindo um grande gole do chá, que era amargo porém ela não se importara, a saudade por algo quente era maior.

- Ah, com certeza! Se você souber a quem perguntar. Posso ler as energias. – Revelara com ar de mistério. – Noto-o feliz. Essa criança foi feita com muito amor envolvendo-o, e por duas energias especiais. – Dissera, olhando-a com um belo sorriso. Elizabeth pouco entendia. Eles eram especiais? Em qual sentido? – E então, quer saber? – Ela meneara a cabeça em positivo, a ansiedade entregando-a. – Muito bem! Esteja preparada para ser mãe de um garotinho muito forte! E aliás, muito parecido com o pai! – Os olhos de Elizabeth encheram-se de uma luz que há muito havia deixado sua face. Seria um sonho ter um filho semelhante a Elliot Ryan? Sim... o admirava tanto que não seria uma surpresa. Lembrara-se de seu pai. Com toda a certeza ele estaria feliz. Não podia arrastar a raiva momentânea por Elliot, ele talvez estivesse cansado e confuso, afinal também era humano. A havia ajudado até aqui, se enraivecer por um único deslize e ignorar todas as coisas boas que viveram juntos, seria injusto.

O frio alcançara o pequeno vilarejo, e a noite caíra sem dó. Elliot bebia vinho, enquanto acariciava a crina de Luck, que aliás estava bem acomodado nos estábulos do qual havia mais três cavalos.

- Sabe filho, o segredo com as mulheres é ter paciência! – Elliot sobressaltara-se num susto. Alfred estava ao seu lado e ele não notara. Talvez fosse pelo álcool, ou talvez porque sua mente já estaria mais que cansada. O homem mais velho lhe dera o vinho mais cedo, então Elliot resolvera passar tempo com Luck, já que Alfred havia saído por breves minutos.

- Eu tenho.

- Precisa mais do que isso. – Elliot arqueara as sobrancelhas, mais paciência do já tinha com Elizabeth?!

- Ela está grávida, e digo mais! Você tem ao seu lado uma mulher muito forte. – Elliot baixara a face.

- Eu estou assustado e... com medo. – Confessara. Alfred o olhara com um sorriso, apertando os ombros do jovem rapaz.

- Eu sei. Eu também tive sua idade, me lembro bem quando fui pai do meu primeiro filho. – Elliot o mirara. – Não pense que será fácil, mas se estiverem juntos, qualquer grande desafio, se tornará uma simples tarefa.

- Eu não vou deixá-la. Eu a amo muito... Mais do que a mim mesmo. – Dissera a última frase num fio de voz, mas Alfred o escutara.

- Bom, isso faz de você um homem honrado. Será um bom pai. Confie. – Dissera lhe sorrindo com uma breve piscadela.

- Obrigado, senhor. Não sei como agradecer a hospitalidade. Vocês nem nos conhecem e já ajudaram muito. Eliza precisava mesmo de cuidados. Ela é mesmo forte, e por consequência não revela suas fraquezas. – Alfred o mirava com atenção.

- Eu entendo. Típico das mulheres! – Dissera, gargalhando em seguida. Elliot se deixara levar.

Adentrara sorrateiramente ao quarto indicado por Margareth. Trazia nas mãos dois pratos de sopa. Elizabeth dormia encolhida entre as cobertas, na única cama do cômodo, mas que era grande suficiente para ambos. Ele pousara os pratos na mesinha de cabeceira, sentara-se ao seu lado, mirando-a cochilar. Devagar tocara sua testa, não havia febre. Ele se aproximara de seu rosto, sussurrando em seu ouvido:

- Elizabeth... Acorde. Precisa comer. – Ela sentira todo seu corpo arrepiar-se com sua voz, e o cheiro inebriante de álcool e menta se misturavam. A atração entre ambos era notável e por um minuto esquecera-se da briga que tivera com ele. Porém tentara ser forte.

- Não estou com fome. – Mentira ela sem mirá-lo.

- Precisa comer, agora precisa pensar em nosso filho. – Sentira seu peito aquecer com a menção das palavras “nosso filho". Olhara-o por fim, a tempo de ver um amável sorriso enfeitar o belo rosto que Elliot possuía; e olhá-lo tão de perto, fizera seu coração acelerar, tinha um fraco por sua beleza, não podia negar. Sentara-se prontamente, esticando as mãos a alcançar as tigelas de sopa, o que o outro acabara por fazer para si, sentando-se ao lado dela na cama. – Que bom que mudou de ideia. Só não vomite! – Ela apanhara a sopa, dando grandes colheradas. – Coma devagar. – Alertara ele, fazendo-a olhá-lo de soslaio, mas que acabara por ser obedecido, e com isso começara a jantar com ela. – E ainda disse que não estava com fome... Não vai falar comigo?

- Não se deve falar enquanto se come. Você mesmo me dizia isso quando eu era criança. – Ele arqueara uma sobrancelha com a frase.

- Ora, e você se lembra disso?

- Se estou repetindo é porque me lembro. – Completara, fazendo-o rir prontamente. E olhando-o com mais atenção, pode notar que havia tirado as vestes militares, trajando agora uma roupa simples de camponês. – Onde arrumou as roupas?

- Ah... Alfred me deu. Eu não havia pego roupa alguma. Estava sendo difícil usar aquilo.

- Te repugna tanto assim o exército inglês?

- É mais porque não pude lavá-lo. – Dissera e com isso ganhara uma boa gargalhada de Elizabeth. — Ei! É Verdade!

- Eu sei..! Só estava aqui me recordando o quão pomposo você sempre foi com suas roupas, sempre impecáveis!

- Pomposo? Eu nunca fui um pavão! – Elizabeth rira ainda mais.

- E quem disse isso? – Indagara entre risos.

- Não importa.. – Respondera sorrindo. – Você.. não está mais chateada comigo? – Perguntara sondando o terreno.

- Está tudo bem... Eu entendo sua preocupação na situação em que estamos. – Elliot sorrira, se aproximando dela na cama.

- Obrigado, Eliza. – Disse, acariciando os cabelos da moça. Elizabeth por outro lado, sentia-se esquentar com a aproximação. – E eu entendo ter ficado brava. Eu fui rude com as palavras. Te machuquei. Me perdoe.

- Tudo bem. – E com isso continuaram a comer, até não restar sopa alguma.

- Eles estão sendo bons conosco. – Dissera Elliot, observando a tigela vazia de sopa em suas mãos. Havia se encostado no espaldar da cama. Elizabeth o olhara com certa timidez. Por razões bem óbvias, ela começara a se sentir envergonhada em sua presença. Estava agora com a mente mais clara, e a lembrança da tarde na caverna estava bem mais reluzente em sua memória, como se só agora estivesse lúcida o suficiente pra recordar tudo que fizera, e fizeram juntos.

- Sim. Tem razão. Precisávamos descansar um pouco melhor. – Respondera, e ao notá-lo mirando-a de volta, desviara o olhar rapidamente. Ele percebera o gesto, e com isso passou a analisá-la com mais atenção.

- Devo-lhes dar alguma quantia em dinheiro para ajudar nas despesas.

- E você tem o suficiente pra isso? – Indagara sem olhá-lo.

- Sim. Conseguirei mais dinheiro quando chegarmos à capital. – Elliot esticara os braços, alcançando Elizabeth com as mãos, a tocar as da moça. – Ei, o que está havendo? – Elizabeth sorrira, Elliot era muito esperto e perspicaz.

- Nada.. eu, acho que estou cansada. – Mentira ela.

- Hum... será isso mesmo? Porque não olha pra mim? – Ela então olhara, os olhos verdes reluziam fortemente com as chamas alaranjadas da lareira, penetrando sua alma ao olhá-la tão profundamente. Elizabeth sentira seu coração em disparada, a respiração arfar e suas mãos suarem frio. E nada escapava dos olhos sagazes de Elliot, que notara seu nervosismo. Queria dar espaço a Elizabeth, mas ele próprio tinha seus limites, e ao vê-la assim, havia-o ultrapassado completamente. Se aproximara dela pelas costas vagarosamente, ajoelhado na cama, afastara os cabelos da moça, beijando seu pescoço. Elizabeth arfara fortemente, sentindo seus pelos se arrepiarem, fechara os olhos. Elliot era intenso como o sol, forte como o vento de uma tempestade e encantador como a chegada da primavera. Era impossível para si, não ser afetada por ele. Parecia estar tão, se não mais apaixonada do que nunca antes estivera, e só agora tinha tempo mental para perceber isso.

- Ei, olhe pra mim. – Dissera, direcionando seu queixo em direção a si; notara os olhos da moça arderem em desejo e isso fazia seu próprio coração acelerar sem dó. Tocara seus lábios aos dela vagarosamente, saboreando o gosto de sua boca. Elizabeth correspondera timidamente, como se há séculos não tivessem tido um momento só deles novamente, o que de fato era verdade. Sentira-o tocar sua face suavemente com uma das mãos, e com a outra a trazia para si pela cintura. Podia notar as mãos de Elliot tremerem ao tocarem-na, a respiração urgente, o beijo que se tornava cada vez mais apaixonado e ardente. Elizabeth fora se entregando ao ritmo dele, enlaçando os braços por suas costas, que com a roupa consideravelmente mais fina que a de um uniforme militar, podia-se sentir seus músculos e a quentura de sua pele.

- Estava com.. saudades de você. – Dissera ele, nos espaços entre o beijo. Apartaram-se os lábios, porém mantiveram-se unidos, encostando a fronte um do outro.

- Eu também. – Confirmara Elizabeth, mirando os lábios vermelhos do mais velho. A energia e a força que ele transmitia, eram um combustível para seu ser. Era como se Elliot fizesse parte de si. Agora entendia do porquê ter sofrido tanto com sua partida na infância. – Eu só não quero perder você novamente. – Elliot estranhara a frase.

- Porque está dizendo isso?

- Tenho medo que algo aconteça, temo que a vida te leve para longe de mim de novo. – Ele sorrira, de olhos fechados lhe dera um beijo na testa, puxando-a para seus braços.

- Isso é impossível. Você faz parte de mim, eu faço parte de você. Não importa se a morte nos separar os corpos, nossas almas sempre estarão juntas. – Ela o olhara surpresa com as palavras tão tocantes, sabia que Elliot era inteligente e um galante, mas não imaginava que o nível fosse tão alto.

- De onde tirou algo tão bonito? – Ele a olhara com um sorriso astuto.

- De lugar algum, é o que sinto; é a verdade. – Disse, aconchegando-a em seu peito. Notara o coração de Elliot disparado e achara isso uma graça. As mãos do rapaz percorreram seu corpo, parando em seu ventre. – E como está hoje esse neném? – Elizabeth sentira-se nervosa com o assunto. Não queria brigar novamente.

- Não dá pra sentir nada ainda. Só sinto enjoo com determinados cheiros. Ele deve ser muito pequeno.

- Mas isso não me impede de conversar com ele. Se em seu desenvolvimento acostumar a ouvir a voz do pai, quando nascer vai reconhecer minha voz. – Elizabeth sorrira, apertando o nariz de Elliot.

- De onde você tira essas coisas, garoto?! – Ele rira, abaixando-se e encostando o rosto em sua barriga.

- Ei! Você está aí? – Indagara. – Não sei se você é menino ou menina ainda, mas saiba que eu sou o seu pai. Meu nome é Elliot Ryan Fawkes. E essa mulher rabugenta é sua mãe.

- Mas olha! Você está blasfemando a minha pessoa para nosso menino? – Dissera incrédula, em tom de brincadeira. Elliot rira de suas expressões.

- Ei, você disse “menino". Como sabe que é um garotinho? – Elizabeth lembrara-se de Margareth.

- Margareth disse que pode sentir as energias, quando tocou minha barriga, disse que era um menino muito forte, e muito parecido com o pai. Agora vejam só! Vou carregar uma criança por nove longos meses, pra ele se parecer com o pai, e não com a mãe?! – Elliot gargalhara, empurrando-a com cuidado para a cama, montando nela, e segurando suas mãos ao alto de sua cabeça.

- Pensei que me achasse belo e majestoso. – Dissera sorrindo. Elizabeth o observara atentamente, os cabelos louros e encaracolados lhe caíam aos ombros. Podia ver seu corpo bem torneado nessa roupa. Ela soltara uma das mãos, a alcançar o peitoral forte e belo à sua frente, acariciando-o delicadamente. Elliot a observara, e ela pode notar a respiração do rapaz tornar-se arfante.

- Você é belo e majestoso, meu filho tem sorte. – Dizia, enquanto pousava uma das mãos ao rosto de Elliot. O mesmo a soltara, beijando seus dedos e sua palma.

- Tem mais sorte ainda por ter uma mãe forte e destemida como você. – Ela sorrira, antes de tê-lo por cima de si, tomando seus lábios com ternura e paixão.

Notas finais
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