Notas iniciais
Boa leitura! ೕ(˃̵ᴗ˂̵ ๑)

Ficaram por mais dois dias na pequena casa do casal Alfred e Margareth. Fora tempo suficiente para que Elizabeth aprendesse tudo que precisava sobre gravidez e cuidados iniciais com o bebê. Elliot acompanhara tudo de perto, afinal queria ajudá-la nessa etapa tão importante. Havia se convencido de que não adiantava lamentar que um filho nessa altura da situação poderia dificultar as coisas, porém o que está feito, está feito. Eram jovens e fortes, iriam conseguir dar conta. Era nisso que estava direcionando seu foco. Ganharam algumas roupas e alimento, e assim puderam continuar a viagem.

- E você acreditou nela? – Elliot indagara Elizabeth, enquanto seguiam pela estrada, retomando a viagem à capital.

- Sim... Lucy contava histórias de mulheres que eram curandeiras e podiam prever as coisas, ver o que ninguém mais via, e coisas assim. Se ela disse que viu um menino, provavelmente deve estar certa. – Elliot se pôs a pensar, duvidava se devia acreditar em Margareth a respeito de seu filho, mas se Elizabeth acreditava, então não mais duvidaria. Não tivera muitas oportunidades de convivência com as mulheres, mas sempre soubera da ligação delas com o sobrenatural e a intuição. Isso também se aplicava a Elizabeth.

- Interessante. – Replicara, enquanto observava a estrada que seguiam tranquilamente. Elizabeth o mirara incerta, ele parecia pensativo e um pouco calado.

- Você está bem, Elli? – Ele pareceu acordar de seu torpor, ao notar o tom preocupado de Elizabeth.

- Estou sim. Estava pensando que estamos próximos de um local que quero que conheça.

- Que local?! – Elliot rira, a curiosidade estampada na voz da moça.

- Você irá conhecer quando chegarmos lá. – Ela fizera uma careta de insatisfação. Porém não demorara tanto para ter sua curiosidade sanada. Logo se aproximaram de uma pequena estrada de terra e pedras, ao longe podia se ver um casarão. Logo Luck os levara para um espetacular jardim romano, como de seu pai, porém umas três vezes maior.

- Uau! Que lugar é esse? Indagara a moça. Elliot a mirara contente.

- Era de uma antiga família, porém fora abandonado após uma guerra civil. Encontrei esse lugar tem alguns anos, e imaginei que se te trouxesse aqui, iria gostar. Sei que gosta de flores. – Elizabeth sorrira. Ele a conhecia bem.

- É encantador! – Dissera ela, descendo de Luck, admirando as tantas flores de diferentes espécies e cores que tomaram conta do jardim, que apesar de não cuidado por humanos, possuía o toque dado pela mãe natureza.

- A floresta adentrou o lugar. Era menos espesso quando vim aqui da última vez. – Dissera Elliot, que havia descido de Luck, tocando levemente em uma das rosas vermelhas, que trepara num dos pilares do templo grego no jardim.

- Lembra muito o jardim de meu pai. – Elizabeth se sentara numa das muretas, admirando o local. Uma borboleta amarela rodeara Elliot, ele a observara esticando uma das mãos, e ela pousara suavemente em seus dedos. Elizabeth encantara-se com a cena, ele sorrira a ela, esticando a mão em questão.

- Aqui, um sinal pra você. – A borboleta voara de seus dedos, pousando nos cabelos de Elizabeth. Seus olhos encheram-se de lágrimas. Elliot se aproximara dela, segurando uma de suas mãos. – Eu não havia tido uma oportunidade para lhe dizer, mas a trouxe aqui por dois motivos. – Ela o olhara pensativa, haviam motivos para estarem ali. – Primeiro que, eu a admiro muito, por sua força. Você teve uma grande perda e eu queria lhe dizer que sinto muito por tudo que tem passado. – Elizabeth se surpreendera, não sabia dizer qual expressão era essa que Elliot trazia em seu rosto. Um misto de emoção, e... medo. Sinto muito por seu pai, sinto muito por não ter estado lá e ajudado a evitar a tragédia, sinto muito por não ter abandonado o exército antes, sinto muito por tudo que estamos vivendo agora, fugindo e sem ter um local decente pra dormir. Não era isso que eu queria te oferecer. Queria ter me casado com você oficialmente, queria...

- Espere, Elliot. – Elizabeth silenciara levemente seus lábios com os dedos. – Você não precisa sentir por tudo isso, é um fardo que não lhe pertence. Eu não sou uma obrigação sua.

- Não foi isso que eu disse, eu...

- Xiii... – Ela se aproximara, lambendo seus lábios suavemente, a tempo de ver uma expressão de surpresa no rapaz. – Eu lhe agradeço por ser minha luz no meio dessa escuridão. Você não faz ideia do quanto é importante pra mim. – Ela o puxara pela cintura, o enlaçando com um dos braços.

- Obrigado por ter sido minha, ao menos uma vez... Eu sempre quis ser teu. – Dissera ele, com os olhos lacrimejantes. Elizabeth sorrira, beijando-o com vontade e paixão, sentindo o hálito com gosto de hortelã invadir sua boca. Elliot era intenso em todos os sentidos, desde um simples olhar, até o mais profundo dos beijos. O amava de uma maneira tão forte, que poderia enfrentar o mundo ao seu lado e mesmo assim não temer a nada. Sentira-o com o corpo quente e forte junto ao seu, podia notar as batidas velozes de seu coração, pulsar contra seu peito. — Tem... mais uma coisa. – Tentava dizer ele, entre os espaços do beijo. Ela se afastara, mirando-o. Elliot tirara algo de um dos bolsos da calça, alcançara a mão esquerda de Elizabeth, olhando-a de maneira nervosa. – Elizabeth Philip, você aceita se casar comigo? – Seus olhos arregalaram-se instantaneamente. Ela não esperava por isso também. – Não tive a chance de fazer um pedido formal frente a seu pai. Por isso quero lhe fazer agora. — Elizabeth sorrira sem jeito.

- É claro que eu aceito. Já pertencemos um ao outro desde que nascemos neste mundo. – Elliot sorrira, pondo o anel dourado, cravejado de safiras em seu dedo anelar. Ela então apanhara das mãos de Elliot o par dele de sua aliança, segurando sua mão com carinho, pondo em seu dedo o par idêntico ao seu. – É linda, combina conosco. – A borboleta que até então ainda estava em seus cabelos, descera, posando nas duas mãos unidas, ambas com as alianças. – Isso é inacreditável! – Elizabeth surpreendera-se. Elliot sorrira.

- Parece que os céus nos abençoaram. – Elizabeth não contivera as muitas lágrimas que não hesitaram em cair. Sentira os braços fortes de Elliot a amparar-lhe. E apesar da emoção, a alegria também invadira seu peito. Estava protegida e guardada. Elliot supria tudo que mais precisava, e gostaria também de ser um porto para ele.

- Quero também poder estar ao seu lado, assim como você está ao meu.

- Você já está, meu amor. – Dissera ele, sorrindo enquanto a mirava com cuidado, pondo um mecha solta de seu cabelo por de trás de sua orelha.

- Não, eu quero te ajudar como você me ajuda. Quero ser tão forte quanto você. – Ele achara graça, lembrava-lhe a Elizabeth criança, que levara na memória por tanto tempo.

- Você é mais forte do que eu, só não se deu conta disso ainda. – Ela fizera uma careta.

- Eu tenho que discordar...!

- Ei! – Ambos se olharam, rindo em contentamento por esse breve momento de leveza e paz.

Retomaram o caminho pela estrada, ambos com um peculiar sentimento de “dever cumprido” em seus corações, com o vínculo entre eles ainda mais fortalecido.

Viajaram por cerca de duas semanas sem grandes complicações, o fim do dia havia chegado, e logo montaram um acampamento numa parte alta da floresta.

- Tem uma casa há quinze dias de viagem ao norte. Está em uma cidadela remota e bem escondida. – Dizia Elliot, enquanto comia feijão em lata que haviam comprado na cidade anterior. – Eu a comprei uns anos atrás. A chave está na bolsa que levo em Luck. – Elizabeth não entendia bem onde ele queria chegar revelando tal fato. – Estava pensando em irmos para lá e estabelecermos.

- Não tínhamos que ir para a capital?

- Não sei mais se será uma boa ideia. Ao menos nessa cidadela, ninguém pensaria que fomos para lá.

- Como pode ter tanta certeza? – Indagara ela, estando com ânsia somente com o cheiro do feijão. Elliot dera de ombros.

- Porque é um local menos provável. Presumo que talvez desconfiem que iremos à capital. – Elizabeth ponderara, era claro que sim, iriam procurá-los pela capital. Elliot provavelmente era conhecido por lá. – Vamos precisar mudar nossa aparência, cortar os cabelos, eu e você.

- Tem razão. Ela apanhara uma adaga nos bolsos da calça que vestia, Elliot arregalara os olhos, vendo-a direcioná-la aos cabelos. Ele rapidamente a segurara.

- O que está fazendo?

- Mudando a aparência!

- Não precisa ser agora, está de noite, mal enxerga algo, irá se machucar! – Ela sorrira. Elliot era mesmo preocupado consigo. – Ei! Não brinque com isso! – Vira Elizabeth gargalhar.

- Tudo bem, farei isso amanhã. – Ela levantara-se do tronco ao redor da pequena fogueira, dando-lhe um leve beliscão no abdômen. Ele notara seu tom brincalhão e a puxara de costas para si, Elizabeth sentira-se colidir as costas em seu peito, logo ele beijara seus cabelos e ombros. Elizabeth gostava do quanto Elliot podia ser carinhoso, e sentia-se livre estando com seu parceiro. Respirara fundo, agradecendo mentalmente por estar ali, com ele. Olhara o céu, a lua estava bela.

- Em que está pensando? – Ele indagara.

- No quanto tenho sorte por ter você. – Ele sorrira.

- E eu por ter você. Te agradeço por ter esperado, mesmo que sem ter certeza se eu voltaria. – Ela o mirara, beijando-lhe os lábios suavemente. Elliot a virara de frente a si, beijando-a com vontade, enquanto pressionava o corpo menor que o seu contra si.

Notas finais
Faz tempo que não trago uma ilustração, I.A nunca faz o que mando, daí acabo desistindo as vezes.. ( ̄﹃ ̄) *Créditos da Imagem ao Bing Creator.