Através do Tempo

10 Provando Sua Força


Adormeceram ali, juntos enquanto trocavam algumas palavras. Elliot tinha um sono leve, e qualquer que fosse o barulho, acordava. Ao seu lado, sua espada estava pronta para um ataque. Elizabeth por outro lado, adormecera mais pesadamente, com o sono repleto de espasmos e pesadelos. Elliot lamentava por vê-la atravessar uma fase tão ruim em sua vida, mas queria garantir que proveria um futuro melhor para a pessoa que sempre amou, mesmo que esse amor tenha se modificado com o tempo. Infelizmente a paz durara pouco, algo já esperado por ele, que antes do amanhecer, já havia preparado Luck a retornar em viagem.

A chuva havia cessado, somente uma garoa fina insistia em cair, e com ela, um frio de rachar os ossos. Elliot já havia sentido que estavam sendo observados, e com os primeiros raios de sol, iluminando por de trás das nuvens e trazendo a claridade para a floresta, é que pode escutar estalar de galhos em uma das direções.

- Elizabeth!? Acorde! – Ele a sacudira, e entre resmungos indefinidos, ela acordara.

- O que houve?

- Precisamos ir! Estão aqui! – Ela se levantara, juntara sua espada por entre os tecidos de suas roupas, e partira com ele. Mas do lado de fora, galhos quebrando foram ouvidos por todos os lados. – Não guarde sua espada, Elizabeth! – E só fora ele dizer, quando oito soldados apareceram, cercando o casebre. Elliot conhecia alguns de vista. – O que vocês querem? – Indagara o rapaz, com a espada em punho, mirando os oito homens que os cercavam.

- Entregue a mulher, e o deixaremos vivo, Fawkes. – Elliot rira.

- Me deixar vivo? Isso é uma piada? Quero que venham pegá-la, se possuem coragem. – E os oito atacaram. Elliot fora rápido o suficiente para puxar Elizabeth para suas costas, e com uma simples troca de olhares, ela entendera. Ambos lutaram com tudo que tinham, desarmando alguns, ferindo outros. Elizabeth não pode deixar de notar o quão forte era Elliot, sua agilidade e domínio de sua postura, o faziam lutar não apenas com o sabre, mas também com seu corpo todo, entre chutes e socos. Ela nunca havia lutado com tantas pessoas antes, nunca havia enfrentado uma real situação de perigo. Fechara a própria expressão, e mergulhara na luta, dando o máximo que podia e sabia. Ele lutava com dois ao mesmo tempo, e ainda tivera olhos para notar um terceiro que mirava Elizabeth pelas costas, enquanto a mesma lutava com um soldado.

- Cuidado, Eliza! – E sem pensar muito, ela escutara um corpo tombar atrás de si; ele o havia matado para salvar-lhe a vida, e ela jamais o havia visto matar alguém. Não podia se deixar abalar e continuara a lutar. Um terceiro soldado viera a toda para acertar o rapaz, e assim como ele, não pode deixar de lhe defender a vida, e pela primeira vez, ela matara. Elizabeth tremia dos pés à cabeça e por um segundo de descuido, quase fora ferida, escudada a tempo por Elliot, que fora ferido em seu lugar. A verdade era que ela sempre quisera lutar, só não sabia como tudo aquilo realmente era. Não era heroico, não era belo. Era horrendo, injusto e sem fundamento. Porque aquela perseguição idiota ocorria mesmo? Por dinheiro? Acordara de seu choque ao avistar Elliot ferido, enquanto que seis dos oito homens estavam mortos, e os outros dois haviam fugido.

- Elli! – Elizabeth fora até ele, o qual estava ajoelhado ao chão. Seus braços, abdômen e pernas, repletas de cortes, sua roupa rasgara em vários pontos, e o sangue escorria sem dar muita trégua.

- Precisamos ir embora daqui! Eles... eles podem voltar! – Ele dissera, levantando-se.

- Não! Eu preciso cuidar de você!

- Eu estou bem! Vamos embora! – Ele assoviara e Luck viera, montaram no cavalo e partiram.

A chuva ameaçava vir, enquanto que Elliot mantinha-se firme, segurando as rédeas de Luck. Elizabeth preocupada, lhe perguntava sem parar em como estava se sentindo.

- Isso não é nada. Logo cicatriza. – Mas não era bem assim. Elliot parecia cada vez mais pálido, e ela tivera medo de que ele fosse desmaiar.

- Elli! – Ela o segurara num momento de tontura, o trazendo para si, invertendo as posições no cavalo, ela assumira as rédeas.

- O que... está fazendo..? – Ele balbuciara, sentindo que estava sendo amparado de qualquer jeito pela moça. Seu cavalo não parara um segundo sequer e Elliot perdia a noção do tempo ora ou outra. Mas poucos minutos antes de uma grande torrente alcançá-los, vira com o pouco que conseguira, tudo escurecer, mas não havia desmaiado ainda.

- Vamos, Elli. Me ajude, desça. – Ele a sentira puxar-lhe as pernas, então reunira forças e se atirara ao chão, caindo em uma superfície seca de pedra. Estavam em uma grande caverna.

- Onde estamos...? – Indagara.

- Fique quietinho que farei fogo pra nós. – E assim ela o fez. Encostara-o em uma pedra, enquanto fazia uma fogueira e outras tantas coisas que, com os intervalos de desmaios e lucidez, Elliot não conseguira acompanhar.

Quando seus olhos finalmente se abriram, boa parte de sua dor já havia ido embora. Não sentia frio. Mirara-se, notando faixas em seu abdômen, um cheiro forte de ervas e uma grande e boa fogueira acesa.

- Como se sente? – Escutara Elizabeth perguntar-lhe. Estava sentada ao seu lado cutucando o fogo. A caverna era grande, de teto alto, que pendiam longas estalactites, e do lado de fora podia-se ver parte da floresta e a espessa chuva que caía sem parar. Luck relinchara a algum canto e ele rira-se, agradecendo aos céus por sempre haver espaço para seu cavalo.

- Você fez tudo isso? A fogueira, os curativos...?

- Mas claro que fui eu! Seria Luck por um acaso? – Elliot sorrira.

- Onde arrumou lenha seca nessa chuva?

- A caverna já tinha. Pelo visto alguém tem estado por aqui, assim como você naquele casebre. – Ele só não perguntara das ervas, pois ele próprio as havia colocado em sua bolsa amarrada em Luck. Elliot havia sofrido pequenas perfurações no abdômen e a perda de sangue contínua em vários pontos o deixara tonto e febril.

- E onde aprendera a saturar ferimentos e fazer fogo?

- Elliot Ryan, eu não sou uma inútil, ok?

- E eu estou dizendo isso? – Ele indagara se divertindo. Ela lhe mostrara a língua em descontentamento.

- Bem, o uso das ervas aprendi com a Lucy lá de casa, a fogueira aprendi com meu pai quando acampamos certa vez. – Elliot sorrira, era bom escutar o som de sua voz, lhe trazia alívio e grande tranquilidade. – Eu lembro que naquele acampamento ele me ensinara a pescar também, depois aprendi como limpar os peixes com a Lucy. – Continuara ela. – Ei, como você se sente? – Indagara, tocando seu rosto. Elliot segurara sua mão, beijando-a.

- Obrigado por ter cuidado de mim. – Respondera. Elizabeth sorrira.

- Você é quem tem cuidado de mim durante todo esse tempo, sou eu quem lhe deve agradecimentos. – Respondera, acariciando as bochechas de Elliot. Olhando-o tão de perto, pode ver o quanto ele se tornara belíssimo. Os olhos verdes vivos, irradiavam vida, brilhando incessantemente. As sobrancelhas um pouco baixas, davam-lhe um olhar de seriedade, evidenciando o aspecto da profundidade com que a encarava sempre que a olhava. Os cílios eram claros, pouco mais escuros que seus cabelos, que apesar de louros, haviam mechas mais escurecidas.

- Não precisa me agradecer, você sabe por que o faço. – Ele respondera, ainda sem desviar o olhar. Elizabeth descera os olhos por seus lábios, que naquele momento estavam úmidos e vermelhos. Elliot percebera seu olhar e instantaneamente sentira seu corpo mudar, seus batimentos acelerarem e a respiração falhar.

- Sei sim... – Ela disse, contornando-os com a ponta dos dedos. Seu coração, assim como o dele, acelerava-se ao mirar-lhe tão minunciosamente. Se perguntara noites a fio, o que realmente sentia por Elliot, até que tudo acontecera; perdera seu pai tão rapidamente, os acontecimentos passaram por seus olhos como se corresse à galope num campo de guerra. Uma hora tinha sua família e sua vida como sempre fora, num minuto seguinte só tinha Elliot. Fora ele quem a resgatara do inferno que havia se tornado sua vida, sem espaço para divagações. É como se o tempo corresse contra o relógio e ela já não soubesse mais quanto tempo ainda tinha de vida, o que ocorreria à seguir. Estava à mercê dos acontecimentos, estava à deriva nesse grande mar da vida. E isso assustava, por conseguinte não podia perder mais o tempo que achava ser abundante, já que agora o mesmo poderia ser limitado. Ela então decidira, já que não podia mais esperar. Se aproximara dele, e Elliot pode sentir o calor de sua respiração, quando seus lábios foram tocados pelos dela, timidamente enroscando seus braços delicados ao redor de seu pescoço. Era por esses motivos que ela sentia que não podia mais se segurar. Elliot fazia parte de seu ser, era como se ele sempre estivera entranhado em si.


Notas finais
Espero que tenham gostado! Hoje não pensei em nenhuma imagem pra pôr aqui @_@ me perdoem por isso..! Bjinhos =*