Notas iniciais
Capítulo tenso, espero que gostem!

Elliot a enlaçara em seus braços, enquanto procurava desesperadamente uma clareira pela floresta.

- Vamos, Luck! – Correra com seu cavalo fora da estrada, e encontrara uma abertura em meio à mata, da qual pode pousá-la ao chão. – Elizabeth! – Ele batera levemente em seu rosto, sacudindo-a. A testa quente, logo soubera que ardia em febre. Elliot apanhara a água do cantil, rasgando um pedaço de tecido, rapidamente molhando sua testa. Seu coração doía, algo estava errado com o corpo dela, não cairia em febre à toa. – Droga, Elizabeth! Porque não me disse que não estava bem? – Indagara por alto, enquanto pousava a cabeça da moça em seu colo. A floresta era iluminada pela luz da lua, deu graças por não estar tudo tão escuro, porém os perigos podiam ser maiores, se estivessem sendo observados, seria muito pior. Ele precisava aquecê-la, e o fizera, cobrindo-a como podia com todos os tecidos que trouxera, incluindo sua capa.

Passadas algumas horas, a vira abrir os olhos lentamente. Parecia fraca.

- Como você está? – Indagara, pousando as mãos em sua testa. Ela o mirara por fim, sentando-se. Porém antes de pensar em responder, correra dali uns passos da presença de Elliot, vomitando tudo que podia de uma só vez, sentindo-se ainda mais fraca do que já estava. Ele viera a grandes passos ao seu alcance, apoiando-a. – Elizabeth! – A ajudara, enxugando sua boca e amarrando seus cabelos.

- Elli... – Ela dissera, num fio de voz. Já não tinha mais febre, mas sentia-se enjoada. – Onde... estamos?

- Não muito longe da estrada, você desmaiou, demorou um pouco a acordar.

- Eu... desmaiei? Me lembro de estar em Luck, e...

- ...e desmaiou. Estava com febre, graças a Deus ela baixou. – Ele a puxara para se sentar em meio aos cobertores que pusera ao chão, estavam de baixo de uma grande árvore, com a luz da lua iluminando-os. Elizabeth reparara, Elliot estava se comportando estranhamente, parecia mais sério do que o habitual, em um ar analítico. – Como se sente agora?

- Estou melhor, acho que foi algo que comi... – Mas isso não o convenceu.

- O que mais você está sentindo?

- Cansaço, sono... Sabíamos que essa viagem não seria fácil. – Dissera ela. Ele pousara novamente uma das mãos em sua testa, já estava sem febre.

- Vamos passar a noite aqui, ao amanhecer continuaremos a viagem.

- Não é perigoso?

- Sim, não há local seguro para nós, Elizabeth. Você sabe disso.

- Eu sei... Me desculpe, Elli. Você está fazendo muito por mim, estou sendo um grande fardo pra você. – Ele a mirara.

- Resolvi te ajudar por escolha minha. Não tem o que se desculpar. Eu sabia bem o que estava fazendo quando tomei minha decisão. – Ela baixara os olhos, sua saúde estava ficando ruim, não tinha dinheiro para ajudar, estava sendo culpada de um crime, e arrastara Elliot consigo. Por mais que ele dissesse que não, ela se sentia um estorvo. – Ei... – Ele a puxara pra si, sentando-se ao seu lado, fazendo seu rosto descansar em seu peito. – Vai ficar tudo bem, nós vamos conseguir. – Ele dissera, sem realmente ter certeza do que ele próprio dizia, enquanto ela fazia extremo esforço para que suas lágrimas não escapassem.

Na manhã seguinte retomaram a viagem. A noite transcorrera tranquila, conversaram baixo enquanto conseguiam, até Elizabeth pegar no sono entre uma hora ou outra. Elliot pouco descansara, grandes olheiras marcavam seu rosto, ele parecia exausto. O sol já estava alto, porém era coberto pelas nuvens pesadas de chuva que iam e vinham. Elizabeth estava quieta, suas entranhas revirando, até que não aguentara mais.

- Elli, pare. – Ele que parecia distante, estranhara seu tom urgente, parando Luck rapidamente, vendo a moça saltar de seu cavalo. Ela abaixara-se na encosta, vomitando água, enzimas e o pouco de pão que havia conseguido ingerir pela manhã. Aquilo fora demais para ele, não precisava ser especialista para confirmar suas suspeitas. Seu coração dera um solavanco dolorido e forte. Descera de Luck, apoiando-a enquanto ainda vomitava o que tinha e não tinha. Passara suas mãos em suas costas repetidamente para aliviar sua agonia. Ela se recompôs, levantando-se.

- Eu já estou melhor, obrigada Elli. – Ele nada dissera. – Você está bem? – Indagara estranhando o silêncio. Seu semblante parecia amargurado.

- Não, na verdade eu sei bem porque você anda enjoada assim. – Ela o mirara, não imaginando o que ele ia dizer. Até que ao olhar mais atento, entendera. Rira de forma irônica.

- Não, não... Você está enganado. Estamos viajando há vários dias, provavelmente eu devo estar com algum problema de saúde.

- Não, Elizabeth. Não adianta mentirmos pra nós. Você está grávida.

- Está enganado.

- Não estou. – Eles se olharam profundamente. Elliot parecia mais velho, talvez seu cansaço tenha sido maior do que ela tinha noção, ele estava se sacrificando por ela, não podia estar... grávida. No ímpeto, pousara as mãos em sua barriga, por um segundo imaginara qual seria a sensação, se fosse verdade, e se estivesse mesmo carregando um filho de Elliot Ryan? Seu coração solavancou fortemente, por mais difícil que fosse, a ideia lhe aqueceu o coração; porém os gestos e o provável pensamento de Elizabeth, não passaram despercebidos ao olhar de Elliot. Ele fechara os olhos fortemente.

- Isso não podia estar acontecendo. – Dissera ele, a voz quase silenciosa, baixando a face. Elizabeth sentira seu peito doer, por alguma razão, aquilo realmente doera. Ela se sentira mal, culpada talvez, já que por um instante, desejara ter um filho de quem mais amava.

- Nós fizemos, eu quis, eu provoquei você. – Ela disse, segurando as mãos do rapaz.

- Não, Elizabeth! Você não é a única culpada aqui! Eu sou bem mais velho do que você, o erro foi meu! – As palavras de Elliot estavam machucando.

- Você acha que foi um... erro?

- É claro que sim! Olhe para nós, acha que temos condições de ter uma criança? – Sua voz era forte e autoritária.

- Podemos dar um jeito...

- Como? Somos fugitivos. – Ele notara os olhos de Elizabeth se encheram de lágrimas.

- Eu não sabia que um filho pra você seria um erro.

- Não, Elizabeth. Não faz assim, não é isso. – Dizia enquanto esfregava as mãos em seu próprio rosto. Elliot não acreditava que estava mesmo vivendo aquela situação, estava entrando em pânico, e isso não ajudava em nada. – Olha nossa situação, não podíamos agora.

- Mas acontece que já está feito, não há como voltar atrás! O que você quer que eu faça? Que o tire?

- Eu não disse isso!

- Mas é o que está parecendo! Elliot, vá embora!

- O quê?!

- Vá embora! Você não quer o meu filho, portanto, não me quer também! Eu posso me virar sozinha e criá-lo. Vá embora, volte para sua vida! – Ela dissera, dando-lhe as costas enquanto caminhava pela trilha, deixando-o para trás. Elliot respirara fundo, seguindo-a.

- Pare, Elizabeth! – Ele correra, alcançando-a, puxando-a pelo braço esquerdo.

- Me solta!

- Eu não vou! Eu não vou embora, e te deixar para trás! Você acha mesmo que sou homem de não honrar com meus compromissos? Você não me conhece!

- Acho que não conheço mesmo, me solte! Está me machucando! – Estava tão desesperado que não percebera o quanto a estava apertando. Soltara de imediato.

- Me desculpe. – Pedira. – Mas eu não vou. Não vou deixá-la, está me ouvindo? Eu amo você, escolhi estar ao seu lado, escolhi te ajudar. Eu sou responsável por isso também, não se faz filhos sozinha, então também não se cria-os sozinha. Você me entendeu? – Lágrimas silenciosas escapavam-lhe aos olhos, Elliot culpara-se ao vê-la chorar, porém mais uma vez o enjoo a acometera, e ela correra dali, vomitando um pouco mais. Porém um som de cascos e roda foram ouvidos. Ele olhara em volta, um senhor de meia idade aproximava-se de charrete, parando o veículo ao avistar os dois.

- Ooop! – Gritara ao cavalo que parara de supetão.

- O que há de errado com a moça? – Indagara ele a Elliot.

- Não se sente bem. – O homem os mirara.

- Vocês são um casal?

- Sim, senhor. – Ele respondera.

- Estão indo para onde?

- Próximo a capital.

- Vocês estão longe demais, não há como viajarem com a moça mal como está. Andem, subam. – Dissera, mirando Elizabeth. – Minha mulher pode ajudá-la. Há espaço para o cavalo em meu estábulo. – Se referiu a Luck, que estava pastando na encosta. Elliot mirou Elizabeth, que o olhou de volta, sem saber se podia confiar. Ele então tomara o controle, puxando-a pelas mãos. Faria isso por Elizabeth, ela precisava de cuidados, teria que dar um voto de confiança àquele estranho que se dispusera em ajudar.