Através do Tempo

8 Abandonando Sua Patente


Elliot fechara a porta atrás de si, sentindo-se rapidamente amargurado e arrependido. Elizabeth fora mimada a vida inteira por seu pai, e talvez por isso a personalidade rebelde. Vira há poucas horas o que ninguém deveria ver na vida, e entendia e não a culpava por agir assim. Ele respirara fundo, mantendo em pensamento a ação de voltar ali mais tarde e assim o faria.

A noite chegara e ele esperara o jantar para levá-lo a Elizabeth horas mais tarde. Batera na porta e não obtivera resposta, batera uma segunda vez, uma terceira e foi então que resolvera entrar. O quarto estava com velas acesas e a menina adormecida, enrolada em suas cobertas, tão encolhida que parecera a ele que estivera com frio. Fora chegando mais perto e pode ver em seu rosto, que rastros de lágrimas ainda marcavam suas bochechas rosadas. Elliot sentara-se ao seu lado, acariciando seus cabelos levemente. Queria poder protegê-la do mundo e de todos os perigos que existiam nele, queria poder abraçá-la naquele momento e pedir-lhe desculpas por tudo, mas como faria isso? Havia um medo e insegurança incrustrados em seu ser.

- Elizabeth, precisa comer. – Dissera num sussurro, ao aproximar-se de sua orelha. – Trouxe comida.

- Eu não quero. Quero ir embora. – Respondera num fio de voz.

- Sabe que não pode, vamos, coma alguma coisa.

- Eu não quero comer. Me deixe morrer aqui. Me deixe ir para sempre... – Elliot sentira algo que não soubera racionalizar direito, um ímpeto de sacudi-la e dizer a ela que estava errada e que não podia morrer.

- Você está louca? Se você está viva, porque não deseja viver? Sabe quantas pessoas queriam essa chance?

- Eu não quero saber, porque não me importa. – Respondera sem muita emoção e ainda sem olhá-lo, com o rosto nas cobertas.

- Acha que seu pai iria gostar de te ver assim? Ele cuidou de você até aqui! E é assim que lhe retribui?

- Você está sendo rude, Ryan. – Elliot a mirara engolindo em seco, enquanto novas lágrimas silenciosas escapavam de seus olhos. – Eu estou sozinha, e isso me aterroriza.

- Você não está sozinha! Não entende? – Dissera, puxando-a do meio dos cobertores. Elliot notara que estava perdendo seu controle, quando se tratava de Elizabeth ele pouco o possuía, pois de alguma maneira ela lhe sacudia suas bases que acreditava serem sólidas. – Você tem a mim, Elizabeth! O que acha que estou fazendo aqui? – Ele a mirara profundamente nos olhos, enquanto a segurava com as duas mãos postas em seus ombros, há pouquíssimos centímetros de seu rosto, podia sentir a quentura de sua respiração. Ambos se encararam pelo que parecera longos minutos.

- Me solta! – Dissera ela, se desvencilhando de suas mãos fortes. Ele notara que estava passando dos limites, há pouco poderia ter-lhe-á beijado, mas não podia, não poderia o fazer, não naquele instante.

- Me desculpe. – Ele disse, baixando a face. – Só quero que saiba com todas as minhas forças que estou aqui pra você, por você. Eu fiz uma promessa a seu pai, disse que te protegeria enquanto vivesse e estou fazendo isso agora.

- Por quê? Porque prometeu isso a ele? – Elliot bem gostaria de lhe dizer a verdade, mas não tivera coragem, não naquela hora, não naquele momento.

- Me disse certa vez que eu fazia parte de sua família, então eu lhe digo o mesmo. – Ele levantara-se, lhe entregando a bandeja com comida uma vez mais. – Coma, por favor. – Dissera antes de ir.

Elizabeth comera, mas comera com a pulga por detrás da orelha, lhe fazendo companhia. Elliot estava diferente do rapaz que costumava conhecer em sua infância. Estava muito mais incisivo. Talvez seriam as guerras das quais havia participado? Seriam as diversas atrocidades que presenciara? Não sabia dizer, pensara, enquanto dava a última colherada de sopa.

Na manhã seguinte, Elliot se reunira com seus superiores, a fim de saber como andava o caso Philip.

- Prenderam Joseph Philip, senhor? – Indagara a um de seus superiores, que o mirara sem jeito.

- Fawkes, veja bem... A família Philip tem grande influência e os quatro irmãos vieram nos falar a respeito.

- O quê? – Elliot tentava não acreditar no que estava ouvindo, já havia entendido com aquelas poucas palavras, mas procurara em algum lugar da sua mente, uma segunda interpretação, da qual sabia que não existia.

- Fora Elizabeth, a assassina de Harold Philip, e foi isso que concluímos. – Elliot dera alguns passos para trás. – Sabemos que ela está com você, que a está protegendo. Nos entregue a moça e será melhor para você. – O jovem rapaz apertara as próprias têmporas, querendo acordar daquele pesadelo. Mordera os próprios lábios e respirara fundo.

- Que pena. Achei mesmo que vocês tivessem o mínimo de dignidade. Infelizmente esse regime de vocês, que se vendem por nada, não condiz com o meu caráter. – Ele disse, enquanto arrancara de seu peito, sua insígnia, olhando firmemente para o homem de meia idade.

- O que está fazendo?!

- Deixando vocês. Não precisam de mim, Elizabeth precisa muito mais. – Dissera, virando-se para ir.

- Elliot Ryan! – O homem lhe gritara. – Sabe que está assinando sua sentença de morte com essa atitude, não sabe? – Elliot se manteve firme.

- Não nasci pra viver para sempre. – Respondera sem se dar o trabalho de olhá-lo. Simplesmente seguira seu caminho sem olhar para trás.

Não houve discussão, não houve pedidos de reconsideração. Elliot sabia que nada adiantaria. Ele só obedecia ordens e não teria que obedecer se não servisse mais a ninguém. Agora teria de correr contra o tempo se quisesse mesmo salvar a vida de Elizabeth.

Seu pai o olhava duramente, e ambos se encaravam como dois animais selvagens prestes a se atacarem.

- Você é meu único filho. Acha que quero esse destino para você? Veja o que está fazendo com sua vida por causa dessa garota! – Exclamara em desespero.

- Por causa dela? Não, meu pai! Não é por causa dela! É por causa do que eu acredito! Eu não posso continuar servindo a quem faz de uma menina que JAMAIS matou ninguém, como culpada de um crime que ela não cometeu!

- Meu filho, nesse mundo às vezes precisamos fechar os olhos para algumas coisas. – Elliot o olhara com incredulidade.

- Não posso acreditar que estou ouvindo isso de você. Eu não estou aqui para fechar meus olhos para injustiças! Eu não sou assim! – Gritara. Elizabeth mirava tudo ali perto.

- Você vai acabar com sua vida por causa de uma mulher! Reconsidere! – Gritara seu pai de volta. – Elizabeth adentrara a biblioteca da qual os dois homens conversavam.

- Ele tem razão, Elli. Eu vou embora agora mesmo. Agradeço a hospitalidade, mas eu não posso arriscar você e sua família com problemas meus.

- E você irá para onde, Elizabeth? – Ela o mirou firmemente.

- Não importa.

- Acha que vai conseguir ir muito longe, estando sozinha?

- Eu vou viver o tempo que tiver que viver. Eu só não quero que outros paguem o preço por algo que não lhes diz respeito.

- Ouça-a! – Charlie dissera em desespero.

- Não! – Insistira o rapaz. – Você não vai a lugar nenhum sem mim! – Exclamara ele a moça, puxando-a pelas mãos, a fim de sair dali.

- Elliot Ryan! – Gritara seu pai, vendo-o sair. – Você irá morrer se continuar indo por esse caminho! – Elliot parou seus passos a olhá-lo.

- Isso é uma maldição?

- É um aviso!

- Dispenso seus avisos. Vamos, Elizabeth. – Ele apressara os passos, enquanto a puxava consigo, deixando não só seu pai, mas toda sua história para trás.

Notas finais
A história entrou num ponto sem volta, agora que a aventura começa! *Esse desenho achei lindo demais, parece uma pintura, resolvi trazer pra vcs! ~ a fã de I.A. ~ créditos do Bing pela linda criação! (っ◔◡◔)っ ♥