Através da Renegada

7 Capítulo 7: A Dinastia Imperium


Notas iniciais
Olá!

Branca deu as costas à sua mãe e tia quando elas começaram a brindar com um champanhe centenário que Morgana, segundo a própria, guardava para ocasiões especiais. Aquela construção antiga de pedras onde sua tia vivia era enorme, e Branca se assustou quando viu salas com grades e caixotes enormes com cadeados. Gatos pretos zanzavam para todos os cantos, a princesa ainda não tinha conseguido contá-los. Lareiras acesas, tapetes de pele de animais, quadros sanguinários. Aquele covil era assustador. Mas felizmente Branca estava alocada num quarto agradável com uma grande cama de casal com tecidos finos e um guarda roupa alto cheio de vestes quentes e escuras. Branca olhava-se em frente ao espelho, trajando agora uma longa saia comprida negra que deixava apenas seus pés à mostra calçados em sapatos fechados. A princesa usava uma blusa também preta bastante colada e com mangas compridas com detalhes trançados ao longo delas. Seu rosto estava limpo sem nenhum machucado devido a uma poção que Morgana fez para ela. Seu cabelo dourado começava a crescer, e passar dos seus ombros.

Branca estava irritada. Consigo mesma, com sua mãe, com sua recém descoberta tia, com todo mundo. Levantou os punhos e estava pronta para socar o espelho, mas apenas o cobriu com um pano. Ela não aguentava mais seu próprio reflexo. Há pouco tempo era princesa, quase uma rainha. Ainda era princesa, mas jamais chegaria a ser majestade. Branca sentou-se na beira da cama e cobriu o rosto com as mãos, soltando um longo suspiro.

— Por que aquele livro me trouxe aqui? — Branca sussurrou para si mesma.

Então, lembrou-se de Devon.

Antes que pudesse martirizar-se pelo rapaz, ouviu um barulho vindo da sala. Na verdade, do centro do covil onde ficava o grande caldeirão e as aterrorizantes prateleiras de livros e poções de Morgana.

— Coloca a gente no chão! — gritou uma voz conhecida.

Branca correu para fora do seu quarto e percebeu que aquele lugar era confuso o suficiente para ela se perder, desceu uma estreita escada de pedra que se lembrou de ter subido antes e entrou em dois quartos escuros por acidente, até que finalmente chegou à sala iluminada por velas e com um caldeirão que agora se encontrava sobre lenhas queimadas, sem fogo. Morgana e Alexa estavam com as mãos articuladas como garras e seguravam no ar duas garotas, Avalon e Rubra. Branca levantou suas sobrancelhas num susto e num impulso quase gritou, mas manteve-se quieta, controlando sua respiração silenciosamente.

Morgana e Alexa estavam de costas para Branca, ninguém a viu com exceção das garotas. Alexa levantava Avalon e Morgana, Rubra. Havia uma mochila sob os pés das meninas, com garrafas, um livro e embrulhos prateados derrubados. Até uma faca enorme e afiada encontrava-se ali. As salvadoras de Scarlet estavam perdendo o ar.

— Mate-a. — disse Alexa para Morgana enquanto rangia os dentes e apertava seus dedos.

Branca assistiu as garotas contorcendo-se no ar. Alexa apertou o pescoço de Avalon com mais força. A rainha gemeu no ar. Morgana repetiu o ato com Rubra. A fada vermelha forçava-se a não demonstrar a dor. Branca apertou sua nuca e deu alguns passos pra trás, sentindo sua respiração acelerar, seu olhar encontrou o de Avalon e durante dois segundos ela sentiu sua prima implorar.

Branca fechou os olhos e ouviu a risada de sua mãe. Então os abriu e caminhou sem fazer barulho até aproximar-se de Morgana e Alexa. A princesa ergueu as mãos e deixou o gelo envolvê-las, quando elas estavam parcialmente congeladas ela as repousou nas testas de Morgana e Alexa.

As irmãs desmaiaram no mesmo momento. Avalon e Rubra caíram no chão e apagaram também. Branca recolheu suas mãos e as esquentou em seu pescoço, ficou por fim observam aos corpos caídos e desacordados aos seus pés.

***

Longos minutos se passaram até que Branca tivesse conseguido arrastar os corpos desacordados de Avalon e Rubra pela casa de pedra, e enfim prendê-las numa das celas enferrujadas e mal cheirosas de Morgana. Assim feito, a princesa retornou até a sala do caldeirão e ligou o fogo dele, pegou algumas ervas de chá e misturou-as com água fervente, mexeu com cuidado e deixou ferver mais um pouco. Pegou uma chaleira de metal que achou entulhada em uma das prateleiras e tirou a poeira dela. Apagou o fogo do caldeirão e com uma funda concha de madeira, encheu devagar a chaleira. Um bom cheiro de chá dominou a casa até onde conseguiu.

Morgana abriu os olhos devagar, vendo tudo embaçado e sentindo sua cabeça latejar profundamente. A primeira coisa que vi foi uma silhueta borrada e notou ser a de sua sobrinha enchendo xícaras de chá. Ela levantou-se sem dificuldade e observou o corpo ainda desacordado de Alexa no chão.

— Não tem medo de mexer com plantas de bruxa, Branca? — a voz grave de Morgana soou.

Branca apertou a segunda xícara que enchia e sentiu um arrepio em sua espinha. Virou-se para sua tia devagar.

— Bruxa? — a princesa perguntou.

Morgana soltou risadinhas espirituosas. Branca a observou detalhadamente, o cabelo cheio, encaracolado e dourado, bem longo até depois da cintura, sujo e quebradiço. Os olhos verdes como os de Clarissa. A pele tinha marcas, não de velhice, mas marcas feias e desgastadas, sinais claros de magia negra. As unhas longas e pontudas, sem cor alguma. Morgana não era agradável de olhar.

— O que você acha que eu fiz, minha querida? — Morgana questionou enquanto esticava seu braço para pegar uma xícara de chá. — Fui expulsa, perdi meus poderes, fui deserdada, ah, vida cruel.

A bruxa deu um sorriso escárnio e logo em seguida bebericou o chá.

— O que a senhora fez para ser escorraçada? — Branca indagou com receio.

Morgana soltou um suspiro e negou devagar.

— Foi uma infelicidade, minha sobrinha, que não vem à questão. — ela disse entre bebericadas do chá. — O ponto é: eu precisava me reinventar! Enquanto eu vivia em Scarlet estudei sobre muitas coisas, sobre todas as criaturas, eu tinha certeza que o trono era meu, queria então estar pronta. Mas eu estava errada, a coroa não era minha. Mas conhecimento é poder, querida Branca.

Aquela casa – caverna seria mais apropriado de dizer – tinha acabado de ser tornar mais gelada. Branca ouvia atentamente as palavras de sua tia e de vez em quando se arrepiar ou sentia uma brisa desconfortável passar.

— Quando expulsa, eu sabia tudo o que precisava para recuperar meu poder de forma indireta. E isto eu fiz, a bruxaria é uma salvação. — a bruxa disse com suavidade e repousou a xícara de chá. — O que você fez com as invasoras?

Branca pigarreou.

— Eu as prendi. — a princesa disse, apertando as mãos. — Seria burrice matá-las. A rainha e a fada do coração de diamante podem...

A princesa se interrompeu quando notou a expressão em choque de Morgana.

— Ser importantes em algum momento. — Branca completou com a voz baixa.

A bruxa num primeiro momento ficou indecifrável, com o rosto tenso e os olhos levemente estreitados. Depois, gargalhou e bateu palmas, extasiada. Branca ficou confusa e não sabia como reagir.

— A fada do coração de diamante está confinada na minha caverna! — Morgana gritou. — Isso é muito mais do que eu poderia desejar!

Alexa gemeu no chão, abrindo os olhos com dificuldade. As grandes pupilas verdes escuro exalaram ódio quando ela se levantou. Olhou sua filha e depois sua irmã.

— Onde estão aquelas garotas?! — Alexa rugiu com o olhar vago e levemente atordoado.

Morgana revirou os olhos. Branca apertou a saia com força.

— Você é uma estúpida, Alexania. — a bruxa disse com impaciência. — Como você iria matar a fada do coração de pedra? Você não entende?!

Branca nunca tinha ouvido ninguém chamar sua mãe pelo nome completo, cada vez mais se assustava com a existência de Morgana. E não fazer ideia do que ela estava falando em relação à Rubra, também não a acalmava.

— Você não pode usar o coração dela para vitalizar o seu espelho. — Alexa a contrariou com firmeza.

A princesa ergueu as sobrancelhas e soltou uma risada incrédula.

— Você tem um espelho? — Branca indagou boquiaberta.

Morgana passou o dedo indicador pelo lábio inferior enquanto olhava de Alexa para sua filha. Então, sorriu e soltou uma gargalhada contínua e assustadora.

— Admito que eu levei mais tempo que o esperado para encontrar a... Como posso chamar? Fórmula mágica? Sim, isso. — a bruxa começou a dizer. — Encontrei-me com criaturas do pântano de Scarlet, estive nas cavernas mais sórdidas da floresta daquele lugar! Estudei os componentes daquele belíssimo espelho que vive no palácio de gelo!

Branca observava cada movimento de sua tia Morgana, como se a estudasse com a concentração de quem vai fazer um teste. Alexa servia-se de chá, silenciosa, e com os ouvidos atentos.

— Minha ambição era uma arma que não poderia ser tirada de mim. Eu li livros e mais livros, e nada me respondia. Em uma das minhas expedições busca de saberes, conheci uma velha bruxa que me deu um grimório centenário, ele contava histórias sobre várias dinastias de bruxas e uma me chamou atenção: a dinastia Imperium, de bruxas artesãs! Bruxas já são comumente conhecidas por criarem objetos encantados, porém havia aquelas com o talento mais expressivo, tais quais nasceram para darem forma a objetos mágicos. Empenhei-me em descobriram quem eram as bruxas Imperium. — Morgana contava com emoção.

A dinastia Imperium era inicialmente composta de três bruxas – trigêmeas: Ayla, Hélia e Jasmine. – que viveram na era de Eleonora Cleveland e fizeram parte da civilização dos primórdios de Scarlet. Elas eram filhas de um grande mago, Ares Imperium e de uma poderosa bruxa, Magda Imperium. Ares e Magda criavam as mais formosas invenções encantadas como bolas de cristal e o mecanismo das cortinas de fumaça que funcionariam para bruxas conseguirem se comunicar entre si em qualquer lugar da terra de Scarlet, posteriormente essa ferramenta auxiliaria bruxas patronas a se comunicarem com o povo scarletiano mesmo estando no mundo real.

No grimório dizia que Ares teve uma quarta filha com um ser de fora das fronteiras de Scarlet. O livro das bruxas descrevia o ser como gelado e das profundezas. Rapidamente busquei pelo livro da geografia do mundo encantado e bingo! Ares só poderia ter se envolvido com uma sereia fria do Mar de Rosetta, localizado no Vale Flumine, após a fronteira norte de Scarlet. As sereias frias são as criaturas mais subterrâneas do mar e têm a temperatura corporal mais baixa que a das outras sereias e seres aquáticos, comparando-se até mesmo com a intimidade dos Invictus com o gelo.

Ayla, Hélia e Jasmine foram responsáveis pela criação mais revolucionária do mundo encantado: o espelho de névoa que permitia a viagens interdimensionais. As trigêmeas viviam em harmonia em Scarlet, após a morte dos seus pais, e elas mantinham frequente contato com Aura, sua irmã bastarda – a sereia fria – que vivia no mar de Rosetta. Aura possuía as habilidades com gelo naturais das sereias geladas e também o talento de criar objetos naturais da dinastia Imperium. Considerando ser o justo, Aura mandava suas criações de presente para a família real de Scarlet, assim nasceu as Correntes de Aura, arma Invictus, e o diadema de gelo pertencente ao legítimo dono do trono e que traz consigo o poder de revitalização da terra onde ele é sagrado, entretanto a partir do momento que o diadema representa a soberania sobre Scarlet, ele representará a energia motriz deste lugar.

A dinastia puramente Imperium se prolongou até muito recentemente, mas acabou ao esvair-se sua última descentemente: Úrsula Imperium.

Eu quase me desesperei até que o meu conhecimento exemplar de criaturas encantadas me despertou. Sereias frias vivem mais que qualquer outro ser encantado, e foi aí que eu ultrapassei a fronteiras de Scarlet atrás de respostas.

Eu sabia que para chegar ao Vale Flumine e enfim ao Mar de Rosetta, eu deveria atravessar a longa floresta de pântanos que fazia fronteira entre Scarlet, Flamma – a Terra de Fogo – e o Vale Flumine. Flumine ficava ao norte, então segui; Quando enfim terminei a difícil travessia, deparei-me com uma terra montanhosa, com muitas árvores frutíferas, campos cheios de borboletas, diversas depressões e planaltos. Bem ao centro, vi o Mar de Rosetta, totalmente branco, parecia um grande pote de leite, e minha vista não alcançava seu fim: ele não tinha, afinal. Ao tocar nas incomuns águas daquele mar, eu o senti gelar e de repente uma criatura aquática submergiu.

— O que fazes aqui, scarletiana? — a criatura me olhou com aversão e ergueu sua cauda.

Era uma sereia e sua cauda estava apontando para mim como se fosse afiada e pudesse me degolar. Eu fiquei alguns instantes calada.

— Sou uma aventureira. — eu falei e não era exatamente uma mentira. — Vim em busca dos...

— Deixe imediatamente os arredores do Mar de Rosetta. — disse a sereia. — Você não é bem vinda aqui.

Eu franzi minhas sobrancelhas e levantei devagar.

— Mas eu não fiz nada de errado. — argumentei com tranquilidade.

— O mar repele você, filha do ar. — disse a sereia contundentemente. — Não há nada aqui para você.

Eu assenti em silêncio e pus minhas mãos pra trás, começando a andar de costas. A sereia me observava detalhadamente. Levantei minhas mãos devagar e uma fumaça avermelhada, variando para laranja a rodeava. A sereia exclamou e antes que ela pudesse mergulhar eu a ergui no ar, não muito longe da água.

— Como ousas?! — a sereia gritou com o ar falhando em seus pulmões.

A bela cauda azulada da criatura marinha começou a transformar-se em pedra. De segundo em segundo, a sereia sentia seu corpo virando pedra. Ela me olhou nos olhos, cheios de lágrimas.

— Eu quero ver Aura, a sereia fria! — berrei enquanto travava lentamente o processo de petrificação.

A sereia contorceu-se no ar e eu conseguia senti-la sofrer sem poder respirar. Descobri naquele instante que elas são como peixes: não podem ficar fora da água. Sem agüentar, a sereia soltou um grito agudo, estranhamente agudo. Fui obrigada a soltá-la para tapar meus ouvidos. Caí ajoelhada e meus ouvidos sangravam. Quando levantei minha cabeça notei o sangue em minhas mãos e uma nova criatura à beira do mar. Ela tinha o rosto redondo e a pele negra reluzente ao sol, seus olhos traziam a cor verde e seus cabelos eram brancos como o mar que nadava. A criatura trazia consigo um tridente de gelo e enfim vi sua cauda emergir: era também de gelo, mas não parecia quebrável ou volúvel.

— Por que incomoda o Vale Flumine, scarletiana? — sua voz soava ainda menos simpática que seu rosto.

Levantei-me e me afastei devagar.

— Aura? — questionei.

— Quem quer saber? — ela replicou.

Tomei postura.

— Morgana Cleveland, princesa de Scarlet. — eu respondi.

A sereia soltou um sorriso debochado.

— Desprazer, princesa. Sou Aura. — ela respondeu antipática. — O que quer aqui machucando meu povo?

Aproximei-me.

— Quero os segredos das trigêmeas Imperium, suas irmãs, para a criação do espelho de névoa. — fui sincera.

Aura soltou uma risada seca de descrédito.

— Não. — ela virou as costas para mim e preparou-se para imergir nas águas brancas.

Aquele ato me imbuiu de ódio e eu ergui meu braço direito em direção aos céus.

— Irá se arrepender, Aura. — falei áspera.

A sereia virou-se devagar e me observou.

— Irei? — ela arriscou.

Eu não respondi. Joguei devagar minha cabeça pra trás e concentrei-me na ponta dos meus dedos, as mexi no ar e uma tempestade foi chamada. Mas não era isso que eu queria. Chegaram os raios enfim. Um caiu sobre meus dedos e dispersou-se pelos cincos. Respirei fundo e controlei a energia natural que eu recebia. Uma luz verde musgo subiu do meu tronco pelo braço, até a ponta dos meus dedos. Voltei com a minha cabeça para a posição normal e encarei Aura que me observava agora com receio. Segurei com força a eletricidade verde em minha mão direita, e fiquei apertando-a como se a modelasse.

— Envenenarei Rosetta com um suspiro se você não me contar como construir o espelho. — ameacei.

Aura ficou quieta olhando me observando. Caminhei lentamente até a beira do Mar de Rosetta com a energia esverdeada e doente pulsando em minha mão. Estirei meu braço sobre o mar.

— Um, dois...

Os raios verdes escureciam e começavam a pulsar na ponta dos meus dedos, querendo saltar deles. Um desses raios quase tocou a superfície do mar branco, mas como um elástico voltou ao meu dedo.

— Está bem! — gritou a sereia fria. — Eu lhe conto, mas já adianto: não será possível construir um funcional ao menos que você tenha uma grande fonte de energia encantada para fazê-lo funcionar.

Aquilo quebrou minhas expectativas, mas não demonstrei.

— Apenas diga. — fui sucinta.

Sob ameaça, Aura me contou tudo.

Branca não tirava os olhos de Morgana em nenhum segundo, ouviu toda a história com muita atenção. Alexa fingia desinteresse, mas na verdade sentia-se medíocre comparada à grande irmã Morgana.

— Encontrei todos os objetos e já sabia como construir o grande feito das irmãs Imperium. Mas sabia que não poderia fazê-lo em Scarlet, então eu fugia para o mundo dos mortais e aqui, bem aqui nesta caverna, eu tentava construir meu próprio espelho de névoa. O que me foi muito útil, pois comecei a montar esse arsenal de livros bruxos e potes de poções caso precisasse. — finalizou Morgana. — Quando eu fui expulsa, já tinha tudo o que precisava para me tornar uma bruxa de verdade e também retornar pela minha vingança. Bom, tenho tudo agora.

Alexa limpou a garganta.

— Acredita que o coração da fada vermelha pode vitalizar o seu espelho? — a mulher dos olhos verde musgo indagou.

Morgana suspirou enquanto dedilhava por sua prateleira empoeirada de livros.

— O coração de diamante é uma energia que circunda o ser que a possui e é por isso que o hospedeiro não pode ser atingido por feitiços. A aura do coração funciona como uma barreira. — explicou a bruxa. — Ou seja, o coração de pedra é pura energia, querida irmã.

Alexa concordou em silêncio e a sala ficou quieta. Branca perguntava-se se Avalon e Rubra já teriam acordado e notado que estavam dentro de uma cela. Ainda sem dizer nada, Branca andou para fora da sala devagar e antes de sumir por mais um corredor estreito virou-se para as duas mulheres mais mórbidas que já conheceu.

— Rubra morrerá? — a princesa branca perguntou com a boca quase fechada.

Alexa suspirou com satisfação e um sorriso montou-se em seus lábios vermelhos.

— Definitivamente. — Morgana disse leviana enquanto passava os dedos sobre a lâmina de uma longa faca que estava na bolsa das intrusas.

Branca não disse nada, apenas tomou o rumo do longo corredor. Ela já sabia que não iria conseguir dormir.

Notas finais
Muito obrigada por ler ♥