Atração Fatal
30 Capitulo 29 - Devolva o meu Bebe
Notas iniciais
POV NICO
– Por Hades, que faixa é essa na minha cabeça? – disse com a voz fraca enquanto apalpava a faixa que cobria parte do meu rosto.
Demorei um pouco pra associar o que tinha ocorrido. Levantei com pressa e percebia que parte do meu tórax e meu braço esquerdo também esta enfaixado, não sentia dor física, já que ela esta concentrada em meu interior.
Olhei ao redor e não encontrei Gale, fiquei desesperado. Pulei da cama e andei pelo hospital, não sei o que tinha acontecido após eu viajar nas sombras com Gale nos braços, só acordei aqui.
– Fique calmo – disse uma voz feminina atrás de mim. Uma enfermeira que mais parecia uma vovozinha daquelas cheias de açúcar tocava as minhas ataduras e sorria gentilmente.
– Onde... Onde está meu filho? – perguntei tentando não chorar.
– Ele está na enfermaria – ele disse acariciando a parte não enfaixada do meu rosto. Uma onda de terror invadiu o meu corpo e eu comecei a chorar – Ele está bem, não aconteceu nada a ele! – ela completou como se pudesse sentir o que estava ocorrendo no meu coração.
– Posso vê-lo? – murmurei e ela assentiu.
Caminhamos em silencio, o silencio que me fez imaginar coisas terríveis com Leo.
Não sabia o que tinha acontecido com ele, simplesmente Leo agrediu a mim e ao bebe, o filho dele! Com a minha mão não enfaixada passei a mão pelo meu corpo que tinha curativos.
Um pouco mais a frente acabei dando de cara com uma janela espelhada e vi como estava machucado.
Fiquei me encarando por alguns minutos até a vovó de açúcar abrir a porta de uma sala lateral, fazendo um sinal para que eu entrasse ali.
Caminhei e encontrei Gale dormindo tranquilo, uma bola de preocupação de desfez e me permiti deixar soltar mais algumas lagrimas. O peguei no colo, levantei a cabeça para agradecer a enfermeira, só que ela não estava mais lá.
Sentei em uma das cadeiras que estavam ali e acidentalmente bati o cotovelo que estava queimado, xinguei em grego antigo e quase acordei o bebe.
– Esse é o bebe? – murmurou uma voz a minha vez.
Não precisei levantar os olhos para saber quem estava ali, choques eletrificaram a minha alma e minhas pernas tremiam, graças aos deuses estava sentado, senão poderia ter caído com Gale nos braços. Jason entrou na sala e ficou na minha frente, levantei a cabeça até meu olho não enfaixado encontrar o dele.
– Por quê? – perguntei – você e Percy somem, deixa nós dois sozinhos e quando tentamos reconstruir a nossas vidas vocês aparecem do nada!
– Você apareceu na porta do hospital, queimado... I-imaginei o que poderia ter acontecido. – ele murmurou
– Onde ele está? – eu perguntei com a voz falha.
– No quarto com a mãe dele, ela acabou de ter um bebe – ele explicou.
Percy aquele maldito, havia me abandonado, e agora... agora imaginava que podia voltar e acabar com tudo assim sem mais nem menos?
– Posso segura-lo? – ele perguntou com a voz tremula.
Recuei ainda mais, evitando que ele tocasse em no bebe.
Definitivamente Gale era meu filho com Leo. Jason foi só mais um acidente genético.
– Por favor... – ele implorou estendendo os braços. Sabia que eu não podia afastar Jason dele, então com cuidado coloquei o bebe em seus braços.
Assim que Gale dormia junto ao peito de Jason, que chorava imaginei em quanta coisa havia perdido nessa vida. Como sempre estava sozinho.
Tudo começou quando Bianca entrou para as caçadoras, morrendo logo em seguida. Pela rejeição de anos de Percy e quando finalmente ficamos juntos o pai dele nos proibiu de namorarmos. Quando resolvemos as nossas diferenças a missão da completamente errado e ele acaba caindo no rio estige, me deixando só. Levanto a cabeça e tento uma nova vida com Leo e Gale, meu namorado e meu filho, Jason aparece e estraga com tudo, Leo fica perturbado e quase nos mata. E como se não bastasse isso depois de superar e aceitar a morte de Percy ele volta e nem sequer se preocupa em saber se eu estou bem.
Nunca fui uma pessoa feliz, nuca fui digno da real felicidade. E agora olhando Jason segurar meu filho (que por um erro do destino foi fecundado com o espermatozoide dele) consigo entender a real lógica disso tudo.
– Prometa que vai ficar longe de Leo e do bebe – sussurrei com a voz acida.
– Como? – perguntou ele assustado
– Sabe, eu e Leo não somos brinquedos. Temos sentimentos e você nem Percy levou em consideração isso. Não pense em se aproximar da minha família, que eu... Eu mato você – disse, Jason recuou dois passos e eu estendi os braços para que ele pudesse me dar Gale novamente, assim que estiquei o braço machucado a dor tomou conta do meu corpo, mas ignorei e tomei novamente a minha postura.
– Eu amo Leo... A-acho que vou lutar por ele – ele disse contraindo ainda mais Gale do peito.
– Me da o meu filho – disse entre os dentes. Por um momento pensei que ele iria sair correndo pela porta.
– Ele é meu filho – respondeu Jason.
Estava prestes a agredi-lo, só não fiz, porque Gale estava com ele. Como ele podia fazer isso comigo? Arrancar tudo que é meu? primeiro Percy por causa da briga deles, depois Leo que quase me matou vivo e agorra... Agora o meu filho.
– Devolva a criança Jason – disse uma voz por cima do ombro dele.
Aquela brisa marítima invadiu as minhas narinas e fez o meu coração se apertar.
Percy entrou no quarto e ficou ao lado de Jason. A surpresa veio imediatamente assim que ele viu os curativos que encobria a parte superior do meu corpo, ele levou à mão a boca e privou um soluço e seus olhos marejaram.
– Nico – ele sussurrou, seu corpo se moveu ao meu encontro, ele acariciou os meus cabelos e a única coisa que eu fiz foi virar a cara.
Fui frio da mesma forma que fui todos esses anos.
– Meu filho por favor – murmurei passando por ele.
Jason relutante colocou Gale nos meus braços acariciei a sua cabeça e beijei a sua testa, jurando que esse seria o ultima vez que estaríamos separados outra vez.
A ultima.
– Deixe-nos em paz – disse com um tom de ameaça.
Sai dali e caminhei pelo hospital, nem ao menos sabia que quarto eu estava. Andando distraído acabei trombando com a enfermeira vovó com açúcar.
– Posso ir embora? – perguntei evitando as lagrimas.
– Claro, vida de semideus não é fácil! Ficara curado logo, mas terá cicatrizes – ela disse e eu assustei quase deixando o bebe cair.
– Semideus? – murmurei
– Sou filha de Venus, creio que já é hora de voltar pra casa – ela respondeu e continuou a fazer o que estava fazendo.
A ignorei e viajei nas sombras. Fui pra minha casa.
A casa de Leo.
Fale com o autor