Atração Fatal

15 Capítulo 15: I Can't Make You Love Me


Katniss se trancou no quarto. Tinha quase certeza do que se passava ali e não queria que alguém descobrisse algo. Na verdade temia que alguém em especial soubesse de tudo. Sentia uma coisa dentro de si, como se algo muito ruim estivesse prestes a acontecer. Balançou a cabeça espantando os pensamentos.

Katniss estava na sala de casa. Era uma noite chuvosa, assustadora, só se percebiam os fortes pingos de água caindo do lado de fora. A lareira quente a aquecia e ela tomava um chocolate quente, como sempre fazia nessas épocas. Não sabia sobre Peeta, Annie, ou outro alguém. Todos haviam sumido.

E de repente, ouve-se passos se aproximando.

Annie estava grávida, ela sabia disso. A garota tinha uma barriga enorme antes de sumir. Sobre os passos, Katniss virou o rosto, vendo a barra de um vestido preto. Uma mulher entrava na sala lentamente, era desconhecida e só usava trajes escuros. Não tinha expressão.

Nos braços, algo enrolado num lençol preto. O rosto dela não era totalmente estranho, os traços eram delicados e tinha os cabelos brilhantes.
Katniss se levantou olhando na direção a mulher que não falava nada.

Onde será que Peeta se meteu? Pensou já preocupada.

Katniss timidamente puxou o pano preto no braço da moça misteriosa, revelando um anjinho. Primeiro, ela riu ao vê-lo e depois colocou as mãos sobre a boca, se afastando assustada.

O bebê estava morto. Completamente morto.

— Vai se chamar Andrew. Andrew Mellark- a moça misteriosa dizia passando as pontas dos dedos no rosto da criança.

Katniss estava apavorada. Ele estava morto, como aquela mulher não sabia disso? Quem era aquele bebê? E Annie? A mulher loira cantava uma canção de ninar ao falecido. E Katniss procurava fugir dali, precisava fazer isso.

Aquela mulher era louca, totalmente louca.

— Kat? — a Everdeen acordou num salto. Annie ria a sua frente. Então, já havia amanhecido — Você está suando.

— Estou?- Katniss passou a mão no rosto. Acabara de ter o pior sonho de sua vida e não sabia nem como explicar — Ah Annie...Me desculpe se não acordei antes para fazer o chá.

— Não se preocupe, eu fiz por conta própria. E trouxe um pouco para você — Annie lhe ofereceu uma xícara. O chá dela não estava tão ruim, na verdade, estava tão bom, tanto que Katniss bebeu com pressa, ignorando a temperatura elevada da bebida — Calma Kat...Isso tudo é porque o Peeta volta hoje?

— O que disse? — a garota quase engasgou, não se lembrava desse detalhe — Ele já melhorou?

— Gale foi buscá-lo... e eu te trouxe isso — Annie entregou um pequeno macacão a amiga. Era amarelo, já que não sabiam o sexo do bebê. Mas tinha sido feito por ela com muito carinho — Isso é para o seu bebê.

— Hum...obrigada, Annie. Só que o bebê sempre vai ser seu, só sou a mãe de coração dele- falou largando o chá e analisando a minúscula roupa

— Não. Estou falando do seu bebê... o seu filho de sangue — Katniss a olhou confusa, desconfiando do que ela realmente queria dizer.

— Como assim?

Annie deu um sorriso forçado, como se tentasse esconder a tristeza dentro de si.

— Eu devia saber...você é casada, não devia ter aceitado nada. Você não tem culpa, Kat — Katniss permanecia desconfiada — Eu já sei...parabéns pela nova família.

— O que quer dizer, Annie?- Annie apontou para a barriga da amiga tristemente, fazendo a garota tocá-la. Katniss respirou fundo, desejando que aquilo não estivesse acontecendo.

— Eu ainda não sei como, mas vou fazer algo. Parabéns, Kat...você será mamãe de verdade — e ela saiu do quarto silenciosamente.

Katniss, ainda parada na cama, tentava organizar todas aquelas informações em seu cérebro. Macacão amarelo, a volta de Peeta, o pesadelo, a mulher de preto, os diversos enjoos dias atrás, o acordo com Annie, o bebê morto...Gravidez.

Ela estava grávida. Depois de tanto pedir, ficava grávida logo numa hora dessas. E agora? O que parecia estar perfeito, acabou num piscar de olhos.

Já Annie fingia estar feliz, pois com a gravidez da amiga não havia mais como continuar. Pelo menos Katniss não mentiria mais ao marido e não se arriscaria mais.

Katniss resolveu levantar, indo direto para o banheiro. A água da banheira estava quente, ótima para relaxar. Ao fechar os olhos, a primeira imagem que viera a sua cabeça foi a mulher de preto. Se lembrava de alguns traços dela, não eram feios.

Katniss sentiu algo na espinha, algo fervendo que até fazia seu coração explodir. Ela reconheceu aos poucos os olhos, a boca, o nariz, o pequeno sorriso...

Abriu os olhos. Abriu e correu para fora da banheira imediatamente.

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— Isso não é pra mim, certo?- Gale falou brincando ao ver o irmão com um buquê de rosas.

Os dois haviam chegado finalmente na mansão. Peeta correu para escolher as rosas, eram bonitas e agradaria Katniss. Tudo que ele menos queria era perder seu filho. Na outra mão, um presente ao bebê. Mas era surpresa ainda, nem ao menos seu irmão sabia.

Gale resolveu sair do seu caminho, ciente de que Peeta procuraria imediatamente por Katniss e os dois precisavam de um tempo sozinhos.

Peeta entrou dentro do lugar, notando como estava tudo silencioso, o que era muito estranho já que estava de manhã. Pensava em chamar Katniss, mas talvez ela ainda estivesse dormindo. Pensou em ir até lá e fazer uma surpresa.

Já Gale, que andava tranquilamente do lado de fora da mansão, paralisou ao perceber um movimento ali. Uma espécie de carruagem se aproximava e logo depois uma mulher bastante elegante subia as escadarias e sumia para dentro da casa.

Seu coração acelerou e ele sabia que tinha que impedir a entrada dela, logo.

— Temos visitas, Mr. Mellark- um dos empregados avisava do lado de dentro. Peeta bufou, pensando que não precisava de visitas por agora.

Ele estava próximo das escadas, quando ouviu os passos. Passos, que por incrível que pareça, ele conhecia muito bem. Uma figura apareceu no enorme cômodo com o seu famoso sorriso angelical.

Era ela.

Peeta deixou tudo que tinha nas mãos cair, seu rosto não tinha expressão alguma. Ela estava ali, o Mellark até piscou umas vezes, mas ali estava...Mais linda do que nunca. Ele não deixou de colocar os braços em volta dela ao vê-la correr até ele. O cheiro continuava o mesmo e Peeta sorriu enquanto fechava os olhos.

— Me desculpe, amor...eu senti tanto a sua falta! — e a garota grudou seus lábios com os dele, mesmo sabendo que aquele não era bem o lugar adequado.

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Katniss correu para se vestir, precisava contar a alguém sobre o seu sonho. Ela sentia que algo muito ruim estava para vir. Enquanto colocava o vestido, deixou sua mão pousar sobre o ventre e sabia agora sim sentia a liberdade de falar que ali tinha um a criança. Sorriu e ouviu um barulho vindo do andar debaixo, imaginando que Peeta havia chegado.

Ela gostava da ideia de ter um filho, amava as crianças. Começou a descer as escadas, sabendo que era o marido do andar debaixo. Mas havia outra pessoas ali, uma pessoa que ela temia. E Katniss teve que se segurar para não cair.

— Peeta, você...- Gale chegou desesperado fazendo o casal reparar na presença de mais duas pessoas ali. Katniss controlava o choro, contendo-se para não se rebaixar agora.

— Já disse para não gritar aqui dentro — Peeta dizia sério, como sempre foi. Katniss percebeu um buquê no chão, só que seu olhar foi parar no braço daquela mulher que agarrava Peeta ao lado dela.

Glimmer era a mulher do sonho. A mulher que carregava o bebê morto. Ela olhou para Katniss, a encarando do fio de cabelo até a barra do vestido e depois se agarrou ainda mais a Peeta, como se aquele fosse uma propriedade dela. E o pior de tudo era que ele nem se importava.

— Você é...? — Gale a interrogou mesmo sabendo quem era.

— Glimmer Fontaine — disse com um sotaque francês. Isso irritava os ouvidos de Katniss — Prazer, Mr. Mellark.

— Hum...-Gale só conseguiu soltar esse som. Conseguiu alcançar Katniss quando a mesma já tinha terminado de descer as escadas e no mesmo instante já agarrava o braço da garota como proteção.

E como se tudo não pude ficar pior, Madge também os encontrava ali.

— Kat, sabia que... — Madge deixou algo cair no chão. Ela vivia costurando roupas para o bebê e em suas mãos havia mais uma peça. A garota se aproximou da irmã, reconhecendo aquele rosto que causava brigas na casa e que não era nada bem vindo.

— Veio da França até aqui? É uma viagem muito longa- Gale xingava a si mesmo mentalmente. Essas frases eram ridículas.

— A viagem de trem é cansativa, mas eu sempre gosto de conhecer novos lugares — Glimmer deu um sorriso falso a Katniss. Gale avisou Madge pelo olhar para que a retirassem dali e foi o que ela fez, puxando a Evedeen para além do corredor.

— Peeta...Leve-a a um outro lugar, por favor- Gale avisava já incomodado. Não queria ser rude, mas por ele mesmo levaria Glimmer para fora dali naquele momento.

— Glimmer ficará onde eu quiser — Peeta anunciou e a mulher ao seu lado sorriu vitoriosa

Ela já sabia por onde começaria. E seria dando um belo destino para aquela brilhante aliança no dedo de Peeta.

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— Por que não me avisou que viria? — os dois entraram no escritório de Peeta assim que Gale resolveu sair do caminho . E assim que o Mellark trancou a porta, Glimmer voltou a se agarrar a ele.

Fazia tempo que aquilo não acontecia, o modo como eles se beijavam era feroz. Como verdadeiros amantes. A boca da garota já estava até vermelha, enquanto ela continuava dando aquele sorriso sedutor e o puxando pela gravata.

Nesse momento o mundo lá fora não existia, Katniss muito menos, ela não era absolutamente nada. Glimmer tinha algo que o fazia esquecer. Só que ele, por um momento, não sentiu aquela vontade como antes, tanto que quando ela o puxou mais uma vez, Peeta se afastou rapidamente tentando arrumar a gravata no lugar.

— O que foi, bebê? Fiz algo de errado? — Glimmer perguntou mexendo no cabelo dele. Peeta revirou os olhos.

— Não...só não me sinto confortável em fazer isso...Aqui – disse não deixando que ela voltasse a tocá-lo.

— Entendo... e sobre a pergunta de antes, eu gosto de fazer surpresas — Glimmer deu um sorriso malicioso que por um momento o fez rir.

— Você conseguiu me surpreender, como sempre.

Eles riam como verdadeiros cúmplices, porém, mal sabiam que alguém não estava nada bem no andar de cima.

— Meu bebê se machucou, deveria ter vindo antes — ela tocou o braço enfaixado dele. Peeta revirou os olhos, demonstrando o quanto odiava esse apelidinhos — Eu teria cuidado muito bem de você.

— Eu tenho um nome, Glimmer.

— Ah sim...Mr. Mellark— Glimmer começou andar de um lado para o outro no cômodo, observando todos os objetos dali — Mr. Mellark...isso soa bem aos meus ouvidos.

Peeta acompanhou seus movimentos somente com o olhar.

— Desde que foi embora, só há neve em Paris. O ar é triste e eu sinto a sua falta. Sei que não sou bem vinda aqui mas...eu precisava falar com você — ela continuou, suspirando como se estivesse triste.

— É claro que você é bem vinda, eu praticamente mando aqui e se digo que vai ficar...você vai ficar — ele falou caminhando até ela.

— Mas o assunto é sério. Muito sério, bebê — Peeta percebeu lágrimas nos olhos dela, ficando preocupado — Meu pai vai me matar.

Po-Por que?— perguntou sem nem mesmo entender alguma coisa — Você fugiu por isso?

— Digamos que sim...se alguém descobrir, eu não sei o que será de mim.

Co...Como assim?— Glimmer secou uma lágrima virando o rosto para a janela.

— Foi logo depois que você foi embora...eu deduzi sozinha — a mão dela conduziu a dele até o ventre. Peeta sentiu o chão desabar — Eu acho que tem alguém aqui.

— O ...Mas...Co...Como?— foi como se alguém jogasse um balde de água fria em seu rosto para acordar. Peeta não achar sequer as palavras para serem ditas.

— Um bebê. Teremos um bebê — Glimmer se virou para ele, sorrindo.

Peeta ainda estava paralisado.

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Katniss entrou em seu quarto com Madge. Não havia nada melhor do que a abraçar e sentir aquele cheiro que lembrava tanto a sua mãe. A loira a olhou, tentando sorrir. Sabia que a irmã tinha muito a dizer.

E Katniss tinha a certeza de que por trás daquele rosto meigo de Glimmer havia um monstro terrível que não tinha bons planos para os próximos dias. Ela era uma cobra que viera para destruir o seu casamento, uma cobra que tinha o pior veneno de todos.

— Kat, há algo que queira me contar?- Madge perguntou tentando parecer calma, enquanto a Katniss assentia olhando as próprias mãos.

— Eu não estava grávida, até uns dias atrás — Katniss dizia controlando as lágrimas, sabia que estava passando da hora de contar tudo a irmã — Eu só estava ajudando uma pessoa.

— Como assim, Kat? Vi você costurando roupas para o bebê — ela já perguntava confusa.

— Eu vou ter um bebê, Madge, mas ele vai nascer um mês mais tarde — a garota respirou fundo — Quando eu falei ao Peeta, menti porque...porque eu queria que tudo mudasse. Vi a oportunidade e a agarrei. Até que iria ter uma criança...mas ela não seria minha.

— E de quem seria então?

— Annie — Madge arregalou os olhos. Como assim, Annie? — Ela não pode assumir o bebê, por isso eu iria assumir. Já estava tudo planejado...até eu ficar grávida de verdade.

— Deixa eu ver se entendi: Annie vai ter um filho que não devia ter, você iria cuidar dele, Peeta não sabia, mas você ficou grávida de verdade e agora Glimmer aparece do nada? — Katniss assentiu e a loira balançou a cabeça — Isso é muito para um só dia, Katniss!

— Por favor, Mad...me ajuda— Katniss a olhou com os olhos suplicantes. O que ela deveria fazer agora?

— Vou pensar, tudo bem? Mas...por agora acho que posso fazer uma coisinha.

Katniss ficou sem entender nada, só viu Madge sumir do quarto. A loira passou rapidamente pela casa, sorrindo com a ideia. Era muito boba, mas sabia que alguém não ficaria nada feliz com aquilo. Ela chegou na cozinha, avistando a empregada que se assustou. Os moradores não costumavam frequentar aquele lugar.

— Jane! — ela chamou e viu a mulher baixinha se aproximar timidamente — Preciso de um favor seu...para esta noite.

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O jantar na mansão era sempre calmo. Glimmer era a convidada da noite, conforme Peeta havia ordenado. Ele só sabia que aquilo não poderia acabar nos ouvidos de Haymitch, ou tudo estaria acabado. Depois de uma bela conversa sobre a gravidez, os dois entraram em um acordo e ficou combinado que Glimmer ficaria ali até a criança nascer.

Isso tudo para o pavor de Gale, que queria estrangular o irmão. Pelo menos ele tinha Madge, que o fazia esquecer daqueles problemas. Annie, outra que queria matar a convidada, lançava olhares assassinos a Glimmer de vez em quando.

Só Peeta que ficava feliz e não se importava em como os outros pensavam. Ele se arrumou para o jantar e se sentiu aliviado por não ter visto Katniss gritando ou chorando. Ela só se arrumava tranquilamente como se nada estivesse acontecendo.

— Onde vai desse jeito? — Peeta perguntou rudemente ao perceber como ela se arrumava há horas. Percebeu o momento em que ela colocava uma pulseira de diamantes nada discreta e checava o cabelo logo depois.

— Vou ver o papai, Finnick ficou de me buscar — na verdade Katniss odiaria ver o irmão. Mas preferia aturá-lo do que ficar ali.

— E quem te deu permissão? — Peeta perguntou e isso fez a garota revirar os olhos.

— Sou uma mulher independente, querido — disse se aproximando dele — E aliás, você tem muito mais sujeira para limpar lá embaixo em vez de ficar se preocupando comigo.

— Você não vai a lugar nenhum, Katniss — disse entredentes — Vai ficar para o jantar.

— Eu vou jantar com o meu pai, você não é meu dono para dizer o que devo fazer.

— Tenho direito sim...e a prova está no seu dedo — Peeta apontou para a aliança brilhante no dedo da garota.

— Ah sim...não está mais- Katniss jogou o anel sobre a penteadeira. Não iria chorar por alguém como ele. Ela parou para lhe dar um sorriso debochado antes de bater a porta do quarto.

E ela foi para a casa do pai. Não aguentaria comer ao lado daquela cobra sem fazê-la engasgar com a comida.

Como Katniss se xingava por dentro, como ela odiava saber que Annie tinha razão. O seu coração a traiu e a traiu com a pior criatura de todas. O quanto ela queria amar sem sentir ódio disso.

Enquanto isso, Madge piscava para a empregada. O seu plano já estava combinado e como recompensa, a loira comprou um belo vestido e um par de botas caras para Jane. Depois de muita conversa, a mulher pediu só isso. Iria fazer o que Madge havia pedido. E mesmo sabendo que era maldade, tinha a plena certeza de que que era por uma boa causa, assim como a patroa dissera.

Peeta se sentou com raiva à mesa. Glimmer, logo atrás, se sentia a dona dali. Annie controlava seus instintos para não voar no pescoço dela, pensando em como aquela mulher se atrevia a se sentar no lugar de Katniss.

Quem ela pensa que é? E o pior, o que se passava na cabeça de Peeta?

Jane chegou com os pratos, serviu o de todos, só faltava o de Glimmer.

A empregada piscou a Madge disfarçadamente, estava adorando fazer parte de um plano secreto. Peeta levantou os olhos para a baixinha, soltando um olhar debochado de: “Vai ficar aí parada?”. Jane se apressou a servir a convidada, com uma sopa nada convidativa. Glimmer havia pedido isso, mas olhou com nojo para a comida totalmente líquida e sem graça.

— É de frango- disse a mulher — Assim como a senhorita pediu.

Peeta olhava nervoso para aquele prato. Que sopa era aquela? Nunca tinha visto algo tão feio na vida e isso porque Jane era a melhor cozinheira de todas. A empregada saiu silenciosamente enquanto só se ouvia os barulhos dos talheres batendo nas pratos. Glimmer deu os ombros e pegou uma colher, enquanto Peeta também voltava a comer.

Madge olhava para o outro lado da mesa, tendo a certeza de que a cena que seria hilária. Viu a convidada colocar o talher na sopa e logo depois levou aquilo até a boca.

Seria agora, Madge pensou.

Ela olhou para Annie, que nem prestava a atenção. Gale e Peeta também só cuidavam da própria comida. De repente, Glimmer fez uma careta. Madge sorriu e todo mundo se assustou ao ver aquela mulher cuspir tudo o que tinha na boca direto no prato prato. Peeta pareceu assustado.

— Isso...Isso está frio!- Glimmer reclamou passando o guardanapo de pano na boca. Queria que o chão se abrisse para ela se enterrar, a vergonha era demais.

Uma dama não cuspia no prato. Madge se segurava para não rir. Aquela sopa nem tinha gosto de frango, pelo menos não a dela. Tinha gosto de coisa velha, tanto que estava aguada e dava para ver até o óleo na superfície.

— JANE! — Peeta gritou — Traga outra sopa, por favor. Esta está fria.

A baixinha, dessa vez, trouxe uma bem quente para não haver reclamações. Glimmer já estava irritada, sabia que aquilo era obra de alguém ali na mesa. Uma outra empregada, Mary, vinha do outro lado buscar a sopa fria. Ela ainda era novinha e pouco experiente, além de ser bastante tímida.

Pegou o prato enquanto Jane se preparava para servir, contudo, devido a correria, Mary sem querer, se esbarrou na outra baixinha, derramando a sopa quente em alguém que não devia.

AAAAIII!!! Quente, quente!— Glimmer gritou se levantando, já agoniada. O vestido florido tinha sido destruído por aquela maldita sopa.

— Me desculpe, senhora, eu não queria... — Mary tentava limpar com o guardanapo, mas só fazia estragar mais o pano.

— Saia! Eu sei me cuidar!- Glimmer reclamou, mal pensando duas vezes antes de empurrar a empregada.

Madge e Gale riam tanto que até lágrimas saiam de seus olhos. Annie ria baixinho, sabendo que aquela cobra merecia. Peeta deixou o talher escorregar de sua mão e paralisou e a convidada, agoniada com a queimação, passou o braço acidentalmente numa taça de vinho ao seu lado. O que foi o suficiente para fazer o Mellark acordar ao ver sua roupa manchada.

— Já chega! — Peeta cortou os risos com sua grosseria. Todos ali se calaram assustados — Quem é o responsável por isso?

Está queimando!— Glimmer reclamou novamente e Jane se apressou para levar a garota para fora dali.

Ninguém se atrevia a abrir na boca. Estava tudo um completo silêncio.

— Já que ninguém vai contar...eu descobrirei sozinho. E saiba que seja quem for, vai sofrer as consequências depois — Peeta saiu fervendo dali, seria capaz de botar fogo em qualquer coisa só com as mãos. Tentou resolver o problema da camisa manchada.

Enquanto isso, Madge engolia a própria saliva com certa dificuldade, tentando disfarçar o incômodo dentro de si.