Atração Fatal
13 Capítulo 13: Keep My Secret, Chérie
As vezes preferimos sonhar do que viver a realidade. Nos sonhos, podemos mudar a realidade para o nosso jeito. Mas quando se abre os olhos, é isso que acontece...
Katniss leu a carta mais uma vez, repetiu novamente e, somente para criar mais certeza, releu por último. Ela tinha perdido as duas pessoas que deveriam amá-la, e agora, acaba de perder a terceira. Na verdade, ela nunca o tivera completamente, ainda estava no caminho para isso.
A garota levantou o olhar, aquele homem não merecia nenhuma gota sequer de suas lágrimas. Agora Katniss sabia que vivera um sonho durante todos esses meses. Só que pensando bem, aquilo era o seu maior pesadelo, chegar a pensar que um dia eles poderiam ser felizes. Era tudo sua imaginação.
Sentiu uma dor em seu coração. E se ela o amasse? Isso ainda era uma pergunta difícil. Peeta nunca foi dela, somente no papel. E ela tinha vontade de queimar aquela maldita aliança. Katniss segurou a carta com tanta força, que parte dela até foi amassada.
Correu de volta a casa, a garota nunca sentira assim antes, a adrenalina pulsava em suas veias. Ela iria acabar com aquilo de uma vez por todas, mentira era uma das únicas coisas que não suportava. E a Everdeen sabia que Peeta deveria estar em algum canto da casa, obrigando-a a dar passos lentos e silenciosos até o cômodo que queria.
Ela parou de frente para a porta desejada, decidida a descobrir quem era a tal mulher. O escritório estava vazio, fazia tempo que Katniss não visitava aquele lugar. Então, foi em direção ao canto mais óbvio: as gavetas.
Folheou os livros, revirou a mesa, os armários. As lágrimas de raiva rolavam por seu rosto, aquelas malditas palavras ecoavam em sua mente.
— Então aqui está a ...- Katniss nem conseguia falar o nome daquela mulher sem que um tremor atingisse seu corpo — Glimmer— disse como um sussurro.
O retrato achado em qualquer lugar estava entre as mãos trêmulas da garota. Ela reconheceu pelo nome escrito e a 1815. Era de um ano atrás. Todas as cartas começavam por esta data, sinal de que Peeta a conhecia bem antes do casamento .
E a Everdeen ficou sem acreditar na conclusão que teve segundos depois, algo que a fez balançar a cabeça em negação, rindo de si própria. Tudo porque, na verdade, ela quem se tornara a outra esse tempo todo. O escritório revirado, o choro de ódio dela enquanto as cartas estavam espalhadas por todos os cantos, era um cenário assustador.
A garota rasgou algumas ao meio, com violência, não conseguia nem mais olhar para o rosto daquela mulher que a encarava pela foto. Ela podia ser bonita, mas aquele sorriso...
Katniss sentiu medo, por incrível que pareça, ficou aterrorizada. Enquanto pegava o retrato para dar um fim nele, ouviu um barulho forte da porta atrás de si.
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O rapaz se virou ao outro lado da cama ofegante. Com certeza Kate Brown era a mulher mais incrível com quem já havia se deitado. Infelizmente sua vida era movida dessa maneira, casamento cairia de moda daqui a alguns anos. A garota, ainda cheia de energia, o atiçava beijando seu pescoço. E ele ria com as mãos urgentes dela.
— Mr. Odair...como não reparei em você antes?— a ruiva dissera. Mexer com mulheres casadas realmente era bem excitante.
Kate era casada com um dos sócios de Mr. Everdeen, ela era uma grande mulher, totalmente sedutora. Em um jantar qualquer com amigos, Finnick percebera que ela estava “deprimida”, tudo porque o marido não lhe dava o que precisava. E ele, com o seu grande poder, supriu os desejos dela.
— FINNICK! Finnick, cadê você?— ele ouviu o pai o chamar. O rapaz se levantou rapidamente da cama procurando pelas roupas, enquanto Kate ria maliciosamente.
— Não demore, baby...— Kate disse num sussurro, vendo quando Finnick lhe lançou um sorriso, sumindo dali.
Nunca tivera algo assim, geralmente era ele quem comandava as coisas, mas aquela mulher...sua vontade era de apenas voltar ao quarto.
Porém, justamente o marido dela veio cumprimentá-lo e dar os parabéns pelo excelente trabalho, fazendo o Odair soltar um sorriso amarelo. Kate voltou logo depois, o encarando e piscando de vez em quando. Que coisa era essa? Ela era casada e ainda bem mais velha.
Mas isso não deixava de ser incrível.
Sentir os olhares dela e o modo como ela colocava aqueles lábios suaves na taça de champanhe, tudo era como se já notasse suas calças ficarem apertadas. Finnick virou o rosto, teria que para de pensar nela. Parar de pensar. Tudo foi bom, contudo só foi diversão, não poderia acontecer novamente.
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A garota arrumou as ondas do cabelo. Viver naquela maldita cidade a entediava, por que tudo dava errado? Ela tinha o queria nas mãos, mas um errinho só foi o suficiente para perder aquilo. Porém, ela não iria ficar parada, seria alguém finalmente quando aquele inferno de vida acabasse.
Pesquisar sobre a vida dos outros não é nada agradável, mesmo precisando fazer aquilo. Não aguentava mais ficar naquela casa esperando o tempo passar, obrigando-a a entrar naquele escritório e descobrir o que se passava, soltando um grito nervoso logo em seguida.
Esses mesmos gritos histéricos da loira ecoavam pelo lugar, os papeis jogados ao ar ou até mesmo rasgados, enquanto sua mente continuava a avisar: Tudo menos aquilo, tudo menos aquilo.
— Cansei de ser boazinha — a loira falou com os cabelos já bagunçados — Ela vai ter o que merece.
— Cuidado com o que vai fazer, pode sobrar para a nossa família depois — o rapaz avisou, arrumando o estrago no escritório. A moça, com o rosto totalmente transtornado, andava de um lado para o outro.
— Um dia sairemos disso...teremos poder, fama, riqueza...- ela falava sorrindo — Não suporto obstáculos no meu caminho.
— E o que vai fazer? — o homem riu sarcasticamente — Matar a pobre da garota?
— Não...se eu o conheço bem, ela já deve estar sofrendo bastante nas mãos do Mellark — sorriu ao se lembrar dele. A moça conseguira mudá-lo totalmente em uma mínima questão de tempo — Mas acho que já está passando da hora dele receber uma visitinha...acho que Peeta merece receber uma ótima notícia.
O rapaz tentou discordar, mas ela já havia ido. Fingir que suportava aquela situação não dava mais, ela iria finalmente fazer algo. Não adiantava mais cartas, ele não iria responder. E uma notícia só seria o suficiente para fazê-lo voltar.
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O braço de Katniss doía ao sentir Peeta apertá-lo com a mão livre. Por sorte, ela teria como fugir, o fato do marido estar machucado facilitava as coisas. Ela levou um susto ao vê-lo abrir a porta do escritório com força, mas o enfrentou, não tinha medo algum. Já ele, sentia a ira tomar conta de seu corpo.
— Katniss, eu vou te perguntar uma vez...o que você faz aqui?— perguntou controlando a respiração, mesmo que a ira já tivesse tomado conta de si.
— Não acha isso meio injusto, querido?— a Everdeen riu sarcástica — Disse uma vez que cortaria a garganta do meu amante...mas o que significa isso?
Katniss pegou a foto da tal mulher. Pegou com força, amassando-a. E a única coisa que Peeta fez foi agarrar o braço e tentar puxá-la para fora dali. Só que quando queria, a garota sabia como ser bem teimosa. Conseguiu se livrar do marido e rasgou o papel em pedaços, diante dos olhos dele, que ardiam de raiva.
Ele tentava se controlar a cada segundo, sabendo que poderia fazer qualquer besteira ali mesmo.
— É isso que você vem escondendo de mim? UMA AMANTE?— Katniss gritou, apontando para as cartas — E aquilo que disse antes?
— Quer saber?— Peeta falou no mesmo tom — Eu só fiz aquilo por pena...fiquei com pena de você. Me contou que perdeu o amor da sua vida e o que eu fiz? Eu te ajudei. E é assim que me agradece? Mexendo onde não deve?
— Como assim? - Katniss secou as lágrimas com ódio — Você disse que queria tentar!
— Eu já não aguentava te ver chorando por todos os cantos! Sabia que você é insuportável, Katniss? Parece uma garotinha mimada que acha que a vida é o seu próprio conto de fadas! — ele tentou agarrá-la novamente, só que Katniss, por instinto, viu a sua mão voar no rosto do marido.
Peeta tocou a face, onde dava para perceber a marca perfeita da palma da garota. O olhar que ele deu em seguida a apavorou, ela tinha medo do que podia vir por ali. Viu Gale parar na porta do escritório, com a expressão preocupada, e a única coisa que Peeta fez foi sair do lugar como se estivesse fugindo. Ela aproveitou o momento para agir, pegou aquele papeis e saiu correndo pela mansão.
Gale gritava tentando impedir, mas já era tarde demais. Na cabeça do Mellark, Katniss estava morta, totalmente morta se fizesse aquilo que pretendia. Ela era rápida, correu em direção a lareira acesa, ciente de que iria acabar com aquilo de uma vez por todas.
— Katniss! Pare com isso!- Gale tentava alertar a garota, que não ouvia e, por conta própria, jogava o que tinha em mãos ao fogo.
— E...e ele disse que queria ser fiel!— Katniss falava sem pensar. Pegou a sua aliança para jogar também, mas Gale foi mais rápido, tomando dela.
— Não faça isso...já chega, ok? Vai descansar...- ele tentava ser calmo enquanto a Everdeen deixou de olhar nos olhos dele, observando algo atrás dos dois.
Peeta descia as escadas, enganando a quem achava que ele havia fugido. Ele nunca fugia, nunca abaixava a cabeça fácil, muito menos para Katniss. Em suas mãos estava o diário da esposa, apoiado com dificuldade em seu braço machucado. Em uma delas, ele arrancava as folhas tranquilamente olhando para o rosto transtornado da garota.
— E agora, Chérie? Vai chorar como sempre faz?- perguntou com aquele famoso sorriso falso- Quer o diário?
— Larga isso, Peeta— Katniss falou entredentes. Isso o fazia rir ainda mais.
— Então vem pegar, Chérie— o loiro provocou, pegando uma folha rasgada e fazendo uma espécie de bola antes de atirar na enorme lareira.
Os olhos de Katniss ardiam ao ver o papel sendo queimado. Suas pernas mexeram-se até ele e ela tentava pegar o que restava do diário, porém só alguns papeis ficaram consigo, o resto fora destruído, junto com a capa do livro.
A Everdeen, sem pensar duas vezes, pegou um colar de ouro, achado no escritório. Pertencia a Glimmer. Peeta reconheceu o objeto, fazendo-o correr para buscá-lo, mas já era tarde, tudo estava em chamas. As mãos dele, com urgência, foram parar em uma das mechas do cabelo de Katniss, que gritava de dor. Gale entrou no meio, tentando ser rápido ao separar a briga, contudo as unhas de Katniss conseguiram atingi-lo, afastando-o imediatamente quando ele se viu machucado de uma forma acidental.
Gale, vendo que não poderia desistir por ali, empurrou o irmão de uma vez só, agarrando Katniss que desabava em lágrimas, mas não eram só de ódio, eram de tristeza também. Chorava porque foi tola o suficiente para acreditar que um dia eles poderiam ser felizes.
— JÁ CHEGA, PEETA! Você vai machucá-la! — Gale gritou transtornado. Parte da sua roupa já estava úmida com o choro de Katniss.
— Eu dei uma regra, UMA REGRA! Por que você faz questão de desobedecê-la? — Peeta ignorava a presença do irmão ali, apontando o dedo indicador para a esposa em lágrimas.
— Você mentiu! Eu pensei que queria tentar — ela falava entre os soluços. O Mellark avançou para a garota novamente, mas Gale o impediu, entrando no meio dos dois.
— SOLTA ELA, GALE!— o loiro, com o braço livre, conseguiu agarrar a manga do vestido de Katniss. Uma nova briga estava para se formar, só que dessa vez alguém sairia bem machucado. Madge chegou gritando de pavor e Annie, correu para tirar Peeta, que a empurrava.
— Você enlouqueceu? Esqueceu que a Katniss está grávida? — a garota mentiu sem pensar. Com isso, ele parou por ali, deixando o lugar com passos largos e fortes.
Então era assim, o único motivo de fazê-lo parar era o bebê. Peeta não tinha nenhum sentimento por Katniss, ela só era um objeto que carregava o seu maldito filho agora. Que na verdade nem existia. A Everdeen amaldiçoou o marido de todas as coisas possíveis, o último rosto que ela gostaria de ver a partir dali, era o dele. Annie a abraçou enquanto os soluços voltavam.
Peeta, por outro lado, nem sentia vontade de chorar. Se Katniss não estivesse esperando um filho seu naquele momento...ele voltaria e acertaria as coisas. Estava sem rumo, só sabia de uma coisa, não voltaria para casa tão cedo. Dane-se o que iria falar na cidade, dane-se a esposa, dane-se aquela maldita vida. Seu filho nasceria, ele ganharia o trono e Katniss...dane-se novamente.
Ignorou que estava machucado, ele podia cavalgar, ainda tinha o outro braço livre.
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— Por que ele fez isso? Há...alguma coisa de errado em mim? — Katniss perguntava, ainda inconformada e tomando um chá.
Annie oferecera o quarto a ela, assim teriam mais tempo para conversar. Ofereceu também um chá, para tentar acalmar a leve febre que tinha aparecido na amiga. Peeta não aparecera desde então, já eram 21:00 e nem ao menos houve notícias do mesmo.
— Se formos juntar os fatos, Kat... — esse era o novo apelido da Everdeen, que em tão pouco tempo já se tornou tão próxima de Annie — Essa tal amante é francesa então, Peeta provavelmente já a conhecia antes mesmo do casamento.
— Isso não é desculpa! Eles ainda se falam, eu vi nas cartas! — Katniss voltou a soluçar, enquanto Annie fazia negação com a cabeça.
— Kat...não há nada de errado com você, meu irmão sente algo, eu sei disso porque o observei por esses dias — a Mellark afagou o ombro da amiga — Confie em mim...vocês terão uma família.
— Não há família, Annie! Nunca vai haver!— gritou ainda inconformada — Ele não gosta de mim...Peeta disse isso na minha cara! Ele prefere aquela vagabunda...francesa.
Seu coração doía só de falar naquela mulher, ou de pensar nas palavras do marido: “Eu só fiz aquilo por pena... fiquei com pena de você”.
Katniss fechou os olhos para tentar espantar o sofrimento, mas foi em vão. Peeta havia ido embora de casa, ela fingia estar grávida e ainda era traída por todo esse tempo. Por que sempre alguém a magoava assim?
— Oh Meu Deus, Katniss!— Annie colocou as mãos sobre a boca, fazendo uma expressão de espanto — Isso mostra que...você só pode estar...você está completamente apaixonada pelo meu irmão!
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