Atormentada
1 Prólogo
Notas iniciais
Itália, 1816.
Amarrado a uma cadeira no centro de um celeiro escuro estava um garoto de cabelos pretos. Seus dentes batiam e suas pernas tremiam. Ele tinha certeza que morreria, mas morrer de hipotermia parecia cruel demais. Charlotte jazia aos seus pés, os cabelos negros circundando o rosto pálido. Havia uma poça de sangue ao seu redor. A culpa era toda dele. Se não tivesse se apaixonado por ela, a pequena garota ainda estaria viva. Ele merecia morrer. Só queria que aquilo acabasse logo.
Como se ouvindo seus pensamentos, sua algoz adentrou o pequeno espaço, fechando a porta de madeira atrás de si.
— Querido, você está péssimo! — Vivian sorriu, alisando seus cabelos castanhos.
Ela sempre tinha sido psicótica, naquele momento a característica estava acentuada.
— O que você quer afinal? — O garoto estava perdendo a paciência. Vivian tinha lhe tirado tudo que mais amava: Charlotte.
— Não é óbvio?
— Desculpe, eu não sou muito inteligente. — Ele deu de ombros.
— Eu quero que você seja só meu. — Revelou.
Vivian andou até a cadeira, se inclinando sobre ele. Seus rostos estavam a centímetros de distância, os olhos dela estavam mais verdes, ressaltados pelo vestido roxo e seus cabelos compridos raspavam na perna dele. Ele entendia que um dia tivesse achado-a bonita, mas agora só via crueldade nela.
Ele riu sem nenhum humor.
— E como você pretende fazer isso? — Questionou. —Não pode me fazer te amar.
— Quer dizer que você não me ama?
— Só notou agora?
— Sabe, você não merece meu amor. Estou cansada de perder tempo agindo cordialmente. Serei mais... — ela lambeu os lábios — radical.
— Sim, mate-me, Vivian. — Ele implorou em meio a um soluço.
— Você não deveria ter fugido de mim, docinho. Agora eu vou te destruir.
Ele sorriu um pouco. Morreria e veria Charlotte novamente. Mas, ele estava errado, Vivian não o matou. O que ela fez, doeu muito mais que a morte.
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