Atormentada

2 Capítulo 1


Notas iniciais
Amores da tia Julie... Vou começar com meus capítulos caprichados. No começo, ela não é tão interessante, mas por favor, tenham paciência, ela está ótima, mas ainda não postei a "parte ótima".

Uma onda de calor percorre meu corpo, tiro o cobertor numa tentativa falha de acabar com ele. Um fio de suor escorre em meu rosto, minha cabeça lateja, minhas pernas formigam. Abro os olhos, forçando-os cada vez mais, não vejo nada além de escuridão e um pequeno fio de luz que entra no quarto com ajuda de uma brecha que há na porta. Tento levantar-me, mas algo me prende.

Estou sozinha... E ele está vindo.

Acordei encharcada de suor, meus cabelos estavam colados em minhas costas.

Mais um pesadelo havia me atormentado e eles vinham com mais frequência e eu não conseguia lembrar por que aquilo acontecia, na verdade eu não conseguia lembrar-me de nada que acontecera comigo antes dos meus sete anos.

Levantei da cama e fui logo ao banheiro.

Fechei a porta e me olhei no espelho; meus cabelos ainda estavam voltando ao seu negro natural e meus olhos já estavam verdes novamente.

Tirei minha roupa e entrei na banheira com água morna; fechei os olhos e finalmente relaxei – acho que até demais.

Olhei em volta e vi um corredor com varias portas. Mesmo que eu nunca tivesse estado num lugar assim, percebi que era uma casa antiga e de pedras cinza, como castelos em filmes de contos de fadas ou terrores antigos. Estava bastante escuro e as únicas luzes que tinham, vinham por baixo das portas. Comecei a andar o mais devagar possível para não fazer barulho, mas quanto mais eu andava, mais escuro e sem fim o corredor ficava. Desisti de ficar andando em um rumo sem fim e fui até uma porta. Encostei meu ouvido na porta, mas não ouvi nada. Continuei encostada, esperando uma novidade.

Dei um pulo para trás após ouvir um grito masculino que vinha de dentro da porta. "Agora é você, Clarisse", alguém disse. Tentei correr, mas algo me prendia. "Venha Clarisse, você nunca sentirá uma dor maior e eu, prazer".

Levantei da banheira novamente ofegante e percebi que tudo não passara de um sonho e que eu havia cochilado na banheira.

A cada momento, meus pesadelos vinham com menos distância de tempo e isso poderia ser perigoso se meus pais e a doutora Sally descobrissem.

Sequei-me e pus um vestido vermelho sangue larguinho, uma sapatilha azul escura e escovei meus cabelos, pondo um arco também azul escuro; pus uma maquiagem bem leve, apenas para disfarçar minha palidez, com base, blush e gloss.

Saí do banheiro e peguei uma bolsa pequena, colocando nela minha carteira, meu celular, um pequeno caderno de desenho e lápis.

Meu relógio marcava nove e meia da manhã, o que era bem mais tarde que o horário que me era de costume acordar.

Desci as escadas correndo como sempre fazia e fui até a cozinha; minha mãe estava frente ao fogão fazendo o café da manhã, meu pai estava como sempre lendo seu jornal e Catharina, minha irmã mais nova estava rindo baixinho enquanto mexia em seu celular.

– Bom dia, gente. – dei um beijo em minha mãe e sentei-me ao lado de Catharina.

– Finalmente passou o efeito do feitiço da Bela Adormecida. – Catharina riu, ainda olhando seu celular.

– Ainda estou tentando entender por que você me lançou um feitiço, bruxa má. Pode me dizer? — foi minha vez de rir enquanto ela me fulminava com seus olhos lilás.

– Já terminaram, meninas? — minha mãe colocou as panquecas de meu pai na mesa e me levantei para ajuda-la com o resto.

Meu pai continuou imóvel, escondido por trás de seu jornal e aquilo me dava cada vez mais raiva, ele era o único que não falava comigo nem para dar um bom dia. Que tipo de pai é esse, gente?

Colocamos as panquecas na mesa e nos sentamos, eu do lado de minha irmã e minha mãe do lado de meu pai, ou do jornal.

– O que farão hoje, meninas? – minha mãe pôs um pedaço de panquecas nas boca.

– Irei surfar com algumas amigas e depois iremos para a casa de uma delas ver filme. – Catharina mexia em seu celular.

– Vou passar o dia jogando com Nicholas. – ela revirou os olhos quando eu disse seu nome.

– Tome cuidado com esse moço, Beatrice. – foi a primeira frase de meu pai durante a manhã.

– Eu sei o que faço. E a propósito, bom dia, Coronel Becker. – ele me ignorou e continuou bebendo seu café atrás de seu maldito jornal.

Bufei e Catharina olhou-me como mandando acalmar-me.

– Não vão chegar tarde. Isso serve mais para você, Catharina. – minha mãe já sabia que eu não chegava sozinha depois do anoitecer.

– Sim, mãe. – foi sua vez de revirar os olhos.

Terminamos de comer e nos levantamos para tirar a mesa, exceto meu pai.

Colocamos tudo na bancada para minha mãe e eu e minha irmã fomos pegar nossas coisas; peguei minha bolsa e saímos.

“Não vá pela via principal, Beatrice”, a voz me fez parar quase no meio da rua, voltei e fui pelo caminho mais longo, bufando.

Para que essa tal voz tinha logo que me atormentar? Não sei por que havia me dito para fazer tal coisa e menos ainda, por que eu havia obedecido?! Porque você é uma marionete, Beatrice. Conforme-se.

O dia estava ensolarado e havia crianças brincando sorridentes enquanto as mães conversavam – ou fofocavam – sobre as coisas do cotidiano, os pássaros voando e a brisa batendo contras às poucas árvores do distrito e contra meu cabelo negro, havia adolescentes andando de bicicleta pela via e trabalhadores correndo contra o tempo.

Nicholas não morava muito longe, porém eu andava devagar para poder sentir a brisa que batia contra mim; era o único momento em que nada me atormentava, nem voz, nem amigos – se eu tivesse algum além de Nicholas –, nem os guardas ou qualquer outra coisa, muito menos meu pai.

Avistei a casa de Nicholas que era provavelmente a mais bonita da via. Tinha a fachada feita de pedras perfeitamente enfileiradas, um caminho de pedras cinzas no chão até a entrada e na parte que sobrava do chão, havia grama e algumas poucas flores.

Chamei-o e tornei a olhar céu, parecia que não choveria durante meses, tamanho o calor do sol e o azul do céu. Perfeitamente bom para mim.

Perfeitamente bom para uma atormentada.

Notas finais
Espero que tenham gostado, mas prometo que melhoro nos outros. E não esqueçam de comentar, por favorzinho. Amo vocês.