Atormentada

3 Capítulo 2


Notas iniciais
Olá, amores. Tudo bem? Então, esse capítulo é bem simples e cotidiano, mas ele dará um certo sentido ao foco de toda a história. Beijinhos, Julie.

Sentei-me na cama de Nicholas e ele foi até seu closet pegar alguma coisa.

– O que faremos hoje? – olhei para o quadro em sua parede. Um desenho que eu havia feito para ele há alguns anos.

– Adivinha? – revirei os olhos inutilmente, já que ele não vira.

– Qual jogo, Nicholas? – ele riu.

– Battlefield 3 – enterrei meu rosto na cama onde eu estava encostada.

– Tudo bem. – ele voltou com o jogo em suas mãos e foi em direção ao PlayStation 3.

Jogamos por algumas horas e entre mortes e vacilos meus, nós brincávamos e nos zoávamos.

– Já são duas horas da tarde, Nick. Vamos comer algo. – ele assentiu, mas nem deve ter me ouvido.

Levantei-me e subi na cama para passar para o outro lado; desci-a novamente e saí do quarto.

Fui para a cozinha e me sentei na bancada, esperando-o perceber que eu não estava mais no quarto – o que não demoraria muito, pois rapidamente meu personagem teria morrido no jogo.

– Finalmente. – dois minutos depois ele apareceu.

– Finalmente o que, abusada? – dei língua e ele fez o mesmo.

Pegamos algumas coisas no armário e começamos a fazer a comida.

“Ligue a televisão, Beatrice”, novamente ouvi a voz falando comigo. Isso já era ridículo, até me mandar ligar a televisão, essa praga em mandava.

– Nick, ligue a televisão, por favor? – ele foi em direção da mesma e a ligou no noticiário.

– Obrigada. – ele apenas sorriu e se sentou no sofá.

Eu prestava atenção na televisão enquanto fazia a comida, já que a cozinha era de um tipo americano.

– Houve um acidente entre guardas e um casal que passava na via principal perto do QG do oitavo distrito. Um carro da guarda explodiu e pegou o casal que passava ao lado por volta das nove horas e trinta minutos da manhã pela via, os mesmo morreram segundos depois de o socorro chegar. – a repórter disse e eu no mesmo momento eu fique paralisada.

– Be, está tudo bem com você? – Nicholas parecia preocupado, mas eu não conseguia pronunciar uma palavra se quer. – Você os conhecia, Be? – movi minha cabeça negativamente ainda boquiaberta.

– Nicholas, pode terminar de fazer a comida? Preciso pegar uma coisa em minha bolsa. – falei enquanto gravava a imagem do casal.

– Sim, Be. – ele se levantou e pegou a faca de minha mão.

Fui ao quarto e busquei por minha bolsa, de alguma forma, ela tinha ido parar no chão ao lado do closet. Peguei-a e a abri, peguei o caderno e o lápis e escolhi uma folha que estava em branco do caderno.

Comecei a fazer rabiscos aleatórios e em alguns minutos depois, eu estava na metade do desenho.

“Para com isso, Beatrice”, a voz me alertou, mas dessa vez eu a ignorei.

Continuei fazendo traços dos rostos dos dois, mesmo desenhando apenas em uma cor, pude recordar os olhos cinza da moça e seus cabelos castanhos, ondulados e médios e os olhos escuros dele, seus cabelos castanhos claros, lisos e bagunçados que me lembravam de alguém, me lembravam de Taylor.

Por um segundo, estremeci e pude sentir um fio de suor escorrer por meu rosto.

Não consegui entender o porquê de tanto nervosismo se eu não possuía nada com Taylor, nem ao menos o conhecia, apenas havia o visto em um dia, um dia no qual eu o odiei fortemente, um dia no qual eu tiver prazer em ser fria com alguém mesmo que esse alguém fosse ele, um garoto super simpático e que não queria nada além de ajudar-me, porém aquele retrato apenas me lembrava-o.

Terminei os traços e pela primeira vez, não havia nada a ver com o casal no qual havia morrido por causa de um descuido dos guardas desse distrito inútil.

Muito pelo contrário, o que eu havia feito, me surpreendera enormemente.

– Beatrice? Está viva? – Nicholas brincou ainda da cozinha e eu guardei o caderno rapidamente.

– Sim, Nick. Estou indo. – levantei-me e coloquei a bolsa em cima da cama.

– Já está pronto. – assenti inutilmente, já que ninguém veria. Como és idiota, Beatrice.

Saí do quarto e voltei para a cozinha.

– Não sei se fiz direito, Be. – ele deu um sorrisinho torto e eu me aproximei dele.

– Está ótimo, Nick. – disse após provar.

– Obrigada... Eu acho. – ele bagunçou o cabelo e fez careta.

Colocamos nossos pratos e pegamos algum suco qualquer e sentamos na sala para vermos algum filme qualquer.

Ele pôs em um filme de ação ou algo do tipo, onde uma policial – mais para detetive – começa um caso sobre um homem que é acusado de matar sua mulher, mas algo diz a ela que ele não fez isso. Ela vê a verdade em seus olhos, ela o admira mesmo sendo um réu, mesmo podendo ser um assassino. Ela promete se entregar ao caso a fim de provar que ele era melhor do que ele mesmo imaginava.

Se ela conseguiu? Não só conseguiu, como ele a salvou do real assassino.

E não, eu não irei falar que eles viveram felizes para sempre, não vou dizer algo que nem eu e nem ela mesma – como disse em uma cena do filme – não acreditamos nisso. Pelo menos eu ainda não acredito nem em um começo feliz.

Não acredito que exista um começo, meio ou fim feliz para uma atormentada.

Não acredito que tem final feliz para mim.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.