Notas iniciais
E depois de quase 6 meses, eis que o capítulo aparece. Mil perdões pra quem ainda está acompanhando e esperando. Obrigada pelos comentários, pela linda recomendação que eu recebi do IshidaNeji. Eu podia colocar mil desculpas pela demora, mas a maior delas foi a falta de inspiração. Pura e simples. Espero que não tenham esquecido da fic e que ainda a apreciem. Obrigada mesmo.

Mesmo com toda essa confusão em seus pensamentos, Kyoko achou melhor se acalmar, já que aquilo seria necessário, embora ainda não tivesse assumido que gostava mesmo de Tsuna, ao menos não pra ele, parecia que tudo estava muito claro para suas amigas, o que deixava um gosto amargo na mulher. Pois se todos sabiam, ele também deveria saber, certo? E certamente não a correspondia. Frustrante. E por que ele a corresponderia? Não havia motivo algum já que ela também lhe era indiferente, aparentemente. Suspirou resignada.

Continuou devaneiando até despertar com os gritinhos de Haru. Nunca entendeu realmente o motivo pelo qual a amiga falava o tal “hahi” e o tal “desu”, mas eram marcas registradas. A marca de Kyoko era o irmão dela, mais uma frutração, ou ainda uma suposta beleza que a deixava distante dos outros.

“Kyoko-chan, que cara é essa? Tá tudo bem?”

“Haru-chan, eu tenho que falar pro Tsuna-kun, né? Eu queria mesmo falar pra ele o que eu sinto. Pra acabar logo com isso. Mas antes, tem uns documentos que eu roubei, ou melhor, peguei emprestado da empresa pra você dar uma olhada.”

“Como??? Roubou? Kyoko-chan? Ai meu Deus...o que houve e por que você fez isso, desu?”

“Porque Mukuro-san ligou pra empresa. Ele tem negócios com a Milfiore, uns compromissos. Eu até anotei algumas coisas da ligação...”

“Kyoko-chan, mas o que está acontecendo?”

“Estou me sentindo útil Haru-chan. Não é você que sempre fala que eu tinha que me impor mais, que fazer mais? Não estou entendendo nada dessa sua ética repentina. Ou você acha que explodir laboratórios e deixar um monte de gente sem emprego é direito? Porque Haru-chan, para os vilões que combatemos, nós somos os vilões, você não concorda? Sempre foi mais esperta do que eu, é fácil fazer essa associação.”

Haru não conseguiu dizer nada. Nem queria admitir que entrou nisso simplesmente para irritar o ex, para machucá-lo e com isso, levou sua amiga, a pura e doce Kyoko-chan que nem sabia o que era maldade, mas aqueles olhos...aquela resolução...aquela vontade da chama do último desejo...sim, era aquilo que ela queria que a amiga sentisse, mas não que traísse tudo aquilo que acreditava. Simplesmente se lançou aos braços da amiga, desculpando-se copiosamente.

“Haru-chan, calma. Eu estou bem. Por que está pedindo desculpas? Eu me sinto muito bem, muito viva. Muito útil. Eu saí da minha redoma Haru-chan, eu vou conseguir falar com o Tsuna-kun. Vou fazer com que ele preste atenção em mim e vamos salvá-los de quem quer que os esteja enganando, se bem que eu acho que Mukuro-san nos esteja enganando também.”

“Como assim Kyoko-chan?”

“Ah, intuição pisciana, Haru-chan. Intuição.”

“Você acredita em horóscopo?”

“Não vejo porque não acreditar. Você acredita que alguém com a aura de Mukuro-san está explodindo os laboratórios somente por amor aos animais? Tem mais coisa aí Haru-chan, mas nós não conseguimos ver.

“Como..eu...ah Kyoko-chan, eu sinto tanta falta daquele idiota do Gokudera. Aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaah que raiva que me dá nesse momento., desu.”

Kyoko sentiu uma vontade imensa de rir, sim, rir, porque por mais que ela estivesse muito estranha e Haru estivesse desesperada, ela sabia que poderia sempre contar com esse jeito da amiga, excêntrico e inteligente.

“Kyoko-chan, podemos...podemos..podemos fazer uma festa! Sim, uma festa. Para recepcionar os Vongola. O que você acha?”

“Haru-chan, como assim? Festa, mas você vai ver o Gokudera-san e ele vai gritar com você.”

“Bom, eu grito com ele também. Estou cansada Kyoko-chan, cansada desse idiota ficar gritando comigo, cansada dele, cansada de ficar sem ele. Preciso me sentir fazendo algo que não esteja envolvido com explosões.”

“Então uma festa com os Vongola não é a melhor opção.”

Haru só podia rir da amiga que tinha toda a razão, mas não queria deixar a oportunidade passar e também seria bom pra Kyoko-chan poder falar com o Tsuna-san. Ela isso que Haru queria, uma oportunidade pra amiga poder se divertir. E finalmente consumar essa paixão que estava demorando mais que o esperado. Contudo...

“Kyoko-chan, você sabe o que sente pelo Tsuna-san?”

“Eu sinto que ele é o céu que fica sobre a minha cabeça, sabe? Está ali, mas eu nunca vou conseguir tocar. Eu também sabia que você gostava dele Haru-chan e fiquei surpresa quando vocês não ficaram juntos. Você é tão fantástica, inteligente e enérgica...exatamente o que Tsuna-kun precisava.”

“Kyoko-chan. Eu acredito que todos já falaram, mas Tsuna-san sempre gostou de você. Até mesmo o meu ex idiota teve uma queda por ele, sim..sim. Mas ele sabia que o coração do Tsuna era seu. Sempre foi seu. Nunca soubemos o motivo dessa lenga-lenga de vocês. Não sabíamos como ajudar e ainda bem que não nos intrometemos. É algo que vocês precisam descobrir sozinhos. E vai dar certo. Agora, me ajuda a planejar essa festa, ok?”

Kyoko só podia sorrir.

Enquanto isso, em um lugar bem escondido dos Vongola, uma mulher pequenina se levantava e se vestia com suas roupas singelas.

“Dessa vez você se superou Guardião da Nuvem. Se superou.”

“Você vai embora de novo?”

“Tenho que ver uns amigos. E você não tem que ver o Cavallone-san?”

“Aquele herbívoro estrangeiro pode esperar. Se não, vou ter que mordê-lo até a morte.”

“Eu acho essa amizade de vocês muito engraçada Guardião da Nuvem.”

“Por que você não me chama pelo meu nome? Aquele italiano bufão faz isso.”

“Ele é mais íntimo de você do que eu.”

“Como isso é possível, Chrome? Estamos nús, nos encontramos periódicamente e eu não quero te morder, ok, não até a morte, mas como Cavallone é mais íntimo de mim do que você?”

“Ele quer a sua amizade e você a concede a ele. Eu sou um corpo magro que tem um objetivo: te dar prazer. Você não quer nada além disso de mim, não quer a minha amizade, não quer intimidade e eu não lhe culpo. Nunca lhe cobrei nada além dos nossos encontros, mas não diga que isso é intimidade. Assim você me desrespeita.”

“Você quer ser minha amiga Chrome?”

“Eu quero ser o seu pássaro. Sabe? Mas amizade está bom pra mim. Significa que nossos encontros lascivos vão acabar?”

“Você quer que acabem?”

“Não.”

“Então não acabarão.”

A moça somente sorriu e se retirou do recinto, deixando um Hibari Kyoya perdido em pensamentos, tanto que nem percebeu quando Dino entrou com todos aqueles homens.

“Kyoya...ao menos vista-se. Não sabia que estava tão empolgado em me ver assim.”

“Eu não estava sozinho.”

“Eu sei que não. E aí, se decidiu?”

“Sim. Mulheres.”

“Fico feliz por você”

“E você?”

“Os dois.”

“Sério?”

“Sim.”

“Se bem que eu ando me envolvendo mais com mulheres mesmo. Estranho.”

“O que tem de estranho nisso?”

“Eu me apaixonei por você Kyoya e mesmo assim foi incrivelmente fácil deixar você ir. Pode parecer piegas, mas você foi a primeira pessoa que eu gostei.”

“Chrome diz que acha a nossa amizade muito engraçada.”

“Ela sabe do nosso envolvimento?”

“Deve saber.

“E ela não se importa?”

“Não.”

“Ela é uma mulher surpreendente.”

“Eu sei.”

“Está apaixonado Kyoya?”

“Não. Paixão foi o que eu senti por você, eu acho. Pela Chrome é diferente. É mais necessitado, mais sôfrego. Como se eu preciasse dela pra sobreviver mesmo, entende?”

“E você disse isso a ela?”

“Claro que não Cavallone. Hoje ela disse que queria ser minha amiga. Será que assim ela vai se apaixonar por mim?”

“Eu acho que ela já é, mas não te disse.”

“Será?”

“Sim.”

“Bom, vamos treinar.”

O italiano só assentiu sorridente. Sim, ele tinha sido o primeiro amor de Hibari Kyoya porque simplesmente foi o primeiro ser humano a estar ali disposto a ser mordido até a morte, mas Hibari sempre foi indeciso e quando começou a se interessar por Chrome, Dino sabia que a batalha estava perdida, ou melhor, ganha. Porque Hibari sempre estaria conectado a ele, sempre seria seu amigo sem aquela coisa confusa de sentimentos carnais e era isso que ele queria. Aquele homem era muito especial e Chrome era uma mulher de sorte.

Chrome também estava em dúvidas sobre os seus sentimentos pelo Guardião da Chuva. Gostava de estar com ele. Queria mais, queria que ele dividisse os segredos com ela, queria que ele a amasse. Algo desesperador, no entanto, ela sabia que ele era diferente. Tanto que não se surpreendeu quando descobriu de seu envolvimento prévio com Dino Cavallone. As habilidades de interação de Hibari eram nulas e então não lhe surpreendia que o primeiro contato tenha sido com o Cavalo Bronco, mas quando ele começou a abordá-la a vida pareceu que tinha mais cor e mais dor, já que Chrome era uma agente dupla, sempre acabava cedendo aos encantos de Mukuro-san. Não, ela não se encontrava sexualmente com ele desde que tinha começado a encontrar com Hibari, mas não deixava de ser uma traição, certo?

Com as informações que ela dava, vários laboratórios eram explodidos, várias pessoas ficavam sem emprego e algumas se machucavam. Isso era errado, só que ela não conseguia parar. Não conseguia mesmo parar de dar informações. Mesmo sabendo que era tudo interesse em uma vingança cega contra os Vongola que a acolheram tão bem. Só que ela podia tentar fazer um jogo triplo. Advogar em causa própria ou simplesmente para proteger o seu amado guardião da Nuvem. Amado, palavra que mesmo sem ser dita causava estranhamento, uma azia inesperada. Embora fosse isto mesmo. Amor. Ela amava aquele homem da maneira que conseguia e amar era proteger, certo? Então ela sabia exatamente onde teria que ir.

Ao invés de se encontrar com Mukuro-san, foi para casa de Haru Miura. Se tinha alguém que podia ajudá-la a ter um norte, seria a ex- namorada de Gokudera-san, a mulher mais misteriosa, perigosa e insana que Chrome conhecia e também tinha a mulher que o chefe gostava e a namorada de Yamamoto-san. Não teria erro. E elas a protegeriam porque a família é assim. Família. E com esse pensmento Chrome foi para a casa de Haru.

“Aquela idiota da Chrome ainda não apareceu Mukuro-san.”

“Ken, não chame a minha querida Chrome assim.”

“Mas ela ainda não apareceu.”

“E sabe, eu não me supreenderia se ela não viesse mais.”

“Como?”

“As pessoas mudam Ken, já devia saber disso. Talvez Chrome tenha seguido seus conselhos e não venha mais.”

“Ela não pode fazer isso comigo, quer dizer, com o senhor Mukuro-san.”

“Ela pode fazer o que quiser Ken. Já me foi útil o suficiente. Por favor, não fique assim. E lembre-se que temos a Milfiore para arrasar. Aquele Byakuran é um obstáculo a ser eliminado. Chrome não sabe de nada sobre eles, a nossa melhor informante é Kyoko Sassagawa que é a mulher pela qual o Décimo Vongola é apaixonado. Isso não é interessante? Kufufufufufufufu.”

“Sim, muito interessante Mukuro-san.”

Kyoko espirrou umas duas vezes antes de ouvir a porta batendo e deu de cara com uma garota muito pequena com um tapa-olho que parecia que iria quebrar de tanta delicadeza. “Sim?”

“Aqui é onde a Haru-san mora?”

“Sim, vou chamá-la. Pode entrar.”

Chrome se adentrou e ficou surpresa pela leviandade da moça que mal a conhecia e já abriu a porta da casa pra ela, bom, talvez por ter dito o nome de Haru pode ter lhe dado um salvo conduto, um passe livre por esse apartamento minúsculo, mas mesmo assim, esta falta de atenção é muito séria.

Estava pensando em mil maneiras de deixar a casa mais segura quando ouviu ao longe a voz fina de Haru a chamando de volta pra terra.

“Chrome-chan, está tudo bem?”

“Tudo bem Haru-chan, mas precisamos conversar sério. Sobre a Kokuyo Land. Em particular.”

“Pode ser na frente da Kyoko-chan. Ela sabe de tudo.”

“Como assim?”

“Dessa forma. Nós fazemos parte do grupo de ativismo.”

“Então Haru-chan, o problema é exatamente este. Não há um grupo de ativismo. Isso é fachada pro plano de destruição da família Vongola.”

“COMO É????????” Três vozes em uníssono.

“É isso mesmo. O salvamento de animais é uma mera consequência. Geralmente os testes não são nem aprovados pelo chefe que só fica sabendo quando explodimos os laboratórios. E ainda mais com as armas químicas que Bianchi-san nos tem proporcionado, fica cada vez mais fácil invadir, fechar e invadir novamente. A causa de animais causa muita indignação. É fácil encontrar adeptos para destruir sem nem ao menos pesquisar antes. Eu sou a agente dupla, pelo menos dos Vongola e me sinto péssima com isso. Quero escolher um lado.”

“Um lado? Você quer escolher um lado? Por que isso agora Chrome?” Bianchi estava desesperada.

“Porque não tem como proteger a nuvem sem estar do lado do céu.”

“Oi? Como? Como se protege nuvens? Como assim?” Haru estava escandalizada.”

“Chrome-san, estamos do lado do céu também e certamente faremos alguma coisa.”

“Sassagawa-san, a futura mulher do chefe?”

“Não sei ainda, mas no momento quero proteger meu céu também.”

“Kyoko, você sabe do que ela está falando?” Bianchi perguntou.

“Das alcunhas que os garotos se dão, ou melhor, que Reborn-kun deu pra eles. Por exemplo: Onii-chan é o sol, Tsuna-kun é o ceu, Gokudera-san é a tempestade, Lambo-kun é o trovão, Yamamoto-kun é a chuva, Chrome-san é a névoa e Hibari-san é a nuvem. Então você quer proteger Hibari-san. Interessante. Quer proteger o mais forte de todos. Coisas que o amor faz, não?” Kyoko falou com ironia.

“Mas por que falou assim Kyoko-san?” Chrome perguntou.

“Porque você nos enganou. Simples. Eu posso ser uma pessoa muito misericordiosa, mas isso é sério. Eu entrei e mudei completamente a minha vida achando que tinha entrado em algo útil, você sabe o que é se sentir inútil por toda a sua vida e quando finalmente se encontra, descobre que é uma mentira? Você sabe? Não, porque você sempre soube e pode escolher. Mesmo que foi decepcionada era algo que você sabia, agora nós também estamos envolvidas nisso e incrivelmente entramos nessa pra salvar os Vongola, salvar o meu irmão, o meu querido Tsuna-kun, o amor da Haru-chan, o garoto da Bianchi-san e o irmão dela. Você consegue sentir essa raiva Chrome? Consegue sentir alguma coisa?”

“Eu...eu...me desculpem.”

“Você sabe o plano? O plano todo?”

“Não. Eu sei pedaços. Sei que ele está se concentrando em outra fábrica que realmente quer prejudicar os Vongola e que realmente faz testes com animais...só que ele não me pediu nenhuma informação sobre isso.”

“Mil...fiori.” Kyoko disse com dificuldades.

“Como?” Haru perguntou.

“Eu sou a informante. Ele está usando tudo o que eu passei pra ele. Sou eu quem passou os novos laboratórios, a localização, tudo. Ele sabe o quão insignificante e invisível eu sou e como isso facilitaria e muito a entrada dele.”

“E o que vai fazer? Parar?”

“Não dá, não dá porque a Milfiore realmente é muito ruim e também, se ele desconfiar...temos que contar tudo para os Vongola. É a única maneira.” Kyoko diz.

Kyoko-chan, isso é loucura do início ao fim. Como faremos isso, como contaremos? Isso é insano, perigoso e misterioso e tudo o mais que puder ser.” Haru estava desesperada.

“Kyoko tem razão Haru. Eles precisam saber pra poderem se proteger. É a única maneira.” Bianchi disse estoica.

“Mas você conhece o seu irmão Bianchi-san e o seu também Kyoko-chan. Vão explodir tudo.” Haru replicou.

“Não se o céu os segurar. É o que Tsuna-san faz. Ele é o catalisador. Só ele pode ajudar. Precisamos ir na mansão o mais rápido possível, na medida que o fusca permitir, é claro.”

“Ah, eu vim com o meu carro, é mais rápido que um fusca, se vocês não se importarem, é claro.” Chrome completou.

Como não ouviu nenuma objeção, as garotas se dirigiram a toda a velocidade para a mansão e o carro de Chrome não encontrou problemas para passar pelas inúmeras barreiras colocadas por Reborn.

Chegaram e já foram correndo em direção à porta, pedindo pelo amor de Deus para falar com o Vongola Décimo.

Tsuna desceu correndo depois que a sua empregada disse que tinham 4 mulheres procurando por ele e se deparou com Kyoko, sua adorada Kyoko que estava ali procurando por ele

“Tsuna-san, temos que conversar em particular.” Kyoko disse resoluta.

O décimo só assentiu e a conduziu para a biblioteca.