Notas iniciais
Gente...demorou, né? Eu sei!! Bom, primeiramente, obrigada pelos comentários! Sério! Um mais lindo que o outro. Segundo: mudei a estrutura da narrativa. O capítulo é sob o pov do Yamamoto, Gokudera que estarão ativos e Tsuna que será o ser onisciente. Tsuna não vai ter falas, mas vai participar do capítulo e o próximo será assim também, mas com a Kyoko, a Haru e a Bianchi.
Puri-senpai, esse é especialmente pra vc! Acalmei o Gokudera, viu? Até mais.

Aquilo realmente não estava correto, a manhã mal tinha chegado e ele já estava furioso. Não tinha conseguido dormir muito bem, na verdade, não tinha conseguido dormir de jeito nenhum. Uma hora sonhava com Haru, quando eles estavam em um daqueles poucos momentos de calmaria e beijos como namorados normais, em um outro lapso, sonhava que estava brigando com ela e a seduzia para fazer as pazes. Muito melhores e o pior de tudo, foi quando a irmã dele e Yamamoto apareceram no sonho de mãos dadas como se dessem sua bênção e depois se beijaram. Aquilo era demais para o homem, acordou na madrugada e não conseguiu mais dormir.

Gokudera estava realmente muito explosivo, parecia que tinha comido um pote de pimenta malagueta e teve uma crise de hemorroidas e essa associação não o deixou muito feliz.

Essa braveza o estava o consumindo e ele nem conseguia pensar direito. Antes, essas explosões de raiva ajudavam na sua rapidez de pensamento, agora, ele só conseguia sentir raiva e nada de útil saía disso. Ele precisava meditar, precisava refletir sobre tudo o que estava acontecendo.

Porque não era o ato mais simples do mundo aceitar que Bianchi estava realmente envolvida com Yamamoto, que eles tinham voltado para esse buraco que era Nanimori e que ele ainda amava Haru.

Sim, ele ainda a amava com todo o seu ser e não sabia o que doía mais, se era o fato de ainda amá-la e ter fracassado na tentativa de esquecê-la. Era um perdedor, não importasse o ângulo pelo qual analisasse a situação e se tinha uma coisa que o guardião da tempestade odiava era perder. Ele tinha se dado essa alcunha, dado o fato que não tinha nada que superasse a força da tempestade, de acordo com suas teorias científicas e meteorológicas.

Era um ser de natureza beligerante, isso se podia ver até em seus órgãos internos, já que os mesmos lutavam entre si para mantê-lo enjoado quando via sua irmã, mas a guerra sempre traz derrotas, coisa que ele odiava. Então, começou a dissimular as mesmas. Cada vez que Yamamoto recebia um elogio aberto por um trabalho mais simples do que o dele, Gokudera achava que Tsuna fazia isso por dó, já que a capacidade de Yamamoto era menor do que a dele, entretanto, quando a situação era inversa, era porque a capacidade dele tinha realmente se destacado.

Apenas pequenos utensílios para se sentir melhor consigo mesmo, um sistema que ele tinha preparado, já que gostava de ter tudo sob um mínimo de controle, apesar da controversa impulsividade. Entretanto, o controle estava indo às favas e ele não conseguia reagir, precisava falar com alguém, desabafar, embora não quisesse incomodar Tsuna com isso, analisou a situação e viu que realmente não tinha jeito, se para livrar-se desse desassossego tinha que desabafar, então desabafaria com aquele que considerava mais, e coincidentemente era o mais são de todos.

Subiu as escadas e bateu à porta do quarto de Tsuna, que demorou consideravelmente para abrir a porta.

“Oi Gokudera-kun, algum problema?” Tsuna perguntou.

“Ah, eu só queria conversar com alguém. Será que tem um minuto?”

Tsuna ficou de boca aberta. Gokudera não era de conversar, a não ser que estivesse com aquele discurso devoto sobre os Vongola e sobre o próprio Tsuna, excetuando essas situações, ele sempre guardava tudo dentro dele.

“Todo o tempo do mundo. Entra.”

Gokudera estava vexado. Era muita petulância de sua parte incomodar o Décimo com seus problemas pessoais, por mais que Yamamoto e Ryohei fizessem isso periodicamente, não se sentia confortável em imitar os dois colegas que menosprezava, por mais que os admirasse.

Todos estes sentimentos conflitantes acabavam com o homem, ele não conseguia se mexer direito, nem sabia realmente o que queria falar e Tsuna, utilizando de sua notória intuição, achou melhor dividir um segredo pra ver se conseguia que ele falasse alguma coisa. Parecia que algo ia explodir e o resultado não seria bonito.

“Gokudera-kun, eu tenho algo pra lhe falar, pode se sentar? E depois eu quero ouvir o que você tem a dizer sobre isso, tudo bem?”

O moço assentiu e ouviu Tsuna discorrer sobre seu hobby de retratar Kyoko, adicionando veementemente que aquilo era um segredo da máfia. Também disse que sempre foi interessado nela, apesar de não considerar amor, já que não tinha nem tentado nada e se achava um idiota que não conseguia reagir ao abraço que ela deu. Ouviu Tsuna dizer que agradeceu aos céus pela proposta de Onii-san, já que finalmente teria a chance de fazer o que sempre quis, mesmo que fosse por meios não muito aprováveis e que daria um braço para que Kyoko o beijasse.

Gokudera ouviu tudo com muita atenção e constatou que Décimo era um homem que vivia de possibilidades amorosas, ele não tinha nada concreto, como Gokudera e Haru. Tsuna gostava da irmã de Ryohei, mas por mais que houvessem mulheres interessadas, a mera possibilidade de Kyoko afastava todas elas, a menção do nome dela era o suficiente para Tsuna desistir de qualquer tentativa deliberada de flerte, de qualquer contato real com outra pessoa e ele sentiu algo que nunca experienciou: pena de Tsuna.

Porque, por mais que Décimo fosse quem fosse, suas alegrias eram pautadas em possibilidades nebulosas. Coisas que não tinham o menor motivo de acontecerem, já que ele não fez esforço algum.

“Décimo, eu acho que essa coisa das fotos é mesmo muito esquisita, já que você a mantém por perto, mas não se aproxima dela. Já pensou nisso?”

Tsuna o olhou intrigado e o incentivou a continuar.

“Quando eu e a Haru começamos, eu sabia que ela era interessada em você. Isso na verdade não me incomodava muito, já que quem não se interessaria? Tiveram momentos em que até eu me achei interessado em você – ignorando o pleno rubor de Tsuna, continuou. — Só que a sombra da Sassagawa sempre esteve entre vocês, uma sombra que você mesmo criou. Na época do colégio, quando eu e a Haru estávamos juntos, nunca vimos você ou mesmo ela, com outras pessoas. Eram como se tivessem construído uma barreira invisível e um estivesse esperando o outro entrar, mas sem se deixar sair, entende? Eu acho que é isso que faz com essas fotos, Décimo. É a sua maneira de fazer com que a Sassagawa ultrapasse essa muralha, mas ela não pode fazer isso se não souber que tem que fazer, não é? Ela o abraçou por um motivo, ela disse pra você: seja bem-vindo. Não disse pra mim, não disse pro Yamamoto, que já estudou com ela, nem disse pra aquela anta do irmão dela. Disse pra você, então eu, pelo pouco que eu sei, acho que a muralha está ao menos sendo observada, pra ver se dá pra escalar ou não.

O amigo que ficou realmente encantado com tudo o que ouviu, achou melhor dar sua cartada para fazer com que o amigo desabafasse. Perguntou como foi com ele e com a Haru.

“Ah, aquela mulher idiota...ela me fez de tonto por muito tempo, uma hora era porque não gostava de mim, outra porque gostava demais. Ela é mesmo uma tempestade, mas sabe, Décimo...eu não a trocaria por mais ninguém. Haru tem aquelas explosões...tudo perto dela fica agitado, mesmo que ela não diga uma única palavra. Aqueles olhos castanhos sabem tudo o que acontece à volta dela e mesmo que ela pareça uma burra, o que ela realmente parece, é a mulher mais inteligente e interessante que conheci, só que eu nunca disse isso pra ela. Até quando foi pra pedir pra sair, eu simplesmente cheguei nela e soltei: '19h eu passo na sua casa pra caminharmos, você está muito gorda. Tem que parar de comer bolo, viu?'. Sim, eu disse isso, não fique impressionado Décimo, você sabe que eu sou capaz. E sabe o que me surpreendeu mais? Ela estava me esperando com uma camiseta branca da equipe de ginástica rítmica e uma calça de moletom cinz. Nada atraente, nada sexy, mas naquele momento, ela parecia a mulher mais linda do universo. É assim que você se sente com a Kyoko?”

Ao ver Tsuna assentir, continuou com seu relato.

“Já que ela tinha ido, mesmo depois dessa besteira que eu falei, achei que iriamos nos beijar naquele mesmo dia, mas claro que não rolou. Por um lado, eu fiquei bem feliz, já que nunca tinha beijado na minha vida, mas por outro, subitamente os lábios da mulher idiota...ops.me desculpe..da Haru, se tornaram a coisa mais atraente que eu já vi na minha vida. Eu queria descobrí-los, como eu ainda quero descobrir se tem aliens por aí, sabe? Então...eu queria, mas eu descobri que ela não. Nunca levei um tapa tão violento na minha vida. E foi aí que eu percebi que eu queria ficar com ela pra sempre, o tanto de tempo que isso fosse.

Tsuna disse que achou surpreendente o fato de Gokudera só ter beijado Haru mesmo na adolescência, já que ele era tão assediado e também disse que já achava um milagre que eles tinham conseguido namorar, já que esse convite quebrava toda e qualquer lei da atração. E Tsuna, percebendo que era o momento, perguntou o motivo da separação.

“Eu chamei ela de idiota 1025 vezes em um único dia, ela contou e eu ri disso. E aproveitei para chamá-la de obsessiva-compulsiva. E provavelmente, falei algo dos bolos também, agora a memória me falha.

O caso era que ela estava pesquisando um tal de Mukuro, disse que o cara era um ativista muito interessante. A acusei de estar sentimentalmente interessada nele. Eu achei que ela estava pensando em me largar, principalmente depois que eu a vi lendo sobre esse cara. Só que ela me falou dele, falou de um pouco do trabalho que ele desenvolvia em Kokuyo, das descobertas, mas eu não dei muita atenção. Eu sempre dava atenção, mesmo que fosse explosiva, mas um dia, a semente do ciúme entrou e brotou. Parece idiotice, mas o ciúme e o medo de perder a Haru me fizeram perdê-la. Toda a vez que eu grito com ela, é comigo mesmo que eu grito, quando eu uso as milhas de todo mundo para vê-la, sou eu assumindo que sou um idiota, como eu a chamo sempre. Eu a segui, uma vez e ela tinha ido jantar, com o tal Mukuro. E foi quando eu pensei que se eu estivesse lá, ela estaria naquela mesa comigo e estaríamos no mínimo, tencionando jogar água um no outro e depois que nos acalmássemos, faríamos amor a noite toda, mas não. Eu a empurrei pra ele. Mesmo que eles não estejam juntos, aquele jantar foi minha culpa e todos os outros que viriam, por isso, prometi a ela, coisa que ela não sabe, que quando a visse e ela me visse, iria gritar com ela como nunca fiz antes, pra ver se ela tentava voltar pra mim. Só que essa não foi a melhor estratégia, não?”

Tsuna não pôde deixar de rir, mas gargalhar violentamente. Ele se desculpou pela indelicadeza e atentou ao lado geek do amigo. Citou que como ele tinha experimentado esse método antes e a tinha afastado e perguntou qual foi a lógica metodológica que o fez acreditar que aquilo funcionaria novamente.

“Sim, foi uma péssima análise, Décimo, eu concordo. Eu não acredito mesmo que fiz essa experiência fracassada com a coisa mais importante da minha vida, agora vou ter que criar um método diferente para tentar conseguir a Haru de volta.

Tsuna sorriu e disse para ele adicionar uma constante: não chamar a Haru de mulher idiota.

“Sim, já está adicionada. Obrigado Décimo. Vou trabalhar nisso agora mesmo.”

Gokudera saiu infinitamente satisfeito do quarto de Tsuna e foi para o seu, onde começou a ler umas anotações, mas se sentia tão tranquilo, que adormeceu minutos depois.

Logo que Gokudera saiu do aposento, Yamamoto colocou-se do outro lado do quarto. Ele também precisava da ajuda deTsuna. Precisava de seus conselhos, porque não estava se reconhecendo mais, precisava de alguém pra conversar. E como Tsuna, mesmo sendo o mais inexperiente, era um dos mais sábios, ele se aproveitaria totalmente disso. Não tinha nada de mais, pedir um conselho pra um amigo.

Bateu à porta e Tsuna abriu com um sorriso.

“Tsuna, está ocupado?”

Tsuna negou e o convidou para entrar.

Yamamoto geralmente era mais fácil de ler, Tsuna pensou, eles tinham esse relacionamento mais de iguais. O colega o respeitava, mas sem a adoração que Gokudera apresentava, sem aquela intensidade de Ryohei, aquela era uma amizade mais normal e Tsuna agradecia por isso, agradecia imensamente.

“Tsuna, eu nem te contei o que estava acontecendo comigo e com a Bianchi, me desculpe. Eu fiquei tão assustado e impressionado que nem pude refletir, e olha que eu nem sou muito de ficar nervoso. Não sei o que eu estou sentindo Tsuna, eu não posso amar alguém que não está nem aí pra mim, não é? Porque o que ela quer de mim é puramente carnal. Tsuna, você está bem? Deixa eu pegar uma água pra você. Toma aqui. Então, é puramente sexual e eu quero mais que isso, entende?”

Depois de engasgar mais algumas vezes com a sinceridade densa de Yamamoto e tentar tirar a imagem de Bianchi nua de sua cabeça, Tsuna perguntou como ele sabia disso, que era puramente carnal, não deixando de acrescentar que se era puro, tinha seu valor, oras.

“Ela só me usa pra transar Tsuna. Ela gosta do Reborn, do garoto. É dele que ela gosta, apesar dele me dizer que não, que eles são só amigos, mas dá pra saber que é dele que ela gosta. Porque ela fica super à vontade com ele, conversam de tudo e quando ela está comigo, não sabe o que fazer. Fica tímida. Onde já se viu? Teve um dia em que estávamos na piscina e ela se empolgou tanto que eu não soube o que fazer, mas eu vi que o Reborn estava nos observando. Eu tô te falando Tsuna, eu nunca a vi tão satisfeita e foi por causa do Reborn. Tsuna, tá tudo bem?? Acorda!!!”

Depois que Tsuna acordou de seu leve desmaio e tentou se recuperar da vermelhidão que poderia afastar seu amigo, ponderou sobre o que diria. Não tinha nem beijado na boca, quanto mais sexo. Aquilo ia além da sua capacidade. Claro, já tinha visto filmes adultos, fez parte da educação que Reborn lhe deu, mas pessoalmente nada. Entretanto, Reborn sempre destacou que o par só aproveita quando está à vontade. Logo, Tsuna conectou isso ao fato de Yamamoto admitir que usou a piscina para atividades lascivas e arrancou um sorriso do amigo.

“Ao menos isso, mas isso de se sentir confortável é dela mesmo. Eu acho que ela se sentiria assim com qualquer pessoa. Tsuna, ela nunca disse o meu nome na cama, você acredita? Ela nunca pegou na minha mão em público e mesmo assim ela disse pro Reborn o que estava rolando e provavelmente foi pra fazer ciúmes pra ele. Claro que foi, porque ela disse só pra ele e nem contou pro Gokudera ou ainda pra sua mãe, de quem ela é tão amiga.”

Tsuna ponderou sobre o fato de Yamamoto ficar constantemente frisando suas atividades sexuais, era como se o mesmo estivesse esfregando na cara do aprendiz de fotógrafo a sua virgindade. Aquilo era golpe baixo. Contudo, Yamamoto nunca foi um bom estrategista de palavras e nem era um cara cínico. Aquilo era real e ele estava desesperado. Pelo que Tsuna pôde perceber, o sexo era a prova que Yamamoto estava sendo atraente pra Bianchi até um certo momento e quando ela parou de responder a somente esses estímulos, de acordo com a lógica estranhamente distorcida de Yamamoto, era como se ela estivesse desdenhando o que os aproximou. Era isso. Yaamamoto estava com medo de ser ruim de cama! Claro que ele perguntou ao amigo, se a satisfação da mulher era inversamente proporcional à habilidade do homem, coisa que ele respondeu prontamente que era o contrário.

Tsuna o convidou a analisar a trajetória sexual deles, já que era só disso que Yamamoto estava falando e conforme o amigo foi se lembrando, ele viu que houve uma mudança positiva no padrão, destacando algo que o próprio Reborn contou quando dividiu suas experiências: o sexo fica muito melhor com a intimidade e a confiança. Por isso que eles estavam se sentindo melhor, porque estavam à vontade e íntimos um do outro. Aquilo era muito positivo e devia muito ser levado em consideração. E convidou Yamamoto para analisar os fatos.

“Vendo por esse lado, claro que melhorou, né? A gente conhece o corpo melhor e consegue arrancar mais prazer da parceira, mas isso não significa exatamente intimidade.” Yamamoto disse resoluto.

Tsuna queria morrer, morrer e matar Yamamoto pela sua burrice declarada. Como ele e Gokudera eram diferentes, o que fez com que pensasse no relacionamento dos dois. Porque Gokudera e Haru eram iguais, já Yamamoto e Bianchi eram diferentes. Não tinha uma fórmula para isso. Mas tinham detalhes que poderiam ser divididos e agora que Tsuna sabia da real situação de Bianchi e Yamamoto, ele podia fazer uma análise baseada em sua intuição.

Observou que Bianchi estava distraidíssima. Coisa que ela nunca foi. Somente o foco dela era diferente. Principalmente quando estava experimentando suas fórmulas, não foram poucas as vezes que o laboratório explodiu e nem tinha sido culpa de Lambo. Ela estava fazendo misturas miseráveis e conseguindo resultados cada vez mais desastrosos, a não ser com uma pasta que derretia metal. Aquela foi a única experiência bem sucedida, isso que a fórmula não era dela, outra coisa anormal. Bianchi criava fórmulas, era uma química por natureza e nunca pegaria uma fórmula de outrem, mas aconteceu essa exceção.

“Tsuna, de quem é essa fórmula? Quando ela aparecia com uns hematomas, eu achava que eram os chupões que eu deixava na pele dela. Meu Deus, ela estava com dor e eu nem percebi? Ai, como eu sou idiota. Tsuna, eu só estou falando do sexo, né? Porque era a única coisa que eu podia fazer pra ela se ligar em mim, entende? Eu fazia um sushi de vez em quando, ela parecia gostar, mas não amar, sabe? E também lutávamos, trenando, sabe? Ela aparentava uma satisfação, mas eu não sei.

Décimo suspirou pela enésima vez naquela manhã, perguntou pra Yamamoto se ele realmente conhecia a pessoa pela qual ele estava se agoniando, já que ele exigia atitudes que ela naturalmente não tomaria. Bianchi não demonstrava emoções como as outras pessoas, era tudo ao contrário. Sempre teve um olhar estoico, uma fala monocórdia, nenhum rompante. Sempre foi completamente composta, mesmo quando estava fazendo experiências, nas adversidades, sempre agia demonstrava 0 emoção. Bianchi era estável externamente. Tsuna rezou para que Yamamoto tivesse entendido alguma coisa, embora duvidasse, devido ao rosto atordoado do amigo.

“Tsuna, então você quer dizer que ela mostra emoção pra mim, é isso? E isso é bom? Ela também ficava de mimimi pra cima do Reborn e era uma coisa pedante, ela o abraçava na frente de todos, claro, quando começamos ela parou com isso, mas não sei o que isso prova.”

O homem respirou fundo, como se estivesse tentando acalmar seus ânimos, não achava mesmo que Yamamoto era tão raso. Só que Tsuna estava ali pra ajudar e não para julgar, já que ele mesmo estava com problemas para interpretar as ações de Kyoko, apesar da conversa com Gokudera tê-lo animado muito. O chamado guardião do céu deixou bem claro a importância das demontrações emocionais de Bianchi, sem esquecer o quão transtornada ela parecia nos últimos dias, não que isso fosse positivo, mas era diferente. Ela tinha se permitido transformar por Yamamoto e foi quando Tsuna entendeu o porquê dela ter praticamente fugido da mansão. Ela se deixou mudar por Yamamoto, perdendo totalmente sua noção de equilíbrio. O que assusta profundamente uma pessoa tão controlada quanto a irmã de Gokudera. Ela praticamente se transformou e precisava de encontrar familiaridade. Não podia chegar perto do irmão, ninguém da casa era realmente próximo a ela, além de Reborn, mas em respeito ao que Yamamoto podia pensar, ela buscou a única pessoa fora daquele ambiente que lhe parecia confiável. Haru. Elas sempre se deram bem e sempre se entenderam. Se ela precisava de um norte, era pra Haru que iria correr. E conhecendo bem Haru, por mais que ela estivesse com raiva do irmão de Bianchi, nunca a deixaria desamparada.

O olhar de Yamamoto declarava que ele tinha descoberto o Brasil, de tão maravilhado que estava.

“Tsuna, agora é fazer ela ficar tranquila, não? Aí a gente pode ficar junto, não é? E me fala, quando que você vai falar com a Sassagawa? Ela já deu todas as dicas que está afim de você, viu? Pena que você não percebeu na época da escola. Nossa, eu não achei que fosse durar tanto tempo. Obrigado mesmo Tsuna, você é um amigão! Até mais.”

Quando Yamamoto saiu, Tsuna sentia que a Terra tinha saído do eixo e estava flutuando até Plutão, pra fazer uma visita e lamentar pela perca do título de Planeta do Sistema Solar. A informação era demais pra ele assimilar. Yamamoto tinha dito que ela Kyoko nutria um interesse por Tsuna. Kyoko, a ídolo do colégio, a garota mais cobiçada, a mais engajada em atividades escolares, com as melhores notas da turma, tinha um interesse por Tsunayoshi Sawada, cujo melhor feito foi ter conseguido um tutor maluco que começou a aliciar adolescentes para um trabalho em um país estrangeiro, sendo que ele nem se esforçou pra isso. Reborn apareceu do nada e transformou a sua vida externa, mas ele continuava sendo o mesmo imbecil que não percebia nada além do seu mundinho. Ele observava Kyoko, mas tinha perdido o fato de que ela era afim dele?

Não, aquilo não era possível. Yamamoto não era decente nem para avaliar a coisa mais óbvia, que era o fato de Bianchi estar perturbada por ele, agora ele tinha visto que Kyoko era afim dele? Não! Era mais um truque da mente rasa de Yamamoto. Aquilo não acontecia. Ele não era capaz de perceber uma coisa dessas e não dizer. Ou será que era?

Na verdade, o que aconteceu foi que Kyoko simplesmente disse pra Yamamoto que tinha um interessa em Tsuna, mas fez com que ele jurasse que não contaria na época da escola, salvo se ela fizesse algum contato com ele. E foi somente por isso, que ele deixou isso escapar dessa maneira displicente.

Agora era Tsuna quem precisava de conselhos, mas encarar Reborn e seu método Vongola-conselheiro estava fora de cogitação.

Notas finais
Bom, deixem comentários sobre o que acharam dessa estrutura de narrativa e claro, da estória!! Muito obrigada mesmo.